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segunda-feira, 30 de abril de 2012

O PARADOXO DO OURO



 
 
O PARADOXO DO OUROImprimirE-mail

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Peça pertencente aos tesouros encontrado  na tumba de Tutancâmon 
 
O Ouro é conhecido a mais de 6000 anos, já presente nas artes, adornos e rituais das primeiras civilizações. Metal extremamente dúctil e maleável não reage com ar nem com a água. Estas características, fizeram do ouro, matéria prima de grandes trabalhos artísticos durante a história da humanidade, dando a elas uma incomparável durabilidade a qual podemos comprovar nas antigas obras encontradas em perfeito estado de conservação.
Além das características físicas, o ouro possui  intrinsecamente valores “mágicos”, divinos. Ele é o valor absoluto e seus significados são amplos e paradoxais.
Para as antigas civilizações era o metal do Sol, seus raios ao penetrar na terra se transformavam em ouro.
Wilson Chaves nos mostra no livro: Ouro, suas histórias, seus encantos, seu valor; a magia deste metal que acreditava-se possuir a força do Sol tornando o ser humano corajoso, forte e generoso como o próprio Sol. O rei, ao usarem a coroa, recebe esta energia por sua cabeça e a transmite aos seus súditos. O mesmo acontece com os sacerdotes que usam um anel como condutor desta energia.


“O antigo costume que ainda sobrevive, de usar brincos, braceletes, colares e broches de ouro prende-se a tal crença. O furo nos lóbulos das orelhas para se fixarem brincos de ouro favorecia, acreditava-se, a expulsão das substâncias impuras do corpo com a presença do nobre metal.”
Wilson Chaves


Há um paradoxo que  leva o ouro do divino em seu uso religioso, ao profano em seu emprego laico representando poder e prestígio. Hoje, grande parte destes valores são transferidos para a joalheria, principal forma de se trabalhar e adornar-se com este metal.
Vindo do fundo da terra os materiais utilizados pela joalheria carregam o fascínio e a culpa como é colocado por Roland Barthes em: Inéditos vol. 3 – Imagem e Moda.
 
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Barras de Ouro
 
“Durante muito tempo, durante séculos e talvez milênios, a jóia preciosa foi essencialmente uma substância mineral; fosse diamante ou metal, pedra ou ouro, ela sempre vinha das profundezas da terra, daquele coração ao mesmo tempo sombrio e abrasado do qual só vem os produtos endurecidos e esfriados; ... daquelas ínferas cavernas em que a imaginação mítica da humanidade colocou ao mesmo tempo os mortos, os tesouros e a culpa.”

Durante a história, os principais materiais utilizados na joalheria foram: o ouro, as pedras, o diamante e as pérolas. Cada qual com seus significados:

O ouro é a dualidade do sagrado e divino, versus, terreno e profano.
As pedras como inerte, imóvel e dureza: a essência.
O diamante representa a pureza fria, a infecundidade, mas também o brilho, o fogo: sedução X pureza.
A pérola: feminilidade, castidade e sabedoria.

Encontramos o ouro e a joalheria em um lugar único no inconsciente de nossa sociedade. Este material fascina, seduz e encanta por sua beleza, durabilidade  e significados.


“A motivação do uso das jóias escapa ao estatuto dos objetos chamados simplesmente, de utilitários, a razão para seu uso é de outra ordem. O ouro, metal comumente empregado na fabricação das jóias, vem exercendo seu fascínio desde o tempo das sociedades primitivas até hoje. Sem nunca ter se prestado para o fabrico de armas ou mesmo de ferramentas, objetos úteis à sobrevivência humana, o ouro vem, através dos tempos, simbolizando a luz, o sol, a própria vida e a transcendência. As jóias são repletas de significados, espécie de objetos mágicos que lidam com um universo múltiplo que flutua entre as questões da proteção, da distinção e da sedução.”

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