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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Moradores de Tucumã denunciam garimpo ilegal em rios do Pará

Moradores de Tucumã denunciam garimpo ilegal em rios do Pará

População critica contaminação da água em comunidade de pescadores.
Polícia Federal diz que aguarda Funai para fazer diligências.

Moradores de Tucumã denunciam a presença de balsas de garimpeiros nos rios Fresco, Branco e Xingu (Foto: Arquivo pessoal)Moradores de Tucumã denunciam a presença de balsas de garimpeiros nos rios Fresco, Branco e Xingu (Foto: Arquivo pessoal)
Moradores da comunidade de Pedra Rachada denunciam que garimpeiros estão utilizando balsas para extrair ouro ilegalmente do rio Fresco, um braço do rio Branco que desagua no rio Xingu no município de Tucumã, sudeste do Pará. Além de prejudicial para a natureza, a prática é ilegal: de acordo com a Secretaria de Meio-Ambiente do Pará (Sema), não há licenciamento para a atividade na região.
Segundo a Associação dos Pequenos Produtores do Rio Fresco, as 150 famílias que vivem na região estão preocupadas com a possibilidade de contaminação por mercúrio, já que o metal tóxico é utilizado pelos garimpeiros para fazer a separação do ouro encontrado misturado ao cascalho no rio.
Moradores de Tucumã denunciam a presença de balsas de garimpeiros nos rios Fresco, Branco e Xingu (Foto: Arquivo Pessoal)Cerca de 15 balsas estariam distribuídas pelos rios
da região (Foto: Arquivo Pessoal)
"Nós não queremos água poluída. Queremos água limpa. Os moradores daqui nunca quiseram tirar 1 grama de ouro, mas vem gente de fora e faz. Ouro é um bicho amaldiçoado", desabafa seu Antônio, que pediu para ter o sobrenome preservado. Segundo ele, a comunidade sobrevive de pesca e agricultura, atividades que podem ser prejudicadas pelo garimpo.
Os moradores contam que a extração começou a cerca de 90 dias, quando as primeiras balsas chegaram ao rio - hoje seriam mais de 15. Fotos recebidas pelo G1 por uma fonte que pediu para não ser identificada mostram balsas nos rios Fresco, Branco e Xingu. Para o Ibama, a utilização destas embarcações causa grande impacto na Natureza: além de contaminar a água com mercúrio, as balsas reviram o extrato do rio, destroem o leito e causam assoreamento das margens.
Segundo a prefeitura de Tucumã, a atividade também prejudica o turismo, já que os locais contaminados são balneários que atendem a população. A prefeitura informou também que já registrou mortandade de peixes por causa do mercúrio despejado das balsas.

Ibama diz que utilização de balsas em garimpos causa contaminação e destruição dos leitos dos rios (Foto: Arquivo Pessoal)Ibama diz que utilização de balsas em garimpos causa contaminação e destruição dos leitos dos rios (Foto: Arquivo Pessoal)
Denúncias
Segundo Antônio, a população já denunciou a atuação dos garimpeiros, e tem medo de sofrer represálias do grupo que explora o minério no rio. "Isso é uma máfia poderosa de garimpo. Esse povo é tipo bangue-bangue", disse.
De acordo com o delegado Leonardo Almeida, da Polícia Federal de Redenção, a PF já tomou conhecimento do garimpo ilegal em Tucumã. "A gente tem informações de uma série de garimpos, mas neste ainda não diligenciamos para averiguar. Estou aguardando resposta da Funai, que tem informações mais precisas. Na medida em que tivermos mais informações, vamos fazer diligência e autuar", disse.
Polícia diz que aguarda FUNAI para poder apurar denúncias (Foto: Arquivo Pessoal)Polícia diz que aguarda FUNAI para poder apurar
denúncias no local (Foto: Arquivo Pessoal)
O delegado ainda aponta a dificuldade em se combater os garimpos em todo o sul do Pará. "O sul do Pará tem muito minério. A gente identifica o garimpo, fecha, mas eles acham outra localidade e começam novamente. O garimpeiro nunca quer deixar a atividade", pontua o delegado.
A comunidade denuncia ainda que o garimpo funciona com a conivência dos índios Kaiapó, que moram na região. Em nota, a Funai informou que acompanha a prática de garimpos na região, tendo realizado várias operações de combate desde 2010. Na mesma nota, a Funai não descarta o envolvimento de índios com o garimpo, mas destaca que esta participação é de uma minoria. "O aliciamento e a participação de indígenas existe, porém é pontual, com envolvimento de poucos, o que não representa as comunidades como um todo. Esse aliciamento pode ocorrer por pressão e/ou ameaças, ou pela oferta de dinheiro".
 

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