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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Vale: acionistas têm que ter ‘alma de ferro’


Vale: acionistas têm que ter ‘alma de ferro’

O preço do minério de ferro continua caindo mais rápido do que você consegue dizer “Vale do Rio Doce”.
Nos jornais desta manhã, fechados ontem à tarde, a manchete é a “nova queda” para 98,10 dólares por tonelada.
Mas ao chegar ao trabalho hoje cedo, os analistas de Vale já viam um outro preço na tela: 96,80 dólares/ton. (Suspiros.)
No curto prazo, não há muito suporte para os preços. Os estoques nos portos chineses são recordes (110 milhões de toneladas) e as mineradoras australianas Rio Tinto e Fortescue (o Eike Batista de lá) continuam a ofertar mais minério (“nova capacidade”, no jargão do mercado). Pior: a produção de aço na China está desacelerando e o setor imobiliário do País (que responde por quase um terço da demanda por aço) está no meio de uma correção de preços.
No médio prazo, porém, o minério abaixo de 100 dólares por tonelada vai inviabilizar mineradoras menores e restabelecer o ambiente racional no qual a Vale, BHP e Rio Tinto sempre se deram bem.
A Vale negocia hoje a apenas sete vezes seu lucro estimado para este ano — um múltiplo considerado baixo — mas a queda do minério e a incerteza sobre a China pressionam os resultados e acorrentam a ação, que cai 19% este ano.
Em sua ode a Itabira (o berço da Vale), Carlos Drummond de Andrade escreveu que os itabiranos têm “oitenta por cento de ferro nas almas”. Para aguentar o tranco, os acionistas da Vale precisam ser duros assim.

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