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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Extraindo o gás do folhelho de Utica

Extraindo o gás do folhelho de Utica
Até poucos anos atrás o folhelho de Utica, em Ohio, era simplesmente desprezado pelos pesquisadores. Nos últimos três anos tudo mudou e esta rocha tornou-se um dos mais valiosos alvos para óleo e gás em toda a América do Norte.

O folhelho de Utica é um sedimento, de idade Ordoviciana, fino, escuro, com materiais orgânicos e calcários intercalados (foto).

Assim que os geólogos perceberam a sua importância começou a sondagem.

Na primeira etapa centenas de furos verticais foram realizados (mapa 1) ao longo de uma malha cuidadosamente planejada.

O que não se percebe na superfície é que para cada furo vertical existem até 8 furos horizontais de 3.000m de comprimento que são perfurados a partir do vertical (mapa 2, da projeção horizontal). É através dos furos horizontais, que estão inseridos no folhelho alvo (ou xisto como essas rochas são chamadas erroneamente no Brasil), que é feito o processo de faturamento hidráulico que permite a extração do gás e óleo dessas rochas: o fracking. Os furos horizontais são perfurados em um padrão que permite a extração, praticamente total, do gás e óleo contido no folhelho.

O processo de extração, o fracking é razoavelmente simples. Ele consiste na injeção de água com areia em altíssima pressão de forma a causar fraturamentos e espaços abertos no folhelho que são preenchidos pela areia. Esse processo causa uma maior porosidade e permeabilidade  da rocha por onde o gás é extraído juntamente com os demais hidrocarbonetos.

O método transformou a indústria e permitiu aos Estados Unidos uma verdadeira revolução energética extraindo gás e óleo em rochas antes inacessíveis e consideradas estéreis. A revolução do fracking é tão grande que está tornando os Estados Unidos, que era o maior importador de óleo e gás do mundo, em um grande exportador.

Tudo isso em pouco mais de uma década.

Apesar do fracking ter reduzido os custos do gás, empregado centenas de milhares de pessoas e revolucionado a indústria da maior economia do mundo ele tem forte oposição.

Vários grupos ambientalistas combatem o fracking dizendo que o método usa imensas quantidades de água (mais de 5 milhões de litros por furo) onde são misturados produtos químicos que podem contaminar a água dos aquíferos superficiais. Vários estudos foram feitos nos Estados Unidos onde existem dezenas de milhares de sondagens com o uso de fracking e está sendo comprovado que a poluição pode ser evitada e quando ocorre é por erros humanos e não do método.

No momento está sendo finalizado um estudo contratado pelo Congresso Americano, a quatro anos atrás, para determinar o real impacto do fracking sobre os recursos de água. Mas o que mais assusta os ambientalistas é o enorme sucesso do fracking. Ele está viabilizando a extração de gás e óleo em um momento em que essas fontes de energia deveriam estar sendo substituídas por outras mais limpas.

É que os ambientalistas querem simplesmente acabar com os combustíveis fósseis e o fracking é a grande barreira que está revitalizando a indústria do gás e óleo.

Trata-se de um impasse interessante e cruel.

De um lado alguns países ricos que podem realmente investir em fontes alternativas de energia, mais caras e menos eficientes e, do outro, os países pobres onde as necessidades são tão básicas quanto um prato de comida.

Como negar a esses a revolução energética que irá criar milhões de empregos e mudar a economia de suas nações enfraquecidas?

Por mais que queiramos o mundo ainda é composto por regiões ricas e outras, a maioria, onde impera a miséria, o genocídio e o descaso ao ser humano. Essas regiões pobres precisam urgentemente de uma verdadeira revolução econômica e social que permita o fortalecimento de suas economias com a criação de novos empregos. Em todas essas regiões existem grandes recursos inexplorados de folhelhos que poderiam estar gerando energia e alimentando a economia local.

Enquanto isso nos Estados Unidos o fracking adicionou 100 anos de recursos de gás e óleo às reservas do país ao mesmo tempo em que substitui as emissões vindas da queima do carvão.


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