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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Será, finalmente, a recuperação do ouro?

Será, finalmente, a recuperação do ouro?
Após um ano de quedas o ouro começa uma inflexão que pode ser o prenúncio de uma subida maior e contínua (veja o gráfico de 30 dias). Será possível que estejamos no momento da virada da mesa?
Como sempre tudo o que se fala sobre o futuro não passa de mera especulação. Infelizmente ainda não temos a bola de cristal e, portanto, não iremos tentar prever o imprevisível. Mas, é possível ler nas entrelinhas do mercado e “sentir” as tendências. São essas tendências que irão ditar o futuro de forma irreversível.
Aqui no Portal do Geólogo é o que fazemos: focar nos pontos fundamentais que são a causa das quedas e das subidas.
Um ponto importantíssimo, que não deve ser deixado de fora da equação é, como sempre, a China. Os chineses não só criam as tendências como às tornam realidade. E por isso ser uma verdade queremos dividir contigo uma informação vital nesta equação: a China está dobrando a sua reserva oficial de ouro! Em 2009 as reservas chinesas eram de 1.054 toneladas e hoje já atingiram 2.170 toneladas, segundo Jeffrey Nichols o Diretor do American Precious Metals Advisors. O Governo Chinês, que não reporta desde 2009, se mantém calado.
Somente em 2013, a China que é a maior compradora de ouro do mundo, tendo superado a Índia, comprou 622 toneladas de ouro.
Isso nos faz perguntar: por que os chineses estão calados enquanto realizam imensas compras de ouro? A resposta é simples. Eles estão comprando barato em um momento que o ouro tem a maior queda em décadas. Neste caso, cutucar o leão com vara curta, ou em outras palavras, informar ao mercado que a China teve um aumento dramático de suas reservas de ouro, só pode fazer somente uma coisa: uma rápida subida no preço do ouro e isso não deve interessar aos compradores no momento. Você não concorda?
Talvez os chineses ainda não querem que essa subida ocorra. Afinal eles são os maiores consumidores e compradores do metal do planeta o que significa que, em algum momento, muito próximo, a queda será revertida e o ouro voltará a brilhar. Ninguém compra tanto, de forma sub-reptícia, sem ter um único objetivo: o aumento dos preços e a adição de riquezas. É isso que os chineses estão fazendo.
Pense nisso e se posicione!

O uso de plantas de cracking na produção de terras-raras faz Molycorp aumentar produção

O uso de plantas de cracking na produção de terras-raras faz Molycorp aumentar produção
A Molycorp é a dona da Mountain Pass, uma mina a céu aberto na Califórnia que já foi a maior produtora de terras-raras do mundo. Trata-se de um carbonatito com 8% de óxidos de terras-raras, principalmente na forma de bastnesita. A bastnesita era separada por flotação e o concentrado sofria calcinação e lixiviação ácida que gera um concentrado de cério. Os demais elementos eram concentrados através de processos químicos e de extração por solventes.
Esses métodos, usados pela Molycorp, tem uma recuperação bastante baixa o que obrigou a empresa a implantar uma planta de cracking onde o minério é processado em vários estágios de extração química que aumentará a recuperação para 90% e reduz os custos operacionais. A primeira planta de cracking entrou em produção no mês passado e os resultados indicam um forte crescimento da produção de Mountain Pass. Em função da nova planta a empresa deverá produzir 23.000t de óxidos de terras-raras em 2014. Quase 50% dessa produção será de óxido de cério que não tem a mesma importância econômica dos demais elementos do Grupo das Terras-Raras. Isso obriga a Molycorp a desenvolver tecnologias e novos usos para o elemento.

A importância da mineração no Canadá

A importância da mineração no Canadá
Quando se fala da mineração existe uma tendência de relacioná-la a problemas e não ao crescimento da qualidade de vida.
Isso não é uma verdade. A mineração é uma peça fundamental no crescimento econômico de muitos países, inclusive, o Brasil.
O Canadá, por exemplo, é um dos melhores países do mundo quando o assunto é qualidade de vida e a distribuição de renda. Com apenas 35 milhões de habitantes e uma área 16% maior do que a do Brasil e um PIB de 1,5 trilhão de dólares, ele tem a mineração como um dos seus principais pilares de sustentação.
  Até pouco tempo atrás não se sabia a verdadeira dimensão da mineração no Canadá até que a Associação dos Mineradores Canadense produziu um relatório que desvenda a relação da mineração com os vários segmentos da economia. A mineração está totalmente interligada com as indústrias canadenses sendo peça fundamental na economia do país.
Veja abaixo alguns pontos que comprovam a importância da mineração no Canadá:
- 1 em 41 Canadenses é empregado pela mineração ou empresa ligada à mineração
-a mineração contribui com $61 bilhões de dólares para o PIB Canadense. Quarenta por cento desse valor vem das junior companies.
-mais de 20% das exportações canadenses vem da mineração
-um empregado da mineração recebe um salário médio de R$3.800,00 por semana. Salário maior do que a maioria dos outros setores.
-A Bolsa de Toronto que praticamente é controlada pela mineração, fez 70% do dos financiamentos e IPOs do mundo em 2012
Esses fatos mostram, de forma indubitável, a enorme importância da mineração e das junior companies no Canadá.
No futuro imediato estima-se que será a mineração uma das maiores responsáveis pelo emprego de novos funcionários e pelo crescimento da infraestrutura canadense.

Diamantes: Braúna recebe licença prévia

Diamantes: Braúna recebe licença prévia
O kimberlito Braúna é um dos 22 corpos kimberlíticos descoberto pela De Beers na Bahia. Eles são hipoabissais do tipo 2 com flogopita de idade Proterozóica. A história mostra que esses kimberlitos passaram por várias empresas, que pouco fizeram para coloca-los em produção. A última a abandonar a área foi a Vaaldiam Resources.
Somente agora a Lipari Mineração está em vias de colocar em produção o Braúna 03 o maior dos 22 encontrados. A Lipari será a primeira mineradora de diamantes em rocha primária do Brasil e da América do Sul. Segundo os estudos o B3 tem 1.781.706 quilates de recursos indicados e 926.401 quilates inferidos. A empresa planeja produzir a partir de 2015, em mina a céu aberto, uma média de 225.000 quilates por ano.
No dia 25 a Lipari recebeu a LP, licença prévia que é a aprovação do estudo de impacto ambiental EIA/RIMA. A mina terá uma vida útil de 7 anos.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Mergulhada em dívidas Petrobras vê sua imagem deteriorar

Mergulhada em dívidas Petrobras vê sua imagem deteriorar
A situação da Petrobras é complicada. Com seu valor de mercado em queda constante nos últimos meses, sem ter como recuperar as perdas e mergulhada na maior dívida do mundo de mais de meio trilhão de reais , a empresa tenta se equilibrar em uma corda bamba impossível. Some-se a esse cenário um ano eleitoral onde o Governo não deve optar por um reajuste real da gasolina e veremos que as chances da petroleira reverter essa fase horrível se tornam ainda menores.
Conforme a boa e velha lei de Murphy, quando não pode piorar aí mesmo que piora, o mais recente problema surgiu com a declaração da Halliburton de que a Petrobras não conseguirá atingir as suas metas de perfurações para compensar as perdas decorrentes do combustível subsidiado.
Esta declaração atingiu o mercado que, em rápida resposta, vendeu mais ações o que desvalorizou mais ainda a Petrobras.
Será um bom momento para comprar?  Ou o melhor é vender e partir para um ativo menos complicado?
Alguns bancos, como o Merril Lynch, já estão comprando grandes lotes de Petrobras acreditando que o fundo do poço esteja perto. Outros, no entanto, acreditam que o buraco é bem mais embaixo. Esses preconizam que o dólar pode subir acima de R$2,60 o que seria um verdadeiro desastre para a Petrobras que continua importando, cada vez mais, petróleo.
O que se vê é um caso clássico de lógica circular onde a Petrobras não investe mais por não ter dinheiro e não tem dinheiro por não ter investido mais, ficando a mercê de uma política governamental demagógica e ao sabor dos movimentos especulativos da bolsa.

Vale: é hora de comprar!


Vale: é hora de comprar!

Por Pedro Jacobi  
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Sabemos que em momento de crise o dinheiro anda escasso e guardado a sete chaves em investimentos de pouco risco. Apesar dos riscos inerentes à bolsa achamos que é hora de sair da casca e, para variar, ganhar um retorno positivo nos próximos dias. Veja o que nós acreditamos que pode ocorrer. Ou melhor, por que eu estou colocando minhas fichas na Vale.
 Nos últimos meses a Vale vendeu ativos, cortou custos, demitiu, fechou, pagou dívidas, mudou estratégias, fez tudo certo e...nada aconteceu. As suas ações despencam desde novembro do ano passado. Eu sei que você vai argumentar e tentar explicar o motivo desta queda. Mas, a verdade é que o motivo não é técnico, mas sim humano.
A mesma situação aconteceu com as suas grande rivais, BHP Billiton e Rio Tinto, mas, com elas o mercado reagiu de forma menos emocional e essas empresas mostram um desempenho muito superior ao da Vale neste período.
O mercado é assim mesmo. É emocional. O efeito manada é, frequentemente, mais importantes do que o hard data, do que os números frios. Se o mercado fosse controlado por computadores, prevê-lo seria a coisa mais fácil do mundo. Basta olhar as tendências e os balanços e, voilà: o lucro seria certo. Mas não é assim que as coisas andam.
Ocorre, que quando o comprador e vendedor são seres humanos, outros parâmetros entram em jogo e, então, a previsão vira uma coisa do outro mundo. Até um gato consegue prever melhor do que os experts, como vimos em matéria publicada aqui no Portal do Geólogo. A complexidade é tamanha que torna a previsão da bolsa, na maioria dos momentos, um exercício aleatório. Existem, literalmente, milhares de trabalhos científicos e até prêmio Nobel calcados em algoritmos e gráficos que nos ajudam a prever o desempenho de uma ação no futuro. Os matemáticos usam probabilidades, a teoria do caos, os efeitos bullwipp, efeitos borboleta e muitos outros. Tudo fica fácil quando a explicação é o passado. Mas prever o futuro é para poucos, muito poucos. Mesmo assim existem momentos em que tudo conspira para um único resultado.
É o caso da Vale. Ela tem que subir e subir nos próximos dias.
A ação da Vale está valendo hoje $26,68: um preço irresistível. É claro que ela pode ainda cair, mas não vai cair muito mais.
Tudo leva a crer que veremos o efeito W acontecendo em poucos dias. Ou seja, prepare-se para uma subida rápida e persistente que deve ocorrer já nas próximas duas semanas. Essa subida irá reverter as quedas dos últimos meses. Ou seja, vai dar para ganhar algum dinheiro com a Vale.
Por que acreditamos nisso?  Vamos recapitular:
-Preço da ação muito baixo, empresa sólida e fazendo o dever de casa, o mundo em crescimento com as grandes potências, todas, recuperando-se da prolongada crise. Em cima dessa argumentação coloque a China, que está investindo maciçamente em urbanização e deve continuar comprando minério de ferro como em 2013. Essa conjuntura deve manter os preços do minério de ferro dentro de um patamar estável o que vai viabilizar a maioria dos grandes investimentos que estão sendo feitos hoje. 
Não é a toa que vemos com muito otimismo o futuro do minério de ferro nos próximos anos e com ele o futuro da Vale, que está colocando a Serra Sul e suas 90 milhões de toneladas adicionais de minério de ferro no mercado por ano. Tudo isso com um dos menores custos operacionais por tonelada do mundo. Acredite, quando o assunto é ferro a Vale é um animal!
Essas vendas adicionais irão causar uma enorme alavancagem nas finanças da empresa. Mesmo com o níquel e Simandou a perigo a mineradora vai decolar em 2014. Se você não é avesso a risco está aí uma boa aposta para 2014.
Portanto, prepare-se para mais um rally. Aperte o cinto, sucessos e bons lucros.

O mercúrio do Tapajós: qual o risco de contaminação atual?


O mercúrio do Tapajós: qual o risco de contaminação atual?

Por Pedro Jacobi  
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Há 30 anos o Tapajós foi assombrado por notícias sobre uma possível contaminação  por mercúrio. Na época muito se falou e o nome Minamata era uma constante. O  desastre da Baia de Minamata foi causado por contaminação de mercúrio orgânico,  a partir de indústrias que lançaram líquidos contaminados no mar. Foi o  metilmercúrio, assimilado pelos peixes que envenenou e matou centenas de  pescadores.

A quase histeria coletiva da época, no Brasil, se devia, inicialmente, a  elevados índices de concentração de mercúrio obtidos em análises químicas de  sedimentos do Tapajós.
Posteriormente ficamos sabendo que muitas interpretações estavam calcadas em  erros laboratoriais. O mercúrio analisado era o mercúrio total (metálico somado ao orgânico somado  ao mercúrio inorgânico). Ora, todo o bom entendedor sabe que uma geologia como a  do Tapajós deve ter uma quantidade natural de mercúrio inorgânico, que não é  venenoso, e ocorre em rochas associadas ao ouro. Em certos locais esse mercúrio  pode atingir concentrações elevadíssimas de vários ppm, que se fossem de  mercúrio orgânico poderiam, realmente, causar uma outra Minamata.  Consequentemente, qualquer estudo a ser considerado deve ser focado no mercúrio  danoso, o metilmercúrio que deve ser discriminado nas análises efetuadas.
A contaminação pelo mercúrio ocorre quando os garimpeiros perdem o mercúrio  metálico usado na recuperação do ouro dos garimpos. Parte do mercúrio é  vaporizado quando o garimpeiro tenta concentrar o ouro a partir do amálgama (veja as fotos).

Acredito que foi esse vapor de mercúrio o principal agente contaminador em toda  a região do Tapajós.  O vapor de mercúrio foi espalhado pelo vento sendo aspirado por praticamente todos que estavam  nas proximidades, ou seja: a maioria das centenas de milhares, talvez milhões de  garimpeiros e demais habitantes do Tapajós desde a descoberta do ouro em 1958.  No início Santarém foi o principal centro do ouro e da contaminação por vapor.  Depois, gradativamente Santarém foi substituída por Itaituba que se tornou o  polo comprador e fundidor de ouro de todo o Tapajós. Bem mais tarde as cidades  do norte do Mato Grosso passaram também a ter o ar poluído pela queima do ouro  amalgamado nos garimpos.
No  garimpo o mercúrio metálico vaporizado é, eventualmente precipitado e arrastado para as drenagens  onde pode ser  transformado em mercúrio orgânico, solúvel, e, então ser assimilado por peixes que  irão contaminar as pessoas que os consumirem. O mesmo ocorre com o mercúrio  perdido na lavra do ouro em processos obsoletos de garimpagem.
Esses peixes podem levar a  contaminação a distâncias consideráveis dos centros garimpeiros e devem ser  adequadamente estudados para que tenhamos a correta extensão do fato.
Estudos sobre os níveis de mercúrio em peixes da bacia do Tapajós, que foram  conduzidos na década de 90 mostraram que, nas regiões próximas aos garimpos, os  peixes tinham uma concentração elevada do metal. Em alguns casos peixes  coletados a centenas de quilômetros também se mostraram anômalos para mercúrio.

É importante lembrar que praticamente toda a população do Tapajós já foi  exposta, várias vezes na sua vida, aos vapores de mercúrio derivados da queima  do ouro em garimpos, nas vilas e nas grandes cidades da região como Itaituba e  Santarém.
Quem não se lembra do cheiro característico da queima do ouro?
Se esse for o seu caso, como é o meu, tenha certeza que você sofreu algum grau  de contaminação por vapor de mercúrio no passado.
Em vilas e cidades como Itaituba e Santarém onde toneladas e toneladas de ouro  amalgamado foram compradas, processadas, queimadas e fundidas em centenas de lojas de compra e  laboratórios clandestinos é de se esperar que uma boa parte da população, que  vivia ou ainda vive nas proximidades, foi ou está sendo contaminada pelos vapores de mercúrio. Itaituba, por  exemplo, tinha inúmeras compras de ouro espalhadas pelo centro e subúrbios onde os maçaricos  jamais paravam de queimar o ouro amalgamado despejando toneladas de mercúrio  vaporizado no ar da cidade. Sem perceber milhares de pessoas foram contaminadas.
Quantas vezes foram feitas inspeções por agentes da saúde especializados no  assunto nestas lojas e fundidoras? Será que elas não continuam despejando o  vapor tóxico no ar da cidade?
fundição em Itaituba
Acima Uma fundição de ouro dentro de um bairro  residencial de Itaituba. Muitas dessas estiveram funcionando por décadas  sem o mínimo de controle.

Essa contaminação pode ser constatada em análises das unhas, cabelos e sangue. O  mercúrio ficará com a pessoa até a sua morte. Ou seja: não adianta tentar  interpretar a contaminação do meio ambiente pelo mercúrio contido nas pessoas  pois essas podem ter sido contaminadas a milhares de quilômetros de ondem vivem.
Se quisermos entender o risco das pessoas e do meio ambiente o caminho  é analisar os peixes pois esses serão os vetores da contaminação. Dizer que um  cidadão de Itaituba ou Santarém com mercúrio elevado nos fios de cabelo é  decorrente de uma contaminação por peixes é, muito provavelmente, uma afirmativa errada.
Os novos estudos, se existirem, devem ser focados nos peixes da região pois serão  esses que irão mostrar o nível de poluição que está afetando o habitante do  Tapajós hoje.

A boa notícia é que, nos últimos anos, muito se fez para evitar a contaminação do mercúrio. Capelas  foram instaladas em quase todas as compras de ouro e garimpos o que reduz  significativamente a contaminação. A maioria dos garimpos de balsas foi banida  dos grandes rios e houve, também, uma retração dos demais garimpos de ouro na  região com as quedas dos preços do metal. Esses fatos, em conjunto com a maior  conscientização dos garimpeiros, que hoje estão mais protegidos, devem ter  contribuído para uma queda significativa na contaminação regional.

Na semana passada, um grupo de cidadãos do Tapajós encaminhou uma petição ao  Governador do Pará para iniciar mais uma pesquisa que possa comprovar o real  risco de contaminação que eles estão sendo submetidos.
Essa pesquisa, no nosso entender, deveria ser feita sistematicamente nos  pescados que alimentam Itaituba e Santarém e outras vilas importantes da região,  sem nenhuma interrupção enquanto existirem os garimpos de ouro, com os  resultados sendo constantemente divulgados em um site apropriado. Isso deve ser  um trabalho de monitoramento feito pela saúde pública.
Da mesma forma deve ser monitorado, constantemente, as instalações de compra e  fundição de ouro em todas as regiões com ênfase nas áreas urbanas e populosas  como Itaituba e Santarém pois elas, provavelmente, serão os principais vetores  da contaminação dos cidadãos hoje. esses estudos devem ser expandidos para todas  as regiões produtoras de ouro do Brasil.

A doença DE Minamata é causada pelo envenenamento pelo mercúrio e pode ser muito perigosa levando à morte. Em alguns casos a doença demora décadas para se manifestar.
Os principais sintomas da doença de Minamata são:
-falta de coordenação muscular
-problemas ao andar
-problemas na visão
-problemas auditivos
-tremores
-fraqueza muscular -movimento não intencional dos olhos

Busca por vida abaixo da capa de gelo na Antártica é paralisada

Busca por vida abaixo da capa de gelo na Antártica é paralisada
Os glaciologistas da Antártica tiveram, neste final de ano, uma péssima notícia. O projeto de sondagem em andamento no lago subglacial Ellsworth foi paralisado graças a problemas na sondagem. A tecnologia de sondagem utilizada, que usa água quente para penetrar no gelo, não permitiu atravessar a espessa camada de gelo que capeia o lago subglacial. Acredita-se que demorará anos até que eles tenham um equipamento capaz de atravessar o gelo e coletar as amostras de água do lago.
O Lago Ellsworth é um dos muitos lagos totalmente cobertos por gelo, que estão isolados a milhões de anos da superfície. Os geólogos e cientistas acreditam que eles devem abrigar formas de vida ainda desconhecidas do homem. O projeto foi planejado por uma década e custou 12 milhões de dólares e, agora, teve que ser paralisado para desgraça dos pesquisadores. Durante a fase inicial foram feitos estudos de radar que mostram um lago de 15km com 156m de profundidade coberto por uma camada de gelo de 3.000m de espessura.
Mas nem tudo está perdido.
Em 2012, cientistas russos conseguiram sondar e amostrar a água do Lago Vostok, também coberto pelo gelo, usando uma sonda a querosene. No entanto, as amostras foram contaminadas por bactérias superficiais e os estudos feitos pela equipe russa estão sendo contestados e desmerecidos por cientistas ocidentais. Ocorre que nem tudo recuperado pela sondagem foi de vida microbiana e, com certeza, os seres multicelulares não foram introduzidos por contaminação.
O Lago Vostok, (veja o diagrama) que foi selado pelo gelo a 15 milhões de anos, se mantém líquido por atividade geotérmica na sua porção mais profunda. As amostras coletadas durante a sondagem mostram vários organismos, que ainda estão sendo estudados, como fungos, bactérias, artrópodes, pulgas dágua e moluscos. Os cientistas russos acreditam que ainda existem peixes vivos no lago coberto por 3.700m de gelo.
Diagrama por: Shtarkman et al.

Será que a Coréia do Norte vai virar, de cabeça para baixo, o mercado mundial de terras-raras?

Será que a Coréia do Norte vai virar, de cabeça para baixo, o mercado mundial de terras-raras?
As notícias vindas de Jongjiu na Coréia do Norte estão deixando muitos americanos de cabelo em pé. Os Estados Unidos precisam das terras-raras para a sua indústria bélica, seus smartfones, TVs, mísseis, imãs de alta performance, catalizadores e para se manter a frente da tecnologia mundial.
  A descoberta de o que está sendo chamado de o maior jazimento de terras-raras do mundo com um potencial de 6 bilhões de toneladas ou de 65 trilhões de dólares de valor pode mudar completamente o cenário das TR do mundo. Se esse depósito for confirmado ele terá seis vezes mais terras-raras do que a China que já controla 95% da produção e das reservas  mundiais.
A empresa das Ilhas Virgens a SRE Minerals Limited tem uma joint venture com o Governo da Coréia do Norte para a exploração dessas terras-raras. No momento ainda não foram feitos os estudos definitivos de cálculos de reservas que certifiquem o tamanho real dos depósitos. Portanto os números falados ainda são especulativos mas tudo leva a crer que os jazimentos de Jongju sejam fora de escala. O que a SER Minerals publica é que o alvo tem um potencial para 6,02 bilhões de toneladas de minério com 216,2 milhões de toneladas contidas de TREO (total de óxidos de terras-raras) conforme abaixo:
-664.9 Mt @ >9.00% TREO,
-634.0 Mt @ >5.70 ≤ 9.00% TREO,
-2.077 Bt @ >3.97 ≤ 5.70% TREO,
-340.4 Mt @ >1.35 ≤ 3.97% TREO,
-2.339 Bt @ ≤1.35% TREO
Um jazimento dessa proporção ainda não havia nem sido sonhado.
Em abril de 2014 começam os 96.000m de sondagem que serão seguidos por mais 120.000m da fase 2 que irão criar uma certificação no padrão Jorc, aceito internacionalmente. O interessante é que ainda existem vários outros alvos que poderão aumentar ainda mais os recursos coreanos.
Se esse jazimento for confirmado e entrar em produção é possível que a China seja fortalecida nessa equação. Afinal a China é o único país a sustentar, auxiliar e proteger a Coréia do Norte nos últimas décadas. Além disso é a China que detém a tecnologia e o mercado mundial das TR o que a Coréia do Norte, um país pobre e de baixa tecnologia, está longe de ter.
É complexa a situação da SER Minerals que ficará pressionada entre a Coreia do Norte e a China. Possivelmente a SRE Minerals Limited  e a Pacific Century serão engolidas pelas estratégias políticas que irão ditar todos os passos do projeto à distribuição das TR em Jongju.
A empresa tem a concessão por 25 anos e poderá colocar uma refinaria como parte do negócio.

Aço e o Japão: houve uma época...

Aço e o Japão: houve uma época...
Houve uma época que o Japão era um dos maiores produtores de aço do mundo e que o Brasil era o seu maior fornecedor. Foi nessa época que a Vale se estabeleceu como uma grande mineradora e exportadora de minério de ferro.
Essa época passou e hoje, para comparação, a China produziu em 2013, nada mais nada menos do que, sete vezes mais aço do que o Japão. Em 2013 o mundo todo produziu 1,6 bilhões de toneladas de aço e a China, a maior produtora, foi responsável por 48% desse montante. Foram 780 milhões de toneladas de aço produzidos em 2013, 7,2% acima da produção de 2012.
Números maiúsculos que mostram que a revolução chinesa continua em andamento.
O Chairman da Sumitomo Metal Corp  Shoji Muneoka diz que a China está aumentando a sua produção acima da demanda mundial. Enquanto isso o Japão está paralisado em 100 milhões de toneladas de aço nos últimos 20 anos uma evidente prova de que a economia japonesa já estabilizou.
Mas nem tudo está perdido na indústria do aço japonês. Apesar de uma produção equivalente a 7% do mercado mundial o aço japonês tem vantagens competitivas pela qualidade e por produtos com grande valor agregado. Essa diferença compensa, parcialmente, o não crescimento da indústria.
Os japoneses encontraram nichos onde eles tem pouca competição. Eles estão concentrando em placas de ferro especiais para a indústria automobilística e criando novas plantas na Tailândia e México, além de expandir algumas plantas antigas como a Yawata Works no Japão. É devido a essa vantagem competitiva, dentro de um nicho de mercado, que os japoneses acreditam estar livres da competição das siderúrgicas chinesas nos próximos 5 anos, afirma o Presidente da Kobe Steel Hiroya Kawasaki.
Nós achamos que o Sr. Kawasaki está um pouco otimista demais quando o assunto é aço e China. Os chineses já mostraram inúmeras vezes, que eles, quando querem, podem mudar e quebrar todos os paradigmas. Vamos aguardar.
Foto: wudli

First Quantum vai investir US$6,4 bilhões no Cobre Panamá

First Quantum vai investir US$6,4 bilhões no Cobre Panamá O Projeto Cobre Panamá, um enorme cobre pórfiro, localizado a 120 km de Panama City, tem um total de 4,2 bilhões de toneladas com 0,35% Cu, e traços de ouro, prata e molibdênio. Trata-se de um corpo granodiorítico afetado por um stockwork e intensa alteração hidrotermal. A zona de alteração afeta o granodiorito e as encaixantes vulcânicas formando um corpo de 9.000m x 4.500m.
A canadense First Quantum, que comprou em 2013 o controle do Projeto Cobre Panamá da Inmet Mining, informa seus planos de investir um CAPEX  de US$6,4 bilhões. O mina deverá ter uma capacidade de 70 milhões de toneladas por ano nos primeiros dez anos passando para 100 milhões de toneladas até o final da vida útil, em 2050.
A empresa está investindo em outros 4 projetos de cobre, níquel, ouro, zinco e PGM em locais distintos como a Zâmbia, Peru e Panamá.

Petra Diamonds recupera diamante azul raro

Petra Diamonds recupera diamante azul raro
A mineradora Petra Diamonds recuperou em sua mina de Cullinan na África do Sul um raro diamante azul de 29,6 quilates. Espera-se que os preços deste diamante lapidado irá valer em torno de 3 milhões de dólares o quilate.
A mina de Cullinan lavra o kimberlito de Premier que é conhecido por ter produzido o mais famoso diamante do mundo Cullinan. Este diamante, também azul, foi descoberto em 1905 e tinha 3.106 quilates. Hoje, lapidado, o Cullinan está em Londres na Coroa Inglesa. A mina já produziu outros diamantes importantes como a Estrela de Josephine que foi vendido por 9,49 milhões de dólares em 2008.

Indonésia sob pressão

Indonésia sob pressão
Depois de a Indonésia banir as exportações de minério bruto todos acreditavam que os concentrados estariam livres para serem exportados, o que não iria penalizar tanto o país. No entanto, novas taxas sobre a exportação de concentrados paralisaram, também, a exportação destes. Desde que as novas regras foram anunciadas, ninguém exportou um quilo de concentrado, o que coloca em enorme risco as metas do Governo Indonésio. A mineração é uma das principais fontes de renda da Indonésia e os concentrados de cobre exportados pela Freeport-McMoran e Newmont são os mais importantes da pauta de exportação.
O aumento progressivo dos impostos sobre a exportação fez as mineradoras pararem de exportar e sentar na mesa de negociação com os representantes do Governo. As novas regras levam em conta os teores dos concentrados de cobre, ferro, zinco, manganês, ilmenita e chumbo, que devem ser certificados e taxados diferentemente. As taxas são elevadas e proibitivas dizem os mineradores.
No caso dos minérios brutos, como o minério de níquel laterítico (foto) e a bauxita, produtos importantes na cesta dos exportados, não haverá nenhuma solução intermediária. As minas serão fechadas até que sejam implantadas plantas de concentração. Neste período, que pode levar vários anos, o país não irá arrecadar e o desemprego irá aumentar.
Em breve, quando a poeira baixar, e o país contabilizar enormes prejuízos, é possível que essas novas regras sejam revistas e que uma solução intermediária seja encontrada.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O misterioso caso da Gold Stone Mining

O misterioso caso da Gold Stone Mining 
Nesta terça-feira, dia 14, um press release informou ao mundo que uma mineradora chinesa, a Gold Stone Mining, estava lançando um hostile takeover sobre a Allied Nevada Gold Corp. Neste caso, a Gold Stone Mining estaria investindo 780 milhões de dólares na compra de  uma empresa que tem o valor de mercado de 500 milhões, o que iria alavancar as ações da Nevada, a empresa alvo. E foi exatamente isso que aconteceu, a Nevada subiu no primeiro dia 7% e continuou subindo até hoje, mais de 60%, graças a Gold Stone a aos analistas que colocaram a ação da Nevada como buy.
A Gold Stone Mining, segundo o que se falava, era uma grande mineradora chinesa, registrada em Hong Kong, que tinha 3 minas de ouro na China e que valia 15 bilhões de dólares.
Após a subida imediata das ações da Nevada o mercado recebeu um outro press release dizendo que a Gold Stone Mining pedia desculpas mas a notícia da aquisição hostil tinha sido feita em erro sem um aconselhamento adequado.
Neste momento, muitos investidores sentindo o cheiro de tramoia, começaram a pesquisar sobre a misteriosa empresa de mineração. As notícias foram perturbadoras: ninguém sabia nada sobre a Gold Stone. A conclusão óbvia é de que um ou mais acionistas da Nevada falsificaram o press release e alavancaram uma alta artificial. Essa teoria ainda não foi provada.
Apesar de tudo muitos ainda acreditam que por trás dessa história, que nos cheira muito mal, existe um fundo de verdade e, até hoje, as ações da Nevada, que tentou se eximir do imbróglio em carta aberta para a Gold Stone, continuam subindo como no gráfico ao lado. Ontem ela fechou em $5,29, uma alta de sessenta por cento em 1 mês...

Terras-raras: Estados Unidos tenta, mas ainda não consegue reduzir a dependência da China

Terras-raras: Estados Unidos tenta,  mas ainda não consegue reduzir a dependência da China Apesar de ser uma questão estratégica e de grande importância, a produção americana de Terras-Raras não cresce na velocidade que o país quer. Muito pelo contrário, todas as grandes descobertas estão acontecendo na China ou, agora, na Coréia do Norte, uma inimiga declarada dos EUA.
Quem controla as TR também controla os metais que são os pilares da indústria de alta tecnologia que permite a revolução dos celulares, das TVs, dos armamentos ultramodernos, dos jatos de alta performance, catalizadores, lasers, sistemas de controle de mísseis, satélites, comunicação  e dos imãs de terras-raras, fundamentais em várias indústrias inclusive na mineração. Para um país como os EUA ser totalmente dependente de TR produzidas pela China e Coréia do Norte é um risco simplesmente enorme que deve ser evitado de qualquer forma. Uma possível solução para essa vulnerabilidade pode vir de um novo jazimento descoberto nos EUA que contém 5 dos TR mais críticos como o európio, neodímio, itérbio, praseodímio e o disprósio. Esse depósito chama-se Bear Lodge, que, para ser realmente importante terá que produzir, também, o ítrio entre os seus principais subprodutos.
Enquanto isso, do outro lado do mundo os chineses continuam, inexoravelmente, controlando tudo quando o assunto é terras-raras. Em 2013 as exportações aumentaram 38,3%. O país exportou nada menos do que 22.493t de TR. Segundo um relatório interno dos Estados Unidos, em 2010 a demanda mundial para os terras-raras era de 136.100 com uma produção mundial de 136.600t. Prevê-se que a demanda cresça, em 2015, para 210.000t.
E o Brasil? Podemos entrar nesse jogo e ter uma produção importante?
Nós temos a geologia favorável e as  Terras raras no Brasil vem sendo faladas e propagadas por muitas décadas. Nas décadas de 60-70  foram as areias monazíticas que fizeram manchetes.  O Brasil até teve uma produção modesta de TR provinda das monazitas de aluviões marinhos.
Posteriormente os grandes complexos carbonatíticos de Araxá, Catalão, Poços de Caldas, Mato Preto, Salitre e vários outros existentes principalmente em Minas e Goiás foram identificados como possíveis fontes de TR. Todos com grandes quantidades de TR.  Na Amazônia, permanece o Complexo de Seis Lagos totalmente abandonado apesar de enormes reservas de nióbio e terras raras. Aluviões marinhos ou até mesmo fluviais como os de Pitinga que tem cassiterita e xenotima também podem fornecer quantidades expressivas de TR. 
 Como se vê bem sabemos onde estão as nossas TR, mas, em nenhum caso, temos uma mina onde as TR são o principal produto. Em alguns casos como em Catalão os teores de TR são elevadíssimos atingindo 10%. Apesar de depósitos grandes e ricos mesmo assim as nossas terras raras continuam no chão a espera de investimentos, tecnologia e de vontade política.
Até quando?

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Empresa encontra diamante azul na África do Sul



Empresa encontra diamante azul na África do Sul

Há 'potencial para produzir uma pedra polida de grande valor', diz o grupo.
Petra Diamonds diz que diamantes azuis são os mais cobiçados.

Diamante azul foi encontrado em mina na África do Sul. (Foto: AFP PHOTO/PETRA DIAMONDS LIMITED/Philip Mostert)Diamante azul foi encontrado em mina na África do Sul. (Foto: AFP PHOTO/PETRA DIAMONDS LIMITED/Philip Mostert)
Um diamante azul de 29,6 quilates, avaliado em milhões de dólares, foi encontrado na semana passada na mina de Cullinan, perto de Pretória, anunciou nesta terça-feira (21) a empresa Petra Diamonds, que qualificou a pedra de "excepcional".
"A pedra é de um azul intenso notável, com uma saturação, um tom e uma clareza extraordinárias, e conta com o potencial para produzir uma pedra polida de grande valor", comemorou, em um comunicado, o grupo britânico, que explora a mina sul-africana desde 2008.
A empresa foi evasiva no que diz respeito ao valor exato que sua nova descoberta poderia alcançar, lembrando que os diamantes azuis são os mais cobiçados.
"Estamos realmente entusiasmados com o potencial deste diamante", declarou a porta-voz do grupo, Cathy Malins, à AFP, lembrando que um diamante azul de 25,5 quilates foi vendido, em abril de 2013, por US$ 16,9 milhões.
O maior diamante do mundo - o "Cullinan" -, uma pedra de 3.106 quilates, foi descoberto na mina de Cullinam, em 1905. Foi talhado em seguida e dois de seus fragmentos mais impressionantes fazem parte das joias da coroa britânica.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

China cresce 2,67% a mais do que o previsto em 2013

China cresce 2,67% a mais do que o previsto em 2013
O PIB Chinês cresceu, em 2013, 7,7% ao invés dos 7,5% previsto. Neste período foram criados 10 milhões de empregos, um número estonteante e a inflação foi mantida em 2,6%. Esses números apontam para um 2014 similar ou melhor do que 2013 com uma possível recuperação das commodities e da mineração como um todo.

Por que talvez estejamos vendo, finalmente, a recuperação do ouro?

Por que talvez estejamos vendo, finalmente, a recuperação do ouro?
Após um ano de quedas o ouro começa uma inflexão que pode ser o prenúncio de uma subida maior e contínua (veja o gráfico de 30 dias). Será possível que estejamos no momento da virada da mesa?
Como sempre tudo o que se fala sobre o futuro não passa de mera especulação. Infelizmente ainda não temos a bola de cristal e, portanto, não iremos tentar prever o imprevisível. Mas, é possível ler nas entrelinhas do mercado e “sentir” as tendências. São essas tendências que irão ditar o futuro de forma irreversível.
Aqui no Portal do Geólogo é o que fazemos: focar nos pontos fundamentais que são a causa das quedas e das subidas.
Um ponto importantíssimo, que não deve ser deixado de fora da equação é, como sempre, a China. Os chineses não só criam as tendências como às tornam realidade. E por isso ser uma verdade queremos dividir contigo uma informação vital nesta equação: a China está dobrando a sua reserva oficial de ouro! Em 2009 as reservas chinesas eram de 1.054 toneladas e hoje já atingiram 2.170 toneladas, segundo Jeffrey Nichols o Diretor do American Precious Metals Advisors. O Governo Chinês, que não reporta desde 2009, se mantém calado.
Somente em 2013, a China que é a maior compradora de ouro do mundo, tendo superado a Índia, comprou 622 toneladas de ouro.
Isso nos faz perguntar: por que os chineses estão calados enquanto realizam imensas compras de ouro? A resposta é simples. Eles estão comprando barato em um momento que o ouro tem a maior queda em décadas. Neste caso, cutucar o leão com vara curta, ou em outras palavras, informar ao mercado que a China teve um aumento dramático de suas reservas de ouro, só pode fazer somente uma coisa: uma rápida subida no preço do ouro e isso não deve interessar aos compradores no momento. Você não concorda?
Talvez os chineses ainda não querem que essa subida ocorra. Afinal eles são os maiores consumidores e compradores do metal do planeta o que significa que, em algum momento, muito próximo, a queda será revertida e o ouro voltará a brilhar. Ninguém compra tanto, de forma sub-reptícia, sem ter um único objetivo: o aumento dos preços e a adição de riquezas. É isso que os chineses estão fazendo.
Pense nisso e se posicione!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Lojas de ouro anunciavam em "O Garimpeiro"

Lojas de ouro anunciavam em "O Garimpeiro"

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inguém chega ao ouro apenas olhando o Rio Madeira do barranco. Vá de Classimpeiro e ‘bamburre’ numa boa. Todas as semanas ele ‘fofoca’ a melhor dica para você não ‘blefar’. Saiba o que acontece nas currutelas de Rondônia e do Brasil, lendo O Garimpeiro” – dizia o anúncio do jornal. Além dessa seção fixa também saíam anúncios individuais.

A publicidade nas edições desse semanário porto-velhense fazia parte do êxito do efervescente comércio do ouro em 1985, tempos em que o País conhecia o governo da “Nova República”, pós-morte do presidente Tancredo Neves.

Para bamburrar, apoite com segurança na Fortaleza do Povo – de Altamiro Passos.

Garimpeiro comprando na Cibrama não fica blefado – Companhia Industrial Brasileira de Madeira (Lambris, assoalhos, rodapés, pranchas, forros, vigas e tábuas – Estrada da Cascalheira s/nº, telefones 2213365 e 2213275).

Compra de ouro do Tião – Venha tomar um refrigerante e negociar o seu ouro na melhor oferta da cidade: Avenida Sete de Setembro 1.326, ao lado do Pastel Quente. O melhor negócio é com o Camelo – Vá procurá-lo na Rua Henrique Dias 456, Telefones 2219849 e 2219183, em Porto Velho.

Era um jornal artesanal composto em linotipo e impresso a quente (com chumbo derretido), que divulgava informações do setor mineral e defendia a classe extrativista mais nômade da Amazônia, tanto constituída por garimpeiros quanto por balseiros e dragueiros que migravam para todos os quadrantes onde havia notícia de fofoca (ocorrência de ouro). Cutucava sempre as “grandes onças” multinacionais que haviam se instalado em Rondônia nos tempos da cassiterita, e também as novas, que estavam chegando.

Criado pelo geólogo Djalma Lacerda, então presidente da Companhia de Mineração de Rondônia, teve suas edições confiadas a mim e aos colegas Nelson Severino, Carlos Gilberto Alves e Jorcêne Martínez. No começo, seu João Leandro Barbosa, o Perigoso – que a todos chamava de Perigozinho – nos levava de carro toda a semana para Cacoal, a 500 km, onde o jornal era impresso na gráfica da Tribuna Popular, de Adair Perin.

Outros anunciantes daquele período e seus respectivos slogans:

– Rua Campos Sales 984); Zé Lobato (Com a cotação do dia pagamos o melhor preço de Rondônia – Avenida Sete de Setembro 1.180).

Dragas Gondim Indústria e Comércio (Fabricação, montagem e manutenção de barcos, rebocadores, silos, dragas de todos os tamanhos – Com grande profundidade. Peneiração de areia e garimpo, 512053 e 511112).

Antonio Barbudo (Ouro e metais preciosos – Paga o melhor preço da praça – Avenida Sete de Setembro 1.059).

Advogada Lindinalva Laranjeiras (Garimpeiro, o endereço é este: Rua Campos Sales 1.591, Areal) Lindinalva e Nilton Dantas eram advogados do jornal.

L.J.R. Comércio Golden de Ouro (A diferença das outras casas está no preço que pagamos; comprove – Rua Campos Sales 934, telefone 2212590).

Não adianta descer a Sete para tentar o melhor. Você vai voltar e vender para o Manuel. É o que paga melhor.

L.F.P. Barreto Comércio de Ouro – Avenida Sete de Setembro, esquina com Rua Marechal Deodoro 1.264, telefone 2219144).

R.V. Coelho (Compra ouro de garimpo e ouro velho – Avenida Sete de Setembro 1.181).


Já os hotéis esnobavam seus apartamentos com ar condicionado, frigobar, telefone, TV, restaurantes, pratos italianos, frutos do mar etc. Um deles, o Rondon Palace Hotel, “inteiramente familiar”, não arriscava se dizer o melhor. No anúncio colocava: “com prestações de serviço quase perfeitas.”

Outros hotéis que prestigiavam o jornal: Azteca, Boa Viagem, Guaporé Palace, Jordan, Los Andes, Nunes, Planalto, São João, Sebma, Tia Carmem, Vitória, Samaúma, Cuiabano, Iara e Libra. Em Ariquemes: Horla, Hotel Ariquemes, Jocemel, Rio Branco e Rio Madeira.

Em Jaru: Bar e Hotel Paraná. Costa Marques: Hotel Vale do Guaporé. Guajará-Mirim: Fênix Palace Hotel e Hotel Mini Estrela. Ouro Preto do Oeste: Hotel Ouro Preto. Ji-Paraná: Hotel Guanabara, Hotel Itamaraty, Hotel Sol Nascente, Hotel Transcontinental. Rolim de Moura: Hotel e Comercial Dalla Vecchia. Cacoal: Tarcisbel, Hotel Amazonas e Cacoal Palace Hotel.

Pimenta Bueno: Hotel Céus de Rondônia, Hotel Piritiba Palace. Cerejeiras: Hotel Real. Colorado do Oeste: Fenícia Palace Hotel e Hotel Restaurante do Toninho. Vilhena: Aripuanã Hotel, Diplomata Hotel, Hotel Campinense, Hotel Mirage, Hotel Primavera, Hotel e Restaurante Colorado e Vilhena Palace Hotel.

Mais anunciantes:

Casa Cruzeiro do Sul – antigo grupo Zé Arara (Compramos ouro pelo melhor preço: Rua General Osório, ao lado da Magriff); Pescaça Sociedade Comercial Ltda. (Armas, munições e artigos de pesca – Avenida Campos Sales 2247, telefone 2211871).

Sobral Magazine (Aqui, quem manda é o freguês – Ande na moda, passe na Sobral e se atualize – O ponto chic da capital –Edifício Rio Madeira, loja e sobreloja).

Agroindustrial e Mineradora Camelo Ltda. (Motobombas, grupos geradores, motores de pôpa, motores diesel e todo equipamento para garimpo – Rua Henrique Dias 456).

Hectare Empreendimentos Imobiliários Ltda. (Diretores: Ramalho e Barreto – A nova opção de negócios de imóveis no Estado, 2218296).

Motomaq (Possui todo material para equipar dragas e balsas, como também para tratamento de ouro, além de uma linha completa para mergulho – Rua D. Pedro II 1378, com filiais em Mutumparaná e Guajará-Mirim).

Itaituba a Jacareacanga

Itaituba a Jacareacanga

Fim da trilha
A vegetacao muda o tempo todo. Sao muito cenários diferente ao longo da mesma estrada

A foto está de cabeça pra baixo ou não?
A Transamazonica dos meus sonhos
A maior árvore que ja vi na vida.
Cruzar o Brasiil pelas areias Jalapao ao coraçao da floresta Amazonica é preciso ter os dois pés no chao. E de preferecia que sejam dois mittas E09.
Entrada do Parque
Itaituba a Jacareacanga

Itaituba tem seu passado recente ligado ao garimpo.
Nos anos 80 havia em Itaituba 60 mil garimpeiros trabalhando nos garimpos da cidade. As histórias de riqueza são muitas. Os homens que mais enriqueceram com o garimpo foram Zezao do Abacaxi (Dono do garimpo do abacaxi) e o Zé Arara.
O dinheiro era tanto que Zezao fez uma festa de quinze anos para sua filha reunindo 700 pessoas. Tudo do bom e do melhor. Para animar a festa chamou o Grupo Polegar que estava no auge da fama.
Zé Arara tinha um jatinho com pista de pouso particular asfaltada. Às vezes pegava a família e ia almoçar em um bom restaurante de São Paulo, depois voltava.
Vinham mulheres do Brasil todo para trabalhar no km 7 onde ficavam as boates.
Havia 17 boates e mais de 400 mulheres, tudo de primeira linha. Algumas depois eram vistas em capas de revistas ou no carnaval do Rio. Foram as que mais ganharam com o garimpo.

Logo que se sai de Itaituba em direção a Apui há a Reserva Nacional da Amazônia.
Que lugar! O lugar mais espetacular que já vi na vida. Você se sente na casa de Deus.
É como se ele conduzi-se você lentamente. Há uma paz muito grande. Arvores muito alta. Pássaros cantando o tempo todo. Há um cheiro de vegetação.
É como se estivesse acontecendo um grande espetáculo e só você fosse à platéia e o teatro fosse todo seu. Você pode ver a apresentação na velocidade que quiser, pode pedir pra repetir e pode voltar atrás e ver de novo. Sentia-me leve, completo e em paz com Deus. Abençoado por poder estar ali. Fui tocando lentamente sem capacete e sem velocidade. Apenas vendo, ouvindo e sentindo. Extasiado
Obrigado meu Deus por esse dia.

Na década de 1980, Itaituba (a 890 quilômetros de Belém) era uma espécie de Dodge City brasileira

Agnaldo Timóteo
Na década de 1980, Itaituba (a 890 quilômetros de Belém) era uma espécie de Dodge City brasileira - muito ouro e uma lei de artigo único: calibre 38. Calcula-se que, por baixo, havia coisa de 120 mil garimpeiros emburacados floresta adentro. Circulava pelo mapa local cerca de 3,5 toneladas de ouro por mês. A cidade vivia um orgasmo permanente e ganhar dinheiro era tão fácil quanto morrer. O improvisado aeroporto da cidade chegou a contabilizar 382 pousos num único dia - metade do fluxo atual de Congonhas (SP).

Responsáveis por manter toda aquela doideira em movimento, os pilotos eram os que mais lucravam. "Costumava viajar com um saco cheio de dinheiro", lembra o piloto Clinger Borges do Vale, que chegou a transportar, em seu monomotor, artistas do naipe de Agnaldo Timóteo e Raul Seixas nas turnês pelos garimpos. Os donos dos aviões eram sempre garimpeiros para quem a sorte lhes estampara sorriso de ouro. Foi o caso de Zé Arara, um piauiense analfabeto dono de uma quinzena de aviões, entre eles um Lear Jet que usava para ir pessoalmente, manhã cedinho, à sua Parnaíba natal comprar a carne-de-sol que comeria no almoço, na volta a Itaituba. Outro que voou para Zé Arara foi o lendário comandante Rogério Maconha (veja seu depoimento a seguir).
Bem, agora não é boa hora para lembranças. O monomotor pilotado por Luís Feltrin está para fazer sua primeira parada e é preciso atenção. A pista aparece apenas quando já se está em cima dela. Tanto essa como a maioria só têm uma estrada para pouso, o que complica se o vento for de cauda. A descida até que não foi das piores. Parte da carga é rapidamente descarregada e seguirá seu trajeto no "jegue". Jegue, entenda-se, é um veículo tradicional dos garimpos, feito de um motor diesel e alguma carcaça disponível. É bem feio, mas é capaz de rodar três dias com cinco litros desse combustível - e isso, ali, o pessoal acha bem bonito. Primeira remessa entregue, hora de levantar vôo - e mais alguns apuros - até as paradas seguintes.
Cinco corpos
Antes do GPS, a aviação de garimpo era praticamente uma roleta-russa. Sobrevivia-se na sorte. "Um dia, prestes a levantar vôo, assisti à chegada de cinco corpos de pilotos mortos na véspera", relembra, no ar, o sempre inoportuno Feltrin. É verdade que, com tanto dinheiro em circulação, ninguém gostava de perder tempo fazendo manutenção de avião ou de pista. Usavam-se clareiras mínimas, de cerca de 200 metros, até em curvas ou em subidas. Nada disso, no entanto, importava - a coisa era a grana.

"Antes do GPS, a aviação de garimpo era praticamente uma roleta-russa. Sobrevivia-se na sorte"
A situação, hoje, é a que conhecemos. Com a queda da euforia, vários pilotos abandonaram a região. Uns foram parar na aviação comercial ou executiva. Outros, procurando manter o padrão de vida conquistado no auge do garimpo, partiram em busca de um novo Eldorado - o "ouro branco" da Colômbia. Os que ainda insistem em permanecer voando pelo garimpo o fazem por alguma paixão sobrevivente.
"Além de saber quem são seus passageiros, aqui você voa e sente o peso do avião na mão", explica Armando Palla Júnior, que continua resistindo a ofertas de trabalho em companhias de aviação. Graças a ele e outros persistentes pilotos de garimpo, Zé do Rifle receberá seus remédios, a boate terá suas meninas, Raimundo Nonato, sua carta, e o Negão do Curuá será finalmente levado para o hospital que tentará recolocar para dentro seu bucho escancarado, cortesia do terçado de Francisco - que vai embarcar no próximo vôo para explicar ao delegado o motivo da briga. Sorte que os monomotores continuam no ar.

1. Comércio de outro no garimpo de Água Branca (PA).
2. Atenção, preparar para o pouso: clareiras de apenas 200m.
3. às vezes, vai aos trancos mesmo.
4. O piloto Clinger, com a jaqueta que ganhou do "patrão" Raul Seixas numa turnê que o músico fez pela região: "Eu viajava com um saco de dinheiro".

Tempos de ouro

Tempos de ouro


A cidade foi chamada de último faroeste brasileiro, a capital dos garimpos. No auge da febre do ouro, Itaituba recebia hordas de gente vinda de todos os cantos do país. Vinte toneladas de ouro por ano chegaram a ser extraídos dos garimpos do Alto Tapajós no fim dos anos 80. Mesmo com a decadência da mineração no rio do ouro, eles não perderam a esperança. Dos mais de 700 garimpos, só 200 ainda estão em funcionamento. A produção não chega a três ou quatro toneladas por ano.
Zé Arara é o mais lendário garimpeiro do Tapajós. Na década de 60, foi o garimpeiro mais famoso da Amazônia. Ele formou um império, no município de Itaituba, de aviões, mansões, fazendas, muito dinheiro, tudo tirado do ouro. Aí veio a crise e ele teve que recomeçar tudo.
“Antes da crise fui o único brasileiro que vendeu na faixa de 40 toneladas de ouro ao governo brasileiro”, conta ele. Zé Arara perdeu muito, mas nunca foi um garimpeiro de alma livre, capaz de gastar em uma noite, com mulheres e bebida, tudo o que levou meses para ganhar.
Ao contrário, ele construiu um patrimônio. “Além de ter um jato, tinha 15 aviões pequenos e quatro bandeirantes”, ressalta. Um problema com o jato em Itaituba fez com que Zé Arara trasladasse o avião de volta para a fábrica, em Nova York. “O avião explodiu no ar. Morreram dois tripulantes, dois comandantes e dois mecânicos. Para eu desenrolar esse rolo e não ser preso nos Estados Unidos, tive que gastar 200 quilos de ouro”, conta o garimpeiro.
Desde então, ele está sem sair do garimpo. São onze anos pagando dívidas. “Não devo mais, agora estou lutando para reerguer nosso negócio”, conta. Zé Arara se diz dono de 23 mil hectares de terra, toda a área do garimpo de Patrocínio. Mesmo assim, os moradores criaram uma associação e querem transformar a região em uma comunidade.
Zé Arara se sente ameaçado. “Temo até pela minha segurança. Hoje, estou recomeçando aos 70 anos”, ele diz. O garimpo não é mais como antes. Das dez mil pessoas que buscavam ouro em Patrocínio só restam duas mil.

Não dá mais para tirar ouro com a mão, diz coronel

Não dá mais para tirar ouro com a mão, diz coronel

Sebastião Curió chegou ao garimpo em 1980 e coordenou a extração de ouro com mão de ferro. Hoje, acompanha de longe a mecanização

Aos 75 anos, o coronel Sebastião Rodrigues de Moura conhece como poucos as agruras de Serra Pelada. Há exatos 30 anos, Curió, como é conhecido, chegou pela primeira vez na região, como enviado do governo federal para coordenar a corrida pelo ouro. Durante três anos, baixou regras rigorosas para controlar a turba de mais de 100 mil homens que tentavam bamburrar – ou enriquecer, na gíria dos garimpeiros – e viu sair 42 toneladas de ouro da mina. Quando foi deputado federal, aprovou um projeto de lei para estender por mais cinco anos o garimpo e foi prefeito de Curionópolis, município do qual Serra Pelada é um distrito e cujo nome foi dado em sua homenagem.

 
Durante três anos, o coronel Sebastião Curió coordenou com mão de ferro o garimpo em Serra Pelada
Com a experiência de três décadas em Serra Pelada, Curió tem uma certeza: não dá mais para tirar ouro com as mãos como nos velhos tempos. Por isso, é a favor da mecanização da mina, processo que terá início em maio, quando o governo deverá conceder a licença de lavra para a Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), joint venture entre a mineradora canadense Colossus e a Coomigasp, a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada. “Nessa nova fase de Serra Pelada nenhum garimpeiro vai enriquecer”, disse ao iG o coronel Curió. “Mas, como acionistas da empresa, eles têm uma boa perspectiva para melhorar a qualidade de vida”.
De sua casa em Brasília, Curió, que antes de chegar a Serra Pelada havia combatido a guerrilha do Araguaia, falou sobre a mecanização da mina e fala dos tempos em que comandava os garimpeiros. Acompanhe os principais trechos da entrevista:
iG: Como o senhor foi parar em Serra Pelada?
Sebastião Curió: Por causa de uma busca e apreensão que fiz com o Zé Arara, o maior comprador de ouro da região. Trouxe o material apreendido e fiz uma apresentação para o ministro da Fazenda, o presidente da Caixa Econômica, vários generais e representantes do presidente da República, João Figueiredo. Contei o que estava acontecendo em Serra Pelada e, depois dessa palestra, foi determinado que a exclusividade de compra do ouro fosse dada para a Caixa Econômica e que eu fosse o coordenador do garimpo.
iG: Em que condições o senhor encontrou a região?
Curió: Havia uma corrida do ouro e milhares de garimpeiros chegavam diariamente em Serra Pelada. Cheguei no dia 2 de maio de 1980, e o povoado devia ter uma população de 40 mil pessoas. Ao chegar, falei que meu objetivo era evitar desvios, contrabando e coordenar a exploração. Trouxe alguns benefícios. Entre outras coisas, cortei o percentual que eles pagavam ao Genésio, o suposto dono da propriedade, um posseiro que cobrava taxa de 20% da produção dos garimpeiros.

iG: Por que o senhor proibiu a entrada de mulheres em Serra Pelada?
Curió: Muitos dizem que foi discriminação, mas não é verdade. Eram muitos homens e a presença das mulheres causaria muitas mortes por noite. Além das mulheres, proibi jogo de azar, bebida alcoólica e o uso ostensivo de armas. Recebi uma ordem de Brasília para desarmar todo mundo. Mas não dava para desarmar 60 mil homens com apenas 16 policiais. iG: E se alguém não respeitasse as regras?
Curió: Quem não tinha carteirinha da Receita Federal (naquela época ainda não existia a cooperativa) era colocado num avião e mandado embora do garimpo. Eram os chamados furões. Brigões e ladrões também eram expulsos de Serra Pelada.
iG: Como era o relacionamento com os garimpeiros?
Curió: Excelente. Montávamos um telão com lençóis brancos e 40 mil homens assistiam a filmes à noite. Quando decidi que iria hastear a bandeira nacional todas as manhãs, convidei todo mundo para assistir. Cerca de 30 mil homens apareceram. Quando começou a tocar o hino e coloquei a mão no peito, percebi que os garimpeiros fizeram a mesma coisa. Toda dia pela manhã, 40 mil homens hasteavam a bandeira e cantavam o hino nacional. Era um espetáculo de civismo.
iG: O senhor viu muita gente enriquecer em Serra Pelada?
Curió: Muita. Tem um caso engraçado. Estava no meu barraco de lona e vi um tumulto na pista de pouso. Tinha um monte de garimpeiro correndo atrás de um cara. Quando ele se aproximou de mim, pude ver que fumava um charuto de notas de Cr$ 1 mil. Além disso, tinha uma cauda parecida com as usadas em pipas, mas feita de notas de Cr$ 1 mil ao invés de plástico. O garimpeiro parou perto de mim e gritou: ‘bamburrei (enriqueci, na gíria local), meu chefe’. Perguntei o que era aquele rabo e ele falou: ‘sempre andei atrás do dinheiro. Agora o dinheiro anda atrás de mim’. Ao todo, colocamos 42 toneladas de ouro nos cofres do Banco Central.
iG: Mas os garimpeiros não viviam numa situação muito degradante?
Curió: Muita gente me pergunta se os formigas (carregadores de sacos) não viviam num sistema semi-escravo. Eles carregavam sacos com cinco, seis, oito pás de cascalho, mas ganhavam de cinco a seis salários mínimos por mês. Era a mão de obra não especializada mais bem remunerada do País.
iG: Por que o senhor resolveu se candidatar a deputado federal?
Curió: Não tive escolha. Em 1982, recebi ordem da presidência da República para me candidatar a deputado. Um compadre acha que fizeram isso para me tirar do garimpo. Quando saí de lá desligaram as bombas que puxavam a água, a cava encheu e acabou a exploração. Fui estrategicamente retirado de Serra Pelada.
iG: Por que o senhor acha que fizeram isso?
Curió: Para que Serra Pelada não funcionasse. Eleito deputado, recebi a orientação para voltar à Serra Pelada para dizer aos garimpeiros que o garimpo havia terminado. Fiz o oposto. Em 1984, apresentei um projeto de lei para prorrogar o garimpo por cinco anos, criei a cooperativa dos garimpeiros de Serra Pelada. Deixei de ser deputado e os garimpeiros pediram que eu fosse presidente da cooperativa. Aceitei, mas estava numa situação muito difícil porque já não tinha o apoio do governo.
iG: O senhor é a favor da mecanização de Serra Pelada?
Curió: Sou. A lavra manual tornou-se impossível, o ouro pode ser encontrado a 150 metros abaixo do solo. Não dá mais para tirar com a mão.
iG: Se a mecanização é boa, por que ela não aconteceu antes, como na época em que o senhor foi presidente da cooperativa dos garimpeiros?
Curió: Quando era presidente da cooperativa, pedi o alvará de lavra industrial de empresa de mineração. Ou seja, a cooperativa passou a ser cooperativa de mineração dos garimpeiros de serra pelada, deixou de ser só dos garimpeiros. Se não tivesse feito essa mudança, ela não poderia fazer um convênio com uma empresa como a Colossus.
iG: Os garimpeiros que ficaram em Serra Pelada acreditam que saíram perdendo com o acordo fechado com a Colossus. O que o senhor acha disso?
Curió: Muitos têm razão. O problema é que a cooperativa não teria condições de industrializar a mina. Tem de ter uma empresa de porte da Colossus para realizar o trabalho. O que é perigoso é a cooperativa perder os direitos minerais e administrativos. Consta que a diretoria da cooperativa assinou um contrato com uma cláusula passando os direitos para a Colossus. É isso que preocupa uma parcela dos garimpeiros.
iG: Algumas pessoas acreditam que Serra Pelada só produziu miséria. O senhor acha que agora ela vai produzir riqueza?
Curió: Se o acordo funcionar direito, o garimpeiro deixa de ser um sonhador para ser um cotista, um acionista. Ele vai receber um percentual do lucro da mineração de acordo com o número de cotas que ele tem. É uma boa perspectiva.