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sábado, 29 de novembro de 2014

Repensando a Geologia: Centro de Relacionamento Empresa-Universidade

Repensando a Geologia: Centro de Relacionamento Empresa-Universidade










  Os    tempos mudaram e a geologia moderna requer, a cada dia que passa,  profissionais mais bem preparados do que as universidades estão conseguindo formar.
Este vazio só é sentido quando o novo profissional começa a trabalhar.

Hoje, o geólogo, engenheiro ou técnico de mineração terá que enfrentar uma gama de equipamentos e processos modernos necessários para a condução e supervisão das novas e gigantescas minas que estão entrando em produção. O mesmo ocorre em todas as áreas da geologia, da exploração mineral à mineração.
Se você ainda acha que ao geólogo de exploração basta uma lupa, bússola e um martelo prepare-se para uma grande surpresa pois a tecnologia já chegou à exploração mineral.
Sem um bom GPS, notebook carregado de softwares especializados para operar GIS, estatísticas e interpretação de imagens não é bom nem sair de casa.
Mais ainda, se você estiver trabalhando em pesquisa mineral em áreas novas é bom ter um analisador portátil de fluorescência de raio X (XRF) do tipo INNOV-X (foto abaixo) ou um similar.
               
 XRF de mão
Poder analisar essa brecha gossanizada em   apenas 20 segundos ainda é para poucos. Mas, em pouco tempo será tão   essencial para o geólogo de exploração quanto o GPS
 
Imagine receber uma tabela digital com dezenas de elementos analisados, com grande precisão, em apenas 20 segundos, de suas amostras de testemunho, solo, rocha ou até mesmo sedimento de corrente?

Imbatível!

Um    sonho impossível para aqueles geólogos que, há poucos anos atrás, tinham que aguardar meses para receber os resultados de análises do seu projeto.
  Soluções tecnológicas como essa exemplificam bem o ponto em debate e podem ser a solução entre o sucesso e o fim de um projeto. Estar a par da existência    desses novos equipamentos é primordial.

A cada dia que passa, o que se vê são novas minas sendo construídas, lastreadas em investimentos bilionários, dando empregos a milhares de funcionários. Nesses novos empreendimentos estão sendo aplicados os processos e os equipamentos mais revolucionários assim como os softwares de última geração. A mineração atinge o fundo do mar e outros lugares jamais pensados antes como o espaço sideral. Essas novas fronteiras podem ser instigantes e interessantes mas irão demandar a formação de um novo    tipo de geólogo. Este novo mundo requer profissionais preparados e atualizados capazes de operar os megainvestimentos que se tornam mais frequentes, juntamente com a nova tecnologia associada.

Não é preciso dizer que    neste mundo dinâmico todos os profissionais com aspirações devem se manter a frente da tecnologia.

Pare e pense.

Se você acredita que o seu conhecimento, em uma área fundamental do seu trabalho, já começa a ser    ultrapassado é hora de pensar em uma reciclagem.
É a hora de falar com a chefia e planejar os próximos cursos e workshops. Atualizar-se é preciso!
 
No caso dos estudantes e formandos isso não será possível.

A solução inteligente que cria uma ponte de conhecimento entre o projeto e o novo profissional é o estágio.
Milhares de técnicos de mineração se beneficiaram do estágio obrigatório. Este estágio obrigatório, no curriculum dos técnicos, é uma das grandes soluções criadas para reduzir a distância entre indústria e o banco da escola. É a forma como as empresas e os técnicos iniciam uma relação profissional duradoura.

Infelizmente esse conceito ainda não foi estendido aos bancos das escolas de geologia. Nós sabemos que um Geólogo que teve a oportunidade de fazer um estágio apresenta uma outra visão do mundo profissional permitindo a empresa uma avaliação preliminar do funcionário.

É no estágio que o profissional poderá aprender, na    prática, sobre os processos, procedimentos, softwares, metodologias e políticas da empresa que poderá, amanhã, ser a sua empregadora. No nosso mundo o estágio passa a ser fundamental, evitando que o profissional junior chegue    ao seu primeiro trabalho sem nunca ter tido a oportunidade de saber sobre os  diferenciais da empresa e do trabalho que estará fazendo.

A distância    entre as empresas e as universidades ainda é um ponto a melhorar. São raros os casos em que as empresas, as universidades e os professores estejam juntos tentando atualizar-se e atualizar os alunos. Esta proximidade faz o professor crescer e evita o vazio de conhecimento que afeta a tantos alunos.

  Cada Escola de Geologia deveria ter um Centro de Relacionamento Empresa-Universidade.  Através desse centro, praticamente online, os profissionais das empresas poderiam contribuir com    palestras, workshops e debates sobre os interesses da empresa, metodologias empregadas e sobre o perfil de seus profissionais. Esses contatos irão, também, direcionar os professores fazendo com que esses possam preencher os    seus próprios vazios de conhecimento.

Esse relacionamento, com certeza, irá criar um novo profissional de geologia, mais apto e mais atualizado.
 
É através desse centro de relacionamento com empresas que os estágios serão oferecidos aos alunos.

Se essa solução for implementada todos irão ganhar. As empresas, as universidades, os professores e, naturalmente os    alunos e a sociedade.

Vamos melhorar a Geologia. Promova e implemente essa ideia! Muitos irão agradecer.

Tia Maria aguarda licença para receber US$1.2 bilhões

Tia Maria aguarda licença para receber US$1.2 bilhões



Nos últimos dois anos a Southern Copper Corp, uma das grandes produtoras de cobre do mundo, vem lutando para conseguir a aprovação para a construção de seu projeto de cobre Tia Maria, localizado em Arequipa no Peru.

A tramitação foi lenta em função do antagonismo da população local preocupada com o uso da água, escassa naquela região. Em 2009, em um referendo, 90% da população local votou contra o projeto.

Em 2011 o projeto foi paralisado e, somente agora, os problemas foram contornados e a licença pode sair.

Caso a autorização seja publicada as obras começarão no início de 2015 e a mina poderá entrar em produção em dois anos.

Tia Maria é um cobre pórfiro com 640Mt@0,39% Cu e 0,19g/t Au. A mina será uma operação a céu aberto com CAPEX de US$1,2 bilhões que produzirá 120.000t de cobre ao ano.

Economática: Petrobras perde R$200 bilhões em menos de quatro anos. Vale vem em segundo com prejuízo de R$160 bilhões

Economática: Petrobras perde R$200 bilhões em menos de quatro anos. Vale vem em segundo com prejuízo de R$160 bilhões



O estudo da Economática, onde foram consideradas 272 empresas brasileiras de capital aberto, entre dezembro de 2010 e novembro de 2014, mostra que os três piores desempenhos foram da estatal Petrobras, da Vale e da OGX.

Este período corresponde ao Governo Dilma Roussef.

Neste pequeno intervalo de tempo a Petrobras passou de R$380,2 bilhões para R$179,5 bilhões. A estatal teve, também, o pior desempenho entre as petroleiras a nível mundial.

A situação da estatal é gravíssima. Além da perda do valor de mercado a Petrobras é dona da maior dívida entre as demais petrolíferas do mundo e está próxima a perder vários bilhões do seu patrimônio declarado quando a corrupção e os roubos forem devidamente contabilizados pelos auditores independentes. A Petrobras, que está sendo investigada por agência americana, pode, também, perder o seu grau de investimento o que irá afugentar, mais ainda, os investidores.

A Vale, que não é uma estatal e que não pode colocar a culpa no roubo e na corrupção teve o segundo pior desempenho entre as 272 empresa estudadas.

Algo inimaginável em se tratando de uma empresa montada sobre o maior e melhor depósito de minério de ferro do planeta. Neste mesmo período as demais mineradoras de ferro tiveram um desempenho muito superior ao da Vale que só pode alegar, no frigir dos ovos, o mau gerenciamento sistêmico.

 Em dezembro de 2010 a Vale tinha um valor de mercado de R$275 bilhões e em 24 de novembro de 2014, esse valor foi reduzido para R$115,6 bilhões: uma depreciação de R$159,3 bilhões. Somente este prejuízo da Vale foi de duas vezes e meia o prejuízo da OGX, um outro escândalo que já está nos tribunais. 

Kimberlito A21: a mais nova mina de diamantes da Rio Tinto


Kimberlito A21: a mais nova mina de diamantes da Rio Tinto

Publicado em: 27/11/2014 15:29:00


A área de Lac de Gras é famosa no mundo mineral por ter mais de 200 pipes kimberlíticos conhecidos. Entre estes estão os kimberlitos de Diavik, que tem uma característica única: são os pipes mais jovens do mundo e produzem dimantes de alta qualidade. Estes kimberlitos foram intrudidos no final do Cretáceo/Eoceno e três desses, os pipes A154N, A154S e A418 são econômicos e formam o atual complexo mineiro de Diavik.

Até agora.

A Rio Tinto, a operadora da mina de Diavik,  estará colocando mais um kimberlito do cluster de Diavik em produção. Trata-se do A21.

O A21 custará 350 milhões de dólares para entrar em produção em 2018. O pipe precisará, por estar dentro de um lago, ser circundado por um dique de contenção que permitirá uma operação a céu aberto no seco.

Os pipes em produção de Diavik (veja o diagrama abaixo), são cones verticalizados situados em um raio de apenas 200m, com diâmetros entre 100 a 150 m. O A21 está localizado, também dentro do lago, a 4km a sudoeste.


Cluster de Diavik


O A21 é um kimberlito volcanoclástico intrusivo com um volume de 2,7 milhões de metros cúbicos.

 Já o A154N, o principal corpo de Diavik, é um pipe que nunca atingiu a superfície não chegando a formar uma cratera e sedimentos. Este kimberlito é composto por três fácies: kimberlito maciço volcanoclástico, kimberlito estratificado volcanoclástico e piroclástico gradacional.

A mina de Diavik é de uma enorme importância econômica para os Territórios do Noroeste do Canadá, produzindo mais de 7,5 milhões de quilates ao ano o que gera retornos de centenas de milhões de dólares.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Gema vermelha

Gema vermelha

Se os diamantes são pedras belas e raras, ainda mais belos e raros são os diamantes vermelhos, cujos tons vão do rosa e laranja ao amarronzado. Eles existem apenas no Brasil, Bornéu, Venezuela, India e Africa do Sul. Um dos cinco únicos diamantes vermelhos catalogados no mundo foi exibido em Washington pelo National Museum of Natural History. A pedra foi doada ao museu pelo negociante Sydney DeYoung (falecido em 1986), que já transacionara com gemas que pertenceram à imperatriz francesa Maria Antonieta e a Cata ri na, a Grande, da Rússia, sem falar em celebridades plebéias como Helena Rubinstein e Elizabeth Taylor. O diamante doado por De Young, com seus 5,03 quilates, perde apenas por 0,02 quilate para o maior diamante vermelho de que já se teve notícia - cujo paradeiro, por sinal, é desconhecido. Tampouco se sabe ao certo quando e onde o diamante de De Young foi encontrado.

Diamantes para toda obra

Diamantes para toda obra

Do espaço ao fundo da Terra, o diamante entra em cena quando nenhum outro material agüenta trabalho pesado ou executado em condições adversas. Incorporado à eletrônica, ele promete revolucionar o mundo dos computadores

É apenas uma pedra, de estrutura simples, composta por átomos do elemento básico de toda forma de vida., o carbono. Raro, elaborado pela natureza há milhões de anos em camadas profundas da Terra, o diamante desde a Idade Média tem sido o ornamento mais fascinante e valioso das coroas reais e das jóias das mulheres afortunadas. Ao longo das últimas décadas ele se tornou também uma pedra preciosíssima para cientistas que pesquisam materiais.
Essa jóia, porém, não é natural nem nasce no fundo da Terra, mas em laboratórios. Como uma versão contemporânea dos alquimistas medievais, que procuravam a pedra filosofal para transformar chumbo em ouro, esses cientistas fazem diamantes a partir de substâncias tão pouco nobres como grafita ou gás metano. Longe de criar pedras para ornamentar anéis, eles buscam aperfeiçoar um material que pode se tornar o trampolim de um novo salto tecnológico, promessa mais concreta do que os badalados supercondutores cerâmicos anunciados alguns anos atrás.
Por suas propriedades, os diamantes se constituem num espécie de panacéia tecnológica, remédio para problemas em locais tão diversos quanto usinagem de metais, instrumentos medidores de radiação, computadores, naves espaciais e perfuração de petróleo. “Um diamante, seja natural ou sintético, é o material mais duro que existe”, diz o físico João Herz da Jornada, chefe do Grupo de Física de Altas Pressões da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que pesquisa a síntese de diamantes há seis anos. Isso significa que a pedra risca e penetra qualquer outro material, mas não pode ser riscada por nenhum deles. Duro mas frágil: devido ao tipo de arranjo molecular dos átomos de carbono, o diamante quebra quando leva pancadas em determinados planos. Mas sua resistência à abrasão é poderosa, o que lhes permite desgastar de cerâmicas a metais e sofrer bem pouco ataque.
Diamantes são também os melhores condutores térmicos, ou seja, dissipam calor mais rápido que qualquer outra substância, ao passo que são isolantes elétricos, impedindo a passagem de correntes elétricas. Inertes quimicamente, dificilmente reagem com outras substâncias, passando incólumes por banhos de ácido capazes de dissolver metais.Tudo isso misturado numa só pedrinha, e tem-se a receita de um material quase perfeito. Até 1955, quando nos laboratórios da General Electric americana foi produzido o primeiro diamante sintético, dependia-se apenas dos naturais que haviam se dignado a subir à superfície da Terra. Somente em 1797, o químico inglês Smithson Tennant provou que o diamante era simplesmente uma forma de carbono: queimado na presença de oxigênio, virava dióxido de carbono, como acontece com a grafita ou com o reles carvão vegetal. O século e meio seguinte foi de corrida para ver quem descobria a receita de transformar grafita em diamante, em que a GE chegou primeiro.O método desenvolvido pela GE é a técnica de alta pressão e alta temperatura. Junta-se um pouco de grafita, um catalisador (metais como ferro, cobalto e níquel), faz-se um sanduíche de várias camadas, colocando-o no centro de uma câmara de alta pressão. No Laboratório de Alta Pressão da Federal gaúcha, montado com máquinas e equipamentos totalmente projetados e construídos no Brasil (e iguais aos estrangeiros ), essa câmara é o furo central de um disco de carboneto de tungstênio. uma liga superdura.

Colocada numa prensa de 500 toneladas, a câmara atinge a pressão de 50 000 a 60 000 atmosferas—1 atmosfera é a pressão do ar ao nível do mar. Uma corrente elétrica passa então por dentro da câmara e aquece o sanduíche na temperatura ideal de 1 500ºC. Em cinco minutos, tem-se uma mistura solidificada de diamantes pequenininhos e metal. Um banho de ácido dissolve o metal e ficam só as pedrinhas. Parece simples, mas é preciso controlar muito bem temperatura e pressão, para que o processo seja eficiente.Acima de 1 000 graus Celsius, o diamante em pressão normal se grafitiza. Isso só não acontece na câmara por causa da alta pressão, condição em que a forma estável do carbono é o diamante. Quando se quer uma pedra maior, monocristalina, um pequeno diamante é colocado na base da câmara, e ali o carbono vai se depositar, fazendo-o crescer, num processo que pode demorar uma semana.Foi assim que o laboratório da GE fabricou seu diamante ultrapuro, com 99,9% de isótopos de carbono-12 (enquanto os naturais têm 99% ), e apenas 0,1% de carbono-13, considerado uma impureza. Esse ultrapuro consegue a proeza de conduzir calor com 50% a mais de eficiência do que o diamante natural. Do diamante, costuma-se dizer que é para sempre, mas na verdade não deveria ser nem por trinta segundos. Na temperatura e pressão da superfície da Terra, a forma estável do carbono é a grafita. O diamante é a forma metaestável, ou seja, só continua existindo porque não há energia suficiente (alta temperatura) que sacuda seus átomos e o faça retornar à forma estável, a grafita.

Calcula-se em 1 bilhão de dólares anuais o mercado mundial de diamantes sintéticos, Graças a sua dureza, o diamante entra em cena na indústria toda vez que ferramentas normais não dão conta do serviço pesado. Só nos automóveis, cada um que sai da linha de montagem deixa para trás 1 quilate (0.2 grama) de diamante gasto em sua produção. Como nessa indústria trabalha-se muito com peças e ferramentas de materiais duros e abrasivos, o diamante é quem dá melhor resultado nas usinagens—retiradas de material para que as peças atinjam as dimensões exigidas— e acabamentos. como polimento de discos de freio ou dos cilindros dos motores. Quem faz esse trabalho é o chamado policristalino de diamante, ou PCD, uma das formas de aplicação do diamante industrial que nada tem a ver com as gemas vistosas incrustadas nos anéis.Quase 90% dos diamantes industriais são sintéticos. Pedrinhas minúsculas, com tamanho variável entre 1 200 e 0,25 mícrons (1 mícron é 1000 vezes menor que 1 milímetro), parecem a olho nu um punhado de purpurina extremamente brilhante. O PCD é feito com milhares de diamantes de 10 mícrons colocados sobre uma base de metal-duro, uma liga de carboneto de tungstênio com cobalto. Sob alta temperatura e pressão, o cobalto penetra nos interstícios entre os diamantes, unindo os pedacinhos num corpo agora inteiro, com formatos diversos e tamanhos de até 5 centímetros.

Além da indústria automobilística, o PCD é usado na aeronáutica, para trabalhar os novos materiais leves e resistentes como kevlar e fibra de carbono."No caso da fibra de carbono, é imprescindível o uso de ferramentas que sustentem o poder de corte por muito tempo, como as de diamante, pois se ficarem cegas estragam a fibra", explica o engenheiro Luiz Carlos Caetano da Silva, da De Beers Diamantes Industriais do Brasil. Outro processo de construir ferramentas diamantadas é a sinterização, em que grãos de diamantes são misturados a ligas metálicas que aprisionam esses grãos. Essa liga cravejada de pedras pode ser posteriormente soldada a diferentes bases, formando ferramentas como rebolos, serras e limas. Uma das ferramentas mais importantes é a broca para perfuração de poços de petróleo. Com o diamante sinterizado na ponta, a broca vai perfurando várias camadas de rocha até perto de 4 000 metros de profundidade. Só o diamante consegue chegar lá inteiro—ainda que as pedras sofram desgaste no processo, ele é muito menor do que o sofrido por qualquer outro material que fosse utilizado, tornando a broca resistente por mais tempo. Segmentos sinterizados de diamantes são aplicados também em serras. Elas cortam qualquer pedra que apareça pela frente, de mármore e granito a concreto.

O método mais moderno de fabricar diamantes sintéticos é chamado CVD, sigla de Chemical Vapour Deposition, ou deposição de vapor químico, inventado por soviéticos há mais de dez anos. Os avanços científicos e técnicos nesse método, nos últimos quatro anos, transformaram- no na última moda em laboratórios de todo o mundo. "Nesse processo, não se passa de uma fase a outra, mas de uma substância a outra". afirma o físico Rogério Pohlmann Livi, do Grupo de Altas Pressões da Federal do Rio Grande do Sul.A matéria-prima aqui não é a grafita, mas o gás metano (CH4). Numa proporção de mais de 99% de hidrogênio e menos de 1% de metano, o gás é levado a um recipiente de vidro protegido com quartzo e passa por um filamento de tungstênio, semelhante ao das lâmpadas domésticas, onde é aquecido a 2 000°C. A temperatura ativa o gás e quebra as ligações moleculares, ocorrendo a formação de radicais livres (CH3, CH2,CH, etc.). Em muitos experimentos o gás é ativado por microondas, Iaser ou até mesmo pelas reações químicas em maçaricos.Dentro do recipiente de vidro fica a base onde vai se formar o diamante, o substrato, geralmente uma plaquinha de silício mantida aquecida a 800°C. Cada molécula de CH3 se deposita sobre o substrato, deixando ali o carbono e liberando o hidrogênio.

Os átomos de carbono se arranjam então na forma de diamante, microscópicos cristais nascendo ao longo do substrato, num processo chamado nucleação. Os pequenos cristais de diamante espalhados pela superfície crescem até se tocarem, formando uma camada continua. O resultado do CVD, portanto, é um filme de diamante policristalino, ou seja, formado por milhares de infinitesimais cristais de diamantes agregados.A invenção do CVD foi um achado. É certo que ele ainda custa muito mais do que o de alta pressão—calcula-se em 100 dólares por quilate—, pois são necessárias cerca de dez horas de um consumo extraordinário de energia para fabricar um 1 filme de 1.5 cm x 1.5 cm com até 10 mícrons de espessura. Apesar do preço ainda elevado, essa nova técnica permite o revestimento de diamante em superfícies relativamente extensas (atualmente mais de 100 centímetros quadrados) e com formas complexas, o que viabiliza um grande número de novas aplicações.Por outro lado, para campos tão diferentes como revestimentos antiabrasivos, ferramentas de corte e microeletrônica, apenas camadas muito finas—e portanto baratas—são necessárias. Estima-se que a introdução do processo CVD irá ampliar consideravelmente o mercado do diamante sintético, dos atuais 1 bilhão de dólares por ano para algo em torno de 7 bilhões de dólares por ano. Imune a radiações, o diamante daria um ótimo passageiro a bordo de naves espaciais, já que passaria ileso pelo mar de raios lá em cima, como os ultravioleta e os raios X.

É uma janela perfeita também para aparelhos de raios laser. Isso tudo, se ainda não é uma realidade comercial, já é viável tecnologicamente. Porém, um dos grandes desafios pelos quais fervilham os laboratórios que pesquisam materiais em todo o mundo é aprender a usar o potencial do diamante como semicondutor, na fabricação de chips com características muito melhores do que os existentes hoje, baseados no silício.Melhor dissipador de calor já nascido ou inventado, e transportando impulsos elétricos a velocidades muito superiores à do silício o diamante poderia fazer maravilhas dentro de um computador. Os chips de silício, que fazem o trabalho de processar informação, já pedem água por tanto esforço que fazem. A movimentação dos elétrons dentro deles produz calor—assim, quanto mais informação passa mais ele fica quente—, e acima de 200 ou 300°C o chip está destruído. A 1 50°C ele já não funciona direito, um problema sério para computadores a bordo de automóveis, veículos militares e mísseis, que nem sempre trabalham sob sombra e água fresca, como aconteceu recentemente na Guerra do Golfo Pérsico. Supercomputadores, não fossem seus eficientes sistemas de refrigeração, simplesmente não poderiam funcionar.

Embora seja isolante elétrico, o diamante, tal e qual o silício, vira um semicondutor quando dopado (adicionado de impurezas) com outra substância, nesse caso o boro. Só que a confecção de chips de diamante para computadores e outros equipamentos eletrônicos, pelas mesmas tecnologias existentes para o silício, esbarra na inabilidade em se produzirem camadas finas monocristalinas do material. Por enquanto, só se consegue fazer crescer filmes policristalinos (um aglomerado de monocristais).Por isso, em dezenas de laboratórios do mundo, existe hoje uma corrida louca atrás do crescimento epitaxial (com a mesma orientação cristalina) de diamante sobre silício e outros materiais, tendo como resultado as duas camadas monocristalinas. “Mesmo que isso seja conseguido, existem muitos outros problemas a serem resolvidos para a fabricação de chips comerciais, como contatos elétricos, dopagern seletiva, adesão de camadas e temperatura de funcionamento", adverte João Herz da Jornada. De qualquer forma, protótipos de diodos e transistores—peças básicas dos chips —feitos de diamante já provaram seu funcionamento em laboratório. Fazê- los trabalhar no mundo real parece ser uma questão de tempo e de desenvolvimento tecnológico. Quando esse dia chegar, os computadores verão o futuro mais brilhante.


Notícias de fusão com chinesa fazem Braziron disparar 130%

Notícias de fusão com chinesa fazem Braziron disparar 130%




As notícias de que a Braziron, empresa listada na bolsa de Sidney e com ativos e maiores acionistas no Brasil, estava em processo de fusão com a chinesa Global Dynamics uma das maiores produtoras de silício metálico do mundo, agitaram os mercados.

As ações da Braziron subiram 130% antes do negócio ser finalizado.

Existem poucas plantas de silício metálico no mundo, produto nobre cuja tonelada atinge preços de US$2.000 a US$6.000.  A Global Dynamics está investindo US$300 milhões para se tornar a maior produtora mundial do produto. Ela opera minas e dois complexos metalúrgicos nas regiões de Gansu e Hubei.

Você conhece esta rocha?

Você conhece esta rocha?



A rocha da foto é uma fatia, serrada e polida, do Fukang, um famoso meteorito descoberto no deserto de Gobi na China.

A rocha é composta por grandes cristais de olivina imersos em uma matriz de ferro-níquel. O efeito é o resultado da luz solar atravessando os cristais translúcidos, de qualidade gemológica,  de olivina. A matriz é de uma liga chamada kamacita que contém em torno de 7% de Ni.

O meteorito original pesava 1.003 kg e foi descoberto no ano 2.000. Desde então ele foi serrado em fatias. A maior fatia conhecida é de um colecionador e pesa em torno de 410 kg e vale muitos milhões de dólares.

Pedaços menores de Fukang são vendidos US$30 a US$40 por grama.

Este meteorito faz parte de uma classe chamada pallasitos, que correspondem a 1% de todos os meteoritos encontrados. Acredita-se que esses meteoritos façam parte do núcleo de corpos rochosos formados no início do sistema solar.

Os pallasitos são comumente serrados e polidos para realçar o efeito da luz atravessando os cristais de olivinas. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Serabi: como perder dinheiro com teor de 11,77 g/t de ouro

Serabi: como perder dinheiro com teor de 11,77 g/t de ouro



No último trimestre a Serabi produziu 5.002 onças de ouro após lavrar 32.454 toneladas com um teor médio de 11,77g/t de ouro.

A Serabi declara que o cash cost do terceiro trimestre foi de US$1.002/onça e que o ouro foi vendido, no trimestre, a US$1.261/oz.

O que a Serabi não informa é qual o seu all-in sustaining cost do período. É esse número que irá dizer se houve, ou não, um lucro real no trimestre.

Tudo leva crer que não, pois os custos totais ainda estão acima de US$24 milhões (valor maior do que o dos ativos líquidos) englobando todos os custos operacionais, que são relevantes para o entendimento da economicidade do projeto.

O all-in é, sempre, bem superior ao cash cost...

No momento as ações da mineradora estão 35% abaixo dos valores de agosto deste ano.

Vale inicia produção de níquel em Long Harbour




A  mineradora brasileira Vale inaugurou Long Harbour, a sua nova planta de níquel canadense. Trata-se de um investimento de 4,5 bilhões de dólares que irá processar o minério de níquel de Voisey’s Bay no Labrador. A mina abriu em 2005.

A Vale lutou por anos para finalizar o acordo que permitia a operação de Long Harbour.

A planta que utiliza uma tecnologia ultramoderna só entrará em produção total no final de 2016, quando terá mais de 500 funcionários e produzirá 50.000t de níquel.



Foto: níquel produzido em Long Harbour

Desastre! Minério de ferro cai a US$70/t e pode cair mais segundo Citi

Desastre! Minério de ferro cai a US$70/t e pode cair mais segundo Citi



O minério de ferro 62% Fe está em queda livre. No ano já caiu 50% atingindo hoje os US$70/t em portos chineses. Este preço já inviabiliza grandes e pequenas minas com custos operacionais maiores do que US$70/t.

É o pior preço em portos chineses desde junho de 2009. A queda pode continuar segundo o Citigroup que preconiza um novo patamar ao redor dos US$60/t. Caso isso ocorra somente quatro grandes produtoras ainda estarão em condições de sobreviver. A Rio Tinto, a BHP, a Kumba e, possivelmente, a Vale.

Será mesmo o fim da era do ferro, ou apenas uma depuração?

Petrobras, um filme de horror. Acionista prepare-se para mais sustos Publicado em: 20/11/2014 01:45:00 Corrompida por uma quadrilha que a fez sangrar incessantemente nas últimas décadas a nossa Petrobras não poderia estar em pior forma. Infelizmente o calvário da empresa ainda não terminou e a mais nova notícia de horror vem, agora, do exterior. O Morgan Stanley informa que a Petrobras poderá ser desvalorizada em US$8,1 bilhões em função do esquema de corrupção e superfaturamento que ela vem sofrendo. Caso isso ocorra os acionistas terão um impacto imediato no valor das ações e, também nos dividendos. A situação da empresa, que tem a maior dívida entre as petroleiras, pode deteriorar se ela tiver restrições, menor acesso a financiamentos e redução no grau de investiment

Petrobras, um filme de horror. Acionista prepare-se para mais sustos

Corrompida por uma quadrilha que a fez sangrar incessantemente nas últimas décadas a nossa Petrobras não poderia estar em pior forma.

Infelizmente o calvário da empresa ainda não terminou e a mais nova notícia de horror vem, agora, do exterior.

O Morgan Stanley informa que a Petrobras poderá ser desvalorizada em US$8,1 bilhões em função do esquema de corrupção e superfaturamento que ela vem sofrendo.

Caso isso ocorra os acionistas terão um impacto imediato no valor das ações e, também nos dividendos.

A situação da empresa, que tem a maior dívida entre as petroleiras, pode deteriorar se ela tiver restrições, menor acesso a financiamentos e redução no grau de investimento.

Some-se a isso uma margem em queda derivada do elevado custo de produção do petróleo do pré-sal em um cenário com o preço do petróleo abaixo de US$100/barril e veremos uma hecatombe.

domingo, 16 de novembro de 2014

Missão Rosetta: robô Philae deverá “saltar” para poder carregar baterias

Missão Rosetta: robô Philae deverá “saltar” para poder carregar baterias



O robô Philae, pousado no cometa 67P, não está conseguindo carregar as baterias. Ele caiu em um buraco onde a luz do sol só o atinge uma hora e meia a cada 12 horas.

O pior é que somente duas de suas pernas estão em contato com o cometa. A terceira está solta no espaço. Sem energia a Philae será desativada após entrar em hibernação e a missão fracassará.

Para salvar a missão os cientistas planejam enviar uma ordem, ainda hoje, para que ele dê um salto e aterrisse em um local mais ensolarado. As “patas” do Philae tem molas que podem permitir o salto.

No entanto o fato de que somente duas pernas estão em contato com o solo deverá dificultar, se não inviabilizar totalmente a tentativa...

Chile continua atraindo investimentos: US$1.6 bilhões estão indo para as minas do Atacama

Chile continua atraindo investimentos: US$1.6 bilhões estão indo para as minas do Atacama



As perspectivas de investimento nas minas do Atacama, no Chile, são excelentes. Investimentos superiores a US$1.5 bilhões estão sendo feitos em algumas das mineradoras da região.

A Lumina Copper informa que US$500 milhões já estão comprometidos para a primeira fase da mina Caserones. Na segunda fase serão investidos mais US$600 milhões neste jazimento de cobre de teor baixo. Caserones tem 1 bilhão de toneladas a 0,34% de cobre e 126ppm de molibdênio. O jazimento só é viável, pois os custos da operação de lixiviação da zona oxidada são muito baixos.

A mina de Candelária está recebendo US$100 milhões para manutenção e melhorias. A mina foi comprada recentemente pela canadense Lundin por US$1,8 bilhões. Candelaria produziu 168.000 toneladas de cobre em 2013.

E, finalmente, a Empresa Nacional de Minería (Enami) está investindo US$400 milhões na modernização de sua planta metalúrgica  Fundición Hernán Videla Lira. 

Minério de ferro: Gerdau e Usiminas pisam no freio e Vale desconversa

Minério de ferro: Gerdau e Usiminas pisam no freio e Vale desconversa



Os baixos preços do minério de ferro começam a fazer vítimas no Brasil. A Gerdau, que planejava produzir 18 milhões de toneladas de minério de ferro em 2016, ampliando a capacidade para 20 milhões de toneladas em 2020, já revê os planos e, em breve, publicará a sua nova estratégia.

A empresa deverá ser bem mais conservadora, reduzindo sua produção, enquanto o mercado acenar com preços abaixo de US$80/t.

O mesmo ocorre com a Usiminas e a CSN, outras mineradoras a puxar o freio da produção.

Se ao menos essas empresas publicassem o seu all-in sustaining cost para os seus produtos poderíamos, então, entender o tamanho do problema. Mas, ao contrário do que ocorre no resto do mundo, elas mantêm essa informação a portas fechadas.

Poucos dias atrás, quando solicitamos o all-in cost do megaprojeto da Vale, o S11D, recebemos a seguinte resposta do Relações com Investidor da Vale Marcelo Lobato:  “Infelizmente não poderemos abrir essa informação sobre o all-in sustaining cost do S11D pelo motivo dela não ser pública”.

Não é a toa que a empresa perde investidores aos milhares.

Mesmo sendo uma empresa pública a Vale se recusa a fornecer um dado fundamental, para que nós, acionistas e investidores, possamos entender a economicidade do seu maior projeto o S11D, que irá produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano...

Como vencer essa crise de confiança, criada pela própria Vale, se a empresa não nos fornece subsídios para nos motivar a investir?

É hora das empresas públicas como a Vale respeitar o seu maior patrimônio: o acionista. Nós queremos saber em quem estamos investindo e quais as nossas chances reais de retorno.

Depreciada pelas agências, com um valor de mercado cada vez menor a Vale tenta reagir e troca sua principal diretoria

Depreciada pelas agências, com um valor de mercado cada vez menor a Vale tenta reagir e troca sua principal diretoria




As recomendações de venda, por baixa performance, de várias agências e bancos não ajudaram a Vale. A mineradora enfrenta uma de suas piores crises históricas, com as ações batendo recordes negativos, sem crescimento e com uma acentuada falta de confiança do seu investidor causada, segundo muitos, por mau gerenciamento. 

Enquanto o mundo mineral desaba e inúmeras mineradoras são obrigadas a fechar as suas minas de minério de ferro e a própria Vale tem o pior desempenho em décadas o seu Presidente, Murilo Ferreira, vem a público e faz uma das entrevistas mais estapafúrdias dizendo que “não há crise na mineração”.

Talvez Murilo deva explicar melhor aos seus acionistas, o que ocasionou as perdas de mais de 75% no valor de mercado da Vale em apenas 4 anos.

De qualquer forma, acossada pela “crise” que segundo Murilo não existe, por bancos que teimam em depreciá-la e por uma crise de confiança que afugenta o seu bem mais precioso, os seus acionistas, a Vale tenta reagir e troca a sua diretoria mais importante. Entra o geólogo Peter Poppinga na Diretoria de Ferrosos, no lugar de José Carlos Martins. 

Orinoco planeja mineração subterrânea em projeto de ouro Cascavel

Orinoco planeja mineração subterrânea em projeto de ouro Cascavel


A Orinoco Gold afirmou hoje (12) que decidiu alterar o plano de desenvolvimento do projeto de ouro Cascavel, em Goiás, após avaliar os resultados de alto teor e as informações geológicas obtidas a partir da rampa de exploração. A nova estratégia prevê baixo custo, mineração subterrânea e planta simples de separação por gravidade, com capacidade inicial para 40 mil toneladas de minério por ano.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A Philae está viva! Primeiras fotos enviadas


A Philae está viva! Primeiras fotos enviadas

Publicado em: 13/11/2014 15:08:00


A Philae pousou!

A notícia do pouso bem sucedido foi motivo de intensa comemoração no mundo científico. A Missão Rosetta, com mais de 10 anos desde o lançamento, está, agora, realmente começando.

 A nave robótica Philae havia pousado no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko: uma nova página da história espacial havia sido feita.

O pouso foi tenso.

Os arpões de atracação não funcionaram e a nave ricocheteou no cometa, três vezes, vindo a se estabilizar depois de 1km do primeiro choque. Ela está em terreno muito irregular (veja a foto) aparentemente pendurada em apenas duas de suas três “pernas”.

O primeiro choque quase projetou o artefato de 110kg,  de volta ao espaço, o que seria o pior desastre possível.



Na imagem é possível ver o local planejado para o pouso e a cratera escura onde a Philae está aprisionada, a 1 km de distância.

Após a parada constatou-se um sério problema: a nave está em um local muito escuro, possivelmente encaixada no fundo da  cratera.

Na foto observa-se que o local do pouso é muito irregular e escuro. As fotos tiveram que ser intensificadas para serem visualizadas já que a superfície é quase preta.

Algo que chama a atenção de todos é a cor do cometa, muito escura, mais escura do que o carvão normal, o que prenuncia uma grande quantidade de matéria rica em carbono, para não dizer orgânica...

Estima-se que os cometas sejam os responsáveis pela disseminação de água e de vida: a base da teoria da Panspermia. Uma das possíveis descobertas a ser feita é a existência de matéria orgânica compatível com a vida.

O cometa deve ser constituído por gelos de composições variadas intercalados com materiais carbonosos, escuros e poeira seca muito fina. As análises feitas indicam a presença de água congelada, dióxido de carbono, metanol, amônia e uma variedade de compostos orgânicos já analisados através do espectrômetro a bordo da Rosetta.

 Observa-se que o cometa foi submetido a inúmeros esforços e está intensamente fraturado, brechado e estruturado, o que implica em tectonismo possivelmente relacionado às órbitas ao redor do Sol e a possíveis impactos de meteoritos ao longo de seus bilhões de anos. O cometa pode, também ter agregado inúmeros pedaços de outros corpos espaciais com as composições mais variadas.




Os próximos dados a serem divulgados já poderão conter análises do material coletado pela Philae. Ela está equipada com radar de penetração nas sapatas e de espectrômetro para analisar as rochas.

 Segundo o pessoal da missão a quantidade de luz que o robô está recebendo é insuficiente para gerar a eletricidade necessária para que a missão seja bem sucedida.

As baterias tem uma carga, atual, de 50 horas. Se elas descarregarem a Philae entrará em hibernação até que sejam novamente carregadas.

No momento a nave opera normalmente e as comunicações entre a nave Rosetta e a Philae só ocorrerão duas vezes por dia graças a órbita da Rosetta em relação à nave estacionada na superfície do 67P.

Possivelmente a órbita da Rosetta será otimizada para permitir uma comunicação mais frequente. 

Black Beauty, um meteorito de Marte, pode ser vendido por R$204.000

Black Beauty, um meteorito de Marte, pode ser vendido por R$204.000


Em janeiro de 2013 foi encontrado um meteorito raro no Deserto do Saara. Ele foi apelidado de Black Beauty.

Mais tarde cientistas da NASA determinaram que o meteorito era proveniente de Marte. Black Beauty não só é raro por vir de Marte, mas, também, por conter 10 vezes mais água do que os demais meteoritos marcianos conhecidos.

A rocha magmática, com menos de 10cm, foi formada a 2,1 bilhões de anos sendo o segundo meteorito marciano mais velho.

A peça está sendo vendida, em leilão, pela Christies´s de Nova York e deve ser vendida por R$204.000, segundo os especialistas.

O retorno da Esmeralda Bahia

O retorno da Esmeralda Bahia 


A Esmeralda Bahia é a maior esmeralda descoberta, em 2001, no planeta. Esta peça gigantesca com 180.000 quilates (foto) foi descoberta na Bahia e é objeto de uma disputa judicial internacional que se alonga por quase uma década.

A pedra, com 380kg, tem esmeraldas euédricas incrustradas, que foram avaliadas em dois bilhões de dólares. No momento a pedra se encontra retida na Corte de Los Angeles. 

Agora, após todos esses anos, a Advocacia Geral da União (AGU) requereu à Corte de Los Angeles a extinção do processo e o retorno da Esmeralda Bahia ao Brasil.

A AGU alega que a pedra foi extraída sem autorização, em território brasileiro e contrabandeada ao exterior ilegalmente.

Vários órgãos do Governo, como o DNPM e Receita Federal subsidiam o pedido da AGU.

O DNPM avalia que a peça possa valer US$2 bilhões e deve ser destinada a museus.

A ação penal que envolve os autores transita em sigilo em S. Paulo.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Os diamantes do Tapajós

Os diamantes do Tapajós



O Tapajós é conhecido mundialmente por abrigar a maior província aurífera do Brasil. Foi o ouro que atraiu milhões de garimpeiros nos últimos 46 anos que, como formigas, criaram milhares de garimpos no meio da selva. Foi o ouro que atraiu as empresas de mineração que descobriram as principais jazidas da região. E foi o ouro que desenvolveu os importantes centros regionais como Itaituba.

No entanto é o diamante que está adicionando uma nova dimensão aos garimpos do Tapajós.

O diamante não é uma raridade na história da Amazônia. Importantes ocorrências de diamantes foram lavradas ao longo do tempo nos Rios Tocantins, a sul e norte de Marabá, no Xingu a leste de Altamira, e em Cachoeira Porteira as margens do Rio Mapuera.

Grandes empresas como a Rio Tinto e a De Beers investiram elevadas somas atrás das fontes primárias desse diamante.

Na década de 90 a Rio Tinto cobriu uma boa parte do Tapajós com levantamentos aerogeofísicos e com follow-ups de sedimentos de correntes visando a identificação de diamantes e dos minerais satélites de kimberlitos e lamproitos.  Os trabalhos da Rio Tinto mostraram algumas interessantes ocorrências de diamantes e a descoberta de alguns corpos kimberlíticos e lamproíticos.

Os minerais indicadores, que foram formados em grandes profundidades, dentro do campo de estabilidade do diamante, praticamente não foram descobertos.  São esses indicadores juntamente com o próprio diamante que realmente interessam ao geólogo de exploração.

 Na época a Rio Tinto considerava o fato do Tapajós estar em uma região afetada por um forte magmatismo Proterozóico, o Uatumã, como um ponto negativo. Afinal o magmatismo  poderia ter aquecido aquela região crustal inviabilizando o desenvolvimento de jazidas primárias de diamantes.

O Tapajos foi colocado em segunda prioridade e a empresa nunca mais voltou, fechando todos os principais projetos de prospecção, alguns anos depois.

Ainda na década de 90 os garimpeiros descobriram diamantes em um garimpo de ouro na Cachoeira Porteira e, mais tarde, nos sedimentos a sudeste de Itaituba. Foi quando foi explorado o primeiro garimpo de diamantes do Tapajós, o estopim das descobertas que vieram a seguir.

O que ninguém sabia é que uma boa parte dos aluviões que já estavam sendo lavrados para ouro continham, também, milhares de quilates de diamantes de altíssima qualidade.

Aos poucos alguns garimpeiros mais espertos começaram a adaptar suas obsoletas caixas (sluice boxes) para a recuperação, também, de diamantes (detalhe foto abaixo).

caixa para diamante

 A experiência foi bem sucedida e as descobertas começaram a aparecer, principalmente no interflúvio do Jamanxim e do Tapajós.

As notícias atraíram os garimpeiros do Mato Grosso, acostumados a lavras de grande volume, com equipamentos bem mais pesados do que os usados no Tapajós. Esta nova invasão trouxe, também, os experientes garimpeiros da região diamantífera de Juína, que já haviam passado por um ciclo de garimpagem de diamantes.

Não demorou para que mineradores estrangeiros, vindos de Israel, também começassem a investir na pesquisa e prospecção dos diamantes do Tapajós.

Está formado o quadro atual.

Com esse contingente o Tapajós passou a produzir, além do ouro, milhares de quilates de diamantes (oficiais) por semana que aguçam a cobiça de muitos atraindo um grande número de garimpeiros e mais mineradores estrangeiros.

Estima-se que existam, hoje, mais de 2.000 PCs, retroescavadeiras de grande porte, que fazem o trabalho de dúzias de garimpeiros em poucos minutos. A remoção de terra e escavações, geralmente manuais, passaram a ser feitas por equipamentos cada vez maiores.

Os grandes rios como o Tapajós estão sendo invadidos por gigantescas balsas de sucção, de 18 polegadas, verdadeiros monstros que sugam milhões de metros cúbicos de sedimentos ricos em ouro e diamantes do fundo dos rios.

Essas balsas (foto) são fabricadas em Rondônia e usam motores de 400HP, chegando a custar R$1.200.000 cada. Algumas já foram adaptadas com caixas para a retenção dos diamantes (foto). Estes gigantescos equipamentos só podem ser utilizados em áreas realmente ricas, pois tem um custo operacional muito elevado, acima de 50 gramas de ouro equivalente por dia.

A invasão dos grandes equipamentos demonstra, na prática, a riqueza dos aluviões que estão sendo lavrados.

Será que agora serão descobertas as primeiras jazidas primárias de diamantes no Tapajós?

Segundo o conhecimento geológico atual a região não tem grande potencial para jazimentos primários. Ainda falta um cráton antigo, estável e frio como os que existem em praticamente todas as regiões onde os kimberlitos ricos são encontrados.

Um outro ponto que endossa essa hipótese negativa é a quase ausência de diamantes de baixa qualidade.

 A grande maioria dos diamantes do Tapajós é de qualidade gema: uma boa notícia para os mineradores.

 Isso indica que os diamantes foram transportados por grandes distâncias. Ao longo deste transporte as pedras de qualidade inferiores, mais frágeis, se quebram e praticamente, desaparecem. É essa a explicação para a excelente qualidade dos diamantes da costa da Namíbia, que foram transportados pelo rio Orange por centenas a milhares de quilômetros. Talvez seja por isso que não são encontrados os frágeis minerais satélites tão comuns nas proximidades de kimberlitos.

Com ou sem fontes primárias próximas os diamantes do Tapajós já fazem parte da história da região. Eles deverão mudar, mais ainda, o perfil dos mineradores e até da própria comunidade.

Em breve veremos a instalação de grandes washing plants equipadas com equipamentos de alta recuperação como os sortex. Esse será o momento em que o profissionalismo tomará conta e que o diamante começará, realmente , a ser recuperado no Tapajós.

Enquanto isso, em Itaituba, motivado pela produção de diamantes, um vereador local já prega que todos os diamantes devem ser lapidados localmente antes de saírem do Tapajós...Realmente, o diamante veio para mudar.

Com exceção do minério de ferro e cobre a Rio Tinto teve queda na produção dos seus produtos minerais no último trimestre

Com exceção do minério de ferro e cobre a Rio Tinto teve queda na produção dos seus produtos minerais no último trimestre



A tabela ao lado mostra que dos treze produtos produzidos nas operações mundiais da Rio Tinto apenas o minério de ferro (11%) e o cobre (14,7%) tiveram uma produção mais alta que em 2013. Os demais produtos tiveram uma produção inferior aquela do mesmo período em 2013.

Em especial o urânio que desabou 61,2%, seguido pelo carvão com queda de 15,4%.

A Rio é uma das grandes produtoras mundiais de urânio que é produzido na mina Ranger pela sua subsidiária Energy Resources of Australia e na mina de Rossing na Namíbia.

Apesar da queda na produção espera-se que a Rio Tinto tenha uma maior demanda para o seu urânio, agora que os japoneses decidiram reabrir as suas usinas nucleares, fechadas em 2011 após o desastre de Fukushima.

Vale, barata, pode ser a bola da vez

Vale, barata, pode ser a bola da vez


No mundo capitalista de hoje só existem dois tipos de animais: as presas e os predadores.

Para sobreviver neste mar turbulento, infestado de gigantes vorazes, é necessário ser criativo e ter uma forte blindagem. Nesta guerra incessante o objetivo é ser grande o suficiente para não ser comido pelos concorrentes e digerir a todos que o ameaçam ou que podem contribuir para a sua sobrevivência futura.

Empresas apetitosas, com ativos sólidos e com baixo custo operacional são olhadas pelos grandes predadores, com cobiça, como o próximo “prato” a ser consumido.

É assim que ocorrem as grandes aquisições e fusões que resultam em empresas cada vez maiores e mais vorazes. Foi neste cenário que a Vale engoliu a Caemi e depois a Inco, em um dos grandes negócios da mineração mundial que envolveu a soma de US$19 bilhões.

Essa é a essência da guerra pelo controle mundial da commodity mais importante da atualidade: o minério de ferro. A mineradora que controlar o minério de ferro será, quase que irreversivelmente, a maior mineradora do planeta.

É em busca desse título que as três gigantes, a BHP, a Rio e a Vale estão engajadas em uma luta de vida ou morte. Elas estão aumentando dramaticamente a produção e inundando o mercado com um produto de alta qualidade e baixo custo.

Esta estratégia está enfraquecendo e asfixiando os competidores até a morte.

Hoje o número de mineradoras que fecharam as portas é assustador. É na China onde ocorrem as maiores baixas. A cada semana uma nova mineradora de minério de ferro fecha as portas. Esse era um resultado previsível, já que os chineses desenvolveram minas obsoletas com custos operacionais acima dos US$100/t acreditando que os preços iriam se manter na casa dos US$120/t.

Neste cenário de guerra até gigantes como a australiana Fortescue balançam e podem vir a fechar ou reduzir drasticamente no próximo ano.

É o dia do juízo final, quando só as grandes corporações, com ativos de baixo custo operacional e alta qualidade serão as eleitas.

O que não foi previsto é que essa guerra estaria causando uma série de efeitos colaterais que enfraquecem a todos, inclusive as três principais competidoras.

Todos acreditavam que o desgaste mataria só as menores e menos eficientes.

Mas o que se vê é bem diferente...

As grandes mineradoras, membros do triunvirato que controla o minério de ferro, estão sendo afetadas, também, pela queda dos seus valores de mercado e suas rentabilidades.

Os gráficos ao lado,  mostram que as três megamineradoras estão em queda livre nos últimos quatro meses.

Nesta situação quem são os maiores perdedores? Os acionistas é claro!

São esses acionistas, que amargam um sério prejuízo, que irão definir os rumos do conflito. Apesar de ainda serem lucrativas, as grandes mineradoras estão afugentando uma grande parte dos seus investidores, que preferem sair da mineração e receber retornos e dividendos maiores em outros segmentos não afetados por essa guerra absurda.

O que se vê hoje é a fuga dos investidores e a consequente queda das ações. Com esse enfraquecimento significativo, sem data para terminar, algumas mineradoras vão passar de caçador à caça.

Foi esse fenômeno que levou à fusão da Xstrata com a Glencore criando um grupo maior e muito mais agressivo, tão voraz que tentou, poucos dias atrás, abocanhar a segunda maior mineradora do mundo a Rio Tinto. Uma estratégia surpreendente que mostra uma tendência. A última vez que a Rio Tinto sofreu um assédio desses foi quando a chinesa Chinalco tentou controla-la, em 2009

Ser engolido é um dos efeitos colaterais das guerras pela supremacia mundial na mineração.

A tentativa atual da Glencore de engolir a Rio assustou a australiana que tenta se proteger desta aquisição hostil que deverá ocorrer após abril de 2015. Para se blindar contra a Glencore a Rio Tinto deve tentar vender as suas ações aos próprios acionistas em uma estratégia chamada buyback. Essa estratégia, estará sendo decidida no dia 28 de novembro, quando o CEO da Rio, Sam Walsh, vai explicar aos acionistas os detalhes da linha defensiva a ser adotada.

A Rio Tinto, que já foi menor do que a Vale poucos anos atrás, vale hoje US$103,4 bilhões e está sendo ameaçada por uma empresa que vale 43,3 bilhões de libras.

O que dizer da nossa Vale?

Hoje a Vale tem um valor de mercado de apenas 49 bilhões de dólares. No dia 11 de janeiro de 2011 o valor de mercado da Vale era de US$199 bilhões e o da Rio Tinto de US$137 bilhões.

Nestes últimos quatro anos a Vale caiu significativamente em relação a Rio Tinto chegando ao estado lastimável onde se encontra hoje. O mau desempenho da Vale, obviamente, tem várias explicações, mas uma é o mau gerenciamento.

A empresa está montada em ativos de imensa qualidade, mas mesmo assim não conseguiu sequer se manter na posição em que estava em 2011.

Ao invés de investir em metalurgia tornando o seu minério de US$70 por tonelada em um produto de milhares de dólares a tonelada a Vale reluta em adicionar valor ao seu principal produto.

A mineradora age com um complexo de inferioridade terceiro mundista, e prefere permanecer uma simples produtora de matéria prima sem valor agregado, deixando todo o lucro da cadeia produtiva para os importadores.

Essa estratégia usada pela Vale, dilapida as reservas de minério de alta qualidade do Brasil que são vendidas a preços baixíssimos deixando muito pouco no nosso país.  No pior momento da história ela se prepara para enviar 420 milhões de toneladas de minério por ano sem nenhum valor agregado.

Este é um assunto de grande relevância, que nos atinge como um todo, e que deveria ser melhor discutido.

O que se pode esperar de uma empresa que não consegue adicionar valor, maximizar e verticalizar os seus ativos e cuja única estratégia é reduzir custos e aumentar a produção?

A Vale teve a sua oportunidade e falhou fragorosamente.

Ela perdeu o momento histórico: entre 2009 a 2014, quando os preços do minério de ferro ultrapassaram a barreira dos US$100/t, atingindo o pico de US$187/t, mesmo tendo uma margem obscena, a Vale não conseguiu crescer e manter a sua lucratividade.

Pelo contrário: a empresa encolheu e foi reduzida aos US$49 bilhões de hoje.

A megamineradora, orgulho do Brasil, de caçadora passou a caça, tornando-se, tristemente, em um alvo para aquisição.

A Vale é, possivelmente, a melhor aquisição que existe hoje no mercado. Barata e com excelentes ativos...

Talvez ela não seja tão diversificada quanto a Rio Tinto ou talvez os seus ativos de carvão não valham tanto quanto ela queira, mas a Vale tem os minérios de altíssima qualidade e baixo custo de S11D e Carajás, o passaporte para o futuro.

Não devemos nos surpreender se amanhã lermos nas manchetes mundiais que a nossa querida Vale está sendo engolida por uma mineradora estrangeira.

Será o fim de uma era.

O pedido de pesquisa não é mina

O pedido de pesquisa não é mina



O título, desta matéria, para nós da geologia e mineração pode parecer meio estapafúrdio. Afinal nós sabemos muito bem as diferenças entre uma mina e um pedido de pesquisa.

Mas, é simplesmente assustador ver a mídia nacional e internacional repetindo frases de efeito criadas por neófitos que nada entendem de mineração. A mais recente é de um grupo de ingleses e brasileiros que propagam, mundo afora, que o novo código mineral brasileiro coloca em risco a posição do Brasil como “líder ambiental”.

O Código de Mineração pode ser acusado de muitas coisas, como ser mal redigido e de ter sido criado de forma unilateral por quem pouco entende do assunto, sem a concordância da grande maioria dos mineradores e da sociedade.

Mas, dizer que o código coloca em risco o meio ambiente e as áreas protegidas incluindo as reservas indígenas é um exagero grosseiro.

Na realidade, tanto a mineração moderna como o novo Código Mineral estão alinhados na defesa do meio ambiente e das comunidades.

O que o pessoal não entende é que a área ocupada por um requerimento de pesquisa não é o mesmo que a área ocupada pela lavra. O pedido de pesquisa não é a mina...

Uma área coberta por um pedido de pesquisa ou alvará é, na realidade, uma área estrategicamente requerida, com potencial de abrigar uma jazida.

É a área que será pesquisada e, em raríssimos casos,  lavrada.

Esta é a verdade!

A taxa de sucesso da pesquisa mineral é baixíssima, o que faz alguns mineradores requerer áreas maiores para maximizar a sua chance de sucesso. Existem dezenas de milhares de pedidos de pesquisa e de alvarás no Brasil. O que poucos sabem é que mais de 99% deles não terão, dentro de seu perímetro, uma jazida econômica.

É isso mesmo.

Talvez você não saiba, mas grande parte do território brasileiro está requerida por alguma empresa de mineração ou algum investidor privado. Se você entrar nos sites especializados e olhar o mapa do Brasil vai ver que o nosso território está praticamente todo coberto por pedidos de pesquisa.

Mas isso não faz do Brasil o maior país minerador do planeta faz?

Para entender a dimensão do que eu estou falando é simples: lembre-se de todas as minas que você conhece e das áreas que elas ocupam. Depois compare com toda a área, que você consegue lembrar, onde não existe uma mineração.

A disparidade é simplesmente enorme. A área ocupada pelas minas é infinitamente menor do que a área sem nenhuma lavra. Como a maioria das áreas estão cobertas por pedidos de pesquisa fica óbvio que pedido de pesquisa não é mina...

É uma pena que muitos ainda não consigam entender essa pequena verdade.

Mesmo no caso de sucesso, quando uma jazida é encontrada e se transforma em uma mina, a área a ser utilizada sempre será uma fração da área original do requerimento.

O que esses nobres e galantes protetores do meio ambiente não conseguem entender é que as jazidas são concentrações minerais raríssimas e ocupam, com honrosas exceções, áreas muito pequenas. Até as nossas megajazidas como as de Carajás ocupam uma área razoavelmente pequena, significativamente menor do que uma fazenda de porte médio.

As jazidas e minas são tão raras que, para nós geólogos de exploração, é sempre motivo de enorme alegria e distinção participar da descoberta de uma...

Os autores dos trabalhos e frases que penalizam a mineração deveriam entender um pouco mais do assunto antes de caluniar a mineração como um todo. A mineração tem um impacto ambiental muitíssimo menor do que o da agricultura, da pecuária e até dos grandes projetos como hidroelétricas e projetos industriais de classe mundial.

Para ilustrar o assunto eu coloco a imagem de satélite, que mostra a região de Carajás.

Nesta imagem tudo o que está em lilás é área devastada.

A simples inspeção da imagem mostra, claramente, que quem devasta são as fazendas e não a mineração.

 No centro da imagem, em verde é a área de preservação da Vale, uma floresta natural ainda virgem, no meio da qual existem alguns dos maiores jazimentos minerais do planeta, como Carajás, Salobo, Azul, Sossego e a imensa jazida S11D (Serra Sul).

Se não fosse pela mineração, que proibiu a entrada dos fazendeiros, essa região teria sido totalmente transformada em pasto. Cercando a zona verde, onde a floresta está mantida, existe um mar lilás que são as áreas onde os fazendeiros desmataram.

A imagem não pode ser mais explícita. A área ocupada pelas imensas jazidas, onde houve supressão vegetal, é quase nada quando comparada com aquela ocupada pelas fazendas.

O que vemos é, ao contrário do que muitos propagam, que a mineração protege o meio ambiente deixando uma área mínima sem a cobertura vegetal, que será recuperada no final do empreendimento.

O mesmo não ocorre nas áreas cobertas por fazendas onde a agricultura e a pecuária destruíram quase que totalmente a floresta amazônica.

É muito difícil contrapor esses fatos não é?

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Botswana rocks!

Botswana rocks!



A produção de diamantes de Botswana não para de aumentar. No ano o crescimento já atinge 16,7%, graças ao fim do processo de manutenção que a Mina Orapa enfrentou.

Orapa é um kimberlito que hospeda a maior mina a céu aberto do mundo. A descoberta de Orapa pelo geólogo Manfred Marx mudou Botswana, de forma irreversível. Hoje, pode-se dizer, que o país foi reconstruído pelos diamantes.

A mina, que iniciou em 1971, é operada pela Debswana, uma joint venture entre o governo e a De Beers.

Debswana é a maior empregadora do país, depois do Governo de Botswana. Os diamantes que ela extrai foram os responsáveis pela retirada de Botswana da lista dos países mais pobres do mundo.

 

Imagem: pit de Orapa

Graças ao Real fraco e aos preços do minério em queda, Vale tem prejuízo de US$1,44 bilhões

Graças ao Real fraco e aos preços do minério em queda, Vale tem prejuízo de US$1,44 bilhões



O resultado do último trimestre da Vale foi muito abaixo do esperado. O mercado esperava um lucro de US$1,5 bilhões, mas o que se viu foi um prejuízo de US$1,44 bilhões.

O prejuízo foi intensificado pela queda de 11% do Real em frente ao Dólar entre junho e setembro. Como as dívidas da Vale são, praticamente todas, em dólar, o enfraquecimento do real foi catastrófico para as finanças da mineradora. Some-se a isso a queda no preço da venda do minério de ferro, que para a Vale, neste período, foi de 36% e o prejuízo está consolidado.

No trimestre a Vale elevou a sua produção de minério de ferro para 85,7 milhões de toneladas. Essa produção não foi toda vendida, o que contribuiu para o resultado negativo: a mineradora teve que manter 9,3 milhões de toneladas de minério de ferro estocadas. O atraso nas vendas se deveu aos fechamentos da estrada de ferro Carajás durante protestos .

Apesar dos péssimos resultados a Vale mantém o seu plano de aumentar a produção, colocando a mina S11D em lavra. S11D irá produzir um minério de alta qualidade que, possivelmente, será vendido a preços de 3 a 5 dólares a mais do que o minério 62% Fe.

As ações da Vale estão com o menor valor em mais de 5 anos.

PricewaterhouseCoopers se recusa a assinar o balanço trimestral e força a Petrobras a contratar auditoria externa

PricewaterhouseCoopers se recusa a assinar o balanço trimestral e força a Petrobras a contratar auditoria externa


Enquanto todas as empresas já publicaram os seus balancetes trimestrais o mercado aguarda os da Petrobras.

  Os casos de corrupção e desvios dentro da estatal, fizeram com que a PricewaterhouseCoopers (PWC) resolvesse não assinar os balancetes.

Esses só serão assinados após a finalização de mais uma auditoria externa específica sobre os impactos causados na Petrobras.

O caso é extremamente sério e desmoralizante. A Petrobras, uma das grandes petroleiras do mundo, com suas ações sendo negociadas nas bolsas internacionais, se vê nas páginas policiais.

A PWC tem por obrigação fornecer ao público e acionistas uma visão imparcial e precisa dos números que serão apresentados no balancete. Neste caso a lei que define o nível de detalhe das investigações não é a brasileira, mas sim a legislação americana sobre empresas listadas em bolsas.

Duas empresas estão sendo contratadas: uma brasileira , Trench, Rossi & Watanabe Advogados e outra americana, Gibson, Dunn & Crutcher.

Essas firmas irão levantar o real impacto dos casos de corrupção já confirmados como o de Pasadena, Abreu e Lima, Comperj e outros na Petrobras.

Somente agora a Petrobras deve iniciar, também, a sua própria auditoria interna.

Enquanto a lama é escavada dos porões da Petrobras o mercado aguarda os balancetes trimestrais. Um desastre!

Lobão sai na primeira semana de novembro

Lobão sai na primeira semana de novembro



O Ministro Edison Lobão avisou ao seu staff que deve deixar o cargo já no início de novembro.

Lobão, considerado pelo setor mineral como o pior ministro a ocupar a pasta na história do Brasil, foi apontado por Paulo Roberto Costa, na delação premiada, como um dos envolvidos na corrupção da Petrobras.

Não foi a primeira vez que a mídia associou o nome de Édison Lobão a casos de corrupção e, possivelmente, não será a última.

Lobão, que se “popularizou” ao chamar as junior companies de “aventureiros e especuladores” deixa o setor da pesquisa mineral devastado pela falta de investimentos e pelo desemprego.

Ele voltará a assumir a sua cadeira no Senado.

sábado, 1 de novembro de 2014

Níquel em alta, Vale celebra

Níquel em alta, Vale celebra



A produção de níquel da Vale no trimestre foi muito acima das expectativas.

A mineradora brasileira produziu 72.100 toneladas, a melhor produção desde 2008. A produção do período foi 16% acima da medida no mesmo trimestre de 2013.

Em 2014 a Vale já produziu 201.400 toneladas tornando factível a meta de 289.000t para o ano. Caso isso ocorra a Vale se tornará na maior produtora de níquel do planeta, a frente da russa Norilsk Nickel.

A notícia não poderia ser melhor, já que os preços do níquel estão em alta, atingindo US$15.300 nesta quarta-feira. No início do ano a tonelada estava a US$14.000.

Os principais motivos desta alta estão relacionados à nova legislação da Indonésia, que proíbe a exportação da laterita niquelífera para as plantas de gusa-níquel da China e o fim dos estoques de minério de níquel nos portos chineses.

Somente neste ano os estoques chineses caíram 17%. Estima-se que até 2015 eles poderão desaparecer se os chineses não conseguirem substituí-los.

A tendência de alta deve permanecer à medida que os estoques estão em queda e a produção de aço inoxidável em alta. Somente na China a produção de aço inox subiu 16% no semestre.



Imagem, mina de níquel da Vale

Ingleses preocupados com a falta de ética na mineração

Ingleses preocupados com a falta de ética na mineração



O Comitê de Negócios da Grã Bretanha publicou um extenso relatório sobre as empresas de mineração britânicas, operando no exterior, que ferem as leis e a ética através de procedimentos escusos.

Em especial, o Governo deverá agir contra aquelas empresa operando nas regiões mais pobres, como alguns países da África, que adotam práticas como suborno de agentes públicos, sonegação de impostos, crimes ambientais e outros ilícitos para maximizar os seus lucros.

Um dos motivos desta ação são os escândalos que envolveram a mineradora Cazaque ENRC, que teve que sair da Bolsa de Londres após atrair uma péssima publicidade para a Bolsa.

A mineradora foi acusada de uma série de casos de corrupção  na África, que prejudicaram países pobres como A República Democrática do Congo.

Cometa 67P tem cheiro de urina de cavalo...

Cometa 67P tem cheiro de urina de cavalo...


Uma das últimas notícias da missão Rosetta, a nave europeia orbitando o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, traz ao conhecimento dos cientistas o “cheiro” do cometa.

É exatamente isso. Os sensores da Rosetta, a primeira nave a orbitar um cometa, detectaram os gases que compõem o cheiro do cometa.

E o que os cientistas descobriram é muito interessante.

O cometa 67P cheira a urina de cavalo, ovos podres, formol e cianeto com um leve aroma de vinagre. Os gases detectados pelos sensores serão muito mais fortes quando o cometa se aproximar, novamente, do Sol em agosto de 2015, na sua jornada de 10 anos.

A presença de carbono, dióxido de carbono, água, amônia, gas sulfídrico, hidrogênio e de moléculas orgânicas mais complexas confirma a hipótese de que os cometas sejam os grandes difusores e semeadores da vida interestelar: a panspermia.

No dia 12 de novembro a Rosetta vai lançar a sua sonda Philae que será o primeiro objeto humano a pousar em um cometa.