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sábado, 31 de janeiro de 2015

Um tesouro de 200 anos no fundo do mar

Um tesouro de 200 anos no fundo do mar

©THE BRIDGEMAN ART LIBRARY/KEYSTONE/ © ODYSSEY MARINE EXPLORATION
O ataque contra a fragata espanhola Mercedes, em 1804, pintado por Thomas Sutherland em 1816. No detalhe, a empresa caça tesouro Odyssey em ação
Dezessete toneladas de ouro e prata, estimadas em US$ 500 milhões. Esse é o tamanho do tesouro resgatado por uma empresa americana do fundo do mar – o mais valioso de que se tem notícia e que é hoje o centro de uma movimentada e provavelmente longa batalha jurídica. O tesouro foi encontrado em maio do ano passado numa embarcação naufragada na costa de Portugal. O resgate foi feito pela Odyssey, empresa caça-tesouros que realiza explorações arqueológicas submarinas com o uso de robôs. O carregamento foi rapidamente levado aos Estados Unidos.

O governo espanhol reagiu logo, e disse que o tesouro vinha da fragata Nuestra Señora de La Mercedes y las Animas, que afundou em 5 de outubro de 1804. O naufrágio teve importantes conseqüências históricas. Mercedes fazia parte de uma esquadra espanhola que foi interceptada por ingleses. Na época, a Inglaterra estava em guerra com a França, mas a Espanha tentava manter-se neutra. Apesar disso, os ingleses requisitaram as fragatas. Diante da recusa espanhola, iniciou-se uma batalha, na qual Mercedes foi atingida, explodiu e afundou, causando a morte de 249 pessoas. Em decorrência do episódio, o rei Carlos IV declarou guerra à Inglaterra em dezembro daquele ano.

Segundo documentos do Arquivo das Índias de Sevilha, a fragata carregava 697.621 pesos, pertencentes a cerca de 130 mercadores espanhóis, e 253.606 pesos que vinham das colônias na América, destinados à Coroa. Segundo as primeiras estimativas, cada uma das moedas de prata resgatadas pode valer até US$ 4 mil. As de ouro, muito mais.
Para o governo espanhol, Mercedes é um navio de guerra afundado durante uma batalha, e o tesouro, portanto, pertence à Espanha. Para a Odyssey, Mercedes é apenas uma embarcação mercante comum. A empresa declarou estar disposta a partilhar o total com os herdeiros dos proprietários dessas riquezas – considerando que, em casos como esse, a companhia responsável pelo resgate costuma ficar com cerca de 80% do tesouro, como recompensa pelo salvamento. Até o Peru entrou no caso, reivindicando que, como as moedas foram cunhadas, com metais vindos de seu território, também teria direito a uma parte. Caso não haja acordo, a justiça americana decidirá como será feita a divisão.

Não é a primeira vez que a Odyssey retira do fundo do mar uma coleção valiosa. Em 2003, a empresa já havia resgatado 50 mil moedas e 14 mil artefatos do SS Republic, afundado na costa americana em 1865, que renderam à companhia mais de US$ 33 milhões.

A Unesco calcula que há mais de 3 milhões de barcos afundados no mundo todo, à espera de resgate. A partir de 2 de janeiro de 2009, entrará em vigor a Convenção da Unesco sobre a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático, para ajudar a preservar essa riqueza submersa e proibir sua exploração comercial.

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