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domingo, 31 de maio de 2015

Veja onde estão guardados os maiores depósitos de ouro do mundo

Veja onde estão guardados os maiores depósitos de ouro do mundo

Em Fort Knox, estão depositadas as reservas de ouro do Estados Unidos, avaliadas em US$ 549 bilhões


Divulgação
Fort Knox, onde estão guardadas as reservas de ouro dos EUA, as maiores do mundo
Analistas internacionais avaliam que os preços do ouro, que alcançaram o recorde de US$ 1.600, ainda podem atingir US$1.750 a onça até o fim do ano. Alguns já falam até mesmo em US$ 2.200. Uma onça-troy equivale a apenas 31,103 gramas. Os países e as instituições financeiras, como FMI, guardam algumas toneladas do metal precioso, que valem bilhões de dólares.
O maior estoque de ouro de mundo, mantido pelo governo americano, está guardado em Fort Knox, no estado de Kentucky, sob um forte esquema de segurança. Lá, está depositada grande parte das reservas de quase 9 mil toneladas mantidas pelos EUA, avaliadas em US$ 550 bilhões.
Saiba onde estão os maiores estoques de ouro do mundo, segundo um levantamento feito pela CNBC com as informações fornecidas pelo World Gold Council.
1. Estados Unidos
Valor das reservas : US$ 549 bilhões
Estoque : 8.965,6 toneladas
O The United States Bullion Depository em Kentucky, também conhecido como Fort Knox, é o depósito mais famoso de ouro do mundo e onde está guardada a maior parte das reservas dos Estados Unidos.
2. Alemanha

Getty Images
Deutsche Bundesbank, o banco central da Alemanha
Valor das reservas : US$ 192 bilhões Estoque : 3.747,9 toneladas

Sede do Banco Central Alemão, que administra a segunda maior reserva de ouro do mundo






3. Fundo Monetário Internacional (FMI)
Getty Images
Christine Lagarde em seu primeiro dia de trabalho na sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington
Valor das reservas : US$ 159 bilhões Estoque : 3.101.3 toneladas
O Fundo Monetário Internacional, que é formado por membros de 185 países, mantém grandes estoques do metal para estabilizar os mercados internacionais.






3. Itália
Getty Images
Sede da Banca d'Italia em Roma
Valor das reservas : US$ 138 bilhões Estoque: 2.701.9 toneladas
As reservas de ouro do país são administradas pelo Banca D'Italia.






5. França

Getty Images
Sede do banco Societe Generale SA em Paris, na França
Valor das reservas : US$ 137 bilhões Estoque: 2.683,8 toneladas
O Banque De France hospeda as reservas de ouro do país







6. China
Getty Images
Sede do Banco do Povo da China em Pequim
Valor das reservas : US$ 59 bilhões Estoque : 1.161,6 toneladas
O país mais populoso do mundo já detém a sexta maior reserva de ouro do planeta






7. Suíça
Getty Images
Sede do Banco Nacional da Suíça em Berna
Valor das reservas: US$ 59 bilhões Estoque: 1.146,2 toneladas
As reservas de ouro do país são administradas pelo Swiss National Bank






8. Rússia
Getty Images
Kremlin de Moscou
Valor das reservas: US$ 47 bilhões Estoque : 915,2 toneladas
O Kremlin ("fortaleza" em russo) de Moscou, sede do governo russo






9. Japão
Getty Images/Reprodução
Imagem de Tóquio, com o Monte Fuji
Valor das reservas: US$ 43 bilhões Estoque: 843,3 toneladas








10. Holanda
_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=economia%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1597097963130 &_c_=MiGComponente_CValor das reservas: US$ 34 bilhões
Estoque: 674,9 toneladas








11. Índia
Valor das reservas: US$ 31 bilhões
Estoque: 614,6 toneladas
Em novembro de 2009, a Índia ampliou suas reservas com a aquisição de 200 toneladas de ouro do FMI.
12. Banco Central Europeu (BCE)
Valor das reservas: US$ 28 bilhões
Estoque: 553,3 toneladas
Estabelecido em 1998, o Banco Central Europeu está sediado em Frankfurt.
13. Taiwan
Valor das reservas: US$ 24 bilhões
Estoque: 466,8 toneladas
14. Portugal
Valor das reservas: US$ 21 bilhões
Estoque: 421,5 toneladas
15. Venezuela
Valor das reservas: US$ 21 bilhões
Estoque: 403,1 toneladas

Potencial Geológico do Brasil


 Potencial Geológico do Brasil
A geologia do território brasileiro é pouco conhecida quando comparada a quantidade e qualidade das avaliações geológicas de outros países com tradição minerária como o Canadá, a Austrália e os Estados Unidos.
A despeito dessa carência de informações básicas, o Brasil destaca-se internacionalmente pela diversidade de ambientes geológicos, pelo volume de reservas minerais já identificadas, bem como pela variedade dos bens minerais presentes nas províncias e distritos minerais do país, como mostra o mapa abaixo.
Apesar das dimensões continentais e das notórias reservas do país, o potencial mineral brasileiro é subaproveitado, o que faz o mercado brasileiro ser praticamente inexplorado. Segundo o IBRAM, estima-se que menos de 30% do território brasileiro tenha sido mapeado geologicamente em escala apropriada.
Em 2009 e 2010, a participação do Brasil no total mundial de investimentos em exploração mineral alcançou tímidos 3%, taxa bem abaixo das obtidas pelos líderes do setor - Canadá (18%) e Austrália (13%) - e inferior aos apresentados por países sem a mesma tradição no segmento e extensão territorial, como Peru (4%) e Colômbia (2%).
A falta de estudos permite à All Ore considerar alta a probabilidade de que sejam encontradas novas reservas minerais de boa qualidade quanto mais investimentos em prospecção forem conduzidos.

O nióbio e a realidade brasileira


O nióbio e a realidade brasileira

Sei que você já deve estar cansado de ler e ouvir falar sobre o nióbio e sobre uma teoria da conspiração propagada, frequentemente, na mídia. Sei, também, que você deve se perguntar se tudo isso é verdade.

Será que o nióbio sozinho pode levar o Brasil e seu PIB aos píncaros da glória como o falecido Enéas Carneiro e muitos falam e escrevem?

Será que o mundo todo está comprando o nióbio contrabandeado da Amazônia e se locupletando com os lucros assombrosos desse contrabando enquanto o Brasil mal consegue adicionar valor à sua economia, mesmo sendo o maior exportador mundial deste produto?

Apesar de tudo o que se propaga sobre o nióbio, que o metal é muito estratégico e nobre, com preços elevadíssimos e que a procura é tão grande que ele está sendo contrabandeado, em pequenos aviões, de Seis Lagos para fora do Brasil, você vai ver que a realidade mostra-se bem diferente.

A principal aplicação do nióbio é na indústria siderúrgica. Ele é um metal importante, pois os aços com nióbio tem uma maior resistência e tenacidade e melhor soldabilidade. Mas, como veremos a seguir, o metal ainda está longe de ser tudo aquilo que se propaga na internet e que nos faz, muitas vezes, ficar indignados.

Quando falamos de nióbio falamos, obrigatoriamente da brasileira controlada pelo Grupo Moreira Salles, a CBMM.

A  Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, CBMM, é a maior produtora de nióbio do mundo. Ela é, também, a detentora das maiores reservas de pirocloro, o principal mineral de nióbio e extraído em 97% dos jazimentos de nióbio do mundo.



A foto acima mostra a operação a céu aberto da CBMM em Araxá, onde é lavrado o pirocloro.

Mas o que a teoria da conspiração mais fala é sobre o Complexo Carbonatítico de Seis Lagos, um gigadepósito de nióbio que, segundo se fala, está enriquecendo compradores fantasmas de todo o mundo enquanto o Brasil patina no seu terceiro-mundismo.

O Carbonatito de Seis Lagos, localizado próximo a São Gabriel da Cachoeira, no meio da floresta amazônica, atiça a curiosidade pública e é o ponto mais controverso do assunto nióbio no Brasil.

Os recursos de Seis Lagos (imagem satélite), empiricamente testados pela CPRM, aparentam ser gigantescos. Um cálculo muito preliminar feito pela CPRM mostra um jazimento de mais de 2 bilhões de toneladas com teores de Nb2O5 acima de 2%. Se esses números forem confirmados a jazida tem condições de mudar o panorama do nióbio inundando o mundo com esse metal. Se esse for o caso o nióbio continuará tão valioso quanto hoje?

O que nós realmente sabemos sobre esse depósito é, ainda, muito pouco.

Foi no final da década de 60, com uso das imagens do RADAMBRASIL, que os geólogos da CPRM fizeram a descoberta de uma estrutura semi-circular com mais de 8.000m de eixo maior, imediatamente apelidada de Seis Lagos.

Nesta época a CPRM ainda fazia pesquisa mineral relevante.

Na fase inicial da pesquisa em Seis Lagos a CPRM plotou 4 furos exploratórios que intersectaram lateritas, gnaisses e carbonatitos. A laterita, que tinha espessura variando entre 9 a 255m, apresentava zonas enriquecidas em nióbio e terras raras. Esta cobertura laterítica, que é o minério de Seis Lagos, foi subsequentemente estudada pela CPRM que fez  apenas quatro novos furos com 60 metros de profundidade cada e cubou uma imensa jazida de nióbio.

A CPRM chegou a conclusão de que Seis Lagos era um depósito de 2,89 bilhões de toneladas com teor médio de 2,81% de Nb2O5. Essa reserva, sozinha, se existente, é muitas vezes maior do que todas as demais reservas de minério de nióbio conhecidas no mundo.

Será que esses números são reais?  Qual a confiabilidade que esses cálculos devem ter?

É muitíssimo improvável que eles se aproximem da realidade, pois são cálculos primários que jamais deveriam ter sido publicados da forma como foram.

Sabemos, através de estudos posteriores, que foram descobertos níveis estéreis, sem nióbio, dentro da laterita. Tratar, portanto, a laterita de Seis Lagos, como uma unidade única e homogênea é uma generalização que leva a erros que irão, provavelmente, inflacionar as reservas.

Mais ainda, cubar um jazimento de grande área, sem mapeamentos geológico e topográficos de ultradetalhe e sondagem em malha de alta densidade, onde os todos os furos devem atravessar a mineralização é, com certeza, uma imensa inferência que nunca será certificada por nenhum protocolo usado fora do Brasil como o Jorc ou NI-43101.

Em outras palavras, quando se fala em números, Seis Lagos ainda é apenas um sonho que pode se transformar em pesadelo após um trabalho técnico adequado.

Isso sem falar na metalurgia, de que nada sabemos.

Ainda não foram feitas rotas econômicas para a extração do nióbio do rutilo de Seis Lagos. Não sabemos os custos da metalurgia desta jazida, que, com certeza, irão ser um importante componente no fluxo de caixa da mina.

A resposta a essas perguntas está logo ali, com a CPRM e com o MME. O Governo, que é o dono atual da jazida, deve à sociedade brasileira um trabalho de qualidade, que possa ser aceito pelo país, pelo mercado e pelos profissionais e empresas da área.

Enquanto isso não for feito qualquer numerologia ligada a Seis Lagos será mera especulação.

Mas, infelizmente, Seis Lagos está em terras indígenas e pertence ao Governo Brasileiro que parece não ter nenhum interesse em desenvolvê-lo.

Esse sim nos parece um crime de lesa-pátria, em um país que ainda luta para acabar com a pobreza. Não é dos contrabandistas fantasmas de nióbio que temos que ter medo, mas sim do Governo que se omite e nada faz.

Existe, agora, uma nova chance criada pelo novo Código Mineral, ainda não aprovado, que faz da CPRM a grande pesquisadora nacional. Talvez a CPRM volte ao Projeto Seis Lagos e finalize aquilo que começou, e nunca terminou, há quase 50 anos atrás. É o mínimo que o Governo deve fazer pela sociedade.

Este desinteresse do nosso Governo, junto com o possível tamanho de Seis Lagos nos leva a perguntar sobre os porquês.

Por que o Brasil não desenvolve essa jazida que dizem estar sendo dilapidada por contrabandistas que usam os índios e até a Funai para extrair o nióbio?

Esta história nos parece muito fantasiosa e não tem respaldo econômico.

Contrabandear minério de 2% dos confins da Amazônia, sem logística, em pequenos aviões é, com certeza, sonho de quem não entende de economia mineral.

Talvez o contrabando de concentrado de columbita-tantalita de alguns pegmatitos da Amazônia esteja nas raízes desta teoria da conspiração. A columbita é um mineral de nióbio que se associa à tantalita e tem um bom preço no mercado. É esse preço que permite o contrabando de concentrados de columbita-tantalita para fora do Brasil a partir, principalmente do Amapá.

No gráfico abaixo vemos que o preço do metal está se mantendo constante, em torno de US$30/kg nos últimos anos.


 Já o minério de Seis Lagos, que é a base de um rutilo com Nióbio na estrutura, um mineral cuja metalurgia pouco ou nada se conhece, com apenas 2% de Nb2O5, com certeza não pode ser economicamente contrabandeado.

Imagine transportar um produto com apenas 2% de Nb2O5, que vale pouco mais de US$0,6/kg em um avião que transporta apenas 500 quilos de carga...

O preço desta carga não paga nem o custo do combustível. Vai ser muito difícil encontrar um piloto kamikaze, burro o suficiente, que faria uma operação ilegal e perigosa sem lucro como essa... ou um comprador disposto a investir em caros estudos metalúrgicos para processar centenas de quilos... Sonho!

Se hoje as grandes produtoras já não conseguem vender todo o seu nióbio o que acontecerá quando novas minas entrarem em produção e a oferta for muito maior?

Os preços cairão!

A realidade é que a própria CBMM, a maior produtora do mundo, está exportando abaixo de sua capacidade. A crise de 2008 ainda não acabou para o nióbio.

A produção da CBMM vem caindo sistematicamente desde 2008, quando superou as 70.000 toneladas do metal. Em 2013, apesar dos esforços, a empresa exportou apenas 68.000t, 22.000 toneladas abaixo da capacidade instalada de 90.000t por ano.

Este é um ponto interessante, que coloca o assunto nióbio na devida perspectiva: a produção total de um ano da CBMM equivale a menos do que a Petrobras fatura em apenas dez dias. Ao contrário do que alguns pensam o nióbio não é ouro...e a procura, hoje, é menor do que a oferta.

Infelizmente o nióbio não tem a força que irá projetar o nosso país ao lugar de maior do mundo, como muitos “experts” propagam. Mesmo se Seis Lagos for tão grande quanto a CPRM inferiu...

Mesmo assim o negócio é bom, e a CBMM, com teores bem abaixo dos existentes em Seis Lagos, tem excelentes lucros fazendo do nióbio o terceiro item da pauta mineral de exportação do Brasil

As previsões para o futuro fazem a CBMM prever, com otimismo, um aumento de sua capacidade para 150.000t, em 2016. Se continuar como hoje o mercado pode não absorver esse excesso de oferta.

A CBMM, entretanto, espera poder criar novas aplicações para o nióbio através de seu Centro de Tecnologia e dos programas que ela financia em institutos e universidades.

Nada é de graça: é através de muito investimento e pesquisa de ponta que, aos poucos, se desenvolvem novas aplicações que permitem o crescimento do mercado.

No caso do nióbio a demanda se relaciona diretamente aos seus usos na indústria.

Se os preços caírem em decorrência de uma maior oferta é provável que o nióbio comece a substituir outros metais como o próprio cobre. No outro lado desta moeda, se os preços subirem, serão necessários novos usos, onde só o nióbio pode ser utilizado, para que haja a manutenção dos preços.

Parece lógico que se os preços melhorarem novos projetos de mineração (veja a lista abaixo) serão viabilizados. Afinal o nióbio não existe somente em solos brasileiros...

Certamente esse excesso de produção irá enfraquecer o mercado criando mais um componente importante neste jogo de força.


Como você já deve ter percebido, a realidade é bem mais dura do que parece.

Sabemos que o nióbio tem um bom preço, mas sabemos também que o mercado está saturado e não consegue absorver maiores quantidades, o que obriga a líder de mercado, a CBMM, a investir 2% de seu faturamento na pesquisa de novos usos e aplicações necessários para garantir as suas vendas no futuro.

Com a entrada de uma grande jazida, tipo Seis Lagos, em produção serão deslocadas, em primeiro lugar, aquelas mineradoras que produzem o nióbio com custos mais elevados. O excesso de produção só poderá ser assimilado se a indústria usar o nióbio em novas aplicações e ligas. Mesmo assim o preço irá cair em função do aumento de produção.

Fica claro que a teoria da conspiração do nióbio é mais um conto de fadas da internet já que, infelizmente, o nióbio não tem todo o valor que querem lhe atribuir.

Mesmo não tendo a força do minério de ferro e do petróleo o nióbio é, obviamente importantíssimo. Não é aceitável que o nosso país jogue no lixo do esquecimento reservas potenciais como Seis Lagos. É preciso equacionar definitivamente esse problema.

Cabe ao Governo Brasileiro uma explicação adequada sobre o assunto e sobre as riquezas minerais que ele gerencia.

Afinal, como vamos construir uma sociedade melhor, mais rica e mais justa se abandonarmos jazidas como Seis Lagos que nos colocam como líderes mundiais de um metal que ainda pouco se conhece?

O Brasil tem que:

-finalizar os cálculos de reservas e os estudos metalúrgicos de Seis Lagos
-estudar melhor o metal e seus usos na indústria, maximizando este bem mineral que nos coloca em posição de vantagem a nível mundial.
-usar o nióbio para o seu crescimento e desenvolvimento.

O pedido de pesquisa não é mina


O pedido de pesquisa não é mina



O título, desta matéria, para nós da geologia e mineração pode parecer meio estapafúrdio. Afinal nós sabemos muito bem as diferenças entre uma mina e um pedido de pesquisa.

Mas, é simplesmente assustador ver a mídia nacional e internacional repetindo frases de efeito criadas por neófitos que nada entendem de mineração. A mais recente é de um grupo de ingleses e brasileiros que propagam, mundo afora, que o novo código mineral brasileiro coloca em risco a posição do Brasil como “líder ambiental”.

O Código de Mineração pode ser acusado de muitas coisas, como ser mal redigido e de ter sido criado de forma unilateral por quem pouco entende do assunto, sem a concordância da grande maioria dos mineradores e da sociedade.

Mas, dizer que o código coloca em risco o meio ambiente e as áreas protegidas incluindo as reservas indígenas é um exagero grosseiro.

Na realidade, tanto a mineração moderna como o novo Código Mineral estão alinhados na defesa do meio ambiente e das comunidades.

O que o pessoal não entende é que a área ocupada por um requerimento de pesquisa não é o mesmo que a área ocupada pela lavra. O pedido de pesquisa não é a mina...

Uma área coberta por um pedido de pesquisa ou alvará é, na realidade, uma área estrategicamente requerida, com potencial de abrigar uma jazida.

É a área que será pesquisada e, em raríssimos casos,  lavrada.

Esta é a verdade!

A taxa de sucesso da pesquisa mineral é baixíssima, o que faz alguns mineradores requerer áreas maiores para maximizar a sua chance de sucesso. Existem dezenas de milhares de pedidos de pesquisa e de alvarás no Brasil. O que poucos sabem é que mais de 99% deles não terão, dentro de seu perímetro, uma jazida econômica.

É isso mesmo.

Talvez você não saiba, mas grande parte do território brasileiro está requerida por alguma empresa de mineração ou algum investidor privado. Se você entrar nos sites especializados e olhar o mapa do Brasil vai ver que o nosso território está praticamente todo coberto por pedidos de pesquisa.

Mas isso não faz do Brasil o maior país minerador do planeta faz?

Para entender a dimensão do que eu estou falando é simples: lembre-se de todas as minas que você conhece e das áreas que elas ocupam. Depois compare com toda a área, que você consegue lembrar, onde não existe uma mineração.

A disparidade é simplesmente enorme. A área ocupada pelas minas é infinitamente menor do que a área sem nenhuma lavra. Como a maioria das áreas estão cobertas por pedidos de pesquisa fica óbvio que pedido de pesquisa não é mina...

É uma pena que muitos ainda não consigam entender essa pequena verdade.

Mesmo no caso de sucesso, quando uma jazida é encontrada e se transforma em uma mina, a área a ser utilizada sempre será uma fração da área original do requerimento.

O que esses nobres e galantes protetores do meio ambiente não conseguem entender é que as jazidas são concentrações minerais raríssimas e ocupam, com honrosas exceções, áreas muito pequenas. Até as nossas megajazidas como as de Carajás ocupam uma área razoavelmente pequena, significativamente menor do que uma fazenda de porte médio.

As jazidas e minas são tão raras que, para nós geólogos de exploração, é sempre motivo de enorme alegria e distinção participar da descoberta de uma...

Os autores dos trabalhos e frases que penalizam a mineração deveriam entender um pouco mais do assunto antes de caluniar a mineração como um todo. A mineração tem um impacto ambiental muitíssimo menor do que o da agricultura, da pecuária e até dos grandes projetos como hidroelétricas e projetos industriais de classe mundial.

Para ilustrar o assunto eu coloco a imagem de satélite, que mostra a região de Carajás.

Nesta imagem tudo o que está em lilás é área devastada.

A simples inspeção da imagem mostra, claramente, que quem devasta são as fazendas e não a mineração.

 No centro da imagem, em verde é a área de preservação da Vale, uma floresta natural ainda virgem, no meio da qual existem alguns dos maiores jazimentos minerais do planeta, como Carajás, Salobo, Azul, Sossego e a imensa jazida S11D (Serra Sul).

Se não fosse pela mineração, que proibiu a entrada dos fazendeiros, essa região teria sido totalmente transformada em pasto. Cercando a zona verde, onde a floresta está mantida, existe um mar lilás que são as áreas onde os fazendeiros desmataram.

A imagem não pode ser mais explícita. A área ocupada pelas imensas jazidas, onde houve supressão vegetal, é quase nada quando comparada com aquela ocupada pelas fazendas.

O que vemos é, ao contrário do que muitos propagam, que a mineração protege o meio ambiente deixando uma área mínima sem a cobertura vegetal, que será recuperada no final do empreendimento.

O mesmo não ocorre nas áreas cobertas por fazendas onde a agricultura e a pecuária destruíram quase que totalmente a floresta amazônica.

É muito difícil contrapor esses fatos não é?

Novo fundo chinês para a compra de minas de ouro pode desequilibrar o mercado


Novo fundo chinês para a compra de minas de ouro pode desequilibrar o mercado



Depois de “amarrar” o mercado de minério de ferro os chineses, agora, preparam uma nova ofensiva cujo alvo final é o ouro.

Terminou aquela época em que os chineses mantinham os seus trilhões de dólares nas contas poupanças.

Agora eles estão usando o seu poder econômico como verdadeiros capitalistas. É hora de ir às compras.

De olho no ouro a China criou um novo fundo de US$16 bilhões que serão aplicados na compra de minas, projetos e empresas de ouro.

Eles não estão querendo qualquer ativo.

O principal objetivo são aqueles projetos de ouro próximos ao traçado da “Estrada da Seda”, que agrega estradas e rotas importantes para o desenvolvimento da Ásia, ligando a China, a Índia a África e o Mediterrâneo.

Na fase inicial o fundo estará focando nas áreas do Cazaquistão, Uzbequistão Irã e Turquia.

O ouro produzido será negociado na Bolsa de Xangai. Os chineses são os maiores importadores de ouro do mundo e deverão praticamente controlar o metal caso o fundo seja bem sucedido...

Almahata Sitta: os diamantes que vieram do espaço


Almahata Sitta: os diamantes que vieram do espaço





Quando o carbono é submetido a imensas pressões e temperaturas elevadas ele pode se transformar em diamante. É assim no nosso planeta, em profundidades maiores que 120km de crosta quando as condições para a formação dos diamantes existem. É o chamado campo de estabilidade do diamante (veja o gráfico).

Esses diamantes são trazidos à superfície por rochas vulcânicas formadas a grandes profundidades: os kimberlitos e os lamproitos.


Campo de estabilidade do diamante
Aqui na Terra a quantidade de diamantes formada em profundidade é relativamente pequena, o que é confirmado pelos teores achados nos kimberlitos que geralmente são medidos em poucos quilates em cada cem toneladas de rochas.

No entanto, ao contrário da Terra, os astrônomos acreditam que alguns corpos celestes possam ter um núcleo formado quase que exclusivamente de diamante.

Em caso de explosão ou choque esses corpos poderiam “semear” meteoritos a base de diamantes por todo o sistema solar.

Imagine só encontrar um meteorito de diamante maciço...

A possibilidade da existência desses meteoritos diamantíferos é elevada e alimenta algumas empresas como a Planetary Resources, que planejam lavrá-los no espaço.

De volta a Terra, os geólogos sabem que diamantes podem, também, ser formados no impacto de meteoritos contra a superfície do planeta. Esses diamantes são extremamente pequenos e, muitas vezes são descritos como micro ou nanodiamantes.

Existem uns agregados de diamantes de baixa qualidade chamados carbonados que, por não terem associação com kimberlitos ou lamproitos podem ter uma origem extraterrena. Os carbonados encontrados na Bahia são os maiores agregados de diamantes jamais encontrados, atingindo mais de 3.000 quilates.

Era assim que os cientistas contavam a história dos diamantes vindos ou não do espaço: até a queda do meteorito Almahata Sitta em 7 de outubro de 2008.

Este meteorito foi o primeiro a ser detectado antes do choque e caiu no deserto do Sudão causando uma explosão cuja luz foi vista a 1.400km de distância.

As buscas foram intensas e os pesquisadores acharam centenas de fragmentos de um acondrito ureilítico com grãos carbonosos, espalhados em quilômetros de deserto (veja a foto).

Almahata Sitta o meteorito
Até então o Almahata Sitta era uma história corriqueira: mais um meteorito descoberto. Foi quando descobriram que os fragmentos do meteorito continham diamantes.

Não eram os tradicionais nanodiamantes, mas diamantes muito maiores do que os encontrados em meteoritos. A explicação genética para esses diamantes aponta para uma formação similar aos dos nossos diamantes terrestres: em grandes profundidades dentro de um corpo planetário (planetesimal) que se fragmentou nos primórdios do sistema solar.

Os resultados do estudo feito na Universidade de Hiroshima no Japão mostra que os diamantes foram fraturados em cristais menores que estão orientados da mesma maneira. Ou seja os diamantes eram parte de pedras maiores fraturadas no impacto.

A descoberta deste meteorito aumenta as expectativas das novas empresas de mineração espacial que, no momento, buscam financiamentos para serem lançadas.

Em breve veremos mais uma emocionante etapa da exploração mineral: a do espaço sideral.

O Dia do Geólogo


O Dia do Geólogo





Dia 30 de maio é o dia do Geólogo., uma das profissões mais extraordinárias e belas entre todas.

É óbvio que eu, um Geólogo com mais de 44 anos de experiência, sou absolutamente tendencioso quando faço essas afirmativas.

Mas fique tranquilo, pois eu não estou só.

Um estudo feito entre 220.000 estudantes universitários do Reino Unido mostrou que 95% dos estudantes de Geologia estavam totalmente satisfeitos com o curso de Geologia.

Esta estatística é repetida em quase todos os lugares do mundo, pois nós Geólogos adoramos a Geologia!

É raro ver outro grupo de profissionais, que por opção própria, só fala naquele jargão hermético da Geologia, sobre um único assunto: Geologia.

Não porque o Geólogo seja um chato de galochas.

Assim como a maioria não consegue desligar o seu smartphone o Geólogo não consegue facilmente desligar da Geologia. A Geologia de tão interessante, vasta e complexa é viciante.

Será por que se trata de uma Ciência abrangente e extraordinária que lida com a Terra e com o Universo?

Ou o que nos move é que no final de um dia de trabalho intenso, mergulhado na natureza, após subir morros, atravessar matas, tomar banhos em córregos, sempre vai existir aquele papo interessante regado a muita cerveja gelada?

Ser Geólogo é ser curioso.

É ter a natureza como seu escritório e fazer do seu dia a dia a aventura que tantos almejam, mas quase nunca irão conseguir.

É olhar para as rochas (um Geólogo nunca fala em pedras) com um olhar cúmplice que só outro Geólogo, que também conhece, poderá entender.

É falar com propriedade em bilhões de anos como se fossem dias, em mares que já se foram, em ambientes que não mais existem.

É entender a pequenez do ser humano.

É usar a mais alta tecnologia para trabalhar uma microscópica parte de um mineral da mesma forma como ele estuda os processos geológicos que fazem a Terra ser o que é.

Ser Geólogo é ser criativo.

É se emocionar com a descoberta. É ter um martelo, uma lupa, um gps e mudar a história econômica da região e do país.

É ter a certeza de sua importância na sociedade e ver que quase tudo que nos cerca, sem exceção, tem o dedo de um colega Geólogo.

Ser Geólogo é ser Global.

O Universo é a nossa ostra. Podemos atuar em qualquer lugar deste ou de outro planeta ao contrário de tantas outras profissões.

Ser Geólogo é estar feliz com a profissão e não precisar celebrá-la em apenas um dia, mas curti-la ao longo dos 365 dias do ano.

DPA: a volta do cartel dos diamantes?


DPA: a volta do cartel dos diamantes?




DPA é o acrônimo de Diamond Producer´s Association, a nova entidade internacional que congrega nada menos do que as sete maiores produtoras de diamante do mundo.

O mercado de diamantes era controlado, até pouco tempo atrás, pela CSO (Central Selling Organization) uma obscura e misteriosa organização que dominava, com mão de ferro, os preços do diamante no mercado mundial. A CSO, que era da De Beers, perdeu força à medida que as grandes concorrentes passaram a vender os seus diamantes fora do cartel.

Em 2013, pela primeira vez em 100 anos, os preços dos diamantes foram determinados pelo mercado e não pela CSO.

Desde então os novos players como a Alrosa, Petra Diamonds, Rio Tinto, BHP, Botswana e Angola passaram a ter maior influência no mercado que perdeu a sua coesão e objetividade.

Com a falta de um direcionamento e organização o mercado perdeu o rumo.

Somente em 2015 a sul-africana Petra Diamonds teve uma queda de 41% nas vendas de seus diamantes.

Graças aos maus resultados que as principais empresas de mineração de diamantes resolveram reativar o cartel através da DPA, que vai tentar desenvolver o setor com especial atenção ao mercado.

A DPA é formada pelas sete maiores mineradoras de diamantes que respondem por 75% dos diamantes produzidos: ALROSA, De Beers, Rio Tinto, Dominion Diamond Corporation, Lucara Diamond Corporation, Petra Diamonds Ltd. e Gem Diamonds.

Assim como a CSO a DPA vai embarcar em mega campanhas publicitárias para, mais uma vez, tentar fortalecer o mercado dos diamantes.

Foi assim que a De Beers e a CSO criaram as extraordinárias frases de campanha “os diamantes são eternos” e “ o diamante é o melhor amigo da sua namorada”.

A DPA tentará aumentar o consumo mundial de diamantes naturais através do aumento da confiança do consumidor nas mineradoras, seus diamantes e na qualidade das operações a nível mundial.

Um dos grandes beneficiários da DPA será a indústria de diamantes da Índia que é a maior do mundo e exporta US$22 bilhões por ano.

Além da luta pela excelência a DPA tentará combater a ameaça, cada vez maior, dos diamantes artificiais que estão, aos poucos, conquistando mercado.

Os artificiais podem ser produzidos em maiores quantidades e a preços mais baixos, o que permite a vendedores inescrupulosos repassá-los como diamantes naturais originados em minas.

Esses diamantes sintéticos ainda não são suficientemente baratos para deslocar os diamantes naturais, mas tudo leva a crer que falta pouco para que isso aconteça.

Quando isso acontecer a DPA estará com as suas campanhas na mídia tentando fortalecer o mercado dos diamantes brutos cujos preços caíram 13% em 2014.

Vai ser uma guerra.

No final os preços dos diamantes sintéticos deverão cair muito, o que vai acabar fortalecendo o preço dos naturais. Assim como ocorre hoje com outras pedras sintéticas que são tratadas como bijuterias pelo mercado.

Depósitos de água-marinha e topázio do Ponto do Marambaia- MG

Depósitos de água-marinha do Ponto do Marambaia, parte da Província Pegmatítica Oriental de Minas Gerais, estão inseridos no Campo Pegmatítico de Padre Paraíso-Catugi, Distrito Pegmatítico de Padre Paraíso.

Os pegmatitos contêm água-marinha, berilo comum e goshenita, topázio azul, cristais decimétricos a métricos de quartzo hialino e murion e são hospedados no granito Caladão.

A água marinha apresenta importância econômica no cenário mundial gemológico, no que diz respeito à produção histórica e potencialidade, ao volume e à qualidade das gemas produzidas.

Registros de achados famosos de cristais de águas-marinhas, dentre as quais, "Papamel" e "Marta Rocha", com 74 kg e 33,9 kg, respectivamente são reconhecidos internacionalmente.

Os pegmatitos apresentam zonalidade irregular, contém K feldspato, quartzo, biotita, água-marinha e topázio, não apresentam controle estrutural e seus contatos com o granito variam de brusco a gradacional.

Possuem posição espacial variável entre vertical a horizontal, espessuras decimétricas a métricas, extensões decamétricas, formatos irregulares amebóides e relativa diferenciação.

Os pegmatitos evoluíram a partir da fração gráfica com K feldspato-quartzo, seguido da formação de mega-cristais de K feldspato e quartzo leitoso intersticial e maciço, biotita e as gemas, topázio e água-marinha, sob condições rúpteis.

O íntimo relacionamento da água-marinha com mega-cristais de K feldspato sugere processo metassomático com a ação de fluído aquoso rico com Be residual, resultando na formação de água-marinha Finalizando o processo, líquidos residuais silicosos deram a origem a cristais de quartzo hialino e murion piramidados, após o fraturamento ter cessado.

Os pegmatitos do Ponto do Marambaia podem ser enquadrados na classe de pegmatitos de elementos raros do Tipo Berilo, sem Ta e Nb.

O Granito Caladão é porfirítico, não apresenta deformação dúctil, não contém granada, exibe nítido fluxo magmático e inclusões ocasionais de Charnockito Padre Paraíso, com quem apresenta contatos gradacionais.

Foi derivado de refusões parciais crustais a partir de granitóides que o circundam, designados por Itaipé, Caraí, Faísca e Wolf com contatos intergradacionais entre si e com o Granito Caladão.

Integra a Suíte Intrusiva Aimorés, pós-colisional da Faixa Araçuaí, e é datado entre 520-490 Ma.

Ponto do Marambaia, localizado no município de Caraí, a 90 km a norte da cidade de Teófilo Otoni, tem notável reconhecimento nacional e mundial no que diz respeito à produção histórica de gemas, notadamente de água-marinha, constituindo-se no maior prospecto do país, além de topázio e quartzo hialino e murion, provenientes dos pegmatitos e depósitos secundários.

Os corpos pegmatíticos vêm sendo lavrados desde o início do século XIX.

Neles, foi encontrada em 1910 a água-marinha "Papamel", de excelente qualidade, pesando 74 kg.

Em 1954 foi descoberto um exemplar de grande valor que recebeu o nome de "Marta Rocha" em homenagem à Miss Brasil da época.

Pesava 33,9 kg e apresentava mais de 60% do volume com limpidez adequada à lapidação.

Uma água-marinha límpida e de rara beleza, com cerca de 25 cm de comprimento e 4 cm de diâmetro proveniente região do Ponto do Marambaia, encontra-se no Museu de História Natural de Houston, Texas.

Explotados pela Mineração Barro Preto, os pegmatitos desta região estão inseridos no Campo Pegmatítico Padre Paraíso-Catugi,que fazem parte do Distrito Pegmatítico de Padre Paraíso.

Este distrito integra a Província Pegmatítica Oriental, que congrega 7 distritos produtores de minerais-gema, além de diversos minerais industriais.

O presente artigo pretende contribuir para um melhor conhecimento dos aspectos relacionados com as natureza das ocorrências de água-marinha, topázio e quartzo, interessando as relações de campo do sistema granito-pegmatito e a distribuição dos minerais nos pegmatitos, bem como as transformações metassomáticas sob a ação de fluidos aquosos ricos em F.

O trabalho, no seu transcurso serviu como orientação às operações de pesquisa e lavra dos pegmatitos, procurando estabelecer como as suas relações mineralógicas, geométricas e estruturais podem ser úteis nesse sentido, estabelecendo também metodologia mais segura das atividades subterrâneas.

Inúmeros granitóides Neoproterozóicos intrusivos da Faixa de Dobramentos Araçuaí foram mapeados e identificados pelo Projeto Leste realizado pela CPRM.

O Granito Caladão, com cerca de 650 km2 de área aflorante, está circundado pelos Leucogranitos Itaipé e Caraí a oeste, Leucogranito Faísca a sul e a nordeste e a este pelo Granito Wolf.

Corpos charnockíticos subarredondados e em "farrapos" ocorrem inclusos no granito Caladão, sugerindo se tratar de xenólitos e "roof pendants".

Pequenos "stocks" de leucogranitos, Viana e Carlos Chagas estão inclusos nos granitos Faísca e Wolf respectivamente.

Os contatos entre todos os granitóides são gradacionais, o que sugere íntimo relacionamento magmático.

Todos esses granitóides são considerados sin a tarditectônicos.

Foram reconhecidas seis diferentes suítes granitóides em toda a Faixa Araçuaí, mas na região ocorrem apenas os tipos das suítes G5, correlacionável ao Granito Caladão e G3S (leucogranitos com granada, ocasionalmente cordierita e sillimanita, com restos de gnaisses, tipo S, considerados sin a tardi-tectônicos, datados 560-570 Ma) correlacionável aos quatro tipos de granitóides que circundam o Granito Caladão.

Esses quatro granitóides foram descritos como do Complexo Medina, intrusivos entre as rochas do Grupo Rio Doce e Macaúbas a oeste, e do Complexo Gnáissico-kinzigítico a leste.

As rochas dos Grupos Rio Doce e Macaúbas correspondem a biotitaxistos, com quantidades variáveis de quartzo, granada, andalusita, cianita e cordierita, forte xistosidade e lentes de muscovitaquartzitos e inclusões de rochas meta-ultramáficas.

Durante o Evento Brasiliano, intensa fusão parcial da crosta produziu nesta região grande volume de magma granitóide, e diversos plutons graníticos aos quais se associam expressivos corpos pegmatíticos produtores de minerais-gema e minerais industriais.

Interpretamos como derivados da fusão parcial dos biotita-xistos e charnockitos os granitos circundantes e pela evolução deste processo magmático foi formado o Granito Caladão.

Os granitóides estudados podem ser agrupados segundo dois tipos, granitóides portadores e não-portadores de granada.

O primeiro grupo é representado pelos Leucogranitos Itaipé, Caraí, Faísca e Wolf, podendo ser incluído o granito Novo Cruzeiro, de pequena dimensão, pertencente à suíte G3S ou Complexo Medina.

O segundo grupo compreende o Granito Caladão com Charnockito Padre Paraíso incluso, que corresponde à Suíte G5 ou Suíte Aimorés, que encaixam os pegmatitos estudados.

Granitóides a Granada Correspondem aos leucogranitos denominados Caraí, Itaipé, Wolf e Faísca.

Estes granitos são muito semelhantes entre si nos aspectos mineralógicos e texturais.

São rochas isentas de deformação, exibindo caráter ígneo, evidenciado pela textura fluidal, ou isotrópica.

Os contatos entre essas unidades são transicionais, sem relações intrusivas, e sem a existência de xenólitos, à exceção do Granito Novo Cruzeiro, cortado por diques do Leucogranito Caraí, o que revela diferença temporal.

O contato do Granito Novo Cruzeiro com os gnaisses da Formação Concórdia do Mucuri do Grupo Rio Doce, é transicional ou tectônico por falhas.

Nas proximidades deste contato o Granito Novo Cruzeiro exibe porções migmatíticas e nebulíticas, constituindo portanto um granito mais antigo.

O Leucogranito Itaipé difere do Leucogranito Caraí pelo maior conteúdo de fenocristais de feldspato, enquanto o Leucogranito Faísca, é distinto de ambos pela ausência de estrutura fluidal e pela presença de agregados "schlieren" máficos ricos em biotita.

Essas quatro variedades de granitos são de coloração cinza-claro, creme e rósea, tem granulação média a grossa, textura porfirítica, e contém fenocristais de feldspato com comprimento entre 1 e 3 cm, que podem porém atingir 8 cm no Leucogranito Itaipé.

Os granitos em discussão consistem de quartzo, K feldspato e plagioclásio, biotita subordinada e agregados de granada com até 3 cm de diâmetro.

Os minerais acessórios ou secundários são muscovita, sericita, clorita, apatita, zircão, minerais opacos (principalmente magnetita) e carbonato.

Na porção oeste da área, aflora o Leucogranito Caraí, com aspecto pegmatóide, cortado por enxame de pegmatitos delgados, com "bolsões" de turmalina negra, por vezes, levemente esverdeada, intercrescida com quartzo e associada à biotita.

A presença de turmalina negra indica possível zona de contato metassomático, considerando a proximidade com xistos da Formação Salinas.

A presença ocasional de xenólitos de biotita gnaisse melanocrático, ricos em porfiroclastos de granada apoia essa sugestão.

Os Granitos à granada são do tipo-S, peraluminosos e formados em profundidade média na crosta.

Evoluíram a partir de fusões parciais de rochas principalmente metassedimentares, com pequena contribuição de crosta oceânica ou mantélica e foram datados entre 580 e 560 Ma.

Porções mais jovens do granito foram registradas na região de Itaipé, com idade de 505 ± 35 Ma, método Rb/Sr, e razões iniciais em torno de 0,715, o que caracteriza residência crustal anterior para esses granitos.

Datações adicionais, pelo método de K-Ar em duas amostras de biotita, idades de 422 ± 13 Ma e 452 ± 15 Ma foram obtidas, o que corresponderia ao resfriamento desse granito.

Com base nestes argumentos, admite-se origem cogenética para os granitos circundantes ao Granito Caladão.

Granitóides a Biotita São representados pelo Granito Caladão com enclaves de Charnockito Padre Paraíso.

Ambos apresentam texturas semelhantes, diferindo pela coloração esverdeada e presença de hiperstênio no charnockito.

O Granito Caladão exibe textura fluidal, o que não ocorre com o charnockito.

Ambos são porfiríticos com fenocristais tabulares de K feldspato, com dimensão maior entre 1 e 7cm.

A matriz tem granulação média a grossa.

Na área estudada, a granulometria do charnockito é mais fina, diferentemente das exposições da região de Padre Paraíso, onde é mais grosso, ocorrendo como corpos mesoscópicos, arredondados inclusos no granito.

O Granito Caladão é isento de deformação e diferentemente dos granitos à granada, inexistem nele texturas gnáissicas.

Textura mais grossa do Granito Caladão, com feldspatos tipo ocelar, empresta aspecto pegmatóide à rocha,podendo, de outro modo, exibir textura fluidal incipiente.

Contatos entre o Granito Caladão e massas maiores de charnockito não foram observados, sugerindo-se que sejam transicionais.

O Granito Caladão consiste de K feldspato, quartzo, plagioclásio e biotita, e subordinadamente hornblenda.

Os minerais acessórios incluem zircão, apatita, allanita, carbonato, muscovita, sericita, clorita e minerais opacos, magnetita, e raramente, hematita, rutilo e ilmenita.

O charnockito contém K feldspato, plagioclásio, biotita, hornblenda, hiperstênio, epidoto, titanita, carbonato, sericita, clorita e magnetita.

O Granito Caladão é a designação para granitóides porfiríticos à biotita da região, podendo ser classificados como do tipo-I, metaluminosos e de elevado conteúdo de K, originados na crosta continental média a inferior com contribuições significativas, tanto de crosta oceânica como mantélica.

Foram datados entre 520 e 500 Ma, pelo método U-Pb, são intrusivos nos granitóides com granada e representam o último estágio da granitogênese brasiliana.

Estudos radiométricos procedidos no Charnockito Padre Paraíso revelaram idade de 505 ± 5 Ma, pelo método U-Pb em zircões, 457 ± 21, pelo método K-Ar em biotitas e 520 ± 20 Ma pelo método Rb-Sr, com razão inicial de 0,7112, sugerindo origem a partir de fusão parcial de materiais da crosta continental.

Apesar de ser admitida pela maioria dos pesquisadores uma origem cogenética para o Granito Caladão e charnockito, certas limitações petrológicas existem, como a presença de hiperstênio, mineral característico da facies granulito resultante da desintegração da biotita gerando hiperstênio+ortoclásio, numa reação progressiva.

Entretanto estudos microscópicos do Charnockito Padre Paraíso revelam uma reação retrógrada, com a formação de biotita.

Metassomatismo Potássico A maioria das rochas estudadas mostra claras evidências de metassomatismo potássico, processo este melhor observado no Granito Caladão e no Charnockito Padre Paraíso.

O processo se traduz pela microclinização que se manifesta pela presença de microclina xenomórfica, que se superpõe à textura pré-existente, substituindo ortoclásio e plagioclásio.

Microclina em substituição ao plagioclásio produz albita em continuidade óptica e pequenos agregados de epidoto e allanita, num processo de saussuritização.

Os cristais de plagioclásio se tornam arredondados e corroídos.

A geração de biotita em substituição à hornblenda e ao hiperstênio, com formação adicional de titanita e carbonato é outra evidência do metassomatismo potássico.

Aparentemente esse processo ocorreu sob condições mais elevadas da fugacidade do oxigênio, resultando na formação de magnetita, principalmente e hematita e rutilo, subordinadamente e desintegração parcial da ilmenita (em textura esquelética) em ambas as rochas, produzindo magnetismo.

Auréolas de albita em torno do plagioclásio e a substituição deste pela albita revelam que o metassomatismo potássico foi acompanhado por ligeira albitização.

As fotomicrografias 2C, 2D, 2E e 2F ilustram aspectos desse processo.

O aporte ou a remobilização de K acompanhado de Na, SiO2 e H2O ocorreu em uma fase pós-metamorfismo brasiliano.

Os pegmatitos do Ponto do Marambaia estão encaixados no Granito Caladão, sem mostrarem controle estrutural algum, sugerindo assim que o posicionamento e a forma dos mesmos tem relação com fraturas de contração resultante do resfriamento do granito.

Os pegmatitos foram formados com o Granito Caladão em estágio avançado de cristalização, seguindo um significativo processo de fraturamento regional.

Tratando-se dos corpos pegmatíticos, sabe-se que na terminologia dos garimpeiros da região, um garimpo é designado pelo termo "lavra", que pode abranger mais de um corpo pegmatítico e é subdividida em "serviços", podendo ser aberto um ou mais "serviços", restritos a somente um pegmatito.

Os pegmatitos são explotados principalmente em subsuperfície, através da escavação de galerias ("túneis", denominação também usada para se referir a um "serviço"), de pequeno porte, abertas com pá e picareta na cobertura de alteração.

Se um "serviço" iniciado exige o uso de explosivos, raro na região, os garimpeiros utilizam o recurso ou o abandonam.

Relações texturais nos granitóides, "Bolsões" de turmalina negra em fácies félsica e grossa de aspecto pegmatóide do Leucogranito Caraí.

Fácies grossa, pegmatóide do Granito Feldspatos ocelares, isentos de orientação por fluxo.

Biotita substituindo hornblenda acompanhando a clivagem, Nx.

Transformação parcial do hiperstênio em hornblenda.

Textura típica de metamictização gerando allanita e fissuras radiais no plagioclásio ao redor As lavras a céu aberto concentram-se principalmente em depósitos secundários, em aluviões, colúvios e elúvios e em pegmatitos muito intemperizados.

São utilizados métodos manuais e mecanizados.

Procedeu-se ao levantamento cartográfico de 44 "serviços" em pegmatitos e mapas de detalhe dos "serviços" TP-4 e TA-3 são apresentados.

As características físicas dos corpos pegmatíticos cadastrados e as produções nos últimos 10 anos.

Distribuição e Tipologia A possança real dos corpos pegmatíticos varia entre 2m e 70m, e a espessura, entre 0,5m a 18m.

Os pegmatitos são classificados em pequenos, médios, e grandes em espessura.

Os pegmatitos são descritos como tendo formas irregulares ou anastomosadas e na área, formas amebóides foram observadas Os corpos pegmatíticos do Ponto do Marambaia são alongados, apresentando porém, variações em sua espessura, atingindo no máximo 15m.

Os contatos dos pegmatitos com as rochas encaixantes são normalmente bruscos, exceto no caso dos corpos não-zonados, que exibem, em geral contatos gradacionais.

Os corpos pegmatíticos não apresentam controle estrutural definido, entretanto, a maioria tende a seguir uma orientação geral N-NE.

Isto pode ser explicado pelo fato desses pegmatitos estarem alojados na borda oeste do Granito Caladão, alongado com segundo a direção regional NS.

Os pegmatitos podem ser classificados quanto a estrutura interna em homogêneos e heterogêneos pouco diferenciados ou zonados simples e não-zonados simples, sendo o termo "simples" se referindo à pouca diversidade mineralógica.

No caso dos pegmatitos zonados, a passagem de uma zona para outra é quase imperceptível ou difusa.

A zona de borda, nem sempre presente, é pouco nítida, possui espessura entre 3 e 5cm e consiste de K feldspato e quartzo de granulação fina com biotita.

A zona de parede apresenta espessura variável num mesmo corpo.

Seu contato com a zona de borda é normalmente gradativo, sendo identificado pelo aumento da dimensão dos cristais.

A textura é grossa, com cristais de até 50 cm de comprimento.

Predominam mega-cristais de feldspatos com quartzo intersticial, além de grandes placas de biotita, algumas com até 50 cm de diâmetro, distribuídas na matriz composta de quartzo, K feldspato e biotita em dimensões de até 1 cm.

Essas placas estão posicionadas aleatoriamente.

Em certos locais, a textura gráfica ocupa a parte mais interna desta zona.

A zona intermediária hospeda as variedades de minerais-gema.

Consiste essencialmente de megacristais de K feldspato pertítico.

O tamanho desses cristais varia de alguns centímetros, atingindo 2 metros.

Por último, o núcleo, com forma lenticular, alongada ou irregular, é composto por quartzo maciço leitoso, normalmente bastante fraturado, constituindo muitas vezes, corpos isolados.

Os corpos não-zonados são caracterizados pela distribuição homogênea de quartzo, K feldspato e biotita, com granulação fina, e textura gráfica.

A forma dos corpos não-zonados, bem como as variações de espessura são semelhantes às observadas nos corpos zonados.

Em termos de distribuição, os pegmatitos do Ponto do Marambaia podem se apresentar agrupados ou formar corpos isolados.

Afetando o Granito Caladão e os pegmatitos, ocorre um sistema conjugado de fraturamento regional com direções de N60-65oW e N30-45oE, com mergulhos subverticais predominantes, a fracos, que resultou localmente em falhas normais que deslocam corpos pegmatíticos, e seus contatos com as encaixantes.

Esse sistema de fraturamento, visível nas imagens de Radar e fotografias aéreas convencionais delimita parcialmente o Granito Caladão, tendo um dos fraturamentos, o de direção NW, secionado parcialmente o corpo plutônico em dois setores, um mais a norte e outro a sul.

Aparentemente o setor norte foi deslocado para NW em relação ao setor sul.

Falhas que cortam enclaves, aplitos e pegmatitos dentro do Granito Caladão corroboram esse deslocamento.

Os rejeitos das falhas são da ordem de poucos centímetros, com raras exceções atingindo 6 metros, quando cortam a capa e lapa dos corpos pegmatíticos.

Esse processo rúptil provocou fissuramento interno nos minerais dos pegmatitos exceto no quartzo e murion.

O sistema conjugado de fraturas é tectônico, porém existem falhas de gravidade de acomodação do terreno afetando a zona intemperizada.

Mineralogia Os pegmatitos de Ponto do Marambaia apresentam tipo evoluído dada a sua mineralogia que é relativamente diversificada, quartzo, K feldspato, biotita, muscovita, água-marinha, berilo, heliodoro, goshenita, topázio e esporadicamente, turmalina negra, ametista e magnetita, seguindo-se dos minerais secundários sericita, caolinita, goethita e óxidos de manganês.

Dados obtidos de K/Rb em K feldspatos dos pegmatitos do Ponto do Marambaia permitiram que os pegmatitos fossem classificados na classe de elementos raros do tipo berilo.

O quartzo nos pegmatitos ocorre maciço e em cristais leitosos jaçados e em cristais prismáticos e unipiramidados não jaçados, tendo por isso grande valor. o tamanho dos prismas pode variar de poucos centímetros a mais de 1 metro.

Cristais bipiramidados não foram encontrados.

Diminutos cristais unipiramidados de ametista, com até 1 cm de comprimento foram encontrados.

A coloração arroxeada tem sido atribuída a óxidos de Fe ou óxidos de Mn e a coloração enfumaçada do murion é relacionada a presença de Al na rede.

Os cristais de quartzo hialino ou murion são formados sobre quartzo maciço leitoso, podendo formar estruturas aureolares designadas localmente de "igrejinha", sugerindo preenchimento de cavidade e crescimento posterior.

Nos corpos não-zonados, o quartzo somente ocorre na variedade maciço leitoso.

O K feldspato se apresenta róseo, devido à substituição parcial do Al pelo Fe3+ na rede cristalina, ou branco, pertítico ou sem lamelas, em cristais isolados e bem formados com até 50 cm de comprimento, com as faces {001} e {010} bem desenvolvidas.

Pode formar grandes agregados de até 2m de dimensão, com mínima participação dos demais minerais do pegmatito.

Sob o microscópio, a maioria dos cristais de ortoclásio exibe substituição parcial por microclina.

Albita e cleavelandita em grandes cristais, como ocorrem nos Distritos de Governador Valadares e Araçuaí são ausentes no Ponto do Marambaia.

A biotita ocorre em placas com diâmetro de até 50 cm, isoladas ou em agregados alongados, com coloração negra, podendo conter ocasional, fino intercrescimento de mica cinza a incolor interpretada como muscovita.

Encontra-se distribuída nas zonas de borda e de parede e, subordinadamente na zona intermediária, e em raros casos, capeando descontinuamente o núcleo.

Contem, com relativa frequência, diminutos cristais de magnetita.

Ocorrem dois tipos de mica, uma clara levemente esverdeada, semelhante à muscovita, e um tipo cinzenta escura.

O primeiro tipo é mais raro, atingindo no máximo a 1% em volume no pegmatito, e em geral, ocorre em placas com dimensões de 1 a 3 cm, em agregados.

O teor de Na2O é um pouco elevado, mas ainda assim se ajusta na composição da muscovita.

Esse tipo ocorre preenchendo porções intersticiais nos feldspatos e quartzo, sugerindo formação tardia em relação aos minerais mais abundantes.

O segundo tipo, mais abundante, pode atingir até 10% nas zonas mais ricas, ocorre em placas individuais, maiores chegando a 10 cm de diâmetro, ou mais e apresenta comumente intercrescimento com biotita.

Embora a muscovita escura assemelhe-se mais à biotita, análises químicas revelaram para exemplares oriundos do "serviço" TP-4 teores de 10,40% Fe total e se comparado aos valores de biotitas obtidos na literatura de 5,1%FeO+12,9%Fe2O3 ou 12,5%Fe total a 24,85%FeO+3,8%Fe2O3 ou 20,1%Fe total, pode-se afirmar em bases composicionais tratar-se de uma biotita.

Nos corpos não-zonados a presença de muscovita é muito rara ou inexpressiva.

Tipologia e estrutura interna dos pegmatitos do Ponto do Marambaia.

Pegmatito de aspecto lenticular.

Zona mural pobre em biotita e zona intermediária contendo megacristais de K feldspato.

Contato entre rocha encaixante e pegmatito exibindo zona marginal discreta e mural rica em biotita.

Núcleo de quartzo extremamente fraturado.

As fraturas subhorizontais são mais evidentes do que as subverticais.

Núcleo de quartzo vertical e espesso em relação às demais zonas.

Zona intermediária estreita é invadida pelo quartzo.

O berilo é encontrado nas variedades água-marinha (azul ou verde), heliodoro e goshenita, sendo internacionalmente famosos os exemplares denominados "Papamel" e "Marta Rocha" respectivamente com 74kg e 33,928kg de peso, a última com mais de 60% de limpidez, e um simples cristal, não denominado, pesando 110kg.

Os cristais bem formados de águas-marinhas ocorrem com as faces prismáticas bem desenvolvidas, comumente atingindo 20cm de comprimento e muitas vezes com terminações piramidais pequenas.

Estrias paralelas ao comprimento dos cristais são por vezes comuns e a maioria dos cristais observados exibe jaça, principalmente nas extremidades das peças restando porções límpidas na parte central.

Esses fissuramentos internos dos cristais de berilo foram produzidos pela deformação rúptil.

O berilo ocorre principalmente associado ao K feldspato, localizado nas suas interfaces, o que pode sugerir um controle geoquímico.

Ocorre raramente em cristais isolados nos espaços intercristalinos do quartzo leitoso, onde encontra-se associado a "cordões" de turmalina negra e muscovita, revelando o estágio de greisen.

Diminutas plaquetas de muscovita capeiam parcialmente alguns prismas.

O topázio ocorre como cristais incolores e colorações amarelo-pálido e azul pálido.

Forma grandes cristais, com até 15 cm de comprimento ao longo do eixo-C e de até 20cm ao longo da clivagem basal.

Apesar de se apresentar, na maioria dos casos, muito fissurado ainda exibe boa transparência.

Cristais azulados de topázio, sem jaças, com 3-4cm de dimensão são encontrados nas aluviões do Córrego da Marambaia nos ribeirões nas proximidades de Catugi, onde está concentrado juntamente com crisoberilo e água-marinha.

Ocorre na zona intermediária, crescendo sobre K feldspato e quartzo, existindo, entretanto espécimens associados às biotitas alongadas.

Turmalina negra e ametista, bastante raras, constituem cristais pequenos com dimensões de até 1 cm.

Encontram-se concentradas nas zonas mais silicosas, ricas em quartzo.

A magnetita e a goethita também são raras e normalmente ocorrem nas bordas dos núcleos dos pegmatitos, muitas vezes, formando agregados minerais associados à biotita, provavelmente por alteração hidrotermal e intempérica desta, respectivamente.

A sericita é muito fina, em placas milimétricas, ocorre localmente como produto de alteração hidrotermal dos feldspatos, e a caolinita ocorre como produto de alteração intempérica da biotita, formando concentrações de coloração castanha devido à mistura com óxidos de Fe e Mn, e em menor escala do feldspato.

Essas concentrações de material castanho argiloso constituem massas alongadas na matriz do pegmatito e se confundem com zonas de fratura, pois se distribuem alinhadamente.

A caolinita ainda forma "manchas" brancas no interior dos feldspatos, provocando o embaçamento do brilho, revelando estágio incipiente de alteração.

Mineralizações Antes de tratarmos da mineralização propriamente dita é importante discutir pontos do aspecto regional influindo direta ou indiretamente na mineralização.

Inicialmente pode-se observar que os charnockitos não constituem corpos significativos de dimensões mapeáveis nas escalas convencionais, constituindo portanto enclaves charnockíticos distribuídos principalmente ao redor do Granito Caladão.

Tendo em mente esse fato, referimo-nos a associação entre charnockitos e a formação de minerais de gema, particularmente crisoberilo, variedades de córindon, safira e rubi, espinélios, água-marinha, topázio e variedades de zircão.

A distribuição dos depósitos aluvionares de crisoberilo, turmalina, topázio e berilo e raríssimos de crisoberilo em pegmatitos em torno do Granito Caladão, desde Americaninhas, passando pelo Córrego Faísca, do Gil na parte norte, até o Córrego do Cascalho e Ribeirão Santa Cruz em volta de Catuji e Córrego Comprido, na parte sul com ocorrência de alexandrita não parece ocasional.

Portanto, existe distribuição espacial coincidente de charnockitos e depósitos de crisoberilo.

Acresce o fato de que, até hoje, não foi encontrado crisoberilo nos pegmatitos e aluviões dentro do Granito Caladão.

Esse tipo de mineralização tem sido considerado como derivada da ação de contato de charnockitos básicos em metassedimentos aluminosos por processo de desilicacão.

Sabe-se que tanto os metassedimentos quanto os granitos ao redor do Granito Caladão possuem cordierita, granada e sillimanita, e que Be2+ pode entrar na estrutura da cordierita em bases de substituição de BeSi por AlAl o que poderia representar um estágio intermediário para a formação do crisoberilo, até formar crisoberilo, tipos gema e "olho de gato".

As associações indicadas ou evidências circunstanciais servem como linha de pesquisa para futuros trabalhos.

Tratando-se das mineralizações intragraníticas de interesse econômico nos pegmatitos do Ponto do Marambaia, as de água-marinha de cor azul e, subordinadamente verde consistem nas principais.

Topázio, em todas as suas variedades, mais quartzo nas variedades murion e hialino são explorados como subprodutos.

Entretanto cristais métricos de quartzo têm sido procurados e peças perfeitas atingem dezenas de milhares de dólares.

Tanto a água-marinha quanto topázio ocorrem em dois tipos, "escória", referindo à cristais mal formados e/ou fraturados de tamanhos reduzidos e o tipo gema propriamente dita, que corresponde a cristais prismáticos bem formados, límpidos e livres de defeitos, como fraturas e impurezas, de tamanhos centimétricos a decimétricos, neste último, restrito às águas-marinhas.

Ambos cristais têm dimensões decimétricas, porém o topázio, ao ser extraído da matriz do pegmatito, se separa em muitas peças devido ao fissuramento interno.

Segundo os garimpeiros, há um controle na distribuição das gemas, ocorrendo em maior e melhor qualidade nos corpos subhorizontais restando para os corpos inclinados a "escória".

O fato é que produções significativas de água-marinha de interesse gemológico foram obtidas em corpos pegmatíticos localmente subhorizontais, situados na zona intermediária próximo ao núcleo, em bolsões denominados pelos garimpeiros de "caldeirões", que constituem "bonanzas" ricas em água-marinha tipo gema.

Os "caldeirões" são corpos irregulares, totalmente preenchidos, de dimensões que variam de 0,5 m a 3 m de diâmetro Os cristais gigantes de quartzo e murion se situam nesses "caldeirões".

Torna-se difícil a observação desses caldeirões nos pegmatitos dentro dos túneis, bem como se distinguir "caldeirão" de núcleo do pegmatito, mas pode-se afirmar que tratam-se de grandes bolsões onde quartzo e feldspato que foram parcialmente dissolvidos e reprecipitados juntamente com o berilo resultante de seu enriquecimento nas soluções residuais ricas em Be2+ e F.

As soluções silicosas, residuais e finais foram responsáveis pela formação dos megacristais de quartzo e murion.

O crescimento dos cristais de quartzo e murion é linear.

Ele se dá a partir da borda do núcleo com os eixos-c em direção às zonas externas, sobre os prismas de água-marinha, normalmente recoberta por "película" de moscovita cinzenta.

Turmalina fina negra pode também ocorrer neste contexto O quartzo murion, a muscovita e a turmalina negra são considerados pelos garimpeiros da região como bons indicadores da mineralização.

Mineralização nos pegmatitos, Zona de substituição localizada junto ao núcleo de quartzo, com quartzo+muscovita clara+K feldspato, por vezes mineralizado a água-marinha e topázio, ambos do tipo escória.

Zona de substituição localizada junto ao núcleo de quartzo, constituído de quartzo+muscovita cinzenta+ feldspato branco + topázio do tipo escória.

O cristal estava envolto por caulim.

Cristal de quartzo associado à turmalina negra, muscovita cinzenta e água-marinha Do ponto de vista geoquímico as mineralizações podem ser interpretadas como do tipo Be-F, uma possível variação dos pegmatitos de elementos raros e sua evolução representada esquematicamente no triângulo composicional no sistema Si-Al-K+Na.

Os pegmatitos evoluídos a partir dos fluídos residuais oriundos da cristalização do granito, iniciaram seu desenvolvimento a partir da associação K feldspato pertítico-quartzo em textura gráfica formando a matriz.

Em seguida, foram formados mega-cristais de K feldspato e quartzo leitoso intersticial e biotita.

Dessa maneira o líquido residual, com seu conteúdo de K significativamente decrescido, tornou-se relativamente rico em voláteis, H2O e F, e Be2+, dirigindo a composição do fluído para a linha Si-Al, no triângulo composicional Nesse momento, com a razão Si/Al em torno de 1/3 no fluído, topázio cristaliza sob elevada fugacidade de HF.

Ainda, com razão Si/Al inferior a 1/3 e em processo de desilicação, o fluído sob reduzida fugacidade de HF, resulta na cristalização de crisoberilo.

Em sistemas com baixa fugacidade de HF, granada é formada, como ocorre nos pegmatitos, invadindo os granitos periféricos Como conseqüência, a concentração de Be2+ no fluído aquoso residual aumentou relativamente, devido à adicional extração do Al, propiciando a cristalização de berilo e água-marinha, quando a razão Si/Al ultrapassa 3/1.

Após formado berilo, o fluído se tornou fortemente silicoso resultando na formação dos mega-cristais piramidados de quartzo hialino e murion.

O excesso de SiO2 no sistema é confirmado pela reação de substituição, responsável pela formação do berilo A biotita permaneceu pouco ou nada transformada durante a evolução do pegmatito, devido à baixa fugacidade do B3+ no fluído.

A evolução geológica da região do Ponto do Marambaia durante o Proterozóico inicia com o metamorfismo regional dinamotermal sob condições deformacionais passando do regime dúctil até o dúctil-rúptil, atingindo níveis de fusão parcial com a geração dos granitos crustais denominados Caraí, Itaipé, Faísca e Wolf.

Representam denominações locais de granitos exibindo mínimas variações texturais, resultantes de restitos composicionalmente diferentes, como charnockitos, biotita xistos e gnaisses kinzigíticos circundantes, cedendo material para a fusão inicial.

A natureza gradacional dos contatos entre os granitos, inexistência de xenólitos de granito-em-granito, existência de texturas nebulíticas, a presença comum de granada constituem evidências de cogeneticidade e contemporaneidade dos granitos circundantes.

O Charnockito Padre Paraíso, enderbítico, constituiria restito refratário incluso no Granito Caladão, que iria promover geração de pegmatitos desilicados resultando na formação de crisoberilo.

Refusão crustal parcial dos granitos circundantes promoveu a geração do Granito Caladão, ainda com considerável quantidade de granitos circundantes não completamente cristalizados.

Deformação rúptil começa a dominar o cenário com a ascenção dos granitos.

Pegmatitos se formam e se alojam no interior do Granito Caladão na área do Ponto do Marambaia.

Desenvolveram-se nos estágios finais da evolução tectono-magmática da Faixa Araçuaí, gerados a partir do processo de fracionamento ígneo das fusões residuais dos granitóides cálcio alcalinos de alto-K, póscolisionais, onde se encontram alojados.

Os líquidos magmáticos preencheram fraturas de contração durante o resfriamento do plúton gerando os pegmatitos, que por processo de diferenciação por cristalização enriqueceram relativamente os fluídos residuais, ricos em H2O, F e Be, responsáveis pela cristalização do topázio e água-marinha.

Após a deformação ter cessado, líquidos finais silicosos resultaram na cristalização de mega-cristais hialinos, unipiramidados de quartzo e murion.

Pedras Preciosas no Brasil


O Brasil é um país muito rico em pedras preciosas. As mais presentes nessa região são o diamante, opala, água-marinha, esmeralda, alexandrita, ametista, ágata, citrino, topázio e turmalina.
Os garimpos são muito conhecidos e numerosos por aqui, o que faz de nosso país um dos maiores produtores de pedras preciosas do mundo, em se tratando de quantidade, variedade e qualidade.
O que faz com que nossas regiões sejam ricas dessas gemas é o fato do território brasileiro ser repleto de superfícies de rochas pré-cambrianas, com vários cortes de pegmatitos e rochas metamórficas.  
Durante 141 anos, o Brasil liderou a produção mundial de diamantes. Atualmente, encontra-se em 5º lugar no ranking de produção mundial de diamante bruto, segundo pesquisa do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).
A opala é bastante encontrada no Piauí, principalmente na região da Serra dos Matões. A água-marinha pode ser encontrada em diversas regiões, fazendo com que o Brasil seja o maior produtor mundial dessa espécie de gema.
A esmeralda, desde a década de 80, também tem sido bastante encontrada, o que fez com que o Brasil se tornasse, desde essa época, um dos maiores fornecedores dessa pedra. A maior região de garimpo da esmeralda está no município de Carnaíba, na Bahia.
A alexandrita, uma das pedras preciosas mais valiosas, foi descoberta em Minas Gerais, no município de Malacacheta. A partir dos anos 70, o Brasil se tornou um dos maiores produtores dessa gema.
A ametista, bastante encontrada na região sul do país, também faz com que o Brasil leve o título de maior produtor da espécie de gema. Uma cidade do Rio Grande do Sul, Ametista do Sul, foi até batizada com o nome da pedra.
A ágata foi descoberta em jazidas na Bahia, Rio Grande do Sul, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba e Minas Gerais. O citrino, topázio e a turmalina também são gemas encontradas em em bastante quantidade no Brasil.

GEMAS E PEGMATITOS

1 - INTRODUÇÃO
As gemas vêm do interesse dos homens há 10000 anos. Ametista, Cristal de rocha, Âmbar, Granada, Jade, Jaspe, Coral, Lápili-lazúli, Pérola, Serpentina, Esmeralda e Turquesa foram as primeras a serem conhecidas.
Não existe uma definição aceita por todos para esse termo, porém há um denominador comum, todas as gemas têm algo especial, alguma beleza em torno delas. Elas são principalmente minerais (Safira), minerais agregados (Jaspe), orgâincas (Pérola), sintéticas (Esmesralda Sintéticas) ou mais raramente rochas (Lápili-Lazúli). As Gemas podem ser, por algum processo de aprimoramento de sua cor ou aparência, tratadas.
Algumas gemas são raras e belas devido a cor, a um fenômeno óptico exclusivo, ou brilho diferenciado. Outras são especiais devido a sua dureza ou inclusões excluvisas.
A raridade é outro fator importante na avaliação de uma gema. Como algumas das características que valorizam as gemas só se apresentam depois da pedra estar lapidada, o termo gema geralmente refere-se a uma pedra lapidada. A lapidação é a valorização de um material que de outra forma poderia passar apenas como um material bruto insignificante.
Existem centenas de tipos diferentes de gemas e materiais gemológicos. Como sabemos a atribuição de valor para gemas é um processo bastante subjetivo. Raridade, cor, tamanho, grau de pureza, transparência, formas e perfeição de lapidação são alguns fatores que têm grande influência na avaliação.Além disso, a diversidade de procedência das gemas, a situação político-econômica do país produtor e a distância do local de produção aos centros de consumo levam os mercados envolvidos a estabelecer valores de formas variadas.
Devemos considerar que outro fator de influência na avaliação de gemas é a complexidade dos vários níveis de mercados existentes e como são interpretadas as cotações em cada um desses níveis.
Comercialmente, as gemas são divididas em pedras coloridas e diamantes (mesmo os que não são incolores) além de ambas terem seu peso medido em quilate (1ct=0,2g).
2 – ESMERALDA
O nome vem do grego smaragdos. Ele significa “pedra verde”(Foto 3). É a mais nobre variedade de berilo.
Seu verde é tão incomparável que esta cor tão peculiar passou a ser chamada de verde-esmeralda. A substancia corante para a esmeralda é o cromo. A cor é muito resistente à luz e ao calor, não se modificando até uma temperatura de 700 ou 800°C.
As esmeraldas são formadas pro processo hidrotermal associado ao magma e metamorfismo. Jazidas são encontradas em filões de pegmatito ou em seus arredores.
2.1 - Jazidas mais importantes:
Mnia de Muzo (Colômbia) (foto 4), Mina de Chivor (Colômbia), jazidas na Bahia, Minas Gerais, Goiás; Zimbabue, África do Sul e Russia.

Foto 1: Mina de Muzo. Colômbia. Foto 2: Esmeraldas colombianas. Colômbia.
Unicamente na Colômbia são encontradas as raríssimas esmeraldas “Trapiche”(foto 5) caracterizado por um crescimento parecido com uma roda, de vários cristais prismáticos.
As jazidas de Minas Gerais se extendem desde o norte de Rio Casca até o sul de Guanhães. Nessa área deve-se destacar as minas Belmont (a maior do Brasil), Piteiras e o garimpo de capoeirana (cooperativa).

Foto 3: Esmeralda “Trapiche”. Mina Chivor (Colômbia).
Para Schrorcher et al. (1982), a geologia básica dos terrenos encontrados na região Itabira/Nova Era é caracterizada por um embsamento cratônico arqueano composto basicamente por terrenos gnáissicos migmatíticos, comcaracterísticas poligenéticas e polimetamórficas, incluindo rochas graniticas do tipo Granito Borrachudos; por um cinturão de rochas verdes arqueanas pertencentes ao Supergrupo Rio das Velhas; por metassedimentos do paleoproterozóico do supergrupo Minas; e pelos metassedimentos do mesoproterozóico, constituído essencialmente por quartzitos do Supergrupo Espinhaço.
Em termos estratigráficos, o Garimpo de Capoeirana e as Minas Belmont e Piteiras estão localizados em uma área onde afloram metarcóseos a metagrauvacas com intercalações concordantes de mica xistos e quartzitos micáceos. Secundariamente, há rochas anfibolíticas, intercalacões de xistos metaultramáficas e aparecimento descontínuo de veios pegmatíticos. Nesse contexto, as metaultramáficas e os veios pegmatíticos são as rochas mais importantes para mineralização da esmeralda.
Em relação a genese da esmeralda, todas as jazidas e/ou ocorrências de minas Gerais estão associados aos xistos derivados de rochas metaultramáficas, em locais de intensa percolação de fluidos hidrotermais relacionados aos pegmatitos, devido as condições tectônicas propícias. Esses xistos, representados essencialmente por biotita/flogopita xisto, clorita xisto, tremolita/actinolita xisto.
As áreas mineralizadas ocorrem nas proximidades do contato entre xistos metaultramáficos e as rochas granitos gnáissicas, do tipo Granito Borrachudos, estéreis em esmeralda.
A formação das esmeraldas mineiras (foto 6) está intimamente associada à interação química ocorrida entre a fase pegmatítica berilífera e as rochas metaultramáficas portadoras dos elementos (Cr, V, Fe).

Foto 4: Esmeralda Mineira, Coloração devida ao íons de Cr, V, Fe. Itabira, MG.
3.2 - Aspectos mineralógicos:
De cor verde claro a muito escuro ao verde azulado muito forte, tranparente a translúcido, brilho vítreo, dureza de Mohs 7,5 a 8, acatassolamento ou “olho-de-gato e asterismo (raro). Índice de refração de 1,577 a 1,583(± 0,017), pleocroísmo de moderado a forte, fratura conchoidal de brilho vítero a resinoso, clivagem basal, inclusões bifásicas e trifásicas, cristais negativos, “plumas” líquidas e inclusões minerais (micas da série biotita-flogopita, hornblenda, actinolita, tremolita, pirita, calcita, cromita, dolomita, pirrotita); o aspecto geral das inclusões nas esmeraldas é conhecido como “jardim” que são utilizadas como um “selo de autenticidade” das esmeraldas naturais diferindo-as das sintéticas.
A explotação da esmeralda no garimpo de Capoeirana é feita por meio de poços, túneis e galerias, com técnicas de mineração rudimentar e sem preocupação com o aproveitamento total das esmeraldas gemológicas e meio ambiente(foto 7).

Foto 5: Garimpo Capoeira. Nova Era, MG.
Na Mina Belmont a elplotação é realizada a céu aberto e subterrânea (foto 8), contando com sistema mecanizado desde a extração até o beneficiamento final. Na lavra a céu aberto, o xisto altamente decomposto favorece, sobremaneira a retirada mecânica do material esmeraldífero. Todo material explotado, tanto na mina a céu aberto quanto no subterrâneo, é transportado por meio de caminhões para usina de beneficiamento, onde o material é deslamado (separação de finos, <2mm), depois separação granulométrica, separação ótica, onde todo material verde é separado por uma máquina e por fim catação manual das esmeraldas (foto 9).

Foto 6: Mina Subterrânea, Mina Belmont. Itabira, MG. Foto 7: Catação Manual, Mina Belmont. Itabira, MG.
Além da Belmont Mineração podemos cita ainda empresas como: Rocha mineração, Beibra, Garipo de capoerana, Garimpo na Bahia na cidade de Anagé, Itaobi Campos verde ( GO ), Mineração Alexandrita
Existem muitas esmeraldas de grande valor e fama. A maios famosa das jóias de esmeralda é um pequeno frasco de unção de 12cm de altura e 2205 quilates talhado de um único cristal de esmeralda.
PREÇOS DE ESMERALDAS LAPIDADAS
Cotações por quilate em dólares americanos
FRACA (TERCEIRA)
1 - 2
2 - 3
3 - 4
de 0,50 a 1 ct
2 - 10
10 - 35
35 - 60
de 1 a 3 ct
2 - 15
15 - 50
50 - 80
de 3 a 5 ct
2 - 20
20 - 60
60 - 80
de 5 a 8 ct
2 - 30
30 - 60
60 - 100
acima de 8 ct
2 - 50
50 - 60
60 - 100
MÉDIA (SEGUNDA) BOA (PRIMEIRA)
4 - 5
5 - 6
6 - 7
7 - 8
de 0,50 a 1 ct
60 - 90
90 - 170
170 - 250
250 - 360
de 1 a 3 ct
80 - 230
230 - 390
230 - 520
520 - 820
de 3 a 5 ct
80 - 300
300 - 510
510 - 620
620 - 1200
de 5 a 8 ct
100 - 430
430 - 580
580 - 750
750 - 1600
acima de 8 ct
100 - 440
440 - 700
700 - 850
850 - 1900
EXCELENTE (EXTRA)
8 - 9
9 - 10
de 0,50 a 1 ct
360 - 660
660 - 2000
de 1 a 3 ct
820 - 1100
1100 - 3500
de 3 a 5 ct
1200 - 1700
1700 - 5500
de 5 a 8 ct
1600 - 3000
3000 - 5600
acima de 8 ct
1900 - 4000
4000 - 9000
Atualizado em outubro de 2005
3 – ALEXANDRITA
A gema alexandrita (Foto 11e 12), descoberta nos Montes Urais (Rússia), foi batizada em homenagem ao Czar Alexandre II que no dia da descoberta completava 12 anos de idade.

Foto 8: Alexandrita lapidada. Antônio Dias, MG Foto 9: Cristal de alexandrita. Antônio Dias, MG
No Brasil esta gema foi descoberta na década de 70 em pequenos garimpos no Espírito Santo e Bahia. Pórem a produção se revelou pequena e de baixa qualidade.
Em Minas Gerais, a primeira descoberta aconteceu em 1975, no Córrego do Fogo, município de Malacacheta e em 1986 foi descoberta a que seria a maior jazida já registrada na história, no distrito de Hematita, no município de Antônio Dias. Atualmente essa área é explotada por duas empresas: Alexandrita Mineração Comércio e Exportação Ltda, detentora da maior jazida de alexandrita do mundo, com uma reserva de aproximadamente 60kg e a Mineração Itaitinga.
Além dessas duas jazidas, existem outras ocorrências de alexandrita, pórem sem importância econônica associadas às jazidas de esmeralda, como em Belmont, Capoeirana e Esmeralda de Ferros.
3.1 - Principais Jazidas:
Brasil, Sri Lanka, Zimbáue, Birmânia, Madagascar, Tanzânia e Russia (esgotadas).
Para que ocorra a cristalização da alexandrita, além do excesso de alumínio e deficiência em sílica é necessária a presença de uma fonte de cromo. Na grande maioria das ocorrências de alexandrita no mundo, são descritos processos geológicos envolvendo rochas ácidas e ultramáficas em ambientes ricos em alumínio (Munasinghe & Dissanayake 1981, Ustinov & Chizhik 1994).
Na jazida de Hematita, observam-se inúmeros pequenos corpos pegmatóides cortando as rochas ultramáficas da região, e, nos concentrados aluvionares, constata-se a presença de cianita, granada, berilo (esmeralda e água-marinha), crisoberilo, estaurolita, muscovita, plagioclásio, e quartzo. Desse modo, a jazida de Hematita enquadra-se no modelo de Beus (1966) de pegmatitos ricos em Al2O3.
Relacionando os aspectos geológicos observados na região de Malacacheta, com a presença de corpos graníticos e intercalações de rocha metaultramáfica com xisto peraluminoso, Basílio (1999) propôs uma gênese baseada num sistema metassomático envolvendo fluidos hidrotermais de alta temperatura, ricos em berilo e oriundos do corpo granítico. A interação desses fluidos com os xistos aluminosos e suas intercalações metaultramáficas, fonte de cromo, propiciaram a formação da alexandrita.
Em relação às ocorrências de alexandrita associadas às jazidas de esmeralda, pouco se sabe.
A cor, a mudança de cor (efeito alexandrita) e o forte pleocroísmo são fatores determinantes na qualidade da alexandrita.
3.2 - Aspéctos Mineralógicos:
Sob a luz natural, a alexandrita apresenta-se verde ou mais raramente azul (foto 13) e quando iluminada por luz incandescente, mostra-se em tons de vermelho e violeta.
Seu intenso tricroísmo é caracterizado, variando nas cores verde, amarelo, vermelho e, mais raramente, azul. Assim como no rubi e na esmeralda, sua cor é resultante da presença de íons substituindo parte parte do alumínio nas posições octaédricas da estrutura cristalina.
Dureza 8,5; clivagem boa; fratura conchoidal;brilho vítreo ao subadamantino;mudança de cor; pleocroísmo

Foto 10: Alexandrita azul. Antônio Dias, MG
Quanto a explotação o método usado é igual ao método da esmeralda
PREÇOS DE ALEXANDRITAS LAPIDADAS
Cotações por quilate em dólares americanos
Fraca (Terceira)
Média (Segunda)
Boa (Primeira)
Excelente (Extra)
até 0,50 ct
15 – 150
150 - 500
500 - 1500
1500 - 2000
de 0,50 a 1 ct
40 – 250
250 - 1000
1000 - 3000
3000 - 4500
de 1 a 2 ct
70 – 500
500 - 2800
2800 - 5500
5500 - 7000
de 2 a 3 ct
90 – 800
800 - 3800
3800 - 6500
6500 - 9000

SOMOS DONOS DA MAIOR PARTE DO MAIS IMPORTANTE METAL DO MUNDO

SOMOS DONOS DA MAIOR PARTE DO MAIS IMPORTANTE METAL DO MUNDO E CONTINUAMOS SENDO O PAÍS DO FUTURO, O BRASIL É O FUTURO!

NIÓBIO

1 – CARACTERÍSTICAS

O nióbio ou columbio (Nb), elemento metálico de filiação magmática, é uma das substâncias de mais baixa concentração na crosta terrestre, onde aprece apenas na proporção de 24 partes por milhão.
Seu número atômico é 41, traduzindo o total de elétrons que orbitam em torno do núcleo. Sua massa atômica é igual a 92,906.
Integra o grupo com período igual a 5, isto é com cinco órbitas de elétrons. O fato de apresentar um período igual a 5, significa que ostenta 5 órbitas de elétrons em movimento em torno do núcleo. A primeira órbita com 2 elétrons, a segunda com 8, a terceira com 18, a quarta com 12 e a última com 1, esta determinando a sua valência.
O nióbio é um elemento que apresenta grande afinidade com o oxigênio e se apresenta na natureza associado às rochas graníticas, aos sienitos (rocha ígnea composta principalmente de feldspatos, anfibólios e clinopiroxênios) e aos sienitos nefelínicos, sienitos com mais de 10% de nefelina (nefelina é um silicato de alumínio – NaAlSiO4 ).
Digna de nota, também, é a notável afinidade do nióbio com o tântalo, ambos com raios iônicos muito próximos (RNb=0,59 angstron e RTa=0,68 angstron) e, por essa razão, frequentemente associados sob a forma de óxidos.
2 – MINÉRIOS
Os elementos da natureza mineral, normalmente, apresentam-se em combinação com outros elementos, combinação essa que se conhece como minério.
No tocante ao nióbio, há dois minérios de grande importância: a columbita ou niobita e o pirocloro.
A columbita é o minério ortorrômbico de fórmula geral (Fe,Mn) (Nb,Ta,)2O6, que se apresenta em associação contínua com a tantalita, de fórmula (Fe,Mn) (Ta,Nb)2O6, recebendo a denominação de columbita-tantalita ou tantalita–columbita de acordo com o elemento dominante.
Pesados, duros e praticamente inalteráveis esse minério é, na maioria dos casos, explorado em aluviões.
O pirocloro é o outro minério do nióbio, que se apresenta na forma de cubos e cuja fórmula geral é NaCaNb2O6(F,OH).
O pirocloro se concentra em quantidades exploráveis nos pegmatitos, nos sienitos nefelínicos e nos carbonatitos, rochas onde se localizam as principais reservas de nióbio.
Note-se, por ser importante, que tanto o pirocloro quanto a microlita, minério de tântalo, podem conter quantidades apreciáveis de minérios de titânio (ilmenita e rutilo), de urânio, de tório e das chamadas “terras raras”.
3 – UTILIZAÇÕES.
O nióbio é um metal de liga, razão pela qual seu consumo é limitado,
Cerca de 80% da produção mundial destinam-se á combinação com o ferro para obtenção de ligas de alta resistência, como os aços HSLA (high strenght low alloy), destinadas às construções metálicas, tais como pontes, dutos, locomotivas, etc. Nesse percentual incluem-se, também, as ligas resistentes aos choques.
As aplicações mais modernas do nióbio, entretanto, são decorrentes das suas propriedades refratárias e da sua alta resistência à corrosão. Daí decorre a participação em superligas usadas na indústria aeroespacial, na construção de reatores nucleares, nos aparelhos para troca de calor, etc.
As ligas de nióbio, ademais, convertem-se em supercondutores de eletricidade quando submetidas a temperaturas criogênicas.
Além disso, o nióbio é um dos três elementos que exibem propriedades de supercondutores de eletricidade quando submetido a elevados campos magnéticos.
Trata-se, pois, de um metal de uso recente, todavia de elevado valor estratégico.
4 – DISTRIBUIÇÃO DAS JAZIDAS.
Os números deixam patente que o Brasil é líder absoluto nas reservas mundiais de nióbio, com 98% das reservas medidas e indicadas.
Um parêntese para definir o que se entende por reserva mineral indicada e reserva mineral medida:
a - Reserva Mineral Indicada é a parte do Recurso Mineral para a qual a tonelagem ou volume, o teor e/ou qualidades, conteúdo mineral, morfologia, continuidade e parâmetros físicos estão estabelecidos, de modo que as estimativas realizadas são confiáveis. Envolve pesquisa com amostragem direta em estações (afloramentos, trincheiras, poços, galerias e furos de sonda), adequadamente espaçadas.
b - Reserva Mineral Medida é a parte do Recurso Mineral para a qual a tonelagem ou volume, o teor e/ou qualidades, conteúdo mineral, morfologia, continuidade e parâmetros físicos são estabelecidos com elevado nível de confiabilidade. As estimativas são suportadas por amostragem direta em retículo denso (afloramentos, trincheiras, poços, galerias e furos de sonda), de modo que se comprove a continuidade das propriedades.
5 – RESERVAS NACIONAIS.
As reservas nacionais de pirocloro, (Nb2O5), concentram-se em Araxá (MG), Catalão e Ouvidor (GO).
Em Araxá, que acumula no seu subsolo 73,03% das reservas nacionais, sob a forma de pirocloro, a exploração do minério está entregue à empresa “CBMM”, que tem o capital dividido entre o Grupo Moreira Sales e a empresa norte-americana “MOLYCORP”, subsidiária da “UNION OIL”, por seu turno empresa do grupo “OCCIDENTAL PETROLEUM”.
As minas de Catalão e Ouvidor, que totalizam 1,4% das reservas nacionais, são exploradas pela “ANGLO AMERICAN”, empresa multinacional com participação acionária de ingleses, norte-americanos e sul-africanos.
A exploração da columbita-tantalita na mina de Pitinga (AM), onde os depósitos representam 25,57% das reservas nacionais, está a cargo de uma empresa do Grupo Paranapanema, Mineração Taboca”.
Note-se, por relevante, que a mina de Pitinga explora os pegmatitos graníticos encaixados no notável corpo granítico denominado “Mapuera”, que além das reservas de columbita, ainda conta com reservas indicadas de tantalita da ordem de 49 mil toneladas e reservas medidas de 38 mil toneladas, posicionando o Brasil na liderança das reservas mundiais do minério de tântalo.
Na mina de Pitinga, distante 107 quilômetros ao norte de Manaus, explora-se ainda o minério de estanho (cassiterita- SnO2).
Esse corpo granítico, denominado Mapuera, apresenta afloramentos desde a margem esquerda do Rio Negro até a margem direita do Rio Jarí, distribuídos paralelamente ao Rio Amazonas.
6 – O SUPERDEPÓSITO DO ALTO RIO NEGRO
Há, ainda um outro jazimento de pirocloro, de dimensões avantajadas, descoberto pelos geólogos do “RADAMBRASIL”, no início da década de 70, e posteriormente submetido à pesquisa básica pela “COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS – CPRM”, empresa pública que até hoje detém os direitos minerários sobre o ambiente geológico em pauta.
O “CARBONATITO DOS SEIS LAGOS”, chaminé vulcânica localizada a 64 quilômetros a nordeste de São Gabriel da Cachoeira, antiga Vaupés, no alto rio Negro, estado do Amazonas, é o ambiente geológico que encerra esse outro jazimento de pirocloro, de dimensões surpreendentes.
Em meio às rochas do “Complexo Guianense” na localização citada, destacam-se três estruturas de forma aproximadamente circular, ao pé do igarapé Iazinho, afluente do rio Cauaburi. A maior das estruturas, conhecida como Morro dos Seis Lagos, eleva-se a uns 300 metros, exibindo um diâmetro da ordem de 6 quilômetros. As duas outras estruturas, localizadas ao norte da primeira e dela separadas por distância pouco superior a 1 quilômetro, medem respectivamente 750 metros e 500 metros de diâmetro.

Depois do interesse despertado pelas fortes anomalias radioativas detectadas no reconhecimento do morro dos Seis Lagos, anomalias causadas pela presença de tório, a CPRM iniciou um trabalho de pesquisa na área, suficiente para demonstrar que a combinação perfeita do clima, da topografia e das rochas haviam gerado um depósito excepcional de minérios, notadamente de nióbio, de titânio e de metais do grupo dos lantanídeos (terras raras). Um intenso processo de lixiviação, a que foram submetidas as chaminés vulcânicas, causou um enriquecimento extraordinário das três substâncias citadas, até uma profundidade de 250 metros a partir do topo das elevações.
Infelizmente, por miopia dos responsáveis, as pesquisas da CPRM foram paralisadas depois de terem sido medidas 38,4 milhões de toneladas de pirocloro, com concentração de 2,85% de óxido de nióbio.
Todavia os pesquisadores que lá atuaram concluíram que o depósito indicava uma reserva de mais 200,6 milhões de toneladas de minério com teor médio de 2,40% de óxido de nióbio e, ainda, permitia estimar outros 2,66 bilhões de toneladas de pirocloro , com teor médio de 2,84% de óxido de nióbio contido.
Considerando-se válidas as estimativas dos geólogos da CPRM, o Brasil é dono de um superdepósito de nióbio, com 2,9 bilhões de toneladas de pirocloro, com teor médio de 2,84% de óxido de nióbio.
O depósito, então, conteria 81,49 milhões de toneladas de óxido de nióbio contido, que somado aos depósitos já medidos elevaria as reservas nacionais para 86.621.000 toneladas, nada menos do que 99,99% das reservas mundiais.
O nióbio, portanto, é um mineral essencialmente brasileiro!
O “Complexo Carbonatítico dos SEIS LAGOS” apresenta ainda uma peculiaridade: o nióbio lá depositado não se acha associado ao tântalo, mas sim ao titânio, que se apresenta sob a forma de rutilo (TiO2). Essa peculiaridade valoriza ainda mais o depósito em foco.
Como se vê na tabela acima, a transmigração da liga ferro-nióbio e do óxido de nióbio renderam ao país, no ano de 2007, a quantia de US$1.093.752.320,00, o que representa muito pouco em função da importância desse elemento nas aplicações modernas.
Ademais, necessário lembrar que tais estatísticas não levam em conta a produção e comercialização externa da columbita-tantalita, produto da garimpagem nos aluviões dos igarapés da bacia do Rio Negro, no Amazonas, do Rio Branco em Roraima, do Rio Jarí, no Pará e Amapá, dos rios Amaparí, Araguari, Amapá e Vila Nova no Amapá, do Rio Madeira, em Rondônia, e nos cursos dos rios que cortam a Província Pegmatítica da Borborema, incluindo áreas dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. A produção do minério secundário é significativa, estando a merecer um controle efetivo do Poder Público, praticamente ausente nesses garimpos.
8– CONCLUSÕES.
Embora pareça desnecessária a lembrança, é bom que fique bem entendido o fato das substâncias da natureza mineral serem esgotáveis, uma vez que não se renovam na escala de tempo da vida humana.
A repetição do óbvio é muito oportuna para um país que entrega o comando do setor mineral a cidadãos dele dissociados, todavia militantes dos grupos que dirigem o país.
Por esse motivo, o Brasil até hoje não definiu uma política mineral harmônica com a realidade mundial e com os interesses do país, embora tenha cometido o sacrilégio de dividir as substâncias de origem mineral em “bens de importação” e “bens de exportação”, como se os minerais fossem simples mercadorias destinadas a equilibrar as nossas contas externas.
A premissa básica para orientar uma política mineral inteligente é aquela que diz que “os recursos do subsolo, por serem esgotáveis, só devem ser explorados com rendimento máximo para o progresso e a economia do país onde jazem”.
A partir desse conceito, deve-se enquadrar os minerais em três categorias: os abundantes, os críticos e os estratégicos.
Os abundantes são aqueles com grandes reservas geológicas dispostas no subsolo do país, bem como aqueles existentes em escala mais modesta na base territorial, porém de fácil aquisição no exterior, principalmente devido à multiplicidade de fontes de suprimento.

Críticos são aqueles cuja produção interna é insuficiente para atender o consumo atual do país e, ainda, cujas reservas serão, também, insuficientes para atender à demanda prospectiva. Nessa categoria incluem-se as substâncias escassas no planeta ou com distribuição extremamente assimétrica, isto é, concentrada em poucas áreas, independentemente do vulto das reservas nacionais.
Estratégicas, finalmente, são aquelas substâncias essenciais ao progresso continuado do país e vitais para a aplicação oportuna do Poder Nacional.
O nióbio, pois, enquadra-se tento como mineral crítico, quanto como mineral estratégico.