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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Vale diz que produção em 2017 vai se guiar pelas margens

Vale diz que produção em 2017 vai se guiar pelas margens

Isso vai levar em conta a capacidade de transporte do corredor Norte da companhia, em Carajás, onde a empresa produz seu minério de maior qualidade, mas que é considerado um gargalo. “A partir desse número mágico, você tenta maximizar o que sai de Carajás, seja de Serra Norte ou do ramp up de S11D, e o resto será complementado pelo minério dos sistemas Sul e Sudeste”, explicou.
Poppinga também tratou mais a fundo da equação para atingir um custo-caixa de minério entregue na China de US$ 25 por tonelada, meta informada pelo presidente da companhia, Murilo Ferreira.
Segundo o diretor, isso passará pela otimização da cadeia de suprimentos, contando com a nova frota de Valemax, com custo mais baixo, e aumentando o desembarque direto na China. O segundo fator em estudo é como “blendar” cada vez mais minério de ferro offshore – em locais como Malásia e China – e não fazer produtos acabados nos portos do sistema Sul, mas sim semi-acabados, para serem “blendados” lá fora. “Quando você blenda offshore, aumenta a realização de preços”, disse.
Poppinga destacou ainda o foco em elevar a recuperação global da Vale – indicador medido pelo volume de produção final dividido pelo total de toneladas extraídas (ROM e estéril). Para isso, a Vale está reformulando seus planos de lavra. “Não estamos deixando minério para trás, mas transformando estéril em minério”, disse.
Isso será combinado à substituição do processamento de minério a úmido para processamento a seco. “Estamos cada vez mais indo para processamento a seco. Hoje temos 40% e iremos para 70% de processamento a seco em cinco anos”, afirmou.
Preço do minério
Poppinga afirmou, em teleconferência com analistas, que os preços do minério de ferro em 2017 devem ficar na casa de US$ 55 por tonelada, ainda como resposta às medidas de estímulo ao crédito tomadas pelo governo da China este ano.
Segundo ele, as medidas aqueceram o mercado e permitiram a fácil absorção da entrada de 110 milhões de toneladas em nova oferta de minério de ferro, cujo preço está em recuperação. A Vale espera que no ano que vem o mercado transoceânico receba menos da metade desse volume em novas ofetas: serão mais 48 milhões de toneladas de minério de ferro de novas ofertas, sendo 28 milhões de toneladas oriundos do Brasil.
A Vale trabalha com um crescimento de 1% a 1,5% de crescimento da demanda por aço em 2017, o que ajudará a estabilizar o preço do minério nesse patamar de US$ 55 por tonelada.
O executivo também destacou a percepção de que os prêmios para pelotas serão favorecidos por um gap entre menor oferta – pressionada pela paralisação da Samarco – e demanda, que está aquecida. Já o minério de Carajás, com maior teor de ferro, tem hoje prêmio de US$ 111 por tonelada, favorecido pela alta do preço do carvão. “Esse prêmio tende a se estabilizar quando preço carvão se estabilizar”, disse.
Foco
O presidente da Vale, Murilo Ferreira, abriu a teleconferência de resultados da companhia no terceiro trimestre de 2016 reforçando o compromisso em fortalecer o balanço e reduzir a alavancagem.
A alavancagem da Vale no terceiro trimestre do ano ficou em 3,6 vezes, estável em relação ao visto um ano antes, mas anotou uma queda de 0,6 ponto porcentual ante o segundo trimestre deste ano. “Estamos focados em fortalecer balanço e continuar a reduzir alavancagem”, afirmou.
Ferreira disse ter orgulho de informar que a Vale teve outro trimestre de muito boa performance operacional e financeira. “Alcançamos recordes na produção de minério de ferro, em três usinas de pelotização, de ouro contido e carvão em moatize”, disse.
O executivo também reafirmou o compromisso em realizar desinvestimentos e o início da operação do projeto S11D, em Carajás, no quarto trimestre, com as primeiras vendas em 2017.
Capex
O foco da Vale é chegar em 2017 com um capex (orçamento de investimentos) menor ou igual a US$ 4,5 bilhões, mesmo valor estimado para este ano, afirmou Ferreira. Segundo o executivo, entretanto, esse número só será discutido durante o Vale Day e depois da aprovação do orçamento da companhia pelo conselho de administração.
Questionado por analistas sobre a perspectiva da Vale voltar a pagar dividendos no próximo exercício, Ferreira afirmou que nem a simulação do orçamento está concluída. “É cedo para fazer qualquer análise”, disse.
Samarco
As sócias da Samarco, Vale e BHP Billinton, estão desalinhadas em relação ao processo para retomada da produção da mineradora, que está com a produção paralisada desde o ano passado, com o rompimento de uma barragem da Samarco em Mariana, em Minas Gerais.
O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse que a mineradora acredita que a Samarco não é viável com sua antiga estrutura de depósito de rejeitos e que não acredita que é possível a reconstrução da barragem de Fundão.
Ferreira afirmou que há flexibilidade para que a Samarco utilize a estrutura da Vale. “Acreditamos que teremos condições de oferecer uma alternativa bastante interessante para a retomada da Samarco e acreditamos que esse deve ser o primeiro passo”, disse.
Outro ponto em que não há alinhamento entre os acionistas neste momento, destacou Ferreira, é sobre a dívida da companhia fruto da join venture. Na próxima semana, Ferreira disse que haverá um encontro com o presidente da BHP, quando a companhia espera alcançar avanços. “Temos que ter uma visão de longo prazo e é isso o que estamos procurando”, frisou.
Fertilizantes
A Vale está bastante determinada na busca de uma solução para o seu negócio de fertilizantes, disse Murilo Ferreira. Segundo fontes, o conselho da Vale deu o aval para o prosseguimento das negociações para venda de fatia da área de fertilizantes. O negócio pode sair dentro de 30 dias, disse uma das fontes. A negociação estaria ocorrendo com a Mosaic.
Sobre desinvestimentos em segmentos estratégicos, Ferreira disse que a companhia não está em posição de “descartar qualquer alternativa”, tendo em vista sua meta de redução de endividamento. No entanto, o executivo frisou que no caso específico de Salobo, a companhia nunca analisou um eventual desinvestimento, mesmo que minoritário
Fonte: IstoÉDinheiro

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