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sábado, 25 de fevereiro de 2017

DILEMA NA AMAZÔNIA


DILEMA NA AMAZÔNIA

Hoje, na grande floresta, pessoas reais enfrentam o choque da tradição tribal contra a sedução da vida moderna.

O povo Guarani Kaiowá perdeu parte da sua terra ancestral para a agropecuária – estes indígenas vivem em um acampamento perto de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Esforços para recuperar áreas têm sido respondidos com violência.
Nobres selvagens, cidades perdidas, vastidões intocadas – a Amazônia sempre conjurou mitos românticos e estereótipos. Mas como é de fato a floresta no século 21? Em 2011, fui buscar a resposta.

Na verdade, meu interesse começou em 2008, quando eu estava trabalhando com uma comunidade indígena para reflorestar um trecho do Nordeste do Brasil. Os moços da aldeia gostavam de falar sobre a pureza da vida tribal, mas era uma nostalgia de gerações anteriores. Como a maioria dos jovens da sua idade, eles dançavam, bebiam e jogavam futebol. Certa noite, se recusaram a me levar a uma festa: eu não estava bem-vestido. Percebi ali o quanto as nossas percepções podem diferir da realidade.

Depois dessa experiência inicial, comecei a ler livros sobre a Amazônia. Um deles era um relato do soldado espanhol Francisco de Orellana sobre sua lendária viagem descendo o Rio Amazonas, na década de 1540 – considerada a primeira expedição europeia na região. Decidi seguir os passos da expedição para ver como está o percurso hoje.

A partir dos Andes equatorianos, eu fiz lentamente o caminho rio abaixo. Durante seis semanas, viajei em um barco médico da Marinha do Peru. Cheguei à Colômbia e, finalmente, ao Brasil, em que tomei a famosa Rodovia Transamazônica. O acesso era frequentemente complicado, e caro. Pesquisei bastante só para encontrar as rotas que funcionariam.

Enquanto viajava, fotografei pessoas simples vivendo nos lugares que encontrei. Não estou à procura de natureza intocada ou de tribos isoladas; colaborei diretamente com as comunidades locais. Em uma delas, no Brasil, fiz um videoclipe para uns rappers indígenas. Mais tarde, voltei à aldeia deles e ofereci uma oficina de vídeo de um mês. Boas relações com pessoas locais me ajudam a criar um trabalho significativo.

Espero que esse projeto ajude a revelar o quão ambígua e complicada é a Amazônia moderna. Muitas pessoas lá, hoje, não são indígenas, mas estão ali por motivos econômicos. Nem todas são contra o desenvolvimento. Uma vez que você alcança certo conforto, é difícil voltar atrás
National Geographic. 

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