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sábado, 11 de fevereiro de 2017

GARIMPOS, A FEBRE E A GANÂNCIA PELO OURO NA AMAZÔNIA

GARIMPOS, A FEBRE E A GANÂNCIA PELO OURO NA AMAZÔNIA






A saga de homens e mulheres em busca da riqueza fácil arriscando a vida nos rios e enfrentando doenças tropicais.
A revista Via Amazônia esteve em contato com homens e mulheres que na década de 80, auge da busca pelo ouro, se embrenhavam em barrancos, muitos deles clandestinos, procurando enriquecer de forma rápida e fácil. No vale tudo na corrida do ouro, entre a multidão cega pela ambição, muitos mataram, morreram, venderam seus corpos. E ao final, o que colheram, nada mais que ilusão e contaminaram seus corpos, até de forma fatal, contraindo malárias, doenças venéreas e um sem número de males da alma. Pior é que essa loucura não teve fim com o fechamento do garimpo de Serra Pelada, muito menos com a secura que atingiu barrancos, dando uma esfriada no ímpeto de homens que se tornaram selvagens, na ânsia de enriquecer a qualquer custo, pagando até o preço pela própria alma.
 
Os garimpos cessaram seus movimentos "fervilhentes" de aventureiros, mas ainda servem de nutrição para noticiários policiais constantes, junto aos registros- agora raros- de achados de barrancos "bamburrados". Recentemente a imprensa local publicou que uma área de extração de ouro no rio Tapajós foi alvo de fiscalização ambiental deflagrada pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) no município de Itaituba, oeste do Pará,. A operação, realizada em quatro Vilas e na sede do município, como já se esperava, resultou na apreensão de equipamentos, emissão de autos de infração e Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). A ação conjunta envolveu também o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), a Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema) e a Secretaria de Meio Ambiente de Itaituba.
A equipe de fiscalização da Semas, composta por dois engenheiros ambientais e um sociólogo, foram às Vilas do Farias, Bom Jardim, Raiol e São Luís do Tapajós, onde foram localizadas balsas tipo 'Chupão' – adaptadas com mangueira de sucção –  e também detectadas, a partir de denúncias locais, dragas ancoradas – sem responsáveis por perto – em área de Unidade de Conservação urbana. Na ocasião, em continuidade a processos pendendes na Gerência de Recuperação de Áreas Degradadas (Gerad), a equipe da Semas também procedeu à fiscalização do lixão do município e do Hospital Regional de Itaituba.
Segundo o coordenador da operação, Carlos Nobre, em todas as Vilas foram encontradas embarcações do tipo 'Chupão', mas os responsáveis fugiram, abandonando os equipamentos no rio. Na Vila do Farias foram encontradas três balsas, além de bateias, motor de partida, baterias e ainda duas armas com munições.

Na Vila de São Luís do Tapajós foram encontradas sete balsas abandonadas, sem equipamentos. Na Vila Raiol, mais quatro balsas foram deixadas para trás pelos responsáveis e foram apreendidos motores de partida, alternadores, baterias e outros apetrechos. Na comunidade de Periquito, na Vila Bom Jardim, foi aplicado Auto de Infração administrativo à Clair Gomes de Oliveira, por extração ilegal de ouro e aberto um Termo Circunstanciado de Ocorrência pela Dema, com apreensão dos equipamentos utilizados na atividade ilegal.

CIANETO, O VENENO DE AÇÃO RÁPIDA
QUE AGE NOS GARIMPOS DO TAPAJÓS

O homem como vilão do meio ambiente, é ainda sempre citado na corrida do ouro. Ano passado a imprensa noticiou que  as águas do rio Tapajós estão sendo contaminadas com Cianeto. A denúncia foi feita ao blog “Alter do Chão On Line” por uma garimpeira que pediu para não ser identificada, temendo represálias por parte dos garimpeiros que estão contaminando o rio. A garimpeira mostrou a  um órgão da imprensa local, fotos e os vídeos, que mostram como o rio está sendo contaminado pelo cianeto. O material fotográfico foi colhido no garimpo “Ouro Roxo”, no município de Jacareacanga. 
O Cianeto é utilizado para mineralizar a terra, retirar o ouro para o mercado e devolver o arsênio e o ácido sulfúrico para o rio. São feitas enormes valas, como mostra a foto que ilustra a reportagem, aonde são depositados a terra junto com o ouro e onde é feita a separação com o ácido cianídrico. O ácido cianídrico é um veneno de ação rápida. Por ingestão, a dose é capaz de provocar a morte entre 3 a 4 minutos.
O Cianeto é comprado em São Paulo e levado em pequenos aviões até os garimpos que margeiam o rio Tapajós. Se confirmada a denúncia, a população das cidades que ficam a margem do Rio Tapajós pode estar cronicamente exposta ao cianeto, arsênio e outras substâncias tóxicas contidas nos rejeitos da atividade. A pessoa exposta ao cianeto por muito tempo, também está sujeita a contrair doenças de pele, se posta em contato direto com a substância química. Mais uma denúncia citada nas páginas da revista Via Amazônia, mostrando o extremo que chegam homens em sua ambição maldita pelo ouro. Ainda que hoje da riqueza dos barrancos só existam histórias, onde seus personagens nem sempre tem final feliz.

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