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sábado, 11 de fevereiro de 2017

O DIAMANTE KIMBERLÍTICO LATINO-AMERICANO VIRÁ DA BAHIA

O DIAMANTE KIMBERLÍTICO LATINO-AMERICANO VIRÁ DA BAHIA


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Vista aérea da área de desenvolvimento
Não à toa, áreas do semi-árido da Bahia já aparentavam ter diamante desde a década de 1930, mas a evolução foi lenta. Alguns garimpeiros se arriscavam no local, mas o processo não é manual, feito para aventureiros. Até os anos 90, pouca coisa aconteceu na região baiana. Foi quando a gigantesca De Beers, com sede em Luxemburgo e atuais projetos de diamante espalhados pelo mundo, como no Canadá, na África do Sul e Namíbia, veio para o Brasil à procura de novas jazidas.A De Beers descobriu 22 corpos kimberlíticos na Bahia, mas não deu continuidade às pesquisas.
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Exploração por amostragem na Planta Piloto
Semi-Industrial
O depósito de kimberlito B3, onde foi aberto um pipe vertical e lateralmente, localizado na parte sul da planta, foi o alvo prioritário de pesquisas da companhia. Ele apresentou a maior ocorrência do minério e a viabilidade econômica para o projeto. A maior parte da sondagem, que envolveu 91 furos em pouco mais de 14,5 mil m e teste do depósito a uma profundidade de 350 m, foi feita pela Vaaldiam. Dessa forma, a Lipari, em 2010 e 2012, pôde realizar toda a parte de amostragem de grande volume.
A Lipari já recebeu a Licença Prévia (LP) do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), que aprovou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) feito pela companhia. “Foi uma conquista significativa, que mostrou o nosso compromisso com as questões legais, ambientais, sociais e, especialmente, com as comunidades da área de influência, que manifestaram expressivo apoio e receptividade ao projeto”, afirmou na época o presidente e diretor executivo, Kenneth Johnson.
“Eu não diria que tivemos uma planta piloto, mas sim uma planta ‘semi-industrial’. Sua capacidade era um pouco superior. Foi a planta utilizada para fazer as amostras de grande volume, para avaliação dos diamantes gerados e estudos de viabilidade. Em 2010, fizemos campanha de trincheiras com grande volume e, em 2012, outra campanha, mas, dessa vez, com 100 m de profundidade e 2,5 m de diâmetro”, comenta Fernando Aguiar, vice-presidente e diretor de operações da Lipari Mineração. O trabalho foi feito gradualmente, com base nas Guias de Utilização emitidas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). No momento, o projeto se encontra em fase de manutenção.
Operação
A primeira mina de diamantes da América Latina desenvolvida em rocha kimberlítica, a céu aberto, com uma profundidade de 250 m, diâmetro de 340 m e que terá sua lavra em cava por meio de bancadas em espiral, já tem data para sair do papel. “Esperamos que a Licença de Instalação (LI) seja concedida até o fim deste mês de setembro”, relata Aguiar. Se realmente entregue, as obras começam em outubro e a mineradora deve ter 20% das obras executadas já até o fim de 2014. Inicialmente, a Lipari esperava iniciar a produção comercial no primeiro trimestre de 2015, mas será postergada por quase um ano. O atraso se deve ao processo de licenciamento, no qual a empresa deu entrada há três anos. Dentro dos procedimentos ambientais, a LP é estimada em 12 meses e a LI, em seis meses. Em tese, as licenças deveriam ser concedidas em um ano e meio.lipari6
A planta de porte médio vai trabalhar, em capacidade plena, com 60 mil toneladas (mt) de minério de diamante por mês. Em relação ao teor, a média é em torno de 50 quilates (ct) por 100 toneladas (t), internacionalmente conhecido como 50 cpht (sigla em inglês). Isso significa que, numa média da reserva lavrada, existem aproximadamente 50 ct a cada 100 t de minério. Entretanto, a produção estará muito ligada à capacidade de separação em meio denso, moderna tecnologia utilizada em minas sul-africanas que isola o material leve do pesado, podendo aumentar a velocidade de 100 t/h para 150 t/h, devido à carga circulante no sistema. “É o que chamamos de coração da planta, pois é um sistema que recupera o diamante”, relata Aguiar.
Resumidamente, o funcionamento será da seguinte forma: o estéril escavado vai para a pilha de estéril, enquanto o minério escavado vai para o estoque e para o pátio de Run of Mine (ROM). Na única usina da planta de beneficiamento, com britagens primária, secundária e rebritagem (uma espécie de terciária), o diamante será separado do kimberlito (rejeito). O rejeito também será conduzido à pilha de estéril. Todo o kimberlito será processado na planta e o minério, reduzido à faixa de 1 a 25 mm. Esse material será misturado à água, formando uma polpa, que passará pelo módulo de separação por meio denso. Um ciclone de separação vai separar o material leve do pesado. Por ter uma alta densidade, o diamante estará incorporado ao material pesado.
Ele será classificado em quatro faixas de tamanho e seguirá para outro processo, de identificação do diamante, realizado por uma máquina específica. Ela faz a redução por Raio-X de baixa intensidade. O diamante, quando recebe essa emissão, tem a característica de fluorescência. O material coletado irá com um secador infravermelho e cairá numa mesa fechada, onde será feita a coleta manual. Ou seja, o beneficiamento vai até a última etapa, de coleta manual do diamante.
Nos sete anos de vida útil da mina, do Projeto B3, a Lipari vai remover 33 milhões de estéril e processar 4,9 Mt de minério. A média, em termos de relação estéril/minério é de 6,8. Ou seja, para cada 1 t de minério, serão removidas 6,8 t de estéril. Todos os 2,5 milhões de quilates de diamante, do tipo gema, serão exportados para a Europa, via aérea. “O volume é muito pequeno. Estamos falando de aproximadamente 6 kg por mês”, diz Fábio Borges, diretor financeiro da Lipari.
Investimentos
Até aqui, a empresa investiu mais de R$ 80 milhões, com todo o capital aportado pelos acionistas. “Os investimentos  vão depender diretamente do desenvolvimento da construção e isso vai envolver a concessão das licenças. Todo o cronograma está condicionado ao ritmo do tempo de obtenção das licenças. Temos projetado um investimento de mais R$ 80 milhões, que deve ser distribuído ao longo desses próximos anos”, afirma Borges. O montante previsto para a implantação do projeto é de aproximadamente R$ 100 milhões.
Para as obras de instalação a empresa prevê que sejam contratadas 600 pessoas. Indiretamente, serão gerados 2400 empregos. A estimativa é de que, para a operação, sejam criados 230 novos postos de trabalho diretos e mais 936 indiretos. “Queremos treinar e capacitar o pessoal na região junto ao SENAI. Nosso processo exige certo conhecimento. A tradição na produção de diamante só existe em países como Canadá, África do Sul, Rússia e Austrália. Mas dentro de qualquer processo de tratamento de minério, é normal ter operadores de pá-carregadeira, motoristas de caminhão ou auxiliares no tratamento de minério”, destaca o vice-presidente da mineradora.

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