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segunda-feira, 20 de março de 2017

Dólar sobe ante real com temor de exportação afetada no Brasil pela Carne Fraca

Dólar sobe ante real com temor de exportação afetada no Brasil pela Carne Fraca

segunda-feira, 20 de março de 2017 10:27 BRT
 
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Por Claudia Violante
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em leve alta ante o real nesta segunda-feira, com investidores cautelosos com a possibilidade de entrada de menos recursos no país por conta de exportações menores em decorrência da operação Carne Fraca, que desvendou fraude em fiscalizações sanitárias de carnes.
Às 10:24, o dólar avançava 0,22 por cento, a 3,1075 reais na venda, depois de ter recuado 0,47 por cento no pregão passado. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,40 por cento.
"A exportação de carne é relevante na balança comercial e países já embargaram o produto brasileiro", afirmou o operador da mesa de câmbio do banco Ourinvest Bruno Foresti.
Ele referia-se à Coreia do Sul, que barrou temporariamente as vendas de produtos da BRF e anunciou que vai intensificar a fiscalização da carne de frango importada do Brasil. Além disso, a Comissão Europeia informou mais cedo que todas as empresas envolvidas no escândalo terão acesso negado ao mercado da União Europeia.
E, segundo uma fonte ouvida pela Reuters, a China também suspendeu temporariamente as importações de carne brasileira após o escândalo.
Na sexta-feira, a Polícia Federal lançou operação para desarticular uma organização criminosa envolvendo fiscais agropecuários federais e cerca de 40 empresas, entre elas as gigantes JBS e BRF, com fraudes na fiscalização sanitária de carnes, escândalo que traz preocupação aos consumidores domésticos e ameaça o status do Brasil como grande exportador.
As exportações de carnes do Brasil (bovina, suína e de frango) subiram de cerca de 2 bilhões de dólares em 2000 para aproximadamente 14 bilhões de dólares no ano passado.
"Há ainda preocupação de que o esquema ainda atinja políticos, em mais um temor sobre o andamento das reformas no Congresso Nacional", acrescentou Foresti.
O mercado financeiro estava cauteloso também pelo cenário político, já abalado pela lista do procurado-geral da República, Rodrigo Janot, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada com pedidos de abertura de inquérito contra políticos da base e ministros do presidente Michel Temer.
O medo é de que votações importantes sejam afetadas no Congresso Nacional, com destaque para a reforma da Previdência, considerada essencial para colocar as contas públicas em ordem.
No exterior, o dólar exibia leves oscilações ante uma cesta de moedas. O clima era de cautela depois da decisão do G20 de retirar a promessa para evitar o protecionismo comercial, concordando com o protecionismo cada vez maior dos Estados Unidos.
O Banco Central brasileiro realiza nesta sessão novo leilão de até 10 mil swaps tradicionais --equivalente à venda futura de dólares --para rolagem dos contratos de fevereiro.

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