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quarta-feira, 8 de março de 2017

Usiminas espera receber R$ 700 milhões para aliviar caixa

Usiminas espera receber R$ 700 milhões para aliviar caixa

A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) espera receber, até meados de maio, R$ 700 milhões provenientes da redução de capital da sua controlada Mineração Usiminas (Musa) em R$ 1 bilhão. A operação foi aprovada na sexta-feira pela siderúrgica mineira e a japonesa Sumitomo, sócias da mineradora com 70% e 30% do capital, respectivamente. A Sumitomo receberá os outros R$ 300 milhões. A operação é parte do acordo fechado pela Usiminas com bancos em setembro do ano passado para a rolagem da dívida da ordem de R$ 6,2 bilhões pelo prazo de 10 anos com três de carência. Para fechar a negociação, os bancos exigiram que até junho deste ano os recursos da Musa fossem repassados para a Usiminas.
Segundo informou ontem o presidente da Usiminas, Rômel de Souza, a empresa precisa aguardar o prazo legal de 60 dias para que os credores da Musa possam se manifestar antes de receber o dinheiro da controlada. “É um prazo legal, porque a Musa não tem nenhum débito”, afirmou Souza. “Esses recursos significam uma Usiminas mais fortalecida economicamente e mais equilibrada”, avaliou. Ainda segundo Souza, os R$ 700 milhões serão integralmente incorporados ao caixa da siderúrgica. Em julho do ano passado, os sócios controladores da Usiminas (Nippon Steel, Ternium e Previdência Usiminas) aprovaram o aumento de capital da empresa em R$ 1 bilhão.
O acordo para redução do capital social da Musa encerra o conjunto de medidas operacionais e financeiras adotadas pela empresa nos últimos dois anos para enfrentar uma das mais graves crises da sua história. “Nós adequamos a Usiminas ao tamanho do mercado e fizemos a reestruturação financeira. De nada adiantaria fazer uma sem a outra”, ressaltou o presidente da Usiminas. Segundo ele, embora o mercado falasse em um pedido de recuperação judicial, essa opção não foi cogitada pela diretoria. “Todo o trabalho foi para recuperar a Usiminas do ponto de vista financeiro e operacional.
Cenário
“O mais importante nesse momento é a retomada da confiança, do otimismo”, disse Rômel de Souza ao avaliar que “a Usiminas entra neste ano mais equilibrada do que em 2016, o que mostra de forma clara a perspectiva de reversão de resultados”. A Usiminas fechou o ano passado com prejuízo líquido de R$ 576 milhões, contra um resultado negativo de R$ 3,7 bilhões no ano anterior. Essa recuperação, no entanto, está condicionada à retomada da economia brasileira. E a perspectiva é de que o mercado de aço no Brasil volte a crescer de forma firme a partir do ano que vem.
Hoje, com um alto-forno desligado em Ipatinga e a usina de Cubatão operando apenas com a laminação de chapas grossas, a Usiminas produziu cerca de 4 milhões de toneladas no ano passado, o que equivale a uma ociosidade em torno de 60% em relação à capacidade instalada de produção de laminados de aço planos das duas usinas, que é de 9 milhões de toneladas por ano. “Se excluir Cubatão, a Usiminas opera com 80% a 90% da sua capacidade”, afirmou o presidente da siderúrgica. Ainda de acordo com ele, o mercado de produtos laminados de aço no Brasil foi de 9,2 milhões de toneladas.
>> Em busca do equilíbrio
Medidas adotadas pela Usiminas para enfrentar a crise
Maio e junho 2015
Desligamento temporário de dois altos-fornos, um na usina de Ipatinga e outro na de Cubatão.
Janeiro 2016
Paralisação temporária das áreas primárias de produção (coquerias, sinterizações, altos-fornos, aciaria e áreas de apoio) da usina de Cubatão para adequar a oferta à realidade do mercado.
Março 2016
Acordo com bancos credores para suspensão temporária da amortização de dívidas (“standstill”)
Julho 2016
Acionistas assinam a proposta da diretoria para aumentar o capital da empresa em R$ 1 bilhão.
Setembro 2016
Celebrado o acordo definitivo de renegociação das dívidas com os bancos credores, nas seguintes condições: prazo total de 10 (dez) anos para pagamento das dívidas da companhia; e período de carência de 3 (três) anos para o início do pagamento do principal.
Fevereiro 2017
Apesar de efeitos contábeis levarem a prejuízo líquido, empresa anuncia que o lucro operacional de outubro a dezembro de 2016 foi o maior dos últimos 11 trimestres: R$ 223 milhões.
Março 2017
Aprovada a redução de capital da subsidiária Mineração Usiminas, injetando mais R$ 700 milhões no caixa da Usiminas.
Fonte: Usiminas

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