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terça-feira, 16 de maio de 2017

A FERRO E OURO

A ferro e ouro

Duas novas minas prometem modernizar a extração de materiais valiosos no Pará, prática historicamente marcada pelo descaso e pela destruição da natureza


No filme Bye Bye Brasil (1980), de Cacá Diegues, narra-se a saga fictícia de três artistas ambulantes que cruzam o país com a sua Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para a população pobre, sem acesso à TV. O grupo, que percorre a Rodovia Transamazônica, criada durante o regime militar, chega a Altamira, no interior do Pará, atraído pela promessa de lucro rápido, tamanha a quantidade de pessoas que migraram para a cidade em busca de emprego nas minas de ouro que surgiam por lá. Um ano antes do lançamento de Bye Bye Brasil, um garimpeiro – e, agora, bem longe das telas – havia descoberto pepitas na região de Serra Pelada, na cidade de Curionópolis, também no interior paraense. A notícia levaria à abertura daquele que se tornou o maior garimpo a céu aberto do mundo. No auge, da produção, Serra Pelada acumulou 100 000 garimpeiros, engolidos, como formigas diminutas, por uma gigantesca cratera, num trabalho desumano, realizado em condições completamente insalubres.
Passadas quase quatro décadas, e já com o minério tendo praticamente desaparecido da superfície – hoje ele só existe no subsolo, de difícil acesso -, VEJA foi até a região para mostrar como dois novos projetos de mineração prometem modernizar a antiga rotina dos garimpeiros. Ao mesmo tempo em que podem servir de exemplo de como garantir o progresso com baixo impacto ambiental e social, ambas as empreitadas também correm o risco de acabarem, tão-somente, repetir a história – reprisando tragédias e cenários de miséria que tantas vezes acompanharam a algo mítica corrida do ouro. Na Volta Grande do Xingú, o projeto de ouro da Mineradora Belo Sun, que promete ser a maior mina de ouro do brasil retirando 70 toneladas de ouro, a 50 kms de Altamira- PA.
O Projeto da Vale S11D que vai ser a maior mina de ferro do mundo com produção de 90 milhões de toneladas de ferro até 2020, na Serra dos Carajás, todos dois projetos no Pará.

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