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quarta-feira, 17 de maio de 2017

HISTÓRIA DA JOALHERIA CELLINI: OURIVES E JOALHEIRO

HISTÓRIA DA JOALHERIA

CELLINI: OURIVES E JOALHEIRO RENASCENTISTA


O período da história européia conhecido como Renascimento abrange, em termos gerais, os séculos XV e XVI, e foi uma época de grandes transformações, em que foram fixados os princípios gerais que passaram a reger boa parte do mundo que hoje conhecemos. Os reinos da Europa converteram – se em Estados - fortes, aconteceram profundas transformações na religião, nas idéias e no comportamento. Tudo isso se refletiu na obra de grandes artistas. E é na Itália, berço do Renascimento, que nasceu e viveu grande parte de sua vida Cellini, ourives e escultor que representa bem o período renascentista italiano, por sua insaciável busca da excelência na arte.

Benvenuto Cellini nasceu em 03 de novembro de 1500 em Florença e desde cedo decidiu-se a se tornar um ourives. Aos 14 anos, começa a estudar no atelier do pintor Filippino Lippi, onde aprendeu a principal regra da Escola Florentina renascentista: o desenho tinha que ser a base de toda obra de arte. Devia servir para planejar o trabalho em todos os mínimos detalhes antes da execução da obra, desde os elementos decorativos até às soluções técnicas. Ele admirava acima de tudo os desenhos de Miguelângelo e Leonardo da Vinci, e dizia que se estes fossem colocados juntos, lado a lado, representariam o que de melhor se poderia fazer em arte no mundo. Cellini almejava a excelência artística. Para usar um conceito da sua época, deseja tornar – se " universal".
Aos 19 anos, Cellini muda-se para Roma. São anos de grande produtividade: medalhões em ouro talhado com cenas da mitologia grega, um botão para o manto do Papa Clemente VII e belíssimas moedas e jóias para a corte papal e vários nobres romanos. Passa um curto período em Florença, devido a desentendimentos com o Papa, mas retorna a Roma, onde continua atender a uma rica clientela e acumular uma considerável fortuna pessoal, que administrava meticulosamente. Com a morte de Clemente VII, é sagrado Papa Paulo III, que encomenda uma capa em ouro trabalhado e pedras preciosas para o Livro de Orações, dado de presente ao Imperador Carlos V. Apesar das encomendas na corte papal, Cellini desentende- se em Roma novamente e vai para Paris, tentar, em vão, entrar para o serviço do rei Francisco I, conhecido por ser um grande mecenas.
Retorna à Roma e , em outubro de 1538, é preso no Castelo Sant’Angelo sob a alegação, provávelmente falsa, de que tinha roubado gemas preciosas da tiara papal. Cellini consegue ser solto, finalmente, com a intervenção do rei francês Francisco I em novembro de 1539, que lhe oferece os mesmos termos de trabalho que havia oferecido anteriormente à Leonardo Da Vinci. Na França, produz jóias diversas e esculturas.
Apesar de ter produzido muito como ourives durante toda a sua vida, um dos poucos trabalhos de Cellini que chegaram até os nossos dias foi o famoso "Saleiro", feito para Francisco I, atualmente no Kunsthistorische Museum, em Viena., o qual Cellini descreve assim em sua autobiografia: " É oval na forma e tem por volta de duas terças partes do comprimento de um braço. Toda a peça foi trabalhada com um cinzel.. Eu retratei Netuno e a Terra sentados em lugares opostos e com as pernas entreunidas. As ondas da água foram lindamente esmaltadas na sua cor natural. A Terra está representada pela figura de uma linda mulher que segura a cornucópia em sua mão. Ela está completamente nua, assim como Netuno. Eu fixei a peça em uma base de ébano, a qual decorei com quatro figuras douradas em alto relevo. Estas quatro figuras representam a Noite, o Dia, o Anoitecer e o Amanhecer:"
À serviço de Francisco I, Cellini pode finalmente realizar sua ambição: além de ourives, ser um mestre na arte da escultura. Mas, apesar de trabalhar em excelentes condições para o rei francês, foi irresistível para Cellini retornar à sua cidade natal: queria ter chance de provar sua excelência como escultor e conquistar assim o direito de fazer parte dos mestres da arte escultórica, na tradição de Donatello e Miguelângelo. Produz então várias esculturas, algumas monumentais, a maioria considerada obras-primas . Em 1559 escreve sua autobiografia, intitulada " A Vida de Benvenuto Cellini" e, em 1565, começa a escrever seus dois famosos tratados: " Tratado sobre Ourivesaria" e o " Tratado sobre a Arte da Escultura".
É interessante se saber que na Inglaterra de 1888, um arquiteto chamado R. Ashbee, que fazia parte do movimento artístico chamado "Arts & Crafts" , montou uma escola , a "Guilda do Artesanato" , e ensinava a seus alunos a arte do design e da ourivesaria baseado em traduções dos tratados de Cellini.
Seus últimos anos em Florença foram amargos e solitários e , ao morrer em 1571, deixou todas as obras encontradas em seu estúdio para o filho do duque florentino Cosme I de Médicis, Francisco I.

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