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sábado, 27 de maio de 2017

INCLUSÕES EM GEMAS 2ª parte - RUBI e SAFIRA

INCLUSÕES EM GEMAS
2ª parte - RUBI e SAFIRA


À primeira vista é difícil compreender que o rubi e a safira se tratem de variedades de uma mesma espécie mineral, o coríndon, que se constitui de óxido de alumínio (Al2O3) e, em estado puro, é completamente incolor. De fato, ocorrem cristais de coríndon totalmente incolores na natureza, embora sejam bastante raros.
O rubi é a variedade de cor vermelha média a intensa, enquanto a safira ocorre nas demais cores (azul, verde, amarela, alaranjada, marróm, incolor, rósea e purpúrea).

Rubi natural com inclusões de rutilo em forma de agulhas,
orientadas em 3 direções (“sedas”), inclusões fluidas e
de outros minerais não-identificados
(Fotomicrografia do autor)
O termo safira, sem descrição adicional, refere-se à variedade do coríndon de cor azul, enquanto as demais variedades devem ser designadas adicionalmente pela cor (ex: safira amarela). O termo padparadscha, de origem cingalesa, refere-se à safira de cor alaranjada rosada.
A cor do rubi deve-se ao cromo, presente como impureza, em proporções diminutas; quanto à safira azul, sua cor deve-se ao ferro e ao titânio, presentes como impurezas, envolvendo ainda um mecanismo de transferência de cargas.

Safira natural com inclusões minerais não-identificadas
em forma de agulhas (provavelmente rutilo ou bohemita),
e “nuvens” de inclusões fluidas
(Fotomicrografia do autor)
Como, por definição, as gemas sintéticas possuem composição química, propriedades físicas e estrutura cristalina iguais às de suas equivalentes naturais, o exame das inclusões à lupa e ao microscópio tem um papel primordial na distinção entre os dois tipos. Algumas outras características nos fornecem indícios da origem natural ou sintética de uma gema sem serem, no entanto, diagnósticas.
Os rubis e safiras naturais costumam apresentar inclusões minerais e líquidas, bem como zoneamento retilíneo de cor, muitas vezes em simetria hexagonal, devido à concentração dos elementos cromógenos em planos reticulares.
O rubi e a safira são obtidos por síntese, comercialmente, pelo método de “Fusão à Chama” ou “Verneuil”, desde 1904 e 1910, respectivamente. Material produzido por este método é visto com bastante frequência no mercado de gemas sintéticas e tem custo muito acessível.
Os rubis e safiras sintéticos Verneuil se diferenciam dos naturais pela presença, nos primeiros, de linhas de crescimento curvas e bolhas de gás. Estas ocorrem isoladamente ou em grupos e usualmente são esféricas, embora possam ser também alongadas ou terem outras formas. Eventualmente, se observa também a presença de fissuras provocadas por superaquecimento durante o processo de polimento, algumas vezes denominadas marcas de fogo.
Outra característica importante dos rubis produzidos por este método é a maior intensidade da fluorescência vermelha à luz ultravioleta, se comparada à dos naturais, sobretudo sob ondas longas.


Rubi sintético produzido pelo método de Fusão à Chama Verneuil),
apresentando linhas de crescimento curvas
(Fotomicrografia do autor)
Rubis e safiras produzidos por métodos de síntese mais recentes (Fluxo, Czochralski, Hidrotermal e Float-Zone) têm custo mais elevado e são vistos com muito menor assiduidade. Estes produtos sintéticos distinguem-se dos naturais e dos sintéticos obtidos pelo método Verneuil principalmente pelo exame das inclusões, mas também pela natureza e conteúdo de seus elementos-traços.

Rubi sintético produzido pelo método de Fluxo, apresentando
inclusões com aspecto de plumas, constituídas por resíduos de fluxo
Fotomicrografia do autor
Cabe ressaltar que rubis e safiras naturais isentos de inclusões, com bela cor e tamanho significativo são extremamente raros, razão pela qual exemplares com estas características devem ter sua origem minuciosamente inspecionada.
Fontes:
Anderson, B. W.: Gem Testing

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