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domingo, 21 de maio de 2017

Raimundo da Silva Cruz, de Garimpeiro a assessor parlamentar

Raimundo da Silva Cruz, de Garimpeiro a assessor parlamentar

Quinta-feira, 18, recebi na redação, a visita do seu Raimundo da Silva Cruz mais conhecido como Sardinha.

              


Raimundo da Silva Cruz
Quinta-feira, 18, recebi na redação, a visita do seu Raimundo da Silva Cruz mais conhecido como Sardinha. “Vim aqui contar minha história, pois me considero um dos que junto com o Teixeirão ajudou construir esse Estado”. Sardinha estava acompanhado do seu fiel amigo Pedro. “Pedro é como chamo esse meu amigo, pois desde quando nos encontramos há pouco tempo, vimos que tínhamos algo em comum, trabalhar em prol da população dos bairros da periferia”. A conversa fluiu e ficamos sabendo das proezas do seu Raimundo no Exército, nos garimpos de cassiterita e de ouro e principalmente o Raimundo político que foi candidato por duas vezes a deputado estadual e uma a vereador. “No tempo do Índio do PSB levei dois ônibus lotados de gente para votar em mim na convenção e o Índio disse que só tive 50 votos sendo que cada ônibus tinha 80 eleitores” .
Essa e outras histórias, em especial a da abertura da galeria da avenida Jorge Teixeira você vai conhecer na entrevista que segue.
Zk – Qual seu nome completo?
Sardinha – Sou Raimundo da Silva Cruz nascido no lugar chamado Carapanatuba no Amazonas, vim para Rondônia em 1971 com 20 anos de idade, para servir o Exército no 5º BEC. Nasci no dia 26 de outubro de 1951.
Zk – Depois que deu baixa foi fazer o que?
Sardinha – Acontece que não vim pra cá apenas pra servir o Exército, vim pra deixar uma história em Rondônia. Essa história construí junto com o coronel Jorge Teixeira. Na realidade, cumpri minha obrigação cívica durante um ano e quando dei baixa, continuei trabalhando no 5º BEC só que pelo DNER, onde fiquei durante cinco anos trabalhando. Acontece que naquela época, quando o trabalhador completava 5 anos de trabalho, o DNER rescindia o contrato. Com o dinheiro da indenização 93 Mil Cruzeiros, montei uma empresa a “Conservadora Cruz”.
Zk – Quais as obras que sua empresa fez para o governo do Estado?
Sardinha – Ajudamos a construir a Esplanada das Secretarias. Nas proximidades da Esplanada montei um restaurante num local chamado “Taboquinha” e passamos a atender os funcionários das secretarias. Outra obra que ajudamos a construir foi a Galeria da Jorge Teixeira que à época chamava avenida Kennedy. Ali trabalhamos com a lama no pescoço. Um dia o Teixeirão chegou pra mim e disse: “Admiro você porque você é um guerreiro, um soldado que nunca deixou falha no seu trabalho, nós precisamos de gente como você”.
Zk – Como surgiu esse apelido de Sardinha?
Sardinha – Eu tinha um bar cujo nome fantasia era Bar Sardinha. Quando comprei o ponto esse nome já existia pintado na parede e eu resolvi deixar lá e os fregueses passaram a dizer, “Vamos almoçar lá no Sardinha” e o apelido pegou.
Zk – Além da galeria, quais outras obras sua empresa fez?
Sardinha – Foram muitas obras. Prédios, drenagem, saneamento básico, serviço de escoamento de água do Bate Estaca até o 5º BEC tudo com aqueles tubos grossos de ferro e selado com chumbo. Ajudamos a abrir a avenida Norte Sul hoje Rogério Weber e colocamos um bueiro de chapa de aço lá. Trabalhamos em algumas pontes de concreto.
…Um grama, um grama e meia e era o seguinte, tinha mulher que era exigente, “Não vou dar minha prexeca por meia grama de ouro”. Naquele tempo existia as boates que funcionavam em dragas no meio do rio e o negócio era chic.
Zk – Antes da empresa de serviço?
Sardinha – Além do restaurante montei um comércio ali perto do Aragão, aliás, o Aragão era nosso parceiro. Por ali também tinha o Casarão do Forró do Paulo onde no final do mês, quando saía o dinheiro do governo a gente ia se divertir, era muito bom!
Zk – E hoje?
Sardinha – Hoje estou como assessor do vereador Maurício Carvalho. Meu trabalho é verificar as necessidades da população nos bairros e levar as reivindicações pro vereador sou o diretor-fiscal do gabinete dele. Aceitei essa função porque a população sempre vem me procurar para resolver os problemas de seus bairros, isso porque presido uma entidade filantrópica, a Sociedade Beneficente de Idoso, Família e Crianças Carentes do Estado de Rondônia. Também tenho uma escola e uma creche, todas documentadas, porém, essas entidades estão paradas por falta de recursos para mantê-las. Aliás, esse foi um dos motivos de ter vindo procurar vocês aqui do Diário da Amazônia, quem sabe, alguma autoridade se sensibilize e nos ajude a colocar pra funcionar essas entidades.
Zk – Por falar nisso, você também foi garimpeiro?
Sardinha – Trabalhei em garimpo de ouro, diamante, cassiterita, topázio. Trabalhei na Mineração Massangana, Ceriumbrás, Macisa, no Embaúba, Tamborete, Prainha e em Jaru. Certa vez, nosso grupo que era formado por oito homens, tirou Uma Tonelada e Meia de Cassiterita.
Zk – Qual o garimpo mais difícil, o de ouro ou o de cassiterita?
Sardinha – Sem sombra de dúvida é o da cassiterita. O ouro é mais fácil de trabalhar, você monta a balsa ou a draga e vai trabalhar mais na peneira e na bateia, já a cassiterita é mais pesada é na picareta braba mesmo. O ouro, monta um motorzinho já coloca as empanadas na caixa, vem descendo o ouro coloca o azougue e é só colher o metal. Na época que trabalhei no garimpo “Jenipapo” em Jaru com o Biraci, tínhamos seis motores trabalhando e a cada despescada a gente tirava até cinco quilos de ouro. No rio Madeira trabalhamos com balsa, aí era mergulhando.
Zk – Você sabe quem descobriu o ouro no Madeira?
Sardinha – Foi dois irmãos, eles moravam perto do colégio Padre Chiquinho no Areal. Eles descobriram ouro no Madeira e começaram a trabalhar e estavam crescendo muito em seus negócios e o pessoal começou a desconfiar. Um curioso, sempre tem um curioso achou de segui-los à noite e descobriu que eles estavam tirando ouro dentro do rio Madeira. Contavam que só de uma despescada eles tiram seis quilos de ouro. Pra despistar eles montaram um Mercadinho e mesmo assim descobriram e foi então que surgiram as chamadas fofocas do garimpo de ouro do Madeira.
Zk – A gente ouvia muita história sobre morte de garimpeiros mergulhadores no Madeira, que tinham suas mangueiras cortadas. Como era isso?
Sardinha – Quanto mais morria gente mais ouro aparecia. Muitas mortes foram por perversidade mesmo, ali eu vi nego matar o outro só de sacanagem. Vi dois irmãos que vieram do Maranhão, os caras chegaram todo sujo de poeira e dois peões estavam terminando de montar uma balsa e estavam precisando de mergulhador e os dois maranhenses foram trabalhar com eles. Passaram seis horas debaixo d’água e quando vieram despescar conseguiram 4 quilos de ouro, receberam a porcentagem de 10% cada. Um guardou a parte e o outro foi pra bagaceira com a mulherada, depois voltou pra mergulhar de novo, um cara de outra balsa com inveja, cortou a mangueira dele. O irmão pegou o ouro que sobrou e voltou pro Maranhão.
Zk – No garimpo do Madeira você chegou a despescar quantos gramas de ouro?
Sardinha – O garimpo do Madeira era diferente, a gente trabalhava em equipe e eu trabalhava mais na despescagem e cheguei a ganhar até 150 gramas. O interessante era quando alguém conseguia uma boa quantidade de ouro, aí todo mundo com suas dragas encostavam, era aquela muvuca de draga e formava-se o que se chama de FOFOCA.
Zk – É verdade que as prostitutas só aceitavam ouro como pagamento?
Sardinha – Era sim. Um grama, um grama e meia e era o seguinte, tinha mulher que era exigente, “Não vou dar minha prexeca por meia grama de ouro”. Naquele tempo existia as boates que funcionavam em dragas no meio do rio e o negócio era chic. O garimpo é o seguinte: É mais pro ruim do que pro bom, tem nego que só vai pra “tirar” o couro do outro.
Zk – Vamos mudar de assunto. Como foi que você se transformou em político, candidato a deputado e vereador?
Sardinha – Minha primeira candidatura foi a deputado estadual, na época que o José de Abreu Bianco foi governador de Rondônia, tive 400 votos. No tempo do governo Cassol saímos também para deputado estadual e a terceira eleição foi quando o Roberto Sobrinho ganhou a prefeitura, saímos para vereador tive 121 votos. Ingressei na política pelo Partido PSB no tempo do Ernandes Índio. Aqui tem uma história: Me candidatei à convenção para vereador e o Índio me sacaneou. No dia da convenção levei dois ônibus cheios de gente e na hora da apuração dos votos, para saber quais seriam os candidatos do partido, ele disse que não dava para apurar os votos naquele dia, porque estava muito tarde. “Vamos guardar as urnas no Comando Geral e amanhã a gente apura”. No outro dia, não me avisaram a hora da apuração e quando cheguei ao partido, disseram que eu não havia alcançado o coeficiente necessário para ser candidato. Levei 80 pessoas em cada ônibus o que daria 160 votos e me apresentaram um resultado a meu favor, de apenas 50 votos. Tive certeza que garfaram meus votos.
Zk – Para encerrar?
Sardinha – Hoje desempenho meu trabalho em benefício do meu Estado. Não sou filho de Rondônia, mas me considero rondoniense porque ajudei a criar esse Estado. No próximo domingo, dia 28, pretendo inaugurar o escritório da minha empresa no bairro Lagoinha 2. Nossa especialidade é drenagem e construção de galerias. Contato 9 9381-8585 Construtora Cruz.

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