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quarta-feira, 28 de junho de 2017

A desconhecida Gemologia

A desconhecida Gemologia

Muito antes do tempo dos Faraós, o homem já descobrira métodos, bem elaborados, de substituir a pedra preciosa e o ouro por imitações que, para a época, eram consideradas perfeitas. Com o passar dos séculos, tornou-se uma praxe necessária reis e conquistadores de impérios terem sempre em seus fabulosos reinos um mago alquimista que possuísse poderes e detivesse a sabedoria da ciência para que, com seus complicados métodos científicos, fosse capaz de desvendar as mais complicadas reações da natureza e distinguir, dentre os tesouros conquistados, o que realmente era precioso.
Para termos idéia da incansável busca do homem pela fórmula capaz de dominar a natureza, ou de pelo menos tentar reproduzi-la, Auguste Louis Verneuil em 1894, observou que fundindo óxido de alumínio (Al2O3) em temperatura elevada, similar à exercida pela terra em seu subsolo, poderia daí obter um resultado extraordinário – O Corindon Sintético – que seria a notícia mais revolucionária da época para o setor joalheiro. O sistema conhecido como "fusion", até os meados dos anos 40, era a mais perfeita "imitação" do rubi, capaz de passar desapercebido aos olhos dos mais experientes joalheiros europeus. Com isso, o mercado de jóias e pedras preciosas na Europa entrou em pânico, obrigando o setor a tomar algumas atitudes, que se tornaram praxe do mercado joalheiro, até pouco tempo, de adquirir qualquer tipo de gema apenas dos comerciantes tradicionais que estavam  estabelecidos e conhecidos pelas suas "idas e vindas" das minas das pedras preciosas. Isso não foi o suficiente para conter a grande desconfiança que assolava o mercado joalheiro internacional, sendo criada então na Inglaterra, na década de 20, pelo British Goldsmith Union (Sindicato dos Ourives e Joalheiros da Inglaterra), a primeira escola de Gemologia. O efeito produzido no mercado por esses gemólogos – "magos", se comparados àqueles dos tempos medievais – foi o antídoto perfeito que se espalhou por outros países como os Estados Unidos (1931), onde foi criado o GIA – Gemological Institute of America – com seu revolucionário método de ensino à distância, difundindo a ciência da Gemologia para centenas de milhares de "magos" de diversas nações. Em seguida foi a vez da Alemanha, URSS, Hong Kong, Japão, Bélgica, entre outros.
Hoje, mais de 100 anos depois de Verneuil, as coisas se complicaram bastante para nós gemólogos, pois ao contrário daquele rubi sintético produzido de forma muito rudimentar e de fácil identificação, os russos, suíços, japoneses e americanos desenvolveram, utilizando a mais alta tecnologia, rubis, safiras, esmeraldas, diamantes, quartzos de todas as cores imagináveis, sem contarmos com os materiais denominados "de imitação" tornando-se assim cada vez mais complexas as técnicas exigidas para separar o "joio do trigo".
A Gemologia, contudo, é um instrumento fabuloso para manter a segurança e a confiança exigida pelo mercado joalheiro, porém, no Brasil, poucos ainda detêm o conhecimento necessário para se intitularem "gemólogos". O mercado deve ficar atento com aqueles que, através de farta assimilação literária, assim se intitulam, principalmente no meio daqueles que possuem carência e insegurança de informações mercadológicas.
Os gemólogos devem possuir, além de aparelhos técnicos (e saber manejá-los com destreza), grande experiência de mercado, pois somente a árdua manipulação diária de centenas de pedras naturais, sintéticas e imitações poderão dar subsídio e conhecimento necessário para o diagnóstico de uma gema sintética ou natural, em apenas alguns minutos. Aos olhos do leitor, talvez a inexperiência do profissional não pareça de suma importância, porém, no momento de identificar e assegurar ao cliente através de um documento (certificado) que tal gema não é o diamante, ou rubi, ou safira, ou esmeralda, ou alexandrita de US$80.000 que parecia ser e sim uma Moissanita, ou outro material qualquer de apenas US$1.500, teremos que recorrer – além da experiência prática - a todos os nossos embasamentos conceituais e tecnológicos disponíveis, pois por qualquer deslize, o prejuízo de uma das partes poderá ser imensurável.
Antigamente - voltando aos tempos medievais - se os magos emitiam uma opinião errada que levava a sua Majestade a assumir prejuízos, eram condenados à decapitação. E hoje? O que aconteceria?? Ao gemólogo, na melhor das hipóteses, caberia interpretação do poder judiciário. Quanto ao cliente, a certeza de ter sido lesado, assumindo provavelmente um prejuízo milionário, que talvez fosse descoberto somente muitos anos mais tarde...


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