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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Minério volta a subir, mas projeção para o ano é de baixa

Minério volta a subir, mas projeção para o ano é de baixa


Após tocar o menor valor em praticamente um ano, o minério de ferro já acumula quatro dias consecutivos de alta. Ontem, os preços da commodity com pureza de 62% subiram 1% no porto chinês de Qingdao, atingindo US$ 56,30 a tonelada, segundo a “Metal Bulletin”. Mesmo assim, no mês ainda acumula queda de 1,3%, e no ano, recuo de 28,6%.
Por conta da rápida queda que levou o insumo da máxima de quase US$ 95 no fim de fevereiro para menos de US$ 60 em junho, o Citi cortou suas projeções. Agora, o banco aguarda média de US$ 61 em 2017, contra US$ 70 anteriormente. Até agora, a cotação média do minério encontra-se em US$ 75,40. Além disso, no último trimestre a instituição crê em patamar de US$ 48, bem abaixo dos US$ 60 projetados antes.
A maioria dos bancos e corretoras, contudo, espera nível mais alto no fim deste ano, próximo a US$ 55. Para a média do ano, as previsões apontam US$ 64.
“O mercado prestou pouca atenção à curva de custos do minério de ferro no último ano, com grandes produtoras gerando lucros mesmo abaixo do preço à vista”, comenta o Citi em relatório. “Nossa curva de custos sugere que o preço terá de cair abaixo de US$ 45 por tonelada para causar redução significativa no mercado transoceânico.”
O motivo para a guinada na direção prevista para a commodity reside na visão de que o uso de capacidade siderúrgica na China – maior compradora de minério no mundo -, para atender uma forte demanda por aço, chegou a seu pico. O banco ainda enxerga, também, maior acúmulo de estoques nos portos locais ao menos até meados do segundo semestre.
No segundo trimestre, a commodity acumula média de R$ 202,28, 24,6% abaixo do primeiro trimestre
Além disso, o relatório lembra que a tendência se mostra de encolhimento dos prêmios pagos por um minério de alta qualidade, o que ajuda a derrubar a cotação do produto com teor de 62%.
A mudança nas previsões afeta diretamente a Vale, maior produtora. O analista Alexander Hacking, que acompanha a mineradora no Citi, reviu seus cálculos e decidiu cortar as estimativas de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês). Sobre os números de 2017, essa diminuição foi de 18%, para US$ 12,97 bilhões. Para 2018, o corte foi de 12%, para US$ 10,48 bilhões.
Se tudo mais for mantido – preços dos metais não ferrosos, por exemplo -, e o os preços do minério de ferro permanecerem em nível próximo a US$ 54 como agora, a Vale ainda poderia registrar Ebitda de US$ 12,15 bilhões no ano que vem, estima o Citi. Com a commodity valendo US$ 60, o índice gerencial saltaria para US$ 14,39 bilhões.
Como em boa parte do segundo trimestre o real permaneceu mais forte em relação ao dólar – tendo enfraquecido mais recentemente, com o aumento da turbulência política -, em um momento no qual a cotação do minério caía ladeira abaixo, é possível que a média do período fique praticamente no mesmo nível observado nos mesmos meses de 2016.
Até ontem, o minério registrou média de R$ 202,28, 24,6% abaixo do primeiro trimestre e crescimento de apenas 4,2% na comparação anual. Importante ressaltar, contudo, que a formação de preço da Vale considera uma tríade de preços passados, mercado à vista e projeções.
Fonte: Valor / Portos e Navios

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