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quarta-feira, 7 de junho de 2017

PÉROLAS 2ª parte - Breve histórico    


PÉROLAS2ª parte - Breve histórico               



As pérolas estão presentes com destaque em muitas culturas desde os mais remotos tempos da Humanidade, por seu fascínio e características únicas. Muito contribuiu para esta longínqua admiração o fato de que estas gemas são utilizadas em seu estado natural, não necessitando que o Homem as aprimore para revelar sua beleza. Por esta razão, são simbolicamente consideradas um presente da Natureza.
Nunca se saberá quem teve o privilégio de vê-las pela primeira vez nem onde, mas provavelmente tratava-se de alguém em busca de alimento ao longo de algum rio ou orla marítma. Curiosamente, algumas cuturas tinham tanto ou mais apreço pelas conchas que pelas próprias pérolas.

Até onde sabemos, as mais antigas evidências arqueológicas de pérolas têm aproximadamente 6.000 anos e foram encontradas na região do Golfo Pérsico, onde os mortos eram, em algumas ocasiões, enterrados com uma pérola disposta em uma de suas mãos.
Os mais antigos manuscritos hoje conhecidos com menção às pérolas são chineses e datam de aproximadamente 2.350 A.C.. Há uma ode às pérolas de autoria de Confúcio e testemunhos de aproximadamente 1.000 anos dando conta da popularidade de figuras do Buda recobertas por nácar.
As antigas culturas do Oriente Médio, Índia e Pacífico Sul parecem ter sido as que primeiro admiraram e utilizaram as pérolas como adorno, provavelmente devido à proximidade com as principais fontes históricas desta gema, respectivamente o Golfo Pérsico, o Estreito de Manaar - localizado entre Índia e Sri Lanka - e as Ilhas da Polinésia Francesa. Segundo o historiador romano Plínio, o Estreito de Manaar era, em seu tempo, a mais importante fonte de pérolas.
O interesse pelas pérolas disseminou-se pelo Mediterrâneo durante os Impérios Romano e Bizantino a ponto de, ainda por volta de 100 A.C., ter-se já convertido em moda.

Par de brincos com pérolas cultivadas Mabe (à esquerda)
Fotografia: Luiz Antônio Gomes da Silveira
À medida que as antigas rotas comerciais entre a Ásia e a Europa gradualmente se expandiam e que os cruzados passaram a trazer estas gemas do Oriente, seu uso difundiu-se também pelo restante da Europa a partir do século XI.
Com o passar dos anos, Lisboa e Sevilha tornaram-se os maiores centros europeus de comercialização de pérolas provenientes do Golfo Pérsico, Índia e Caribe.
Nas Américas pré-colombianas, sabe-se que Incas e Astecas tinham grande apreço pelas pérolas por sua beleza e supostos poderes mágicos. Colonizadores relataram ter encontrado nativos do Novo Mundo de posse de formidáveis peças confeccionadas com pérolas. Entre eles, acredita-se que os norte-americanos das regiões próximas à costa do Atlântico e dos leitos dos rios Mississipi, Tennessee e Ohio tenham sido os primeiros a coletá-las e utilizá-las.
O Golfo Pérsico e sobretudo a costa de Bahrain, foi a principal fonte de pérolas durante mais de 2.200 anos, de aproximadamente 300 A.C. até meados do século XX.
Além das já citadas, outras importantes fontes históricas de pérolas naturais são o Mar Vermelho, Golfo de Oman, costas noroeste, norte e nordeste da Austrália, costa sul de Mianmar, Venezuela (Ilha Margarita), México, Golfo do Panamá, Colombia, China, Filipinas, Papua-Nova Guiné, Bornéu e Japão.
As principais fontes históricas de pérolas de água doce são os rios da Europa, sobretudo da Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda e França; e a América do Norte, particularemente os EUA, onde se destacam o rio Mississipi e seus afluentes.
Século XX e primeira década do século XXI
Nas primeiras décadas do século passado já era notório o declínio da produção de pérolas no Golfo Pérsico devido ao esgotamento da população de ostras produtoras causado pela coleta indiscriminada.
A situação se agravou com a Grande Depressão de 1929, a descoberta dos campos de petróleo na região e os consequentes danos ambientais de sua exploração, alterarando drasticamente o panorama mundial desta gema. Grande parte da mão-de-obra antes empregada no mergulho para coleta de pérolas deslocou-se para a indústria do óleo, mais estável e segura.
O advento das técnicas de cultivo de pérolas ocorreu em um momento crítico de indisponibilidade de pérolas naturais e, com o passar dos anos e seu aprimoramento, a oferta de cultivadas se sobrepôs largamente à de naturais, alterando para sempre o mercado de pérolas.

Modelo usa peças com pérolas cultivadas
Fotografia: Cibele Andrade Joias
Quase nada restou da atividade de mergulho para coleta de pérolas, hoje restrita a colecionadores amadores ou caçadores de tesouros. A atua produção de pérolas naturais é desprezível, de modo que os exemplares disponíveis geralmente fazem parte de patrimônios ou coleções particulares.
As pérolas naturais são hoje em dia, possivelmente, mais raras que em qualquer outro período da História, causando a valorização dos ítens de muito boa qualidade, adquiridos praticamente apenas por colecionadores ou connoisseurs, bem como por cidadãos de culturas que conferem especial valor às pérolas naturais, como é o caso daqueles de diversas nações árabes.
Fontes:
ANDERSON, B. W.: Gem Testing.

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