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sábado, 22 de julho de 2017

Na Nova Zelândia, uma batalha entre o sagrado e 8500 quilos de ouro

Na Nova Zelândia, uma batalha entre o sagrado e 8500 quilos de ouro


Descobrir ouro numa área protegida é, à partida, uma garantia de conflito entre uma empresa mineira e os activistas da defesa da natureza. O caso que agora envolve o desfiladeiro de Karangahake, na Nova Zelândia, e a empresa New Talisman Gold Mines não é excepção. A comunidade local está a protestar contra os trabalhos de mineração previstos para esta área de grande riqueza natural, visitada anualmente por milhares de turistas nacionais e estrangeiros.
É que, segundo o diário britânico The Guardian, a New Talisman revelou na semana passada ter encontrado um filão de ouro no desfiladeiro no valor de dezenas de milhões de dólares neozelandeses (hoje cotado a 0,63 euros) – 8500kg de ouro da mais elevada qualidade. O director de operações da empresa, Wayne Chowles, já veio dizer que a New Talisman tenciona começar a extrair pequenas quantidades daquele metal precioso no início de 2018, o que gerou de imediato protestos da comunidade local.
O desfiladeiro de Karangahake, que fica em terras que pertencem ao Estado, a hora e meia de carro de Auckland, a maior cidade do país, é muito popular devido à sua beleza natural e à riqueza da sua história. Fica na ponta sul da península de Coromandel, na ilha Norte, e é considerado sagrado pela comunidade indígena local.
“O Governo e o departamento de conservação falharam na protecção desta terra que é um tesouro”, acusa um dos membros do grupo de protesto Protect Karangahake, Ruby Janel Powell, uma organização cívica que tem intensificado as suas acções no desfiladeiro na última semana, mas que há anos se bate pela sua preservação.
“Esta é uma área recreativa muito popular e a fonte de água local vem da mina”, continua Powell, explicando ao Guardian as principais razões dos protestos em relação ao projecto da New Talisman, empresa com a qual a comunidade já não mantém qualquer tipo de comunicação. “No geral a nossa cultura e a nossa economia estão profundamente ligadas ao ecoturismo e à vida ao ar-livre na região de Coromandel. A mineração ameaça tudo isso”, diz.
No site do grupo são muitas as mensagens que revelam a indignação de todos os que procuram defender aquela área protegida.
“Não interessa a quantidade de ouro que eles encontraram. Isso não alterará o facto de os neozelandezes estarem a ser expulsos de terra protegida para que alguns, poucos, possam lucrar com ela”, diz outro membro da comunidade local, Susan Durcan, referindo-se à área que a empresa delimitou, fechada com um portão. “O desfiladeiro de Karangahake é um dos sítios mais populares da Nova Zelândia – o que é que esta situação diz aos nossos visitantes estrangeiros sobre a forma como valorizamos os nossos recursos naturais?”, questiona.
Catherine Delahunty, ambientalista e deputada pelos Verdes, está entre os que combatem activamente os projectos de mineração em áreas protegidas em todo o país. “Nos territórios de uma reserva não devia haver portões, arame farpado e seguranças a proteger indústrias tóxicas”, defendeu.
O director de operações da New Talisman diz que não há motivos para preocupações, já que a exploração será feita afectando “apenas” meio hectare e trará grandes benefícios à região, sem “perturbar de forma significativa a paz e a beleza do desfiladeiro”. A empresa está a trabalhar, explicou ainda, usando estruturas mineiras pré-xistentes (houve minas na região entre 1892 e 1992). A realidade, contrapõe a activista Ruby Janel Powell, é que as minas de ouro dão muito dinheiro a ganhar a muito poucas pessoas.
Em 2009, a empresa recebeu do Governo neozelandês uma licença de exploração no desfiladeiro até 2034. É por isso que a comunidade local enfrenta agora grandes dificuldades para travar o projecto. Lembra o Guardian que na Nova Zelândia é permitido explorar minas em áreas naturais, desde que se tenha autorização para tal. A New Talisman tem. Até Maio, eram 43 as minas a operar em zonas protegidas no país.
Fonte: Publico.PT

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