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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Desafio maior de aumentar a capacidade produtiva

Desafio maior de aumentar a capacidade produtiva
Morro de Ouro é uma mina de ouro da canadense Kinross a céu aberto, em Paracatu (MG). Ela tem o menor teor aurífero do mundo – com uma média de 0,40 gramas de ouro por tonelada de minério. Por conta disso, a empresa investe permanentemente em tecnologias de extração que otimizem suas operações – e assegurar níveis médios de produção de até 15 t/ano de ouro. O local compreende ainda uma usina de beneficiamento e uma área para disposição de rejeitos em barragem.
 
 
A área total da mina é de 686 ha e ela entrou em operação em 1987. Há mais de 4 mil pessoas trabalhando na planta. Em 2015, o investimento total no empreendimento foi de R$ 258 milhões, principalmente com aquisições de equipamentos operacionais para melhorar a performance.
 
 
Houve investimento relevante também no sistema de reprocessamento e bombeamento da barragem de rejeito. O processo na Mina do Ouro é relativamente comum em tratamento de minérios e para beneficiamento do ouro, segundo a Kinross. “Para compensar o baixo teor de ouro (0,450 g/t em 2016), a empresa trabalha com uma alta taxa de alimentação”, conta Getúlio Gomes de Oliveira Junior, gerente de Desenvolvimento Tecnológico da empresa.
 
 
Assim, a Morro do Ouro tornou-se uma das maiores minas do Brasil em termos de movimentação. Em 2016 a alimentação da planta foi de 47 milhões t. “É muito alto comparado com outras mineradoras”, afirma Getúlio.
 
 
O processo tem início com desmonte com uso de explosivos. Após, é feito o carregamento. Na usina, se realiza a britagem inicial do material e, em seguida, o minério é transportado em uma correia de longa distância, que alimenta o moinho SAG. “A moagem semi-autógena (SAG) tem a flexibilidade de tratar vários tipos de minérios, além de ser o processo de cominuição adequado aos minérios que possuem alta dureza”, relata o gerente.
 
 
Depois, o material alimenta quatro moinhos de bolas “que reduzem o material a granulometrias para o processo seguinte, o de flotação, no caso de Paracatu”, expõe.
 
 
A próxima etapa é o processo de flotação Rougher e Cleaner, onde se tem a concentração do ouro, seguida da remoagem e lixiviação em tanque com adição de carvão e cianeto. “O maior desafio da operação é aumentar cada vez mais a taxa horária (capacidade produtiva), para minimizar o impacto do menor teor”, afirma Getúlio. “Para manter a receita de produção é necessário manter a taxa horária. O minério está endurecendo e com menores teores. Como o teor muito baixo, qualquer grama de ouro perdida é uma grama não recuperada”.
 
 
Este ano, a Kinross estará investindo na operação do circuito de bombeamento do rejeito da Barragem Santo Antonio (projeto denominado PSAT – Processing Santo Antônio Tailings), onde fará a recuperação de parte do ouro que foi depositado ao longo de quase 30 anos de operação continua. “Temos também a instalação de uma correia transportadora para direcionar o chamado pebbles (carga circulante do SAG) para a britagem da Planta 1”, cita Getúlio apontando outro investimento a ser feito na planta.
 
MELHORIAS
 
Dois projetos desenvolvidos recentemente na mina Morro do Ouro, da Kinross, ganharam o Prêmio de Excelência da Indústria Minero-metalúrgica Brasileira darevista Minérios & Minerales. Um deles refere-se à melhoria do trabalho de desmonte de rochas com explosivos.
 
 
O volume de rocha desmontado em 2014 na mina foi de 60 milhões t, onde demandou-se 960.000 m de perfuração de rocha com diâmetro de 6.3/4”, numa frota composta por quatro perfuratrizes. Ressalta-se que um grande desafio na mina da Kinross em Paracatu é realizar detonações de grande porte muito próxima à comunidade, a uma distância média de 1 km - em alguns casos, até 500 m. Visando ao mínimo impacto para a comunidade, estas detonações necessitam de um controle extremo relacionado à vibração, poeira e ruído.
 
 
Uma etapa indispensável para que se tenha um desmonte de rochas com explosivos e com alta qualidade é
a perfuração da rocha. Quanto mais precisa e com menor perda de furos, maior é a distribuição energética e a eficácia do explosivo na rocha, aumentando o grau de segurança e gerando ganhos para a cadeia produtiva.
 
 
Um amplo trabalho de mapeamento de perdas de furos para desmonte de rochas com explosivos foi realizado no site, com o objetivo de identificar os motivos das perdas de furos nesta operação.
 
 
A etapa seguinte foi a de representar numericamente este cenário através de gráficos no formato de Pareto, nos quais se evidenciaram as maiores perdas. A partir daí, e com o apoio e conscientização de todo o time previamente mobilizado, foi gerado um plano de ação para a redução das perdas de furos, representando
uma economia de custo operacional de R$ 808 mil (2014).
 
 
O outro trabalho abre a possibilidade de reprocessamento de rejeitos de lixiviação de ouro retirados de depósitos. Para que o ouro seja novamente lixiviado, pré-tratamentos devem ser feitos, como pré-aeração para oxidação de sulfetos, além de correção de pH com soda cáustica e/ ou cal hidratada, sugere o estudo. Testes de laboratórios aqui e no exterior suportaram o projeto de pesquisa.
 

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