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domingo, 30 de setembro de 2018

Diamantes do médio rio Jequitinhonha, Minas Gerais: qualificação gemológica e análise granulométrica

RESUMO
Os depósitos aluvionares da bacia do Rio Jequitinhonha, em Minas Gerais, constituíram a fonte da maior parte dos diamantes produzidos no Brasil desde 1714 até meados da década de 1980. Essa importância histórica e econômica motivou a apresentação dos dados quanto à granulometria e qualificação gemológica dos diamantes nas áreas de concessão das mineradoras Tejucana e Rio Novo. Em adição, a amostragem adquirida em 14 pontos ao longo do rio é instrumental para a composição de um banco de dados, tendo em vista a identificação da origem de populações de diamantes. No mega-lote estudado, constituído por 186.052 pedras (17.689 ct), merece ser destacada a grande proporção (82,2%) de diamantes gemológicos.
Palavras-chave: Rio Jequitinhonha, diamante, distribuição granulométrica, qualidade gemológica.

ABSTRACT
The Jequitinhonha River basin alluvial deposits, in Minas Gerais, were the source of most of the Brazilian diamond production since 1714 until the last middle eighties. This historical and economical importance is in itself a reason to publish grain-size and gemological quality data concerning the diamonds of the Tejucana and Rio Novo mining companies concession areas. In addition, extensive sampling (186,052 stones or 17,689 ct) on 14 locations along the river can contribute to create an important database to identify the origin of different diamond populations. Among other observations, the high proportion (82,2%) of gem diamonds should be stressed.
Keywords: Jequitinhonha River, diamond, grain-size distribution, gemological quality.



1. Introdução
Diamantes foram descobertos no Brasil nas proximidades de Diamantina, centro-norte de Minas Gerais, ao início do século XVIII. Nesse contexto, a bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha se destaca por sua importância, não só histórica, como também comercial, uma vez que a maior parte dos diamantes daquele distrito foram produzidos sobre tal bacia, nas suas porções superior e média. No médio curso do rio Jequitinhonha, os aluviões são mais largos, permitindo a operação de grandes dragas de alcatruzes, como as das mineradoras Tejucana e Rio Novo, ao contrário do que ocorre no seu alto curso. O objetivo do presente trabalho é apresentar os dados quanto a granulometria e qualidade comercial referentes à produção de diamantes do Médio Jequitinhonha. Além disso, busca-se compor um banco de dados que apóie o desenvolvimento de um modelo para a identificação da origem de diferentes populações de diamantes.

2. Depósitos diamantíferos do rio Jequitinhonha
Na porção superior do rio Jequitinhonha, os vales são apertados, freqüentemente formando canyons entalhados sobre as rochas quartzíticas da serra do Espinhaço. Nessa área, como a largura dos aluviões raramente excede os 20 m, somente atividades garimpeiras são viáveis. A partir da localidade de Mendanha (Figura 1), o rio ganha o seu médio curso, desenvolvendo aluviões mais largos, muitas vezes com o flat alcançando 1.000 m de largura, onde as companhias Tejucana (atualmente com os serviços interrompidos) e Rio Novo operam diversas dragas de alcatruzes, acompanhadas, respectivamente, de dragas de sucção (Figura 2). No processo minerador, a draga de sucção segue à frente retirando o capeamento arenoso, estéril, enquanto a draga de alcatruzes, em seguida, escava, recolhe e trata o cascalho basal do depósito, rico em diamantes (ouro também é recuperado como subproduto).




A lavra de diamantes aluvionares do rio Jequitinhonha abrange exclusivamente sua calha atual, de idade recente a sub-recente. A fonte desses diamantes está concentrada nos conglomerados proterozóicos intercalados na Formação Sopa-Brumadinho, aflorantes em porções altas da serra do Espinhaço nas cabeceiras do rio e sua margem oeste (Figura 1), constituindo, assim, um novo ciclo geológico de erosão-deposição. A forte queda no gradiente do rio, com altitudes entre 1.200-1.500 m no espigão serrano para 700-600 m na área da jazida, fez com que os diamantes fossem reconcentrados nesse trecho aluvionar estudado (Figura 3-A). Na área de concessão da Mineração Rio Novo, mais ou menos na parte central do depósito (em termos longitudinais), a espessura média do cascalho mineralizado é de 4 m, para uma cobertura estéril que, em geral, alcança porte similar (Figura 3-B).



3. Identificação da fonte de lotes de diamantes
Desde quando foi percebido que a produção diamantífera de certos países africanos, como Angola, Serra Leoa e Congo, estava atrelada ao financiamento de grupos engajados em guerras civis locais (os chamados conflict diamonds, também conhecidos em português como "diamantes-de-sangue"), uma campanha internacional patrocinada pela ONU tem procurado impor sanções à importação de material desses países. Além disso, a comunidade consumidora, sentindo-se moralmente abalada por tais acontecimentos, estimulou a pesquisa de propostas científicas visando a conhecer a real procedência dos lotes de diamantes, para evitar que essa produção chegasse aos grandes centros lapidadores. Entretanto, logo ficou claro que inexistiam metodologias científicas seguras capazes de identificar tal procedência (Janse, 2000; Shigley, 2002).
Desde longa data se tem percebido que diferentes depósitos diamantíferos, desde os primários, mostram particularidades específicas (Lewis, 1887). Nesse sentido, as médias de tamanho, valor ou qualidade gemológica, a freqüência relativa de formas cristalográficas, a presença de certas variedades, bem como outras propriedades químicas afins, poderiam ser relacionados com certos depósitos ou áreas diamantíferas. Estudos nesse sentido foram inicialmente propostos para alguns kimberlitos sul-africanos (Harris et al., 1975, 1979), norte-americanos (Otter et al., 1994) e para os pláceres costeiros da Namíbia (Sutherland, 1982). No Brasil, estudos semelhantes incluíram os diamantes da mina de Romaria - Triângulo Mineiro (Svisero & Haralyi, 1985), do rio Tibagi - Paraná (Chieregatti, 1989) e da serra do Espinhaço - norte de Minas Gerais (Chaves, 1997; Chaves et al., 1998).
Diversos autores (Chambel, 2000a,b; Chaves et al., 1998; Janse, 2000; Shigley, 2002) procuraram enfatizar que os diamantes de determinado depósito têm uma história geológica comum e, assim, devem possuir características que são "únicas" para cada depósito. Documentando tais características, elas poderiam conduzir à identificação do local de origem do lote de diamantes. Para isso, entretanto, precisa-se envolver análises estatísticas sobre populações de diamantes com grande número de indivíduos e os resultados precisam de ser compilados dentro de um programa de dados para cada área produtora de diamantes do mundo. Tal assinatura mineralógica, ainda que bastante fácil de se obter nas jazidas em fontes primárias, torna-se mais complicada em relação aos depósitos secundários, muitas vezes dispersos sobre grandes regiões. A apresentação dos dados referentes aos aluviões do rio Jequitinhonha pretende ser uma contribuição a tal proposta.

4. Discussão dos dados
Na área da Cia. Tejucana, os dados utilizados, no presente estudo, compõem-se de 14 parcelas correspondendo à produção mensal de cinco dragas (T1-T5), quando em plena operação nas décadas de 1980-90 (Figura 1, Tabela 1). Tal produção foi classificada originalmente pelos técnicos dessa companhia em termos granulométricos e comerciais, nos quatro grupos principais: (1) diamantes gemológicos de 1ª qualidade, (2) diamantes gemológicos de 2ª qualidade, (3) chips e (4) diamantes industriais. Os chips correspondem a diamantes de qualidade gemológica inferior, por apresentarem cristalização irregular ou geminada (Chaves & Chambel, 2003). Nesse trabalho, os diamantes de melhor qualidade (1ª/2ª) foram agrupados constituindo os diamantes "gemas", conforme referido nas Tabelas 3, 4 e 5.
Em relação aos estudos realizados na área de concessão da Mineração Rio Novo, somente duas amostragens foram utilizadas (janeiro e junho/1994), referentes a cerca da metade da produção mensal em porções distintas do setor de lavra conhecido como "Lagoa Seca" (jusante e montante), um distando do outro cerca de 1.000 m (Figura 1). Tal produção era proveniente de uma das duas dragas em operação pela companhia ("Maria Bonita"), pois, desde 1989, a mesma trabalhava também com a draga "Chica da Silva" (ou T1), adquirida da Mineração Tejucana. Para melhor entendimento das análises fornecidas, o trecho estudado do rio Jequitinhonha foi ainda dividido em dois setores, designados de "bloco montante" e "bloco jusante".
Há que se lamentar a falta de dados entre as localidades de Mendanha e Maria Nunes, onde os teores com certeza foram maiores por estarem logo à frente do espigão serrano (Figura 1). Sem dúvida, nesse trecho do rio Jequitinhonha, os serviços estavam concentrados na época da Coroa Portuguesa, a julgar pelos relatos de Mawe (1812) e Eschwege (1833). Com os dados fornecidos na Tabela 1, a impressão inicial é de que não existe correlação entre a distribuição das médias de peso/tamanho das pedras com o distanciamento de montante para jusante. Ainda que se verifique uma drástica diminuição desses valores desde o ponto 1 (resultando em 3 pedras para cada quilate) até o ponto 14 (19 pedras/ct), nos pontos intermediários os dados apresentam-se aparentemente caóticos.
Dessa maneira, poder-se-ia, em princípio, deduzir que as distribuições granulométricas, bem como os teores em diamantes, são bastante variáveis, provavelmente em dependência do posicionamento das cabeceiras dos tributários da margem esquerda do rio (Tabela 1 - Coluna 5). Produções (e teores) maiores determinariam o quanto de superfície tal sub-bacia teria drenado áreas de afloramento do Conglomerado Sopa. Entretanto, juntando-se os dados para trechos maiores do rio, conforme a coluna 6 da mesma tabela, observa-se uma notável regularidade na diminuição das médias de tamanho das pedras, desde 5,17 pedras/quilate na área de lavra da T3 - no início do bloco montante, até 19,36 p/ct na área da T4 - ao final do bloco jusante.
Em termos de granulometria (Tabela 2), a faixa preferencial, em função do peso dos diamantes (a qual se considera como a melhor maneira de se interpretar os dados), está concentrada no crivo [>12 <19], a qual inclui diamantes de peso médio de 0,33 ct, com a média geral de 35,3%. Interessante lembrar que tal classe, conhecida no meio comercial como 3/1 (três pedras por quilate), apresenta valores médios bastante apreciáveis de comercialização, pois ela é largamente utilizada na confecção de brilhantes de pequeno porte (@0,10 ct), os mais procurados em termos de "volume" de vendas em joalherias.
Em relação às qualidades gemológicas dos lotes (Tabelas 3, 4, 5), algumas observações se destacam: (1) em função do peso, a classe de granulometria [>12 <19] também apresenta amplo predomínio em termos de diamantes gemológicos de alta qualidade, variando entre 19,6-31,0%, com média de 26,5% para este crivo nos sete pontos do bloco montante, e 10,1-27,8% no bloco jusante (média de 20,2%); (2) a média total de diamantes lapidáveis (gemas + chips) atingiu o máximo de 93,5% (Ponto 3 - bloco montante), com média geral de 82,2% sobre o "mega-lote" (todos os 14 pontos), pesando 17.689 ct, com 186.052 pedras.

5. Considerações finais
As mineradoras Tejucana e Rio Novo representam raríssimas excessões no cenário nacional, no sentido de operações racionais e organizadas de lavras diamantíferas. O estudo dos dados de produção dessas empresas, por conseguinte, constitui uma excelente oportunidade de se trabalhar com dados precisos e confiáveis, para uma atividade em geral desorganizada e dominada por atividades garimpeiras. Ressalte-se também o fato de que ambas as mineradoras estão com suas reservas à beira da exaustão, tornando o estudo ainda mais premente. As populações de diamantes, ora estudadas, serão ainda úteis na criação de um grande banco de dados, visando a conhecer a proveniência geográfica de lotes de diamantes através de suas características mineralógicas.
Os diamantes do Médio Jequitinhonha, assim, embora de tamanhos médios bastante reduzidos e constituírem uma parcela ínfima da produção mundial (considerando uma produção mundial de 100.000.000 ct/ano e a produção do rio Jequitinhonha em 100.000 ct/ano - isto significaria 0,1% daquele montante), podem ser considerados bastante interessantes pelos seus conteúdos histórico e comercial. Afinal, a bacia desse rio foi por quase 160 anos, a maior produtora mundial de diamantes. Além disso, tal produção representa uma das maiores freqüências médias mundiais de diamantes gemológicos (82,2%, conforme demonstrado). Por isso, ainda atualmente a cidade de Diamantina constitui um importante pólo de comercialização de diamantes em termos internacionais.

6. Agradecimentos
Agradecimentos especiais são direcionados à Min. Tejucana na pessoa de seu diretor, Eng. Fernando Vieira (Diamantina), pelo acesso aos dados dessa mineradora e autorização para publicação dos mesmos, bem como à Min. Rio Novo e ao seu geólogo-chefe à época, Dr. Ronald Fleischer (Belo Horizonte), pelas facilidades e gentilezas prestadas.

Fonte: DNPM

Perspectivas: Semana tem reta final das eleições

Perspectivas: Semana tem reta final das eleições

Arena do Pavini - 30/09/2018 - 22:18
Por Arena do Pavini – Na reta final para o primeiro turno da eleição presidencial no domingo, dia 7 de outubro, a política seguirá dominando a atenção e os movimentos do mercado e investidores esta semana, a primeira do mês. Além das pesquisas eleitorais que devem sair a partir de segunda e terça-feira (Ibope, BTG Pactual e Datafolha), os candidatos participarão de debates hoje, na TV Record, e quinta-feira na rede Globo, num ambiente ainda de polarização entre o líder de intenção de votos, Jair Bolsonaro (PSL) e o  ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).
Ibovespa subiu 3,48% em setembro e dólar caiu 0,85%
Na semana passada, os mercados voltaram a ficar negativos por conta do cenário eleitoral, com possibilidade de vitória no segundo turno do candidato do PT, crítico das reformas da Previdência e trabalhista e do atual ajuste fiscal. O Índice Bovespa caiu 0,13% na semana, fechando em 79.342 pontos, mas ainda terminou setembro com alta, de 3,48%, acumulando no ano 3,85%. Já o dólar também caiu na semana, 0,02%, fechando acima de R$ 4,00, a R$ 4,04 para venda no mercado comercial. No mês, o dólar caiu 0,85%, mas ainda sobe 22,09% no ano.
Inflação oficial de setembro na sexta-feira
Na agenda econômica doméstica, o principal destaque, segundo analistas de bancos e corretoras, é a divulgação do índice oficial de inflação (IPCA) de setembro, na sexta-feira, para o qual se espera aceleração em relação ao mês anterior e em 12 meses, podendo, pela primeira vez desde março de 2017, ultrapassar ligeiramente a meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central. Serão conhecidos ainda dados da produção industrial de agosto, na terça-feira.
Já na segunda-feira saem outros dados importantes: desempenho da balança comercial de setembro, projeções do Boletim Focus, além de dados da Fenabrave sobre a venda de veículos. Na quinta-feira, a Anfavea divulga os seus números relativos a produção e vendas de veículos também do mês de setembro.
Eleições darão o tom para os mercados; mobilizações ampliam tensão
A reta final do primeiro turno da eleição para a Presidência da República, que ocorre no próximo domingo, 7 de outubro, com a realização de dois debates na TV, o fim da propaganda eleitoral, na quinta-feira, e a divulgação de pesquisas de intenção de voto, marcam a agenda política. A eleição de governadores, senadores e deputados (federais e estaduais) também estará nos centro das atenções, pois vão revelar o novo mapa político do País.
No pleito presidencial, o cenário de tensão política permanece, estendendo-se para fora do ambiente partidário. Aguarda-se, especialmente nos levantamentos dos institutos, os desdobramentos das manifestações organizadas por mulheres, dentro e fora do país, contra Jair Bolsonaro (PSL), realizadas no último sábado. Houve também manifestações a favor do candidato em várias capitais.
Em paralelo aos protestos, o militar reformado recebeu alta do hospital Albert Einstein. A expectativa é que os apoiadores de Bolsonaro, que também saíram às ruas no sábado, mantenham as mobilizações. Bolsonaro deve reforçar sua presença nas redes sociais, de olho nos levantamentos, e já sinalizou que pode participar do debate da TV Globo, na quinta-feira. Neste domingo, haverá o debate na TV Record, e tudo indica que sem a presença do líder das pesquisas.
Nova rodada de pesquisas
A divulgação das sondagens do Ibope, BTG Pactual e Datafolha vão estar no foco dos candidatos e partidos. Ontem, foi divulgado o levantamento MDA/CNT (Confederação Nacional do Transporte), apontando, pela primeira vez, o empate técnico entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) – 28,2% contra 25,2%.
Nesta segunda-feira, 1º de outubro, está prevista a divulgação de pesquisa do Ibope, encomendada pelo jornal O Estado de S.Paulo e pela TV Globo. Uma segunda pesquisa do Ibope será divulgada na quarta-feira, dia 3. Na terça-feira, está previsto o levantamento do Datafolha.
Haddad e a herança do lulismo
Isolado no segundo lugar, o candidato do PT deve ser o principal alvo de ataques em debates e entrevistas. O indicativo é de que manterá a conduta de apresentar as propostas de seu programa e de comparar os resultados dos governos anteriores do partido com os adversários.
Aliados de Alckmin devem se dividir no segundo turno
Diante das dificuldades de Geraldo Alckmin (PSDB) subir nas pesquisas e se credenciar para disputar o segundo turno, crescem as especulações de que os partidos da coligação poderão apoiar Bolsonaro contra Haddad. Com mais tempo de televisão e dois debates pela frente, Alckmin deve intensificar os ataques a Bolsonaro e Haddad.
As articulações em favor do candidato do PSL devem ficar mais claras na medida em que as pesquisas mostrem que o tucano não ampliou o seu eleitorado. Se não conseguir mesmo decolar, o ex-governador paulista corre o risco de terminar a eleição isolado e com perda de força política.
Sem carregar o peso do PSDB, mas prejudicado pela ascensão de Haddad, Ciro Gomes (PDT) deve continuar subindo o tom contra Bolsonaro e o PT. Marina Silva (Rede), por sua vez, sem estrutura de campanha, tende a usar os debates para tentar se diferenciar dos adversários e se manter no quadro político com alguma relevância.
Embate no STF sobre entrevista de Lula
O clima de disputa eleitoral ganhou um novo ingrediente na última sexta-feira: o desentendimento entre os ministros Luiz Fux e Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF) — fato que pode ter consequências nesta semana.
Uma liminar concedida por Lewandowski havia autorizado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a falar com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Mas Fux, atendendo a um pedido formulado pelo Partido Novo, proibiu Lula  de dar a entrevista. O episódio causou mal-estar na corte, segundo o noticiário do final de semana, além de matéria crítica do jornal, considerando a decisão como censura prévia à imprensa.
De olho em dados de emprego nos EUA
Externamente, o maior destaque de agenda fica com os dados do mercado de trabalho nos EUA, que saem entre quarta e sexta-feira, com projeções indicando, segundo a consultoria Rosenberg Associados, continuidade do nível elevado de geração de postos de trabalho e taxa de desemprego abaixo de 4%. O Banco Fator destaca que na quarta-feira deve sair a prévia da variação de emprego no setor privado (da empresa ADP) e, na sexta-feira, os dados oficiais do Payroll (que inclui setor público e privado) de setembro.
O economista-chefe e sócio da Modalmais, Alvaro Bandeira, lembra que muitos indicadores de conjuntura anunciados nos EUA na semana passada mexeram com os mercados, mas o principal evento foi a reunião do Fomc (Comitê de Mercado Aberto do Fed, Banco Central americano), com a decisão de elevar os juros básicos pela terceira vez no ano. As taxas subiram para patamar entre 2,0% e 2,25% ao ano, indicando que a economia está forte. A previsão de crescimento do PIB em 2018 subiu para 3,1% (ante 2,8%) e para 2,5% em 2019. A taxa de desemprego estimada para o ano ficou em 3,7%, e em 2019 cai para 3,5%.
Juros americanos devem ter mais uma alta no ano
Em entrevista coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a inflação está baixa e estável e a política fiscal de Donald Trump, de redução de impostos, impulsionando a economia, fazendo prever gradualismo de subida dos juros.  A projeção é de mais uma alta no ano e outras três em 2019. “Depois da fala de Powell, os mercados reagiram em queda, tanto nas bolsas como câmbio e juros”, assinala Bandeira. “Em termos de indicadores, a terceira leitura do PIB americano do segundo trimestre trouxe expansão de 4,3% e inflação medida pelo PCE (deflator de gastos com consumo) em 2,0% e núcleo em 2,1%.”
Guerra comercial  EUA X China avança
Analisando o cenário global ao longo do mês, a equipe do Banco Fator destaca que a guerra comercial entre os EUA e a China andou mais alguns passos. Em 14 de setembro, Trump oficializou a implementação de tarifas sobre as importações de produtos chineses equivalentes a US$ 200 bilhões por ano. A China,  por sua vez, anunciou que iria retaliar, sem informar valores, e registrou queixa na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a medida americana.
Até a última semana de setembro, o dólar perdia força em relação às demais moedas fortes, mas a alta da taxa básica de juros americana puxou a moeda no final do mês. A bolsa de Nova York, com o anúncio de Trump sobre a guerra comercial contra a China e o forte resultado do PIB no segundo trimestre, reverteu a tendência de baixa, mas encerrou o mês de lado.
Brexit ainda sem solução e libra cai
Na Europa, lembram os analistas do banco em seu relatório, o Brexit continua sem solução. Representantes dos membros da União Europeia negaram os termos da proposta de Theresa May para organizar a saída do Reino Unido do bloco, enquanto a primeira ministra reclamou que não houve explicação por parte dos ex-parceiros, nem contraoferta, e ameaçou que o Brexit pode ocorrer sem ajustes. Nesse cenário, a libra seguiu caindo diante dos prejuízos econômicos que o Brexit trará para os britânicos.
Crise na Argentina é destaque entre emergentes
Entre os países emergentes, a crise na Argentina continuou em destaque ao longo do mês, enfatiza relatório do Fator. Nos últimos 30 dias, o peso argentino depreciou 23,8% frente ao dólar; Na sexta-feira, o Banco Central da Argentina subiu novamente os juros, de 60% para 65% ao ano. O quadro mostra ainda recessão na África do Sul, alta nos juros na Turquia e apreensões com as eleições no Brasil. Apesar das tensões domésticas, o dólar mais fraco diante das demais moedas fortes e a alta das commodities possibilitaram a recuperação de algumas moedas emergentes e queda dos riscos.
No Brasil, ressalta a equipe Fator, aproveitou-se a janela para os emergentes e o real ficou em terceiro entre as maiores apreciações cambiais de moedas semelhantes do mês, com alta de 2,49% sobre o dólar. “As notícias políticas pesaram menos do que o cenário externo”, afirma o relatório, avaliando que a alta de Haddad já estava prevista. O otimismo com Bolsonaro estabilizou. Os juros caíram e a bolsa fechou o mês em alta, aproveitando a alta do petróleo.
Política monetária no Brasil: fim era dos juros baixos
Ainda na avaliação do Fator, após manter a taxa Selic (juro básico da economia) em 6,5% ao ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) mostrou em ata que a época de “juros baixos” está acabando. Em resumo, a taxa de juros real estaria em terreno estimulativo, mas as expectativas de inflação estão mais perto de desviar das metas para cima do que para baixo.
Também analisando a ata do Copom, Bandeira destaca que os sinais são de que a economia brasileira se recupera aquém do esperado, com incertezas que rondam tanto no ambiente interno como externo, trazendo assimetrias. “A leitura foi que o Copom está pronto para iniciar a elevação dos juros, possivelmente começando já em outubro, caso as respostas da economia sejam negativas.” O problema, acredita o economista,  estaria no fato de a reunião estar marcada para três dias depois das eleições.
Produção industrial deve apontar aceleração
Para o resultado da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), o Banco Fator estima que  após contração de 0,2% na margem (variação mensal) em julho, a expectativa é de alta de 0,8% em agosto. “No desempenho anual, esperamos aceleração para 4,70%”. A Rosenberg Associados avalia que recuperação gradual da indústria continuou ocorrendo no período.
IPCA em alta, com com pressões em Transportes e Alimentação
O índice de inflação usado pelo Banco Central em suas metas, o IPCA de setembro, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), terá, segundo o Fator, sua taxa mensal voltando ao positivo, com alta de 0,37%, e  a inflação em 12 meses acelerando de 4,19% para 4,41%.
A Rosenberg projeta para o IPCA de setembro variação de 0,48%, indicando aceleração  em relação ao mês anterior, quando foi de -0,09%. “Além disso, o índice deve voltar a subir na comparação em 12 meses, passando de 4,19% para 4,53% – primeira vez que o índice orbita acima da meta do Banco Central desde março de 2017”.
De volta à comparação mensal, o destaque vai para reversão da deflação do grupo de Transportes, puxado pela aceleração do subgrupo de combustíveis e o item passagem aérea. O grupo Alimentação e Bebidas também deve acelerar em setembro, diz a consultoria, puxado pela reversão da deflação de boa parte dos itens in natura. Na contramão, Habitação deve ter menor variação no subgrupo de combustíveis e energia.
Balança: previsão de crescimento moderado das exportações
O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) dará já na abertura da semana o resultado da balança comercial de setembro. Para a Rosenberg, as exportações continuam crescendo, ainda que mais moderadamente, beneficiadas em parte pelos preços internacionais. Por outro lado, as importações crescem menos, tanto pelo maior gradualismo da recuperação da atividade quanto pela depreciação do câmbio. “Estimamos um superávit de 5,70 bilhões”, afirma o Fator.
Volta de investidor estrangeiro pode tracionar Ibovespa
Em relação aos mercados de risco, Bandeira, da Modal, segue com entendimento de que o “bull Market” (mercado de alta) americano veio para ficar por longo tempo, não sem alguns sustos pelo meio do caminho. “Nossa visão é que as encrencas maiores que o mundo atravessa serão razoavelmente sanadas, notadamente no que tange às disputas comerciais entre os EUA e a China”, analisa, acrescentando que a eleição americana para o Congresso pode ser determinante de clima mais ameno, pelo menos no que tange a Donald Trump.
No Brasil, destaca que os investidores estrangeiros voltaram a se posicionar nos mercados, o mesmo acontecendo com boa parte dos gestores de recursos. “Basta ver o fluxo canalizado recentemente para a Bovespa e redução de posições compradas em câmbio”, completa. Até dia 26, o saldo de estrangeiros na Bovespa estava positivo em R$ 2,046 bilhões, reduzindo o déficit no ano para R$ 942 milhões, segundo dados da B3.
Análise técnica mira patamar acima dos 80.600 pontos
Pela análise técnica, diz Bandeira, seria oportuno que o Ibovespa conseguisse ultrapassar inicialmente a faixa de 80.600 pontos, para almejar, em seguida, o objetivo em 81.800 pontos, quando o mercado teria tração para movimentos ainda mais agressivos. “Mas, para que isso aconteça, será preciso a continuidade do fluxo de recursos”, conclui.

Fonte:  Arena do Pavini

As pedras preciosas do Brasil: As turmalinas brasileiras

As pedras preciosas do Brasil: As turmalinas brasileiras


Verde, rosa ou azul? Dentre estas, qual a sua cor favorita? Pois saiba que no Brasil existe uma belíssima pedra preciosa que se apresenta em todas estas tonalidades e compõe de maneira vistosa refinadas joias. Ficou curioso para saber qual gema é esta? No post de hoje da série “As pedras preciosas do Brasil” você conhecerá as turmalinas brasileiras! Continue acompanhando e confira!

As características das turmalinas brasileiras

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As turmalinas brasileiras são um grupo de minerais que apresentam-se na natureza em uma grande pluralidade de cores, podendo chegar a cem tonalidades diferentes. Possuem um brilho vítreo, de transparentes a opacas. Em sua composição química estão presentes o manganês, o cromo, o cobalto, o níquel e o titânio.
Não há na natureza nenhuma outra gema que seja tão complexa quanto a turmalina. Assim como as granadas, elas fazem parte de um grupo de pedras preciosas com várias espécies. Em um mesmo cristal, pode-se facilmente encontrar duas ou mais cores, o que permite tamanha pluralidade. De todas as espécies conhecidas no mundo todo, as que têm maior destaque por seus diferenciais são as turmalinas paraíba, que possuem um tom de azul profundo.

A turmalina paraíba e seu mais belo azul

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Descoberta no Nordeste na década de 80, a turmalina paraíba logo chamou a atenção de todo o mundo por seu tom singular, chamado de azul neon. Esta bela e rara gema brasileira pode ser encontrada apenas em cinco minas espalhadas por todo o planeta, das quais três delas estão localizadas no Brasil. Por ser uma pedra preciosa quase extinta, esta turmalina é cobiçada no mundo todo, o que faz com que seus valores cheguem a até R$3 milhões.
Por mais que não ela não seja mais cara do que o já famoso diamante, a turmalina paraíba presente em uma joia confere elegância e exclusividade à peça e, consequentemente, a quem a usa. Colecionadores e demais apreciadores de pedras preciosas a tem basicamente como um objeto de arte, para ser apreciada e exposta em ocasiões muito especiais.

As turmalinas brasileiras e as datas comemorativas

turmalina-joia
Quando um casal completa 16 anos de união, comemora-se as Bodas de Turmalina. A ocasião pode — e merece — ser simbolicamente representada por uma joia que contenha uma pedra preciosa que leva seu nome. Dentre as indicações, podemos citar a turmalina rosa, que representa a sinergia do coração por meio do amor incondicional.
Agora, se você deseja presentear um profissional que esteja iniciando sua carreira ou que já tenha certo prestígio, a turmalina verde simboliza os assistentes sociais e os nutricionistas; e a turmalina rosa os formados em ciências contábeis.
Mas independente da data comemorativa, brindar uma pessoa especial com uma joia que contenha uma turmalina é algo que, com certeza, ficará guardado na memória de quem presenteia e de quem é presenteado.

Fonte: CPRM




Treasures of the Earth: Gems Nova Documentary [HD]

Простая хитрость! Используем обычный картон для добычи золота

Minas Gerais. Terra das pedras preciosas

Не думал там найти такое? Обычное место, немного от дома!

Mina de António Pereira. Topázio Imperial

Dez cristais com magia, beleza... e potencial tecnológico

Dez cristais com magia, beleza... e potencial tecnológico



Dez cristais com magia, beleza... e potencial tecnológico
[Imagem: Dirk Wiersma/BBC]
Fluorita

Esqueça os rubis, as granadas e as safiras. A fluorita é provavelmente o mineral mais colorido do mundo por causa da enorme variedade de cores brilhantes e até iridescentes que exibe.

E o mais incrível é que o cristal puro de fluorita é transparente.

A cor de um cristal é determinada pela maneira como a luz interage com suas moléculas e como elas são organizadas. Qualquer impureza que consegue penetrar na fluorita pode alterar sua aparência. Íons de manganês, por exemplo, a tornam cor de laranja.

Defeitos estruturais também têm o mesmo efeito. A cor roxa-escura que é típica da fluorita é resultado de um pequeno número de íons de fluoreto sendo permanentemente forçados para fora de suas posições pela irradiação ou pelo calor. Quando eles se movem, um elétron é deixado para trás em cada buraco. Ao incidir no cristal, a luz é absorvida e reemitida por esses elétrons, produzindo a cor que enxergamos.

A fluorita foi essencial no progresso do processo de fabricação de chips no início dos anos 2000, e hoje estão presentes em várias tecnologias de lentes ópticas.

Selenita

Dez cristais com magia, beleza... e potencial tecnológico
[Imagem: Javier Trueba/BBC]

Enterrada sob as montanhas da Serra de Naica, no Estado de Chihuahua, no norte do México, a Caverna dos Cristais abriga os maiores cristais do planeta.

Gigantescas vigas brancas de selenita - algumas medindo mais de 11 metros de comprimento e 1 metro de largura - cruzam-se na câmara subterrânea.

"Não existe outro lugar na Terra onde o reino mineral se revele com tanta beleza," afirma o geólogo Juan Manuel García-Ruiz, da Universidade de Granada, na Espanha, especialista em cristais.

O lugar foi descoberto em 2000 por dois irmãos que escavavam túneis na mina de Naica, em busca de novas jazidas de zinco, prata e chumbo. A cavidade, que mede cerca de 10 metros por 30 metros, estava inundada com água quente. Apenas quando os mineradores começaram a bombear a água, as monumentais estruturas surgiram.

Em 2007, García-Ruiz e sua equipe descobriram como os cristais conseguiram crescer tanto. Há cerca de 26 milhões de anos, a atividade vulcânica sob a mina encheu a caverna com água quente e rica em anidrita. Esse mineral é estável em temperaturas superiores a 58°C, mas, à medida que o magma presente se resfriou, a anidrita se dissolveu na água.

Lentamente, ao longo de centenas de milhares de anos, seus componentes químicos se rearranjaram como gipsita, que pode assumir a forma de cristais. E grandes cristais alongados de gipsita são conhecidos como selenita - apesar do nome, ela nada tem a ver com o selênio, sendo um sulfato de cálcio hidratado - seu nome deriva "selene" a palavra grega para lua.

Outra caverna descoberta mais perto da superfície em Naica também contêm espetaculares colunas de selenita, ainda que menores.

Espato da Islândia

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[Imagem: Natural History Museun London/BBC]

As sagas da Islândia no século 10 relatam os detalhes das aventuras dos vikings e descrevem uma misteriosa "pedra do sol", que os navegadores escandinavos usavam para localizar o Sol no céu e se orientarem em dias nublados.

A identidade dessa pedra intrigou geólogos durante séculos. Em 2011, estudiosos franceses e canadenses levantaram a hipótese de se tratar do mineral conhecido como espato da Islândia.

Essa variedade transparente da calcita é comum nos países nórdicos, e é capaz de refratar a luz de duas formas diferentes, produzindo uma imagem dupla. Isto se deve a discrepâncias entre as forças que mantêm os átomos dos cristais unidos - elas são mais fortes em algumas direções do que em outras.

Quando a luz passa através de um cristal de calcita, ela se divide em dois feixes. A assimetria da estrutura do cristal faz com que os caminhos desses feixes adotem diferentes ângulos, resultado na imagem dupla.

Quartzo

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[Imagem: Sindair Stammers/BBC]

O quartzo - óxido de silício - está na base de toda a tecnologia eletrônica atual, mas o mineral também possui "superpoderes" por causa de suas assimetrias estruturais.

Se comprimido, um cristal de quartzo gera uma leve corrente elétrica, pois a pressão na superfície força os íons internos a saírem de sua posição original. Isso desequilibra a carga total no cristal, fazendo dele uma minúscula pilha com faces de cargas opostas.

Esse fenômeno é conhecido como "efeito piezoelétrico", e também funciona ao revés: o cristal se comprime se for submetido a uma corrente elétrica. Esse efeito está por trás do promissor campo dos nanogeradores e da colheita de energia.

Relógios de quartzo e rádios usam minúsculas lascas do cristal como osciladores para manter a hora certa ou ditar seu ritmo interno. Sempre que você ouvir falar do "clock" (relógio) de um computador ou outro circuito, saiba que há um cristal de quartzo fazendo os tiquetaques que dão a batida esse circuito.

O quartzo também foi fundamental para uma maior compreensão geral dos cristais, principalmente como seus átomos são arranjados. As fibras ópticas também nasceram a partir do quartzo.

Galena

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[Imagem: Martin Land/BBC]

A galena é o mineral de chumbo mais comum no planeta, e um importante minério de chumbo e prata.

Mas essa é apenas um de seus papéis. Sua capacidade de extrair música e vozes de ondas de rádio é o que a torna verdadeiramente sedutora - talvez você já tenha ouvido falar dos rádios de galena.

Ocorre que a galena é um semicondutor, o que significa que ela conduz eletricidade sob certas circunstâncias.

Em um rádio de galena, um fino fio metálico conhecido como "bigode de gato" pousa delicadamente na superfície de um cristal de galena. Isso permite que uma corrente passe tranquilamente em uma direção, mas não na oposta, convertendo as ondas de rádio capturadas por uma antena em um sinal elétrico que é transformado em som por autofalantes.

Cristais de carbono extraterrestres

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[Imagem: Tony & Daphne Hallas/BBC]

O diamante é o material mais duro encontrado naturalmente na Terra - do qual temos conhecimento, pelo menos - servindo para atividades industriais como corte, trituração, perfuração e polimento.

Mas dois novos tipos de cristais de carbono ultraduros, encontrados em 2010 em um meteorito caído na Finlândia anos antes, podem abalar a reputação do diamante.

O meteorito de Haverö se chocou com a Terra em 1971. Quando pesquisadores usaram uma pasta de diamante para polir uma de suas fatias, eles notaram algo extraordinário: pequenos bolsões de material emergiam na superfície. Ao analisá-los, descobriram se tratar de duas formas completamente novas de carbono.

Os pesquisadores também observaram que uma das substâncias era um tipo de carbono cristalino, algo "intermediário entre o grafite e o diamante". Eles acreditam que os choques de pressão e o calor intenso provocados pela entrada do meteorito na atmosfera fundiram várias camadas de grafite, formando a nova substância.

Hoje já se estudam vários planetas de carbono e estrelas de diamante, onde condições extremas podem dar origem a minerais ainda desconhecidos por aqui.

Autunita

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[Imagem: Joem Arem/BBC]

A autunita é um mineral que se poderia chamar de encantador - seus cristais em forma de tablete parecem escamas amarelo-esverdeadas.

O mais impressionante, ele é fluorescente, embora sua composição de urânio o torne radioativo.

Quando uma luz ultravioleta incide em um cristal de autunita, ela transmite energia para elétrons dentro dos átomos de urânio. Cada partícula excitada momentaneamente salta para fora do núcleo do átomo e depois volta para ele.

É nesse momento que os elétrons liberam flashes de luz visível. E o efeito coletivo faz a autunita ter um aspecto geral de emitir um verde brilhante.

Açúcar

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[Imagem: Ted Kinsman/BBC]

Quer ver um cristal brilhar, mas não tem um museu de mineralogia na vizinhança? Isso não é um problema. Basta recolher alguns cubos de açúcar, ir para um quarto totalmente escuro e usar o fundo de um copo para esmagá-lo. É muito provável que você observe um pálido brilho azul emanando dos cristais.

Isso se chama triboluminescência e foi notado pela primeira vez pelo sábio Francis Bacon, no século 17. Mas até hoje ainda é um mistério para os cientistas entender como o açúcar é capaz de tal fenômeno.

Algumas teorias defendem que, quando seus cristais são fraturados ou esmagados, sua estrutura assimétrica incentiva a formação de minúsculos campos piezoelétricos. Isso separa as cargas positivas e negativas dentro do cristal e, quando elas se recombinam, geram uma faísca. As moléculas de nitrogênio retidas dentro dos cristais então absorvem essa energia e brilham, como acontece durante uma tempestade.

Cristais fotônicos

Dez cristais com magia, beleza... e potencial tecnológico
[Imagem: James King-Holmes/BBC]

Cristais fotônicos são minúsculas estruturas repetidas, cada uma com cerca de um bilionésimo de metro de comprimento, que controlam e manipulam o fluxo da luz.

Dependendo dos ângulos de suas faces, esses cristais só deixam passar certos comprimentos de onda de luz - certas cores -, enquanto bloqueiam todos os outros.

Mas os comprimentos de onda próximos daqueles rejeitados se espalham e interferem uns com os outros. Isso cria cores vívidas e uma iridescência impressionante - até mesmo em insetos como borboletas e besouros - esses são os cristais biofotônicos.

É possível fabricar cristais fotônicos simples a partir de polímeros sintéticos, que já são usados para criar materiais como a cobertura refletiva de óculos de sol, por exemplo.

Ao replicar estruturas fotônicas mais complexas, como as dos insetos, pode ser possível melhorar tecnologias como as das fibras ópticas e células solares. Muitas pesquisas nessa área já estão trazendo novidades, entre as quais memórias RAM de luz e processadores de computador fotônicos.

Cristais de gelo vulcânico

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[Imagem: Chadden Hunter/BBC]

O Morte Eerebus, na Antártida, é o vulcão ativo localizado no ponto mais ao sul do planeta. Seu cume é pontilhado por uma rede de cavernas de gelo que abrigam frágeis formações de gelo que não existem em nenhum outro lugar da Terra.

O labirinto foi esculpido na camada de neve por gases quentes vindos do vulcão, que se infiltram através das rachaduras e fissuras da rocha subjacente.

Dentro das cavernas, o ar quente e úmido do vulcão atinge as paredes geladas, congelando-se e adquirindo formas complexas e com aspecto de penas, guiadas pelas correntes de ar.

Fonte: BBC