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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Uma bomba-relógio em sua perna

Uma bomba-relógio em sua perna

Conheça os principais sintomas e as causas da trombose venosa profunda (TVP)  nas veias das pernas e previna-se
Aos 42 anos, Tina Theobald começou a sentir espasmos musculares que não melhoravam. Ela havia começado a correr recentemente, e não deu importância à panturrilha dolorida. Aplicou gelo e partiu numa curta viagem ao México, enquanto a perna inchava. Na volta, numa consulta médica recebeu o diagnóstico – pelo qual foi hospitalizada de imediato – de um grande coágulo na perna. Dois dias depois, Tina sentiu falta de ar e uma dor excruciante no peito. Uma porção do coágulo se soltara e estava bloqueando a irrigação sanguínea de parte do pulmão, um problema chamado embolia pulmonar, que pode ser fatal.
Tina sempre pensara que coágulos afetavam idosos – e de fato o risco é muito maior entre eles –, mas logo descobriu que eles também atingem pessoas jovens e de meia-idade. Há fatores de risco, incluindo certas medicações, gravidez, imobilidade que impeça a circulação do sangue (longos períodos sentado, como numa viagem demorada de avião), cirurgia ou trauma (como um acidente de carro), que podem danificar as veias, bem como doenças que aumentam a coagulação sanguínea (como câncer e doenças autoimunes).
Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, a cada ano cerca de 120 mil pessoas no Brasil desenvolvem trombose venosa profunda (TVP), coágulos mais comuns nas veias das pernas, onde podem causar dor, inchaço e vermelhidão. A TVP é mais frequente após os 40 anos, e cerca de um terço dos casos é seguido de embolia pulmonar, que mata mais de 20% dos pacientes afetados.
“Os sintomas podem ser vagos, como dor ou falta de ar. Se o médico não tiver uma suspeita, pode deixar muitos casos passar”, afirma o Dr. Bengt Zöller, professor de medicina interna da Universidade de Lund, na Suécia. Um estudo dinamarquês de 2010 descobriu que a maior parte dos jovens adultos com embolia pulmonar fatal havia relatado sintomas a médicos dias ou semanas antes da morte, mas suas queixas foram interpretadas de modo errado. “Como a TVP e a embolia pulmonar podem ser difíceis de reconhecer, é preciso enfatizar a prevenção”, afirma o Dr. Nigel Key, professor de medicina da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. As medidas a seguir podem ajudar você a evitar coágulos potencialmente fatais.
Revise seus remédios
Alguns meses antes de sofrer a TVP, Tina começara a tomar pílulas anticoncepcionais. Toda medicação contendo estrogênio (assim como anéis vaginais e anticoncepcionais mais recentes contendo drospirenona) pode aumentar o risco de coágulos (assim como a gravidez, com o risco normalizando cerca de 12 semanas após o parto).
Se estiver preocupada quanto ao risco de coágulos, seu médico pode recomendar contraceptivos não hormonais, como métodos de barreira ou um DIU de cobre. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas insiste em que os médicos cogitem prescrever adesivos em vez de pílulas para mulheres que fazem terapia de reposição hormonal após a menopausa. A pílula aumenta em até cinco vezes o risco de TVP em comparação a não tomar hormônios, mas a administração cutânea não parece afetar o risco de coágulo. Em junho de 2014, a FDA, a agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA, anunciou que os produtos à base de testosterona devem exibir um aviso de que aumentam o risco de TVP. A prednisona e outros esteroides, especialmente em dosagens altas, também elevam esse risco, em homens e mulheres.
Saiba seu histórico familiar
Segundo constatou uma pesquisa sueca, ter dois ou mais irmãos com TVP aumenta seu risco em 50 vezes em comparação a alguém que não tenha irmãos com a doença. “Se você tiver um histórico familiar expressivo, seu médico pode pensar duas vezes antes de lhe prescrever hormônios ou anticoagulantes por mais tempo após uma cirurgia”, diz o Dr. Zöller.
Perca peso
A obesidade pode mais que dobrar o risco de TVP, sobretudo em mulheres com mais de 1,67 metro e homens com mais de 1,82 metro. “Pessoas altas precisam bombear o sangue mais longe contra a gravidade, o que pode reduzir o fluxo nas pernas e aumentar o risco de coágulos”, explica Sigrid Brækkan, pesquisadora na Universidade de Tromsø, na Noruega. Tina, que tem 1,70 metro, estava perto de seu pico de peso, com 86 kg, quando teve o coágulo.
Mexa-se
Andar, ou levantar e baixar os calcanhares enquanto se está sentado, estimula os músculos da panturrilha, pressionando as veias e bombeando o sangue para cima, o que ajuda a evitar a TVP. A imobilidade é o motivo de viagens longas serem um risco. O Colégio Americano de Médicos do Tórax recomenda que você se levante aproximadamente a cada hora e erga e baixe os calcanhares ou gire os tornozelos quando sentado. Se seu risco for alto, pergunte a seu médico sobre o uso de meias de compressão ou anticoagulantes preventivos para viagens de mais de quatro horas.
Coma peixe
Em um grande estudo sueco de 2014, as pessoas que tomavam cápsulas de óleo de peixe e comiam peixe três ou mais vezes por semana tinham uma chance de desenvolver TVP 48% menor do que as que comiam peixe com menos frequência e não tomavam esse suplemento.
Atenção no hospital
Sessenta por cento das TVPs ocorrem em pessoas que foram hospitalizadas recentemente, seja por cirurgia, trauma ou doença.
Certifique-se de que os médicos conhecem sua medicação e seus riscos de TVP, como um histórico familiar significativo. Você deve ser incentivado a se movimentar, e pode precisar de meias de compressão ou anticoagulantes. Em junho passado o Boston Medical Center relatou uma redução das TVPs pós-operatórias em 84% (em comparação com o que admitiram ser um histórico ruim) personalizando o tratamento preventivo de acordo com os riscos dos pacientes e fazendo-os caminhar pouco tempo depois das operações. Além disso, siga as orientações médicas antes e depois da alta: doses de anticoagulantes não tomadas são responsáveis por muitos coágulos.
Tina, por exemplo, é disciplinada com os remédios por saber que as TVPs podem voltar ainda piores. Cinco meses após a internação inicial de 13 dias, os médicos suspenderam o anticoagulante varfarina, mas um novo coágulo se formou meses depois, fazendo sua perna inchar até ficar quase da largura da cintura. Os 10 dias que ela passou no hospital trouxeram novas torturas, incluindo injeções de anticoagulantes na coxa afetada.
Agora ela está fadada a tomar anticoagulantes – ou qualquer tratamento mais fácil que apareça – pelo resto da vida, e usa meias de compressão quando se senta para trabalhar em uma empresa de programação na Flórida. Nas horas vagas, ela se mantém em movimento: está orgulhosa por ter acabado de completar seu quinto triatlo.
Aja rápido se tiver estes sintomas
Um coágulo é uma emergência médica por causa da possibilidade de embolia pulmonar. Se você apresentar qualquer dos sintomas abaixo, procure atendimento de imediato, especialmente se estiver com risco aumentado devido a imobilidade recente, gravidez, cirurgia ou câncer.
Sinais de TVP na perna:
  • Dor (como uma câimbra ou espasmo)
  • Inchaço
  • Manchas (vermelhas ou azuis)
  • Calor ao toque
Sinais de embolia pulmonar:
  • Falta de ar
  • Dor torácica
  • Tosse inexplicada (pode haver tosse com sangue)
  • Pulsação acelerada

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