Seguidores

sábado, 1 de abril de 2017

Fusão BM&FBovespa-Cetip cria 5ª maior bolsa do mundo; “gigante” B3 terá de reforçar governança

Fusão BM&FBovespa-Cetip cria 5ª maior bolsa do mundo; “gigante” B3 terá de reforçar governança

criará a quinta maior bolsa do mundo, com um valor de mercado de US$ 13 bilhões, ou R$ 39 bilhões, e um faturamento anual de R$ 4 bilhões. As informações foram dadas hoje pelos principais executivos da empresa durante apresentação à imprensa da Brasil Bolsa Balcão, mais conhecida como B3. Chamada por seu atual presidente, Edemir Pinto, de “gigante”, a nova bolsa concentrará praticamente todas as operações de negociação e custódia de ações e títulos privados e públicos do mercado brasileiro. “Esperamos estar em quarto lugar no mundo em breve”, afirmou Edemir, que prevê desbancar a Deutsche Bourse, da Alemanha. A marca B3 foi criada pela consultoria GAD.
Gigante único no mundo
O próprio presidente admite que o modelo da gigante B3 é “único” e que desconhece “país com infraestrutura de mercado semelhante à que nasce hoje no Brasil”. Edemir destacou os ganhos que a concentração das operações em uma única empresa trará para os acionistas, clientes, distribuidores, para o mercado e para o país, graças ao ganho de escala e integração das operações. “A B3 contribuirá com o aumento da segurança e solidez dos serviços para os clientes, os acionistas terão ganhos de escala e diversificação de produtos, as corretoras, com a consolidação dos serviços, de autorregulação e supervisão e dos sistemas, o que reduzirá custos operacionais e exigirá menor alocação de capital”, afirmou. “E os reguladores, ganharão com o melhor controle de riscos pela centralização dos controles, das operações e da fiscalização.”
Sinergias de R$ 100 milhões
O ganho dos acionistas pode ser estimado pelas sinergias que a fusão trará para as empresas, da ordem de R$ 100 milhões por ano, e que devem ser atingidas em três anos. Gilson Filkelsztain, presidente da Cetip, que substituirá Edemir a partir de maio no comando da companhia, estima que o processo de integração leve 12 a 18 meses, o que permitirá à companhia buscar também novas fontes de receitas. “Queremos acelerar o processo”, afirma. A troca de comando da nova bolsa deve ser oficializada na assembleia de acionistas em 28 de abril.
Exigências antimonopólio
O gigantismo da nova empresa, porém, fez com que os órgãos reguladores estabelecessem diversas exigências para evitar a formação de um monopólio do mercado. A nova bolsa terá de desenvolver diversos mecanismos e estruturas para definir suas tarifas e garantir o acesso de eventuais interessados em criar novas bolsas no país à sua infraestrutura. Em especial, à sua central depositária, que faz a transferência dos valores e ativos após os negócios, e à clearing, que liquida as operações. A nova bolsa será também responsável pela fiscalização do mercado, inclusive dos eventuais concorrentes.
Por conta dessas exigências, Edemir fez questão de destacar o “comprometimento com os mais altos padrões de governança” da nova empresa, que nasce com 2.264 funcionários. Boa parte da apresentação aos jornalistas foi também para explicar como serão evitados abusos nas tarifas e no relacionamento com potenciais concorrentes.
Negócio de R$ 13 bilhões
A operação de compra da Cetip como um todo custou R$ 13 bilhões para a BM&FBovespa, explica Daniel Sonder, diretor financeiro e corporativo da B3. Do total, R$ 4,7 bilhões serão pagos em ações da BM&FBovespa e os R$ 8,3 bilhões restantes em dinheiro, que foram obtidos com a venda da participação da CMA Group, dona da Bolsa de Chicago, por R$ 5 bilhões, e com a emissão de papéis no mercado, no total de R$ 3,4 bilhões.
Sonder espera reduzir esse endividamento em 3 anos para que a empresa tenha uma relação dívida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Lajia ou Ebitda) de 1,3 vezes.
A empresa deverá manter um saldo de caixa de R$ 2,5 bilhões constante, “adequado ao papel de contraparte central” nos negócios, já que a bolsa se responsabiliza pelo pagamento das operações feitas em seu ambiente. “Para isso, devemos deixar de recomprar ações por alguns anos, mas vamos continuar distribuindo dividendos e juros sobre capital próprio, equivalentes a 60% a 80% do lucro societário”, explicou.
Marcas mudam, menos o Ibovespa
As marcas da bolsa e de suas coligada também serão alteradas para B3, explicou Edemir. “Estamos em processo aceleradíssimo de integração e devemos anunciar nas próximas semanas a nova razão social das controladas e coligadas, especialmente da Bovespa Supervisão de Mercados (BSM) e do Banco BM&FBovespa, mas é uma questão de semanas em transformá-las em B3”, disse o presidente.
Ele destacou, porém, que o Índice Bovespa será mantido por ser uma marca reconhecida internacionalmente. Outras marcas também serão trabalhadas, como o CDI Cetip, disse Finkelsztain. Já o símbolo da ação da bolsa, o ticker, hoje BVMF3, deverá ser alterado “para capturar a mudança para B3”, disse o futuro presidente.
Sede no Centro de SP
A sede da nova bolsa, segundo decisão do conselho, continuará no Centro de São Paulo, explicou Edemir. “Mas as outras sedes vão continuar por enquanto, e o conselho vai ter isso na mesa para uma eventual decisão”, afirmou indicando que as unidades da Avenida Faria Lima e de Alphaville podem ser vendidas.
Nenhuma unidade das duas empresas deve ser desativada de imediato, afirmou Cicero Vieira, vice-presidente de operações, clearings e depositária da nova bolsa. “Agora que as companhias podem trocar livremente informações, pois havia a limitação dos reguladores, vamos avaliar a consolidacao de processos e sistemas, mas desativação de serviços não”, disse. Ele informou também que há houve manifestação de empresas interessadas e usar as estruturas da bolsa para oferecer também serviços de bolsa de valores e clearing, mas não detalhou os processos, afirmando que a bolsa não comenta informações de potenciais concorrentes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário