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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Abi-Ackel versus Globo

Abi-Ackel versus Globo

Marcelo Rubens Paiva
08 Agosto 2017                                                           


Enquanto escutávamos o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), relator do parecer na CCJ, defender no púlpito do Congresso Nacional o réu Michel Temer e elogiar seu governo, um pai sorriu:
Ibrahim Abi-Ackel, político mineiro, deputado federal que chegou ao cargo ministro de Justiça do regime do general Figueiredo, entre 1980 e 1985, sucedendo o temido e todo-poderoso Golbery do Couto e Silva, foi envolvido num escândalo de contrabando de pedras preciosas em 1983.
O Brasil ficou surpreso com a edição do Jornal Nacional de 1983, antes dócil a todos generais no poder desde 1964, atacar violentamente um ministro da Justiça.
A emissora mudara de lado, descobriu a opinião pública, que apostava nas Diretas Já, enquanto a emissora procrastinava entrar no debate e na campanha.
Ela divulgou amplamente, sem entrelinhas ou metáforas, que o americano Mark Lewis, preso na alfândega dos Estados Unidos com pedras brasileiras avaliadas em valores da época em 10 milhões de dólares, confessou que elas tinham conexões com um amigo de Abi-Ackel.
O ministro foi apontado como um dos envolvidos no contrabando pelo advogado norte-americano, Charles Haynes.
O Jornal Nacional, da Rede Globo, que começava a apostar no fim do regime militar, não se amedrontou e noticiou amplamente o caso.
No livro Ibrahim Abi-Ackel – Uma Biografia (da jornalista Lígia Maria Leite e com prefácio do senador Aécio Neves), o acusado afirma que, antes, malotes enviados pela Rede Globo para sua sucursal no exterior transportavam drogas, por isso ele fora vítima de um complô da emissora.
O ditador general Figueiredo, numa entrevista à rádio gaúcha Pampa, defendeu a tese do seu discípulo civil:
“A campanha do Roberto Marinho contra o ministro Ibrahim Abi-Ackel se deveu a um engano do sr. Roberto Marinho. Os malotes da Rede Globo para Nova York serviram de transporte para cocaína. A Polícia Federal apreendeu dois desses malotes, e o Roberto Marinho nunca perdoou o Abi-Ackel, porque pensou que foi ele que mandou fazer a apreensão.”
Hoje, um membro da família, contra todas as provas apresentadas, nega o óbvio.
E contra o grande furo da Rede Globo: a gravação do cabeça da JBS, Joesley Batista, envolvendo Temer.

Fonte: Estadão

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