quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Turmalina Paraíba, uma das gemas mais caras do mundo, pode estar se transferindo para a África

Turmalina Paraíba, uma das gemas mais caras do mundo, pode estar se transferindo para a África
Por Pedro Jacobi 
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Talvez você, como muitos, já deve ter se perguntado, em algum momento de sua vida - afinal, o que é essa tal de Turmalina Paraíba e por que ela é uma das gemas mais caras do mundo?

A resposta, é lógico, está na sua raridade e beleza. Uma das características dessa gema é a sua cor brilhante, vívida, quase um neon que só é salientada após a lapidação.

Do ponto de vista técnico ela é uma variedade cuprífera de elbaíta, uma variedade de turmalina cuja fórmula é Na(Li,Al)3Al6B3.Si6O27(OH,F)4. O nome Paraíba vem da primeira localidade onde essa turmalina foi descoberta.
Segundo a lenda a turmalina Paraíba foi descoberta por Heitor Dimas Barbosa em 1981. Heitor passou anos escavando um pegmatito próximo da Vila S. José da Batalha, acreditando que debaixo do morro chamado Paraíba existia algo diferente.
Somente em 1989, Heitor conseguiu o primeiro lote de pedras de qualidade. As cores eram extraordinárias nunca vistas antes em nenhuma outra turmalina: estava descoberta uma das gemas mais preciosas do mundo.
As cores são variadas, mas a clássica é o azul neon cor gerada pelo conteúdo de cobre do manganês na estrutura cristalina da turmalina.

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As brasileiras clássicas com seus tons de azulAcima Turmalinas Paraíba vindas da África com diversas colorações

A cor e seu brilho extraordinário são realçados após a lapidação e pelo aquecimento. O aquecimento da turmalina é feito para que a cor alcance o seus tons mais vívidos, a sua principal característica.
As Turmalinas Paraíba brasileiras são raras e, geralmente, pequenas. As estatísticas mostram que são necessárias 2.000 toneladas de material para produzir 40 quilates. O que é pior, aa minas brasileiras já estão praticamente exauridas.

O preço do quilate varia de acordo com a cor, tamanho, transparência, ausência de inclusões e lapidação. Em geral é comum ver preços acima de US$10.000 por quilate em pedras de bom tamanho.

No entanto uma nova descoberta está fazendo as Paraíbas mudarem de continente...

A Paraíba na África:

Mais recentemente, em 2001, foram descobertas turmalinas “Paraíba”na Nigéria e em Moçambique. Essas novas descobertas geraram muitas polêmicas sobre o termo Paraíba. Os gemólogos estavam propensos a chamar a gema de Elbaíta Cuprífera. Mas em 2006 foi decidido que todas as turmalinas tipo elbaita com cobre deveriam ser chamadas de Turmalinas Paraíba ou tipo Paraíba.
As turmalinas vindas da África não podem ser diferenciadas das brasileiras. Somente com estudos químicos foi possível identificar a “digital química” destas turmalinas que realmente tem alguns elementos traços um pouco diferentes.
O que, no entanto, preocupa é que as Paraíbas africanas são muito maiores do que as brasileiras e podem ser produzidas em maiores quantidades o que vai acabar afetando os preços do quilate. Aqui é raro uma Turmalina Paraíba com mais de cinco quilates enquanto que na África estão surgindo várias acima de dez quilates sendo que é de Moçambique a maior Paraíba lapidada do mundo (foto).

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Uma Turmalina Paraíba rara com 14,2 quilates de Moçambique57,19 quilates de Moçambique é a maior Turmalina Paraíba lapidada 
do mundo e pode valer mais de 25 milhões de dólares.


Chinesa Shandong faz oferta de até US$ 1 bi pela Jaguar Mining

Chinesa Shandong faz oferta de até US$ 1 bi pela Jaguar Mining


A Shandong Gold, uma das maiores produtoras de ouro com sede na China, apresentou uma proposta de compra da brasileira Jaguar Mining, segundo informações reproduzidas por agências internacionais. Fontes, contudo, divergem sobre o valor da proposta, que varia de US$ 785 milhões a US$ 1 bilhão.
A Jaguar produz ouro em duas minas, de Turmalina e Paciência, em Minas Gerais, e está desenvolvendo uma terceira operação, o Projeto de Gurupi, no Estado do Maranhão. No terceiro trimestre, alcançou produção de 40.660 onças de ouro.
Segundo informações do site da empresa, a Jaguar é uma “entidade” canadense com sede executiva principal em Belo Horizonte e escritório administrativo em Concord, New Hampshire, nos Estados Unidos. “As ações da Jaguar estão listadas na Bolsa de Valores de Toronto e de Nova York sob o símbolo JAG”, informa.



Jaguar Mining

Jaguar Mining

A Shandong Gold, uma das maiores produtoras de ouro com sede na China, fez uma proposta de compra da brasileira Jaguar Mining, segundo informações reproduzidas por agências internacionais. Fontes, contudo, divergem sobre o valor da proposta, que varia de US$ 785 milhões a US$ 1 bilhão. A Jaguar produz ouro em duas minas, de Turmalina e Paciência, em Minas Gerais, e está desenvolvendo uma terceira operação, o Projeto de Gurupi (MA). No terceiro trimestre, produziu 40.660 onças de ouro (cerca de 1,2 toneladas). Segundo a Jaguar, ela é uma "entidade" canadense com sede executiva principal em Belo Horizonte e escritório nos EUA.



Justiça suspende licença da Belo Sun

Justiça suspende licença da Belo Sun


A Justiça Federal em Altamira suspendeu ontem o licenciamento ambiental do projeto Volta Grande de Mineração, empreendimento que a mineradora canadense Belo Sun pretende instalar na mesma região onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.
A decisão, que atende processo apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) na semana passada, obriga a empresa a fazer os estudos de impacto sobre os indígenas da região, que são exigidos por lei e até agora não foram apresentados. A empresa alega que, dadas a localização da mina, não há impacto sobre os índios.
"A condução do licenciamento ambiental sem a necessária e prévia análise do componente indígena demonstra grave violação à legislação ambiental e aos direitos indígenas", diz o juiz Sérgio Wolney Guedes.
A ação determina a suspensão da licença prévia à Belo Sun. Em caso de descumprimento da decisão, a empresa terá de pagar multa diária de R$ 20 mil.
Para o MPF, a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Pará também estaria cometendo diversas ilegalidades ao ignorar todas as recomendações, advertências e preocupações, ao desconhecer os impactos de Belo Monte e permitir que os estudos indígenas sejam apresentados depois da concessão da licença, impondo "aos indígenas duplamente afetados (por Belo Monte e por Belo Sun) o ônus que deveria ser do empreendedor, de arcar com as externalidades negativas do empreendimento".
A Sema, segundo o MPF, já se pronunciou favorável a emitir a licença para o empreendimento sem exigir os estudos e chegou a colocar o assunto em votação na reunião do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema) do último dia 18 de novembro.
A promotora do Ministério Público do Estado do Pará (MP), Eliane Moreira, pediu vistas do processo e o assunto deveria voltar à pauta no próximo dia 2 de dezembro. Com a decisão judicial de ontem, a concessão de licença está paralisada.
Por meio de nota, Belo Sun informou que não comenta decisões judiciais e que "tomará as medidas legais que entender cabíveis, no tempo adequado".
A empresa planeja investir até US$ 1,1 bilhão na extração e beneficiamento de ouro em Senador José Porfírio, município vizinho a Altamira. A previsão é produzir 4.684 quilos de ouro por ano. Em sua página na internet, a Belo Sun afirma que está à frente do "maior projeto de exploração de ouro do Brasil".
Para o MPF e MPF, há uma série de irregularidades no processo de licenciamento da mina de ouro. A Belo Sun afirma que não há nenhum problema no projeto e garante que já cumpriu todas as etapas exigidas pela legislação ambiental.



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Minério de ferro: mercado começa a acreditar em um Bull Market

Minério de ferro: mercado começa a acreditar em um Bull Market

Por Pedro Jacobi 
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Apesar das previsões pessimistas do início do ano os preços do minério de ferro  subiram, em 2013, acima de $130/t ( a maioria acreditava em preços abaixo de $100/t). Por  mais que os analistas do desastre esperneassem mais os preços se consolidaram e  estabilizaram, estimulados por uma demanda contínua da China.
Agora as coisas mudaram.
Os analistas dos grandes bancos e das grandes  mineradoras já estão trabalhando com cenários bem mais positivos para 2014 e  2015. É mais um Bull Market que poucos conseguiram prever.

Os australianos do  Australian BC Iron já trabalham com preços bem acima dos $100/t pelos próximos  dois anos. Afinal, não poderia ser diferente já que os embarques de minério de  ferro nos portos  australianos  para a China aumentaram 43% no mês passado...
Este Bull Market parece que tem fôlego. Desde a última queda do preço do minério  de ferro em 2013 os preços subiram 23% alavancando os preços das ações das  mega-mineradoras de ferro que não fazem outra coisa a não ser investir em  expansões de suas minas e na logística e infraestrutura destas.
A World Steel Association já se dobrou ao bull e acredita em preços acima de  $120/t para 2014 enquanto o World Bank, muito mais otimista trabalha com preços  de $135/t para esse ano.
O que podemos dizer, nós meros mortais?
Que, possivelmente, todos, mais uma vez estarão errados. Foi o que dissemos no  início de 2013 quando percebemos que a ofertanão seria maior do que a procura e  que a maioria dos giga-projetos e mega-minas e expansões iriam atrasar  consideravelmente. Isso ocorreu, o mercado não foi saturado e os preços ao invés  de cair, subiram.
Agora as coisas mudaram. As grandes mineradoras como a Vale, BHP e Rio Tinto  estão a pleno vapor investindo dezenas de bilhões em seus projetos de ferro no  mundo inteiro. Ainda existem problemas como os atrasos de Simandou entre outros,  mas não dá para negar que veremos centenas de milhões de toneladas de minério  ferro novo, chegando aos portos chineses com um all in cash cost abaixo de  US$60/t. Ou seja, minério barato de alta qualidade. A estas horas, se eu fosse  minerador chinês ou indiano com preços CIF China acima de US$90/t eu já  começaria a botar as barbas de molho e pensar em diversificar. Não há como  competir com os brasileiros e australianos quando o assunto é preço.
Mesmo com a nova revolução urbana chinesa a caminho e com o natural crescimento  no consumo de commodities os preços do minério deverão se acomodar em patamares  mais baixos. O Bull Market não pode continuar com esse novo influxo de minério.  O que veremos é uma nova revolução na mineração chinesa que deverá se modernizar  ou, simplesmente, se extinguir. Talvez a China adote medidas protecionistas  evitando que os seus mineradores quebrem. Tudo isso pode acontecer  simultaneamente, mas é totalmente improvável que, neste cenário macroeconômico,  os preços do minério de ferro continuarão a escalada de 2013 e que previsões  como a do World Bank de $135/t média para 2014 venham a se concretizar.