segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Alibaba o jeito moderno de fazer negócios

Alibaba o jeito moderno de fazer negócios

 
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Se você pensa que o site alibaba.com é apenas mais um e-commerce da internet é bom rever os seus conceitos. Alibaba é mais do que um site ele é um conceito de proporções gigantescas que mudou os hábitos de compras de pessoas físicas e, mais importante, das pessoas jurídicas.
O que nós da mineração e geologia temos a ver com isso?
Muito!
É através dele que centenas de negócios da mineração estão sendo realizados a toda a hora 24 horas por dia. Compra e venda de minérios, minas, metais, diamantes e minerais são um dos pontos fortes do site que fecha mais negócio do que qualquer outro similar no mundo. Vendas de equipamentos é uma outra novidade que só o Alibaba tem. Você pode comprar uma planta completa  para a sua nova mina de ouro, ou de cobre, ferro...diretamente do fabricante, via Alibaba sem sair de casa, dentro das suas especificações e com preços altamente competitivos. Se as indústrias brasileiras já reclamam da concorrência é bom colocar as barbas de molho pois no Alibaba encontramos os equipamentos e processos para a mineração mais baratos do mercado. O sistema vai ter que se reinventar e se adequar pois o Alibaba veio para ficar.
O Alibaba surgiu através de uma simples constatação. Os clientes mundiais estavam sendo mal servidos e se mantinham extremamente insatisfeitos com os sites tradicionais onde você devia pedir por favor e correr atrás.
Isso agora é passado. Foi criado o alibaba.com que, em pouco tempo, arrasou totalmente a concorrência.
Continuando com o rally vencedor o bilionário Jack Ma, dono do Alibaba criou uma frase interessante: “se os bancos não mudam nós iremos fazê-los mudar”. Em junho deste ano,  Jack criou o Alipay que funciona como um banco onde o cliente pode investir qualquer quantia de dinheiro recebendo juros mais elevados que os pagos pelo mercado que só aceita quantias acima de 50.000 yuan: Jack aceita investimentos de até 1 yuan...
Lembre-se que Jack é chinês e que a China tem 1 bilhão e meio de cidadãos... É nessa massa crítica que Jack Ma estava de olho. Aparentemente, isso ele já conseguiu e agora está atraindo o que sobrou no mundo, os 3 bilhões e meio de habitantes  restantes.
O sucesso está sendo estrondoso e os negócios da internet só fazem multiplicar. Jack acertou na mosca, ou no bolso se pensarmos bem. 

Curiosidades da Geologia: Lusi o maior vulcão de lama do mundo ainda em erupção

Curiosidades da Geologia: Lusi o maior vulcão de lama do mundo ainda em erupção
Em maio de 2006 um vulcão de lama entrou em erupção em East Java na Indonésia. Na fase inicial o vulcão Lusi (lama na linguagem local) expelia mais de 180.000 metros cúbicos de lama destruindo casas, escolas, 25 fábricas e fazendas em vários quilômetros quadrados.
As causas de Lusi ainda são controversas. Alguns querem culpar um terremoto de magnitude 6,3  que ocorreu poucos dias antes da erupção, mas cujo epicentro foi a 280 km de distância. Outros, a maioria, culpa uma sondagem profunda para gás, que estava em andamento no local onde hoje existe o centro do vulcão.
Para os geólogos o vulcão é o resultado da fuga de água de um aquífero de água carbonatada situado a 2.500m abaixo da superfície que foi intersectado pelo furo exploratório . Esta água foi subitamente despressurizada e subiu pelo furo de sondagem, levando no seu caminho milhões de toneladas de lama. A pressão se acumulou e rompeu as rochas até a superfície causando o fenômeno.
Em 2008 a empresa de sondagem Lapindo Brantas concordou em pagar uma compensação financeira aos 50.000 habitantes que foram atingidos pelo vulcão Lusi.
Os custos do desastre superam os quatro bilhões de dólares.
Hoje Lusi se comporta como um gêiser com pulsos gasosos ocorrendo em intervalos quase constantes. Segundo os estudiosos Lusi deverá continuar a sua erupção por mais uns dois a três anos quando, finalmente, perderá a força e extinguir.

Foto: Adek Berry, AFP/Getty Images

BP entrando no gás dos folhelhos da China

BP entrando no gás dos folhelhos da China
A BP está em busca de parcerias com empresas chinesas para explorar os vastos depósitos de gás de folhelhos chineses.
Segundo os últimos levantamentos geológicos as reservas chinesas estão ranqueadas entre as maiores do mundo e participar dessa riqueza em um país faminto por energia é a prioridade da BP que tem uma experiência significativa nos folhelhos americanos.
Os problemas que a BP vai enfrentar são legais. Os direitos minerais na China são controlados pelas gigantes estatais chinesas daí a necessidade de parcerias no setor. As licitações em 2012 atraíram poucos interessados, todos chineses, que negociaram apenas 46% dos blocos oferecidos demonstrando a reticência, desconhecimento e medo dos investidores internacionais em relação aos negócios na China.
A BP China, segundo o seu Presidente ChenLiming,  acredita que o domínio americano na área do gás deverá continuar por mais uma década, mas que após esse período a China será a nova força mundial. O principal motivo por trás da revolução energética chinesa, que tem data e hora para começar, é a necessidade urgente de substituir o carvão como a principal fonte energética do país. As plantas e termoelétricas movidas a carvão mineral chinesas  são obsoletas e altamente poluidoras, causando talvez um dos maiores desastres ambientais da história do homem. Mudar é preciso. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Gossan, segundo a definição original é o produto do intemperismo sobre sulfetos maciços de minérios

Gossan, segundo a definição original é o produto do intemperismo  sobre sulfetos maciços de minérios econômicos. Um sulfeto maciço, por sua vez  tem que ter mais de 50% do peso em sulfetos... Esta é a definição inicial, que  está sendo abandonada. Hoje, a visão dos Geólogos de Exploração sobre  os gossans evoluiu: gossans são produtos de intemperismo de rochas sulfetadas não  necessariamente maciças e não necessariamente derivados de sulfetos  economicamente interessantes. Eles são também chamados de chapéus de ferro  (Francês). Em alguns casos são chamados de gossans os ironstones derivados do  intemperismo sobre carbonatos ricos em ferro como a siderita.
Os principais minerais de um gossan são a goethita e  hematita. Outros hidróxidos de ferro comuns são geralmente agrupados como limonitas.  Estes óxidos  conferem à rocha a sua característica ferruginosa com cores fortes, ocre  vermelho-amareladas. A rocha encontra-se na superfície podendo ou não estar em  cima dos sulfetos originais. Gossans podem ser transportados. Neste caso os  óxidos migraram e se precipitaram longe dos sulfetos de orígem.
Em geral um gossan é poroso e pulverulento. Seus  minerais são formados pela decomposição dos sulfetos com formação de ácido  sulfúrico. O ácido acelera sobremaneira a decomposição dos minerais, lixiviando  parcial ou totalmente os elementos solúveis. A lixiviação pode ser tão intensa  que os elementos solúveis como zinco ou até mesmo o cobre podem não mais estar  presentes no gossan. Portanto a simples avaliação química de um deve levar em  conta, também, aqueles elementos traços menos móveis que talvez estejam ainda  presentes e que possam caracterizar a rocha como interessante. Esses estudos de  fingerprinting são fundamentais quando o assunto é gossan.
Durante o processo de decomposição é comum que a textura  original dos sulfetos se mantenha de uma forma reliquial: as chamadas boxwork  textures. Texturas boxworks são entendidas por um pequeno e seleto grupo de  geólogos. Elas indicam, em um grande número de casos, qual foi o sulfeto  original. Em muitos gossans os boxworks só podem ser vistos ao microscópio  petrográfico.
Foi essa correlação entre textura boxwork e o sulfeto  original que gerou trabalhos clássicos sobre gossans, como o do pioneiro Ronald Blanchard ou o do colega Ross Andrew, possivelmente inexistentes  nas bibliotecas das escolas de geologia. A determinação dos sulfetos a partir  das texturas é uma arte que está sendo perdida nos nossos dias e tende a  desaparecer com a chegada dos equipamentos de raio x portáteis.
Gossan BlocksGossan piritaCarbonatoGold em gossanOpaline Gossan Calcopirita gossan 
Blocos de gossan
 calcopirita
Gossan sobre pirita
boxworks cúbicos
Pseudo gossan sobre carbonatosOuro em gossanGossan silicoso (opaline  gossan)
Cu-Ni 
Gossan sobre calcopirita  maciça
Foi através da descoberta de gossans na superfície que  foram descobertas a maioria das jazidas de níquel sulfetado tipo Kambalda na  Austrália na década de 60 e 70. Nesta época, a capacidade do Geólogo de  distinguir entre gossans derivados de sulfetos de Cu-Ni dos derivados de  sulfetos estéreis como a pirita e pirrotita foi o diferencial entre os bem  sucedidos e os losers. Foi nesta época que se desenvolveu a microscopia de  gossans pois, como dissemos acima, muitos gossans tiveram seus elementos  econômicos lixiviados quase que totalmente restando somente o estudo de boxworks  para a identificação dos sulfetos originais.
A determinação e estudo de gossans e de boxwork textures   levou à descoberta de inúmeros porphyry coppers como muitos dos gigantescos  depósitos de Cu-Au-Mo dos Estados Unidos, Andes e mesmo na Ásia.
No Brasil é clássico o gossan de Igarapé Bahia, que foi  lavrado por anos a céu aberto como um minério de ouro apenas...até a descoberta  de calcopirita (Depósito Alemão) associada a magnetita, em profundidades de 100m. Se os Geólogos da  Vale entendessem de gossans, naquela época, a descoberta do Alemão não seria  feita por geofísica com décadas de atraso como foi o caso.
Mesmo descobertas como o depósito de Cobre de alto teor  Mountain City em Nevada, 1919, foi uma decorrência de um estudo feito por um  prospector de 68 anos chamado Hunt em um gossan tido como estéril. O gossan, que  não tinha traços de cobre, jazia poucos metros acima de um rico manto de  calcocita...O Hunt não sabia o que era um gossan mas acreditava que a rocha era  um leached cap ou um produto de lixiviação de sulfetos. Ele tinha o feeling,  coisa que todo o Geólogo de Exploração deve ter.  Exemplos como estes devem  bastar para que você se convença da importância dos gossans na pesquisa mineral.
A foto do gossan silicoso é um excelente exemplo. Eu  coletei essa amostra exatamente sobre um sulfeto maciço de Cu-Ni no Limpopo Belt  em Botswana (Mina de Selebi Phikwee) minutos antes do gossan ser lavrado. O  gossan estava 5 metros acima do sulfeto fresco...Neste caso o gossan é  constituído quase que exclusivamente por sílica (calcedônia) de baixa densidade  (devido aos poros microscópicos). Até o ferro foi remobilizado desta amostra. A  cor amarelada da amostra se mesclava com cores avermelhadas no afloramento. Somente ao microscópio que aparecem os  boxworks de calcopirita e de pirrotita e pentlandita. Selebi-Phikwe em produção  desde 1966 deverá ser fechada ainda este ano.
Com certeza esse foi o último opaline gossan  de Selebi-Phikwe. O mais interessante é que as análises que eu fiz no Brasil  mostraram cobre abaixo de 100ppm e níquel em torno de 150ppm. Em outras palavras  qualquer um que coletar uma amostra em ambiente ultramáfico que analise 70 ppm  de Cu e 150ppm de Ni não vai soltar foguetes. Vai simplesmente desconsiderar a  amostra e partir para outra. Ele poderá estar perdendo uma oportunidade  extraordinária por desconhecer o que um gossan.
Se você ainda não está convencido da importância dos  gossans entre no Google e pesquise duas palavras: gossan discovery. O Google vai  listar milhares de papers sobre descobertas minerais feitas a partir de um  afloramento de gossan.

Diamantes: De Beers revitaliza Venetia

Diamantes: De Beers revitaliza Venetia

Venetia é a maior mina de diamantes a céu aberto da África do Sul. A mina tem 15 anos e fica localizada no Limpopo. Ela chegou a produzir perto de 8 milhões de quilates por ano.  Hoje a produção de Venetia caiu para três milhões de quilates ao ano.
Após anos de produção a De Beers sente a tendência de alta no mercado e resolve investir 20 bilhões de Rands em Venetia. Com esse investimento serão criados mais de 3.000 empregos e a vida útil da mina será ampliada para 2040.
Nesta nova fase será feita a transição para lavra subterrânea que irá processar seis milhões de toneladas de kimberlito por ano.