segunda-feira, 3 de março de 2014

Analistas do Citi dizem que o minério de ferro vai despencar para US$80/t

Analistas do Citi dizem que o minério de ferro vai despencar para US$80/t
Os analistas do Citi realmente acreditam que o minério de ferro vai cair aos US$80/t e já fizeram o downgrade da BHP e Tio Tinto para neutro.
Eles acreditam que os chineses vão aumentar a reciclagem de ferro velho e que os Indianos devem voltar ao cenário do minério de ferro colocando mais de 100 milhões de toneladas novas no mercado.
A ideia desses analistas parece boa, caso não existissem alguns pontos básicos que eles esqueceram:
- o minério de ferro indiano é péssimo, caro e pouco competitivo: a baixa qualidade do minério indiano foi o motivo que fez o próprio Governo Indiano a fechar as minas de Goa e Karnataka, verdadeiros garimpos indianos. Nessas “minas” os garimpeiros indianos produzem com altos custos (acima de US$80/t) um produto sem controle de qualidade. Como esse minério vai competir com os da Vale, Rio e BHP? Nunca!

-a produção chinesa de minério de ferro, que é a maior do mundo, tem um custo médio superior a US$80/t. Ou seja, se o preço cai a US$80/t todos os produtores chineses e suas minas irão para o sal... Como quem faz os preços é o comprador, a China, é pouco provável, que os espertos chineses vão dar um tiro no próprio pé e matar a própria indústria de mineração.

Esses analistas vão errar, mais uma vez, assim como eles erraram em 2013 quando advogaram a queda do minério de ferro para os US$80/t. O que se viu foi uma média em torno de US$130 ao longo do ano. Um pequeno erro de quase 70% que já deveria ter cortado essas cabeças. Erro que  custou muito dinheiro aos coitados que acreditaram neles. 


Publicado em: 3/3/2014 12:45:00

Mineração australiana em queda

Mineração australiana em queda
O CAPEX investido na mineração, no último trimestre na Austrália, caiu 5,2% para 38,3 bilhões de dólares. É o menor nível de investimentos desde a crise de 2008. A notícia negativa repercute e as demissões já afetam o setor onde os investidores começam a procurar outras áreas. A expectativa é que, em 2014, os investimentos no setor caiam mais ainda, para 20%.
Esse cenário é muito preocupante já que a economia australiana é totalmente dependente da mineração e a China, a principal importadora de produtos minerais australianos, começa a frear suas importações de carvão e, possivelmente, as de minério de ferro. Este é o pior cenário idealizado pelos mineradores e investidores australianos.
Apesar de todo o pessimismo as grandes mineradoras australianas tiveram um 2013 extraordinário. A BHP teve um lucro 83% maior de US$8,1 bilhões com um aumento de 20% nas suas exportações de minério de ferro. Nada mal para um país que diz estar no início de uma crise.

Grafita o mineral do futuro

Grafita o mineral do futuro
A grafita, uma forma de carbono, é um mineral em alta. Os novos usos da grafita nas baterias de lítio, em celulares e computadores estão acelerando a busca dos jazimentos do mineral. O que se procura é qualidade, um concentrado de grafita com flocos de granulometria grosseira e alta pureza, que possa suprir uma indústria com faturamento de mais de 13 bilhões de dólares.
O grande produtor de grafita a China, fechou várias minas e teve a sua produção reduzida em 20% para 700 mil de toneladas em 2013. O motivo das paralisações foi a contaminação ambiental feita pelos produtores chineses de Pindgu . O mesmo ocorreu na Mongólia em 2008. Os preços do mineral caíram nos últimos anos, mas são ainda atraentes em torno de US$1.300/t o que torna jazimentos de grafita de qualidade em excelentes alvos para mineradores.
Mais de 200 empresas de mineração estão engajadas na prospecção de grafita no mundo e o resultado desse esforço já começa a aparecer. Em Moçambique a australiana Triton Minerals descobriu um depósito que pode ser o quarto maior do mundo, de 5,7 milhões de toneladas de grafita contida: o Cobra Plains. A região de Balama tem vários prospectos de grafita sendo pesquisados.
No Brasil a produção de grafita já é a segunda do mundo atrás, apenas, da China, atingindo 96.000t em 2013. Essa grafita é derivada das minas de 3 produtores principais. O consumo brasileiro foi de 32,5 mil toneladas em 2008.

Alrosa poderá suprir mercado de diamantes da Índia

Alrosa poderá suprir mercado de diamantes da Índia
A maior produtora de diamantes do mundo a russa Alrosa está em negociações com a Índia para o fornecimento de seus diamantes. A Índia é um dos maiores importadores de diamantes do mundo e está preparada para usar a estatal MMTC para um acordo de longo prazo com a Alrosa. A sinergia entre os dois é imensa: a empresa russa produziu 36,9 milhões de quilates em 2013 e a Índia exportou US$43,3 bilhões em joias no mesmo ano. Os dois estão fechando um acordo de 20 bilhões de dólares em 2015 que incluirá os diamantes da Alrosa se as negociações prosperarem.

Voce sabe o que e NPV?

Voce sabe o que e  NPV?
A cada dia que passa a mídia especializada se enche de palavras e acrônimos que contém um enorme significado embutido no seu contexto. Estou falando de:
-NPV
-PV
-IRR
-Payback time
-EVA
-all-in cash costs -CAPEX
-OPEX
-EBITDA
-cash flow
Se você é um geólogo de exploração mineral que é ou vai ser, um dia, chefe de projeto ou executivo de uma empresa de mineração é bom saber, muito bem, o significado desses acrônimos.
Pois é, você tem que conhecer, não existe outra forma quando o assunto for avaliação econômica de projetos e de minas ou compra de empresas. Todo o executivo de empresa de mineração deve ser um excelente entendedor da economia mineral e lidar com esses conceitos, naturalmente, no seu dia-a-dia.
As coisas mudaram...
O interessante que esse approach era totalmente desconhecido da geologia e até o final da década de 70, nada disso era ensinado nas Universidades. Foi a fase da geologia romântica onde quem comprava as minas, as empresas e os projetos de mineração eram os economistas que nada sabiam de geologia.
Foi quando o canadense Brian MacKenzie, professor da Universidade de Queens, viu a oportunidade e trouxe para a geologia a economia mineral moderna e os conceitos de cash flow voltados para a avaliação de oportunidades minerais.
Que eu saiba eu fui o primeiro brasileiro a fazer o curso do Brian em 1977. Na época ele havia sido contratado pela Shell South Africa para ministrar o curso para os geólogos da Shell, na África do Sul onde eu trabalhava.
Foi um mundo novo se descortinando. A partir do Brian Mackenzie a exploração mineral, dentro da geologia, passou a fazer sentido econômico e os geólogos deixaram de ser os “poetas da mineração” como muito engenheiro costumava dizer. Foi a plataforma de lançamento para os primeiros geólogos-empresários que hoje são os donos e CEOs de uma multitude de empresas no mundo mineral.
Nós, que fizemos o curso, imediatamente espalhamos a notícia (ainda não havia internet) mas, mesmo assim, em poucos anos o Mineral Economics Course do Brian Mackenzie passou a ser o mais popular de todos os cursos na geologia mundial levando dúzias de brasileiros até a Universidade de Queens, no Canadá e mudando, definitivamente, a geologia e a economia mineral.
Mais tarde, Brian e seus ex-alunos aportaram no Brasil, a partir da década de 90, quando inúmeros cursos de economia mineral foram ministrados beneficiando aquelas gerações de geólogos.
Esse não é o seu caso?
Meu amigo(a), se você não aprendeu esses conceitos na Universidade ou na vida profissional não perca mais tempo. Estude, ou melhor, faça um bom curso.  Imediatamente!
Não há lugar, no mundo dos executivos da mineração e dos profissionais de geologia em cargos de chefia de projetos para geólogos que não dominam esses conceitos.
Ser um analfabeto da economia mineral é pecado grave no mundo atual.
Se você for estudante de geologia e a sua Universidade não tem um curso específico sobre esse assunto dentro da geologia econômica abra o olho e, literalmente, obrigue a Universidade a implementar esse curso.
Aí vai o meu conselho para esse carnaval: estude o que é NPV e suas implicações: o samba não vai ajudar na próxima avaliação de um projeto que a sua empresa for comprar.