Analistas do Citi dizem que o minério de ferro vai despencar para US$80/t
Os analistas do Citi realmente acreditam que o minério de ferro vai cair
aos US$80/t e já fizeram o downgrade da BHP e Tio Tinto para neutro.
Eles acreditam que os chineses vão aumentar a reciclagem de ferro velho e
que os Indianos devem voltar ao cenário do minério de ferro colocando
mais de 100 milhões de toneladas novas no mercado.
A ideia desses analistas parece boa, caso não existissem alguns pontos básicos que eles esqueceram:
- o minério de ferro indiano é péssimo, caro e pouco competitivo: a
baixa qualidade do minério indiano foi o motivo que fez o próprio
Governo Indiano a fechar as minas de Goa e Karnataka, verdadeiros
garimpos indianos. Nessas “minas” os garimpeiros indianos produzem com
altos custos (acima de US$80/t) um produto sem controle de qualidade.
Como esse minério vai competir com os da Vale, Rio e BHP? Nunca!
-a produção chinesa de minério de ferro, que é a maior do mundo, tem um
custo médio superior a US$80/t. Ou seja, se o preço cai a US$80/t todos
os produtores chineses e suas minas irão para o sal... Como quem faz os
preços é o comprador, a China, é pouco provável, que os espertos
chineses vão dar um tiro no próprio pé e matar a própria indústria de
mineração.
Esses analistas vão errar, mais uma vez, assim como eles erraram em 2013
quando advogaram a queda do minério de ferro para os US$80/t. O que se
viu foi uma média em torno de US$130 ao longo do ano. Um pequeno erro de
quase 70% que já deveria ter cortado essas cabeças. Erro que custou
muito dinheiro aos coitados que acreditaram neles.
Publicado em: 3/3/2014 12:45:00
Mineração australiana em queda
O CAPEX investido na mineração, no último trimestre na
Austrália, caiu 5,2% para 38,3 bilhões de dólares. É o menor nível de
investimentos desde a crise de 2008. A notícia negativa repercute e as
demissões já afetam o setor onde os investidores começam a procurar
outras áreas. A expectativa é que, em 2014, os investimentos no setor
caiam mais ainda, para 20%.
Esse cenário é muito preocupante já que a economia australiana é
totalmente dependente da mineração e a China, a principal importadora de
produtos minerais australianos, começa a frear suas importações de
carvão e, possivelmente, as de minério de ferro. Este é o pior cenário
idealizado pelos mineradores e investidores australianos.
Apesar de todo o pessimismo as grandes mineradoras australianas tiveram
um 2013 extraordinário. A BHP teve um lucro 83% maior de US$8,1 bilhões
com um aumento de 20% nas suas exportações de minério de ferro. Nada mal
para um país que diz estar no início de uma crise.
Grafita o mineral do futuro
A grafita, uma forma de carbono, é um mineral em alta. Os novos usos da
grafita nas baterias de lítio, em celulares e computadores estão
acelerando a busca dos jazimentos do mineral. O que se procura é
qualidade, um concentrado de grafita com flocos de granulometria
grosseira e alta pureza, que possa suprir uma indústria com faturamento
de mais de 13 bilhões de dólares.
O grande produtor de grafita a China, fechou várias minas e teve a sua
produção reduzida em 20% para 700 mil de toneladas em 2013. O motivo das
paralisações foi a contaminação ambiental feita pelos produtores
chineses de Pindgu . O mesmo ocorreu na Mongólia em 2008. Os preços do
mineral caíram nos últimos anos, mas são ainda atraentes em torno de
US$1.300/t o que torna jazimentos de grafita de qualidade em excelentes
alvos para mineradores.
Mais de 200 empresas de mineração estão engajadas na prospecção de
grafita no mundo e o resultado desse esforço já começa a aparecer. Em
Moçambique a australiana Triton Minerals descobriu um depósito que pode
ser o quarto maior do mundo, de 5,7 milhões de toneladas de grafita
contida: o Cobra Plains. A região de Balama tem vários prospectos de
grafita sendo pesquisados.
No Brasil a produção de grafita já é a segunda do mundo atrás, apenas,
da China, atingindo 96.000t em 2013. Essa grafita é derivada das minas
de 3 produtores principais. O consumo brasileiro foi de 32,5 mil
toneladas em 2008.
Alrosa poderá suprir mercado de diamantes da Índia
A maior produtora de diamantes do mundo a russa Alrosa está em
negociações com a Índia para o fornecimento de seus diamantes. A Índia é
um dos maiores importadores de diamantes do mundo e está preparada para
usar a estatal MMTC para um acordo de longo prazo com a Alrosa. A
sinergia entre os dois é imensa: a empresa russa produziu 36,9 milhões
de quilates em 2013 e a Índia exportou US$43,3 bilhões em joias no mesmo
ano. Os dois estão fechando um acordo de 20 bilhões de dólares em 2015
que incluirá os diamantes da Alrosa se as negociações prosperarem.
Voce sabe o que e NPV?
A cada dia que passa a mídia especializada se enche de
palavras e acrônimos que contém um enorme significado embutido no seu
contexto. Estou falando de:
-NPV
-PV
-IRR
-Payback time
-EVA
-all-in cash costs
-CAPEX
-OPEX
-EBITDA
-cash flow
Se você é um geólogo de exploração mineral que é ou vai ser, um dia,
chefe de projeto ou executivo de uma empresa de mineração é bom saber,
muito bem, o significado desses acrônimos.
Pois é, você tem que conhecer, não existe outra forma quando o assunto
for avaliação econômica de projetos e de minas ou compra de empresas.
Todo o executivo de empresa de mineração deve ser um excelente
entendedor da economia mineral e lidar com esses conceitos,
naturalmente, no seu dia-a-dia.
As coisas mudaram...
O interessante que esse approach era totalmente desconhecido da geologia
e até o final da década de 70, nada disso era ensinado nas
Universidades. Foi a fase da geologia romântica onde quem comprava as
minas, as empresas e os projetos de mineração eram os economistas que
nada sabiam de geologia.
Foi quando o canadense Brian MacKenzie,
professor da Universidade de Queens, viu a oportunidade e trouxe para a
geologia a economia mineral moderna e os conceitos de cash flow voltados
para a avaliação de oportunidades minerais.
Que eu saiba eu fui o primeiro brasileiro a fazer o curso do Brian em
1977. Na época ele havia sido contratado pela Shell South Africa para
ministrar o curso para os geólogos da Shell, na África do Sul onde eu
trabalhava.
Foi um mundo novo se descortinando. A partir do Brian Mackenzie a
exploração mineral, dentro da geologia, passou a fazer sentido econômico
e os geólogos deixaram de ser os “poetas da mineração” como muito
engenheiro costumava dizer. Foi a plataforma de lançamento para os
primeiros geólogos-empresários que hoje são os donos e CEOs de uma
multitude de empresas no mundo mineral.
Nós, que fizemos o curso,
imediatamente espalhamos a notícia (ainda não havia internet) mas, mesmo
assim, em poucos anos o Mineral Economics Course do Brian Mackenzie
passou a ser o mais popular de todos os cursos na geologia mundial
levando dúzias de brasileiros até a Universidade de Queens, no Canadá e
mudando, definitivamente, a geologia e a economia mineral.
Mais tarde, Brian e seus ex-alunos aportaram no Brasil, a partir da
década de 90, quando inúmeros cursos de economia mineral foram
ministrados beneficiando aquelas gerações de geólogos.
Esse não é o seu caso?
Meu amigo(a), se você não aprendeu esses conceitos na Universidade ou na
vida profissional não perca mais tempo. Estude, ou melhor, faça um bom
curso. Imediatamente!
Não há lugar, no mundo dos executivos da mineração e dos profissionais
de geologia em cargos de chefia de projetos para geólogos que não
dominam esses conceitos.
Ser um analfabeto da economia mineral é pecado grave no mundo atual.
Se
você for estudante de geologia e a sua Universidade não tem um curso
específico sobre esse assunto dentro da geologia econômica abra o olho
e, literalmente, obrigue a Universidade a implementar esse curso.
Aí vai o meu conselho para esse carnaval: estude o que é NPV e suas
implicações: o samba não vai ajudar na próxima avaliação de um projeto
que a sua empresa for comprar.