domingo, 27 de abril de 2014

Gemas e Pegmatitos do Estado do Ceará

Gemas e Pegmatitos do Estado do Ceará

Objetivo e Justificativas

A meta principal da primeira etapa do projeto Gemas e Minerais de Pegmatitos do Ceará é fornecer um diagnóstico atualizado do setor de gemas no estado do Ceará.

O Ceará é portador de um contexto geológico extremamente favorável à ocorrência de corpos pegmatíticos. Os trabalhos de cadastramento mineral anteriormente executados indicam a existência de mais de uma centena de corpos pegmatíticos, muitos deles com viabilidade de explotação econômica. Este setor agrega, em sua maioria, pequenas e médias empresas, responsáveis pelo emprego de considerável contingente de mão de obra desqualificada, notadamente nos períodos de seca.

Sabe-se, também, da existência de centros de artesanato mineral, no município de Quixeramobim, cujo funcionamento depende da regularidade do fornecimento de matéria-prima. A despeito do panorama descrito acima, a região carece de estudos criteriosos e atualizados relacionados à prospecção mineral desses jazimentos, com vistas ao estabelecimento de sua real potencialidade e seleção das áreas mais favoráveis de conter mineralizações de interesse econômico. Com isso, espera-se fornecer subsídios aos órgãos governamentais para um melhor estabelecimento das diretrizes políticas para o setor mineral do estado.


Localização e Acesso

A distribuição dos corpos pegmatíticos no Ceará evidencia uma maior concentração em duas regiões principais, localizadas nas porções nordeste (subprovíncia Pegmatítica de Cristais) e centro-leste (subprovíncia Pegmatítica de Solonópole) do estado. A subprovíncia de Cristais abrange porções dos municípios de Aracoiaba, Cascavel, Morada Nova, Russas e Beberibe. A subprovíncia de Solonópole compreende partes dos municípios de Quixadá, Quixeramobim, Solonópole e Jaguaribe. As atividades propostas neste anteprojeto serão concentradas nas duas regiões citadas acima. Elas possuem boas condições de acessibilidade, partindo de Fortaleza, através de rodovias asfaltadas. Dispõem, também, em seu interior, de densa rede de estradas secundárias, que dão acesso à grande maioria dos corpos mineralizados, transitáveis na maior parte do ano.


 Gemas e Pegmatitos
Gemas e Pegmatitos


Geologia Regional

A maioria dos corpos pegmatíticos presentes na área de atuação do projeto Gemas e Minerais de Pegmatitos do Estado do Ceará acha-se, aparentemente, relacionada a intrusões graníticas de idade brasiliana. Esses corpos intrusivos seccionam litotipos dos complexos Ceará, unidade Canindé, nas porções mais a norte; e Acopiara, nas regiões de Solonópole e Jaguaribe. Essas unidades são constituídas essencialmente por rochas paraderivadas de médio a alto grau metamórfico; e por corpos granitoides, de dimensões variadas, de idades neo e paleoproterozoicas.


Resultados Esperados

  • Relatório técnico com a descrição da potencialidade do Ceará para minerais pegmatíticos e que indiquem e delimitem as áreas mais favoráveis de conter mineralizações de interesse econômico.

sábado, 26 de abril de 2014

Os Diamantes da Reserva Roosevelt de Rondônia

Os Diamantes da Reserva Roosevelt de Rondônia

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Volto ao assunto relevante para os interesses econômicos do Brasil e em especial do Estado de Rondônia que é a exploração e a extração de diamantes com consequente utilização no aumento de nossas riquezas.
A reserva Roosevelt está localizada no sul de Rondônia, mais especificamente em Espigão do Oeste e parte de Pimenta Bueno, onde é habitada pelos índios Cinta-Larga. Com área de 2,6 milhões de hectares, nela há pouco tempo foi descoberto um raro quimberlito, que é uma rocha vulcânica de onde é extraído o diamante. Segundo o CPRM, do Ministério das Minas e Energia, o quimberlito é único no Brasil e tem capacidade de produzir mais de um milhão de quilates, e ainda,  um quinto de pedras preciosas, o que representaria receitas em bilhares de dólares. A reserva é uma das cinco maiores do mundo, cujos recursos naturais trariam mais rentabilidade para os cofres públicos e para a própria população brasileira carente em infra-estrutura, o que representa muita coisa. O problema deve ser enfrentado com comissões especiais do Congresso Nacional, órgãos públicos representativos dos índios, Receita Federal, uma força especial de supervisão, fazendo como em outros países, através de concessões, o que é possível em razão de estar previsto na própria Constituição Federal, que cabe ao Congresso (arts. 21 e 38, da lei 7.805).
A autorização para a extração mineral, enquanto não se toma iniciativas para que esta fonte grandiosa de recursos econômicos seja transferida para a já carente população brasileira, continuando os conflitos e  a extração ilegal  dos minerais, e segundo a imprensa, saem os diamantes clandestinamente para outros países, tudo deve ser feito com respeito as leis protetoras aos silvícolas, respeito e preservação ao meio ambiente e parte destinada aos próprios índios, tudo feito regularmente através de concessões a empresas que comprovem capacidade para a extração, dentro de normas regulamentadas e rígida fiscalização Federal.
Devemos lembrar que a reserva de Roosevelt, trata-se de uma grande floresta de 2.7 milhões de ha, sabendo-se que a maioria das mineradoras do mundo tem interesse na sua extração, pois ali se esconde, quem sabe, a maior jazida de minérios do mundo.
Empresas estrangeiras já tem todo mapeamento da área, a riqueza que se esconde é incalculável, detectores magnéticos e técnicos do ramo já dizem que ali se encontram vinte quimberlitos, que trata-se de formações rochosas e que saem do subsolo, jogando os diamantes para o solo, segundo foi noticiado um só quimberlito pode resultar em 2 bilhões de dólares.
O governo federal tem que saber o imenso tesouro que ali se esconde e tomar medidas para reverter em benefício da população brasileira, sabendo-se que além dos quimberlitos já encontrados, existem ainda outros que utilizando tecnologia de ponta, poderão ser encontradas novas rochas. O que não pode é darmos as costas para esta realidade e deixar que a extração se faça clandestina.
A reserva Roosevelt foi demarcada em 1973. O que deveria ter sido feito é um programa de assistência ao índio, o DNPM fazer um levantamento geológico da área e o Congresso Nacional regulamentar sua exploração.
Nós podemos copiar outros países como a África do Sul e especialmente o Canadá que colhe extração desde 1991, quando se iniciou a atividade com a descoberta de três minas. Também estas áreas estavam em terras indígenas. Que se vá uma comissão do Congresso Nacional para conhecer como se procede legalmente a extração e venda de sua produção, impondo aos concessionários uma rígida legislação e preservação ambiental, sabendo que o Canadá é atualmente um dos maiores produtores de diamante do mundo, devendo o Governo Federal auferir receita com esta riqueza, não permitindo novos conflitos e devastação ambiental.
A Constituição não proíbe a exploração nesta área, devendo ser criado um regime específico e bem detalhado. Estrategicamente é de bom alvitre a exploração correta dos minerais dessas áreas, podendo ser acompanhado por toda a sociedade, inclusive as organizações  não governamentais.
Podemos citar como exemplo o projeto diamantífero de Catoca que explora o quarto maior quimberlito do mundo, na província angolana da Luanda Sul, que prevê uma produção de 5,5 milhões de quilates por ano. A sociedade mineira de Catoca é uma parceria entre  a empresa nacional de diamantes de Angola, a russa Almazzi, a israeleita Daymont e a brasileira Odebrecht, podendo a exploração ser feita nos próximos 40 anos, pois a estimativa é que atinja a produção anual de 19 milhões de quilates nos próximos anos, o que fará de Angola um dos principais produtores mundiais destas pedras preciosas. Imaginem a quantidade enorme de quimberlitos que existem em Roosevelt, o quanto não renderia para a  economia nacional.
Atualmente, a África do Sul – onde as grandes reservas se encontram, país onde está instalada a empresa De Beers - A Diamond is Forever, a qual detém quase 65% do comércio mundial, com seu início em 1.888, através da mineradora De Beers Consolidadted Mines Limeted Sindicat, tendo a frente Erneste Oppenheimer, que assumiu o cargo em 1926.
A sua maior campanha para a divulgação da marca e a venda de diamantes foi feita em 1948, com o famoso slogan “A diamond is Forever”. Eleita um dos melhores slogans mundiais de todos os tempos, introduziu o primeiro diamante sintético em 1.958, aumentado sua área de exportação em todo o mundo, tendo, em 1.983, criado a divisão de exploração marinha.
Na década de 90 passou a explorar minas na Rússia, Canadá e Austrália, associando-se com o grupo de luxo Vuitton, passando a fornecer diamantes para as grandes grifes, caso da Tiffani, estando atualmente na Old Bond Street, sofisticada rua de Londres e na Quinta Avenida em Nova York.
Na avenida Ginza de Tóquio, a De Beers é o novo ícone do luxo, gerando milhões em divisas para os cofres públicos.
Dentre todas as pedras preciosas, certamente o diamante é o rei, reconhecido pelo homem há milhares de anos. Uma das pedras preciosas que o sumo sacerdote das Doze Tribos de Israel usava em sua veste era um diamante. É a pedra mais pura e resistente, vem do grego e significa “inconquistável”.
A sua utilização comercial data de aproximadamente 130 anos, tendo em 1.869 sido vendido por um pastor na África do Sul um diamante de 83 quilates por 500 ovelhas, dez vacas e um cavalo, alastrando a notícia, repercutindo com o aparecimento de caçadores de tesouro no rio Vaal na África do Sul, dando início a escavações no campo de Kimberly.
No verão de 1871 foi fundada a cidade de kimberly, originando uma corrida na busca de riquezas. Cecil Rhodes passou a ter todas as cotas da “De Beers”, nome de uma família sul africana que os campos pertenciam.
Atualmente, cinco toneladas de diamante são extraídas, a maior parte para fins industriais, como cortar ferro e aço, serrar pedras, polir, moer e raspar diversos tipos de instrumentos, não só como joia, mas parte vital para a indústria mecânica e elétrica.
São extraídos em vários países da África, quais sejam, Gana, África Ocidental Francesa e sua quase totalidade é vendida pela Beers, superando a produção mundial de 23 milhões de quilates por ano.
A pedra de diamante “O Grande Mogul”, que pesava 787 quilates foi adquirido por um marajá indiano. O “Orlof Russo”, pesava 280 quilates, sendo que um dos mais famosos é o diamante “Hope”, uma enorme pedra azul pesando 220 quilates,  atualmente pertencente a um mercador de Nova York.
O maior diamante do mundo foi encontrado em 1.902 na mina Premier, na África do Sul, com 3.106 quilates, o qual foi chamado de “Cullinan”, lapidada em Amsterdã.
Algum leitor poderá indagar o porquê destes relatos. A resposta é que o diamante é a mais bela entre todas as pedras preciosas, possuindo um propósito divino. É feito de fibra de carbono puro e foi forjado há pelo menos 3,3 bilhões de anos a temperatura de 1.200 ºC e pressão de 58 mil atmosferas. Só dois metais são mais valiosos, mas em quantidade mínimas, o tório e o ítrio, usados em reatores nucleares.
“Se você quiser presentear sua amada, não importa os quilates de um diamante, porque ele, como seu amor, serão eternos.”
Só um diamante pode cortar e polir outro diamante.
A De Beers é a maior produtora de diamantes do mundo, sendo de propriedade da Anglo Americam (45%), da família Oppenheimer (40%) e o governo de Botsuana (15%).
Encontrei no “geologo.com.br” a notícia de que foi achado um diamante de 3.703 quilates no garimpo de Juina/MT. Confira aqui.
Com esta última notícia não poderia calar-me sobre a necessidade do governo federal regulamentar a exploração de reservas minerais em áreas indígenas, como é o caso da Reserva Roosevelt em Rondônia, na qual está localizada uma das maiores reservas de diamantes do mundo, com dezenas de quinberlitos a serem extraídos racionalmente, gerando riquezas para toda a nação brasileira, são bilhões de dólares que trarão melhores condições de vida para todos nós.
Não podemos mais postergar a aprovação de uma legislação específica de concessão como acontece em várias partes do mundo, cabendo aos representantes de Rondônia e a classe política dar mais celeridade na sua regulamentação.
Nós rondonienses possuímos uma das maiores riquezas que a natureza nos legou. Urge serem criados mecanismos legais para extrair os diamantes que estão encravados no solo rondoniense. Assim, como na África do Sul que basicamente se desenvolveu calcada nos seus minerais, temos o mesmo direito de usufruir de nossas riquezas para que tenhamos as melhores condições de sonhar com um Estado em que se tenha melhor qualidade de vida e dignidade para nós e nossos filhos.
Segundo o site geologo.com.br, Juína/MT está se preparando para tornar-se o maior centro mundial de extração de diamantes industriais. Quem acena é a Diagem do Brasil Mineração, subsidiaria da Diagem Internacional Resourc e Corporation, com sede em Vancouver no Canadá. É previsto um capital inicial de 8 milhões de dólares. Aprovada a exploração pelo DNPM, em breve começará a exploração do quimberlito.
Conforme a lei Kandir, que o considera comoditie, o diamante é desonerado de impostos para exploração, pagando-se 0,2% do valor da operação, rateado entre Estado e Município, sendo que no mercado nacional, paga-se ICMS.
E nós como ficamos? Nossas autoridades devem lutar pelo seu povo e pelo nosso progresso. É hora de arregaçar as mangas, deixar partidarismos, interesses políticos e ideológicos, partindo imediatamente na exploração de nossos quimberlitos.
Rondônia, certamente, será o maior centro mundial de exploração de diamantes, em razão de termos as maiores reservas, e não só nós, como todos os brasileiros serão beneficiados na partilha dos vultosos lucros que serão auferidos, contribuindo em muito para a diminuição da desigualdade social e investimentos em áreas prioritárias que reverterá em benefício de todos.

Caçadores de esmeraldas

Caçadores de esmeraldas


Montanhas de beleza rara, vales que parecem não ter fim, rios que se espremem nos corredores de pedras. O conjunto de monumentos impressionantes foi criado pela natureza há 400 milhões de anos, quando a Terra ainda era criança. No coração da Bahia, as águas do inverno saltam dos pontos mais altos do Nordeste. Um espetáculo exuberante. A Queda d'Água da Fumaça, de quase 400 metros, parece que começa nas nuvens. Na Chapada Diamantina, a trilha das águas mostra o caminho das pedras. Pedras preciosas, que contam a história de muitos aventureiros. Carnaíba, norte da chapada. O vilarejo com cara de cidade atrai milhares de garimpeiros. As serras da região concentram a maior reserva de esmeralda do Brasil.
O empresário Alcides Araújo vive perseguindo a sorte há mais de 20 anos. Ele é um dos grandes investidores na extração da valiosa pedra verde. Alcides diz que ainda não encontrou a sorte grande. Do garimpo dele só saíram pedras de segunda. Mesmo assim não dá para reclamar.
"Já ganhei um dinheiro razoável no garimpo, produzi quase quatro mil quilos. Se tivesse essas pedras hoje, valeria R$ 300, R$ 200 o grama. Já ganhei mais de R$ 3 milhões", revela o empresário.
Boa parte desse dinheiro está enterrada na jazida que Alcides explora. O Globo Repórter foi ver como os garimpeiros vão atrás da esmeralda. Uma aventura que requer, além de sorte, muita coragem.

Na maior mina da região, a equipe foi a 280 metros de profundidade. Para chegar lá embaixo, o equipamento é um cinto de borracha conhecido como cavalo. Confira esse desafio em vídeo. Os garimpeiros são mesmo corajosos. No abismo dos garimpos, a vida anda por um fio. O operador da máquina que faz descer e subir o cabo-de-aço não pode vacilar. A água que cai do teto vem do lençol freático que o túnel corta. Parece uma viagem ao centro da Terra. Mas será que vale mesmo a pena correr tanto risco?
Foram quase seis minutos só de descida. Seis minutos de arrepios. A 280 metros a equipe chegou a um corredor estreito. No rastro da esmeralda, os garimpeiros abrem quilômetros de galerias. Calor, pouco ar, oito, dez horas por dia no estranho mundo subterrâneo. Esses homens vivem como tatus-humanos.
Alegria mesmo é quando o verde começa a surgir na rocha. Sinal de que pode estar por perto o que eles tanto procuram. É preciso detonar a rocha para ver se é mesmo esmeralda. O desejo de enriquecer é mais forte que o medo do perigo. Sem nenhuma segurança, eles enchem com dinamite os buracos abertos pela perfuratriz.
“Costumamos fazer até quatro detonações por dia. A cada detonação, são disparados de dez a quinze tiros", conta o fiscal de garimpo Klebson de Araújo.
Muita pedra desceu do teto da galeria. O trabalho agora era levar tudo lá para cima e examinar direito as pedras. E o dono do garimpo? Será que ele confia nos seus garimpeiros?
"Eles encontram e a gente fiscaliza. Se facilitar uma coisinha, eles botam dentro do bolso”, diz o garimpeiro Manoel.
“Tem várias formas de levar. Uns dizem que estão com sede, pedem uma melancia para chupar. Partem um pedacinho, colocam as pedrinhas lá dentro e levam a melancia”, denuncia Alcides.
Escondida ou não, esmeralda na mão é dinheiro no bolso. Nos fins de semana, a praça principal da cidade de Campo Formoso vira um mercado movimentado de pedras preciosas. No local, o que menos importa é a procedência. A esperteza sempre prevalece. Esmeralda de qualidade nunca é vendida na praça. Negócio com pedras valiosas é fechado dentro de casa, por medo de assalto. Os minérios da Chapada Diamantina fizeram fortunas e produziram histórias. Histórias como a de Herodílio Moreira que já viveu dias de glória.
“Já ganhei muito dinheiro com esmeralda. De comprar mercadoria e ganhar cinco carros de uma vez, de lucro. Hoje esses carros acabaram. Estou querendo dinheiro para comprar uma bicicleta velha”, conta o garimpeiro.
No mundo desses aventureiros, pobreza e riqueza dividem o mesmo espaço. O garimpeiro José Gomes, de 70 anos, também já viveu as duas situações, mas nunca perdeu a esperança.
“Quando vejo na joalheria uma esmeralda em forma de jóia, analiso o que perdi. Vejo as pedras nas lojas valendo milhões de dólares e eu sem nada", diz ele.

A Esmeralda de 400 Milhões de Dólares

A Esmeralda de 400 Milhões de Dólares



O National Geographic exibiu recentemente o documentário A Esmeralda de 400 Milhões de Dólares, que conta a história da maior esmeralda do mundo, encontrada no Brasil em 2001, pesando cerca de 380 quilos. Sua história, que inclui fraude, obsessão e loucura, é tão mirabolante que é difícil de acreditar. Até o momento em que a pedra foi para o sistema judicial da Califórnia, em 2008, nada menos do que oito pessoas brigavam pelo controle de uma espécie avaliada em cerca de US$ 400 milhões.
Falando em esmeralda, lembram do brinco de esmeralda que Angelina Jolie usou no Oscar 2009? Pois bem,  o maravilhoso par de brincos com esmeraldas colombianas custa a “bagatela” de 2 milhões e meio de dólares! Não foi à toa que despertou a atenção de todos!


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Os agentes da Suíça piauiense

Os agentes da Suíça piauiense

Nem só de roupas e beldades vive o Fashion Rio

Há cinco anos é assim. Na terceira semana de janeiro, quando ocorre o Fashion Rio, a capital fluminense é invadida por um exército vistoso, pronto para enfrentar qualquer desfile. Em questão de horas, as passarelas são tomadas por centenas de moças, várias mulheres que parecem moças e inúmeros homens que, de pele macia e cabelos longos, também parecem moças.

Como toda boa história de invasão, esta conta com agentes infiltrados. No caso, três: Antônio Sepúlveda, 38, Juscelino Souza, 38, e Marcelo Morais, 49, oriundos de Pedro II, cidade de 40 mil habitantes no norte do Piauí. Eles vieram ao Fashion Business, braço comercial do Fashion Rio, com a missão de vender opala, uma pedra colorida e valiosa, abundante na região em que vivem. Em Pedro II, Sepúlveda é presidente da Cooperativa dos Garimpeiros, Souza é presidente da Associação dos Joalheiros e Morais coordena a demarcação de terras para a mineração. Na semana de moda, em meio a beldades, passam despercebidos.

A missão no Rio de Janeiro é crucial. Bons contatos podem impulsionar a extração de opala e, conseqüentemente, a economia de Pedro II. Os agentes do Piauí sabem disso e carregam no bolso o peso da responsabilidade. O garimpeiro Sepúlveda, homem pequeno e de poucas palavras, trouxe 150 cartões de visita. Souza, que se auto-intitula "o joalheiro primogênito de Pedro II", trouxe duzentos. Morais, homem que se caracteriza por óculos redondos, cabeça redonda, barriga redonda e por andar com o crachá do Fashion Business mesmo no meio da rua, veio munido de quinhentos.

Eles trouxeram uma coleção de sessenta jóias para exibir na feira de moda. O objetivo é vendê-las, em levas, para joalherias. Os três piauienses ficam no estande e respondem a perguntas. Quanto vale uma opala? Souza afirma que, "lapidada, até dez vezes o ouro" - ou seja, em torno de 400 reais o grama. Ganha-se dinheiro? "Vendi uma pedra de 108 gramas por 35 mil reais", diz Sepúlveda. Onde mais existe? "Na Austrália" (ignorando outros concorrentes fortíssimos, como Hungria e México). "Mas está acabando", garante... " Onde fica Pedro II? "A 200 quilômetros de Teresina", responde Souza. A cidade é rica? "Tem potencial", diz Sepúlveda, "até agora só 20% da opala foi extraída." Há outros projetos? Morais quer incluir a cidade no circuito nacional de asa-delta: "Pedro II tem montanha para todo lado e está a 700 metros do nível do mar. Moramos na Suíça piauiense".

Uma manhã, os três tomaram um táxi e foram visitar o Museu H. Stern, em Ipanema. O museu é didático: há murais e maquetes que explicam o processo de extração e lapidação de uma pedra. Os visitantes do Piauí colocaram fones de ouvido e, calados, passearam pelos corredores. Vez por outra, soltavam uma frase: "Isso aí já conhecemos". Ao entrar na segunda sala, pararam diante de uma opala bruta. Tiraram dezenas de fotos. O geólogo Jurgen Schnellrth, que acompanhou a comitiva, explicou que "a opala é uma estrutura nanoesférica tridimensional que provoca uma rede de difração, de acordo com uma fórmula matemática que não vem ao caso". O garimpeiro Sepúlveda simplificou: "A maioria das pedras é de uma cor só. A opala tem várias".

A visita se encerrou na loja da H. Stern. O andar estava repleto de estrangeiros. Os agentes do Piauí inspecionaram tudo, espiaram aqui e ali e chegaram a uma triste conclusão: não havia opalas à venda. Laisa Nasasra Bloomfeld, gemóloga da H. Stern que também acompanhou a visita, conta que por falta marketing a pedra é pouco aceita. Além disso, explica, por causa de um romance do século XIX - Anna de Geierstein ou a Donzela do Nevoeiro, de Sir Walter Scott -, surgiu a lenda de que a opala trazia má sorte, já que a heroína morria quando a pedra era banhada em água santa.

Sepúlveda se espantou. A pedra não lhe trouxe outra coisa senão sorte. Há mais de vinte anos sua vida gira em torno da opala. Alugou uma bela casa, casou e teve dois filhos. Morais também acha a teoria absurda: "Quando eu morrer, quero ser enterrado com uma opala de 100 mil".

Enquanto Sepúlveda e Morais derrubavam o mito, Souza, que levara a esposa, chamou-a num canto, enfiou a mão na bolsa dela, sacou dali um objeto e com ele em punho avançou na direção do grupo. Solene mas discretamente, espetou-o na blusa da gemóloga da H. Stern. Era um broche de opala no formato do Piauí.

E foi assim que três agentes da Suíça piauiense fincaram uma opala no seio da maior joalheria brasileira.