sábado, 17 de maio de 2014

Lápis-lazúli


Lápis-lazúli, conhecido também como lápis azul, é uma rocha metamórfica de cor azul utilizada como gema ou como rocha ornamental desde antes de 7000 a.C. em Mehrgarh, na Índia, situado nos dias de hoje no Paquistão. A sua cor, azul-escura e opaca, fez com que esta gema fosse altamente apreciada pelos faraós egípcios, como pode ser visto por seu uso proeminente em muitos dos tesouros recuperados dos túmulos faraônicos. É ainda extremamente popular hoje. Trata-se de uma rocha, e não de um mineral, já que é composto por vários minerais. A primeira parte do nome, lapis, em latim, significa pedra. A segunda parte, lazúli, é a forma genitiva no latim de lazulum, que veio do árabe (al)- lazward, que veio do persa لاژورد, lāzhward, que veio do sânscrito Raja Warta, significando "anel", "vida do rei". Lazúli era originalmente um nome, mas logo veio a significar azul por causa de sua associação com a pedra. A palavra em inglês azure, o azul espanhol e português e o azzurro italiano são cognatos.

Descrição

Escultura em lápis-lazúli de qualidade elevada, mostrando inclusões douradas de pirita. Estas inclusões são comuns nessa gema e são uma ajuda importante na sua identificação. A escultura possui 8 cm de comprimento.
O componente principal do lápis-lazúli é a lazurita (25% 40%), silicato do grupo dos feldspatoides de fórmula química (Na,Ca)8(AlSiO4)6(S,SO4,Cl)1-2. A maioria do lápis-lazúli contém também calcita (branca), sodalita (azul) e pirita (amarelo metálico). Outros constituintes possíveis são augita, diópsido, enstatita, mica, hauyinita, hornblenda e noseana. Alguns contêm quantidades mínimas de loellingita. O lápis-lazúli ocorre geralmente em mármores cristalinos como resultado de metamorfismo de contato. A sua melhor cor é o azul intenso, com pequenos grãos de pirita dourada. Para ser valioso, não deve haver nenhum veio de calcita e as inclusões da pirita devem ser pequenas. As pedras que contêm demasiadamente calcita ou pirita não são artigo de grande valor. Os grãos de pirita são importantes para identificar a pedra como genuína e não diminuem o seu valor. Frequentemente, os lápis de qualidade inferior são tingidos para melhorar sua cor, mas estes são frequentemente muito escuros - ficando azul-acinzentados.

Fontes

Os lápis mais valiosos vêm da área de Badakshan do Afeganistão. Shortugai, um povoamento da civilização do Vale do Indo no rio Amu Dária no norte do Afeganistão, situava-se perto de minas de lápis-lazúli. Esta fonte dos lápis pode ser a mais antiga das minas no mundo, e as mesmas minas que operam ainda hoje podem ter fornecido os lápis aos faraós e antigos sumérios. Usando esta fonte antiga, os artistas do Vale do Indo lapidavam estas pedras, que comerciantes negociavam nos locais mais distantes. Mais recentemente, durante o conflito do Afeganistão e URSS em 1980, os lutadores da resistência do Afeganistão utilizaram explosivos obtidos a partir de munições soviéticas nas minas de lápis, que utilizaram como forma de obter fundos para custear a resistência[carece de fontes]. Além dos depósitos afegãos, os lápis são encontrados nos Andes perto de Ovalle, Chile, onde são geralmente mais pálidos que o azul-escuro. Outras fontes menos importantes são a região do Lago Baikal na Rússia, a Sibéria, Angola, Myanmar, Paquistão, EUA (Califórnia e Colorado), Canadá e Índia.

Usos

O lápis-lazúli, com um polimento adequado, pode ser usado em jóias, caixas, mosaicos, ornamentos, canetas e vasos. Na arquitetura, foi usado nas paredes e colunas dos palácios e das igrejas. Quando moído e processado, dá origem ao pigmento para a têmpera (método de pintura utilizado por artistas japoneses) e, mais raramente, pintura a óleo.
Muita poesia suméria e de acádia faz referência ao lápis-lazúli como uma gema própria de esplendor real. Em épocas antigas, o lapis-lazúli ficou conhecido como safira, que é o nome usado hoje para uma variedade de coríndon, especialmente a azul. Os romanos acreditavam que os lápis eram um poderoso afrodisíaco. Na Idade Média, acreditou-se que mantinha o corpo saudável e a alma livre do erro e do medo. Acreditou-se também que o lápis tinha propriedades medicinais. Era moído e misturado com leite fervido e aplicado em úlceras na pele. Muitos dos azuis pintados nas iluminuras medievais e nos painéis do Renascimento foram produzidos a partir de lápis-lazúli.
O pó de lápis-lazúli, depois de processado para remover as impurezas, e uma vez isolado o componente lazurita, dá origem ao pigmento ultramarine. Este azul livre, brilhante, era um do poucos disponíveis aos pintores antes do século XIX, mas era de alto custo. Quando a pintura de têmpera foi substituída pelo advento da pintura a óleo no Renascimento, os pintores acharam que o brilho do ultramarine ficava diminuído quando moído e misturado em óleo e isto, junto com seu alto custo, conduziu a um declínio constante no seu uso. Desde que a versão sintética do ultramarine foi descoberta no século XIX (junto com outros azuis, tais como o azul do cobalto), a produção e o uso da variedade natural quase cessou, embora diversas companhias ainda a produzam e alguns pintores ainda sejam atraídos pelo seu brilho e pela sua história romântica.

História

No antigo Egito, o lápis-lazúli era a pedra favorita para amuletos e ornamentos; foi usado também pelos assírios e pelos babilônicos nos selos cilíndricos (locais onde se gravavam pinturas contando a história do povo). As escavações egípcias que datam de 3000 a.C. continham milhares de artigos como jóia, muitos feitos de lápis. Os lápis pulverizados foram usados por senhoras egípcias como uma sombra cosmética para o olho.
Como inscrito no capítulo 140 do Livro dos Mortos egípcio, o lápis-lazúli, na forma de um olho ajustado no ouro, foi considerado um amuleto de grande poder. No último dia do mês, oferecia-se este olho simbólico, porque se acreditava que, nesse dia, um ser supremo colocou tal imagem em sua cabeça. Os antigos túmulos reais sumérios de Ur, situados perto do rio Eufrates no baixo Iraque, continham mais de 6.000 estatuetas belamente executadas, de lápis-lazúli, de pássaros, cervos e roedores, bem como pratos, grânulos e selos de cilindro. Estes artefatos vieram indubitavelmente do material minerado em Badakhshan no norte do Afeganistão.

Detalhes

Cor: azul, mesclado com branco da calcita e grãos dourados da pirita
Forma: compacto, maciço
Densidade: 2.7 a 3.0 gramas por centímetro cúbico
Dureza: 5 - 5.5
Brilho: baço
Fratura: desigual
Sistema cristalino: não há, lápis é uma rocha. Lazurite, o principal constituinte, frequentemente ocorre como um dodecaedro
Clivagem: não tem Transparência: opaca
Índice de refração: 1.5

O Lápis-lazúli no mundo atual

É a pedra oficial do anel de formatura dos psicólogos, assim considerada a partir de 31 de março de 2006, pela Resolução nº 002/2006 do Conselho Federal de Psicologia brasileiro.
O lápis-lazúli é a pedra nacional do Chile.
É a pedra usada nos anéis de Stefan e Damon Salvatore, os irmãos vampiros da série de livros de terror e romance The Vampire Diaries da autora estadunidense Lisa Jane Smith e da série de televisão do canal norte-americano The CW de mesmo nome. Na história, os anéis protegem os irmãos de serem mortos pelos raios solares.
No jogo Minecraft, aparece como minério, o qual pode ser utilizado tanto como objeto de decoração quanto como uma tintura.
No livro Inferno, de Dan Brown, a personagem Dra. Elizabeth Sinskey usa um pingente com o símbolo do bastão de Asclépio feito com lápis-lazúli.
A base do troféu da Copa das Confederações FIFA é parcialmente feita do material.
Ela esta presente no game Castlevania: Symphony of the Night (1997 - PSX), como item secreto, que aumenta a sorte do Alucard.

Geológos identificam jazidas de diamantes

Geológos identificam jazidas de diamantes

Uma equipe de geólogos do governo federal identificou dezenas de novas áreas pelo país potencialmente ricas em diamantes. A maioria está no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará. Até então, informações oficiais sobre esses pontos eram escassas ou não existiam. Os detalhes dos achados ainda são mantidos em reserva. A previsão é que sejam divulgados em 2014. O governo avalia que os dados poderão atrair empresas e levar a um aumento da produção de diamantes no país.
Os trabalhos fazem parte do projeto Diamante Brasil, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia. As pesquisas de campo começaram em 2010 e desde então geólogos visitaram cerca de 800 localidades em todo o país, recolhendo amostras de rochas, fazendo perfurações e levantando informações sobre as gemas de cada um dos pontos.
O objetivo, segundo o geólogo Francisco Valdir Silveira, chefe do Departamento de Recursos Minerais do CPRM e coordenador do projeto é fazer uma espécie de tomografia das áreas diamantíferas no território brasileiro. É um levantamento inédito.
O ponto de partida da equipe foi uma lista que a De Beers, gigante multinacional do setor de diamantes, deixou com o governo após anos de investimentos e atividades no Brasil. Da lista constavam coordenadas geográficas de 1.250 pontos, entre os quais muitos kimberlitos, mas nada de detalhes sobre quantidades, qualidade e características das pedras dessas áreas. Kimberlito é um tipo de rocha que serve como um canal do subsolo até a superfície e na qual em geral os diamantes são encontrados.
“O projeto Diamante Brasil não foi concebido para descobrir novas áreas de diamantes. Mas a grande surpresa foi que conseguimos registrar novos kimberlitos e áreas com potencial para que outros kimberlitos sejam descobertos”, disse Silveira ao Valor.
“O projeto já descobriu e cadastrou mais de 50 corpos [possíveis depósitos de diamantes no subsolo]“, disse. Em praticamente todos os Estados, segundo ele, a equipe identificou áreas com potencial para produção de diamantes. Várias delas não constavam nem do documento da De Beers. Caso, por exemplo, de um kimberlito descoberto no Rio Grande do Norte. Mas as maiores novidades estão no Norte e Centro-Oeste (Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará).
Este ano, com o trabalho de campo praticamente concluído, os geólogos do Diamante Brasil passam a se dedicar mais à descrição dos minerais encontrados e às análises dos furos das sondas. O projeto se encerra em 2014.
O diagnóstico ajudará a atrair investimentos de mineradoras e eventualmente ajudar a mobilizar garimpeiros em cooperativas. E com isso, aumentar a produção de diamantes no país. Hoje, a produção nacional é pequena e em grande parte ilegal, diz. Brasil é signatário do Processo de Certificação Kimberley, um acordo internacional chancelado pela ONU, que exige dos países participantes documentação que ateste procedência em áreas legalizadas.
Todo o diamante que sai do Brasil é ainda produzido em áreas de aluvião – pedras retiradas de leitos de rio ou do solo. Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso são alguns dos Estados com atividade garimpeira expressiva. O país não tem mina aberta extraindo diamante em rocha primária, no subsolo, onde estão depósitos maiores e as pedras mais valiosas. Os novos achados podem abrir caminho para potenciais novas minas.
Reservas dos chamados diamantes industriais e também de gemas (para uso em joias) se espalham pelo país, segundo Silveira. Estes últimos são os que fazem girar mais dinheiro.
Um diamante pode ser vendido em um garimpo do Brasil por R$ 2 milhões. Depois, um atravessador de Israel ou da Europa paga R$ 10 milhões pela pedra. E ela pode chegar a Antuérpia, por exemplo, para ser lapidada, ao preço de R$ 17 milhões, R$ 20 milhões.
Esses diamantes brutos, grandes e valiosos, também estão no radar do CPRM. O projeto ainda não conseguiu desvendar um mistério sobre a origem dos maiores diamantes do Brasil. O alvo principal é o município de Coromandel e região, no leste de Minas Gerais, onde foram encontrados nas últimas décadas grandes exemplares. Vários acima dos 400 quilates.
Silveira diz que os geólogos do CPRM vão testar novos métodos para tentar encontrar os kimberlitos que dão origem a essas pedras.

Regiões Auríferas no Brasil

Regiões Auríferas no Brasil

Depósitos associados a ambientes vulcano-sedimentares do tipo “greenstone belt”
          Este tipo de ambiente constitui uma seqüência de rochas vulcânicas e sedimentares afetadas pelo metamorfismo de baixo grau, normalmente de idade Arqueana ou Paleoproterozóica. Como exemplos mundiais desses terrenos, há o escudo Yilgarn, situado a oeste da Austrália e o Cinturão Abitibi no Canadá; no Brasil o caso também é semelhante, são compostos por seqüências do tipo “greenstone belt” em escudos Pré-Cambreanos, cujas reservas somam cerca de 1000 toneladas de Ouro.
          O Greenstone Belt Rio das Velhas, situado no Quadrilátero Ferrífero é o principal e mais tradicional, representado pelas minas de Morro Velho, Raposos, Cuiabá, etc. Há outro terreno denominado Greenstone Belt Rio Itapicuru (BA), representado  pela mina Fazendo Brasileiro, que encontra-se encaixado em xistos máficos em meio a zonas de cisalhamento preenchidas por veios quartzo-carbonáticos.       Outro exemplo é a jazida da Mina III no Greenstone Belt de Crixás (GO).         A província mineral de Carajás também apresenta ambientes  desse tipo e também possuem mineralizações auríferas.
          Mesmo com todos esses terrenos citados, o principal produtor de ouro situa-se no Grupo Itacaiúnas (de grau metamórfico mais elevado), e tendo como jazidas a de Igarapé Bahia e Salobo, onde o ouro está associado a sulfetos de cobre. 
          Outras seqüências vulcano-sedimentares foram identificadas na região centro-oeste e assim definiram como sendo arcos magmáticos mais recentes (Neoproterozóico), com características bastante diversificadas em relação aos greenstones Arqueanos; também são produtores de ouro e são representados pelas jazidas de Posse, Zacarias e Chapada, na região de Mara Rosa. Ambientes desse mesmo tipo e que também possuem potencial aurífero foram identificadas nos escudos brasileiros, sendo eles: Gurupi (MA); Cumaru, Andorinhas e Inajá ao Sul da Província de Carajás (PA); Bacajá (PA a norte); Pitinga (próximo à fronteira com o Amapá); Parima (RO); Goiás Velho (GO); Pitangui e Riacho dos Machados (nas proximidades do Quadrilátero Ferrífero – MG); Dianópolis (TO).

Depósitos associados a metaconglomerados de idade Paleoproterozóica
          São os depósitos mais clássicos do mundo e tem como padrão depósitos de ouro associados a urânio e pirita nos membros basais da bacia de Witwatersrand na África do Sul, são responsáveis por 1/3 da produção anual mundial.
          O tipo de mineralização associada é o stratabound (estrato ligado) e estratiforme, pois se relaciona com horizontes sedimentares específicos.   Os metaconglomerados são característicos do Paleoproterozóico e repousam sobre o embasamento Arqueano, normalmente próximo a ambientes do tipo “greenstone belt”, que supostamente serviram como fonte de ouro depositados nos metaconglomerados.
          Como exemplo brasileiro tem-se os metaconglomerados da Formação Córrego do Sítio na região de Jacobina (BA) e Formação Moeda (no Quadrilátero Ferrífero – MG). Porém os depósitos de interesse econômico encontram-se apenas em Jacobina, representados pelas minas de Canavieiras e João Belo e são da ordem de mais de 300 toneladas de ouro e produção acumulada de 20 toneladas.

Depósitos associados a Itabiritos
          Estes depósitos são genericamente denominados de Jacutingas, possuindo um caráter regionalizado, pois ocorrem exclusivamente associados a formações ferríferas do Supergrupo Minas na região do Quadrilátero Ferrífero. Os depósitos são de pequena tonelagem e podem atingir altos teores, como no caso da mina de Congo Soco, variando entre 20 e 35 g de Au/tonelada.     O minério de ouro é extraído como subproduto do minério de Ferro e peculiarmente ocorre a presença de paládio que forma uma liga com o ouro.

Depósitos associados a seqüências metassedimentares de natureza diversa
          São definidos como depósitos associados à ambientes metassedimentares de contribuição vulcânica e são predominantemente de idade Proterozóica.
          No estado de Minas Gerais, em Paracatu, o depósito de Morro do Ouro representa um dos mais baixos teores do mundo, sendo da ordem de 0,6 g de Au/tonelada. O depósito encontra-se encaixado em metassedimentos plataformais de idade Neoproterozóica, compostos por filitos grafitosos ritmicamente intercalados com sedimentos clásticos e químicos, onde o ouro ocorre em finas vênulas de quartzo.
          Depósitos semelhantes ocorrem na região do Rio Guaporé, Mato Grosso do Sul, como exemplo o depósito de São Vicente, que está associado ao Grupo Aguapeí do Mesoproterozóico.
          Em Carajás os depósitos de Águas Claras possuem aproximadamente 20 toneladas de ouro e o depósito de Serra Pelada que se encaixam a formações metassedimentares.
          Na região de Cuiabá, Mato Grosso (Neoproterozóico) os depósitos estão associados às seqüências turbidíticas, e na região de Brusque (RS – Mesoproterozóico) também é semelhante.
          O depósito tradicional de sulfetos de cobre sedimentar de Camaquã (RS) também fornece ouro como subproduto, embora as reservas possuam apenas cerca de 3 toneladas, o depósito ocorre associado a meta-arenitos e conglomerados do Eopaleozóico e a mineralização encontra-se em veios ou disseminada.

Depósitos associados a intrusões graníticas e vulcânicas ácidas associadas
          Este tipo de depósito encontra-se na região do Rio Tapajós e na região de Peixoto de Azevedo (MT). As duas regiões citadas são produtoras de ouro aluvionar em garimpos. No entanto, recentemente uma série de depósitos primários tem sido identificados em associação com rochas graníticas intrusivas anorogênicas do Mesoproterozóico, como por exemplo a suíte Maloquinha, na região de Tapajós e a suite Teles Pires, na região de Peixoto de Azevedo.          Estas intrusões mineralizadas, associadas a vulcanismo ácido, caracterizada em ambiente de vulcanismo continental. Os depósitos ocorrem na forma de stockworks ou veios de quartzo. Também ocorrem depósitos associados a intrusões graníticas e com mineralizações de ouro associados, em Lavras do Sul (RS), Itajaí (SC) e Castro (PR).

Depósitos aluvionares
          Trata-se de concentrações em geral, pequenas, no entanto à exceções como em localidades como Rio Jequitinhonha (MG), onde se produz cerca de 15, 6 toneladas de ouro como subproduto do diamante; Apiacas (MT) com 33 toneladas e Periquitos (RO) como 21,1 toneladas.   
          Estes tipos de jazidas foram as que mais produziram ouro no Brasil, entre 1965 e 1996, com um total de 317 toneladas, seguida de depósitos de ambientes de “greenstone belts” com cerca de 260 toneladas. No entanto, em muitos casos de jazidas de ouro aluvionar tem se como área fonte regiões de seqüências de “greenstone belts”.

O Brasil tem tradicionalmente ocupado uma posição de destaque na produção mundial de ouro

O Brasil tem tradicionalmente ocupado uma posição de destaque na produção mundial de ouro. Durante o ciclo do ouro, entre 1700 e 1850, o Brasil foi o maior produtor mundial chegando a produzir 16 toneladas anuais provenientes principalmente de aluviões e outros depósitos superficiais explorados pelos bandeirantes na região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Foi também nesta região que se instalou a primeira mina subterrânea do Brasil – Mina do Morro Velho – operada pela St John Del Rey Mining Co. Desde o inicio de sua operação em 1834, até hoje produziu 470 ton de ouro representando aproximadamente 25% da produção brasileira acumulada no mesmo período.



Foi somente a partir dos anos 1980, com a descoberta da jazida de Serra Pelada, que a produção brasileira saltou de cerca de 20 ton para mais de 100 ton anuais no final da década de 1980 (ver gráfico acima sobre o histórico de produção de ouro no Brasil desde 1700). Este crescimento foi fomentado pela forte tendência de aumento do preço do ouro no mundo que chegou a atingir mais de US$1000,00 a onça troy em 1980 (1 onça troy = 31,10 gramas).

Estima-se que a produção do ouro acumulada a partir de 1980, proveniente de garimpos e minas tenha atingido mais de 1.250 toneladas, o que representa mais da metade da produção histórica do país estimada em aproximadamente 2.000 ton. Nesse período o Brasil experimentou a maior taxa de crescimento (12%) na produção de ouro no mundo.

Este crescimento, no entanto, é atribuído exclusivamente ao aumento da produção garimpeira, principalmente na região amazônica, ao final da década de 1980 a produção oficial dos garimpos chegou a quase 90% da produção total (ver gráfico sobre Produção garimpo x empresas) a partir de 1988 esta produção começa a decair em decorrência da diminuição do preço do ouro , que passou a beirar U$300,00 a onça troy, e da exaustão das reservas superficiais onde o ouro encontra-se geralmente enriquecido e com granulação grosseira permitindo sua extração por métodos rudimentares.



Paralelamente, a partir do final da década de 1970, os investimentos em exploração do ouro por parte das empresas propiciaram um aumento progressivo na produção das minas que atualmente representam mais de 80% da produção brasileira a qual, nos últimos anos, tem variado em torno de 50 toneladas anuais. Esta produção de ouro representa cerca de 5% do Produto Mineral Bruto brasileiro colocando-o como o quinto que mais contribuiu atrás do Petróleo, Ferro, Gás e Brita. Apesar da posição privilegiada do ouro no cenário nacional, a posição do Brasil como produtor mundial tem declinado passando de 5° lugar em 1985 para 10° em 1997, e chegando a 13º em 2009.

JAZIDAS DE OURO - BRASIL


1. REGIÃO DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO

Esta região destaca-se como a maior produtora de ouro durante o período de 1982 a 2000 ultrapassando 140 toneladas de ouro proveniente das minas de Morro Velho, Cuiabá, São bento, Raposos e Itabira que se apresentam atualmente em operação.

Os depósitos que ocorrem no Quadrilátero Ferrífero podem ser divididos em três tipos principais:

1- Depósitos no greenstone belt Rio das velhas. Podem ser divididos em quatro categorias:


A)jazidas Hidrotermais em veios de quartzo-pirita-Au em clorita xistos máficos e ultramáficos. Ocorrem nas proximidades de Morro Velho, numa faixa a oeste de São Bartolomeu, a oeste de Caeté e ao sudeste de Conselheiro Lafaiete. Reservas pequenas raramente ultrapassando 5t de AU com teores variando entre 0,5 e 3gAu/t.

B)Formação Ferrífera Bandada (BIF) fortemente sulfetada com magnetita-pirita+pirrotia+calcopirita-Au e sulfetos menores tipo Raposos, Cuiabá e São Bento. São jazidas de maior porte, com reservas podendo ultrapassar 15t com teor médio 10gAu/t.

C) "Lapa Seca", ou quartzo-ankerita-albita-clorita-xisto com quartzo-pirita+arsenopirita+pirrotita-calcopirita-Au associado com metavulcânicas ácidas ou sedimnetos carbonatados tipo Morro Velho. São depositos longos, ramificados, relativamente delgados, fortemente controlados pelos plunge das dobras, podendo apresentar reservas de até 40 t de ouro, chegando a 100t.


D) Turmalinito em quartzo-biotita-carbonato xistos em depósitos concordantes tipo "Lode" com fracos mergulhos, com pirita-arsenopirita-pirrotita-Au-teluretos-bi minerais, tipo Mina da Passagem, com reservas de ate 15t com teores variando entre 3 e 7gAu/t.


2- Mineralizacões em Itabiritos (Jacutinga); trata-se de um itabirito pulverulento, estruturado com caolinita, hematita, quartzo e talco sendo caracterizada pela presença de sulfetos. A presença de goethita e óxidos de Mn e relativamente freqüente. Anteriormente a 1900, oriunda de Itabira foi reportada a produção estimada em 1300kg de Au. De outros depósitos tais como Boa Vista, Brucutu, Córrego São Miguel e Morro das Almas, não existe produção registrada. Aparentemente desde que a Mineradora Vale retomou a produção de ouro em Itabira, onde a produção média pode ser estimada em 4t/ano, o que permite estabelecer em 15 anos uma produção cumulativa de 60t.


3- Mineralizacões em lentes de meta-conglomerados da Formação Moeda. São conhecidas as mineralizacões de Cata Branca e Joaquina.


2. REGIÃO DO RIO ITAPICURÚ

Na região do Rio Itapicurú, no Oeste do Estado da Bahia, foram descritas seqüências de rochas do tipo greenstone belt (Greenstone Belt do Rio Itapicurú - GBRI) onde estão hospedadas as jazidas de Fazenda Brasileiro e Maria Preta. A mina de Fazenda Brasileiro operada pela VALE localiza-se na porção meridional do GBRI. A produção média anual é de 5t de Au, com reservas de 103,5 t e teor médio de 6,6g/t.


3. REGIÃO DE CARAJÁS

Essa região apresenta um potencial ainda não totalmente conhecido. A principal jazida atualmente em exploração, Igarapé Bahia operada pela Mineradora Vale, com uma produção acumulada nos últimos 10 anos de aproximadamente 72 t de Au. Salobo constitui outro importante depósito ainda não explorado, mas com reservas estimadas em mais de 167 t. Em ambos depósitos o ouro ocorre associado a sulfetos de Cobre na rocha primaria embora só seja lavrado na porção laterítica do depósito de Igarapé Bahia, e em salobo ocorre como subproduto do minério de Cu na mineralizacão primária.

Há controversas a respeito da origem dessas mineralizacões. Alguns autores consideram estes depósitos como do tipo óxido-Fe-Cu-Au-terras raras, devido a abundancia desses metais e semelhança com o clássico depósito Olympc Dam na Austrália do sul.Outros, no entanto, preferem relacioná-lo ao tipo sulfeto maciço vulcanogênico devido a forte predominância de rochas vulcânicas na área da jazida.

O depósito de Águas Claras com aproximadamente 20t de ouro que se encaixa em meta-arenitos arqueanos, embora a mineralizacão aurífera possa estar relacionada à presença de um corpo ígneo gabróico que se encontra intercalado na seqüência sedimentar. No depósito de serra pelada o ouro ocorre disseminado, e associado com elementos do grupo da platina, em formações metassedimentares arqueana compostas por meta-siltitos carbonáticos, manganesíferos e grafitosos com estruturas brechadas. Acredita-se que foram extraídas cerca de 130t de Au durante o período da garimpagem nos anos 80.


4. REGIÃO DE CRIXÁS
O distrito aurífero de Crixás, no sul de Goiás, encontra-se no greenstone belt arqueano de mesmo nome contendo um depósito principal (mina III, com 65t de Au) e diversos depósitos menores que estão controlados estruturalmente por zonas de cisalhamento regional tais como os de Mina Nova e Pompex.

O ouro ocorre associado a formações sulfetadas (pirrotita e arsenopirita) em veios de quartzo e disseminado em xistos carbonosos e máficos. Na jazida de Mina III estima-se que antes da produção, as lentes de sulfeto maciço encerrem cerca de 2Mt com teores de 12g t de Au.


5. REGIÃO DE JACOBINA

Os principais depósitos de ouro da serra de jacobina na Bahia (minas de João Belo e Canavieiras) estão predominantemente encaixados em meta-conglomerados oligomíticos ricos em pirita e mica verde fuchsita (Formação Córrego do Sitio). Pela similitude litológica foram comparadas aos conhecidos depósitos de tipo paleoplacer de witwatersrand na África do sul. No entanto estudos mais recentes sugerem um modelo epigenético (fluidos hidrotermais tardios) para a formação dessas jazidas já que foram encontradas evidências nas regiões de corpos mineralizados estruturalmente controlados encaixados em quartzitos, rochas máficas e ultramáficas, afetadas pela alteração hidrotermal tardia.

Os depósitos de João Belo e Canavieiras apresentam reservas da ordem de mais de 300 t de Au e produção acumulada da ordem de 20 t.