sábado, 17 de maio de 2014

Seu Mané: Sucesso e fracasso no coração da Amazônia

Seu Mané: Sucesso e fracasso no coração da Amazônia
Era começo da década de 70. O Brasil ainda comemorava o tri-campeonato mundial conquistado pela seleção e Mané Garrincha dava seus dribles últimos estonteantes nos gramados brasileiros. Na Amazônia, o governo militar rasgava a floresta abrindo uma estrada para levar homens para este pedaço esquecido do país. A nova fronteira atraiu a atenção de milhares de pessoas, personagens anônimos de uma história escrita a suor, sangue e abandono.
Seu Mané: Sucesso e fracasso no coração da Amazônia



Entre estes personagens está o não tão anônimo Aldo Inácio, paulista nascido em 1949 que foi atraído na década de 70 pelo chamado do governo para ocupar a Amazônia. Em 1979, Inácio chegou à cidade de Itaituba, na Transamazônica, com um punhado de roupas, um mega fone e muitos sonhos na bagagem. Fã de Mané Garrincha, Inácio transformou o nome Mane em uma marca e passou a ser chamado, ele mesmo, de Seu Mane.

Hoje, aos 57 anos, ele fala sobre o passado como um filme que conta a história de sucesso e fracasso no coração da Amazônia. No dia 23 de março, Seu Mane contou trechos desta história ao radialista Douglas Araújo, em Novo Progresso, onde ele administra uma modesta rodoviária, depois de ser dono de um império. Leia a entrevista?

Douglas Araújo - Como foi o seu primeiro dia em Itaituba?

Seu Mané - Meu primeiro dia em Itaituba foi dormindo na calçada da (agência da) Transbraziliana, porque eu não tinha dinheiro para pagar um hotel. Então, eu e a minha família dormimos na calçada. Depois disso, no dia seguinte, eu tinha um mega fone e fui pára a frente de algumas lojas gritar e ganhar o pão nosso de cada dia. Depois eu montei um restaurantezinho com o nome "Mãe Maria, a clientela foi aumentando e passei para um espaço maior, em frente ao Sonda Bar. Em homenagem ao grande jogador Garrincha, eu coloquei o nome do restaurante de "Seu Mane", ai este nome cresceu, as coisas foram dando certo. Eu fui o primeiro anunciante da Hora Certa e de outras programações da Rádio Nacional, de Brasília.

A partir daí foi divulgado muito o nome "Seu Mane" e ai coisas vieram surgindo naturalmente. Ao longo de seis anos eu já tinha um patrimônio invejável. Mas depois de dois anos veio o Plano Collor, incêndios, queda de avião e assaltos - fui assaltado três vezes. Alguns funcionários me deram o cano, um deles com até 20 quilos de ouro. Em dois anos eu perdi 600 quilos de ouro. Eu nunca fui vaidoso, só queria que o nome 'Seu Mané' fosse uma marca registrada, mas jamais esperei que acontecesse tanto acidente em tão pouco tempo.

Diante de tantas perdas materiais teve uma em especial, a minha esposa Dade, que para mim foi uma das maiores perdas. As coisas já vinham se afundando e quando uma engrenagem dá para trás, você trava. Eu nunca fui um homem de vícios, bebidas, drogas ou farra. Nunca sentei à mesa de um bar. Eu nunca fui um homem de praticar roubos, sempre paguei em dia os meus fornecedores. Da mesma maneira que Deus me mostrou o sucesso, ele me mostrou o insucesso. Deus me mostrou os dois lados da vida.

Douglas Araújo - Como está a sua vida hoje?

Seu Mané - A gente nunca está feliz. O ser humano nunca consegue uma felicidade total, sempre tem algo a desejar, mas posso dizer que estou muito bem, não tanto financeiramente quanto no passado, mas posso afirmar que estou bem junto com meus filhos, netos, noras.

Administrando a rodoviária de Novo Progresso, hoje já tenho restaurante e lanchonete, ainda tenho muita esperança na região, acredito muito na vinda deste asfalto (da rodovia BR-163). Com relação ao meu passado nem precisa tocar muito, a História conta a minha vida.

Eu fui um homem que gostava muito de mídia, fiz o programa do Jô Soares na Rede Globo em 1991. A BBC de Londres esteve uma semana em minha casa para um curta metragem. Fiz o Globo Repórter em 1988 e o Fantástico. Fui entrevistado pela Rádio Capital de São Paulo. Faculdades se interessavam pelo meu caso. Estive em várias outras emissoras e acho que a mídia hora ajuda, hora atrapalha.

Fui fundador do Chapéu do Povo em Itaituba, das Rádio Itaituba e Clube, da TV Itaituba, na época afiliada a Rede Globo, e também a TVS, hoje o SBT. Foram dois canais de televisão. Fundei o Foto Itaituba, que dei de presente para os cincos funcionários. Tudo com laboratórios fotográficos modernos para a época, uma loja montada, mas infelizmente na hora que eu mais precisei fui sacrificado, marginalizado, ignorado.

Douglas Araújo O que é felicidade para o senhor. Dinheiro?

Seu Mané - Felicidade, na minha opinião, é estar de bem com Deus, bem com a sua família. Felicidade, felicidade, você nunca pode ter por completo, mas pode viver momentos felizes. Tenho 33 filhos e 22 netos e sou feliz com isso.

Douglas Araújo - Quando o senhor era milionário, qual foi o maior erro que cometeu, que não faria novamente?

Seu Mané - Como radialista de minha própria emissora eu atingi várias pessoas. Agi muito errado. Hoje eu não faria mais isso. Muitas vezes você fala de determinada pessoa e você sente que está com o poder da mídia na mão e que pode tudo. Depois de tudo isso, eu paguei um preço muito alto. A 'impressa marrom' me machucou demais. A gente diz uma palavra, eles trocam vírgulas, então eu pequei muito neste ponto.

Seu Mané (centro) com amigos na década de 80
Douglas Araújo - E onde estão os seus amigos de tempos de milionário?

Seu Mané - Umas das pessoas que eu ajudei muito, na hora que eu mais precisei me mandou entregar um envelope com 300 trezentos reais. Eu não devolvi porque infelizmente eu estava precisando. Mas esta pessoa eu havia colocado, há muitos anos, dentro de um avião meu e mandei para Brasília, para se tratar. Ela e seu marido sempre foram funcionários muito bem remunerados, dentro de minhas empresas sempre tiveram uma credibilidade muito grande. Moraram durante 10 anos dentro de minha casa sem nunca pagar aluguel, e na hora que eu mais precisei eles viraram as costas, mas acredito na Justiça divina, que é muito grande.

Douglas Araújo - Naquela época você tinha fortes aliados...

Seu Mané - Eu devo muito ao seu José Candido Araújo (Zé Arara). Tenho muito respeito, como um dos homens mais dignos que já conheci. Com relação ao Zé do Abacaxi (Fazendeiro e dono de garimpo em Itaituba), nós não tivemos nenhum vínculo ou aproximação.

Douglas Araújo - Os seus amigos poderosos te abandonaram?

Seu Mané- Não vou citar nome, mas um ex-prefeito de Altamira foi um dos homens que eu mais ajudei. Na hora que eu mais precisei ele me virou as costas, mas Deus sabe...

Douglas Araújo - Como é uma pessoa que conheceu os dois lados da moeda?

Seu Mané - Você acaba conhecendo os três lados da moeda. São situações completamente diferentes. Depois que eu quebrei fui vender banana na carriola, e ai um filme começa a passar na sua cabeça. As pessoas ainda te criticam, passam por você e sorriem. Houve um momento de profunda depressão, mas você tem que ser forte.

Minha família foi meu principal apoio, em momento algum me deixou só. Eu sempre fui um vencedor, fracassados são aqueles que procuram defeitos em mim, fracassados são aqueles que não têm uma historia como a minha para contar. São aqueles que são desonestos. O homem que bater no peito e falar que é um herói por ser honesto está totalmente errado, porque ser honesto é obrigação de cada cidadão. Quando o telefone emudece, parece que todo mundo sabe que você é um fracassado. Eu tinha 13 telefones em minha mesa, de repente todos ficaram calados. Eu tinha 380 funcionários diretos em 19 empresas, tinha 11 aviões e 80 carros. Eu pagava todos meus funcionários diariamente.

Douglas Araújo - E como é o fundo do poço?

Seu Mané - A lembrança que eu tive foi da pessoa que eu coloquei dentro de meu avião e mandei para Brasília durante quatro meses com tratamento médico por minha conta. Foi a mesma pessoa que me mandou um envelope com os trezentos reais. Eu sempre ajudei muitas pessoas, sempre tive o prazer de fazer uma pessoa sorrir.

Ajudei muitos garimpeiros a voltarem para a sua terra. No momento mais difícil da minha vida uma pessoa que eu nunca tinha feito algo por ela, ficou sabendo que eu estava doente em um quartinho quatro por quatro e me tirou de lá e me mandou para um hospital particular, depois me deu um emprego e hoje sou o administrador do Terminal Rodoviário de Novo Progresso. Esta pessoa chama-se Nery dos Prazeres (ex-prefeito de Novo Progresso), hoje meu grande amigo.

A saga dos garimpeiros brasileiros

A saga dos garimpeiros brasileiros

De Serra Pelada ao Suriname, eles vivem em constante deslocamento


Leonencio Nossa, BRASÍLIA - O Estadao de S.Paulo
Eles vivem a aventura e o drama da exploração de ouro há pelo menos 40 anos. Os garimpeiros atacados no Suriname no final de 2009 fazem parte de um grupo de brasileiros nômades que estão em constante deslocamento desde a década de 1970. Fugindo das secas, milhares de homens deixaram naquela época o sertão nordestino e os chapadões maranhenses e atravessaram o rio Tocantins em busca de ocupação nas clareiras abertas na Floresta Amazônica.

A primeira parada foi no Sul do Pará, onde trabalharam em canteiros das obras da Transamazônica e da hidrelétrica de Tucuruí. Ainda na região, eles atuaram nos garimpos das margens dos rios Itacaiúnas, Araguaia, Tocantins e Vermelho. Foi precisamente em Serra Pelada, a partir de 1980, que mais de 40 mil deles ficaram conhecidos no Brasil e no exterior. O garimpo, que era controlado por homens do regime militar (1964-1985), encheu os cofres do Banco Central durante uma época de crise econômica internacional.
Com o declínio da mina poucos anos depois e da própria ditadura, os garimpeiros seguiram para as margens do rio Xingu, onde trabalharam no não menos lendário garimpo do Creporizão, em Itaituba. Lá, reinou José Cândido de Araújo, o Zé Arara, um dos tantos personagens que surgiram nos telejornais ostentando pescoços e bocas cheias de ouro. Zé Arara foi mais longe: chegou a contar com uma frota de aviões.
Uma parte dos garimpeiros ficou em volta de Serra Pelada, servindo de massa para entidades políticas que chegaram à região, como o Movimento dos Sem-Terra (MST). Outra leva desses garimpeiros foi mais longe, alcançando as terras dos índios ianomâmis, em Roraima, e as margens do Madeira, em Rondônia.
O aumento da fiscalização de órgãos ambientais nos anos 1990 veio junto com a queda do preço do ouro e da produção dos garimpos da Amazônia brasileira. Esse rigor dos agentes públicos e a presença do Estado nos grotões da região, no entanto, deram novo gás ao êxodo dos garimpeiros. Eles acabaram, então, ultrapassando as fronteiras do País, refugiando-se no Suriname, na Guiana e na Guiana Francesa.
DIÁLOGO
O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Filho, estima que 18 mil brasileiros vivem em situação precária nos garimpos do Suriname. O governo enviou, ao longo dos anos, diversos representantes para conhecer as minas do país vizinho e a realidade dos imigrantes brasileiros. São homens - e também mulheres - que não têm sua situação regularizada e estão sob controle de milícias e máfias dos garimpos.
O diálogo entre os dois governos é afetado pela fraca estrutura do Estado surinamês. "Tenho a impressão de que o que ocorreu em Albina não foi um caso isolado", afirma Tuma Filho. "Os brasileiros que estão lá vivem em condições sub-humanas", acrescenta. O secretário ressalta que a solução para o problema é sempre demorada por questões diplomáticas. "Não se pode desrespeitar a soberania dos outros", conclui Tuma Filho.
"Eles não conhecem fronteiras", diz a diretora do departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça, Izaura Miranda, que tem acompanhado nos últimos anos a trajetória desses garimpeiros. Ela acompanhou o auge dos garimpos paraenses, conheceu Zé Arara - além de outras dezenas de mitos - e tem na memória relatos sobre uma série de massacres que ocorreram nas minas da região amazônicas nas últimas duas décadas.
Izaura ressalta as dificuldades do Suriname de colocar em prática os acordos firmados com o Brasil com o objetivo de regularizar a situação desses trabalhadores. Ilegais, os garimpeiros são alvos fáceis da máfia do trabalho escravo e do tráfico de pessoas, observa.

Não dá mais para tirar ouro com a mão, diz coronel

Não dá mais para tirar ouro com a mão, diz coronel

Sebastião Curió chegou ao garimpo em 1980 e coordenou a extração de ouro com mão de ferro. Hoje, acompanha de longe a mecanização

Aos 75 anos, o coronel Sebastião Rodrigues de Moura conhece como poucos as agruras de Serra Pelada. Há exatos 30 anos, Curió, como é conhecido, chegou pela primeira vez na região, como enviado do governo federal para coordenar a corrida pelo ouro. Durante três anos, baixou regras rigorosas para controlar a turba de mais de 100 mil homens que tentavam bamburrar – ou enriquecer, na gíria dos garimpeiros – e viu sair 42 toneladas de ouro da mina. Quando foi deputado federal, aprovou um projeto de lei para estender por mais cinco anos o garimpo e foi prefeito de Curionópolis, município do qual Serra Pelada é um distrito e cujo nome foi dado em sua homenagem.

 
Durante três anos, o coronel Sebastião Curió coordenou com mão de ferro o garimpo em Serra Pelada
Com a experiência de três décadas em Serra Pelada, Curió tem uma certeza: não dá mais para tirar ouro com as mãos como nos velhos tempos. Por isso, é a favor da mecanização da mina, processo que terá início em maio, quando o governo deverá conceder a licença de lavra para a Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), joint venture entre a mineradora canadense Colossus e a Coomigasp, a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada. “Nessa nova fase de Serra Pelada nenhum garimpeiro vai enriquecer”, disse ao iG o coronel Curió. “Mas, como acionistas da empresa, eles têm uma boa perspectiva para melhorar a qualidade de vida”.
De sua casa em Brasília, Curió, que antes de chegar a Serra Pelada havia combatido a guerrilha do Araguaia, falou sobre a mecanização da mina e fala dos tempos em que comandava os garimpeiros. Acompanhe os principais trechos da entrevista:
iG: Como o senhor foi parar em Serra Pelada?
Sebastião Curió: Por causa de uma busca e apreensão que fiz com o Zé Arara, o maior comprador de ouro da região. Trouxe o material apreendido e fiz uma apresentação para o ministro da Fazenda, o presidente da Caixa Econômica, vários generais e representantes do presidente da República, João Figueiredo. Contei o que estava acontecendo em Serra Pelada e, depois dessa palestra, foi determinado que a exclusividade de compra do ouro fosse dada para a Caixa Econômica e que eu fosse o coordenador do garimpo.
iG: Em que condições o senhor encontrou a região?
Curió: Havia uma corrida do ouro e milhares de garimpeiros chegavam diariamente em Serra Pelada. Cheguei no dia 2 de maio de 1980, e o povoado devia ter uma população de 40 mil pessoas. Ao chegar, falei que meu objetivo era evitar desvios, contrabando e coordenar a exploração. Trouxe alguns benefícios. Entre outras coisas, cortei o percentual que eles pagavam ao Genésio, o suposto dono da propriedade, um posseiro que cobrava taxa de 20% da produção dos garimpeiros.

iG: Por que o senhor proibiu a entrada de mulheres em Serra Pelada?
Curió: Muitos dizem que foi discriminação, mas não é verdade. Eram muitos homens e a presença das mulheres causaria muitas mortes por noite. Além das mulheres, proibi jogo de azar, bebida alcoólica e o uso ostensivo de armas. Recebi uma ordem de Brasília para desarmar todo mundo. Mas não dava para desarmar 60 mil homens com apenas 16 policiais. iG: E se alguém não respeitasse as regras?
Curió: Quem não tinha carteirinha da Receita Federal (naquela época ainda não existia a cooperativa) era colocado num avião e mandado embora do garimpo. Eram os chamados furões. Brigões e ladrões também eram expulsos de Serra Pelada.
iG: Como era o relacionamento com os garimpeiros?
Curió: Excelente. Montávamos um telão com lençóis brancos e 40 mil homens assistiam a filmes à noite. Quando decidi que iria hastear a bandeira nacional todas as manhãs, convidei todo mundo para assistir. Cerca de 30 mil homens apareceram. Quando começou a tocar o hino e coloquei a mão no peito, percebi que os garimpeiros fizeram a mesma coisa. Toda dia pela manhã, 40 mil homens hasteavam a bandeira e cantavam o hino nacional. Era um espetáculo de civismo.
iG: O senhor viu muita gente enriquecer em Serra Pelada?
Curió: Muita. Tem um caso engraçado. Estava no meu barraco de lona e vi um tumulto na pista de pouso. Tinha um monte de garimpeiro correndo atrás de um cara. Quando ele se aproximou de mim, pude ver que fumava um charuto de notas de Cr$ 1 mil. Além disso, tinha uma cauda parecida com as usadas em pipas, mas feita de notas de Cr$ 1 mil ao invés de plástico. O garimpeiro parou perto de mim e gritou: ‘bamburrei (enriqueci, na gíria local), meu chefe’. Perguntei o que era aquele rabo e ele falou: ‘sempre andei atrás do dinheiro. Agora o dinheiro anda atrás de mim’. Ao todo, colocamos 42 toneladas de ouro nos cofres do Banco Central.
iG: Mas os garimpeiros não viviam numa situação muito degradante?
Curió: Muita gente me pergunta se os formigas (carregadores de sacos) não viviam num sistema semi-escravo. Eles carregavam sacos com cinco, seis, oito pás de cascalho, mas ganhavam de cinco a seis salários mínimos por mês. Era a mão de obra não especializada mais bem remunerada do País.
iG: Por que o senhor resolveu se candidatar a deputado federal?
Curió: Não tive escolha. Em 1982, recebi ordem da presidência da República para me candidatar a deputado. Um compadre acha que fizeram isso para me tirar do garimpo. Quando saí de lá desligaram as bombas que puxavam a água, a cava encheu e acabou a exploração. Fui estrategicamente retirado de Serra Pelada.
iG: Por que o senhor acha que fizeram isso?
Curió: Para que Serra Pelada não funcionasse. Eleito deputado, recebi a orientação para voltar à Serra Pelada para dizer aos garimpeiros que o garimpo havia terminado. Fiz o oposto. Em 1984, apresentei um projeto de lei para prorrogar o garimpo por cinco anos, criei a cooperativa dos garimpeiros de Serra Pelada. Deixei de ser deputado e os garimpeiros pediram que eu fosse presidente da cooperativa. Aceitei, mas estava numa situação muito difícil porque já não tinha o apoio do governo.
iG: O senhor é a favor da mecanização de Serra Pelada?
Curió: Sou. A lavra manual tornou-se impossível, o ouro pode ser encontrado a 150 metros abaixo do solo. Não dá mais para tirar com a mão.
iG: Se a mecanização é boa, por que ela não aconteceu antes, como na época em que o senhor foi presidente da cooperativa dos garimpeiros?
Curió: Quando era presidente da cooperativa, pedi o alvará de lavra industrial de empresa de mineração. Ou seja, a cooperativa passou a ser cooperativa de mineração dos garimpeiros de serra pelada, deixou de ser só dos garimpeiros. Se não tivesse feito essa mudança, ela não poderia fazer um convênio com uma empresa como a Colossus.
iG: Os garimpeiros que ficaram em Serra Pelada acreditam que saíram perdendo com o acordo fechado com a Colossus. O que o senhor acha disso?
Curió: Muitos têm razão. O problema é que a cooperativa não teria condições de industrializar a mina. Tem de ter uma empresa de porte da Colossus para realizar o trabalho. O que é perigoso é a cooperativa perder os direitos minerais e administrativos. Consta que a diretoria da cooperativa assinou um contrato com uma cláusula passando os direitos para a Colossus. É isso que preocupa uma parcela dos garimpeiros.
iG: Algumas pessoas acreditam que Serra Pelada só produziu miséria. O senhor acha que agora ela vai produzir riqueza?
Curió: Se o acordo funcionar direito, o garimpeiro deixa de ser um sonhador para ser um cotista, um acionista. Ele vai receber um percentual do lucro da mineração de acordo com o número de cotas que ele tem. É uma boa perspectiva.

Tempos de ouro

Tempos de ouro


A cidade foi chamada de último faroeste brasileiro, a capital dos garimpos. No auge da febre do ouro, Itaituba recebia hordas de gente vinda de todos os cantos do país. Vinte toneladas de ouro por ano chegaram a ser extraídos dos garimpos do Alto Tapajós no fim dos anos 80. Mesmo com a decadência da mineração no rio do ouro, eles não perderam a esperança. Dos mais de 700 garimpos, só 200 ainda estão em funcionamento. A produção não chega a três ou quatro toneladas por ano.
Zé Arara é o mais lendário garimpeiro do Tapajós. Na década de 60, foi o garimpeiro mais famoso da Amazônia. Ele formou um império, no município de Itaituba, de aviões, mansões, fazendas, muito dinheiro, tudo tirado do ouro. Aí veio a crise e ele teve que recomeçar tudo.
“Antes da crise fui o único brasileiro que vendeu na faixa de 40 toneladas de ouro ao governo brasileiro”, conta ele. Zé Arara perdeu muito, mas nunca foi um garimpeiro de alma livre, capaz de gastar em uma noite, com mulheres e bebida, tudo o que levou meses para ganhar.
Ao contrário, ele construiu um patrimônio. “Além de ter um jato, tinha 15 aviões pequenos e quatro bandeirantes”, ressalta. Um problema com o jato em Itaituba fez com que Zé Arara trasladasse o avião de volta para a fábrica, em Nova York. “O avião explodiu no ar. Morreram dois tripulantes, dois comandantes e dois mecânicos. Para eu desenrolar esse rolo e não ser preso nos Estados Unidos, tive que gastar 200 quilos de ouro”, conta o garimpeiro.
Desde então, ele está sem sair do garimpo. São onze anos pagando dívidas. “Não devo mais, agora estou lutando para reerguer nosso negócio”, conta. Zé Arara se diz dono de 23 mil hectares de terra, toda a área do garimpo de Patrocínio. Mesmo assim, os moradores criaram uma associação e querem transformar a região em uma comunidade.
Zé Arara se sente ameaçado. “Temo até pela minha segurança. Hoje, estou recomeçando aos 70 anos”, ele diz. O garimpo não é mais como antes. Das dez mil pessoas que buscavam ouro em Patrocínio só restam duas mil.

Como identificar uma turmalina paraíba

Como identificar uma turmalina paraíba

Como identificar uma turmalina paraíba
As turmalinas paraíbas são muito raras e existem apenas no estado brasileiro da Paraíba
Se você está interessado em avaliações e identificações de pedras preciosas e deseja fazer disto um hobby ou um investimento, você precisará de aulas com um instrutor certificado de gemologia para conseguir o seu certificado. Entretanto, se estiver interessado em pedras preciosas apenas como hobby, então adquira conhecimento sobre o tema através de pesquisas onlines e em bibliotecas, pois esse poderá ser um bom modo de satisfazer a sua paixão por pedras raras e belas. As turmalinas paraíbas foram descobertas na década de 1980, e se caracterizam em sua maioria por serem raras e pequenas.

Instruções

  1. 1
    Procure por uma cor turquesa um pouco esverdeada. A turmalina paraíba tem a sua cor azul marinha devido ao cobre, que também a deixa esverdeada dentro de uma pedra facetada quanto exposta ao brilho de uma luz. Esse é a melhor forma de um amador identificar se uma pedra é uma turmalina paraíba.
  2. 2
    Examine o brilho da pedra facetada e cortada. As turmalinas paraíbas são conhecidas pelo seus brilho forte. Esse brilho aparenta surgir de dentro da pedra quandro exposta ao brilho das luzes. Enquanto algumas pedras brilham em várias partes, a turmalina paraíba tem o seu brilho vindo de dentro da pedra.
  3. 3
    Utilizes luzes diferentes para ver a pedra. Devido ao fato da turmalina ter um brilho tão característico, será melhor ver o seu brilho sob uma luz fraca. Com os diamantes e as outras pedras preciosas também é assim, mas é incomum que as pedras com coloração forte como a turmalina tenham esta propriedade. Mas não veja a pedra sob apenas uma luz específica, mas sim também sob a luz do dia e na penumbra para ajudá-lo na sua pesquisa.
  4. 4
    Verifique o preço. As turmalinas paraíbas são muito raras e normalmente pesam menos que um quilate e são muito, mas muito caras. Ou seja, você raramente vai encontrá-las em uma joalheria qualquer. Se encontrar, não espere pagar menos do que 5 dígitos por quilate para ter uma pedra de alta qualidade.
  5. 5
    Peça informações sobre o processo de queima. As turmalinas paraíbas são pedras preciosas naturais, mas uma parte do processo de corte reside na "queima" sob grandes temperaturas para eliminar as cores vermelhas. Se a sua pedra não tiver sido queimada, então é provável que não seja uma turmalina paraíba.