domingo, 6 de julho de 2014

Diamante no Tocantins,

Diamante

Diamante
É o mineral mais duro, no entanto é frágil. Só os diamantes incolores ou com matizes bonitos constituem pedras preciosas, que se utilizam em joalharia, montados em metais preciosos e/ou em associação com outras gemas. O interesse popular nos diamantes centra-se no seu valor como gemas, mas os cristais têm ainda uma maior importância como ferramentas industriais. As variedades negras e microcristalinas, não tendo valor comercial, utilizam-se na indústria como abrasivos de alta qualidade ou como ferramentas de talha ou como perfuradores para materiais de dureza elevada. Estes podem ser usados para cortar, tornear e furar alumina, quartzo, vidro e artigos cerâmicos. O pó de diamante é usado para polir aços e outras ligas.
No Tocantins, o diamante é encontrado em Barra do Ouro, Itaguatins, Araguatins, Itacajá, Santa Maria do Tocantins, São Miguel do Tocantins e Riachinho.


Almas - TO ouro e diamante.

Almas

Almas
O município apresenta uma área de 4.021 km2 e uma população de 8.989 habitantes. O município possui ocorrências e extrações de argila, cascalho (piçarra e claro), granitóides, granada gnaisses, quartzitos e garimpos ativos e inativos de ouro e diamante.
Como empreendimento no setor de argila, encontramos uma cerâmica, a Cerâmica Fênix, adquirida há 1 ano e várias olarias manuais e semi-manuais como o da Fazenda do Sr. Osmar Cintra, do Setor Monjolo na beira do Rio Tocantins e no Setor Mato Seco.
No município encontra-se uma antiga área da Companhia Vale do Rio Doce na Fazenda Mateus Lopes, atualmente cedida para a MINERATINS. Outros pontos de garimpos são na Fazenda do Sr. Osmar Cintra, no Córrego Refresco, no Córrego Recantilado e garimpo do Arroz. Cascalheiras são encontradas por todo o município.
No povoado de Barra Nova e no rio do Peixe são encontrados afloramentos de quartzitos e 'xisnaisse'. Outro ponto importante é o da Fazenda Bromil, próximo do Morro do Carneiro, onde foi extraído material para brita.

Com impasse por legalização de garimpo, Chapada de Natividade perde habitantes;


 
Aproximadamente 3.280 pessoas vivem em Chapada de Natividade a 191 Km de Palmas. No município, o garimpo de ouro é a principal atividade, no entanto vários habitantes estão saindo do local desiludidos com a atividade no garimpo.
De acordo com o último censo do IBGE o município tem 300 habitantes a menos com relação ao último censo. Diretamente 150 famílias que integram uma cooperativa de exploração mineral que existe há 18 anos dependem da atividade garimpeira, segundo informou a Prefeitura de Chapada de Natividade.
Na semana passada o garimpo foi fechado por falta de explosivos o que novamente frustrou as expectativas de muitos trabalhadores. Em entrevista ao Conexão Tocantins um garimpeiro afirmou que está se mudando junto com a esposa e a filha para o município de Porto Nacional. Natal Lima trabalhava no garimpo desde o início da atividade. “Nesse garimpo não dá mais. Trabalhar nessas condições não interessa mais a muitas pessoas, vou embora para Porto Nacional e muitas outras pessoas estão também deixando de lidar com isso e partindo para outros trabalhos”, disse.
O prefeito do município, Djalma Rios (PMDB) confirmou as dificuldades para o funcionamento do garimpo. Ele afirmou ao Conexão Tocantins que está sofrendo pressão com relação ao assunto, já que além de gestor do município, ele também é garimpeiro e integra a cooperativa.
A cooperativa precisa da lavra garimpeira, um documento que garanta a legalização do funcionamento do garimpo que funciona em um local no município onde uma empresa canadense tem o registro do subsolo, mas não realiza a exploração.
A empresa tem o registro do subsolo da área há mais de 20 anos mas não explora o garimpo, enquanto os garimpeiros estão garimpando de maneira ilegal mas com intuito de registrar e legalizar a área.
Vontade política
Mesmo não sendo da base do governo o prefeito diz não acreditar que essas divergências políticas estejam impedindo o governo estadual de intervir para ajudar no impasse na queda de braço entre a empresa canadense e a cooperativa. “Precisamos da força dos governantes para ajudar a derrubar isso”, disse.
O governo pode ajudar atuando junto ao Departamento Nacional de Pesquisas Minerais - DNPM que cuida da regularização do subsolo no entanto o único compromisso nesse sentido para ajudar o município, segundo o prefeito, é o do senador Vicentinho Alves (PR). “Ele prometeu nos ajudar com esta questão”, afirmou.
O prefeito disse que se preocupa com a perda populacional do município apontada pelo IBGE, reflexo direto da desistência de muitos garimpeiros com a atividade. “Está sendo um caos essa perda de população, a sobrevivência de Chapada é o garimpo”, disse.
O reflexo social desta insegurança com relação ao garimpo preocupa também o garimpeiro José Francisco. Segundo ele, a cooperativa tendo condições de garimpar de maneira legal com certeza será positivo para a população do município e evitará com certeza a migração de famílias.
Chapada de Natividade
Chapada era um vilarejo que surgiu há 251 anos do garimpo de extração de ouro e teve como primeiros habitantes escravos remanescentes de quilombos. No município um dos pontos turísticos é a obra do século XVIII, as ruínas da Igreja do Rosário que é de pedra e foi construída pelos escravos.
As comunidades quilombolas de São Jósé e Chapada de Natividade pertencem ao município.

A História de Tocantins (OURO)

Brasão do Estado de Tocantins
Titulo História de Tocantins 1500-1730

Os pioneiros e a força de sua raça

Segundo estudiosos, o homem está na América há mais de 12 mil anos, vindo da Ásia para o Alasca através do estreito das eras glaciais, quando o nível do mar foi rebaixado, unindo a Sibéria ao Alasca, pelo estreito de Bering. Por isso, acredita-se que foram os grupos humanos de origem asiática que começaram o povoamento das Américas.

Esses nativos, chamados de “índios” pelos descobridores europeus, que pensavam ter chegado à Índia, formam povos com diferenças tanto na raça quanto na língua. Vivendo da caça e coleta, depois passaram a dominar a agricultura (milho, mandioca, fumo), usar cerâmica, ferramentas e armas (arco e flecha). No trabalho, o homem caça, pesca, faz guerra; a mulher planta, cozinha. A coivara, queimada da mata antes do plantio, ainda hoje uma prática da agricultura brasileira herdada dos primeiros habitantes do Brasil.

Indíos do Tocantins
Quatro séculos após o descobrimento do Brasil, no ano de 1910, Cândido Mariano da Silva Rondon fundou o Serviço de Proteção ao índio (hoje FUNAI), depois de chefiar uma missão para construir a linha telegráfica entre Cuiabá e Vale do Araguiaia. Até então os índios eram abatidos a tiros. A partir da Comissão Rondon, a sobrevivência das tribos do Brasil Central e da Amazônia passou a ser questionada no Brasil. Merecidamente, o marechal Rondon é considerado o defensor dos índios.

Rio Tocantins, uma descoberta francesa

Em 07 de junho de 1494, acordo assinado na cidade espanhola de Tordesilhas (por isso mesmo chamado Tratado de Tordesilhas) traçou uma linha imaginária a 370 léguas das Ilhas de Cabo Verde, delimitando que as terras a oeste dessa linha pertenceriam a Espanha e a leste pertenceriam a Portugal, dividindo-se as terras do Novo Mundo recém-descoberta. Imediatamente os homens de negócios da França, Holanda e Inglaterra financiaram suas expedições para partilhar das novas terras. Há constantes tentativas para fundar colônias no Brasil. Enquanto as capitanias de Pernambuco e S. Vicente (S. Paulo) prosperavam com seus engenhos de açúcar, franceses, ingleses e holandeses conquistavam a região Norte brasileira, estabelecendo colônias que servissem de base para posterior exploração do interior do Brasil.

Garimpos do Tocantins

Depois de devidamente instalados no forte de São Luís, na costa maranhense, uma das primeiras providências para expansão da colônia francesa era explorar os sertões do rio do Tocantins. Assim fez Daniel de la Touche, senhor de La Ravardiêre: “Em 1610, Mr. De Bault, um dos quarenta soldados expedidos do Maranhão ao Pará por La Ravardiére, sob mando de Mr. De La Blanjartier, topara na Serra dos Pacajás”, nas proximidades de onde hoje se localiza a Usina de Tucuruí, no Rio Tocantins. Portanto, o Rio Tocantins foi descoberto pelo francês La Blanjartier pela foz, que por ele subiu à cachoeira de Itaboca (Tucuruí).

Os Tupinambás habitavam a região próxima à cachoeira de Santo Antônio das Três Barras (onde é hoje a cidade de Itaguatins). Assim, fica evidenciado que cabe aos franceses a honra de haver descoberto o Rio dos Tocantins pela embocadura. (Fonte: Lysias Rodrigues, in “O Rio dos Tocantins”.)

As missões da Companhia de Jesus

Quinze anos depois dos franceses, os portugueses iniciam a colonização do Tocantins pela decidida ação dos jesuítas. O historiador Basílio de Magalhães (“Expansão Geográfica do Brasil Colonial”) afirma: “É obra de Antônio Vieira e dos seus companheiros de batina irradiação das missões dos seus centros principais, que eram Belém e Gurupá, pelos rios Tocantins, Xingu e Tapajós acima”.

Conta-nos Bernardo de Berredo, governador e capitão general do Maranhão (“Annaes Históricos do Estado do Maranhão): “0 Pe. Frei Cristovão de Lisboa... Passou a dilatá-lo no descobrimento do celebrado rio dos Tocantins, para o qual partiu da aldeia de Una em 8 de agosto (de 1625)...” No ano de 1636 o padre Luís Figueira é mandado de Portugal com a missão de estudar as tribos indígenas do Tocantins e indicar os locais para aldeamentos da Companhia de Jesus, a fim de tirar os índios da influência “herática” deixada pelos colonos franceses.


Em 1653, com a chegada do padre Antônio Vieira no Baixo Tocantins, foi reiniciada a conquista do Rio dos Tocantins. No dia 13 de dezembro daquele ano, padre Vieira chefiou uma missão que subiu o Tocantins e manteve os primeiros contatos com os índios tacaiunas, onde é hoje a cidade de Marabá. Padre Vieira regressou ao Baixo Tocantins sem os nativos para organizar as primeiras aldeias missionárias em Cametá. No ano de 1655 (e novamente em 1658), o padre José Thomé chefiou uma missão religiosa do Tocantins ao Araguaia, sendo considerado o primeiro jesuíta que esteve em contato com os carajás, e conseguiu descer mais de mil índios para o BaixoTocantins.

Também em 1658 o padre Francisco Velloso subiu o rio e fez descer para o Baixo Tocantins mais de mil índios tupinambás para aculturá-los nas aldeias da Companhia de Jesus. No ano seguinte, o padre Manuel Nunes chefiou outra missão, indo até a ilha do Bananal, trazendo de volta mais 1 milheiro de indígenas pequiquaras e 250 Inheinguaras, “estes últimos como presa de guerra”. Já em 1668, uma tropa de brancos e índios tendo como missionário o padre Gaspar Misseh, atinge o alto Tocantins e localiza os índios poquizes, depois de caminhar oito dias da margem do rio. Partindo do Baixo Tocantins, a 16 de dezembro de 1674, o padre Antônio Tavares Raposo, com 35 homens brancos e 300 índios, subiu rio acima até a terra dos guarajus (Porto Nacional).

Com a subida da expedição do padre Antônio Raposo estava então todo o Rio Tocantins descoberto, com a maioria de sua população morando nos aldeamentos da Companhia de Jesus, no Baixo Tocantins.


O Povoamento do Tocantins

O processo de colonização do território do atual Estado do Tocantins é complexo e varia, segundo a historiografia (estudo histórico e crítico sobre a história) estudada. Há mesmo diferenças de interpretação de precedência histórica, entre as entradas e bandeiras dos paulistas, com o ciclo da criação de gado pelo homem do Nordeste brasileiro. Embora sejam responsáveis pelas primeiras expedições nas terras tocantinas, as bandeiras praticamente em nada contribuíram para a colonização do antigo Norte de Goiás. Isso porque a missão dos bandeirantes era aprisionar os nativos, usando-os como mão-de-obra nas lavouras de açúcar em São Paulo. Ou para citar Capistrano de Abreu, “bandeiras eram partidas de homens empregados em prender e escravizar o gentil indígena”.


Quando, na terceira década do século XVIII, acontecia a descoberta de ouro no Sul do Tocantins, a região já detinha um extenso corredor de picadas para os caminhos de gado entre Piauí, Maranhão e ribeiras do Rio São Francisco.

Portanto, desde o início do desbravamento e povoamento destas ribeiras, sempre existiram dois Goiás: o Sul, colonizado pelos paulistas e o Norte, colonizado pelo vaqueiro e dono de curral, vindos do Nordeste brasileiro. Para compreender a socialização do homem no antigo Norte de Goiás, hoje Estado do Tocantins, há de se consultar a vasta bibliografia sobre a colonização no Médio São Francisco (sendo comarca de Pernambuco), Bahia, Piauí, Maranhão e Pará.

Ciclos da Economia

- Criação de gado, através da picada da Bahia. Expansão das fazendas de criação dos sertões da Bahia, Pernambuco, Piauí, que começa no século XVII e se prolonga até a terceira década do século XVIII, quando se descobre as minas de ouro em Natividade, Arraias, Almas, etc.

- Mineração de ouro, que se estende até o final do século XVIII.

- Lavoura de algodão e fumo, a partir da Segunda metade do século XVIII. Devido a independência dos Estados Unidos, a indústria Têxtil da Inglaterra ficou sem mercado importador dessas matérias-primas.

- Borracha da mangabeira (caucho), no início deste século, que resultou na colonização do vale do Áraguaia.

- Mineração de cristal de rocha, antes da construção da rodovia Belém-Brasília.

- Agropecuária, após a construção da rodovia Belém-Brasília.

- Agroindustrialização, vocação econômica para colocar o Tocantins no mercado nacional e internacional.

As minas do Tocantins

No início do século 18, bandeirantes na caça ao índio descem o Araguaia e sobem o Rio das Mortes, descobrindo ouro em Cuiabá (Mato Grosso). Na mesma época os paulistas descobrem ouro no Alto São Francisco (Minas Gerais) e Alto Araguaia (Goiás).

No Alto Tocantins, vaqueiros descobrem ouro nas Terras novas (Natividade, Almas, Arraias, São Félix da Palma - hoje Minaçú, Goiás), nascendo aí os primeiros núcleos urbanos de garimpeiros, comerciantes, funcionários do Reino e escravos africanos. Os governadores do Pará A minas de Tocantins e Maranhão disputavam jurisdição sobre os garimpos. O governador do Maranhão nomeava autoridades suas para os arraiais de São Félix da Palma, Natividade, Chapada, Carmo e Pontal.

No ano de 1733, a Coroa ordena que as minas das Terras Novas (Alto Tocantins) fossem incorporadas à capitania de S. Paulo. Na mesma época, as autoridades do Reino ordenam que o capitão de S. Paulo convocasse uma junta para estudar e propor que as minas do Alto Araguaia (Goiás) e Alto Tocantins (Terra Novas) fossem elevadas ao grau de capitania, inclusive que transferisse a fundição de S. Paulo para a nova capitania.

O século do ouro

“A sede insaciável do ouro estimulou tantos a deixarem suas terras e meterem-se por caminhos tão ásperos, como são os das minas, que diflcultosamente se poderá contar o número de pessoas que atualmente lá estão...


Cada ano vêm nas frotas quantidades de portugueses e de estrangeiros, para passarem às minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil vão brancos, pardos e pretos, e muitos índios de que os paulistas se servem. A mistura é de toda a condição de pessoa: homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus, seculares e clérigos, religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não têm no Brasil convento nem casa”. (Antonil - Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas, 1711)

Os primeiros arraiais

Nesse período, a imigração nas minas de ouro vai fundando núcleos de povoação. De 1730 a 1734, o garimpeiro Amaro Leite começa a explorar as minas do Rio Maranhão, afluente do Tocantins. Entre 1732 a1737, o garimpeiro Manuel Rodrigues Tomar é expulso pelas autoridades da Meia Ponte e, acompanhado com crescido número de companheiros, fundou as povoações das minas de ouro de Crixás, Trairas, São José do Tocantins, Santa Rita e Agua Quente.

No ano da 1734, o garimpeiro Antônio Ferraz de Araújo fundara os arraiais da Natividade e Almas. Em 1736, pernambucanos e baianos descobrem ouro na Chapada dos Negros, origem do arraial de Arraias. No mesmo ano, o garimpeiro Carlos Marinhos lança os alicerces dos arraiais de São Félix e Chapada.

Em 1738, Antônio Sanches descobre ouro no Pontal. Em 1741, garimpeiros dão origem ao arraial da Conceição. No ano de 1746 o garimpeiro Manoel de Sousa Ferreira organiza a povoação das minas de ouro do Carmo. (Alencastre, Capistrano de Abreu, Enciclopédia dos municípios, do TBGE.)

Picada da Bahia

A descrição, a seguir é de Lysias Rodrigues. “Não se pode precisar com certeza a data da abertura da célebre picada da Bahia, por onde, mais tarde, vinham do litoral todos os abastecimentos necessários aos mineradores de ouro”. Somos levados a crer que ela tenha sido aberta pela bandeira de que nos fala o padre Manuel Rodrigues, que “de Pernambuco veio a descoberta do sertão de Parahupava e que foi aniquilada pelos ferozes índios tocantins que na língua Tupi-Guarani quer dizer “índio com nariz de tucano”, nariz comprido.

“Esta picada da Bahia cruzava o vale do São Francisco, e pelo planalto que dali ascende para oeste, vinha sair no Vão do Paranã, para ir passar depois pela margem norte da Lagoa Feia”, hoje, cidade de Formosa, em Goiás, segundo observação de Luiz dos Santos Vilhena. “É evidente que por esta picada da Bahia muitos foram os que passaram; alguns negros, escravos fugidos, vieram ter ao Vão do Paranã e talvez por terem achado o ouro, ali estabeleceram-se em um povoado, sob a invocação de SantoAntônio”, futura povoação de Couros, hoje, cidade de Formosa. Toda região oeste da Bahia, fronteira com o Tocantins e Goiás, antigamente pertencia à capitania de Pernambuco.

Theotônio Segurado

Quando Theotônio Segurado teve de jurisdicionar pela primeira vez nos sertões do Tocantins, é possível que ele tenha se surpreendido e se entusiasmado com o futuro da Bacia Araguaia-Tocantins, considerando sua infância e juventude de ribeirinho no Baixo Alentejo, em Portugal. Tido como inteligente, laboroso e benemérito homem público, Theotônio Segurado muito fez pelo desenvolvimento econômico da região, inclusive como defensor de nossa emancipação política.

Acatado entre as autoridades maiores de sua época, sendo considerado consultor de ministros nas questões mais importantes de Goiás, Theotônio Segurado pretendia mesmo era se envolver com as vastidões do Norte goiano, região onde demonstrou liderança política e antevia como celeiro do Brasil e integrada com o mercado internacional, mediante a produção de bens exportáveis pelo caudaloso Tocantins via Porto de Conde, em Belém do Pará.

Brasão da Família Segurado

Como ouvidor da extensa comarca de Palma, Theotônio Segurado teve oportunidade de se manifestar várias vezes em documentos, projetos e idéias para desenvolver a região, através de políticas de incentivos para aumento da população, lavoura e comércio, destacando-se a navegação mercantil, com botes e batelões descendo carregados de sola, açúcar, algodão em pluma, fumo em rolo, carne salgada, toucinho e outras riquezas locais para permutar gêneros de importação do mercado europeu.

Mesmo ainda. hoje destratado pelos “carreiristas” e “cronistas” de Goiás e Tocantins o pesquisador sério com a historiografia há de convir que “ausência do ouvidor Theotônio Segurado muito favoreceu a tarefa do padre Luís Gonzaga de Camargo Fleury” no derrotismo e acomodamento pela reunificação do Norte ao Sul goiano.

Felipe Cardoso

BRIGADEIRO FELIPE ANTÔNIO CARDOSO

(Nascido em Arraias em 1773 e morto em Vila Boa de Goiás no dia 24 de julho de 1868). Era filho do Capitão Domingos Antônio Cardoso que, tendo vindo de Portugal para as minas do Norte de Goiás, hoje área do Estado do Tocantins, prestou relevantes serviços à milícía de Segunda Linha nas últimas décadas do século XVIII.

Esse tocantinense dcArraias, aos 27 anos de idade, obteve praça no Segundo Regimento de Cavalaria de Goiás, com sede em Arraias, e teve a graduação de cabo de esquadra a 29 de janeiro de 1800. Sua propensão pela carreira das armas manifestou-se desde cedo. Pouco tempo depois era promovido a alferes do mesmo Regimento de Cavalaria. A l3 de maio de 1808 foi nomeado Primeiro-Tenente, agregado à milícia de Arraias.

Espírito empreendedor e amando a terra que fora seu berço, o moço militar, ao lado do Ouvidor da Palma, desembargador Joaquim Theotônio Segurado, pugnou pelo desenvolvimento comercial da Comarca da Palma, já concorrendo com extremo zelo para o ativo progresso da sonhada Província da Palma (1821-1824). Em 13 de maio de 1811 foi promovido ao posto de Capitão, ainda em Arraias.

No ano de 1825, a 12 de outubro, foi promovido a Coronel, em cuja patente foi governador interino das Armas de Exército, Felipe Antônio Cardoso continuou residindo em Goiás, onde veio a falecer na avaçada idade de 95 anos, deixando uma numerosa descendência, sobressaindo entre seus filhos diletos a figura impávida do Coronel Felipe Antônio Cardoso Santa Cruz, fundador do Jornal “0 Tocantins” (1-1-1855) e Deputado Geral pela Provincia de Góias.

O Revolucionáro

O pequeno círculo social do julgado de Arraias não oferecia horizontes para o militar Felipe Cardoso e assim ele pediu sua transferência para Vila Boa, vila capital de Goiás, local mais propício para o exercício da carreira das armas. Quando em 4 de outubro de 1820 o português Manoel Inácio Sampaio, último capitão general assumiu o Governo de Goiás, o capitão Felipe Antônio Cardoso residia na vila Capital. Refere-nos o passado que Felipe Cardoso liderava o pequeno cenáculo que a história respeitosamente hoje declina, como tributo de gratidão e que o despotismo dos capitães-generais (governadores) condenava.

Pregava-se abertamente contra Portugal. As proclamações e os jornais revolucionários sucediam-se. Em fins de julho daquele ano a atmosfera política era insustentávl em Goiás, A caldeira estava cheia de vapor. Ou vingaria a mão de ferro do governador Sampaio ou triunfariam os protagonistas das novas idéias. O Capitão Felipe Cardoso e outros militares brasileiros deviam agir nos quartéis, enquanto os padres pregavam ao povo os patrióticos ideais.

Estava marcada para o dia 14 de agosto de 1821 a explosão do patriotismo contra o governo português. Eis que na véspera uma hetera (prostituta elegante e distinta) denunciou o movimento. O capitão Felipe Cardoso e outros brasileiros são presos. Abre-se a devassa. O governador Sampaio proclama aos povos. A 20 de agosto de 1821 a devassa estava terminada e como consequência, era decretada a deportação dos implicados. O capitão Felipe Cardoso teve ordem de se retirar para o distrito de Arraias, sua terra natal. No Norte de Goiás, então Comarca da Palma, o capitão Felipe Cardoso volta a propagar as idéias nativistas junto às lideranças tocantinenses. Inclinado pelos movimentos revolucionários e contrário ao despostimos, o capitão Felipe Cardoso discute o abandono da região Norte de Goiás e consegue despertar o ideário separatista da Comarca da Palma para se criar a Provincia da Palma, com apoio do ouvidor Theotônio Segurado e líderes regionais.


Mato Grosso vive ‘boom’ do ouro

Mato Grosso vive ‘boom’ do ouro


Atividade garimpeira a todo vapor em Peixoto de Azevedo - Gilberto Pereira de Souza | Fotos: Mary Juruna/Gilberto Pereira de SouzaProdução cresce vertiginosamente e movimenta a economia dos municípios. Nos últimos nove anos houve um salto de 4.676% na extração, que hoje registra oito toneladas/ano e pode chegar a 15 toneladas/ano em 2015.
A princípio os dados podem parecer absurdos, mas, de fato, nos últimos anos Mato Grosso voltou a produzir ouro em ritmo acelerado. Para se ter ideia deste crescimento vertiginoso, basta analisar os números equivalentes à produção do minério no Estado. Em 2003, por exemplo, Mato Grosso tinha um valor quase que irrisório de lavras exploradas, algo em torno de 173 quilos ao ano. Em 2011, no entanto, o volume atingiu 8.092 toneladas, o que representa um salto de 4.676% na produção.

Os dados são do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPN) e confirmam Mato Grosso em terceiro lugar no ranking dos maiores produtores do metal amarelo no País, ficando atrás apenas de Minas Gerais e Goiás, que ocupam a 1º e 2º posições, respectivamente.

Pepitas de ouro encontradas no garimpo da Cidade Rosa - Foto: Mary Juruna | Fotos: Mary Juruna/Gilberto Pereira de SouzaA comercialização do ouro vive em crescente expansão e valorização em todo o mundo. As bolsas de Nova York, Londres, Hong Kong e Sidney – principais comercializadoras da commodity – registram uma cotação do ouro em ascendência. Em maio de 2002, a cotação do minério girava em torno de US$ 300 a onça-troy (o equivalente 31,104 gramas de ouro), em maio de 2012, a cotação é de US$ 1.650 por onça-troy.

Aumento este bastante significativo, mais ainda se levarmos em consideração que, mesmo em tempos de crise na economia mundial, o preço pago pelo ouro esteve sempre valorizado, atribuindo-lhe a característica de uma aplicação segura.

A valorização do ouro, entretanto, não é sentida apenas nas grandes bolsas de valores. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias Extrativistas de Minérios do Estado de Mato Grosso (Sindminério), Laerte Lisboa Lima, o crescimento da exploração aurífera é real e crescente em muitos municípios mato-grossenses. Fato esse, que gera uma movimentação econômica bastante elevada nas localidades onde o minério é explorado.

Em Poconé, na Baixada Cuiabana, por exemplo, a busca pelo ouro volta a movimentar a região o que, consequentemente, contribui para aquecer a economia local. José Lúcio do Amaral, que trabalha neste setor, revela que existem ao menos 12 garimpos no município e que, segundo ele, são responsáveis por 70% da economia da Cidade Rosa. “É fácil perceber que esta atividade gera emprego e remuneração aqui na cidade. O trabalho de exploração do ouro é um dos pilares de sustentação da nossa economia, isto porque o garimpeiro ‘deixa aqui’ o dinheiro que consegue por aqui”, ressalta Amaral.

Ele afirma que essa exploração de ouro na região teve uma queda significativa após o Plano Collor, em 1990. ‘O Plano veio como um balde de água fria para os garimpeiros, muitos ficaram endividados e acabaram abandonando a atividade’. Ele revela, porém, que aos poucos a atividade foi retomada na região, atingindo números significativos a partir do ano 2000. “De lá para cá a atividade tem se expandido e a expectativa de analistas é de que os números possam ser cada vez mais expressivos”, assegurou Amaral. No último mês, ele afirma que o grama do ouro estava sendo comercializado no município ao valor de R$ 86.

Presidente da Cooperativa do Vale do Rio Peixoto (Cooagavep), Marco Antonio Reis, acredita que Mato Grosso vive novo ciclo do ouro. | Fotos: Mary Juruna/Gilberto Pereira de SouzaPeixoto de Azevedo (692 Km ao norte da Capital) é outra cidade cuja economia passa por momentos de glória, graças também à produção aurífera local. Segundo o presidente da Cooperativa do Vale do Rio Peixoto (Cooagavep), Marco Antonio Reis, a região do Vale do Peixoto possui 657 mil hectares de reserva garimpeira, o que contribui para elevar ainda mais os índices da atividade mineradora.

Reis relata que mais ou menos 1700 garimpeiros – dos municípios de Novo Mundo, Matupá, Guarantã do Norte, Peixoto de Azevedo, Nova Guarita, Terra Nova e do Distrito de União do Norte – estão associados à Cooperativa. Juntos eles conseguem extrair cerca de 300 quilos de ouro ao mês na região.

Esse trabalho organizado dentro das cooperativas favorece a produção do minério que, aos poucos, está sendo realizada de forma organizada e sustentável. Em Peixoto mesmo, existem mais de 50 áreas legalizadas para extração do ouro e outras 12 áreas recuperadas, conforme assegura Reis.

O presidente do Sindiminério, Laerte Lisboa assegura que a economia crescente no município é visível por todos. “Há uns três anos atrás você andava por Peixoto e encontrava à sua disposição umas duzentas casas para você morar, sem nem precisar pagar por isso, Hoje em dia, para você conseguir uma casa no município, você tem que fazer uma verdadeira romaria nas ruas. O comércio reabriu as portas e a vida na cidade mudou completamente” lembra ele.

Ainda assim, o presidente do Sindicato alerta para o fato de que muitos garimpeiros e mineradoras ainda exercem a atividade na base da informalidade. Justamente por isso, os altos números apresentados pelo DNPM podem ser ainda maiores dos que os computados pela Receita.

Mercado Promissor

O setor mineral de Mato Grosso é considerado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) como um dos mais promissores do Estado, sendo que atualmente a extração do ouro desperta maior atenção entre todos os demais minérios (diamante, fósforo e potássio, ferro, calcário, entre outros). Os municípios onde foram identificados indícios e até mesmo comprovada a existência de minérios são Paranatinga, Alta Floresta, Aripuanã, Vila Rica, Pontes e Lacerda, Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Nova Xavantina e Tangará da Serra.
Ainda segundo o Ibram, em torno de 75% do minério produzido no Brasil é exportado. Entre os principais compradores estão o Reino Unido, a Suíça, Emirados Árabes e Estados Unidos.

Entraves

A dificuldade para conseguir a legalização de áreas para extração mineral e as altas taxas aplicadas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) à cadeia produtiva do minério são os principais obstáculos encontrados por aqueles que visam exercer a atividade legalmente.

O representante da Coogavep, revela que existe muita burocracia para se obter as licenças para exploração. “Nós da cooperativa tentamos atrair os garimpeiros, pois sabemos que juntos é muito mais fácil conseguir a liberação das áreas. Trabalhamos com uma equipe de geólogos, engenheiros florestais, biólogos, enfim, temos uma estrutura que possibilita que o trabalhador consiga mais rapidamente exercer a exploração legal do ouro”.

O presidente faz questão de ressaltar que a região do Vale do Peixoto é a primeira do Brasil a ter uma cooperativa nesta atividade. “Sozinhos os profissionais têm uma dificuldade enorme de exercer a função, é um processo demorado e caro. Juntos podemos facilitar e baratear essas taxas”, ressalta Reis.