domingo, 6 de julho de 2014

O Circuito do Ouro em Minas Gerais


O Circuito do Ouro em Minas Gerais

O Circuito do Ouro está localizado na região mineira conhecida como Quadrilátero Ferrífero, devido à grande quantidade de minério de ferro encontrado na área. Situado ao leste da capital Belo Horizonte, o circuito conta com 17 municípios, dentre eles: Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo, Caeté, Catas Altas, Congonhas, Itabira, Itabirito, Mariana, Nova Ela, Nova Lima, Ouro Preto, Piranga, Rio Acima, Sabará, Santa Bárbara, São Gonçalo do Rio Abaixo e Santa Luzia.  Inclusive, a cidade de Ouro Preto foi a primeira do Brasil a receber o título de Patrimônio Mundial da Humanidade concedido pela UNESCO, pelo seu conteúdo histórico e cultura. Além de Ouro Preto, há ainda outro lugar em Minas Gerais com esse mesmo título, o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos com as famosas esculturas de Aleijadinho, “Os Doze Profetas”, na cidade de Congonhas.
Esses 17 municípios tiveram origem entre os séculos XVII e XVIII quando as primeiras jazidas de ouro foram descobertas no Brasil. Com isso, muitos exploradores chegaram para desbravar a região e trabalhar com a mineração de ouro e, dessa forma, fundaram pequenos povoados que, com o passar do tempo, foram elevados à condição de vila e, anos mais tarde, a município. Esse período conhecido como “Ciclo do Ouro” foi um dos mais importantes para o desenvolvimento do Brasil como sociedade. Além de promover a expansão do território, pois a partir da descoberta de ouro os habitantes do país começaram a procurar cada vez mais jazidas pelo interior da mata, a riqueza gerada originou uma maior organização social e política no Brasil.
Toda a riqueza foi transformada em belas casas, sobrados, grandes igrejas e obras como cadeias e casas de câmaras, ornamentadas com pinturas de Manuel da Costa Athaíde e José Gervásio de Souza Lobo, e esculturas entalhadas por Francisco Xavier de Brito, Francisco Vieira Servas e Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho). Por essas obras, por sua História e por ter sido palco de acontecimentos importantes como a Guerra dos Emboabas (paulistas contra portugueses e brasileiros de outras regiões pelo comércio do ouro em 1708) e a Inconfidência Mineira (revolta pela separação política de Minas Gerais do Brasil em 1789) é que essas cidades se tornaram o principal polo de atração turística do estado de Minas Gerais.
Nelas são encontrados valiosos objetos e obras arquitetônicas e de arte barroca, praticamente em seu estado original, como os Museus da Inconfidência, de Arte Sacra, do Ouro e do Oratório, as Igrejas de São Francisco de Assis, de Nossa Senhora do Ó, a Catedral da Sé e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos , além de trechos da Estrada Real, casarios da épocas e sítios arqueológicos. Entretanto, não é apenas do turismo cultural que sobrevive o Circuito do Ouro. Há ainda belas cachoeiras e áreas serranas que atraem os ecoturistas, destacando-se as paisagens do Parque Natural do Caraça e o Parque Estadual do Itacolomi.
- Como chegar: Partindo de Belo Horizonte, o município mais próximo é Sabará (21 km) a saída via terrestre é pela avenida Cristiano Machado (sentido Vitória/ES), entrando em seguida na rodovia MG-005. Como cidade metropolitana da capital, outras opções são as linhas de ônibus 5509 ou 1059 com pontos nas ruas Rio de Janeiro, dos Caetés e nas avenidas Cristiano Machado e José Cândido da Silveira.

Preços das commodities tem valores mistos

Preços das commodities tem valores mistos

Metais foram beneficiados pelos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, enquanto o petróleo registrou queda nas cotações


Fábrica em Bozhou, China
Fábrica em Bozhou, China: preços das commodities apresentaram valores mistos na semana
Londres - Os preços das commodities nesta semana tiveram resultados mistos. Os metais foram beneficiados pelos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, enquanto o petróleo registrou queda nas cotações pela diminuição das tensões sobre a oferta do produto.

Petróleo: Os preços do petróleo bruto recuaram com a redução das preocupações relativas à oferta do Iraque e da Líbia. As perdas foram em parte compensadas, porém, pelas evidências de demanda aquecida nos EUA, maior consumidor de petróleo do mundo.
Os preços do cru começaram a cair na quarta-feira, depois que primeiro-ministro interino da Líbia, Abdullah al-Thani, declarou que as autoridades do país recuperaram o controle dos terminais de exportação que estavam no controle dos rebeldes.
Atualmente, a produção da Líbia é de cerca de 320 mil barris por dia, aproximadamente um quinto da sua capacidade.
"A Líbia espera um avanço promissor da recuperação da sua capacidade de exportação", disse Dorian Lucas, analista da Inenco.
As preocupações em relação às exportações do Iraque também foram aliviadas, na medida em que os ataques dos rebeldes não ameaçam a produção de petróleo concentrada no sul do país.
A queda dos preços do petróleo foi reduzida, entretanto, pela retração acima do esperado das reservas dos EUA. O Departamento de Energia informou que os estoques de cru do país tiveram uma perda de 3,2 milhões de barris na semana passada, quase o dobro do previsto pelos analistas.
Já o Departamento de Trabalho comunicou na quinta-feira que foram criados 215.000 empregos, reduzindo para 6,1% a taxa de desemprego, em comparação aos 6,3% registrados em maio.
Os EUA são o maior consumidor de petróleo e, por isso, qualquer indicador de sua economia é acompanhado de perto pelos investidores.
As notícias de que as economias da Ásia, China e Japão, registraram expansão em junho também contribuíram para suportar os preços.
Nesta sexta-feira, em Londres, no Intercontinental Exchange, o Brent do Mar do Norte para entrega em agosto caiu para 110,87 dólares o barril, em comparação aos 113,18 dólares na semana anterior.
No New York Mercantile Exchange, o "light sweet crude" com entrega para o mesmo prazo caiu para 103,90 dólares o barril, em relação aos 105,55 dólares da semana passada.
Paládio bate recorde
METAIS PRECIOSOS: O ouro bateu um recorde de três meses com os dados sobre o emprego dos EUA.
O paládio atingiu a maior alta dos últimos 13 anos, a 866,85 dólares a onça, em uma consistente demanda pelo metal.
Nesta sexta-feira, no London Bullion Market, o preço do ouro subiu para 1.319,25 dólares a onça, em comparação aos 1.317,50 dólares da semana anterior.
A prata avançou para 21,12 dólares a onça, em relação aos 21,04 dólares da semana passada.
No London Platinum and Palladium Market, a platina teve alta, a 1.503 dólares a onça. Na semana passada, a cotação era de 1.479 dólares. O paládio subiu de 839 para 866 dólares.
METAIS INDUSTRIAIS: Os preços subiram, impulsionados por dados econômicos positivos de Estados Unidos e China, grande importadora de metais e que apresentou crescimento da indústria em junho. O zinco teve sua maior alta em três anos, a 2.270,25 dólares a tonelada, em resposta a uma contração da oferta.
Nesta sexta, no London Metal Exchange, o cobre para entrega em três meses saltou para 7.140 dólares a tonelada, em comparação com os 6.956 dólares da semana anterior.
O alumínio para entrega em três meses subiu para 1.921 dólares a tonelada; o chumbo com entrega no mesmo período avançou para 2.180 dólares a tonelada; o estanho, para 22.790 dólares a tonelada; o níquel, para 19.500 dólares a tonelada; e o zinco, para 2.236 dólares a tonelada.
Açúcar em queda
CAFÉ: O mercado do café teve resultados mistos, com alta do Robusta, em razão da seca no Vietnã, e com queda do Arábica, por causa da grande colheita no Brasil.
"O Vietnã teve uma seca mais intensa do que o normal, e é possível que sua produção para o ano que vem seja impactada", afirmou Jack Scoville, analista do Price Futures Group.
"A produção do Brasil foi bem alta nesta temporada, já que a seca criou boas condições para a colheita", acrescentou.
No ICE Futures US, o Arábica para entrega em setembro caiu para 171,80 centavos o quilo, em relação aos 181,30 centavos da semana anterior.
No LIFFE, o Robusta para setembro avançou para 2.059 dólares a tonelada. Na semana passada, foi cotado a 2.036 dólares.
AÇÚCAR: Os preços do açúcar caíram nesta semana, ajustando-se ao crescimento da oferta.
Nesta sexta-feira, no LIFFE, o preço da tonelada de açúcar refinado para entrega em outubro fechou em 469,40 dólares, comparado com 483,10 dólares na semana anterior.
No ICE Futures US, o preço do açúcar sem refino para outubro caiu 17,81 centavos de dólar o quilo. Na semana passada, valia 18,55 centavos.

Minério tem 3ª alta semanal e atinge maior preço desde maio

Minério tem 3ª alta semanal e atinge maior preço desde maio

Preços subiram para os maiores níveis desde o fim de maio, com siderúrgicas chinesas recompondo estoques do insumo


Estoque de minério de ferro
Ferro: contrato do minério com entrega imediata na China fechou a sexta-feira estável, após subir 1,9%
Singapura - Os preços do minério de ferro no mercado físico fecharam a terceira semana consecutiva com ganhos, subindo para os maiores níveis desde o fim de maio, com siderúrgicas chinesas recompondo estoques do insumo.

Ganhos rápidos nos preços a vista de cargas de minério desta semana levaram o mercado a uma recuperação depois do recuo até as mínimas de 21 meses tocadas em meados de junho.
Mas operadores disseram que novos ganhos dependerão da demanda por aço no importante consumidor global, a China, e um declínio sustentado dos estoques de minério importado nos portos chineses, que neste ano subiram mais de 30 por cento.
O contrato do minério com entrega imediata na China fechou a sexta-feira estável, após subir 1,9 por cento para 96,50 dólares na sessão anterior, seu maior valor desde 28 de maio, de acordo com dados da Steel Index.
O preço da matéria-prima, que é a principal fonte de receita para as mineradoras Vale e Rio Tinto, recuperou mais de 8 por cento desde que testou a mínima de 21 meses de 89 dólares em 16 de junho.
O ganho na semana foi de 1,7 por cento. "Há perspectiva crescente de que o preço pode subir até 100 dólares em breve ou mesmo superar se as siderúrgicas e operadores tomarem esta oportunidade para reservar mais carregamentos", disse um operador do minério de ferro de Rizhao, cidade na província chinesa de Shandong.

Vale é pouco afetada por queda de preços do minério de ferro

Vale é pouco afetada por queda de preços do minério de ferro

A mineradora é a mais protegida do setor por ser detentora do minério de ferro de melhor qualidade do mundo e ser reconhecida por ter baixos custos


Um funcionário monitora o processo de fundição de níquel em uma instalação da Vale
Vale: Se a Vale for afetada, todas as outras mineradoras já terão sido impactadas antes, diz especialista
São Paulo - O atual cenário do minério de ferro acendeu o sinal amarelo em torno dos negócios das mineradoras, no entanto, a Vale é vista como a empresa do setor mais protegida em relação à redução dos preços e só uma queda mais brusca afetaria de fato a lucratividade da brasileira.

Por ser detentora do minério de melhor qualidade do mundo e dona do título de mineradora de mais baixo custo, a companhia está em melhor posição competitiva em relação aos concorrentes, embora o preço mais baixo já esteja batendo em seus dados financeiros. Neste ano, o minério acumula perdas de 28%.
"Quando os preços do minério de ferro caírem a ponto de atingir a Vale de fato, todas as outras mineradoras do mundo já terão sido impactadas muito antes", disse o especialista em mineração e ex-diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), José Mendo de Souza, e consultor da J.Mendo.
Neste ano, o preço do minério de ferro registrou a mínima em quase dois anos, batendo US$ 89 a tonelada no mercado à vista chinês no mês passado. Na quinta-feira, 03, estava em US$ 96,5 a tonelada na China.
Segundo cálculos do UBS, o ponto de equilíbrio (break even point) do preço do minério para a Vale, ou seja, valor que separa a atividade lucrativa daquela que gera perdas, é de US$ 68 a tonelada na China. "A Vale é muito lucrativa com o minério em US$ 100 a tonelada", afirma o analista do banco suíço Andreas Bokkenheuser.
Embora os preços estejam neste momento um pouco abaixo desse valor, a previsão é de que fiquem em torno de US$ 100 neste terceiro trimestre, segundo especialistas consultados pela reportagem.
"Acreditamos que os preços serão suportados ao longo das próximas quatro a seis semanas devido à atividade sazonal da construção na China", afirma Bokkenheuser.
Em relatório recente, o BTG Pactual destacou que, na sua visão, o preço médio para este ano ficará em US$ 105 a tonelada, mesmo valor projetado para 2015. Para o longo prazo, iria para US$ 90. "Em nossa opinião, a única razão para reduzir Vale é se os preços caírem em torno de US$ 80, um cenário que consideramos improvável", de acordo com os analistas Leonardo Correa, Luiz Fornari e Antonio Heluany. A recomendação do BTG para as ações da Vale é de compra.
Os analistas do BTG destacam que a maioria da indústria de minério de ferro ficaria em grande pressão com os preços no patamar de US$ 80 a tonelada.
Um dos pontos que merece ser olhado, lembram, é como será a reação das mineradoras chinesas em relação à queda ainda maior dos preços do insumo, já que grande parte dessas companhias é de custo elevado. Os profissionais lembram que em setembro de 2012, quando os preços caíram abaixo de US$ 90 a tonelada, algumas mineradoras locais suspenderam atividade.
No mercado, a percepção é de que a Vale conseguiu ao longo dos últimos anos ampliar a sua posição competitiva, tendo em vista que os investimentos em logística a aproximou de seu principal mercado consumidor, a China. A diferença da distância entre Brasil e Austrália para a China sempre foi um ponto a favor das australianas BHB Billinton e Rio Tinto.
No primeiro semestre deste ano, por exemplo, o centro de distribuição da Vale na Malásia começou a receber os navios Valemax, que possuem capacidade para carregar 400 mil toneladas, que foram banidos dos portos chineses em 2012. Nele a Vale irá estocar minério e assim poderá atender com mais proximidade seus clientes asiáticos.
Neste ano, um dos fatores de pressão sobre os preços do minério de ferro é a entrada de novas capacidades. A previsão é de que as quatro maiores mineradoras do mundo irão adicionar uma oferta de 100 milhões de toneladas por ano no mercado internacional até 2015.
Outro ponto que gera cautela é a preocupação em torno da atividade econômica chinesa. No entanto, de janeiro a maio, a produção de aço ainda registrou alta na relação anual.
Segundo a Associação Mundial do Aço (WSA, na sigla em inglês), a produção de aço na China subiu 2,7% nos cinco primeiros meses do ano, para 342,519 milhões de toneladas.

Como Eike, egocêntrico e vendedor de ilusões, afundou o Império X

Como Eike, egocêntrico e vendedor de ilusões, afundou o Império X

Confira análise da autobiografia lançada por ex-bilionário há dois anos, que mostra os sonhos prometidos e o que de fato o 'mito', como se auto-proclamou, entregou ao mercado

 
 O mineiro Eike Batista vivia possivelmente o melhor momento como empresário. Estampava publicações nacionais e estrangeiras, embolsava prêmios como grande homem de negócios do País (e uma promessa mundial, ousariam afirmar) e era a inspiração de empreendedores brasileiros. Meses antes, o ex-bilionário, que fundou o Grupo EBX, mandou o recado: passaria Bill Gates, da Microsoft, para trás e se tornaria o homem mais rico do mundo. Para muitos, ele era o cara. 
Empresário tenta salvar empresas que se dividem

Em dezembro daquele ano, Eike aproveitou toda a popularidade do momento e lançou a autobiografia "O X da Questão – A trajetória do maior empreendedor do Brasil". O livro alcançou 203 mil exemplares e foi o título mais vendido até hoje pela editora Primeira Pessoa, braço da Editora Sextante especializado em biografias.
Hoje, depois de 23 meses, ler o relato de Eike ao longo de rasas 159 páginas proporciona momentos irônicos e analíticos. Irônicos porque sua autobiografia traz um amontoado de clichês e afirmações que não passaram de promessas. Sem nem um traço sequer de modéstia, o empresário avalia um de seus momentos nos negócios – a exploração de uma operação de garimpo de ouro em Alta Floresta, ao norte de Mato Grosso. "Os méritos maiores foram persistência, obstinação, ousadia e o que as pessoas costumam qualificar de capacidade visionária".
Sobram frases no livro de culto ao ego, como "sou um empreendedor diferente da média", "sou perito em identificar diamantes não polidos e aprendi, ao longo da vida, a polir esses diamantes". Ou ainda "minha trajetória é a prova de que o capitalismo brasileiro está mais maduro. As aberturas de capital de minhas companhias são verdadeiros atestados de maioridade".
Ego, um grande companheiro
Ao mesmo tempo que o livro confirma que Eike tem um ego difícil de ser delimitado, mostra hoje a inconsistência do plano de negócios do empresário. Naquela época, Eike afirmava no livro: "Por trás do mito, há uma saga empresarial erguida acima de tudo com muito suor e trabalho... Felizmente acertei bem mais do que errei e numa escala e num tempo impensáveis no mundo empresarial". Quem não ruborizaria ao falar de si recorrendo a palavras como "mito" e "visionário"? Eike Batista.
Eike, o empresário que não teve recato ao se auto-proclamar um mito, afundou. Na última semana (dia 11), mais uma de suas empresas, a OSX (chamada por ele de Embraer dos mares), teve de recorrer à recuperação judicial na tentativa de ganhar tempo junto aos credores e conseguir uma sobrevida. A primeira a usar esse expediente foi a OGX, em 30 de outubro ("A OGX tem no seu DNA algo especial que herdou de mim: a vontade de encantar e surpreender", descreveu no livro). De figura de destaque nas listas dos maiores bilionários do mundo, o dono do Império X virou sinônimo de caloteiro e agora tem de conviver com o peso de bilhões de reais na forma de dívida, não mais em fortuna.

Com frases e mais frases feitas, o ex-bilionário oferece em "O X da Questão" grandes momentos de auto-ajuda para quem sonha em se tornar empreendedor. "Uma lição que fica para quem decide iniciar um negócio é não desistir na primeira dificuldade", ensina.
'Minha trajetória é a prova de que o capitalismo brasileiro está mais maduro', diz Eike em biografia

No mesmo capítulo, o autor avança no tema: "A única coisa certa no mundo dos negócios é que você vai errar. Se tiver humildade para reconhecer esta verdade, terá meio caminho andado para aprimorar suas práticas como empreendedor". A frase, lida sob a luz do atual momento de Eike, certamente causaria irritação e indignação nos investidores que aportaram bilhões de reais em seus projetos. Provocaria também indignação entre os minoritários que apostaram no vendedor de sonhos e colocaram suas economias em ações que viraram pó. "Posso ser acusado de excesso de ousadia, mas nunca pensei em correr atrás do Santo Graal", garante no livro.
Outro capítulo, o "Visão 360 graus", também deve incomodar quem comprou os sonhos de Eike, tamanha a sua incoerência. "Eu não aspiro à perfeição. Aspiro ao êxito. Aspire ao êxito você também. Eu desejo entregar ao mercado, aos acionistas, aos colaboradores e à sociedade o que me comprometo a entregar." Ele ficou na promessa. Demitiu boa parte de seu quadro de funcionários e viu suas seis empresas listadas na Bolsa minguarem. "Meu negócio é converter sonho em realidade, e talvez seja este o principal traço da minha trajetória", explicou. Sua crença, mostram os atuais fatos, fez água.
Para o investidor ainda em dúvida sobre as diferenças entre Eike escritor e Eike gestor, mais um trecho: "Não se deve subestimar a própria capacidade de cometer erros de avaliação. Alguma dose de cautela é vital... Mas se alguém quer risco zero, o melhor é colocar dinheiro no cofre e enterrar a chave em lugar seguro". Entenderam, senhores investidores?
'Acredite na sua intuição, mas procure confirmá-la com dados científicos ou pesquisa', outra dica do livro

No capítulo " Cartilha da Ética", um reforço de mensagem de confiança aos que tinham alguma dúvida naquele momento. O dono da EBX afirmou que "há empresários que operam 100% dentro da cartilha correta. Sou um deles e faço questão de me manter assim."
Taxativo, o autor ensina em sua autobiografia que é preciso se cercar de informações científicas quando se está estruturando um negócio ("Acredite na sua intuição, mas procure confirmá-la com dados científicos ou pesquisa"). Em outro trecho, o empresário volta ao assunto – "Por isso a pesquisa foi tão importante em minha trajetória". A dica, no entanto, parece não ter sido útil para o consumo interno. No caso da petroleira OGX, relatórios mostraram que as reservas dos campos de exploração eram bem menores do que havia sido anunciado. Faltou informação? Quem sabe.
Megalomania
No capítulo 10, "A perfeição é uma utopia", Eike Batista volta ao tema da megalomania – "Na medida certa, um pouco de megalomania ou ousadia é recomendável. Nã há empreendedor bem-sucedido que não tenha provado uma pequena dose. Quando o negócio se mostra viável, seu idealizador deixa de ser um megalomaníaco". O leitor poderia então perguntar hoje, com os negócios e a credibilidade de Eike mergulhados em um lamaçal: o autor da frase acima é um megalomaníaco?
Talvez faça parte de pessoas com o perfil de Eike a estratégia da repetição. Fala-se muitas vezes a mesma coisa de forma convincente na intenção de que as pessoas acreditem que aquilo é uma verdade. Um exemplo é quando o autor se descreve como alguém com habilidade para transitar entre várias especialidades, já que "posso lidar com ouro, prata, níquel, cobre, zinco, petróleo, energia, enfim, posso fazer um mundo girar à minha volta..."
Hoje, ao chegar a última página de "O X da Questão", a conclusão que o leitor tem é de que Eike deixou de citar uma característica importante. É apressado. Foi assim ao se lançar em várias frentes de negócios ao mesmo tempo, ao correr para o mercado para capitalizar suas empresas quando ainda não passavam de projetos e ao proclamar-se um empresário exitoso muito antes de conseguir entregar o que prometeu.