domingo, 6 de julho de 2014

Atividades minerais no Estado do Tocantins

Atividades minerais no Estado do Tocantins

As atividades de mineração no Tocantins se resumem, atualmente, a extração de minerais de uso imediato na construção civil (areia, argila, rochas britadas e cascalho), água mineral e calcários calcíticos e dolomíticos, e/ou magnesianos, para aplicação como insumo básico na fabricação de cimento e corretivos de solos, respectivamente, além de gemas (esmeralda, granada e quartzo). Em 2009 não houve produção de rochas fosfáticas e de zirconita secundária em razão destes empreendimentos estarem, naquele momento, em fase de implantação. Registrou-se, ainda, em 2009, lavras experimentais de ouro e manganês.
 
Espera-se para 2012 o início da produção industrial do fosfato de Arraias e o início da mineração em escala industrial da zirconita de Jaú do Tocantins, além do desenvolvimento da produção de ouro através de duas plantas de concentração nos municípios de Natividade e Almas. Em Almas, ainda, a empresa Rio Novo Mineração Ltda. terminou a reavaliação das reservas de ouro da antiga Mina do Paiol (ex-CVRD), visando a sua possível implantação no ano de 2012, a qual deverá produzir até 3 ton/ano de ouro. Espera-se, também, para este ano a retomada dos garimpos de esmeralda de Monte Santo do Tocantins através da concessão de Permissões de Lavras Garimpeiras - PLG’s à cooperativas de garimpeiros formalmente constituídas. A CALTINS - Calcário Tocantins Ltda. e a VALMESA Mineração Ltda. viabilizaram, em 2010, a produção de minério de ferro a partir de uma jazida de poucos milhões de toneladas no município de Lagoa da Confusão. Depósitos de ouro e minério de manganês, ainda, não avaliados são, atualmente, alvos de lavras experimentais com guias de utilização nos municípios de Natividade, Porto Nacional, Monte do Carmo, Almas, Dianópolis, São Valério da Natividade, Paranã, entre outros.
 
Nos últimos anos, a pesquisa mineral no Tocantins revelou ocorrências, principalmente, de ouro, fosfato, minérios de ferro, níquel e cobre, e rochas ornamentais, ainda, não avaliadas, ou em fase de análise pelo DNPM, além de aumentar em muito as reservas de calcários (o Estado, em 2009, foi o 7º produtor nacional de calcário agrícola). Ainda, não foram descobertas reservas de grande porte destas substâncias acima (com exceção, talvez, do fosfato), entretanto, a continuidade da pesquisa mineral indica boas perspectivas.
 
São, também, promissores os resultados preliminares para a detecção de reservas significativas de jazidas polimetálicas, minérios de titânio, gemas, terras raras, etc.
 

A moeda mais cara do mundo

A moeda mais cara do mundo

Kimberlitos no Brasil


Estão em exposição na Goldsmith’s Hall em Londres.

Fabricada pela primeira vez em 1850, a moeda era produzida com o ouro cunhado na Califórnia, chamada de “Double Eagle”, seu valor de cunhagem é de US$ 20.
A maior parte da produção foi derretida para tentar conter a crise. Treze unidades são conhecidas, até hoje e uma delas foi arremata em leilão por US$ 7,6 milhões (R$ 13,1 milhões) em 2002.
Em 1907, passou por uma remodelação e foi descontinuada em 1933, quando o presidente Franklin Roosevelt tirou o país do “padrão ouro” para salvar a economia durante a Grande Depressão iniciada em 1929.
Este raro exemplar está em exibição na Goldsmith’s Hall em Londres.
Kimberlitos no Brasil

Kimberlito é vulgarmente conhecido como a rocha que contêm diamantes. Na realidade, não é um tipo específico de rocha, mas sim um grupo complexo de rochas ricas em voláteis (dominante CO2), potássicas, ultramaficas híbridas com uma matriz fina e macrocristais de olivina e outros minerais como: ilmenita, granada, diopsidio, flogopita, enstatita, cromita. Os Xenocristais e Xenólitos são comuns (inclusive de diamantes).
São formados pela fusão parcial do manto a profundidades maiores que 150 km. A ascensão do magma kimberlítico a superfície traz diversos xenocristais e xenólitos formados em grandes profundidades, entre eles o diamante, desde que o magma tenha passado por regiões no manto/crosta que fossem ricas neste mineral.
Ou seja, o magma que forma o kimberlito não é o produtor de diamante, apenas um meio de transporte.
Os depósitos da região de Kimberley na África do Sul foram os primeiros reconhecidos e deram origem ao nome.
Os diamantes de Kimberley foram encontrados originalmente em kimberlito laterizado. Classifica-se grosseiramente, em função das características do kimberlito de Kimberley o kimberlito como sendo “yellow ground” e “blue ground”.
 Yellow ground é relativo ao kimberlito intemperizado que se encontra na superfície. Blue ground é relativo ao kimberlito não intemperizado, encontrado em profundidades variáveis.
O kimberlito ocorre principalmente nas zonas de crátons, porções da crosta terrestre estáveis desde o período Pré-Cambriano. No Brasil existem três áreas cratônicas.
O cráton Amazônico é a principal delas, porém ao sul de Rondônia e norte do Mato Grosso também encontra-se kimberlitos.
O cráton do São Francisco ocupa grande parte de Minas Gerais e destaca-se na região sudeste do Brasil, porém nele, com exceção dos kimberlitos pobres da Serra da Canastra, não se conhecem rochas kimberlíticas mineralizadas.




Kimberlito Redondão, na serra das Guaribas, sudoeste piauiense

A Riqueza dos nossos Recursos Minerais- RONDÔNIA

A Riqueza dos nossos Recursos Minerais
Estado de Rondônia detém um substrato geológico que demonstra potencialidade para uma vasta gama de recursos minerais economicamente aproveitáveis. A produção mineral presentemente avaliável
advém da extração de recursos que podem ser simplificadamente enquadrados na condição de substâncias metálicas e não-metálicas. No agrupamento das substâncias metálicas destacam-se os depósitos de ouro, estanho, ferro e manganês que constituem 85% do total dos recursos do Estado de Rondônia. As demais substâncias perfazem os restantes 15% dos jazimentos minerais cadastrados e incluem depósitos de diamante, ametista, berilo, água marinha, argila, areia, cascalho, granito, gnaisse, gabro, calcário, turfa, monazita ethorita.
SUBSTÂNCIAS METÁLICAS
Ouro - Os registros de jazimentos de ouro primário representam 57% dos depósitos auríferos, enquanto os jazimeritos aluvionares perfazem 34% e os sedimentos terciário-quaternários indiferenciados, 9%.
O Grupo Nova Brasilândia engloba a maior parte das ocorrências de ouro cadastradas de natureza primária, cuja associação mineral faz-se representar por pinta, calcopirita, arsenopirita, áxidos de ferro e manganês, turmalifla e rutilo.
As coberturas terciánio~quaternária5 indiferenciadas são constituídas de sedimentos expressivamente lateritizados, cuja granulometria varia de cascalho à argila. Englobam grande quantidade de registros auríferos que hospedam-se preferencialmente nas porções mais grosseiras e basais dos pacotes sedimentares, representando depósitos minerais relacionados ãerosão de rochas mais antigas, ocorrida durante os sucessivos ciclos de modelamento do relevo.
Os depósitos aluvionares encerram trinta e quatro jazimentos de ouro cadastrados. Os principais depósitos auríferos concentram-se ao longo do Rio Madeira, onde o metal ocorre sob a forma de cristais com granulometria grosseira, relacionados a níveis conglomeráticos e de areia grossa, em paleodepósitos de fácies de canal (barras de canal e de pontal) e leito ativo,
Cassiterita - O estanho, na forma de cassiterita, corresponde ao principal bem mineral atualmente em exploração no Estado de Rondônia. Os jazimentos primários deste metal, notadamente hospedados em granitos meso/neoproterozóicos, perfazem um total de 76% dos jazimentos estaniferos conhecidos no Estado. Evidências diretas da presença do metal em coberturas térciário~quaternária5 indiferenciadas representam 15% das ocorrências, contra 9% dos jazimentos incluidos nos sedimentos aluvionares. A Suíte Intrusiva Serra da Providência engloba 27 ocorrências de estanho primário, preferencialmente alojadas em biotita sienogranitos e álcalifeldspato granitos equigranulares. que foram afetados por processos metassomáticos, aos quais se associam as mineralizações.
Ferro e Manganês - Os depósitos de ferro e manganês tipificam jazimentos metálicos caracteristicamente associados a ambientes sedimentares e/ou vulcano~sedimentare5 A única ocorrência de ferro incluída na listagem de recursos minerais do Estado de Rondônia encontra-se inserida no contexto geológico do Grupo Nova Brasilândia.
Os jazimentos manganesíferos dispõem-se preferencialmente na Seqúência Metavulcano~sedimentar Roosevelt, com teores médios que variam de 0.1 a 5% de manganês. Nas rochas lateritizadas os teores podem atingir até 55% de metal contido, quando esta é portadora do elemento químico na estrutura cristalina da criptomelana e da pirolusita, identificáveis através de  analises mineralógicas; quartzo, goethite, limonita. pinta, arsenopirita, calcopirita e minerais argilosos representam as fases acessórias dos jazimentos. A associação temporal desses depósitos com tufos, brechas vulcânicas e formações ferriferas, deixa anteverpotencialidade metalogenética da seqüéncia para jazimentos vulcanogênicos contendo ouro, ferro, cobre, chumbo e zinco.
NíqueI/CobreCromo/Platinóides - Rochas máficas pertencentes à Formação Rio Branco (Grupo Nova Brasilândia) revelaram a presença de traços de pentlandita, calcopirita, bornita e cromita além de um provável mineral do grupo da platina. Valores altos de Ni. Cr e Cu também são registrados nos solos originados dos litotipos que constituem a unidade litoestratigráfica. No contexto da Formação Rio Branco destaca-se o chamado "Complexo Máfico Serra do Coloado" com fortes evidências de acamadamento ígneo e fracionamento de Ni e Cu, constituindo acumulações primárias de grande potencial. Merece destaque, igualmente. o seu capeamento lateritico, da ordem de 10 a 15 metros de espessura, importante metalotecto de niquel lateritico. Importantes ocorrências de cobre foram recentemente identificados nos calcários da Formação Pimenta Bueno.
SUBSTÂNCIAS NÃO-METÁLICAS
Diamante - Os jazimentos diamantíferos cadastrados no Estado de Rondônia hospedam-se em sedimentos ahuvionares e eluvionares associados a pipes kimberliticos subaflorantes já identificados em trabalhos de prospecção geofísica terrestre. Referências ajazimentos diamantiferos nos leitos dos rios Pimenta Bueno e Machado assinalam a ocorrência desse bem mineral em arcas de exposição de rochas sedimentares paleozóícas. Na bacia do Rio Roosevelt constatou-se a freqüente ocorrência de diamantes de 4 a 5 quilates, alojados em níveis de cascalho integrantes de depósitos aluvionares, em associação com piropo, ilmenita, rutilo, cassiterita e ouro.
Ametista~Berilo~Ãgua Marinl,atropázio - Os registros de ametista / berilo/água marinha incluídos na listagem de recursos minerais do Estado de Rondônia inserem-se no contexto geológico do Grupo Nova Brasilàndia.
No município de Costa Marques ocorrências de ametista fomentaram o desenvolvimento de uma incipiente atividade garimpeira no inicio da década de 90. Tais ocorrências relacionam-se a pequenos e irregulares veios pegmatiticos associados aos granitos da Suíte ígnea Costa Marques. Ocorrências recentes de ametista na região da Mina de São Lourenço revelam depósitos bastante significativos (produção mensal média de 700kg), com cristais de grande dimensão em agregados de forte coloração, associados á Suíte São Lourenço/Caripunas ou aos Younger Granites de Rondônia.
O quartzo hiarino (cristal de rocha) ocorre também em sítios pegmatiticos relacionados aos granitos meso/neoproterozóicos Ocorrências de turnialina preta (schorlita) e granada vermelha (piropo) também são mencionadas na literatura especializada, associadas às rochas do Grupo Nova Brasilândia e Complexo Jamari
O topázio ,importante subproduto da exploração da cassiterita, á qual ocorre comumente associado, é atualmente o principal bem mineral explorado na região do Complexo Massangana.
Argila/Areia/CascalhoITurfa - Os depósitos referentes a esses recursos minerais, atualmente disponiveis no Estado de Rondônia, incluem dezenas de registros de jazidas em fase de exploração ou ocorrências esporadicamente aproveitáveis, Invariavelmente tais jazimentos associam-se aos sedimentos aluvionares relacionados aos jeitos ativos dos diversos cursos dágua que drenam o substratogeológico do Estado de Rondônia. Destaca-se igualmente, o caso do cascalho que é também lavrado a partir da desagregação das partes superiores dos perfis lateriticos (horizonte conorecionáriocolunar):
Depósitos de argilas plásticas, detentoras de elevado grau de pureza e de excelente qualidade, foram definidos na região de Porto Velho. Ensaios tecnológicos caracterizaram tais jazimentos como podadores de materiais para utulízação na indústria de cerâmica branca. É importante destacar, também. o imenso potencial das Formações Pimenta Bueno e Cacoal com relação à ocorrência de argilas industriais.
As argilas industriais e areias refratárias estão diretamente relacionadas aos depósitos aluviais recentes (planícies de inundação ou barras de canal), descortinando-se como bens de imenso potencial uma vez que as acumulações relacionadas ao sistema Guaporé/Mamoré/Madeira ainda não foram estudadas. A turfa também se inclui nas substâncias de ocorrência potencial associada aos depósitos lacustres e pantariosos que caracterizam a região conhecida como Vale do Guaporé
GranitoslGnaisseslGabros - As substâncias minerais reunidas neste item apresentam potencialidade econômica para serem explorados como rochas ornamentais e para material de construção, preferencialmente como brita. No trabalho de Silva et ai. (1996). são individualizadas áreas promissoras à produção de rochas ornamentais materializadas em maciços com extensões quilométricas, larguras de centenas de metros e desníveis de dezenas de metros. Petrograficamente, identificaram-se tipos litolágicos classificados como augengnaisses, gnaisses bandados, gnaisses foliados, granitos, charnockitos e meta-gabros. A granuIação dos referidos tipos litológicos varia de grossa a média e as colorações incluem rochas cinza-escuras, cinza-claras, rosadas, amareladas e pretas (no caso dos gabros).
Calcário - Jazimentos classificados como calcários, invariavelmente associados às coberturas sedimentares que constituem a Formação Pimenta Bueno e Cacoal, são referidos em diversos trabalhos de cunho regional efetuados no Estado de Rondônia, bem como em levantamentos recentes reafizados em áreas mais localizadas. O Projeto Sudeste de Rondônia refere-se a três ocorrências de rochas carbonáticas na região de Pimenta Bueno, sendo que a mais importante delas encontra-se localizada no alto curso do Igarapá FéIix Fleury, área detentora de uma jazida atualmente explorada pela iniciativa privada, através de contrato de arrendamento cedido pela CMR (Companhia de Mineração de Rondônia), portadora dos direitos minerários do depósito.

O Brasil vai virar um grande garimpo?

O Brasil vai virar um grande garimpo?

As atenções da mídia estão focadas hoje, 6 de dezembro de 2013,em dois grandes eventos: as homenagens ao grande estadista Nelson Mandela,ontem falecido aos 95 anos, e o sorteio dos grupos das seleções que irão disputar a Copa do Mundo de futebol no próximo    ano aqui no Brasil.Enquanto isto, nós do setor mineral vivemos o rescaldo de uma prolongada batalha na Câmara dos Deputados envolvendo as discussões do Novo Marco Regulatório da Mineração.Depois de dezenas de audiências públicas ,    encontros regionais e muitas horas de reuniões, o relator da Comissão Especial não conseguiu colocar seu substitutivo em votação por apresentar pontos divergentes do projeto original,acatando várias sugestões apresentadas pela    ABPM.Pelo visto,esta matéria ficará para o próximo ano ou mesmo para 2015,em função das eleições.
Diante deste quadro, precisamos tocar o barco, a começar pelo destravamento do DNPM, como bem observou nosso associado Felipe    Sampaio,com a propriedade que lhe é peculiar.Todos sabemos das dificuldades enfrentadas por este órgão há décadas e que foram minuciosamente expostas em audiência pública para discutir sua transformação em Agência (parece que este    foi um dos pontos de divergência do relator com o executivo,que queria que o processo não acarretasse aumento de despesas). Mas algumas áreas do DNPM apresentaram significativos avanços nos últimos anos, como a informatização de    vários serviços e a atualização permanente de estatísticas disponíveis em sua página na internet. Graças a elas obtivemos os dados que passaremos a discutir a seguir.
Nos últimos 10 anos (2013 até novembro) o DNPM outorgou 3.042    portarias de lavra(PL) e 1.674 Permissões de Lavra Garimpeira(PLG). Ocorre que ,considerando os últimos 4 anos,os números mostram 885 PL e 1.139    PLG,significando uma queda de 28% na média anual das PL,enquanto as PLG    tiveram um acréscimo de 70% sobre a média decenal considerada, invertendo a    proporção dos regimes de concessão. Se esta tendência continuar, nas próximas    décadas o país terá algumas minas cercadas por um imenso garimpo ,com todas as    mazelas advindas desta atividade.
Não que o garimpo deva ser proibido,mas    que se atenha àquelas jazidas cujo contexto geológico seja propício à    mineração em pequena escala,sem uso de grandes equipamentos. É o caso,por    exemplo,das ametistas no Rio Grande do Sul, que ocorrem de forma irregular em    determinados níveis dos derrames basálticos, sendo impossível uma lavra    mecanizada. Em geral são encontradas em pequenas propriedades rurais, cujos    donos conciliam a atividade extrativa com a agropecuária. Outros casos    clássicos são o dos pegmatitos da Província Borborema, no Nordeste, e os    diamantes de Coromandel, em Minas gerais.
Seria de se esperar que o    esgotamento de depósitos aluvionares de alto teor e o avanço no conhecimento    geológico, fossem transformando paulatinamente áreas garimpadas em distritos    mineiros organizados. Entretanto, verifica-se que depósitos de ouro e cobre    primários estão sendo lavrados sob o regime de PLG com utilização de    equipamentos pesados, mas sem o planejamento e a tecnologia das empresas de    mineração tradicionais. Parece que a estratégia é a ocupação da área para sua posterior legalização, através da constituição de cooperativas e a obtenção das PLG quando já existe uma situação de fato implantada. Exatamente como    ocorre na ocupação de terrenos no Distrito Federal, onde centenas de condomínios abrigam um quarto da população do DF, aguardando sua regularização, com o caos urbano instalado em Brasília.
Parece que existe    um denominador comum entre as duas situações: o voto das camadas mais simples da população, moeda forte para os políticos. Num país que ostenta uma das    piores posições no ranking mundial dos indicadores de educação, é fácil entender porque tais políticas encontram terreno fértil para prosperarem.
  Esperamos que não seja criado um novo programa de governo no estilo ‘”Meu    garimpo, minha vida” e que ,apesar do desânimo generalizado, consigamos recolocar a indústria mineral nas trilhas do desenvolvimento,com as ferramentas que hoje dispomos.

Três histórias de garimpo

Três histórias de garimpo
A praga do garimpeiro
Ilustração de Marcos JardimUm dia, um garimpeiro encontrou um enorme diamante. Não disse a ninguém e, de madrugada, no meio do nevoeiro, abandonou o garimpo. Não percebeu ele que dois outros garimpeiros o vigiavam e o seguiam. No caminho de Vila Rica, esses dois o assaltaram, esfaqueando-o. Este, ao morrer, praguejou:
— Amaldiçôo esta pedra. Quem a retiver nas mãos será castigado com morte violenta!
Logo, ali, um dos assaltantes quis ficar com a responsabilidade da guarda do diamante. O outro retrucou com uma punhalada certeira no coração. Apossou-se da pedra amaldiçoada e partiu para Vila Rica.
Em Vila Rica do Ouro Preto já havia denunciantes de seus crimes. Foi preso. Tentou fugir e acabou baleado. O soldado que o revistou, escondeu consigo o diamante. Não disse a ninguém, a não ser à sua amásia. A mulher, que gostava de um vendeiro, de quem também era amante, contou a este o segredo. De noite, o vendeiro foi à casa da mulher e matou a ambos, o soldado e a amásia. Levou consigo o diamante. Ninguém poderia imaginar que ele fosse o criminoso, mas o remorso o remoía. Foi, noutro dia, à igreja e no confessionário revelou ao padre o seu crime. A igreja estava deserta. O padre, ao ver a pedra, foi açoutado pela ambição e, quando o vendeiro rezava a penitência, matou-o pelas costas, com terrível pancada. Tirando as vestes sacerdotais, o padre fugiu para a cidade de São Sebastião.
Num dos pousos, foi reconhecido pelo estalajadeiro. De noite, o dono da hospedaria viu pela fresta o padre examinando o grande diamante. Entrou no quarto armado e exigiu a pedra. O padre não aceitou e o estalajadeiro matou o hóspede.
Como outros viajantes ali de passagem acorressem ao local, o estalajadeiro só teve tempo de fugir para o quintal e partir num dos cavalos que ali estavam. Os outros foram atrás num tiroteio tremendo. Por fim caiu ferido o estalajadeiro, mas não querendo que ninguém visse a pedra, jogou-a num rio que tranqüilamente ali passava...

O poço do diamante
Logo que se casaram, vieram morar, ali, à beira daquele regato no Serro. Seu Raimundo vinha com vontade de enriquecer. O que seus pais lhe deixaram só dera para comprar aquela casa à beira do regato, com meio alqueire de terra. Mal dava para plantar umas hortaliças. Raimundo queria era minerar diamante. Mas não tinha sorte. Não havia meios de encontrá-lo. E assim iam passando os anos, os filhos nascendo e ele sempre esperando achar diamantes. A mulher não o desanimava:
— Espera, seu Raimundo, Deus há de ter pena de vosmicê.
E assim passaram-se os anos.
Raimundo já envelhecera. Os filhos e filhas já estavam crescidos. Ele já nem tinha forças para minerar.
— Olha, mulher. A nossa terra está cansada. Eu vou fazer o regato passar por entre a roça. A água vai melhorar o terreno.
Com a ajuda dos filhos, abriram a vala e fizeram as águas seguirem novo curso. Qual foi a admiração do garimpeiro quando descobriu no leito do regato um poço;
— Credo! — gritou com a satisfação. — O fundo do poço está cheio de diamantes.
Estava mesmo. Mal soubera ele, durante tantos anos, que tinha aquela riqueza ao pé de sua casa.

O diamante de pai João
Pai João era um negro muito sabido. Quando ele morava em Diamantina, um dia apareceu na casa do ouvidor e perguntou ao dito:
— Seu ouvidô, um diamante desse tamanhão — e fez um gesto expressivo — quanto deve valê?
O ouvidor, pensando que pai João tinha achado um diamante tão grande, tratou logo de agradá-lo. Convidou-o para almoçar. Tratou-o à tripa forra. Mas, quando falou em comprar, o negro informou:
— Vontade tenho de vendê para vosmecê, mas o sargento-mor tá me esperando para falá sobre isso...
E foi se despedindo.
Correu à casa do sargento-mor e fez a mesma indagação:
— Seu sargento, um diamante desse tamanhão quanto deve valê?
O sargento arregalou os olhos e procurou ajudar a pai João, convidando-o para cear. O negro encheu o pandulho, mas não fez negócio por que primeiro queria ouvir a proposta do ouvidor.
E assim, durante várias semanas, o negro enganou a ambos, comendo do bom e do melhor, sem nada decidir. O ouvidor e o sargento-mor resolveram entrar em acordo para comprar de sociedade o enorme diamante. E assim o propuseram a pai João. Este respondeu:
— Tá bom. Quando ieu encontrá um diamante desse tamanhão, eu vendo a vosmicês.
— Você, então, não tinha o diamante, negro safado?
— Ieu não disse a vosmicês que tinha. Perguntei só quanto valia..