sábado, 26 de julho de 2014

Algumas Gemas Clássicas

Algumas Gemas Clássicas





  Gema é uma substância geralmente natural e inorgânica que, por sua raridade, beleza e durabilidade, é usada para adorno pessoal. Na sua grande maioria, são minerais, de modo que gema e pedra preciosa são quase sinônimos. Mas, existem gemas importantes que têm outra origem, como a pérola e o marfim, que são substâncias orgânicas. Estas não podem ser chamadas de pedras preciosas, simplesmente porque não são pedras.
         Existem dezenas de gemas e só o Brasil produz 90 tipos diferentes.  Algumas são muito conhecidas e várias delas são citadas na Bíblia. Outras são conhecidas apenas por uma parcela restrita da população, seja por terem sido descobertas em tempos relativamente recentes, seja por não serem encontradas com facilidade no mercado.
         Veremos a seguir alguma daquelas gemas bem tradicionais, famosas, conhecidas desde tempos muito remotos.






















Ágata
A ágata é um tipo de calcedônia, que, por sua vez, é uma variedade de quartzo. Ela é muito usada em jóias e decoração de interiores, há mais de 3.000 anos.
O que caracteriza a ágata são suas cores, distribuídas em faixas paralelas, retas e/ou curvas.  Ela forma-se em cavidades de rochas vulcânicas, como basaltos, e costuma conter, na porção central, cristais de outros minerais, como calcita, siderita, goethita, zeólitas ou outras variedades do próprio quartzo, como cristal-de-rocha e ametista.  A forma externa reflete a forma da cavidade da rocha em que a ágata se formou.
As cores mais comuns são vermelho, laranja, marrom, branco, cinza e cinza-azulado. Mas, a ágata pode ser colorida artificialmente, processo que é  usado desde o século XIX. O procedimento varia de acordo com a cor desejada e é aplicado depois  que a gema foi lapidada. Pelo menos 90% das ágatas vendidas no mundo foram tingidas, mas das ágatas procedentes do Rio Grande do Sul só cerca de 40% recebem esse tratamento. Ágatas azuis, verdes, rosa ou roxas são produto de tingimento (mas, na Austrália existe ágata azul). A cor preta pode ser natural ou não.
 
 Foto Ágata Branca e Azul Bruta
Foto Ágata Branca e Azul Bruta
 Foto Agata Colorida Lapidada
Foto Agata Colorida Lapidada
 

O maior produtor do mundo é o Brasil. O Rio Grande do Sul produz esta gema desde 1830 e dele provêm os mais belos exemplares conhecidos e o maior volume da produção. Extrai-se ágata também em Minas Gerais e Bahia, bem como no Uruguai, cujas jazidas são um prolongamento das jazidas do Rio Grande do Sul.



Água-marinha
Á água-marinha é uma variedade do mineral chamado berilo e tem esse nome por sua cor, azul ou esverdeada, em tons claros, semelhante à cor do mar.  Seus cristais são prismáticos, de base hexagonal, e chegam a atingir mais de 100 kg. É considerada a pedra preciosa mais típica do Brasil e aqui se encontrou a maior água-marinha conhecida. Ela foi encontrada em Marambaia (MG) e pesava 111 kg, medindo 45 cm de altura por 38 cm de largura. Outras águas-marinhas  famosas são a Lúcia, a Marta Rocha e a Cachacinha, todas brasileiras. Esta última tinha 65 kg.
Minas Gerias produz as águas-marinhas mais valiosas do mundo, mas esta gema é produzida também no Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e Paraíba.  
Não existe água-marinha sintética, mas muitas vezes se vende topázio natural e espinélio sintético azuis como se fossem água-marinha. Mais de 90% das gemas encontradas no comércio internacional devem sua cor azul ao aquecimento a que foram submetidas berilos amarelos ou verdes e a cor obtida desse modo não pode ser distinguida do azul natural. Além disso, as gemas de cor fraca são aquecidas a 400-500°C para ficarem mais escuras.
As águas-marinhas mais valiosas são as azuis e quanto mais escuras, maior o valor.  Os preços vão de US$ 1 a US$ 750 por quilate (um quilate = 200 mg), para gemas lapidadas de 0,50 a 50 quilates.
 
 Foto Água Marinha Bruta
Foto Água Marinha Bruta
 Foto Água Marinha Lapidada
Foto Água Marinha Lapidada
 




Âmbar
O âmbar é uma resina fóssil de cor geralmente amarela, podendo ser marrom-escuro, marrom-esverdeado, marrom-avermelhado e branco. Não é portanto, uma pedra preciosa, e sim uma gema orgânica. É transparente a semitranslúcido e muito leve (densidade 1,08), podendo flutuar em água salgada.
 Foto do Âmbar
Foto do Âmbar

É muito usado como gema e em objetos ornamentais, podendo receber lapidação facetada ou simples polimento.

Pode conter muitas bolhas de ar e até mesmo insetos e restos vegetais.  Quando atritado contra um pano de lã fica eletrizado e consegue atrair objetos leves, como pequenos pedaços de papel.
Os principais produtores de âmbar são Alemanha e Rússia, vindo a seguir a Itália. No Brasil, nunca foi encontrado. A maior peça conhecida desta gema é o Âmbar Burma, que tem 15,250 kg e está no Museu de História Natural de Londres.



Ametista
Gema muito apreciada por sua bela cor roxa, a ametista é uma variedade de quartzo transparente a semitransparente. É encontrada em cavidades de rochas vulcânicas e em pegmatitos, outro tipo de rocha ígnea. É muito usada como gema e em objetos ornamentais. Seus cristais podem atingir grandes dimensões, havendo, no Museu Britânico, um cristal com cerca de 250 kg. Na coleção particular de Dom Pedro II, Imperador do Brasil, havia um cristal de 80 x 30 cm, ao que consta procedente do Rio Grande do Sul. Neste Estado, descobriu-se um geodo (cavidade revestida internamente de cristais) medindo 10 x 5 x 3 m, com 35 toneladas.
A cor da ametista que ficar muito tempo exposta ao Sol pode enfraquecer. Isso acontece, no Brasil, principalmente com as ametistas provenientes do Pará. A cor assim perdida pode ser recuperada com uso de raios X.
 
 Foto Ametista Bruta
Foto Ametista Bruta
 Foto Ametista Lapidada
Foto Ametista Lapidada
 

Aquecida a aproximadamente 475°C, a ametista pode transformar-se em citrino, um quartzo de cor amarela, laranja ou, excepcionalmente, vermelha. O Rio Grande do Sul produz muito citrino por esse processo. Convém lembrar, porém, que nem todo citrino é obtido a partir da ametista; existe citrino natural.
Algumas raras ametistas quando aquecidas ficam verde-amareladas e recebem o nome de brasilinita (não confundir com brasilianita, que é outra gema).
O maior produtor mundial de ametista é o Brasil (Rio Grande do Sul, seguido da Bahia). Outros produtores são Rússia (Sibéria), Sri Lanka, Índia, Madagascar, Uruguai, EUA e México.
O preço desta gema é relativamente baixo. Ametistas lapidadas de 0,5 a 1 quilate custam entre US$ 0,50 e US$ 20 por quilate, mesma faixa de preço do citrino.
Ametistas sintéticas de ótima qualidade vêm sendo produzidas na Rússia e já são abundantes no mercado internacional.




Diamante
O diamante é a gema mais cara que se pode encontrar no mercado e difere das demais em vários aspectos.
É composto de carbono puro, como a grafita (ou grafite), mas é completamente diferente deste mineral, na cor, no brilho, na dureza, na densidade e no valor.
É transparente, quase sempre incolor ou com cor clara. De todos os diamantes produzidos, 99,9% são incolores ou levemente amarelados.  Salvo raras exceções, quanto  mais escura é a cor de uma gema, mais valor ela tem. Mas, o diamante, não: quanto menos colorido ele for, maior é o valor (a não ser que tenha uma cor bem definida).  O diamante pode ser amarelo, castanho, cinza, preto, leitoso, às vezes azul ou verde e raríssimas vezes vermelho.
Tem um brilho intenso (chamado de brilho adamantino) e é a substância mais dura que se conhece. Na escala de Mohs, que vai de 1 a 10, ele tem dureza 10, mas é 150 vezes mais duro que o rubi e a safira, que têm dureza 9,0. Por essa razão, para serrar ou polir um diamante é preciso usar o próprio diamante. Embora muito duro, isso é, difícil de ser riscado, é frágil, sendo fácil de quebrar.
 Foto do Diamante
Foto do Diamante

 Em muitos locais, o diamante ocorre numa rocha chamada kimberlito (foto). Na África do Sul, os kimberlitos têm em média apenas 67 mg de diamante em cada tonelada de rocha, mas mesmo assim o aproveitamento é lucrativo. No Brasil, é encontrado em aluviões e eluviões, não sendo ainda conhecidos kimberlitos diamantíferos economicamente aproveitáveis. Pode aparecer também em arenitos e conglomerados.
Em 1983, descobriu-se, na Austrália, que também o lamproíto, outro tipo de rocha, pode conter diamantes.
De todo o diamante produzido, apenas 1/3 são próprios para uso em jóias, mas esse 1/3 corresponde a 80% do valor total da produção.  O restante é usado como abrasivo e em instrumentos de corte e perfuração.
         A  maioria  dos  diamantes brutos comerciais tem de 0,3 a 1 quilate.
A formação do diamante se dá a uma profundidade entre 150 e 200 km, sob temperaturas de 1.100-1.500 ºC e pressão também muito alta. De lá, ele é trazido para cima por magma kimberlítico ou lamproítico, que é bem mais jovem que o diamante.
Atualmente já se extraem diamantes do fundo do mar.
Embora muita gente chame o diamante de brilhante, isso está errado. Brilhante é um tipo de lapidação, não uma pedra preciosa. Como esse estilo de lapidação é o mais usado para o diamante, estabeleceu-se essa confusão.
A lapidação de um diamante pode durar vários dias, enquanto a lapidação de outras gemas raramente excede alguns minutos.
A extração de diamantes começou provavelmente entre 800 a.C. e 600 a.C. na Índia, e até o século XVIII só era produzido no Oriente. Em 1730, foram descobertas as jazidas brasileiras, e o nosso país tornou-se o maior produtor mundial. Em 1870, a liderança passou a ser da África do Sul.
 Em 2004, os maiores produtores, em volume, foram Rússia, Botswana e República Democrática do Congo. Levando em conta o valor da produção, os maiores produtores são Botswana, Rússia e África do Sul.
O Brasil produz cerca de 1 milhão de quilates por ano, principalmente no Estado do Mato Grosso. Praticamente todos os estados, porém, possuem diamantes, como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná e Roraima.
Ele é a mais cara das gemas, ou uma das três mais valiosas, dependendo do critério considerado. O seu preço é determinado em grande parte pela natureza do mercado, em que uma só empresa, a De Beers Consolited Mines, controla 75% do mercado. Diamantes brutos podem ter preços entre US$ 0,40 e US$ 2.900 por quilate para pedras de até 5,60 quilates. Os lapidados vão de US$ 70 a US$ 62.795 por quilate para gemas de 0,005 a 5,99 quilates.
A produção sintética do diamante é feita desde 1954, mas só a partir de 1984 passou a haver produção de pedras com qualidade gemológica. As pedras sintéticas constituem 80% dos diamantes não gemológicos.
As imitações e diamante de melhor qualidade são a moissanita sintética e a zircônia cúbica, mas há várias outras.
 Essa gema tem grande afinidade por gorduras e óleos, que podem ser removidos com uma mistura de água com amônia (ou detergente caseiro) em partes iguais.



Esmeralda
 Assim como a água-marinha, a esmeralda é uma variedade de berilo, só que com cor verde, em tom escuro a médio.  Se contém menos de  0,1% de óxido de cromo, é considerada apenas berilo verde, não esmeralda.
Forma cristais prismáticos de base hexagonal, como a água-marinha, mas não são transparentes, porque apresentam incontáveis fraturas e fissuras, muitas delas preenchidas por impurezas. Apenas gemas muito pequenas mostram-se bem límpidas
É lapidada geralmente em um tipo facetado próprio, chamado de lapidação esmeralda, no qual a mesa (faceta maior) é retangular ou quadrada, com os cantos cortados.
As primeiras minas de esmeralda surgiram no Egito, mas já não há produção nesse país. Ela já era comercializada 2.000 anos antes de Cristo, na Babilônia, mas foi rara até à época do Renascimento, quando se descobriram as jazidas sul-americanas.
Hoje é produzida principalmente na Colômbia, Zâmbia, Zimbábue, Tanzânia, Madagascar e Brasil (Goiás, Bahia e Minas Gerais).
Entre as esmeraldas que se tornaram famosas, estão a Kakovin, a Imperador Jehangir e a Devonshire.
A esmeralda é uma das três gemas mais valiosas (as outras são o rubi e o diamante), em razão de sua cor, principalmente. As gemas de melhor qualidade com 5 a 8 quilates, podem valer até US$ 5.600 por quilate. Gemas de mesmo peso com qualidade média variam de US$ 100 a US$ 580 por quilate.
 
 Foto Esmeralda Bruta
Foto Esmeralda Bruta
 
 Foto Esmeralda Lapidada
Foto Esmeralda Lapidada

A esmeralda é sintetizada comercialmente desde 1940. Ao contrário do que acontece com outros minerais, toda a produção de pedras sintéticas destina-se à joalheria.



Granada
Granada não é o nome de uma pedra preciosa, mas de um grupo delas. Geralmente aparecem na natureza na forma de belos cristais granulares (daí seu nome), nas cores vermelha, amarela, marrom, preta e, mais raramente, verde ou incolor.  São transparentes a semitransparentes.
As granadas mais comuns chamam-se almandina, piropo, spessartina, grossulária, uvarovita e andradita (esta assim chamada em homenagem a José Bonifácio de Andrade e Silva, que foi, além de estadista, importante mineralogista). Para uso como gema, as mais importantes são o piropo, almandina e o demantóide. Para outros fins, a mais importante é a almandina.
Quando não servem para uso em jóias, as granadas são empregadas como abrasivos ( em lixas, principalmente) e em relógios (como “rubis”).
Os principais produtores são a República Checa, África do Sul (piropo), Rússia, Austrália, Sri Lanka, Áustria, Hungria, Alemanha, Índia, Madagascar e EUA. No Brasil, ocorrem em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Ceará, Rondônia e Rio Grande do Norte.
A almandina e o piropo valem US$ 0,50 a US$ 35 por quilate para gemas de 0,5 a 30 quilates. A rodolita tem faixa de preço semelhante: US$ 0,50 a US$ 25.

 
 Foto Granada Bruta
Foto Granada Bruta
 
 Foto Granada Lapidada
Foto Granada Lapidada




Jade
Jade é o nome  usado para designar duas gemas diferentes, a jadeíta e a nefrita.  Ele tem sido usado como pedra preciosa desde a Antigüidade, principalmente na China. Os astecas o empregavam na forma de amuleto e era mais apreciado que o ouro. Hoje, é usado principalmente no Oriente.
Não tem transparência sendo, por isso, lapidado em cabuchão ou na forma de pequenas esculturas.
         A jadeíta é o mais raro e o mais valioso dos dois tipos de jade. 
Tem (como a nefrita) cor variável: branco, violeta, marrom, vermelho-alaranjado ou amarelo, mas, principalmente, verde intenso (devido ao cromo), às vezes com manchas brancas. É semitransparente a quase opaca, com brilho vítreo a sedoso. É produzida principalmente em Mianmar (ex-Birmânia). Outros produtores são China, Tibete, Japão, Guatemala e EUA.
         A nefrita é uma variedade do mineral chamado actinolita.É o mais comum e mais resistente dos dois tipos de jade. É fibrosa, translúcida a opaca, de brilho vítreo. A mais importante é a nefrita verde-escura, conhecida por jade-chinês (ou jade-espi-nafre). É usada principalmente em objetos ornamentais e sua lapidação requer um aquecimento prévio, seguido de brusco resfriamento.
 Os principais produtores de nefrita são Rússia e China. Outros produtores são Canadá, Nova Zelândia, Zimbábue e EUA. No Brasil, é encontrada em Roraima e na Bahia.



Jaspe
Como a ágata, o ônix e a cornalina, o jaspe é um tipo de calcedônia, variedade de quartzo. É muito usado como pedra ornamental.
É opaco a levemente translúcido, contendo freqüentemente impurezas de óxido de ferro. Mostra imensa variedade de cores, conforme as impurezas presentes: a hematita dá cor vermelha; argilas dão cores branca, cinza e amarela; goethita dá cor marrom-escura; etc.
O melhor jaspe está na Índia e na Venezuela. Outros produtores são EUA
(jaspe orbicular), França, Alemanha, Rússia (listras vermelhas e verdes), Chipre, Egito, Itália, Brasil e África do Sul. No Brasil, existe jaspe em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. A variedade mais conhecida e apreciada é a vermelha, produzida no Brasil, África do Sul, Índia, Austrália e Madagascar. África do Sul, Austrália e México produzem o jaspe leopardo, comum no mercado brasileiro. O jaspe-paisagem, também encontrado no nosso comércio, provém da África do Sul e dos EUA (Arizona).



Lápis-lazúli
O lápis-lazúli (e não lápis-lázuli, como pronunciam alguns) é uma gema que, ao contrário da imensa maioria das demais, não é um mineral, e sim uma rocha. De fato, ele é uma rocha composta principalmente de lazurita e calcita, com hauynita, pirita, sodalita e outros minerais. A pirita forma pontos amarelos e é um bom meio de identificar o verdadeiro lápis-lazúli Tem cor azul escura e é opaco a semitranslúcido.
É usado como gema e em objetos ornamentais.

 
 Foto Lápis-lazúli Bruto 
Foto Lápis-lazúli Bruto 
 
Foto Lápis-lazúli Lapidado 
Foto Lápis-lazúli Lapidado 

O lápis-lazúli de melhor qualidade é o produzido no Afeganistão. Existe produção também no Chile, Irã, Rússia e EUA. A lazulita assemelha-se muito a ele, o mesmo acontecendo com a sodalita (mas, esta não costuma ter pirita).
O lápis-lazúli é sintetizado desde 1976, com muita perfeição, podendo ser extremamente difícil diferenciá-lo do natural.
É considerado a pedra nacional do Chile, onde é ex-traído em Cerro Azul, no norte do país.



Opala
A opala é uma gema que se destaca das demais pela enorme variedade de cores que pode exibir simultaneamente e pelas mudanças que essas cores sofrem quando a  gema é movimentada (fenômeno chamado de jogo de cores). Varia de transparente (opala-de-fogo) a quase opaca.
Ela tem composição semelhante à do quartzo (óxido de silício), mas contendo também água (3% a 21%), ou seja, é uma sílica hidratada.  Por isso, deve-se evitar que seja submetida a calor intenso, porque a perda da água pode levar a gema a se fraturar ou pelo menos perder a cor.
Possui inúmeras variedades, podendo-se dividi-las em dois grupos, as opalas comuns (sem jogo de cores e raramente usadas como gema) e as opalas preciosas (com jogo de cores e bem mais raras). Quanto à cor, as opalas podem ser brancas (cores claras) ou negras (com um fundo escuro), estas últimas mais belas, mais raras e, portanto, mais valiosas. Entre as variedades gemológicas destacam-se a opala-de-fogo, a opala-arlequim e a opala-musgo.
A opala ocorre em fendas e cavidades de rochas ígneas, como nódulos em calcários e em fontes termais. Pode formar-se também sobre outros minerais e mesmo vegetais, dentes e conchas fósseis, além de formar, às vezes, estalactites.
Opalas com jogo de cores são mais raras que o diamante. O preço das variedades brancas varia de US$ 1 a US$ 120 por quilate em gemas de 1 a 15 quilates.
Há opalas sintéticas, mas não é muito difícil distingui-las das naturais.
A única variedade que admite lapidação facetada é a opala-de-fogo. As demais são lapidadas sempre em cabuchão, sendo  comum lapidar com a gema o material sobre o qual ela se formou.
 
 Foto Opala Bruta
Foto Opala Bruta
 
 Foto Opala Lapidada
Foto Opala Lapidada

O principal produtor é a Austrália (mais de 90%), seguindo-se Índia, México, Nova Zelândia e EUA. No Brasil, destacam-se as jazidas de Pedro II, no Piauí, existindo opala também na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Sul.



Pérola
A pérola é a mais importante e a mais usada das gemas orgânicas. É produzida por moluscos marinhos ou de água doce e constituída principalmente (92%) de aragonita, uma forma de carbonato de cálcio. Contém também conchiolina (6%) e água (2%). Esses constituintes depositam-se em camadas em torno de um núcleo, e é a camada de aragonita que dá à pérola brilho e iridescência.
São geralmente brancas e esféricas, mas podem ter formato irregular (pérola-barroca) e cor cinza-alaranjada, preta, avermelhada, prateada, amarelada, azulada ou esverdeada.
Costumam medir 1 a 30 mm; as pérolas encontradas no comércio têm, em média, 7 mm.
O brilho é tipicamente nacarado, podendo ter reflexos metálicos, se for pérola de água doce. São fáceis de riscar (baixa dureza), mas muito resistentes a fraturas.
 O corpo estranho que desencadeia o processo de formação da pérola raramente é um grão de areia, ao contrário do que muitos pensam.  Geralmente, é um verme que perfura a concha e atinge o corpo do molusco.
Cerca de 70% das pérolas são usadas em colares, mas as pérolas azuis nunca são perfuradas, pois isso altera sua cor.
 A principal imitação de péroilas é obtida com contas de vidro. Às vezes, usa-se coral rosado do Mediterrâneo. Pérolas falsas são fabricadas desde 1680. Entre as imitações mais conhecidas, encontram-se as chamadas pérola-girassol, pérola-indestrutível e a pérola-romana.
Ela é usada sempre no seu estado natural, sem passar por lapidação.
A maior produção e a melhor qualidade encontram-se no golfo Pérsico. Outros produtores são Sri Lanka, Austrália, Filipinas, Venezuela, golfo do México, ilhas do Pacífico, Europa e China. O Japão lidera a produção de pérolas cultivadas, junto com a China; esses dois países respondem por 96% da produção mundial.
No Brasil, não há produção de pérolas, mas elas parecem ocorrer na porção sul da ilha de Marajó, no Pará.
 Foto da pérola e a concha em que se formou.
Foto da pérola e a concha em que se formou.
As pérolas têm valor inferior ao das pedras preciosas. Quanto mais esférica, mais valiosa ela é e seu valor cresce na razão do quadrado do seu peso.
Não existe pérola sintética. Apesar de provocada artificialmente, a pérola cultivada forma-se por um processo natural e o produto resultante não é sintético, muito menos artificial.  Atualmente, praticamente não existe pérola natural no comércio, apenas pérolas cultivadas.
         Uma pérola pode perder o brilho e sofrer escamação pelo contato excessivo com suor, laquê ou cosméticos.
Recomendam-se que pessoas de pele clara usem pérolas rosadas, brancas ou prateadas; as de pele escura devem preferir pérolas douradas ou creme.
Rubi
O rubi, como a safira, é uma variedade do mineral chamado coríndon. Chama-se de rubi o coríndon de qualidade gemológica com cor vemelha e de safira, as gemas de coríndon de qualquer outra cor.
Ele forma geralmente pequenos cristais hexagonais de brilho vítreo, encontrados em mármores dolomíticos, basaltos decompostos e cascalhos.
Pode ser confundido com várias gemas, como espinélio, almandina, jacinto, piropo, topázio e rubelita.
Quando tem qualidade inferior, é usado em relógios e outros aparelhos de precisão, bem como na produção de raios laser e maser.
O rubi é geralmente lapidado em cabuchão, estilo sempre adotado quando mostra asterismo (faixas luminosas que parecem flutuar sobre a gema). Pode receber também lapidação facetada oval.
O maior rubi conhecido foi descoberto nos EUA. No estado bruto tinha 694,2 g; lapidado, deu várias gemas, a maior delas com 750 quilates. Sua qualidade, porém, não era boa. Em 1934, encontrou-se um rubi astérico de 593 g, no Sri Lanka.
É produzido principalmente em Mianmar, Tailândia e Vietnã. Outros produtores importantes são Quênia e Tanzânia. As pedras de melhor qualidade provêm de Mianmar, Índia, Sri Lanka, China e Rússia. É raro no Brasil, existindo na Bahia e em Santa Catarina.
O rubi é uma das quatro gemas mais valiosas, destacando-se principalmente as pedras vermelho-escuras, levemente púrpuras. O rubi de Mianmar de melhor qualidade (extra fine), sem tratamento, com 4 a 5 quilates, vale entre US$ 28.000 e US$ 40.000 por quilate. Gemas maiores que isso não têm cotação de mercado, sendo o preço acertado entre compradores e vendedores.
Fabrica-se rubi sintético desde 1885, pelo menos. Ao contrário do que ocorre com a esmeralda, só 10% das pedras sintéticas são usadas em jóias. Esse rubi, com o passar do tempo perde o seu brilho.



Safira
A safira é a outra variedade de coríndon famosa como pedra preciosa.  Com exceção da cor vermelha, que identifica o rubi, pode ter qualquer cor (pode ser até incolor), mas a mais apreciada e mais valiosa é a azul. A safira incolor chama-se leucossafira ou safira branca e a alaranjada, padmaragaya.
Costuma ocorrer em mármores, basaltos, pegmatitos e lamprófiros e pode ter asterismo, como o rubi.
Entre as safiras famosas, estão a Estrela Negra (233 g no estado bruto) e a Stuart. Das gemas lapidadas, a maior de todas é a Estrela da Índia (563 quilate), que está no Museu Americano de História Natural de Nova Iorque. A Logan (azul, de 423 quilate, descoberta no Sri Lanka, que talvez seja a maior safira azul facetada do mundo) e a Estrela da Ásia (330 quilates) estão também nos Estados Unidos, na Smithsonian Institution (Washington). É também famosa a safira Ruspoli, de 135,8 quilates
 Foto Safira Bruta
Foto Safira Bruta
É produzida principalmente no Sri Lanka. Outros produtores importantes são Mianmar (ex-Birmânia), Tailândia e Vietnã. As melhores safiras vêm da Índia, mas as jazidas estão praticamente esgotadas. Ótimas gemas vêm de Mianmar, e as maiores, da Austrália. É rara no Brasil, existindo no Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Minas Gerais. O maior centro de lapidação é a Índia.
É uma das gemas mais valiosas, principalmente a azul. A cinza tem valor gemológico só se mostrar asterismo. É sintetizada do mesmo modo que o rubi.
Quando não serve para confecção de jóias, é usada em canetas esferográficas sofisticadas e instrumentos ópticos.



Topázio
Outra gema tradicional, o topázio forma cristais prismáticos que podem ser incolores ou de cor branca, amarela, laranja, marrom, rósea, salmão, vermelha ou azul. Tem brilho vítreo e é transparente a translúcido
A variedade mais valiosa é o topázio-imperial, só produzida em Ouro Preto (MG).
É usado apenas como gema.
Em 1740, foi encontrado no Brasil (Ouro Preto, MG) o topázio Bragança, que se pensava inicialmente ser um diamante, e que tinha 1.680 quilates. O Museu Americano de História Natural de Nova Iorque tem um topázio bem formado de 60 x 60 x 80 cm. No Brasil, podem ser encontrados cristais com até mais de um metro e com mais de cem quilos.
O maior topázio lapidado é o Princesa Brasileira; tem 21,327 quilates e foi encontrado em Teófilo Otoni (MG).
 Estima-se que provavelmente 80% das gemas vendidas como topázio-imperial são, na verdade, citrino.
O principal produtor mundial de topázio é o Brasil, seguindo-se Rússia, Irlanda, Japão, Grã-Bretanha, Índia, Sri Lanka e EUA. No Brasil, é produzido principalmente em Minas Gerais, mas existe também no Ceará e na Bahia.
O topázio avermelhado (cherry) situa-se entre as pedras preciosas mais valiosas, mas o azul está na faixa de preço do quartzo enfumaçado e do quartzo rutilado, e é mais barato que o citrino. Valem mais as pedras parecidas com a água-marinha.
O topázio vermelho varia de US$ 33 a US$ 2.000 por quilate, para gemas de 0,5 a 50 quilates. O rosa varia de US$ 2 a US$ 1.400 por quilate. O salmão, de US$ 2 a US$ 1.200 e o alaranjado, de US$ 2 a US$ 450, sempre para gemas entre 0,5 e 50 quilates.
 
 Foto Topázio Imperial Bruto
Foto Topázio Imperial Bruto
 
 Foto Topázio Lapidado
Foto Topázio Lapidado

O topázio amarelo vale, depois de lapidado, US$ 2 a US$ 100 por quilate,
para gemas de 0,5 a 20 quilates; o azul, US$ 0,80 a US$ 3,50 por quilate, para gemas de 0,5 a 100 quilates.
 O topázio não é sintetizado, pelo menos em escala comercial.



Turmalina
Assim como as granadas, as turmalinas constituem um grupo de  minerais, e não uma espécie só. São onze espécies, mas as usadas como gema são, na sua maioria, variedades de elbaíta.  A turmalina preta é outra espécie, a schorlita.
Formam em geral cristais colunares alongados verticalmente, quase sempre com faces curvas e estriadas na direção de maior comprimento.
A cor é muito variável e, de acordo com ela, a elbaíta recebe nomes como rubelita (rosa ou vermelha), indicolita(azul),acroíta (inco­lor), verdelita (verde).
Um cristal de turmalina pode ter uma cor em cada extremidade e ainda uma terceira no centro ou ter uma cor por fora e outras no seu interior, distribuídas concentricamente.  A turmalina de duas cores é chamada de turmalina bicolor. Se tem cor rosa no centro e verde externamente, recebe o nome popular de turmalina melancia.
A indicolita é bastante rara e a schorlita, a mais comum.   

 
 Turmalina-melancia bruta
Turmalina-melancia bruta
 
 Turmalina bicolor (lapidada) e com três cores (bruta)
Turmalina bicolor (lapidada) e com três cores (bruta)

São gemas opacas a transparentes, de brilho vítreo. A rubelita costuma ter muitas fissuras. As mais usadas em jóias são as amarelo-esverdeadas, amarelo-mel, azul-escuras, vermelhas, verde-escuras e rosa.
São produzidas principalmente na Namíbia, no Brasil e nos EUA, vindo em seguida Rússia, Mianmar (ex-Birmânia), Sri Lanka (turmalina amarela), Índia e Madagascar. No Brasil, destaca-se o Estado de Minas Gerais, mas existem turmalinas também no Ceará, em Goiás e na Bahia.
Em 1978, no município de Conselheiro Pena (MG), descobriram-se vários cristais de rubelita gemológica com dezenas de quilogramas.
Não existe turmalina sintética no comércio de gemas.
O valor dessas gemas cresce com a intensidade da cor, mas entre as verdes, as mais claras (mais parecidas com a esmeralda) valem mais. Nas turmalinas bicolores, o valor maior corresponde ao maior contraste de cor. A turmalina Paraíba, a mais valiosa de todas as turmalinas, com a cor azul néon vale de US$ 15 a US$ 15.000 por quilate, para gemas de 0,5 a 3 quilates. A verde néon é um pouco menos cara: US$ 10 a US$ 9.000 por quilate.  Como as reservas brasileiras de turmalina Paraíba estão esgotadas e as da África estão no fim, esses preços deverão subir, se já não subiram.
As variedades rubelita, verdelita e bicolor variam de US$ 1 a US$ 280 por quilate, para gemas com 0,5 a 20 quilates. A indicolita é um pouco mais cara que elas: US$ 2 a US$ 480 por quilate. Dravita e uvita custam de US$ 3 a US$ 30 por quilate, para gemas com 0,5 a 1 quilate. A schorlita, a mais barata de todas, vale de US$ 0,20 a US$ 1,80 por quilate, para pedras com até 100 quilates.



Turquesa
Outra gema tradicional, usada há muitíssimo tempo, a turquesa é bem conhecida por sua cor azul-celeste, verde-azulada ou verde-amarelada. É semitransparente a opaca e tem brilho porcelânico, enquanto  a maioria das gemas tem brilho vítreo.
É porosa, suja com facilidade e é fácil de riscar, exigindo, portanto, cuidados no seu uso  Além disso, está sujeita a alterações de cor por ação da luz solar, suor, cosméticos e desidratação
Há várias imitações de turquesa, feitas com materiais diversos, como a chamada turquesa Viena.
A turquesa pode ser confundida com amazonita, crisocola, jade e outros minerais. É lapidada sempre em cabuchão e, na Ásia, usada, como o jade, para pequenas esculturas.
É produzida principalmente no Egito, EUA, Irã e Turquia, seguindo-se Rússia, Austrália, Afeganistão, Israel, Tanzânia e China. As melhores pedras vêm do Irã.  No Brasil, há pequena produção na Bahia.
A turquesa não é uma gema cara. Dentre as diversas variedades, tem mais valor a compacta e de cor azul-celeste.
É sintetizada desde 1972 e não é muito fácil diferenciar a sintética da natural. A presença de pontos brancos indica uma origem natural.

 


CURIOSIDADES
*        Em certos países da Europa, o âmbar (e o coral) são usados pelas crianças contra mau-olhado e contra a tosse.


*        A ametista e considerada símbolo da sinceridade, da lucidez, servindo, acreditam alguns, para combater a embriaguez, o sono e até mesmo gafanhotos.
‘É a pedra do anel de formatura dos professores e do anel dos bispos.
Seu nome vem do grego amethystos (não ébrio), porque se acreditava, na Idade Média, que a bebida servida em cálice feito com essa gema não provocava embriaguez.


*        Não existe refugo na produção de diamante; tudo é aproveitado, até mesmo o pó que se forma na lapidação.
O menor diamante lapidado tem 0,00063 quilate, 57 facetas e 0,53 mm de diâmetro. Foi lapidado na Antuérpia (Bélgica).
O maior e mais célebre de todos os diamantes já encontrados é o Cullinan, descoberto na mina Premier, em Pretória (África do Sul), em 25 de janeiro de 1905, por Sir Thomas Cullinan. Tinha 3.106 quilates (621,2 gramas) no estado bruto. Lapidado, deu uma gema de 530,2 quilates e 104 outras menores.
O mais caro diamante lapidado do mundo tem 101,84 quilates. Foi vendido em Genebra (Suíça), em 14 de novembro de 1990, por US$ 12,8 milhões.
O mais alto preço já pago por um diamante bruto foi US$ 9 milhões por uma pedra de 255,10 quilates, em 1989.
Em 1993, a Nasa anunciou a descoberta de enormes concentrações de nuvens de microdiamantes no interior da Via Láctea, com uma massa total de 6 sextilhões de toneladas.
Um diamante azul de 6,04 quilates foi vendido por US$ 7.981.835 em 2007, sendo este o maior preço por quilate já pago na venda de um diamante.
O diamante azul Hope, da Smithsonian Institution, é considerado por alguns a peça de museu mais visitada do mundo.
A empresa suíça Pat Says Now fabricou um mouse revestido de ouro 18 K e cravejado com 59 diamantes, vendido por US$ 24 mil.
A mais cara obra de arte contemporânea é um crânio feito pelo artista britânico Damien Hirst, coberto com 8.601 diamantes e avaliado, em 2007, em US$ 105,2 milhões; chama-se Pelo Amor de Deus.
Em outubro de 2007, a Philips holandesa e a joalheria nova-iorquina A Link apresentaram, na Índia, um televisor de tela plana de 42 polegadas, contendo, no gabinete, 2.250 diamantes.
Na Antigüidade, acreditava-se que o diamante, se usado na segunda-feira, trazia azar, sendo o sábado o dia mais indicado para seu uso. Segundo o Talmude, se ficasse embaçado diante de um suspeito de crime, este era culpado. No século XVIII, era tido como dissipador de raios e fantasmas e defensor da virtude. Acreditava-se também que era capaz de se reproduzir. Os birmaneses acreditam que, ingerido, é tão venenoso quanto o arsênio.


*        Na Antigüidade, recomendava-se que a esmeralda só fosse usada na sexta-feira. No século IV, era tida como fonte de felicidade. Se seu proprietário agisse de modo incorreto, ela se estilhaçaria. Era considerada por Aristóteles remédio contra a epilepsia. Já se acreditou que a esmeralda pudesse tornar invisível o homem solteiro e, até há pouco, era usada como remédio contra febre, disenteria e mordidas de animais venenosos. Atualmente é usada como amuleto na Índia.
É a gema usada no anel do papa.


*        O maior cristal conhecido de granada foi descoberto na Noruega; tinha 2,30 m e 37,5 t.


*        O maior jade conhecido foi descoberto na China, em 17 de setembro de 1978; é um bloco de 603 m3 e 143 t.
Em um templo de Xangai (China), há uma estátua de Buda de 1,5 m de altura e 3 t, esculpida em jade branco.
O nome jade derivado do espanhol piedra de ijada (pedra para cólicas), pois se acreditava que curasse infecções renais. Dessa crença deriva também o nome nefrita, do grego nephros, rim.
No Museu Metropolitano de Nova York e no Museu Britânico, em Londres, há dois blocos de nefrita, cada qual com cerca de uma tonelada


*        Acreditam alguns ser o jaspe útil para afastar o medo de fantasmas e bruxarias. Na Antigüidade, era considerado provocador de chuva.


*        A maior opala conhecida é a Olympia Australis, de 17.700 quilates, descoberta na Austrália, em agosto de 1950. Está exposta em Melbourne, naquele país, e seu valor é estimado em US$ 1.800.000.
Na Antigüidade, a opala valia mais que o diamante e pensava-se que tinha o poder de evitar o mau-olhado, de curar doenças dos olhos e de advertir do perigo. No século XIX, passou a ser considerada de mau agouro, razão pela qual, durante certo tempo, seu uso diminuiu muito.


*        A maior pérola conhecida, a Pérola da Ásia, tem 121 g.
De cada 40 conchas, só uma, em média, contém pérola, mas conchas com várias pérolas podem ser encontradas.
Elas são usadas como gema há seis mil anos. A jóia mais antiga que se conhece feita com pérolas é um colar de três fios e 216 pérolas, encontrado em escavações feitas no Irã, e que se encontra no Museu do Louvre, em Paris (França).
Segundo os hindus, as pérolas são lágrimas congeladas nascidas do contato das nuvens com as águas. Os gregos diziam que delas emanavam forças vivificantes e protetoras. Na Antigüidade, era triturada e misturada com vinho e cerveja quando se pretendia homenagear pessoas de alta linhagem.


*        No século IV, o rubi era símbolo do amor. Antigamente, era usado para combater epidemias, pesadelos e melancolia, além de aumentar a inteligência e curar desgostos amorosos. Acreditava-se também que combatia a obesidade.


*        A grife Victoria’s Secret, de Nova Iorque, confeccionou um biquíni com 3.024 gemas, entre elas 1.988 safiras e um diamante de 5 quilates.
Acreditam alguns que a safira, usada sobre o coração, ela proporciona valentia. São Jerônimo via nela um meio de adquirir prestígio junto aos poderosos e proteção contra a cólera divina. Era tida como remédio contra a febre, e os egípcios a ingeriam como tônico.
 Os que usam cristais para tratamento de saúde dizem que a safira é útil no caso de suores excessivos, úlceras e distúrbios da visão, principalmente a safira-macho (azul-celeste). Com leite ou vinagre, é usada para combater reumatismos e resfriados.
A safira é a gema usada no anel dos cardeais.


*        O topázio, na Antiguidade, simbolizava a amizade e atribuía-se-lhe o poder de acalmar a cólera e conter hemorragias


*        A turquesa era usada pelos egípcios no tratamento da catarata. Acreditava-se, outrora, que protegia contra acidentes e que tinha o poder de acusar a presença de veneno, exsudando abundantemente. Para Aristóteles, era antídoto contra picadas de cobras.

Conheça a história do homem que ganhou R$ 122 milhões e hoje está pobre

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Serra Pelada – O garimpo da ilusão



De madrugada a temperatura cai bastante e ninguém consegue dormir sem cobertor. Uma espessa neblina encobre o garimpo quando esta estranha cidade no meio da selva, que já chegou a ter mais de 80 mil habitantes, começa a acordar para mais uma jornada. É sábado, um dia como outro qualquer em Serra pelada, onde o fim de semana só começa ao meio-dia de domingo.

O barulho das britadeiras moendo o cascalho nos barrancos; procissão de vultos silenciosos caminhando para a cava; a rotina recomeçava. O zunido dos pernilongos ainda está nos ouvidos, suplício apenas para os forasteiros.

“Como é que se chama pernilongo aqui?”
“Carapanã que o senhor fala? Ah, não precisa chamar não. É só deixar a porta aberta que eles vêm sozinhos...”

Apesar das precaríssimas condições de vida e trabalho no garimpo, o bom humor predomina, e é raro ouvir alguém se queixar da vida. Explica-se: para a maioria deles, a vida lá fora era ainda mais dura, e sem qualquer perspectiva de melhora. Aqui todos têm trabalho e comida, com direito a sonhar.



Blefados ou bamburrados na loteria do garimpo

Quatro homens do barranco 26 jogam dominó. Libânio, Antônio, Vitorino e Francisco vieram do Maranhão há menos de um ano. Três eram estudantes, um trabalhava na roça. São meias-praças, vão ter direito a 5% do ouro que for encontrado no barranco – o pedaço que lhes cabe no imenso tabuleiro esculpido numa enorme cratera de 24.615 metros quadrados, com 1.200 metros de diâmetro e mais de 100 metros de profundidade – mas até agora não encontraram nada. O dono do barranco mora em Belém. Só vem de vez em quando para prover a turma de comida e óleo para a britadeira, comprar alguma ferramenta que falta. Por que eles estão aqui?

“É mais a necessidade de aventurar alguma coisa”.

Eles agora estão jogando dominó em pleno dia de trabalho porque, quando chegam as chuvas, o garimpo começa a ser desativado. Apenas uma pequena parte da cava, não mais do que 10% ainda tem condições de continuar funcionando. Dentro de poucos dias, eles irão embora para outro garimpo, o de Cumaru.

“A gente chega lá e vai caçar patrão. Tem muito serviço lá”, explicava Libânio.



O maior garimpo a céu aberto do mundo

A cada dia, lotando caminhões que ligam esta ferida aberta na selva, 130 quilômetros a Sudoeste de Marabá, a 13 localidades do Pará, Maranhão e Goiás, milhares de paus-de-arara do ouro vão deixando para trás, em meio à poeira, o maior garimpo a céu aberto do mundo.

São os blefados, que deixam para trás também sua saúde, seus sonhos de riqueza desfeitos. Nos teco-tecos e bimotores, que fazem a ponte aérea Marabá – serra Pelada, vão embora também os bamburrados, aqueles 2% de garimpeiros que ficam com 72% da renda de todo o ouro do garimpo descoberto no início dos anos 80 e festejado como o tesouro que resolveria os problemas do Brasil.

Homens enlameados até os cabelos, caminhando como formigas com sacos de cascalho nas costas e cavando como tatus, levantando poeira ou barco dentro de um grande buraco, o garimpo – esta é a paisagem humana que encontrei quando vim aqui a primeira vez, está fazendo quase oito anos. Naquele tempo, quase nenhum piloto se arriscava a ir para lá. Só os mais malucos. Motivos não faltavam, mesmo para estes suicidas pilotos de garimpo que topam qualquer serviço.

A pista improvisada no cabo de enxada era apenas uma tênue nesga de terra rasgada no meio da mata, quase sempre escondida pela chuva, a neblina ou a poeira. Cercada por morros, era também a principal e única rua do garimpo, vivia coalhada de gente. Descer lá sem problemas era como acertar sozinho na loto.

A imagem não é gratuita: Serra pelada sempre foi, desde o começo, um jogo, um contrato de altíssimo risco. Ali, a distância entre a riqueza e a miséria, a vida e a morte, a glória e o ridículo, o céu e a terra sempre foi muito pequena, nem dá para notar lá do alto. Estávamos em serra Norte, onde mais tarde viria nascer a República dos Carajás. O piloto não inspirava nenhuma confiança. Era um refugiado angolano que aceitava qualquer vôo e para ele tudo era lucro. Não sei o que me dava mais medo, se era o piloto ou o aviãozinho dele, todo remendado.

Meia hora depois, só céu e mata, quando já deveríamos estar chegando a Serra Pelada, o angolado começou a mostrar sinais de preocupação. Constatou simplesmente que estava perdido, a rota não era aquela. Tenta contatar outro avião pelo rádio, e nada. Para encurtar a agonia, depois de mais meia hora o homem conseguiu descobrir onde estava e gloriosamente vislumbramos o garimpo. Pela primeira vez na vida, e por pouco a última, ouvi um avião buzinando para pousar. O pessoal não saiu da pista, o angolano teve que dar uma arremetida toda torta e quase batemos num carro.

Quem mandava ali por todos os seus prepostos à paisana ou fardados era o Exército. Mais precisamente, o garimpo era comandado pelo major Curió (anos mais tarde, ele se elegeria deputado federal com os votos dos garimpeiros). Em poucas semanas, aquele pedaço de fim de mundo perdido na selva amazônica seria transformado num retrato três por quatro em branco e preto deste lugar do mundo chamado Brasil.

Quase meio milênio após a chegada dos descobridores portugueses, repetiam-se as mesmas cenas de devastação, depredação das riquezas naturais e humanas, o vale tudo na terra de ninguém. E reuniam-se novamente em busca do tesouro os senhores, os feitores e os escravos, aqui chamados de formigas, os homens expulsos de outras terras que chegaram ao fim da linha e tentavam sobreviver carregando sacos de terra molhada do garimpo até as máquinas dos seus proprietários, onde os sonhos passariam pela peneira.

Mas muita água correria pelo leito natural do igarapé da grota Rica, onde o filho de um certo Zezinho, protegido de Genésio Ferreira da silva, o antigo dono das terras da Serra Pelada, encontrou alguma coisa brilhando junto a uma bica d’água, em fevereiro de 1980, até se chegar aos confrontos entre os garimpeiros e a Polícia Militar do Pará sobre a ponte de Marabá, no final de 1987.

Da constatação de que se tratava de ouro o que o menino viu à invasão da fazenda, foi como um raio. Correm na Serra Pelada também outras lendas e versões. Uma delas dá conta de que o próprio Genésio encontrou ouro ao cavar um buraco para fazer cerca. Há quem garanta que quem encontrou ouro primeiro foi um tal de Pedrão, que limpava juquira (roçava o mato) para Genésio.



A lei do garimpo é desafiar a sorte

José Mariano dos Santos é um dos milhares aventureiros da Serra Pelada. Fiquei sabendo de sua história aos poucos, até ele ganhar a confiança da minha amizade. Na época, quando Marabá naufragou, levada nas enchentes, o garimpeiro José, o Índio, viu na televisão a notícia de que acharam o ouro em Serra Pelada. Pegou uma carona de caminhão até o KM 16 da estrada PA-150, que liga Marabá a Serra dos Carajás. Ali hoje é o entroncamento da estrada de terra que liga a rodovia asfaltada a Serra pelada, mas naquele tempo só havia um jeito: enfrentar a selva.

Índio já bamburrou e ficou blefado várias vezes, na gangorra das riquezas e misérias de Serra Pelada. Apesar de tudo, não se arrepende de ter largado a família na Baixada Maranhanse, onde trabalhava de terça na terra dos outros, ou seja, entregava ao dono da fazenda um terço do que produzia sua roça de arroz, milho, feijão, mandioca, o de sempre.

“A Serra para mim foi uma mãe” ia sempre me repetindo, sem ninguém perguntar.

Com outros trinta homens e uma máquina de lavar cascalho na cabeça, encarou o garimpo do ouro prometido, caminhando das seis da manhã às seis da tarde. Depois de passar dois dias com fome, vendeu a muda de roupa para conseguir comida, ajeitou-se num pedacinho de barranco da grota Rica e dali pára cá, “animei com o negócio, já tava lá dentro mesmo... era obrigado a passar fome, o que eu ia fazer? Não ia voltar”.



Fortuna e miséria na trilha do ouro

Como bichos, comendo e defecando no mesmo pedaço de terra, milhares de homens como Índio lançavam-se na grande aventura de ficarem ricos da noite para o dia. Para falar bem a verdade, a grande maioria nem sonhava tão alto, estava ali apenas para tentar sobreviver, longe da família e de qualquer resquício de vida, digamos, civilizada. Eram quase todos antigos lavradores, posseiros, homens que foram sucessivamente sendo expulsos das suas terras no Maranhão, no Paraná, em Minas, no Pará.


Índio chegou a ficar um ano e sete meses sem sair do garimpo, andando só de calção. “Já tava ficando doido. Mulher que conhecia era só a minha mãe...” resolveu ir para Belém. “Nunca tinha visto tanto dinheiro na minha vida, nem sabia como funcionava banco”. A esta altura, ele estava só no mundo. Sua mulher, Ângela Maria, com quem teve dois filhos, o havia abandonado depois de três anos de casamento. “Ela fugiu com outro, um motorista de caminhão. Eu era um braçal, ele era motorista, ela quis melhorar de vida...”

Ao bater com a picareta numa pepita de 13 quilos de ouro, Índio tinha ficado rico, mas agora já era tarde demais. A mulher e os filhos estavam longe, não tiveram paciência para esperar o resultado da loteria. A primeira coisa que fez em Belém foi o que fazem todos os garimpeiros bamburrados comprou um carro zero quilômetro. Como não sabia dirigir, contratou um motorista. Ele queria apenas um carro novo, mas logo descobriu que com o dinheiro do ouro daria para comprar 30 carros novos...

“Tanto dinheiro... Eu achava que era o homem mais rico do mundo. O carro era azul-metálico, todo mundo ficava olhando”. O motorista Domingos que, arrumou para roubá-lo nos oito dias em que dirigiu, conseguiu comprar dois táxis.

Mas Índio parecia conformado; dizendo que “o primeiro dinheiro que a gente pega, joga fora. Depois acaba aprendendo”.



Um estádio de futebol escavado a mão

Nem sempre isso é verdade. No garimpo, é como se não houvesse amanhã. O dinheiro corre rápido, assim como entra, sai. O que explica a multiplicação de bordéis, que depois se transformam em vilarejos em torno de Serra Pelada (até há dois anos, era proibida a entrada de mulheres no garimpo). Quem nunca perde nada é o Posto Serra Pelada. Bem em frente ao posto está instalado o depósito de gás engarrafado. O dono de tudo é um advogado paranaense, Milton Gatti, um dos pioneiros de Serra Pelada, que chegou a ter mais de 300 homens trabalhando nos seus barrancos.

Com o prazer de quem vai mostrar sua própria casa ao visitante, benedito Evaristo, paulista de São José do rio Preto, conhecido por Adão, seu nome artístico de cantor de música sertaneja, me lva até a cava, uma cratera do tamanho do Estádio do Morumbi escavado a mão! Em torno dela corre um riacho formado pelas águas do fundo do tilim, a parte mais baixa do garimpo, bombeadas por duas dragas. É a periferia do garimpo, lugar onde trabalham os requeiros.

Vizinho ao barranco de Adão, três paulistas fazem hora para bagere, o almoço no garimpo. Um bancário, um químico e um comerciante, que largaram tudo, estão há 60 dias sem sair daqui e não se queixam: “ouro tem, é só a gente ter paciência que encontra”. E se divertem com as histórias do garimpo. “Sabe como é que a gente fazia rabo-de-galo (pinga com vermute) aqui no garimpo? Era álcool com Biotônico Fontoura. Mas, agora, até o hospital ta proibido de usar álcool e as farmácias não podem mais vender biotônico...”, confidenciou-me o bancário.

Passado alguns anos, voltei lá, voltei outras vezes e dava para ver a olho nu que a degradação da natureza acompanhava a degradação humana, na mesma proporção – a revolta silenciosa e profunda se espelhando nos rostos de homens que já não tinham mais volta, que já tinham deixado tudo para trás e agora se apegavam ao buraco feito náufragos sem esperança de chegarem à terra, mas reunindo as últimas forças para se segurarem no barco virado.

Na terceira visita à Serra assisti uma cena trágica que não abandona. Destruídas as famílias e os sonhos perdidos, só filhos dos que foram aventurar-se em Serra Pelada perambulavam pelas ruas de marabá, de Imperatriz de muitas cidades. Meninas bonitas, que fariam sucesso nas colunas sociais, se tivessem dentes, se fossem bem cuidadas, ofereciam-se a qualquer um, para que as levassem junto, para qualquer lugar. Seus pais chegaram aqui buscando riqueza. Pois agora, as filhas imploram para sair de lá.

Com pás e picaretas, carregando sacos de terra nas costas, eles tiraram do mapa um morro com mais de cem metros de altura e, em seu lugar, cavaram um enorme buraco com o mesmo tanto de profundidade por trezentos metros de largura. Em volta, a mata cedeu lugar a mais uma favela, um monstruoso favelão sem futuro, porque mais dia, menos dia, chega a temida mecanização do garimpo.

Serra Pelada sempre foi, desde o início até as revoltas mais recentes que fizeram o governo se lembrar da sua existência, um jogo em que poucos ganharam muito, alguns se arrebentaram e a imensa maioria apenas lutou para sobreviver, por absoluta falta de opção de vida, trabalhando para comer em condições que fazem lembrar as minas dos garimpeiros escravos do século XVIII. Homens enlameados até a raiz dos cabelos, caminhando como formigas com sacos de cascalho nas costas, levantando poeira ou barro de um grande buraco, enquanto uns poucos viviam como reis.
Estradas foram rasgadas na selva, algumas até asfaltadas, chegaram os fliperamas, a televisão e telefones, e já não se depende do aviãozinho do angolano para descobrir o que se passa naqueles grotões do Brasil. Nem o angolano nem seu teco-teco existem mais: dias depois daquela primeira viagem, uma pequena notícia de pé de página informava que ele havia se espatifado com três passageiros na cabeceira da pista de Serra Norte, a mesma de onde decolamos.

Ninguém saberá dizer ao certo quantos morreram nesta aventura. Foram centenas, com toda certeza – o trágico resultado de uma guerra de vida e morte pelo sonho do ouro.



O processo de extração

O processo inicia-se no fundo da cava com pá e picareta. Entre as escadas adeus-mamão os trabalhadores retiram o cascalho do barranco de seu dono – um dos 3200 quadrados de terra que compõem o tabuleiro de xadrez de Serra Pelada. Como cada barranco pertence a um proprietário diferente, a progressão na escavação é desigual, criando às vezes enormes desníveis que podem provocar desabamentos. Mais como segurança psicológica do que física, os cavadores usam cordas de nylon (azuis) amarradas no corpo na tentativa de evitar a queda junto com a terra. Durante uma das visitas dos autores ao garimpo, um desses desmoronamentos matou instantaneamente 13 garimpeiros, paralizando a extração por três dias.

Os formigas carregam os sacos de terra para fora da cava. Antes de subir, passam pelo controle do apontador de baixo que controla as saídas de cada homem da cava para conferir mais tarde a chegada da carga com o apontador de cima e executar o pagamento por viagem.

Quando o barranco cai no ouro, os sacos ficam estocados embaixo e são retirados apenas no fim da tarde ou de noite por motivos de segurança. Nestes casos uma caminhonete do proprietário do barranco fica esperando o transporte dos sacos para levá-los diretamente para sua refinadora.

No processo de refino o material bruto é primeiro triturado em britadeiras. A terra com ouro escorre sobre uma calha recoberta com mercúrio; que se liga quimicamente apenas ao ouro, formando a amálgama. Para separação final da mistura ouro-mercúrio da terra, o garimpeiro utiliza a baleia, que faz o papel de uma centrífuga primitiva. É nessa operação que pode ocorrer a contaminação dos rios da região pelo mercúrio excedente, que por descuido ou negligência é arrastado pela água. O manuseio sem proteção do mercúrio pode intoxicar o próprio garimpeiro, provocando seqüelas congênitas e distúrbios nervosos com a acumulação do metal no organismo.

Na etapa final do refino a amálgama é aquecida, vaporizando o mercúrio e deixando o ouro limpo. As pepitas (pequenos pedaços de ouro) são levadas ao barracão da Caixa Econômica federal onde são fundidas na presença do proprietário em um lingote que será vendido à própria Caixa. Nas produções maiores é utilizado um alto-forno. Finalmente o processo, quase totalmente artesanal, está pronto, resultando na barra de ouro puro. A última limpeza retira a fuligem que recobre o ouro. Este lingote pesa 1,7 kg, resultado de uma tarde de extração depois de 2 anos cavocando um barranco. O dono, José Aparecido, espera tirar 13 kg de ouro desse barranco, para compensar seu investimento.

De acordo com os técnicos da DOCEGEO e do DNPM – Departamento nacional de produção Mineral, o garimpo manual desperdiça em média 40% do ouro de Serra pelada. A poluição do mercúrio e o alto índice de perdas são o grande argumento dos que defendem a mecanização do garimpo.

As empresas envolvidas estimam um aumento de produção de pelo menos 30% do ouro, que até hoje já rendeu 40 toneladas. Anualmente a produção vem caindo, ocupando agora apenas 5.000 garimpeiros, muito abaixo dos 50.000 homens que trabalhavam na cava em 1983, o melhor ano da Serra.

Por outro lado criou-se uma verdadeira cidade em torno do buraco, que resiste como pode contra a mecanização. Seria o fim do sustento para milhares de garimpeiros, que consideram Serra Pelada a sua casa.



O dialeto do garimpo

CAVA: como é chamado o grande buraco do garimpo aberto à mão; a de Serra Pelada tem hoje cerca de 100 metros de profundidade e o formato de um feijão.

BARRANCO: pedaço de terra de dimensões variáveis, comprado dentro da cava por um ou mais garimpeiros para ser explorado na busca do ouro.

CATA: sinônimo de barranco, onde os garimpeiros “catam” o ouro.

APONTADOR: empregado do dono do barranco que controla a quantidade de sacos retirados pelos carregadores de terra e despejados fora da cava. Têm direito a uma porcentagem da produção de ouro do barranco.

FORMIGA: carregador de sacos de terra e cascalho. São os bóias-frias do garimpo, que recebem um pagamento correspondente aos sacos carregados entre o barranco e o alto da cava.

MELEXETES: são os formigas sujos de barro.

ADEUS-MAMÃE: nome dado às escadas utilizadas pelas formigas para levar os sacos de cascalho para a superfície. São verdadeiras estradas de trânsito com mão própria de subida e descida. O nome vem dos freqüentes acidentes fatais quando do desabamento das escadas com dezenas de formigas sobre elas.

MEIA-PRAÇA: trabalhadores braçais que têm direito a uma porcentagem sobre o ouro encontrado no barranco do dono.

CAPITALISTA: dono do barranco, que normalmente vive fora do garimpo; financia as despesas com comida e equipamentos.

EMBARCADOR: indivíduo que coloca o cascalho com ouro na britdeira, onde o material é moído por um processo rudimentar.

COBRA-FUMANDO: “uma banheira de botar água para lavar cascalho e separar ouro”, na definição dos próprios garimpeiros.

MÁQUINA: sinônimo de cobra-fumando.

PASSADOR-DE-MÃO: indivíduo que procura separar à mão o ouro da terra, na qual está misturado.

CURIMÃ: rejeito mais nobre da separação do ouro, que geralmente passa por uma segunda lavagem.

BATEIA: instrumento em forma de peneira feito de chapa de metal, utilizado para a purificação manual final da mistura de mercúrio com ouro.

APURADOR: indivíduo que faz a separação do ouro utilizando-se de uma bateia para lavar o amálgama mercúrio-ouro. O mercúrio liga-se quimicamente ao ouro, facilitando a separação das impurezas.

REQUEIRO: fazer reque; procurar ouro nos rejeitos que correm nas águas, as migalhas que sobram.

DÍZIMO: porcentagem retirada da venda do ouro destinada à cooperativa dos garimpeiros para efetuar melhoramentos e obras de estabilização da cava.

BAMBURRADO: aquele que tirou a sorte grande no garimpo, encontrando um filão de ouro no seu barranco.

BLEFADO: garimpeiro que perdeu tudo, só é dono da roupa do corpo.

CUTIA: carregador de cascalho que fica com a pele vermelha.

ORELHA DE JEGUE: vale, adiantamento.

Brasil é responsável por produzir um terço das gemas do mundo

Brasil é responsável por produzir um terço das gemas do mundo

Pedras brutas nacionais se destacam por sua grande variedade de cor


Topazios Azuis (Foto: Daniela Newman)Entre as pedras exportadas pelo Brasil estão os topázios azuis (Foto: Divulgação/Daniela Newman)
No cenário internacional, o Brasil é conhecido pela produção de grande diversidade de pedras preciosas, sendo, segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), um dos principais produtores de esmeraldas e o único de topázio imperial e de turmalina Paraíba. Também fazem parte do acervo brasileiro outras pedras, que são comercializadas em larga escala, incluindo citrino, ágata, ametista turmalina, água-marinha, topázio e cristal de quartzo. Exceto no que diz respeito à comercialização de diamante, rubi e safira, o país é responsável, atualmente, pela produção mundial de aproximadamente 1/3 do volume de gemas, como são conhecidas as pedras quando lapidadas, ou polidas.
No Brasil, boa parte da produção de pedras preciosas é feita por garimpeiros e pequenas empresas de mineração, localizadas em sua maior parte nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, Pará e Tocantins. Segundo ressalta Hécliton Santini Henriques, presidente do IBGM, cerca de 80% das pedras brasileiras têm como destino a exportação, incluindo esmeraldas, turmalinas, ametista, citrino, topázios e, principalmente, os cristais. Os outros 20% são destinados ao mercado interno, mais especificamente às indústrias joalheiras.
“No que diz respeito à produção de pedras, o Brasil é um dos mais importantes do mundo em termos de variedade e volume. O nosso país continua sendo um dos principais produtores e exportadores, mas tem diminuído sua participação devido ao crescimento da África nesse setor. Os preços, tanto das pedras brasileiras, quanto das africanas, cresceram muito nos últimos seis anos, muito devido à entrada da China no mercado de joias, se tornando o principal país importador de pedras brasileiras. De janeiro a maio de 2013, o Brasil comercializou um montante de US$ 64 milhões em pedra lapidada e US$ 21 milhões em pedra bruta, sendo que, neste ano, devemos exportar o total de US$ 200 milhões”, prevê o presidente.
O parque industrial brasileiro voltado ao mercado de joias é bem diversificado. Conforme dados do IBGM, estima-se que existam, atualmente, aproximadamente 3.500 empresas, incluindo as de lapidação, de joalheria, de artefatos de pedras, de folheados e de bijuterias, localizadas, em sua maior parte, em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. O instituto destaca também o surgimento de novos polos industriais no Paraná, Pará, Amazonas, Ceará e Goiás.
Tendências do mercado mundial
Nos últimos 20 anos, Hécliton ressalta que aumentou a procura por pedras coloridas e com preços mais acessíveis, o que acabou por beneficiar o Brasil. “O mercado tem procurado por mais cor. Hoje em dia, temos pedras rosas, amarelas, champanhe, preta, entre outras cores. Devido a essa tendência, o design de joias também mudou, o que exigiu pedras mais coloridas, chamadas no mercado internacional de ‘colored stones’, sendo um dos nossos principais mercados os Estados Unidos”, aponta o especialista.
Hécliton destaca que do volume total exportações brasileiras, 2/3 são referentes a pedras lapidadas e 1/3 a pedras brutas. “O custo da lapidação no Brasil é elevado em relação ao praticado em países como China e Vietnã, por exemplo. Ou seja, no caso de gemas mais baratas, mandamos as pedras brutas e as compramos lapidadas para termos mais competitividade no mercado nacional. Já as pedras de valor maior são lapidadas no Brasil mesmo. Outras pedras brutas não têm como ser lapidadas, como a druza ametista, conhecida também como ‘capelas de ametistas’”, ressalta.

A Diversidade Das Gemas Brasileiras

A Diversidade Das Gemas Brasileiras




O Brasil é mundialmente conhecido pela sua riqueza em pedras preciosas. Das nove províncias gemológicas existentes no mundo, ou seja, das nove regiões geográficas excepcionalmente ricas em gemas, nosso país é líder não apenas na quantidade produzida, mas também na diversidade.

         Para se ter uma idéia do quanto aqui se produz, basta dizer que apenas o estado de Minas Gerais contribui com cerca de 25% da produção mundial (Favacho, 2001).  Para demonstrar a diversidade, basta dizer que um brasileiro bem informado e de bom nível cultural consegue citar (conhecendo ou não) cerca de quinze pedras preciosas, mas que existem, em nosso país, mais de cem tipos diferentes.

         Elaborar uma lista das gemas de um país é tarefa que apresenta algumas dificuldades:
         - devem-se incluir apenas as gemas produzidas ou todas as existentes ?
         - devem-se incluir gemas existentes mesmo que as ocorrências sejam esparsas ou apenas aquelas que são encontradas num número significativo de locais ?
         - uma gema que já foi produzida, mas que hoje está com suas reservas esgotadas, deve figurar na lista ?
         - minerais que podem ser lapidados, mas só o são para peças de coleção, não para confecção de joias, devem ser considerados ?
         Essas são algumas questões que exigem uma definição de critérios. Assim, os critérios adotados para elaborar a relação apresentada a seguir são os seguintes:

a) foram incluídas gemas que podem não estar sendo produzidas, mas que existem em volume considerável em pelo menos um lugar do país, como é o caso do rubi.
b) incluíram-se também gemas cuja produção foi importante, mas cujas jazidas estão hoje em fase de esgotamento, como a turmalina Paraíba.
c) não foram incluídas substâncias minerais que são usadas para obtenção de objetos decorativos, mas não para adorno pessoal, pois, segundo a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) este segundo uso é condição indispensável para que uma substância seja considerada gema. Ficaram de fora, por isso, substâncias como pedra-sabão, gipsita e agalmatolito.
d) variedades diferentes de um mesmo mineral foram consideras gemas diferentes. Ex.: quartzo rosa quartzo enfumaçado, ametista, citrino, ágata, etc. (gemas diferentes, mas todas variedades de quartzo).
e) gemas que têm dois nomes diferentes aparecem com o nome oficialmente recomendado pela Comissão de Minerais Novos Nomenclatura e Classificação da International Mineralogical Association. Ex: schorlita (e não afrizita), titanita (e não esfênio).
f) em lugar de quartzo, termo que designa um grande número de gemas diferentes, usou-se cristal-de-rocha, que é o quartzo macrocristalino e sem impurezas. Embora esta seja uma denominação muito inadequada, está consagrada pelo uso em todo o mundo e em muitos idiomas.
g) praticamente todas as gemas brasileiras são minerais, ou seja pedras preciosas. Mas foram incluídas duas gemas orgânicas, o copal, uma espécie de resina semelhante, ao âmbar, e a jarina, também chamada de marfim-vegetal, uma palmeira da Amazônia que tem sementes grandes e muito duras, pois ambos são usados como adorno pessoal.
h) foram incluídas gemas como aragonita, fluorita e apofilita, que não costumam ser vistas no mercado de gemas brasileiras, mas existem em nosso país e são assim consideradas pelo Departamento Nacional Produção Mineral (DNPM, 1983).
i) são tantos e tão variados os tipos de jaspe que poderiam ser considerados gemas independentes; são, porém, aqui, considerados uma só.
j) existe, no Brasil, citrino natural, mas o citrino aqui produzido é principalmente aquele obtido por tratamento térmico da ametista. Isso permite que sejam considerados duas gemas diferentes, mas são aqui reunidas sob o mesmo nome, até porque o preço de mercado dos dois é o mesmo. Pela mesma razão, chama-se de ágata indistintamente a natural e aquela de cores obtidas por tingimento.

         Obedecendo a esses critérios, chega-se à relação abaixo, de 108 gemas diferentes. Vê-se, portanto, que as cerca de 15 pedras preciosas que uma pessoa culta e bem informada consegue citar não são nem 15 % do elenco de gemas brasileiras.


RELAÇÃO DAS GEMAS BRASILEIRAS
Gemas orgânicas
Copal
Jarina

Granadas
Almandina
Grossulária
Hessonita
Piropo
Rodolita
Spessartina

Grupo das olivinas
Crisólita
Peridoto Variedades de berilo
Água-marinha
Berilo verde
Esmeralda
Goshenita
Heliodoro
Morganita

Variedades de coríndon
Rubi
Safira

Variedades de crisoberilo
Alexandrita
Crisoberilo
Olho-de-gato

Variedades de espodumênio
Hiddenita
Kunzita
Trifana


Variedades de feldspato
Adulária
Amazonita Variedades de opala
Opala-de-fogo
Opala preciosa
Variedades de quartzo
Ágata
Ametista
Aventurino
Calcedônia
Cornalina
Crisoprásio
Jaspe
Ônix
Ônix-real
Concreção de sílica
Heliotrópio
Citrino
Cristal-de-rocha
Madeira fossilizada
Oneguita
Quartzo azul
Quartzo com dendritos
Quartzo com goethita
Quartzo com turmalina
Quartzo enfumaçado
Quartzo mórion
Quartzo olho-de-gato 
Quartzo rosa
Quartzo rutilado

Variedades de turmalina
Acroíta
Dravita
Indicolita
Rubelita
Schorlita
Turmalina bicolor
Turmalina melancia
Turmalina Paraíba
Verdelita

Variedades de topázio
Topázio
Topázio-imperial
Demais gemas
Allanita
Ambligonita
Anatásio
Andaluzita
Apatita
Apofilita
Aragonita
Axinita
Barita
Brasilianita
Calcita
Cassiterita
Childrenita
Cianita
Cordierita
Crisocola
Diamante
Diopsídio
Dumortierita
Epídoto
Escapolita
Esfalerita
Espinélio
Estaurolita
Euclásio
Fenaquita
Fluorita
Gahnita
Hematita
Herderita
Lazulita
Malaquita
Nefrita
Obsidiana
Petalita
Pirita
Quiastolita
Rodonita
Rutilo
Scheelita
Sillimanita
Sodalita
Titanita
Turquesa
Zircão
As mesmas 109 gemas em ordem alfabética são:

Acroíta
Adulária
Ágata
Água-marinha
Alexandrita
Allanita
Almandina
Amazonita
Ambligonita
Ametista
Anatásio
Andaluzita
Apatita
Apofilita
Aragonita
Aventurino
Axinita
Barita
Berilo verde Brasilianita
Calcedônia
Calcita
Cassiterita
Childrenita
Cianita
Citrino
Concreção de sílica
Copal
Cordierita
Cornalina
Crisoberilo
Crisocola
Crisólita
Crisoprásio
Cristal-de-rocha
Diamante
Diopsídio
Dravita  
Dumortierita
Epídoto
Escapolita
Esfalerita
Esmeralda
Espinélio
Estaurolita
Euclásio
Fenaquita
Fluorita
Gahnita
Goshenita
Grossulária
Heliodoro
Heliotrópio
Hematita
Herderita
Hessonita
Hiddenita
Indicolita
Jarina
Jaspe
Kunzita
Lazulita
Madeira fossilizada
Malaquita
Morganita
Nefrita
Obsidiana
Olho-de-gato
Oneguita
Ônix
Ônix-real
Opala-de-fogo
Opala preciosa
Peridoto
Petalita
Pirita
Piropo
Quartzo azul
Quartzo com dendritos
Quartzo com  goethita
Quartzo com turmalina
Quartzo enfumaçado
Quartzo mórion
Quartzo olho-de-gato 
Quartzo rosa
Quartzo rutilado
Quiastolita
Rodolita
Rodonita
Rubelita
Rubi
Rutilo
Safira
Scheelita
Schorlita
Sillimanita
Sodalita
Spessartina
Titanita
Topázio
Topázio imperial
Trifana
Turmalina bicolor
Turmalina melancia
Turmalina Paraíba
Turquesa
Verdelita
Zircão

Alguns comentários adicionais
- Alguns autores não fazem diferença entre berilo verde e esmeralda; outros consideram berilo verde aquele com menos de 0,1% de cromo (ou 0,15% para outros).
- Adulária é o mesmo que pedra-da-lua.
- Ônix é a calcedônia com faixas retas e paralelas de qualquer cor exceto vermelha, alaranjada e marrom (cores da cornalina e do sárdio). A preta é a mais apreciada e a maioria do ônix hoje comercializado é calcedônia tingida dessa cor.

Ônix-real é o nome comercial de uma variedade que ocorre em Sapopema e Curiúva, próximos da cidade de Ibaiti, no Estado do Paraná.  As cores comumente distribuem-se em aneis, e são preta e branca, às vezes com tons cinza alternados com branco e marrom. Tem alta densidade e brilho metálico após lapidação.  O aspecto metálico da gema deve-se à presença de pequenas quantidades de ouro, platina, cobre ou ferro, geralmente dois desses metais.
- Concreção de sílica não é um nome muito apropriado, mas designa melhor a gema conhecida comercialmente como conchinha de ágata e medalha.

Descoberta: Nordestina (BA) tem a maior mina de diamantes do Brasil

Descoberta: Nordestina (BA) tem a maior mina de diamantes do Brasil



A maior mina de diamantes do Brasil foi encontrada no último dia 19 de abril no pequeno município de Nordestina, na região norte da Bahia, a 147 km de Serrinha. O Portal Clériston Silva conversou na manhã desta terça-feira, 23, com o prefeito Wilson Araújo Matos, que fala das expectativas de crescimento local após essa recente descoberta.

Desde 2008, a empresa Lipari Mineração (de origem canadense) iniciou pesquisas em Nordestina, mais especificamente na mina nomeada de Braúna. “Com a descoberta, a produção de diamantes no Brasil vai aumentar 495%.”, conta o prefeito. Só no primeiro, dos 22 lotes, a Lipari vai investir R$ 100 milhões para produzir 225 mil quilates por ano.

A mina Braúna fica em terras particulares e a empresa pagará pela exploração. A previsão é de sete anos de trabalhos na mina. Isso fará de Nordestina o maior produtor de diamantes brutos da América do Sul. A produção deve começar em 2015.

“Teremos a primeira mina de diamantes de fontes primárias – kimberlitos - da América do Sul em uma região que, muito próximo, a 84 km, temos o ouro da Yamana Gold, em Santa Luz”, comemora o governador Jaques Wagner, radiante com a possibilidade de a Bahia entrar no seleto clube dos maiores produtores mundiais de diamantes: Botswana, Rússia, África do Sul, Angola e Canadá.

Os kimberlitos são rochas vulcânicas formadas à grandes profundidades e cuja existência é fundamental para que diamantes possam ser encontrados. Eles são expelidos do interior da terra através de erupções vulcânicas e que, com a erosão natural, se tornam superficiais.

Licença, arrecadação e investimentos - Nordestina se localiza no semi-árido da Bahia, a 359 km da capital, Salvador. A população local é de 12,5 mil habitantes. De acordo com o prefeito, os recursos naturais não devem ser prejudicados. “Eles têm licença. Não vão agredir o meio ambiente e nem usar produtos químicos, só água. E eles já fizeram uma tubulação”, explica Wilson.

Por causa dos diamantes, Nordestina deve arrecadar R$ 5 milhões por ano de royaltiesmineral. “Ainda serão criados no mínimo 500 empregos diretos. Fora a arrecadação do Imposto Sobre Serviços, entre outros”, diz o gestor.

Além do aumento de receita, Nordestina deve ganhar em infraestrutura. “A empresa prometeu melhorar as estradas vicinais. E os empresários se prontificaram a melhorar o local”. Para o transporte da nova riqueza, a Lipari Mineração deve construir um aeroporto na cidade que vai beneficiar também os municípios de Santa Luz, Queimadas, Cansanção, Quijingue, Tucano, Monte Santo, Euclides da Cunha e Ribeira do Pombal.

Os investimentos em infraestrutura são importantes, porque a descoberta deve atrair novos moradores. “Não tenho dúvida de que vai inflacionar tudo.” Wilson Araújo Matos conta que, com os novos recursos, vai potencializar a Educação, a Saúde e o Saneamento em Nordestina, que também produz ouro. A economia local era baseada na agricultura, agora é na mineração.