terça-feira, 19 de agosto de 2014

Marina e a mineração

Marina e a mineração
A pergunta que paira, quando o assunto é Marina Silva, é o quanto um governo de Marina será bom ou ruim para a mineração do Brasil.

Sabemos que Marina tem as suas raízes no extrativismo onde as palavras sustentabilidade e meio ambiente são sinônimos de pilares de sua formação.

Marina é um exemplo de determinação e de foco. Ela saiu de um seringal na Amazônia, pobre, sem educação e infestada pela malária para uma meteórica carreira política que a trouxe até esta candidatura à presidência do Brasil. Qualquer um com esse currículo deve ser, no mínimo, respeitado. 

Graças às suas ideias e posições, apresentadas durante o seu trabalho na proteção do meio ambiente, ela foi taxada de radical, de antimineração e antidesenvolvimentista.  Muitos inimigos políticos tentam pintá-la como uma xiita ambientalista contrária ao desenvolvimento econômico e aos grandes projetos inclusive os do agronegócio que junto com a mineração são as duas grandes molas da economia brasileira.

Existem alguns, como o colunista Luis Soares, que afirma que Marina é financiada por dois bilionários: um é Guilherme Leal seu vice na candidatura de 2010, fundador do Grupa Natura e o outro Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, herdeira do Banco Itaú. Batendo na mesma tecla o colunista Reinaldo Azevedo insinua que quem financia Marina é Neca Setubal o que claramente demonstra uma dicotomia intrigante: um Banco financiando uma candidata antidesenvolvimentista...

Talvez Marina não seja assim tão radical e, nos seus cenários possíveis, existe uma mineração moderna, sustentável, que polui e destrói muito menos.

Será isso possível?

Com raízes no comunismo e no movimento sindical ela foi uma das fundadoras da CUT. Lançou-se na política pelo PT e, em 1994, elegeu-se a senadora mais jovem do Brasil.

Sempre lutou contra a emissão dos gases de efeito estufa e pela manutenção e demarcação das terras indígenas. Em 2003 como Ministra do Meio Ambiente foi acusada de atrasar licenças ambientais para obras de infraestrutura.

 Esses atrasos criaram um desentendimento entre Marina e Dilma, então na Casa Civil.

Lutou contra os transgênicos e contra as usinas nucleares de Angra II. Foi radicalmente contra o desmatamento da Amazônia, indispondo-se no processo, contra os Governadores de Rondônia e Mato Grosso.

A falta de apoio e a frustração a levaram a pedir demissão do Ministério do Meio Ambiente e a filiar-se ao PV

Com as bandeiras da minoria negra, do meio ambiente e de ser pobre ela conseguiu 20% dos votos da eleição de 2010. Um feito memorável para quem tinha apenas 1 minuto e dezessete segundos de rádio e TV. Para muitos esse voto foi o voto de protesto de uma multidão sem opção: a síndrome “Cacareco”.

Em várias ocasiões Marina falou sobre a mineração.

Sobre as minas a céu aberto de Minas Gerais ela disse “que é fundamental que se observe a legislação ambiental” e que a mineração é uma “safra que só dá uma vez”, que paga impostos e royalties “ muito baixos” além do passivo ambiental que deixa.

Segundo ela precisamos “transformar” a nossa matéria prima, que é exportada principalmente para a China. E que compramos, posteriormente, os produtos industrializados, o que é “um absurdo” e que faz com que o país “não consiga criar riquezas”. Este é um ponto importantíssimo, que nós e que mostra a determinação de Marina de acrescentar valor ao nosso produto exportado, como o minério de ferro, que é vendido por menos de US$100/t retornando posteriormente na forma de industrializados que valem milhares de dólares por tonelada.

Marina tem uma posição bem clara sobre os royalties da mineração, que segundo ela devem aumentar. Mas, em nenhum momento ela diz o quanto ou se ela concorda com o aumento proposto pelo novo Código Mineral.

Existe um outro lado de Marina que nos assusta.

É um lado radical, pouco embasado nas tecnicidades da área da mineral, que bombardeia a mineração de forma impiedosa como se essa fosse um mal a ser execrado e erradicado.

Em uma página do seu partido Rede Sustentabilidade, ela fala claramente sobre o Novo Marco Regulatório da Mineração. Em um parágrafo sobre o Direito de Prioridade é dito que  “Muitos geólogos e pesquisadores da área afirmam que o “direito de prioridade” frustra qualquer planejamento ou orientação pública a guiar a exploração mineral.” . Não sabemos onde ela fez essa pesquisa mas acreditamos que esses “muitos” são os poucos associados ao grupo que escreveu o MRM e que hoje, por questão corporativa, o defendem.

É claro que Marina, assim como Dilma, são contra o direito de prioridade, que se extinto irá significar o fim das empresas privadas de pequeno a médio porte da pesquisa mineral brasileira.

No texto de Marina é recomendado um maior controle público sobre a atividade da mineração: “o relatório do deputado Leonardo Quintão retrocede com relação a esse controle, voltando ao regime exclusivo de mercado, e não incorpora a dimensão socioambiental necessária”.

Segundo Marina a mineração deveria “ incorporar todos os custos socioambientais normalmente externalizados à sociedade, como contaminação de água, desestabilização de atividades produtivas etc.  Para tanto, é fundamental, por exemplo, que o contrato de concessão reflita as condições socioambientais estabelecidas na licença ambiental, assim como o resultado da consulta às comunidades impactadas. “

Esses pontos são importantes e se forem implementados de forma racional, sem radicalismos e ingerências ditatoriais serão benéficos.

No nosso entender, a mineração, como um todo, tem que poluir menos e adotar práticas ambientais modernas atuando em prol da sociedade antes, durante e depois do projeto mineral.

 Nestes pontos não estamos longe de Marina.

Marina em várias ocasiões se mostrou contra a energia nuclear que “é cara e não é segura”. Diz que os danos ambientais da mineração são “democratizados” e que o Estado se beneficia pouco, pois os royalties “são miseráveis”.

No entanto a falta de profissionalismo de seus associados nos faz ficar de cabelos em pé.

Em um vídeo denominado “Enquanto o trem não passa”, que foi postado no Facebook oficial de Marina, fica claro que ela tem o suporte de grupos profundamente amadores que por saberem tão pouco da mineração não podem, jamais, gerenciar os nossos destinos sob pena de imensos fracassos e atritos.

O vídeo elaborado por vários grupos de suporte à Marina fala sobre o novo código e sobre a mineração entremeando meias-verdades, de forma a colocar quem vê o documentário, radicalmente contra a mineração como um todo.

O vídeo discorre sobre a falta de beneficiamento do minério brasileiro, uma verdade, mas mistura a Vale com os garimpeiros de Serra Pelada como se o garimpo e a mineração da Vale tivessem alguma similaridade , o que obviamente não existe.

Ele fala da Belo Sun, na Volta Grande do Xingu, de uma forma irresponsável, “ informando que após dez anos de exploração a mineradora vai deixar o equivalente a dois morros do tamanho do Pão de Acúcar de ”resíduos tóxicos como o cianeto”. Uma grosseira inferência de quem pouco conhece sobre a mineração de ouro e sobre as formas de neutralizar o cianeto usado na recuperação do metal.

Mas depois que o erro é lançado como verdade é difícil de apagá-lo do consciente coletivo.

Neste vídeo fica claro que a tendência do partido e dos seguidores de Marina é apoiar os garimpos, os índios e os quilombolas contra as mineradoras. Nele é denunciado que o Relator, o Dep. Quintão, está sendo financiado pelas mineradoras. São inúmeras as tentativas de transformar a mineração no “grande satã” o que, além de errado, possivelmente vai causar mais danos à mineração do que o próprio governo do PT já fez.

Os ataques não param aí e dizem que no novo código não é tratado a questão socioambiental e os direitos das comunidades e que os mineradores, generalizam, querem “invadir “ as terras indígenas.

No vídeo a mineração é acusada de usar muita água e muita energia e é responsável pela falta de água que vemos hoje, já que as fontes e nascentes “estão sendo drenadas pela mineração”.

São obviamente acusações risíveis que demonstra a falta de preparo de quem elaborou o documentário, mas será que Marina, se Presidente, não vai acolher essas demandas, “ipsis litteris”?  O documentário, amadoristicamente, mistura mineração com alhos e bugalhos e sem nenhuma preocupação com a verdade ou com o embasamento técnico-científico, propaga barbaridades como: a “mineração é o setor que mais mata, mutila e enlouquece os trabalhadores. Em uma das atividades mais insalubres e mal remuneradas”.

É preocupante a propagação de falácias deste calibre,  destinadas àquele cidadão sem preparo e pouca educação que não poderá se proteger destas inverdades. Será que esse é, também, o pensamento de Marina?

  Marina nos parece estar vivendo em vários mundos, imprensada entre movimentos de esquerda e ambientalistas radicais e um grupo mais moderado. Talvez junto com o PSB, sua nova coligação, ela tenha que adotar uma atitude mais moderada, até por força de contrato.

Entretanto, no que tange a mineração, o plano de governo da coligação de Marina com o PSB lançado em 04 de fevereiro de 2014, é um deserto.

O Plano sequer menciona palavras como mineração, minério, mina ou geologia.

Algo correlato só é citado, sem profundidade,  dentro do âmbito da energia quando é proposto a criação de “um Painel de Especialistas para discutir a fundo a tecnologia de segurança que está sendo utilizada na exploração de petróleo na camada do pré-sal e a que será utilizada para exploração do gás de xisto, para que a sociedade tenha maior clareza em relação aos riscos envolvidos.”

A nossa conclusão sobre o impacto de Marina na mineração e na geologia do Brasil nos leva a dizer que: o plano de Marina simplesmente não contempla a mineração.

Nesse quesito somos um zero à esquerda.

Através da leitura de seus discursos e posições dos últimos anos se torna óbvio que Marina contempla inúmeras medidas que irão nos asfixiar, reduzir e minimizar. Possivelmente veremos um código sem o direito de prioridade, um processo de estatização da mineração e da pesquisa mineral e agências ambientais hostis e pouco ágeis na concessão das licenças ambientais. Mesmo sob o guarda-chuva da coligação com o PSB não vemos Marina como um fato novo que possa nos propulsionar e elevar a mineração ao seu real patamar de importância socioeconômica.

Infelizmente.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Oz publica pré-viabilidade econômica de seu depósito de cobre e ouro

Oz publica pré-viabilidade econômica de seu depósito de cobre e ouro
A australiana Oz Minerals informa, no seu relatório de pré-viabilidade econômica que o seu projeto de cobre e ouro Carrrapateena vai produzir US$22 bilhões em vendas ao longo de sua vida útil.

Carrapateena, um depósito tipo IOCG, hospedado em complexo granítico brechado,  fica a 100km do gigantesco Olympic Dam.
O projeto tem um NPV a 8% de US$1,15 bilhões e terá um CAPEX de US$2,98 bilhões com um IRR de 13%.

A mina terá uma vida útil de 24 anos e uma produção anual de 12,4 milhões de toneladas. Ao longo de sua vida útil serão produzidas 114.000t de cobre ao ano e 117.000 onças de ouro ao ano.

O custo da libra de cobre produzido será de US$0,49 um custo bem baixo se compararmos ao preço atual de US$3,11/lb.

No entanto,  chama a atenção o NPV é menor do que o CAPEX...

domingo, 17 de agosto de 2014

Ira de Deus ou portões do inferno: veja fotos desses incríveis buracos gigantes


Ira de Deus ou portões do inferno: veja fotos desses incríveis buracos gigantes


Ira de Deus, ou portões do inferno, não importa como os chamem. Os intrigantes buracos gigantes encontrados em algumas partes do mundo têm
Campeões de Audiência
explicações na verdade  simples: muitos são resultados da intervenção humana, como escavações para mineração, outros de causas naturais, como movimentos de placas tectônicas.
Imensos, atraem legiões de turistas e aventureiros para locais como a gélida Sibéria, na Rússia, o Turcomenistão, a Guatemala, a África do Sul, o Canadá ou os Estados Unidos.
Vejam só:
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Darvaza, ou "portões do inferno", no Turcomenistão

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Outra visão dos "portões do inferno", no Turcomenistão



Darvaza – ou “portões do inferno”, Turcomenistão
Um enorme depósito subterrâneo de gás natural foi descoberto por geólogos em 1971 neste país da Ásia Central, na época parte da União Soviética. A precária tecnologia soviética de então levou a que a plataforma de perfuração desabasse.
Para que os gases venenosos não escapassem do buraco, atearam foro ao que jorrava do buraco — resultado que não poderia ser mais desastroso, pois os gases continuam queimando até hoje, quase 40 anos depois.

Kimberley Big Hole, África do Sul
É considerada a maior escavação feita por mãos humanas em todo o mundo. Para render mais de 3 toneladas de diamante até o encerramento das atividades extrativistas, em 1914, ficou com mais de 1 quilômetro  de profundidade – com cerca de 22,5 milhões de toneladas de terra removidas.
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Kimberley Big Hole, na África do Sul

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Visto mais do alto, de novo o Kimberley Big Hole, na África do Sul
Chuquicamata, Chile
Mina a céu aberto no norte do Chile, é detentora do título de maior produção total de cobre do mundo. Com mais de 850 metros de profundidade, está em segundo lugar em tamanho, atrás da Bingham Canyon Mine, no Estado de Utah, EUA.

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Mina de Chuquicamata, no Chile

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Vista mais de longe, a mesma mina de Chuquicamata, no Chile

Diavik, Canadá
Mina de diamantes localizada a 300 km de Yellowknife, no gelado extremo norte do Canadá, é tão grande que conta com um aeroporto próprio, capaz de comportar um Boeing 737. A água que rodeia a enorme mina vira gelo durante a maior parte do ano.

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Mina Diavik, no Canadá

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Mais à distância, a Mina Diavik, no Canadá

Udachnaya Pipe, Rússia
Esta antiga mina de diamantes situada no extremo norte da Rússia, perto do Círculo Polar Ártico, foi explorada entre 1955 e 2010 e tem mais de 600 metros de profundidade.

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Udachnaya Pipe, na Rússia

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Em foto tomada a mais distância, Udachnaya Pipe, na Rússia

Mirny, Sibéria, Rússia
Com 525 metros de diâmetro e 1200 de profundidade, esta é considerada a maior abertura/mina de diamantes em todo o mundo. Aviões e helicópteros não podem sobrevoar o local, pois algumas aeronaves já foram sugadas pelo buraco.

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A gigantesca mina de diamantes Mirny, na Sibéria, Rússia, faz o enorme caminhão parecer uma formiga na foto

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A mina Mirny fez nascer uma cidade, Udachny, a seu lado

Glory Hole, Monticello, Califórnia, EUA
O “buraco da glória” é uma espécie de ralo colossal que entra em ação quando a água da barragem de Monticello ultrapassa seu nível máximo de segurança e precisa ser drenada do reservatório. Tem capacidade de esvaziar o reservatório à razão de 408 mil litros por segundo.

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Glory Hole, em Monticello, Califórnia, EUA

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O Glory Hole em plena ação

Bingham Canyon,  Utah, EUA
A escavação deste buraco começou em 1863, e o poço continua aumentando de tamanho até hoje.  Atualmente as medidas do poço são de mais de 5,5 mil metros de profundidade e 4 mil metros de largura.

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Mina Bingham Canyon, Utah, EUA

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Vista de maior distância, e cercada pela neve, a Bingham Canyon, Utah, EUA

Great Blue Hole, Belize
A quase 100 quilômetros mar adentro da Cidade de Belize, em Belize, na América Central, está este incrível buraco azul – adorado por mergulhadores -, o maior e também tido como o mais bonito do mundo (sim, existem vários buracos-azuis nos oceanos).
Com forma de um círculo perfeito, tem pouco mais de dois quilômetros de largura e atinge 145 metros de profundidade.

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Great Blue Hole, Belize

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Great Blue Hole, Belize

Grande cratera da Guatemala
Este é o mais novo desta coleção de curiosos e gigantescos buracos: ele aconteceu em meio à Cidade da Guatemala, destruindo e engolindo casas, prédios e pessoas, em junho de 2010.
São cerca de 20 metros de diâmetro e 30 de profundidade. Segundo o Centro Geológico dos EUA, o problema ocorreu devido à área estar sobre terrenos calcários, rochas carbonáticas ou solos com muito sal que podem dissolver-se facilmente com a circulação de água nos lençóis freáticos.
A população acusou estar sentido e ouvindo movimentos e barulhos estranhos desde 2005.



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A grande cratera urbana na Cidade da Guatemala

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A cratera vista de cima: 20 metros de diâmetro, 30 de profundidade


sábado, 16 de agosto de 2014

PanAust: chineses oferecem US$1 bilhão, mas não levam

PanAust: chineses oferecem US$1 bilhão, mas não levam A PanAust é um mineradora listada na bolsa de Sidney que controla duas mina de cobre e ouro no Laos, um pobre e pequeno país espremido entre a China, Vietnam, Camboja e Mianmar. A PanAust acaba de recusar uma oferta de 1 bilhão de dólares feita pelo grupo chinês Guangdong Rising Assets Management, pelas suas minas.
Proposta irrecusável para muitos mas não para a mineradora australiana, cujas minas são responsáveis por mais de 8% do PIB de Laos e foram avaliadas em US$1,37B.

Ao mesmo tempo em que recusava a oferta a PanAust convidou o grupo chinês para estudar a sua contabilidade e aumentar a sua oferta de A$2.30 por ação.
Possivelmente o grupo chinês, que já controla 23% da PanAust, vai ceder e aumentar a sua oferta.

Rei dos diamantes relembra os tempos do garimpo

Rei dos diamantes relembra os tempos do garimpo

Mineiro volta ao lugar onde se tornou um milionário. Júlio Bento descobriu mina no Vale do Jequitinhonha. Pedras eram escondidas dentro de uma panela no acampamento.


No coração de Minas Gerais fica um lugar que já foi procurado por bandeirantes, aventureiros, e cobiçado por impérios. A história está nas ruas, nas casas, na alma da cidade, que tem no nome a riqueza e o destino de pedra: Diamantina. Ninguém sabe ao certo, mas calcula-se que da região tenham saído mais de 600 quilos de diamantes. E também de lá saíram outras pedras que se transformaram em joias belíssimas que ainda hoje brilham pelo mundo inteiro.

Quase três séculos de mineração deixaram marcas e mitos.

"Júlio Bento foi quem tirou mais diamantes. Ele até achou que era castigo tanto diamante", conta o empresário Fábio Nunes.

"Na região, o rei do diamante é Júlio Bento", confirma o taxista Sandoval Ribeiro, o Juca.

Júlio Bento, o rei do diamante, não gosta de revelar a idade, mas dizem que ele já passou dos 80. Fala menos ainda quando se trata de fortuna. Afinal, ele continua rico ou não? Seu Júlio voltou à Diamantina para mostrar o garimpo onde achou a primeira de muitas e muitas pedras valiosíssimas. Um tesouro encontrado justamente na região de Minas Gerais famosa pela pobreza, o Vale do Jequitinhonha.

A estrada é de terra, mas, naquele tempo, nem ela existia. Seu Júlio abriu as primeiras picadas e passou com uma tropa de mulas. De um trecho em diante, só com tração nas quatro rodas. Depois de uma hora de solavancos, chega-se ao local. Foi em um trecho do Rio Pinheiro que seu Júlio passou os primeiros cinco anos no garimpo.

Depois da investida dos bandeirantes, no Período Colonial, Diamantina viveu, na época de seu Júlio, uma segunda febre do garimpo. No começo dos anos 80, Diamantina chegou a ter mais de 30 mil garimpeiros. Só em uma mina trabalhavam 250 homens. Os diamantes que saíam da região espalhavam riquezas pelo Brasil inteiro e por outros países do mundo. Mas tudo isso tem um custo para a natureza: onde o garimpo chega, a paisagem muda. Areia que foi parar no meio do rio saiu de outro garimpo que ficava um pouco acima.

O leito do rio também foi desviado. Os muros construídos pelos garimpeiros ainda estão de pé. Seu Júlio volta a explorar o lugar, desta vez, para garimpar a própria história. Dois quilômetros adiante, um reencontro com o passado. O velho garimpeiro descobre o acampamento onde ele e os colegas passavam as noites.

"Ficou tudo do jeito que era porque a pedra protege. A comida era carne, arroz, feijão, verdura", lembra seu Júlio.

O homem que cozinhava para os garimpeiros hoje é chefe de cozinha em um restaurante de Diamantina. Mas, naquele tempo, Luiz Lobo – o Vandeca, como ainda é conhecido – tinha outra função, da maior importância: esconder os diamantes que seu Júlio tirava do rio.

"Seu Júlio confiava tanto em mim que eu tinha na cozinha uma panela que se chamava panela do segredo. Nem os cunhados dele sabiam onde eu guardava os diamantes. Eu guardava dentro de uma panela. Eu colocava as garrafas de diamantes e os pacotes de macarrão e de sal em cima, para que ninguém desconfiasse do que estava ali dentro. Ninguém nunca descobriu", afirma Vandeca.

Hoje seu Júlio vive em São Paulo. Além de não falar se ficou rico, ele não revela, nem mesmo, a quantidade de diamantes que extraiu. Mas, de repente, tira do bolso uma recordação dos velhos tempos: um diamante de quase cinco quilates. "Há mais de 20 anos eu guardo", conta.

Tantas lembranças deixam os olhos do velho garimpeiro brilhando como as pedrinhas que ele tanto procurou. "Dá vontade de chorar", diz seu Júlio, emocionado.