Graças ao Real fraco e aos preços do minério em queda, Vale tem prejuízo de US$1,44 bilhões
O resultado do último trimestre da Vale foi muito
abaixo do esperado. O mercado esperava um lucro de US$1,5 bilhões, mas o
que se viu foi um prejuízo de US$1,44 bilhões.
O prejuízo foi intensificado pela queda de 11% do Real em frente ao
Dólar entre junho e setembro. Como as dívidas da Vale são, praticamente
todas, em dólar, o enfraquecimento do real foi catastrófico para as
finanças da mineradora. Some-se a isso a queda no preço da venda do
minério de ferro, que para a Vale, neste período, foi de 36% e o
prejuízo está consolidado.
No trimestre a Vale elevou a sua produção de minério de ferro para 85,7
milhões de toneladas. Essa produção não foi toda vendida, o que
contribuiu para o resultado negativo: a mineradora teve que manter 9,3
milhões de toneladas de minério de ferro estocadas. O atraso nas vendas
se deveu aos fechamentos da estrada de ferro Carajás durante protestos .
Apesar dos péssimos resultados a Vale mantém o seu plano de aumentar a
produção, colocando a mina S11D em lavra. S11D irá produzir um minério
de alta qualidade que, possivelmente, será vendido a preços de 3 a 5
dólares a mais do que o minério 62% Fe.
As ações da Vale estão com o menor valor em mais de 5 anos.
PricewaterhouseCoopers se recusa a assinar o balanço trimestral e força a Petrobras a contratar auditoria externa
Enquanto todas as empresas já publicaram os seus balancetes trimestrais o mercado aguarda os da Petrobras.
Os casos de corrupção e desvios dentro da estatal, fizeram com que a
PricewaterhouseCoopers (PWC) resolvesse não assinar os balancetes.
Esses só serão assinados após a finalização de mais uma auditoria externa específica sobre os impactos causados na Petrobras.
O caso é extremamente sério e desmoralizante. A Petrobras, uma das
grandes petroleiras do mundo, com suas ações sendo negociadas nas bolsas
internacionais, se vê nas páginas policiais.
A PWC tem por obrigação fornecer ao público e acionistas uma visão
imparcial e precisa dos números que serão apresentados no balancete.
Neste caso a lei que define o nível de detalhe das investigações não é a
brasileira, mas sim a legislação americana sobre empresas listadas em
bolsas.
Duas empresas estão sendo contratadas: uma brasileira , Trench, Rossi
& Watanabe Advogados e outra americana, Gibson, Dunn & Crutcher.
Essas firmas irão levantar o real impacto dos casos de corrupção já
confirmados como o de Pasadena, Abreu e Lima, Comperj e outros na
Petrobras.
Somente agora a Petrobras deve iniciar, também, a sua própria auditoria interna.
Enquanto a lama é escavada dos porões da Petrobras o mercado aguarda os balancetes trimestrais. Um desastre!
Lobão sai na primeira semana de novembro
O Ministro Edison Lobão avisou ao seu staff que deve deixar o cargo já no início de novembro.
Lobão, considerado pelo setor mineral como o pior ministro a ocupar a
pasta na história do Brasil, foi apontado por Paulo Roberto Costa, na
delação premiada, como um dos envolvidos na corrupção da Petrobras.
Não foi a primeira vez que a mídia associou o nome de Édison Lobão a casos de corrupção e, possivelmente, não será a última.
Lobão, que se “popularizou” ao chamar as junior companies de
“aventureiros e especuladores” deixa o setor da pesquisa mineral
devastado pela falta de investimentos e pelo desemprego.
Ele voltará a assumir a sua cadeira no Senado.
Níquel em alta, Vale celebra
A produção de níquel da Vale no trimestre foi muito acima das expectativas.
A mineradora brasileira produziu 72.100 toneladas, a melhor produção
desde 2008. A produção do período foi 16% acima da medida no mesmo
trimestre de 2013.
Em 2014 a Vale já produziu 201.400 toneladas tornando factível a meta de
289.000t para o ano. Caso isso ocorra a Vale se tornará na maior
produtora de níquel do planeta, a frente da russa Norilsk Nickel.
A notícia não poderia ser melhor, já que os preços do níquel estão em
alta, atingindo US$15.300 nesta quarta-feira. No início do ano a
tonelada estava a US$14.000.
Os principais motivos desta alta estão relacionados à nova legislação da
Indonésia, que proíbe a exportação da laterita niquelífera para as
plantas de gusa-níquel da China e o fim dos estoques de minério de
níquel nos portos chineses.
Somente neste ano os estoques chineses caíram 17%. Estima-se que até
2015 eles poderão desaparecer se os chineses não conseguirem
substituí-los.
A tendência de alta deve permanecer à medida que os estoques estão em
queda e a produção de aço inoxidável em alta. Somente na China a
produção de aço inox subiu 16% no semestre.
Imagem, mina de níquel da Vale
Ingleses preocupados com a falta de ética na mineração
O Comitê de Negócios da Grã Bretanha publicou um extenso relatório sobre
as empresas de mineração britânicas, operando no exterior, que ferem as
leis e a ética através de procedimentos escusos.
Em especial, o Governo deverá agir contra aquelas empresa operando nas
regiões mais pobres, como alguns países da África, que adotam práticas
como suborno de agentes públicos, sonegação de impostos, crimes
ambientais e outros ilícitos para maximizar os seus lucros.
Um dos motivos desta ação são os escândalos que envolveram a mineradora
Cazaque ENRC, que teve que sair da Bolsa de Londres após atrair uma
péssima publicidade para a Bolsa.
A mineradora foi acusada de uma série de casos de corrupção na África,
que prejudicaram países pobres como A República Democrática do Congo.