sexta-feira, 10 de julho de 2015

Geologia do município de Formiga e adjacências:


Geologia do município de Formiga e adjacências:


 
Durante muito tempo a falta de material didático-científico referente à geologia da região de Formiga foi um empecilho para uma melhor compreensão do meio físico e mesmo das próprias causas dos elementos geográficos e biológicos que existem em nossa região. A falta de informações sempre levou a pesquisa para dados de outras regiões do país ou mesmo fora dele, sendo que aqui mesmo sempre tivemos tudo ao alcance das mãos, com a condição de ver e tocar aquilo que se estudava apenas na teoria. Sem maiores pretensões, esse artigo une parte do que já houve de pesquisa na nossa região por órgãos governamentais e ou particulares no tocante a geologia e também divulga a pesquisa que durante anos o autor fez na região. A ênfase em micro-ocorrências de minerais e rochas é uma das vantagens desse artigo, já que muitas das ocorrências minerais aqui citadas são desconhecidas no meio especializado. A iniciativa da faculdade em incentivar a divulgação destes dados para seus discentes, docentes e a população em geral é parte de uma nova e moderna mentalidade de universalização do conhecimento científico para atender a todas as necessidades da população em geral e fazer-se conhecer em outras partes do país como fonte geradora e divulgadora de conhecimento.
 
 
 
Introdução:
 
Para compreendermos melhor a região do município de Formiga em termos físicos, devemos associar os conhecimentos geográficos e geológicos para assim entendermos o que e como estes fatores influenciam, por exemplo, a fauna e flora locais.
O município de Formiga situa-se dividido, grosso modo, entre duas unidades geológicas importantes:
 
-         A Bacia Sedimentar do Grupo Bambuí(cambriano), onde o material rochoso mais conhecido e importante é o calcário em todas as suas gradações. Ocorrem também argilitos, margas, siltitos, conglomerados, brechas, arcósios(os três últimos são membros do denominado conglomerado samburá).
 
-         O Complexo Maciço Cristalino Arqueano correspondente aos terrenos constituídos de rochas granito-gnáissicas, cujo material mais conhecido é o que genericamente se chama de granito, embora ocorram outros tipos de rochas, consoante seus percentuais e proporções de feldspatos alcalinos e calcossódicos, máficos e o teor de sílica. Este material é amplamente explorado em nossa região e até exportado. Ocorre distintamente, hora em formas suaves, hora na forma de cristas apalacheanas, cuja característica é o relevo acidentado e escarpado no sul do município, oriundo de forças tectônicas de dobramento. Cita-se também grupo Canastra (pré-cambriano), com seus quartzitos e filitos micaxistos
 
 
Conhecendo melhor cada uma das unidades:
 
 
A Bacia Sedimentar:
 
A área sedimentar conhecida como Grupo Bambuí do município é muito importante devido à suas abundantes reservas de calcário. Esse calcário (em parte meta-calcário devido a processos de metamorfismo de baixo grau) representa uma riqueza e fonte de divisas muito importantes para o município de Formiga, dada a sua qualidade e facilidade de exploração, pois as pedreiras estão acima do nível do solo. Com o desmembramento do agora município de Córrego Fundo, as jazidas importantes de calcário no município de Formiga diminuíram muito, bem como a arrecadação de ICMS sobre o produto bruto e industrializado, mas para fins didáticos a região de Córrego Fundo será incluída neste estudo. Outro problema relacionado a isso é que mineradoras de fora que detém registro na nossa região descobriram brechas na lei para que, mesmo sem explorar, não percam o direito de lavra. Esse absurdo burocrático fez com que recentemente manifestações de pequenos mineradores da região interditassem a rodovia MG 050 em junho de 2004, numa manifestação pacífica.
O calcário é assim definido de maneira simplificada para facilitar a compreensão, mas o que acontece é que a sua composição mineralógica vai variando com a profundidade, pelo fato de certos minerais serem mais solúveis do que outros. Assim, um corte em uma pedreira vai exibir em seus extratos calcários com diferentes teores de cálcio, magnésio, sílica e outros. Associados a ele encontram-se outros tipos de rochas e minerais que pertencem a períodos geológicos distintos e aparecem em várias áreas com freqüência e intimamente associados.
Os solos oriundos de calcários e margas(argilas calcárias)são normalmente muito férteis e procurados para exploração agrícola. Muitos deles são eutróficos (auto - suficientes) em vários sais minerais essenciais às diversas lavouras, além de possuírem um bom percentual de matéria orgânica e boa retenção de água em seus poros e microporos. Obviamente há exceções.
O relevo kárstico é comum na região calcária devido à incrível dinâmica estrutural deste tipo de rocha. Sua solubilidade em ácidos presentes na água que percola o solo e os próprios maciços faz com que um relevo característico seja desenhado nessa área, sendo que as partes menos solúveis formem testemunhos temporários da ação erosiva das águas. A estrutura dos maciços rochosos é bem imponente e revela a erosão diferencial na rocha, devido a diferenças químico-fisicas em sua estrutura. Locas e grutas são formadas devido à dissolução da rocha calcária pelas águas carregadas de ácido carbônico e mesmo ácidos húmicos provenientes da matéria orgânica do solo. O abatimento de tetos de cavernas origina dolinas que, em certos casos, contém água formando lagoas. Há também o relevo kárstico esculpido sob pressão, ou seja, puramente por forças gravitativas das águas, pelo seu impacto sobre as estruturas calcárias. É fácil notar-se o diaclasamento vertical dos calcários associado aos seus planos de acamamento, o que permite que lajotas sejam retiradas para fins diversos, principalmente calçamento em áreas onde eles abundam.
 
                          
                     Esquema de modelo kárstico – dissolução e deposição do maciço
 

Calcário com caneluras de dissolução evidenciando erosão
Diferencial - Formiga-MG

A erosão diferencial é um fato digno de nota quando se observa essas rochas, particularmente as que sofrem ação de polimento das águas de rios. A água desgasta mais profundamente aqueles extratos mais moles e incoesos, ressaltando estruturas formadas por acúmulo de sílica e outros materiais.
As formações Sete Lagoas e Santa Helena são de origem marinha (argilitos, margas, brechas), resultantes de uma transgressão marinha(avanço do mar no continente devido à isostasia – levantamento ou abaixamento continental)que cobriu extensas áreas do Cráton (estrutura cristalina e estável do complexo arqueano)do São Francisco, durante o proterozóico superior. Essa sedimentação realizou-se em superfície peneplanizada, de águas rasas e ambiente de baixa energia, caracterizando uma bacia intracratônica. Os calcários correspondem às fácies químicas desta sedimentação e o restante dos materiais depositados é de origem clástica. A existência de superfície de erosão nas camadas de brechas intraformacionais (rochas sedimentares clásticas formadas com material in loco) e indícios de estruturas estromatolíticas (formas fósseis de organismos como algas unicelulares com disposição de crescimento e mineralização em camadas nas rochas) indicam que o ambiente apresentava-se ainda relativamente enérgico durante a deposição química dos calcários (in RADAMBRASIL, 1.983). A presença de conglomerados também é comum, embora os agentes de arredondamento de material clástico em nossa região não sejam tão severos quanto em outras.
É interessante notar a variedade de material clástico nos locais citados. A presença de limonita nos sedimentos é marcante e também a presença de óxidos de manganês, muito abundantes na nossa região. A sua solubilidade faz com que se acumulem em quaisquer fissuras nas rochas, formando formas dendríticas de aspecto variado. Há brechas, conforme será citado, cujo agente cimentante é oxido de manganês e em alguns locais encontramos pequenas cavidades ou geodos com formas renimorfo-estalactíticas de aspecto aveludado constituídas provavelmente de pirolusita (MnO2).  


 
Concreção limonítica com pirolusita(negra) e ocre amarelo
Morro das Balas – Formiga-MG

 
 
                           Do ponto de vista tectônico, o grupo Bambuí foi afetado de modo irregular, ocorrendo regiões onde as rochas quase não sofreram deformações e outras onde as rochas foram deformadas por dobramentos. Essas deformações, datadas do brasiliano, são relativamente suaves e aumentam de intensidade em direção à borda sul do cráton do São Francisco. São dobramentos concêntricos, que formam sinclinais e anticlinais com eixos de direção NNW a NW(Segundo dados do projeto RADAMBRASIL- 1983). 
 
 
Alguns tipos de rochas sedimentares de nossa região:
 
A fim de se registrar para estudo algumas variedades de rochas sedimentares, citaremos e faremos alguns comentários a respeito de algumas delas. Os nomes são simplificados de maneira geral.
 
 
-         Argilitos amarelos: muito suaves ao tato, pertencem à formação geológica chamada de Sete Lagoas. Umedecidos ou bafejados cheiram a barro. São chamados de GIZ no meio rural, provavelmente porque servem para escrever muito bem em uma lousa. Muitas vezes estão alternados com siltitos, formando belos contrastes de cor. Ocorrem no Morro das Balas, Luanda, etc...Na verdade ocorre uma enorme gradação de cores que varia do vermelho até o amarelo claro, dependendo do teor de ferro. A presença de impregnações e dendritos de MnO2 é bem comum nestas rochas. Próximo a Carbofer, na Br 354, sentido Formiga-Arcos percebemos no corte do barranco a presença destas rochas formando camadas onduladas(pequenas sinclinais e anticlinais). Sua ocorrência está relacionada a uma transgressão marinha, conforme já foi falado. Podemos ver também a área de contato entre estas rochas e as rochas do embasamento cristalino, podendo também ser observados alguns veios de quartzo que os cortam em muitos pontos. Este quartzo está associado à pirita(já alterada) e a minérios de ferro e manganês. Há espécimes de argilito com uma litificação mais desenvolvida, como é exemplo os da região da Taboca, próximo ao trevo de acesso para Pains. Estes espécimes são bem duros e resistentes, mostrando uma estratificação bem desenvolvida.
 
-         Siltitos –comumente também chamados no meio rural de “giz” juntamente com os argilitos. Freqüentemente coloridos por óxidos de ferro e matéria orgânica, sua cor varia consideravelmente. Apresentam-se em extratos ou camadas que se subdividem com facilidade. São mais ásperos que os argilitos porque sua granulação é maior. Bafejados também cheiram a barro. Ocorrem, por exemplo, na Luanda, Morro das Balas, na região da Taboca, etc...Alguns deles apresentam dendritos de óxido de manganês, o qual é endêmico em nossa região.
 
-         Sílex – uma rocha biogênica do grupo dos acaustobiólitos (rochas de origem biológica não combustíveis), formada de carapaças silicosas de organismos marinhos. Muito usada para confecção de armas pelo homem neolítico devido a sua grande dureza e a seu corte incisivo. Na localidade da Vendinha ocorre nos barrancos das estradas vicinais filões de sílex cujos fragmentos alcançam 4cm. Provavelmente há locais com fragmentos bem maiores. Eram muito usados para se produzir faíscas(pederneiras) em bingas e armas de fogo antigas. Seu corte é extremamente incisivo, mais fino que o de bisturis. É interessante notar que a ocorrência de sílex normalmente está associada à ocorrência de calcários, e o que se observou ali foi que o sílex se preservou por ser muito resistente ao intemperismo, ao passo que o calcário que o continha transformou-se em solo, já bem laterizado. Possivelmente haja sílex em toda a região relacionada aos calcários, mas por enquanto aquele local é a ocorrência mais importante.
 
 
     
       Sílex – Vendinha, Formiga-MG
 
-         Brecha – rocha sedimentar composta de fragmentos de outras rochas unidos por um agente cimentante natural que pode ser de natureza silicosa, calcítica, limonítica ou outro. Uma delas em particular descoberta por nós tem como agente cimentante o óxido de manganês, o que a torna um minério em potencial. Seus clastos(fragmentos) são de natureza síltica e também quartzosa. Há exemplares apenas com quartzo, sendo que muitos dos cristais ali presentes são transparentes e euédricos, sem evidências significativas de transporte hídrico ou de outra espécie que os danificasse por abrasão ou polimento, o que as caracteriza como intraformacionais. Em muitos lugares as brechas e os conglomerados são portadores de ouro e diamantes, o que infelizmente não acontece por aqui.
 
-         Conglomerado - como o anterior, só que os fragmentos são de quartzo e estão arredondados, revelando transporte fluvial. Ocorre, por exemplo, na região de Cunhas. Os fragmentos podem ser de outra natureza também, embora o quartzo seja o mais resistente e o mais freqüente nesse tipo de rocha. sua compacidade, como no caso anterior, é variável de acordo com o agente cimentante e com a natureza dos clastos.
    
 
 
 
 
        Conglomerado exibindo clastos arredondados
 
 
-         Calcário calcítico – com pequena % de magnésio (MgO) – é o calcário mais comum na nossa região e o mais utilizado na agricultura e em atividades industriais, tais como a fabricação de cimento e de cal. O teor de magnésio no calcário o inviabiliza para alguns usos industriais, acontecendo o mesmo com a sílica.
 
-         Calcário magnesiano – maior % magnésio(MgO) até 5%: tem boa aplicação como corretivo de solo e como fonte de magnésio para as plantas.
 
-         Calcário dolomítico – é um calcário com maior % de magnésio, entre 5 a 21%. Esse percentual varia com a profundidade ou nível onde foi coletada a amostra para quantificação, já que fenômenos de maior ou menor solubilidade de sais os concentram em regiões definidas. O mesmo acontece com o teor de sílica. Acima de 21% o material é chamado de dolomito(não confundir com dolomita-mineral e com dolomita- tipo de rocha constituída praticamente só de dolomita cuja denominação causa confusões), oriundo de um processo marinho chamado de dolomitização, onde o magnésio da água do mar substitui em grande parte o cálcio da rocha. é interessante dizer que nesse processo de natureza química qualquer fóssil existente na rocha será destruído.
 
-         Espeleotemas(estalactites, estalagmites, helictites, colunas, cascatas, cortinas e outros)- são estruturas formadas em grutas e locas devido a dissolução do calcário pela água carregada em ácido carbônico e posterior deposição/recristalização dos sais dissolvidos em ambiente propício, num lento gotejar. Esta precipitação de carbonato é concêntrica e isto é facilmente notado quando se manuseia um exemplar de estalactite. Sua consistência é variável e depende de sua idade e do rigor do processo de formação. É um processo bem variável e depende da permeabilidade do solo, presença de fendas e diáclases no maciço calcário, teor de matéria orgânica no solo, porosidade, entre diversos outros. O clima é fator chave nesse processo. Em alguns casos, as capas concêntricas podem se destacar e formar estruturas ocas, o que revela além do próprio processo concêntrico de formação uma não homogeneidade em sua composição geral e na velocidade e constância do processo de deposição(período de seca/chuvas). A forma com que se apresentam empresta nomes característicos. Estalactites apontam para baixo, estalagmites apontam para cima, colunas são oriundas da união de estalactites e estalagmites. Helictites são estalactites que crescem para os lados e até para cima, contrariando as leis da gravidade. Isso se dá devido às forças de cristalização e crescimento dos cristais formados. Em alguns casos podem se formar eflorescências de calcita e, mais raramente, de aragonita.

 

         Espeleotemas – estalactites e estalagmites
 
 
-         Nódulos de óxidos de ferro, manganês e outros- oriundos de precipitação química e ou biológica em meio aquoso e posteriormente englobadas pelos sedimentos, formando em certos casos um conglomerado rico em óxidos metálicos semelhantes àqueles que ocorrem no assoalho marinho. Na região calcária é notória a quantidade de glóbulos de óxidos de manganês e ferro no solo. Uma origem laterítica não é de forma alguma descartada, já que em outros locais isto acontece. O fato de serem nódulos levanta a suspeita de origem em meio aquoso.
 
-         Concreções argilo-limoníticas(lateritos): Tais formações rochosas são abundantes em toda a nossa região e variam sensivelmente de composição de um local para outro. Algumas apresentam uma pós-mineralização de quartzo em suas fraturas, formando um interessante mosaico de quartzo engrenado. Associações com óxidos de manganês são comuns e mesmo pequenos geodos(cavidades contendo cristais) de manganês são encontrados em cavidades dos filões de quartzo. Seus aspecto é aveludado porque os cristais de pirolusita são minúsculos. Recentemente foi descoberto por nós mais pequenos geodos em lateritos limoníticos bem próximo ao local dos geodos de pirolusita. Tais cavidades estão atapetadas de minúsculos e reluzentes cristais ainda não identificados com clareza, mas de grande beleza e aparentam ser de quartzo. Algumas destas cavidades possuem uma mineralização botrioidal de cor branca, ainda desconhecida por nos também, mas que pode ser de sílica amorfa. Tais formações foram descobertas no Morro das Balas em 10/06/2004.
Não podemos esquecer de que os processos de laterização atingem qualquer solo em nossa região, logo, solos de origem calcária podem conter lateritos de idade bem mais recente.
 
-         Impregnações de diversos óxidos em rochas diversas- óxidos e hidróxidos trazidos em soluções aquosas formam formas dendríticas e outras em rochas diversas. Embora não sejam rochas, os óxidos são citados aqui como uma curiosidade, já que sua deposição nas fraturas e diáclases das rochas é por um processo sedimentar. A água, ao evaporar, deposita os óxidos de forma dendríticas, mas sempre obedecendo às normas de disposição química dos cristais, o que se revela sem muito trabalho utilizando-se a lupa binocular em laboratório.
 
-         Sílica amorfa- em parte provavelmente opalina, presente na localidade Vendinha. Costuma estar capeada por pirolusita botrioidal. É encontrado na região calcária também alguns fragmentos que parecem ser sílex alterado, muito branco, a confirmar.
 
-         Lateritos placóides - além da terminologia edáfica, este termo refere-se ao material argiloso com elevada % de óxidos e hidróxidos de ferro que ocorre na região. Apresenta-se a uma profundidade média de 40cm no local observado e forma um perfil característico de placas, paralelo ao horizonte de solo. Muito freqüente na região de Cunhas e estas placas apresentam cores distintas, de acordo com o grau de hidratação em que se encontram, ou seja, relação göethita/hematita. Trata-se de um enriquecimento secundário do horizonte especifico do solo devido à lixiviação e lavagem de sais e óxidos das camadas superiores. Processo parecido se dá na formação dos bauxitos(rocha-minério de alumínio).
 
-         Tapiocangas (ou couraças ferruginosas) – genericamente são conglomerados de concreções limoníticas, ou seja, concreções globulares unidas por um cimento também limonítico. Nota-se aí dois processos: o da formação das concreções e o de sua posterior cimentação e ocorrem em regiões de estação seca bem marcada. São comuns também nas savanas africanas. O aspecto deste material é vesicular, coriáceo e bem estável.
 
-         Marga- um calcário com alta % de material argiloso e que faz transição para uma argila calcária. Pode-se considerar a definição de que é uma argila enriquecida em calcário. Existem todas as transições possíveis e nem sempre é possível situar a rocha com precisão. Em perfis de paredões calcários é possível notar várias gradações. Há vários afloramentos deste material na região da Taboca, próximo ao trevo de acesso para Pains. São bem estratificadas e sua coloração é variável de acordo com as impurezas, mas predominam o verde claro e o violeta-amarronzado. Provavelmente tais cores são devido à pirita autigênica finamente disseminada, matéria orgânica e óxidos de ferro.
 
-         Arcósio- um arenito com elevada % de feldspatos, fato que lhe empresta a aparência grosso modo de um granito. É formado através da desagregação física dos granitos e posterior cimentação, sem que haja um processo intempérico que descaracterize os fragmentos da rocha.
 
-         Arenito- composto predominantemente de grânulos de quartzo. Em Cunhas encontramos arenitos altamente ricos em óxidos de ferro associados aos conglomerados com igual agente cimentante. Sua consistência é frágil e praticamente pode-se destruí-los com as próprias mãos. Em íntima associação com esse material encontramos abundantes lateritos placóides com formações mamelonares-globulares.
 
-         Areia pertencente ao grupo de rochas sedimentares não consolidadas ou clásticas, ela é oriunda da decomposição de rochas granito-gnáissicas da nossa região e, através da ação seletiva dos rios pela gravidade, tendem a se concentrar em perfis definidos. Sua exploração predatória tem sido muito prejudicial, causando assoreamento dos rios e conseqüentemente seu comprometimento para com as arvores que o margeiam, bem como todo o resto. Este nobre material não deveria ser vendido fora daqui; deveria ser usado apenas para consumo interno, sem maquinário(dragas). Nossas areias são predominantemente quartzosas, com menor porcentagem de feldspatos meteorizados e diversos óxidos metálicos.
 
-         Saibro é o material granítico decomposto. Contém areia e caulim. Ocorre em toda a região granítica e é amplamente usado na construção civil. As áreas de litossolos contém muito saibro. Ex- Morro do Cristo. 
 
-         Argila ocorre concentrada principalmente nas várzeas, no leito dos nossos rios, sendo amplamente utilizada para a confecção de telhas e tijolos. Normalmente é cinza devido à presença de ferro bivalente, mas ocorrem outras cores, inclusive branca, o que atesta um grau maior de pureza. No nosso município a argila é muito explorada para fabricação de tijolos e de telhas.
 
-         Turfa – É encontrada, por exemplo, na região da cachoeira do areião e trata-se do primeiro estágio da carbonização da matéria orgânica. Como é característico neste tipo de rocha, encontramos abundantes raízes e folhas que ainda não se decompuseram no meio do material.
 
-         Caulim – refere-se aqui a caulinita impura. É de coloração rósea a branca. É usado como material inerte em rações, medicamentos, etc... e também na fabricação da porcelana. Há várias ocorrências deste material onde diques de pegmatito alterado cortam nossos granitos. É um dos constituintes do saibro.
 
                           Basicamente os materiais que ocorrem são estes, com suas variedades locais, com suas impurezas características. Deve-se notar que em diversas partes das jazidas calcárias do nosso município e dos municípios vizinhos ocorrem impregnações de diversos minerais que preenchem fraturas e diáclases no maciço calcário e que podem formar reservas em potencial de minérios estratégicos para o mundo moderno. Como exemplo, podemos citar as mineralizações metassomáticas de galena(minério de chumbo de fórmula PbS), calcopirita(minério de cobre de fórmula CuFeS2) e esfalerita(minério de zinco de fórmula ZnS) que, levando- se em conta o volume de rocha que os contém, podem se tornar muito importantes no futuro. Em muitas ocorrências a galena costuma ser argentífera e com isso um subproduto importante pode ser retirado- a prata. Esta galena ocorre em concentração em uma localidade de Pains chamada Mina. Sua siderurgia é simplória e muita gente coleta para fazer chumbadas de pesca. Esse é um hábito perigoso, porque os vapores de chumbo derretido são muito tóxicos, para não falar dos vapores de enxofre e arsênico. Estas mineralizações ocorrem devido às soluções aquosas ricas em íons não metálicos e metálicos que percolam as fraturas e poros das rochas durante o processo metassomático pneumatolítico e hidrotermal, envolvendo temperaturas mais elevadas. Estas soluções ascensionais provém de magmas ricos em água, metais e enxofre e, percolando entre as diáclases e fraturas das rochas as alteram e  cristalizam seus minerais nestes locais. A natureza dos maciços calcários também é muito propícia à formação de minerais autigênicos.
                            O relevo da região calcária é um espetáculo a parte devido à imponência de suas formas. A erosão diferencial se faz sentir nas diversas camadas do calcário, dependendo de sua composição mineralógica e de sua resistência física. Chama-se karst o resultado erosivo sobre ele, revelando formas como grutas, lapas, dolinas, funis, etc...Existe uma exumação progressiva deste karst que progride em direção a Pains, onde atinge seu ápice com pedreiras fabulosas. A espeleologia da região é muito interessante, apesar de ainda ser pouco estudada. Infelizmente as minerações destruíram muito destas belezas naturais e acervos científicos.  


 
CURIOSIDADES:
 
                     Na bacia sedimentar em questão encontramos muitos indícios de antigas aldeias indígenas. Encontramos uma grande profusão de artefatos indígenas tais como machadinhas, almofarizes(pistilo), pontas de flecha confeccionadas em quartzo e sílex, raspadeiras, meia-lua, urnas mortuárias, panelas e vasilhames diversos feitos de barro. Os artefatos que são esculpidos em rocha são normalmente de diabásio, rocha escura e resistente que tem que ser coletada em locais específicos.
                     Existem estes indícios em outras áreas também, mas ocorrem principalmente na área calcária devido à abundante fauna e flora do local, básicos para sobrevivência, além da presença de grutas e locas que serviam como moradias. Associados a esta fantástica profusão de objetos antigos, encontramos registros fósseis, onde o mais famoso foi o Mastodonte descoberto por pescadores na divisa de Pains c/ Córrego Fundo em meados de 2.001 e que causou frisson na mídia. Ossos diversos e dentes tem sido achados dentro de cavernas e áreas afins por várias pessoas e, no caso do mastodonte, sua idade oscila entre 12.000 e 15.000 anos. Geologicamente isso não representa muito em termos cronológicos, mas é de extrema importância para o estudo da extinta fauna local. Não raro encontramos conchas fossilizadas em margas e calcários terrosos, além de fragmentos de ossos também parcial ou totalmente mineralizados.
                       Há que se observar que a composição químico-mineralógica de um maciço calcário não é constante e varia com a profundidade devido a fatores como solubilidade de seus componentes, fatores geológicos e também o teor de sílica. Quem explora pedreiras calcárias sabe muito bem que teores variáveis de sílica ou magnésio comprometem a utilização do calcário para esta ou aquela finalidade.
 
 

 

O Complexo Cristalino

  

 
                        Conforme foi dito antes, o complexo cristalino compreende as áreas não sedimentares da região, ou seja, corresponde ao que chamamos genericamente de rochas granito-gnáissicas, embora existam dentro delas diversas variações em termos de composição química e mineralógica e inclusive de grupos de rochas félsicas (claras e ácidas) e máficas (escuras e básicas). Na verdade, o pacote sedimentar repousa sobre a área cristalina. O que chamamos de granito na verdade corresponde a uma grande família de rochas análogas que contém variações constantes em sua composição, principalmente no seu teor de sílica. Quanto menor o teor de sílica, geralmente mais escura será a rocha e, genericamente falando, mais férteis serão os solos por elas originados. Um exemplo disso é uma outra família de rochas – as rochas basálticas, que originaram as famosas terras roxas do sul do país, riquíssimas em nutrientes essenciais para as plantas.
                         Nós temos aqui algumas ocorrências desta rocha e, principalmente, de sua correspondente – o Dolerito (diabásio). Existem em nossa região vários diques de dolerito. Para explicar melhor, dique é uma formação geológica que mede centenas de metros e até quilômetros de comprimento por uma largura que varia de centimétrica até decamétrica. É como uma gigantesca lâmina rochosa que corta os terrenos e as rochas. Os diques de dolerito do município de Formiga têm uma composição totalmente diferente dos granitos que o cercam, sendo este fato nitidamente comprovado logo depois da ponte da usina velha, na Br 354. Aquela região apresenta afloramentos enormes de “granitos” que podem ser constatados sem dificuldade.
                         Excetuando a porção sul do município onde o relevo é acidentado, o embasamento cristalino gera formas de relevo de contornos suaves, tais como o morro do Cristo, o morro da melancia e tantos outros aqui. Outra exceção a fazer é a respeito da face do morro onde o rio Formiga margeia. Devido a maneira abrupta com que ele se apresenta em termos de inclinação, nos idos de 1.980 alguns matacões de granito tiveram que ser detonados para evitar possíveis desabamentos sobre a linha férrea e sobre as casas ali existentes.
                        Toda a área cristalina de Formiga é rica em material ornamental, que é muito utilizado no município como revestimento e pisos de casas. Rochas metamórficas como os micaxistos e quartzo-micaxistos são muito usados para acabamento em construções e são facilmente retiradas de suas jazidas porque se dividem com relativa facilidade graças à sua xistosidade e foliação. Sua aceitação é muito grande porque causam um belo efeito e também pelo preço atrativo. Sua impermeabilização com resinas ou vernizes é aconselhável porque é sensível ao ataque físico-químico pela água, o que diminui sua coesão e o leva a se desintegrar lentamente.
                         Outro fato interessante a ressaltar é que, quando se vê uma das muitas cachoeiras no nosso município, vê-se também uma parte da história geológica do local. O uso de cachoeiras para lazer em nossa região já faz parte do folclore local e existem aqui belíssimos locais para esse divertimento que, com certeza, já fez parte da infância de muitas pessoas. Na maior parte delas a água corre sobre um substrato granítico. Uma famosa exceção é a cachoeira da cerâmica, cujo substrato é dolerítico. Obviamente, as praias de areias brancas só se formam onde as rochas são ácidas, ou seja, apresentam um elevado teor de sílica. Nestas rochas, o teor de sílica do magma que as formou era tão elevado que, depois de formar todos os minerais possíveis, o restante da sílica cristalizou na forma de quartzo e é justamente este quartzo que é o principal constituinte de nossas areias. Isto se dá porque o quartzo é bem resistente ao intemperismo físico e químico.
                        As cachoeiras e outras quedas diversas ocorrem onde existem falhas, diques ou encaixes nas rochas, em calhas sinclinais e ou fraturas. Nelas vemos o perfil da rocha perfeitamente polido pelas águas e na maioria das cachoeiras de origem granítica notamos uma mistura de partes claras com partes escuras. Olhando com atenção, percebemos que um magma de cor clara(ácido) envolveu uma rocha escura(dolerito, gabro, anfibolito, piroxenito) e começou a se misturar com ela, mas não totalmente. Vemos então grandes massas de rocha escura amalgamados pela rocha clara e intimamente associados a ela. A esta rocha mista damos o nome de Migmatito e ela é típica do Cambriano brasileiro e muito comum em nossa região. Nota-se macroscopicamente uma fase ígnea permeando as rochas e misturando-se a elas em proporções variáveis. A parte mais escura e mais antiga da rocha recebe o nome de paleossoma. A rocha mais nova é o neossoma. Chama-se anatexia ou anatexis o fenômeno de fusão de uma rocha preexistente por um magma qualquer e chamamos de xenólitos os blocos de rocha de composição diferente da rocha que os envolve. Isto tudo é facilmente constatado nos locais citados. É possível reparar também que a rocha escura é mais resistente à erosão pela água corrente do que a fase mais clara. Em época de chuvas é comum a formação dos sumidouros nos sopés das cachoeiras devido ao revolvimento da areia e deposição de argila em suspensão. Infelizmente tal evento já ceifou muitas vidas pois a água, encontrando uma passagem entre encaixes nas rochas submersas, age com tal força que um indivíduo não consegue se livrar e acaba sendo sugado.
Uma variedade de migmatito que ocorre por aqui é o agmatito, termo citado no excelente Glossário Geológico do professor Manfredo Winge, da Universidade Nacional de Brasília e se refere a um tipo de rocha que evidencia em sua estrutura um aspecto brechóide, formando um tipo de mosaico com o paleossoma. Devido a isto, a rocha fica um pouco semelhante às brechas sedimentares verdadeiras. Já foram presenciados imensos blocos de rochas graníticas claras destacando em seu interior um xenólito de rocha bem escura, destoante do conjunto. Outro fato a se considerar é o de que a zona de contato entre a fase escura e a fase clara é constituída de minerais biotíticos, formando uma nítida camada sobre os piroxênios/anfibólios do paleossoma. Isso se dá devido a metamorfização dos minerais preexistentes pelo efeito da alta temperatura da massa ígnea. Isso faz com que a boa clivagem da biotita permita que se parta essas rochas bem nestas áreas limítrofes, onde sua coesão é muito menor.
                     Devido à boa clivagem dos abundantes feldspatos presentes na rocha, diria uma boa fissibilidade, nossos granitos se partem bem em certos planos. Este termo, que é mais empregado para rochas sedimentares e metamórficas, exprime a facilidade que a rocha tem de se partir em certos planos. Nossos granitos são muito trabalhados para se fazer paralelepípedos e meios-fios. Ao contrário do que muitos pensam, aquele material do calçamento de ruas não é serrado; é partido com marretinhas e se divide em três planos quase ortogonais muito bons. Só para ilustrar, a conhecida ardósia(rocha metamórfica regional de baixo grau) tem geralmente um ótimo plano de fissibilidade, ou seja, ela se divide em placas perfeitas. Esse fenômeno é chamado de clivagem ardosiana.
 

Comentários:


A pesquisa de campo revela que existem muitos lugares de interesse científico e que devem ser melhor estudados e explorados. A exemplo do levantamento feito pela Geominas durante o Plano de Ação Imediata na década de setenta, posteriormente pelo projeto RADAMBRASIL, a pesquisa de ocorrências e micro-ocorrências minerais deve ser estimulada. Este autor sempre deu muita importância às micro-ocorrências porque podem ser muito interessantes e de materiais raros. Estas micro-ocorrências dificilmente são incluídas nos levantamentos e isso se torna um interessante campo de pesquisa. Como exemplo, podemos citar a ocorrência de geminados de marcassita em uma área até então restrita na região da Luanda. Materiais de alto valor ornamental tem sido amplamente pesquisados por este autor para sua possível utilização em objetos de arte industrial e como uma fonte alternativa de renda para os artesãos de nossa região. Um destes materiais, um Metadiabásio porfiróide para ser mais exato, está exposto na página do Museu de Mineralogia e Petrologia prof. Luiz Englert, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, fato que muito nos honrou. O apoio do professor, geólogo e amigo Heinrich Theodor Frank muito contribuiu para realização deste artigo e é dele o crédito da foto em questão.

 
Alguns tipos de rochas magmáticas e metamórficas que ocorrem no município de Formiga:
 
                  Para conhecimento geral vamos citar algumas variedades de rochas e tecer alguns comentários sobre elas. Muitas são conhecidas do grande público; outras nem tanto. Algumas delas estão representadas nas fotos que ilustram o presente artigo.
 
1)     Rochas Magmáticas 
 
·        Granito e suas variedades- genericamente chamamos de granito uma grande família de rochas com composição mineralógica parecida e que são abundantes em toda a nossa região. Saindo de Formiga para Campo Belo, transitamos entra as cristas apalacheanas da porção sul do município. São grandes afloramentos de rochas graníticas formando um relevo acidentado e nos cortes da estrada é possível constatar sua cor rosada. Fato digno de nota é que todos estão mais ou menos afetados pelo metamorfismo
 
·        Pegmatitos – formam diques preenchendo fraturas e diáclases dos granitos. São riquíssimos em feldspatos e quartzo, formando grandes cristais de feldspato. Em Santo Antonio do Monte-MG, por exemplo, encontramos o pegmatito gráfico que apresenta um mosaico de quartzo e feldspato que lembra caracteres cuneiformes tipo runas. Ainda não foi encontrado por aqui, mas é bem provável que exista.
 
 
·        Anatexito – considera-se aí o máximo da refusão de rochas pré-existentes onde dificilmente se reconhece algum vestígio da rocha mais antiga(paleossoma)
 
 
·        Gabro – considera-se o verdadeiro gabro plutônico, de granulação grosseira e sua identificação é difícil porque tem a mesma composição mineralógica do dolerito. Ele é o equivalente de solidificação do magma a grandes profundidades, o que permitiu que sua granulometria fosse mais desenvolvida. Em muitos casos, para a correta diferenciação entre um e outro, tem que ser através de sua formação no terreno, se em formas injetadas ou não.
 
 
 
Exemplar de gabro
                  
 
·        Metadiabásio porfiróide – belíssima rocha apresentando grandes fenocristais de plagioclase cálcica com um tom esverdeado, devido à damouritização. A piroxena presente na rocha é uma augita que está anfibolitizada e, com isto, apresenta uma coloração esverdeada também. Essa rocha é fortemente magnética devido a concentração elevada de óxidos metálicos magnéticos. Ainda não foram localizados muitos afloramentos da rocha, mas a Cachoeira da Cerâmica é um corpo rochoso de metadiabásio. Ocorre no Morro do Peão, na Mina Santa, etc...porque seu dique atravessa uma grande extensão de terras. Há relatos desta rocha em Camacho-MG
           
              Metadiabásio porfiróide bruto e polido
                   Morro do Peão-Formiga-MG
                           
 
·        Dolerito(diabásio) comum – de aspecto bem mais modesto, mas ainda apresentando alguns fenocristais esparsos, sem muito atrativos. Parece não estar anfibolitizado e sua cor é cinza-escura. Ocorre, por exemplo, na área da ASADEF. Seus diques parecem estar interagidos com os diques do Metadiabásio porfiróide em pelo menos dois locais estudados. É possível também que se trate do protólito, ou seja, a rocha cujo metamorfismo originou o metadiabásio. Possivelmente há locais onde este pretenso protólito tenha mais fenocristais. Como foi um metamorfismo de baixo grau, é possível que existam todas as gradações possíveis de acordo com a influência sofrida por temperatura e pressão.
 
·        Basalto – ocorre muito limitadamente em certas regiões do município e alguns contém fenocristais de plagioclase cálcica. Ocorre na área da ASADEF. Esta classificação teve como base apenas a sua granulometria, invisível a olho nu e sua associação com os corpos diabásicos da região.
 
 
 
 
2) Rochas Metamórficas
 
·        Migmatito – como já foi citado, esta rocha é muito abundante em toda a área cristalina e forma mosaicos muito interessantes. Existem variedades e transições quanto ao grau de migmatização ou anatexia do protolito. Neles destacam-se cristais de magnetita e muitas fraturas preenchidas por quartzo filonar e pegmatitos.
 
 
 
 
 
 
 
Migmatito – Cachoeira do Areião
Formiga-MG
Migmatito – Cachoeira do Areião - Formiga-MG
 
·        Agmatito – conforme exposto anteriormente, na cachoeira do areão podemos verificar esse tipo de rocha em uma escala maior, ou seja, com grandes porções de rocha escura envoltas por rocha clara.
 
·        Gnaisse, mica-gnaisse, anfibólio gnaisse, etc...- muitos são explorados e vendidos como material ornamental. Apresentam foliação mais ou menos desenvolvida de acordo com sua composição mineralógica e são comuns por aqui. Cabe citar que existem basicamente dois tipos de gnaisse – os ortognaisses, oriundos de rochas graníticas e os metagnaisses, oriundos de rochas sedimentares e ou metamórficas tais como filitos e micaxistos.
 
·        Anfibolito e piroxenito- provavelmente o paleossoma dos migmatitos daqui é de natureza anfibolítica ou piroxenítica. Os anfibolitos são rochas metamórficas constituídas principalmente de horblenda, que é um anfibólio escuro. Já os piroxenitos constituem-se basicamente de piroxênios, mormente a augita.
 
·        Quartzito, quartzito sericítico, etc... – com variados graus de metamorfismo.
 
·        Sericita-xisto – também incluído no grupo dos micaxistos ou genericamente falando- xistos. É uma rocha metamórfica de mesozona e apresenta um aspecto sedoso e um brilho parecido com o metálico, de acordo com sua pureza.
 
·        Micaxisto muscovítico, biotítico c/ minerais acessórios – na localidade da Luanda há uma jazida desta rocha e a mesma é explorada. Parte-se facilmente e é fácil de se trabalhar, sendo retirada com fins ornamentais.
 
·        Metacalcários calcíticos, dolomíticos, etc...- muitos deles exibem veios abundantes de calcita branca e acinzentada preenchendo fraturas.
 
·        Xistos diversos- entende-se aí qualquer rocha xistosa, inclusive os micaxistos já citados.
 
·        Epidosito – rocha encontrada por aqui e que é constituída de epídoto, clorita, anfibólios. Sua crosta de intemperização é tão suave que se pode enfiar os dedos nela com facilidade. Sua provável origem é a de uma alteração metamórfica em rochas máficas, principalmente algum diabásio de nossa cidade.
 
 
 
Ocorrências minerais do município de Formiga:
 
Existem várias ocorrências de minerais em nossa região e vamos tratar de algumas das mais conhecidas e pesquisadas. Como o município engloba dois grandes grupos petrológicos, a variedade de minerais é bem razoável. Embora a GEOMINAS tenha feito um bom levantamento na região na década de setenta e mapeado certas ocorrências minerais por aqui, muito deixou de ser citado ou melhor explicado, embora não fosse esse o objetivo principal daquele levantamento e tampouco isto denigre a boa atuação daquela equipe. As micro-ocorrências de minerais são muito interessantes e devem ser melhor estudadas. Há muito o que se pesquisar por aqui ainda em termos de micro-ocorrências.
 
-         Quartzo hialino(cristal de rocha) e quartzo enfumaçado(SiO2)- ocorre principalmente em Sobradinho onde foram muito explorados no passado, mas o primeiro deles é muito comum em todo o município. O quartzo também ocorre rolado por ação das águas em nossos rios e em meandros, formando depósitos nos barrancos próximos aos rios.
 
Geminado de quartzo hialino
 
-         Quartzo com inclusões diversas (SiO2)– ocorrem em toda a região contendo inclusões de clorita, rutilo, material argiloso, etc...Possivelmente alguns deles possam ser lapidados para confecção de gemas, em função de seu tamanho e pureza.
Quartzo com inclusões de rutilo
 
-         Quartzo com caneluras (SiO2)– este interessante tipo de quartzo ocorre na localidade de Cunhas e apresenta características interessantes. Ele possui várias caneluras oriundas da alteração química de feldspatos e outros minerais da rocha matriz que o mesmo preenchia. Como o quartzo é indecomponível quimicamente(na natureza), ele se mantém com um aspecto bem bizarro e muito ornamental.
 
-         Quartzo cinza e quartzo leitoso(SiO2)- muito comuns por aqui, mas certos espécimes de quartzo leitoso apresentam um interessante mosaico entrelaçado em suas inclusões gasosas. A variedade cinza é pegmatítica e ocorre associada aos granitos e similares.
            
 
              Quartzo leitoso(branco)
 
-         Barita (BaSO4)- ocorre no médio curso do ribeirão Barra Mansa- divisa com Pedra do Indaiá: esse material forma um filão em terreno de origem granítica e seu aspecto é maciço- tabular, ocorrendo em grandes massas. Sua coloração é rosada e foi explorada no passado. No local em questão ocorrem grandes matacões deste mineral, mas até então não foram identificados cristais individuais.
 
-         Grafita (C)- ocorre no trecho entre Formiga-Arcos, no Córrego da Areia. Na verdade é um xisto grafitoso e que já foi explorado e processado por aqui pelo senhor Sílvio Moura.
 
-         Magnetita (Fe3O4) – ocorre abundantemente em nossas areias, em depósitos tipo placer de ampla distribuição no leito dos rios. É a maior parte daquele pó preto presente nas areias. Em massas maiores de rochas graníticas é possível detectar cristais com mais de 2cm, fato este observado na Cachoeira do Areão, onde a água poliu a rocha. A magnetita oriunda da decomposição das rochas máficas do município é bem mais homogênea que a magnetita oriunda de rochas graníticas
 
-         Pirita limonitizada– são mineralizações importantes por sua curiosidade e ampla distribuição em nossa região. Associa-se a veios de quartzo expostos pela erosão, embora já se tenha visto perfis que não estão diretamente expostos, mas um pouco abaixo da superfície. Até o momento só foram encontrados espécimes limonitizados, ou seja, pseudomórficos, não apresentando mais sua cor dourada original. Não foi localizado ainda algum local de erosão mais recente que exponha espécimes menos alterados ou então que a mineralização esteja mergulhando na rocha fresca. Elas formam cubos perfeitos e geminados de penetração. Em Cunhas ela se apresenta menos hidratada e com formas algo diferentes das outras ocorrências, formando agregados de ordem crescente, ao que parece. Há uma variedade desse material que apresenta um tipo de clivagem escalonada no cristal, formando escadas. Outros formam sólidos com figuras de deslocamento e um último tipo forma um sólido semi-esférico, clivado e que apresenta figura sólida cruciforme sob alguns ângulos de visada. Isto é bem interessante e só foi visto na Luanda. O restante ocorre no Morro das Balas, Luanda, etc...
 
-         Marcassita limonitizada – A marcassita é um polimorfo da pirita, ou seja, tem a mesma composição química, mas seus sistema cristalino é outro. Até o momento esse material só foi localizado na região da Luanda, na fazenda do sr. Francisco de Paula. Sua ocorrência se dá juntamente com a pirita e os agregados globulares que são endêmicos na região, mas não é nem de longe abundante como eles. A marcassita forma agregados conhecidos como crista de galo ou ponta de flecha, de aspecto bem curioso e atraente. Formam maclas complexas em agregados bipiramidais quadrangulares com faces curvas e diversas figuras geométricas. Alguns formam agregados estrelados, tipo uma estrela tridimensional com várias pontas. É um material muito bonito e interessante e que felizmente já conseguimos exportar para várias coleções mineralógicas mundo a fora. O processo de substituição que ocorre na marcassita é análogo ao da pirita, sendo que o mineral que substitui o sulfeto de ferro é predominantemente de natureza limonítica.
 
                   Marcassita limonitizada- macla 
              
 
-         Martita (Fe2O3.nH2O)–sob essa nomenclatura designamos os agregados esféricos de pirita e marcassita. Seu aspecto lembra um araticum e seu tamanho varia de alguns milímetros até uns 5cm. É formada em camadas concêntricas, sendo que os cristais bem conformados se destacam na última delas. Alguns espécimes são elipsoidais e mostram nitidamente um capeamento de cristais bem formados sobre um substrato do mesmo mineral, estruturado radialmente. Sua coesão não é a mesma entre as camadas. Muitas estão bem hidratadas e alteradas, mas outras conservam um brilho submetálico. Há espécimes interessantíssimos que formam pseudo-geminados de duas, três ou mais esferas. Seus núcleos são amarelados e em espécimes recebidos de outras regiões os núcleos são vermelhos. Esse núcleo é condutor de eletricidade, mas seu invólucro não é. Esse material foi muito bem recebido no meio especializado e, a exemplo da marcassita, levou o nome de Formiga para coleções mineralógicas e museus.
 
 
Martita (agregado globular de pirita limonitizada)
Morro das Balas-Formiga-MG
     
                  
 
-         Calcita e dolomita [ CaCO3 e CaMg(CO3)2]- ocorrem na região calcária. Pode formar belos veios com cristais romboédricos brancos ou cinzas em calcários diaclasados e fraturados. A calcita cristalizada ainda pode ser autigênica e formar belas massas cristalinas em espeleotemas e outros.
 
-         Fluorita (CaF2)– ocorre associada à calcita em veios nos calcários alterados por processos metassomáticos de enriquecimento e alteração mineral. Cabe citar que a galena, a esfalerita e a calcopirita ocorrem assim também por aqui, na forma de impregnações hidrotermais.
 
-         Pirolusita(MnO2)- ocorrem na área sedimentar e é normalmente botrioidal(glóbulos de tamanhos variados). Há interessantes associações desse material com material limonítico, formando estruturas concêntricas ou então na forma de veios dentro de um invólucro limonítico. Ocorre também colorindo rochas diversas, em cavidades de filões de quartzo que cortam formações limoníticas e outros. Sua origem é de precipitação química e ou biológica, por processos já conhecidos de enriquecimento secundário por laterização. Recentemente foi descoberta por nós o que parece ser uma variedade de pirolusita de cristalização tetragonal que se chama Polianita. Tal achado se deu no Morro das Balas, dentro de lateritos extremamente compactos. Ali ela forma drusas de aspecto atraente e bem brilhantes, exibindo um nítido brilho metálico. Sua análise em uma lupa binocular a 100 aumentos revelou que seus veios são constituídos de meias-esferas de aspecto muito atraente e com intenso brilho metálico. Seu quimismo ainda não foi determinado porque as amostras são muito pequenas e levará algum tempo para juntarmos uma quantidade suficiente para análise.
 
Pirolusita botrioidal
Morro das Balas-Formiga-MG
     
 
-         Ilmenita(FeTiO3)- ocorre junto com a magnetita em nossas areias e é mineral acessório em diversos tipos de rochas, particularmente as máficas como os gabros e doleritos. A ilmenita reage ao campo magnético de um ímã comum, mas não é atraída por ele e essa é uma técnica rústica para detecta-la em uma mistura de minerais pesados no solo.
 
-         Pirofilita maciça – ocorre na região da Luanda, próximo a divisa com a cidade de Arcos-MG. É bem semelhante à conhecida pedra-sabão(esteatito), sendo que a diferença está no metal da molécula. No caso da pirofilita é o alumínio e não o magnésio. Ela pode ser usada na confecção de tijolos refratários para fornos de cal e similares. É bem mole e pode ser facilmente trabalhada com qualquer instrumento perfuro –cortante. Quando na forma bem cristalizada, forma interessantes agregados radiais.
 
-         Muscovita – é a popular mica chamada popularmente de malacacheta e ocorre, por exemplo, no Morro das Balas, bem próximo a granja do grupo Arlindo de Melo. Sem aplicação comercial por aqui já que suas dimensões e freqüência não tornam possível sua comercialização.
 
-         Biotita – é uma mica negra, comum e que entra na composição de diversas rochas ígneas e metamórficas. Esta mica ocorre em toda a região do complexo cristalino e é bem freqüente em micaxistos de nosso município. Sua alteração química origina vermiculitas, que tem uma coloração bronzeada.
 
-         Caulim- originário da decomposição química dos feldspatos das rochas graníticas, ocorre amplamente por exemplo no morro do Cristo e em todas as localidades graníticas. Sua associação com os outros produtos da meteorização dos granitos recebe o nome de saibro.
 
-         Limonita- na verdade não é um mineral simples, mas uma mistura de óxidos hidratados de ferro, sendo o mais freqüente a Göethita. A limonita é muito encontrada na região da Luanda e vários outros locais no nosso município. Muitas delas são bem compactas e apresentam bordos cortantes. Antigamente era usada para obter o pigmento para a tinta xadrez, assim como o ocre. Seu pó é amarelo, mas se aquecido perde água e fica vermelho escuro. Pode ser usado como pigmento para pinturas em tela também.
 
-         Feldspato- nas fraturas graníticas é onde eles(os tipos de feldspatos) se destacam em cristais maiores, em diques pegmatíticos preenchendo fraturas. São bem comuns e alguns são bem bonitos. Representam os principais minerais de nossas rochas ígneas e são eles que determinam a coloração das mesmas. Podem ser potássicos (ortoclásio e microclina) ou calcossódicos (albita-anortita). Quanto mais próximos da anortita, mais máficas são as rochas que os contém.
 
-         Vermiculita- produto da alteração de micas escuras. Não tem importância econômica aqui, mas vale a pena citar como curiosidade. Ocorre em perfis de solos bem jovens como produto de intemperismo.
 
O quartzo, a barita e a grafita já foram muito explorados no passado e alguns antigos garimpeiros ainda possuem em suas casas caixas cheias de cristais de quartzo, conforme já constatamos. O quartzo era muito utilizado na indústria eletrônica, devido a sua piezoeletricidade e outras propriedades elétricas que eram utilizadas em equipamentos eletrônicos, principalmente rádios.
Existem outras ocorrências minerais que foram relatadas por pessoas mais vividas e também por ex-garimpeiros, mas que ainda não confirmadas pelo autor, motivo pelo qual não serão citadas aqui até sua confirmação in loco. Existem várias possibilidades de novas ocorrências ainda não conhecidas e que podem trazer surpresas agradáveis.
 

Turismo Mineral: gemas de Minas atraem turistas de todo o mundo

Turismo Mineral: gemas de Minas atraem turistas de todo o mundo

A história de Minas Gerais tem início com a procura pelas riquezas minerais no estado. Os registros das primeiras descobertas de gemas no Estado de Minas Gerais datam de 1554, quando ocorreram as primeiras Entradas e Bandeiras que percorreram o interior do Brasil em busca de ouro e outras riquezas. Hoje o estado é conhecido internacionalmente pelo subsolo rico em minerais, gemológicos e amostras raras para coleção, sendo o principal produtor de ouro, gemas coradas e diamantes do Brasil. Todas estas características fazem com que o turismo mineral tenha uma grande procura, principalmente pelo mercado internacional.
Os principais pólos mineradores são os municípios de Ouro Preto, Itabira, Guanhães, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Araçuaí, Diamantina e Corinto, onde é possível acompanhar uma série de atrativos ligados a atividade mineradora, além de promover o acesso e a comercialização das gemas e minerais produzidos no estado.
Além do ouro, as principais pedras preciosas encontradas no estado são a esmeralda, a água-marinha, topázios, o diamante, a turmalina, a alexandrita, o crisoberilo, o heliodoro, a morganita, o olho-de-gato, a kunzita, a andaluzita, a granada, a ametista e o citrino. O estado ainda tem a produção de gemas exclusivas encontradas na região, como o topázio imperial, que tem sua extração no município de Ouro Preto.
Gemas de Minas Gerais atraem turistas de todo o mundo
Gemas de Minas Gerais atraem turistas de todo o mundo
A grande quantidade de gemas produzidas no estado, alinhado aos atrativos culturais e naturais presentes nas principais regiões, formam um grande produto turístico, e que é comercializado pela D’Minas Turismo. Fatores históricos, geológicos, geográficos, sociais integrados formam um roteiro temático que disponibiliza para os turistas momentos de conhecimento cultural, vivências e compras.
Ouro Preto e Mariana
Uma das cidades em que a mineração está mais evidente na sua história e no cotidiano do seu povo é Ouro Preto e Mariana. E toda a atividade turística está ligada ao turismo mineral e comercialização de gemas.
A estruturação turística também coloca a disposição dos turistas grandes atrativos. Um exemplo é o Museu de Ciência e Técnica, cujo acervo mineralógico é um dos maiores da América Latina e a Casa dos Contos, edificação por onde passava todo o ouro produzido na região para a cobrança do quinto. O garimpo de topázio imperial de Antonio Pereira, ainda em funcionamento e explorado com técnicas totalmente artesanais recebe um expressivo fluxo de turistas e tem pavimentação asfáltica até sua entrada.
Mariana também é uma boa opção para visitação, a primeira cidade e capital de Minas Gerais tem além do seu conjunto arquitetônico a única mina de ouro aberta a visitação turística do Brasil, a antiga Mina de Ouro de Passagem.
Itabira e Nova Era
A região de Itabira e Nova Era tem grande importância na produção mineral do estado, pois a região é uma das principais produtoras de esmeraldas do mundo além das históricas e impressionantes minerações de ferro do Quadrilátero Ferrífero. Além da esmeralda e do ferro, ainda se encontra nos arredores a alexandrita, gema cuja raridade e preço são impressionantes. O Brasil é o principal produtor desta gema, com pouquíssimos exemplares que chegam ao comércio.
Na região é possível visitar as áreas de garimpagem de esmeralda (Capoeirana) e a compra de amostras.
Esmeralda de Nova Era: uma das maiores produtoras do mundo
Esmeralda de Nova Era: uma das maiores produtoras do mundo
Guanhães e arredores
Nos arredores de Guanhães, Santa Maria do Itabira, Ferros e Sabinópolis encontram- se inúmeros garimpos e minerações de água- marinha e outras gemas da família do berilo, ligados à presença de múltiplos corpos pegmatíticos (rochas especiais ricas em minerais raros).  A água- marinha é uma das gemas símbolo do Brasil no mercado internacional e sua produção é quase que totalmente artesanal, com poucas pessoas trabalhando em pequenas lavras.
Apesar de não ter uma infra-estrutura turística, a região recebe a freqüentemente visitação turístico-científica organizada por universidades, congressos e instituições de pesquisa do Brasil e de países da Europa.
Governador Valadares, Teófilo Otoni e Vale do Jequitinhonha
A região que reúne os municípios de Governador Valadares, Teófilo Otoni, Padre Paraíso e Araçuaí é hoje reconhecida como uma referência para o turismo mineral e também para quem comprar uma variedade de gemas. Espécimes de coleção na forma bruta com alguns centímetros de altura chegam a alcançar preços de vários milhares de dólares, e atraem muitos turistas.
Na grande região de Governador Valadares (Galiléia, Conselheiro Pena, Barra do Cuité, Divino das Laranjeiras) são produzidas quase todas as variedades de gemas: turmalinas, granadas, água-marinhas, brasilianitas e outros minerais raros. Recentemente um estudo avançado de mineralogia apresentou nove espécies novas de minerais descobertas no Brasil e destas, seis são provenientes desta região. São elas a coutinhoíta, a lindbergita, a atencioíta, a matioliíta, a arrojadita e a ruifrancoíta.
A cidade de Governador Valadares mantém ainda um dos grandes eventos da área, a Brazil Gem Show que apresenta stands com impressionante variedade mineral e reflete a riqueza econômica e cultural deste segmento.
Em Teófilo Otoni, encontra- se a Gems Export Association (GEA) que  representa a  indústria e os  comerciantes e organiza a Feira Internacional de Pedras Preciosas (FIPP), realizada anualmente e que atrai grande número de expositores e forte visitação internacional. O evento entrou para o circuito dos consumidores mundiais de gemas e minerais raros.  É o evento mais importante turisticamente para toda a região do Vale do Mucuri e um dos mais importantes do Brasil para o setor.
Governador Valadares e Teófilo Otoni são referência no turismo mineral
Governador Valadares e Teófilo Otoni são referência no turismo mineral
A produção, beneficiamento, comércio e exportação de gemas em Teófilo Otoni fazem deste município a capital das gemas na América do Sul e coloca toda a região entre as maiores províncias gemológicas do mundo.
Em Araçuaí e no Vale do Jequitinhonha também é possível apreciar a produção de pedras preciosas. A região é grande produtora de kunzitas, hiddenitas, andaluzitas e petalitas, além das turmalinas, topázios-azuis e berilos.
Diamantina e Serro
A região da Serra do Espinhaço e sua geologia de beleza cênica incomparável tiveram uma grande importância para a história do Brasil Colônia. Assim como Ouro Preto e Mariana a história destas cidades sempre esteve ligada a exploração mineral e principalmente a produção de diamantes.
Durante cerca de 140 anos (s éculos XVIII e XIX) o Brasil foi o maior produtor do mundo de diamantes, fornecendo material para a maior parte das jóias da realeza européia nesta época.
Em Diamantina, um dos cartões postais da cidade tem uma importância para a história da geologia do Espinhaço. Trata-se da famosa Casa da Glória, que foi transformada em Centro de Estudos que recebe estudantes e pesquisadores do Brasil e do exterior, além de apresentar para os turistas a história do diamante.
Na cidade ainda é possível conhecer o Museu do Diamante, com peças raras ligadas ao período áureo e a mais antiga joalheria do Brasil, a Joalheria Pádua de 1883.
Museu do Diamante em Diamantina: história gira em torno da exploração mineral
Museu do Diamante em Diamantina: história gira em torno da exploração mineral
Corinto e Curvelo
A região de Corinto e Curvelo, entre outras localidades no entorno, apresenta uma intensa produção de quartzo e inúmeras oficinas de lapidação artesanal, um atrativo a parte para os visitantes. Na região ocorre também a feira anual de minerais (Feira de Curvelo) onde é possível ter acesso a amostras do mineral.

Minas Gerais

Minas Gerais  
 
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Um dos estado mais ricos em belíssimas pedras e minerais!!! Uma gastronomia com um gostinho de quero mais,sem contar numa arquitetura barroca que algumas singelas cidades possuem com um toque todo especial, essa é Minas Gerais!
Hoje meu post é referente a esse estado e suas particularidades referente aos nossos amiguinhos cristalinos.
Vou contar o que sei e o que venho conhecendo nesta terrinha o UAI.
minas gerais
Dentro dos 27 estados brasileiros, Minas Gerais é o quarto maior em extensão territorial e o segundo mais populoso do Brasil, aproximadamente 20 milhões de pessoas, fala sério é muita gente, não é mesmo?!?
Com toda essa grandeza em todos os termos, rsrs, o estado é considerado o berço das mais exuberantes pedras e minerais que existem no mundo, e nesse post vou citar os minerais mais conhecidas e belos para mim.
Vivo pra cá e para lá em exposições e eventos de minerais e fósseis que quando falo que sou brasileira, já falam de Minas Gerais e toda beleza mineral que esse estado possuí.
Bom, então vamos as belezas cristalinas que Minas Gerais tem em abundância.
O estado de Minas Gerais é rico em pegmatitos, isto é,basicamente para que todos possam entender um tipo de rocha intrusiva que apresentam com uma certa frequência quartzo, feldspatos e micas e outros minerais um tanto exóticos que podem ocorrer ali no mesmo aglomerado.
Os pegmatitos são tão importantes e cobiçados aqui na Europa, pois contêm outros minerais lindíssimos entre eles como as: águas-marinhas, turmalinas, topázios,micas fluoritas e apatitas.
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Outra beleza natural de extrema admiração são as turmalinas, fora que não podemos deixar de dar créditos ao estado da Paraíba pois produzem um dos mais puros e belos minerais que fazem parte da mesma classe mineral , que são nossas maravilhosas turmalinas paraíbas, que possuem um azul intenso lindo…
Confesso que são realmente de tirar o fôlego de qualquer um…
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Eu não sabia até pouco tempo atrás, que o nome Minas Gerais era por que havia muitas minas por todo o estado e este nome na verdade foi dado à partir do século XVII quando a extração de pedras e minerais estava no seu apogeu.
Na charmosa cidade de Ouro Preto damos destaque as seguintes pedras preciosas: Topázio Imperial e os Diamantes. A cidade se destaque entre as primeiras produtoras de ferro, ouro, não é à toa que se chama Ouro Preto, fora à abundância em gemas preciosas e a bauxita.
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Boa parte das cidades vizinhas vivem do comércio de pedras, como a pequenina e singela cidade de Teófilo Otoni, onde todos os anos acontecem à Feira Mundial das Pedras, conhecido como o Circuito das Pedras, onde atraí diversos de colecionadores e admiradores do mundo em busca de nossos amiguinhos cristalinos.
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Entretanto, confesso para quem está em busca de um roteiro incrível e cheio de conhecimento referente as pedras, está no lugar certo!!!

Depósitos de água-marinha do Ponto do Marambaia- MG

Depósitos de água-marinha do Ponto do Marambaia, parte da Província Pegmatítica Oriental de Minas Gerais, estão inseridos no Campo Pegmatítico de Padre Paraíso-Catugi, Distrito Pegmatítico de Padre Paraíso.

Os pegmatitos contêm água-marinha, berilo comum e goshenita, topázio azul, cristais decimétricos a métricos de quartzo hialino e murion e são hospedados no granito Caladão.

A água marinha apresenta importância econômica no cenário mundial gemológico, no que diz respeito à produção histórica e potencialidade, ao volume e à qualidade das gemas produzidas.

Registros de achados famosos de cristais de águas-marinhas, dentre as quais, "Papamel" e "Marta Rocha", com 74 kg e 33,9 kg, respectivamente são reconhecidos internacionalmente.

Os pegmatitos apresentam zonalidade irregular, contém K feldspato, quartzo, biotita, água-marinha e topázio, não apresentam controle estrutural e seus contatos com o granito variam de brusco a gradacional.

Possuem posição espacial variável entre vertical a horizontal, espessuras decimétricas a métricas, extensões decamétricas, formatos irregulares amebóides e relativa diferenciação.

Os pegmatitos evoluíram a partir da fração gráfica com K feldspato-quartzo, seguido da formação de mega-cristais de K feldspato e quartzo leitoso intersticial e maciço, biotita e as gemas, topázio e água-marinha, sob condições rúpteis.

O íntimo relacionamento da água-marinha com mega-cristais de K feldspato sugere processo metassomático com a ação de fluído aquoso rico com Be residual, resultando na formação de água-marinha Finalizando o processo, líquidos residuais silicosos deram a origem a cristais de quartzo hialino e murion piramidados, após o fraturamento ter cessado.

Os pegmatitos do Ponto do Marambaia podem ser enquadrados na classe de pegmatitos de elementos raros do Tipo Berilo, sem Ta e Nb.

O Granito Caladão é porfirítico, não apresenta deformação dúctil, não contém granada, exibe nítido fluxo magmático e inclusões ocasionais de Charnockito Padre Paraíso, com quem apresenta contatos gradacionais.

Foi derivado de refusões parciais crustais a partir de granitóides que o circundam, designados por Itaipé, Caraí, Faísca e Wolf com contatos intergradacionais entre si e com o Granito Caladão.

Integra a Suíte Intrusiva Aimorés, pós-colisional da Faixa Araçuaí, e é datado entre 520-490 Ma.

Ponto do Marambaia, localizado no município de Caraí, a 90 km a norte da cidade de Teófilo Otoni, tem notável reconhecimento nacional e mundial no que diz respeito à produção histórica de gemas, notadamente de água-marinha, constituindo-se no maior prospecto do país, além de topázio e quartzo hialino e murion, provenientes dos pegmatitos e depósitos secundários.

Os corpos pegmatíticos vêm sendo lavrados desde o início do século XIX.

Neles, foi encontrada em 1910 a água-marinha "Papamel", de excelente qualidade, pesando 74 kg.

Em 1954 foi descoberto um exemplar de grande valor que recebeu o nome de "Marta Rocha" em homenagem à Miss Brasil da época.

Pesava 33,9 kg e apresentava mais de 60% do volume com limpidez adequada à lapidação.

Uma água-marinha límpida e de rara beleza, com cerca de 25 cm de comprimento e 4 cm de diâmetro proveniente região do Ponto do Marambaia, encontra-se no Museu de História Natural de Houston, Texas.

Explotados pela Mineração Barro Preto, os pegmatitos desta região estão inseridos no Campo Pegmatítico Padre Paraíso-Catugi,que fazem parte do Distrito Pegmatítico de Padre Paraíso.

Este distrito integra a Província Pegmatítica Oriental, que congrega 7 distritos produtores de minerais-gema, além de diversos minerais industriais.

O presente artigo pretende contribuir para um melhor conhecimento dos aspectos relacionados com as natureza das ocorrências de água-marinha, topázio e quartzo, interessando as relações de campo do sistema granito-pegmatito e a distribuição dos minerais nos pegmatitos, bem como as transformações metassomáticas sob a ação de fluidos aquosos ricos em F.

O trabalho, no seu transcurso serviu como orientação às operações de pesquisa e lavra dos pegmatitos, procurando estabelecer como as suas relações mineralógicas, geométricas e estruturais podem ser úteis nesse sentido, estabelecendo também metodologia mais segura das atividades subterrâneas.

Inúmeros granitóides Neoproterozóicos intrusivos da Faixa de Dobramentos Araçuaí foram mapeados e identificados pelo Projeto Leste realizado pela CPRM.

O Granito Caladão, com cerca de 650 km2 de área aflorante, está circundado pelos Leucogranitos Itaipé e Caraí a oeste, Leucogranito Faísca a sul e a nordeste e a este pelo Granito Wolf.

Corpos charnockíticos subarredondados e em "farrapos" ocorrem inclusos no granito Caladão, sugerindo se tratar de xenólitos e "roof pendants".

Pequenos "stocks" de leucogranitos, Viana e Carlos Chagas estão inclusos nos granitos Faísca e Wolf respectivamente.

Os contatos entre todos os granitóides são gradacionais, o que sugere íntimo relacionamento magmático.

Todos esses granitóides são considerados sin a tarditectônicos.

Foram reconhecidas seis diferentes suítes granitóides em toda a Faixa Araçuaí, mas na região ocorrem apenas os tipos das suítes G5, correlacionável ao Granito Caladão e G3S (leucogranitos com granada, ocasionalmente cordierita e sillimanita, com restos de gnaisses, tipo S, considerados sin a tardi-tectônicos, datados 560-570 Ma) correlacionável aos quatro tipos de granitóides que circundam o Granito Caladão.

Esses quatro granitóides foram descritos como do Complexo Medina, intrusivos entre as rochas do Grupo Rio Doce e Macaúbas a oeste, e do Complexo Gnáissico-kinzigítico a leste.

As rochas dos Grupos Rio Doce e Macaúbas correspondem a biotitaxistos, com quantidades variáveis de quartzo, granada, andalusita, cianita e cordierita, forte xistosidade e lentes de muscovitaquartzitos e inclusões de rochas meta-ultramáficas.

Durante o Evento Brasiliano, intensa fusão parcial da crosta produziu nesta região grande volume de magma granitóide, e diversos plutons graníticos aos quais se associam expressivos corpos pegmatíticos produtores de minerais-gema e minerais industriais.

Interpretamos como derivados da fusão parcial dos biotita-xistos e charnockitos os granitos circundantes e pela evolução deste processo magmático foi formado o Granito Caladão.

Os granitóides estudados podem ser agrupados segundo dois tipos, granitóides portadores e não-portadores de granada.

O primeiro grupo é representado pelos Leucogranitos Itaipé, Caraí, Faísca e Wolf, podendo ser incluído o granito Novo Cruzeiro, de pequena dimensão, pertencente à suíte G3S ou Complexo Medina.

O segundo grupo compreende o Granito Caladão com Charnockito Padre Paraíso incluso, que corresponde à Suíte G5 ou Suíte Aimorés, que encaixam os pegmatitos estudados.

Granitóides a Granada Correspondem aos leucogranitos denominados Caraí, Itaipé, Wolf e Faísca.

Estes granitos são muito semelhantes entre si nos aspectos mineralógicos e texturais.

São rochas isentas de deformação, exibindo caráter ígneo, evidenciado pela textura fluidal, ou isotrópica.

Os contatos entre essas unidades são transicionais, sem relações intrusivas, e sem a existência de xenólitos, à exceção do Granito Novo Cruzeiro, cortado por diques do Leucogranito Caraí, o que revela diferença temporal.

O contato do Granito Novo Cruzeiro com os gnaisses da Formação Concórdia do Mucuri do Grupo Rio Doce, é transicional ou tectônico por falhas.

Nas proximidades deste contato o Granito Novo Cruzeiro exibe porções migmatíticas e nebulíticas, constituindo portanto um granito mais antigo.

O Leucogranito Itaipé difere do Leucogranito Caraí pelo maior conteúdo de fenocristais de feldspato, enquanto o Leucogranito Faísca, é distinto de ambos pela ausência de estrutura fluidal e pela presença de agregados "schlieren" máficos ricos em biotita.

Essas quatro variedades de granitos são de coloração cinza-claro, creme e rósea, tem granulação média a grossa, textura porfirítica, e contém fenocristais de feldspato com comprimento entre 1 e 3 cm, que podem porém atingir 8 cm no Leucogranito Itaipé.

Os granitos em discussão consistem de quartzo, K feldspato e plagioclásio, biotita subordinada e agregados de granada com até 3 cm de diâmetro.

Os minerais acessórios ou secundários são muscovita, sericita, clorita, apatita, zircão, minerais opacos (principalmente magnetita) e carbonato.

Na porção oeste da área, aflora o Leucogranito Caraí, com aspecto pegmatóide, cortado por enxame de pegmatitos delgados, com "bolsões" de turmalina negra, por vezes, levemente esverdeada, intercrescida com quartzo e associada à biotita.

A presença de turmalina negra indica possível zona de contato metassomático, considerando a proximidade com xistos da Formação Salinas.

A presença ocasional de xenólitos de biotita gnaisse melanocrático, ricos em porfiroclastos de granada apoia essa sugestão.

Os Granitos à granada são do tipo-S, peraluminosos e formados em profundidade média na crosta.

Evoluíram a partir de fusões parciais de rochas principalmente metassedimentares, com pequena contribuição de crosta oceânica ou mantélica e foram datados entre 580 e 560 Ma.

Porções mais jovens do granito foram registradas na região de Itaipé, com idade de 505 ± 35 Ma, método Rb/Sr, e razões iniciais em torno de 0,715, o que caracteriza residência crustal anterior para esses granitos.

Datações adicionais, pelo método de K-Ar em duas amostras de biotita, idades de 422 ± 13 Ma e 452 ± 15 Ma foram obtidas, o que corresponderia ao resfriamento desse granito.

Com base nestes argumentos, admite-se origem cogenética para os granitos circundantes ao Granito Caladão.

Granitóides a Biotita São representados pelo Granito Caladão com enclaves de Charnockito Padre Paraíso.

Ambos apresentam texturas semelhantes, diferindo pela coloração esverdeada e presença de hiperstênio no charnockito.

O Granito Caladão exibe textura fluidal, o que não ocorre com o charnockito.

Ambos são porfiríticos com fenocristais tabulares de K feldspato, com dimensão maior entre 1 e 7cm.

A matriz tem granulação média a grossa.

Na área estudada, a granulometria do charnockito é mais fina, diferentemente das exposições da região de Padre Paraíso, onde é mais grosso, ocorrendo como corpos mesoscópicos, arredondados inclusos no granito.

O Granito Caladão é isento de deformação e diferentemente dos granitos à granada, inexistem nele texturas gnáissicas.

Textura mais grossa do Granito Caladão, com feldspatos tipo ocelar, empresta aspecto pegmatóide à rocha,podendo, de outro modo, exibir textura fluidal incipiente.

Contatos entre o Granito Caladão e massas maiores de charnockito não foram observados, sugerindo-se que sejam transicionais.

O Granito Caladão consiste de K feldspato, quartzo, plagioclásio e biotita, e subordinadamente hornblenda.

Os minerais acessórios incluem zircão, apatita, allanita, carbonato, muscovita, sericita, clorita e minerais opacos, magnetita, e raramente, hematita, rutilo e ilmenita.

O charnockito contém K feldspato, plagioclásio, biotita, hornblenda, hiperstênio, epidoto, titanita, carbonato, sericita, clorita e magnetita.

O Granito Caladão é a designação para granitóides porfiríticos à biotita da região, podendo ser classificados como do tipo-I, metaluminosos e de elevado conteúdo de K, originados na crosta continental média a inferior com contribuições significativas, tanto de crosta oceânica como mantélica.

Foram datados entre 520 e 500 Ma, pelo método U-Pb, são intrusivos nos granitóides com granada e representam o último estágio da granitogênese brasiliana.

Estudos radiométricos procedidos no Charnockito Padre Paraíso revelaram idade de 505 ± 5 Ma, pelo método U-Pb em zircões, 457 ± 21, pelo método K-Ar em biotitas e 520 ± 20 Ma pelo método Rb-Sr, com razão inicial de 0,7112, sugerindo origem a partir de fusão parcial de materiais da crosta continental.

Apesar de ser admitida pela maioria dos pesquisadores uma origem cogenética para o Granito Caladão e charnockito, certas limitações petrológicas existem, como a presença de hiperstênio, mineral característico da facies granulito resultante da desintegração da biotita gerando hiperstênio+ortoclásio, numa reação progressiva.

Entretanto estudos microscópicos do Charnockito Padre Paraíso revelam uma reação retrógrada, com a formação de biotita.

Metassomatismo Potássico A maioria das rochas estudadas mostra claras evidências de metassomatismo potássico, processo este melhor observado no Granito Caladão e no Charnockito Padre Paraíso.

O processo se traduz pela microclinização que se manifesta pela presença de microclina xenomórfica, que se superpõe à textura pré-existente, substituindo ortoclásio e plagioclásio.

Microclina em substituição ao plagioclásio produz albita em continuidade óptica e pequenos agregados de epidoto e allanita, num processo de saussuritização.

Os cristais de plagioclásio se tornam arredondados e corroídos.

A geração de biotita em substituição à hornblenda e ao hiperstênio, com formação adicional de titanita e carbonato é outra evidência do metassomatismo potássico.

Aparentemente esse processo ocorreu sob condições mais elevadas da fugacidade do oxigênio, resultando na formação de magnetita, principalmente e hematita e rutilo, subordinadamente e desintegração parcial da ilmenita (em textura esquelética) em ambas as rochas, produzindo magnetismo.

Auréolas de albita em torno do plagioclásio e a substituição deste pela albita revelam que o metassomatismo potássico foi acompanhado por ligeira albitização.

As fotomicrografias 2C, 2D, 2E e 2F ilustram aspectos desse processo.

O aporte ou a remobilização de K acompanhado de Na, SiO2 e H2O ocorreu em uma fase pós-metamorfismo brasiliano.

Os pegmatitos do Ponto do Marambaia estão encaixados no Granito Caladão, sem mostrarem controle estrutural algum, sugerindo assim que o posicionamento e a forma dos mesmos tem relação com fraturas de contração resultante do resfriamento do granito.

Os pegmatitos foram formados com o Granito Caladão em estágio avançado de cristalização, seguindo um significativo processo de fraturamento regional.

Tratando-se dos corpos pegmatíticos, sabe-se que na terminologia dos garimpeiros da região, um garimpo é designado pelo termo "lavra", que pode abranger mais de um corpo pegmatítico e é subdividida em "serviços", podendo ser aberto um ou mais "serviços", restritos a somente um pegmatito.

Os pegmatitos são explotados principalmente em subsuperfície, através da escavação de galerias ("túneis", denominação também usada para se referir a um "serviço"), de pequeno porte, abertas com pá e picareta na cobertura de alteração.

Se um "serviço" iniciado exige o uso de explosivos, raro na região, os garimpeiros utilizam o recurso ou o abandonam.

Relações texturais nos granitóides, "Bolsões" de turmalina negra em fácies félsica e grossa de aspecto pegmatóide do Leucogranito Caraí.

Fácies grossa, pegmatóide do Granito Feldspatos ocelares, isentos de orientação por fluxo.

Biotita substituindo hornblenda acompanhando a clivagem, Nx.

Transformação parcial do hiperstênio em hornblenda.

Textura típica de metamictização gerando allanita e fissuras radiais no plagioclásio ao redor As lavras a céu aberto concentram-se principalmente em depósitos secundários, em aluviões, colúvios e elúvios e em pegmatitos muito intemperizados.

São utilizados métodos manuais e mecanizados.

Procedeu-se ao levantamento cartográfico de 44 "serviços" em pegmatitos e mapas de detalhe dos "serviços" TP-4 e TA-3 são apresentados.

As características físicas dos corpos pegmatíticos cadastrados e as produções nos últimos 10 anos.

Distribuição e Tipologia A possança real dos corpos pegmatíticos varia entre 2m e 70m, e a espessura, entre 0,5m a 18m.

Os pegmatitos são classificados em pequenos, médios, e grandes em espessura.

Os pegmatitos são descritos como tendo formas irregulares ou anastomosadas e na área, formas amebóides foram observadas Os corpos pegmatíticos do Ponto do Marambaia são alongados, apresentando porém, variações em sua espessura, atingindo no máximo 15m.

Os contatos dos pegmatitos com as rochas encaixantes são normalmente bruscos, exceto no caso dos corpos não-zonados, que exibem, em geral contatos gradacionais.

Os corpos pegmatíticos não apresentam controle estrutural definido, entretanto, a maioria tende a seguir uma orientação geral N-NE.

Isto pode ser explicado pelo fato desses pegmatitos estarem alojados na borda oeste do Granito Caladão, alongado com segundo a direção regional NS.

Os pegmatitos podem ser classificados quanto a estrutura interna em homogêneos e heterogêneos pouco diferenciados ou zonados simples e não-zonados simples, sendo o termo "simples" se referindo à pouca diversidade mineralógica.

No caso dos pegmatitos zonados, a passagem de uma zona para outra é quase imperceptível ou difusa.

A zona de borda, nem sempre presente, é pouco nítida, possui espessura entre 3 e 5cm e consiste de K feldspato e quartzo de granulação fina com biotita.

A zona de parede apresenta espessura variável num mesmo corpo.

Seu contato com a zona de borda é normalmente gradativo, sendo identificado pelo aumento da dimensão dos cristais.

A textura é grossa, com cristais de até 50 cm de comprimento.

Predominam mega-cristais de feldspatos com quartzo intersticial, além de grandes placas de biotita, algumas com até 50 cm de diâmetro, distribuídas na matriz composta de quartzo, K feldspato e biotita em dimensões de até 1 cm.

Essas placas estão posicionadas aleatoriamente.

Em certos locais, a textura gráfica ocupa a parte mais interna desta zona.

A zona intermediária hospeda as variedades de minerais-gema.

Consiste essencialmente de megacristais de K feldspato pertítico.

O tamanho desses cristais varia de alguns centímetros, atingindo 2 metros.

Por último, o núcleo, com forma lenticular, alongada ou irregular, é composto por quartzo maciço leitoso, normalmente bastante fraturado, constituindo muitas vezes, corpos isolados.

Os corpos não-zonados são caracterizados pela distribuição homogênea de quartzo, K feldspato e biotita, com granulação fina, e textura gráfica.

A forma dos corpos não-zonados, bem como as variações de espessura são semelhantes às observadas nos corpos zonados.

Em termos de distribuição, os pegmatitos do Ponto do Marambaia podem se apresentar agrupados ou formar corpos isolados.

Afetando o Granito Caladão e os pegmatitos, ocorre um sistema conjugado de fraturamento regional com direções de N60-65oW e N30-45oE, com mergulhos subverticais predominantes, a fracos, que resultou localmente em falhas normais que deslocam corpos pegmatíticos, e seus contatos com as encaixantes.

Esse sistema de fraturamento, visível nas imagens de Radar e fotografias aéreas convencionais delimita parcialmente o Granito Caladão, tendo um dos fraturamentos, o de direção NW, secionado parcialmente o corpo plutônico em dois setores, um mais a norte e outro a sul.

Aparentemente o setor norte foi deslocado para NW em relação ao setor sul.

Falhas que cortam enclaves, aplitos e pegmatitos dentro do Granito Caladão corroboram esse deslocamento.

Os rejeitos das falhas são da ordem de poucos centímetros, com raras exceções atingindo 6 metros, quando cortam a capa e lapa dos corpos pegmatíticos.

Esse processo rúptil provocou fissuramento interno nos minerais dos pegmatitos exceto no quartzo e murion.

O sistema conjugado de fraturas é tectônico, porém existem falhas de gravidade de acomodação do terreno afetando a zona intemperizada.

Mineralogia Os pegmatitos de Ponto do Marambaia apresentam tipo evoluído dada a sua mineralogia que é relativamente diversificada, quartzo, K feldspato, biotita, muscovita, água-marinha, berilo, heliodoro, goshenita, topázio e esporadicamente, turmalina negra, ametista e magnetita, seguindo-se dos minerais secundários sericita, caolinita, goethita e óxidos de manganês.

Dados obtidos de K/Rb em K feldspatos dos pegmatitos do Ponto do Marambaia permitiram que os pegmatitos fossem classificados na classe de elementos raros do tipo berilo.

O quartzo nos pegmatitos ocorre maciço e em cristais leitosos jaçados e em cristais prismáticos e unipiramidados não jaçados, tendo por isso grande valor. o tamanho dos prismas pode variar de poucos centímetros a mais de 1 metro.

Cristais bipiramidados não foram encontrados.

Diminutos cristais unipiramidados de ametista, com até 1 cm de comprimento foram encontrados.

A coloração arroxeada tem sido atribuída a óxidos de Fe ou óxidos de Mn e a coloração enfumaçada do murion é relacionada a presença de Al na rede.

Os cristais de quartzo hialino ou murion são formados sobre quartzo maciço leitoso, podendo formar estruturas aureolares designadas localmente de "igrejinha", sugerindo preenchimento de cavidade e crescimento posterior.

Nos corpos não-zonados, o quartzo somente ocorre na variedade maciço leitoso.

O K feldspato se apresenta róseo, devido à substituição parcial do Al pelo Fe3+ na rede cristalina, ou branco, pertítico ou sem lamelas, em cristais isolados e bem formados com até 50 cm de comprimento, com as faces {001} e {010} bem desenvolvidas.

Pode formar grandes agregados de até 2m de dimensão, com mínima participação dos demais minerais do pegmatito.

Sob o microscópio, a maioria dos cristais de ortoclásio exibe substituição parcial por microclina.

Albita e cleavelandita em grandes cristais, como ocorrem nos Distritos de Governador Valadares e Araçuaí são ausentes no Ponto do Marambaia.

A biotita ocorre em placas com diâmetro de até 50 cm, isoladas ou em agregados alongados, com coloração negra, podendo conter ocasional, fino intercrescimento de mica cinza a incolor interpretada como muscovita.

Encontra-se distribuída nas zonas de borda e de parede e, subordinadamente na zona intermediária, e em raros casos, capeando descontinuamente o núcleo.

Contem, com relativa frequência, diminutos cristais de magnetita.

Ocorrem dois tipos de mica, uma clara levemente esverdeada, semelhante à muscovita, e um tipo cinzenta escura.

O primeiro tipo é mais raro, atingindo no máximo a 1% em volume no pegmatito, e em geral, ocorre em placas com dimensões de 1 a 3 cm, em agregados.

O teor de Na2O é um pouco elevado, mas ainda assim se ajusta na composição da muscovita.

Esse tipo ocorre preenchendo porções intersticiais nos feldspatos e quartzo, sugerindo formação tardia em relação aos minerais mais abundantes.

O segundo tipo, mais abundante, pode atingir até 10% nas zonas mais ricas, ocorre em placas individuais, maiores chegando a 10 cm de diâmetro, ou mais e apresenta comumente intercrescimento com biotita.

Embora a muscovita escura assemelhe-se mais à biotita, análises químicas revelaram para exemplares oriundos do "serviço" TP-4 teores de 10,40% Fe total e se comparado aos valores de biotitas obtidos na literatura de 5,1%FeO+12,9%Fe2O3 ou 12,5%Fe total a 24,85%FeO+3,8%Fe2O3 ou 20,1%Fe total, pode-se afirmar em bases composicionais tratar-se de uma biotita.

Nos corpos não-zonados a presença de muscovita é muito rara ou inexpressiva.

Tipologia e estrutura interna dos pegmatitos do Ponto do Marambaia.

Pegmatito de aspecto lenticular.

Zona mural pobre em biotita e zona intermediária contendo megacristais de K feldspato.

Contato entre rocha encaixante e pegmatito exibindo zona marginal discreta e mural rica em biotita.

Núcleo de quartzo extremamente fraturado.

As fraturas subhorizontais são mais evidentes do que as subverticais.

Núcleo de quartzo vertical e espesso em relação às demais zonas.

Zona intermediária estreita é invadida pelo quartzo.

O berilo é encontrado nas variedades água-marinha (azul ou verde), heliodoro e goshenita, sendo internacionalmente famosos os exemplares denominados "Papamel" e "Marta Rocha" respectivamente com 74kg e 33,928kg de peso, a última com mais de 60% de limpidez, e um simples cristal, não denominado, pesando 110kg.

Os cristais bem formados de águas-marinhas ocorrem com as faces prismáticas bem desenvolvidas, comumente atingindo 20cm de comprimento e muitas vezes com terminações piramidais pequenas.

Estrias paralelas ao comprimento dos cristais são por vezes comuns e a maioria dos cristais observados exibe jaça, principalmente nas extremidades das peças restando porções límpidas na parte central.

Esses fissuramentos internos dos cristais de berilo foram produzidos pela deformação rúptil.

O berilo ocorre principalmente associado ao K feldspato, localizado nas suas interfaces, o que pode sugerir um controle geoquímico.

Ocorre raramente em cristais isolados nos espaços intercristalinos do quartzo leitoso, onde encontra-se associado a "cordões" de turmalina negra e muscovita, revelando o estágio de greisen.

Diminutas plaquetas de muscovita capeiam parcialmente alguns prismas.

O topázio ocorre como cristais incolores e colorações amarelo-pálido e azul pálido.

Forma grandes cristais, com até 15 cm de comprimento ao longo do eixo-C e de até 20cm ao longo da clivagem basal.

Apesar de se apresentar, na maioria dos casos, muito fissurado ainda exibe boa transparência.

Cristais azulados de topázio, sem jaças, com 3-4cm de dimensão são encontrados nas aluviões do Córrego da Marambaia nos ribeirões nas proximidades de Catugi, onde está concentrado juntamente com crisoberilo e água-marinha.

Ocorre na zona intermediária, crescendo sobre K feldspato e quartzo, existindo, entretanto espécimens associados às biotitas alongadas.

Turmalina negra e ametista, bastante raras, constituem cristais pequenos com dimensões de até 1 cm.

Encontram-se concentradas nas zonas mais silicosas, ricas em quartzo.

A magnetita e a goethita também são raras e normalmente ocorrem nas bordas dos núcleos dos pegmatitos, muitas vezes, formando agregados minerais associados à biotita, provavelmente por alteração hidrotermal e intempérica desta, respectivamente.

A sericita é muito fina, em placas milimétricas, ocorre localmente como produto de alteração hidrotermal dos feldspatos, e a caolinita ocorre como produto de alteração intempérica da biotita, formando concentrações de coloração castanha devido à mistura com óxidos de Fe e Mn, e em menor escala do feldspato.

Essas concentrações de material castanho argiloso constituem massas alongadas na matriz do pegmatito e se confundem com zonas de fratura, pois se distribuem alinhadamente.

A caolinita ainda forma "manchas" brancas no interior dos feldspatos, provocando o embaçamento do brilho, revelando estágio incipiente de alteração.

Mineralizações Antes de tratarmos da mineralização propriamente dita é importante discutir pontos do aspecto regional influindo direta ou indiretamente na mineralização.

Inicialmente pode-se observar que os charnockitos não constituem corpos significativos de dimensões mapeáveis nas escalas convencionais, constituindo portanto enclaves charnockíticos distribuídos principalmente ao redor do Granito Caladão.

Tendo em mente esse fato, referimo-nos a associação entre charnockitos e a formação de minerais de gema, particularmente crisoberilo, variedades de córindon, safira e rubi, espinélios, água-marinha, topázio e variedades de zircão.

A distribuição dos depósitos aluvionares de crisoberilo, turmalina, topázio e berilo e raríssimos de crisoberilo em pegmatitos em torno do Granito Caladão, desde Americaninhas, passando pelo Córrego Faísca, do Gil na parte norte, até o Córrego do Cascalho e Ribeirão Santa Cruz em volta de Catuji e Córrego Comprido, na parte sul com ocorrência de alexandrita não parece ocasional.

Portanto, existe distribuição espacial coincidente de charnockitos e depósitos de crisoberilo.

Acresce o fato de que, até hoje, não foi encontrado crisoberilo nos pegmatitos e aluviões dentro do Granito Caladão.

Esse tipo de mineralização tem sido considerado como derivada da ação de contato de charnockitos básicos em metassedimentos aluminosos por processo de desilicacão.

Sabe-se que tanto os metassedimentos quanto os granitos ao redor do Granito Caladão possuem cordierita, granada e sillimanita, e que Be2+ pode entrar na estrutura da cordierita em bases de substituição de BeSi por AlAl o que poderia representar um estágio intermediário para a formação do crisoberilo, até formar crisoberilo, tipos gema e "olho de gato".

As associações indicadas ou evidências circunstanciais servem como linha de pesquisa para futuros trabalhos.

Tratando-se das mineralizações intragraníticas de interesse econômico nos pegmatitos do Ponto do Marambaia, as de água-marinha de cor azul e, subordinadamente verde consistem nas principais.

Topázio, em todas as suas variedades, mais quartzo nas variedades murion e hialino são explorados como subprodutos.

Entretanto cristais métricos de quartzo têm sido procurados e peças perfeitas atingem dezenas de milhares de dólares.

Tanto a água-marinha quanto topázio ocorrem em dois tipos, "escória", referindo à cristais mal formados e/ou fraturados de tamanhos reduzidos e o tipo gema propriamente dita, que corresponde a cristais prismáticos bem formados, límpidos e livres de defeitos, como fraturas e impurezas, de tamanhos centimétricos a decimétricos, neste último, restrito às águas-marinhas.

Ambos cristais têm dimensões decimétricas, porém o topázio, ao ser extraído da matriz do pegmatito, se separa em muitas peças devido ao fissuramento interno.

Segundo os garimpeiros, há um controle na distribuição das gemas, ocorrendo em maior e melhor qualidade nos corpos subhorizontais restando para os corpos inclinados a "escória".

O fato é que produções significativas de água-marinha de interesse gemológico foram obtidas em corpos pegmatíticos localmente subhorizontais, situados na zona intermediária próximo ao núcleo, em bolsões denominados pelos garimpeiros de "caldeirões", que constituem "bonanzas" ricas em água-marinha tipo gema.

Os "caldeirões" são corpos irregulares, totalmente preenchidos, de dimensões que variam de 0,5 m a 3 m de diâmetro Os cristais gigantes de quartzo e murion se situam nesses "caldeirões".

Torna-se difícil a observação desses caldeirões nos pegmatitos dentro dos túneis, bem como se distinguir "caldeirão" de núcleo do pegmatito, mas pode-se afirmar que tratam-se de grandes bolsões onde quartzo e feldspato que foram parcialmente dissolvidos e reprecipitados juntamente com o berilo resultante de seu enriquecimento nas soluções residuais ricas em Be2+ e F.

As soluções silicosas, residuais e finais foram responsáveis pela formação dos megacristais de quartzo e murion.

O crescimento dos cristais de quartzo e murion é linear.

Ele se dá a partir da borda do núcleo com os eixos-c em direção às zonas externas, sobre os prismas de água-marinha, normalmente recoberta por "película" de moscovita cinzenta.

Turmalina fina negra pode também ocorrer neste contexto O quartzo murion, a muscovita e a turmalina negra são considerados pelos garimpeiros da região como bons indicadores da mineralização.

Mineralização nos pegmatitos, Zona de substituição localizada junto ao núcleo de quartzo, com quartzo+muscovita clara+K feldspato, por vezes mineralizado a água-marinha e topázio, ambos do tipo escória.

Zona de substituição localizada junto ao núcleo de quartzo, constituído de quartzo+muscovita cinzenta+ feldspato branco + topázio do tipo escória.

O cristal estava envolto por caulim.

Cristal de quartzo associado à turmalina negra, muscovita cinzenta e água-marinha Do ponto de vista geoquímico as mineralizações podem ser interpretadas como do tipo Be-F, uma possível variação dos pegmatitos de elementos raros e sua evolução representada esquematicamente no triângulo composicional no sistema Si-Al-K+Na.

Os pegmatitos evoluídos a partir dos fluídos residuais oriundos da cristalização do granito, iniciaram seu desenvolvimento a partir da associação K feldspato pertítico-quartzo em textura gráfica formando a matriz.

Em seguida, foram formados mega-cristais de K feldspato e quartzo leitoso intersticial e biotita.

Dessa maneira o líquido residual, com seu conteúdo de K significativamente decrescido, tornou-se relativamente rico em voláteis, H2O e F, e Be2+, dirigindo a composição do fluído para a linha Si-Al, no triângulo composicional Nesse momento, com a razão Si/Al em torno de 1/3 no fluído, topázio cristaliza sob elevada fugacidade de HF.

Ainda, com razão Si/Al inferior a 1/3 e em processo de desilicação, o fluído sob reduzida fugacidade de HF, resulta na cristalização de crisoberilo.

Em sistemas com baixa fugacidade de HF, granada é formada, como ocorre nos pegmatitos, invadindo os granitos periféricos Como conseqüência, a concentração de Be2+ no fluído aquoso residual aumentou relativamente, devido à adicional extração do Al, propiciando a cristalização de berilo e água-marinha, quando a razão Si/Al ultrapassa 3/1.

Após formado berilo, o fluído se tornou fortemente silicoso resultando na formação dos mega-cristais piramidados de quartzo hialino e murion.

O excesso de SiO2 no sistema é confirmado pela reação de substituição, responsável pela formação do berilo A biotita permaneceu pouco ou nada transformada durante a evolução do pegmatito, devido à baixa fugacidade do B3+ no fluído.

A evolução geológica da região do Ponto do Marambaia durante o Proterozóico inicia com o metamorfismo regional dinamotermal sob condições deformacionais passando do regime dúctil até o dúctil-rúptil, atingindo níveis de fusão parcial com a geração dos granitos crustais denominados Caraí, Itaipé, Faísca e Wolf.

Representam denominações locais de granitos exibindo mínimas variações texturais, resultantes de restitos composicionalmente diferentes, como charnockitos, biotita xistos e gnaisses kinzigíticos circundantes, cedendo material para a fusão inicial.

A natureza gradacional dos contatos entre os granitos, inexistência de xenólitos de granito-em-granito, existência de texturas nebulíticas, a presença comum de granada constituem evidências de cogeneticidade e contemporaneidade dos granitos circundantes.

O Charnockito Padre Paraíso, enderbítico, constituiria restito refratário incluso no Granito Caladão, que iria promover geração de pegmatitos desilicados resultando na formação de crisoberilo.

Refusão crustal parcial dos granitos circundantes promoveu a geração do Granito Caladão, ainda com considerável quantidade de granitos circundantes não completamente cristalizados.

Deformação rúptil começa a dominar o cenário com a ascenção dos granitos.

Pegmatitos se formam e se alojam no interior do Granito Caladão na área do Ponto do Marambaia.

Desenvolveram-se nos estágios finais da evolução tectono-magmática da Faixa Araçuaí, gerados a partir do processo de fracionamento ígneo das fusões residuais dos granitóides cálcio alcalinos de alto-K, póscolisionais, onde se encontram alojados.

Os líquidos magmáticos preencheram fraturas de contração duran