sábado, 8 de agosto de 2015

Sobre mineração e sustentabilidade

Sobre mineração e sustentabilidade

Em sua coluna de julho, o biólogo Jean Remy Guimarães aborda o interesse renovado pelo garimpo do ouro na Amazônia. O material desprezado por garimpeiros há 20 anos é agora retrabalhado por meio de processo altamente agressivo ao meio ambiente.

Sobre mineração e sustentabilidade
Com a subida do preço do ouro, a atividade mineradora ganha novo fôlego. Áreas exploradas na Amazônia na década de 1980 voltam a dar lugar aos mineiros, afetados diretamente pelos elementos tóxicos envolvidos na extração de metais. (montagem: C. Almeida)
A mineração é, por natureza, atividade não sustentável. Vive da extração de minerais cujos estoques são finitos. Uma vez exauridos, a única opção será reciclar os metais já extraídos.
Na maior parte dos casos, busca-se extrair um elemento valioso que está presente no minério em teores de gramas por tonelada. Para chegar ao minério, é necessário remover quase tudo o que há no caminho e achar onde botar tudo isso. O lugar designado para tal é adequadamente chamado de bota-fora. É nele que se descartam montanhas de material processado, rebaixado agora ao termo ‘estéril’.
No caso da mineração de ouro, por exemplo, gera-se cerca de uma tonelada de estéril para se obter três gramas do precioso metal. Dependendo de seu teor de água, o estéril é empilhado ou recolhido em bacias de decantação, cujos diques teimam em sofrer infiltração ou, pior, rompimento, geralmente em época de chuva.
Já as pilhas de estéril causam outro problema, a drenagem ácida. Os minérios são frequentemente ricos em enxofre, que forma sulfatos, combustível das bactérias sulfato-redutoras, cuja atividade incessante gera ácido sulfúrico. O chorume formado nessas pilhas de estéril pode ter acidez suficiente para matar dezenas de quilômetros da bacia de drenagem a jusante.
Chorume
Os resíduos da atividade mineradora são, em geral, empilhados ou recolhidos em bacias de decantação. O chorume formado nessas pilhas é extremamente ácido e nocivo ao meio ambiente.
Falei em teor de água. Água de onde e para quê? Água de onde houver, em quantidade, para processar o minério moído, que se torna, assim, uma polpa, que pode ser bombeada, agitada e misturada homogeneamente com reagentes diversos. O fato de certas frações da polpa serem mais leves ou hidrofóbicas permite também removê-las por flotação, um processo parecido ao que se faz na cozinha com uma escumadeira.
Caramba, ainda não extraímos quase nada e já ocupamos uma área enorme com material inservível para agricultura e geralmente inadequado para construção, e transformamos rios de água em rios de lama. E, por enquanto, falamos mais da física do que da química e da toxicologia do processo.

Amalgamação e cianetação

Seguindo com nosso exemplo do ouro: há vários processos para sua extração, mas os mais usados são a amalgamação com mercúrio metálico e a cianetação. O mercúrio é um elemento muito peculiar, líquido e pouco volátil à temperatura ambiente, condutor, e capaz de dissolver outros metais.
Entre muitos outros usos, essas propriedades permitem fazer obturações dentárias baratas e duráveis – misturando-se mercúrio, prata e cobre – e também extrair ouro fino de solos e sedimentos. Depois de amalgamado com o ouro e a prata ali contidos, o mercúrio é removido por aquecimento.
Naturalmente, isto pode gerar grave exposição ocupacional e injeta vapor de mercúrio na atmosfera, que pode se dispersar por grandes distâncias. Também gera quantidade expressiva de material contaminado com mercúrio metálico. Embora simples e barato, esse processo não consegue remover mais de 30% do ouro.
Para aumentar o rendimento da extração, seus efluentes são frequentemente submetidos à cianetação. O cianeto é bem menos conversável do que o mercúrio. Pequenas bobeiras no seu uso podem gerar vapores fatais, e sua liberação em corpos d’água transforma-os em desertos por dezenas de quilômetros. Sua toxicologia é, digamos, mais rápida e objetiva.

De draga em draga

Mas foi o processo de amalgamação que sustentou a corrida do ouro na Amazônia brasileira durante os anos 1980. Concentrada nos rios Madeira e Tapajós, essa corrida produziu cerca de 100 toneladas anuais de ouro e a liberação de quantidade equivalente de mercúrio em solos, águas e atmosfera, além de causar assoreamento de rios e modesto desmatamento.
A corrida do ouro na Amazônia produziu cerca de 100 toneladas anuais de ouro e a liberação de quantidade equivalente de mercúrio em solos, águas e atmosfera
Durante uma década, o garimpo de ouro ocupou um milhão de garimpeiros, gastou mais carpete do que a construção civil e foi o principal consumidor de motores diesel e de popa do país.
No rio Madeira, grandes dragas e balsas foram improvisadas com flutuadores de todo tipo, dos barris de óleo amarrados uns aos outros aos grandes cilindros metálicos encomendados em pequenas metalúrgicas. Cobertos com piso de madeira e lona, abrigavam equipes de quatro a seis pessoas, que trabalhavam, comiam e dormiam a bordo e se deslocavam ao sabor do teor de ouro no sedimento do rio.
Em pontos mais atraentes, as dragas e balsas se acotovelavam tornando quase possível a travessia do rio sem molhar os pés, pulando de draga em draga. Armazéns, bordéis, restaurantes, postos de venda de gasolina, diesel e mercúrio eram flutuantes e tão móveis quanto os seus clientes.
Já no Tapajós e em Serra Pelada, o garimpo era de terra firme e deixava marcas mais visíveis, como as grandes cavas empapadas de água. Por que esse cenário épico não foi tema de algum filme à la Fitzcarraldo, de Werner Herzog, é uma pergunta que não quer calar.
Em plena crise inflacionária oficial, essa economia paralela, porém muito concreta, era regida pelo ouro e os estabelecimentos não tinham caixa registradora, mas sim balanças de precisão. Uma cerveja ou maço de cigarro, 1 grama de ouro. Um programa, 2 gramas, e assim por diante.
Uma cerveja ou maço de cigarro, 1 grama de ouro. Um programa, 2 gramas, e assim por diante
Tudo isso era ilegal, já que ninguém tinha autorização de lavra, só de prospecção, e o uso de mercúrio no garimpo não era autorizado. Mas com 100 toneladas anuais de ouro, quem vai se importar, não é mesmo? E as 100 toneladas anuais de mercúrio? Eram importadas, já que não temos jazidas desse metal multiuso no Brasil. Importadas para “uso odontológico” ou “usos não especificados”. Haja obturação, mas ninguém estranhou.

O garimpo voltou

Mas aí a queda brusca do preço do ouro fez ‘tcham’, o plano Collor fez ‘tchum’ e a partir de 1990 a atividade garimpeira desabou, assim como a visibilidade do tema. Mas nada é para sempre, a não ser a morte e a extinção. Os preços do ouro vêm subindo forte nos últimos anos. O garimpo voltou. Não à ribalta, mas às ribeiras.
Todo mês alguma draga é abalroada no Madeira por um barco de passageiros ou uma balsa de transporte. Não tem onde reclamar, afinal, não deveriam estar ali. Mas no garimpo há trabalho, come-se carne e pode-se sonhar com riqueza num pais ainda campeão de desigualdade.
E assim, com a subida da cotação do ouro, o estéril de ontem virou matéria-prima. No Tapajós, o material desprezado pelos garimpeiros de 20 e poucos anos atrás é agora retrabalhado com cianetação. Sem alarde midiático nem documentário da BBC.
No Madeira, grandes hidrelétricas estão em construção no trecho que sofreu garimpo nos anos 1980 e só no futuro saberemos que efeito isso terá sobre os níveis de mercúrio em peixes, nas próprias represas e rio abaixo.
No Peru, a região de Madre de Dios é cenário de uma corrida do ouro localizada, mas muito intensa, em áreas cuja drenagem flui para o nosso pais. E todas as áreas auríferas estão em exploração crescente, no mundo todo, e novos projetos se multiplicam.
Mercúrio
Líquido, pouco volátil à temperatura ambiente e capaz de dissolver outros metais, o mercúrio tem sido usado na extração do ouro. O governo do Amazonas acaba de autorizar o seu uso nos garimpos do estado, a despeito dos efeitos altamente nocivos. (foto: Wikimedia Commnos)
No Brasil, o governo do estado do Amazonas deu sua contribuição ao debate autorizando o uso de mercúrio nos garimpos do estado, quando muitos visitantes da Rio+20 não haviam ainda feito as malas. Só saiu em versões on-line de alguns jornais.
Mas não se preocupe, será exigido um relatório de impacto ambiental. Difícil vai ser o preenchimento do quadro “local da atividade”. Afinal, não há espaço suficiente no formulário para escrever “onde houver ouro, num trecho de 900 quilômetros do rio Madeira, a partir da divisa do estado, e em afluentes no mesmo trecho”. E tudo isso só faz algum sentido, se fizer algum, caso haja alguma presença do estado nos locais em questão.
Algo me diz que não vai ser o caso. Vamos acabar sendo abalroados por um documentário da BBC ou algo parecido. Mas com tanto ouro, quem se importa, não é mesmo?

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Petra Diamonds em vias de se tornar a maior produtora de diamantes da África do Sul

Petra Diamonds em vias de se tornar a maior produtora de diamantes da África do Sul



 
Há dez anos ninguém poderia imaginar que a “junior” Petra Diamonds iria, um dia, se tornar a maior produtora de diamantes da África do Sul, um reduto inexpugnável da De Beers.

Nesta época ninguém imaginava que a Petra Diamonds iria controlar cinco dos maiores e mais importantes kimberlitos do mundo, se tornando na maior produtora independente de diamantes do planeta.

A empresa, que foi fundada em 1997 e está listada na Bolsa de Londres, já é tudo isso e se prepara para, em breve, ultrapassar a De Beers na África do Sul.

No momento a De Beers ainda é a maior produtora na região, mas em breve, com a venda de dos rejeitos da mina de Kimberley ela irá perder uma produção de 722.000 quilates anuais. A De Beers deverá, também, fechar a mina de Voorspoed ficando, nos próximos anos, somente com a mina de Venetia onde a produção estará em torno de 4 milhões de quilates por ano.

Enquanto isso a Petra continua expandindo a espetacular mina de Cullinan, lar dos maiores diamantes conhecidos, que junto com Finch produzem uma grande parte dos seus 3,4 milhões de quilates ano.

Em quatro anos a Petra Diamonds já estará produzindo mais de cinco milhões de quilates ano, que podem incluir os diamantes de Kimberley, também na mira da agressiva mineradora.

Apesar da queda nos preços do diamante bruto a Petra Diamonds tem um excelente rating dado pelas agências de risco.

Na contramão: enquanto todos fecham minas de baixo teor Vedanta vai abrir mina com 58% de ferro

Na contramão: enquanto todos fecham minas de baixo teor Vedanta vai abrir mina

com 58% de ferro


A mineradora indiana Vedanta vai reabrir a mina Bicholim, em Goa, no próximo dia 10.

Bicholim é uma mina de minério de ferro com teor de 58% de Fe. A mina havia sido paralisada pelo Governo de Goa há três anos. A paralisação das minas de Goa e Karnataka na Índia foi uma decorrência dos baixos preços e alta rejeição que estes minérios de qualidade inferior estavam recebendo na China.

Na época, o minério indiano deixava de ser negociado pela péssima imagem criado pelos produtos vindos de Goa e Karnataka. É que quase todas as minas destas duas regiões eram, na realidade, verdadeiros garimpos onde a falta de controle de qualidade imperava.

Agora a Vedanta vai reabrir a mina em um momento de condições adversas onde o preço do minério de Bicholim não será superior a US$33/t.

O que a Vedanta tem que as outras não têm? Custos operacionais baixíssimos?

Na verdade a Vedanta está pagando, em Bicholim, salários e encargos sociais há três anos sem nenhuma venda. A solução encontrada pela mineradora para reduzir o prejuízo é colocar a mina em produção.

A partir do dia 10 a empresa terá uma permissão de lavrar 5,5 milhões de toneladas por ano.

Enquanto isso Anil Agarwal, o dono da Vedanta, reza para que os preços continuem subindo o que poderá colocar Bicholim de volta ao lucro.

Petrobras tem lucro de R$531 milhões no segundo trimestre

Petrobras tem lucro de R$531 milhões no segundo trimestre



 
A Petrobras divulgou agora os resultados do segundo trimestre.

Segundo a empresa o lucro líquido do segundo trimestre foi de R$531 milhões, 89% menor do que o mesmo período de 2014.

No período a Petrobras recuperou R$159 milhões através da Operação Lava a Jato.

O Ebitda do semestre foi de R$41,3 bilhões um aumento de 35% sobre o primeiro semestre de 2014.

A dívida líquida é de US$104,4 bilhões.

País em crise, dólar dispara e faz preço do ouro subir

País em crise, dólar dispara e faz preço do ouro subir




A crise que o Brasil atravessa está , aos poucos, desfigurando a economia.

Sem um líder o Brasil, um país de enorme potencial, está de joelhos tentando sobreviver à corrupção que assalta os cofres públicos, às guerras políticas de poder e aos impactos de uma séria convulsão econômica.

Os índices estão em queda e o dólar sobe acelerado, ultrapassando os R$3,55. As bolsas caem e a rejeição ao Governo Dilma, segundo o Datafolha, supera as piores taxas já registradas no país.

Dilma tem menos apoio do que o infame Collor às vésperas do impeachment.

No meio do desastre, como esperado, o ouro sobe.

Alavancado pelo dólar estratosférico o grama de ouro, mesmo caindo no exterior, ultrapassou aqui no Brasil os R$123,00.

Mais um efeito da crise que o governo tenta minimizar.