Ao lado dos diamantes as pérolas cultivadas são as gemas mais importantes do segmento joalheiro
Golay
Entre
as gemas orgânicas, as pérolas são as mais importantes. Muitos pensam
que as pérolas são somente brancas. No entanto, elas ocorrem em várias
cores. As cores básicas incluem: rosa claro, branco e branco amarelado
ou amarronzado, chamada de creme. As pérolas cultivadas de cor preta,
cinza, azul, roxa e marrom são denominadas pérolas negras, e são
conhecidas como taitianas. Das pérolas cultivadas negras, a preta é a
mais rara.
Formação e Composição da Pérola
Existem
pérolas de água doce e de água salgada, podendo ser naturais (feitas
pela natureza) ou cultivadas (induzidas pelo homem). Quase todas as
pérolas vendidas atualmente são cultivadas. As pérolas naturais, assim
como as cultivadas, se formam em vários tipos de moluscos de água doce (
unio) ou de água salgada (
pinctada).
Alguns exemplos de moluscos produtores:
Água salgada:
bivalve:
pinctada radiata (Golfos Pérsico e de Maanar, Mar Vermelho e Venezuela);
pinctada margaritifera (norte da Austrália, Mar Vermelho e Taiti);
pinctada
maxima (nordeste da Austrália, Ilhas da Micronésia e Polinésia);
pinctada carcharium (oeste da Austrália);
pinctada martensi (Japão).
univalve: strombus gigas ou concha gigante (Flórida, Golfo da Califórnia, Caribe e Antilhas) e haliotis – abalone /paua – (Golfo da Califórnia e Nova Zelândia). | |
strombus gigas;
|
Água doce:
unio (América do Norte) e
unio margaritifera (Europa).
Pérola natural
Pérola natural;
| | A
formação de uma pérola natural pode ser provocada por um grão de areia,
uma bactéria ou qualquer corpo estranho que entre na concha, irritando o
molusco, o qual segrega uma substância chamada nácar. Esta substância
reveste o corpo estranho em várias camadas. Eventualmente, o corpo
invasor se torna uma pérola. |
Para formar
uma pérola solta, o invasor - geralmente um organismo vivo - é
imobilizado pelo molusco, que o engloba em seu manto, formando um saco
perlífero. A parte interna do saco perlífero é constituída de células
produtoras de nácar, que revestirão o invasor com camadas concêntricas
de nácar, transformando-o em uma pérola.
A composição química da
pérola é variável. Normalmente, a pérola é composta de 82 a 86% de
aragonita (carbonato de cálcio), de 10 a 14% de conchiolina e de 2 a 4%
de água.
Pérola cultivada
As pérolas cultivadas e as
naturais são idênticas em aparência. Entretanto, as cultivadas são
formadas por indução do homem. O cultivador abre a concha, faz uma
incisão no epitélio do molusco e insere um pedaço pequeno de epitélio de
outro molusco, em conjunto com uma esfera de madrepérola.
Depois
que o molusco se refaz da operação, ele é colocado em uma gaiola
submersa, para produzir a pérola. Algumas vezes, só o epitélio é
implantado para a estimulação da pérola cultivada (anucleada). São
exemplos as pérolas cultivadas em água doce.
Robert Wan
O
processo de nucleamento para o cultivo de pérola é muito delicado: de
três moluscos nucleados, dois sobrevivem ao processo. Dos sobreviventes,
somente ¼ produz pérolas cultivadas e somente uma pérola, a cada quatro
cultivadas, é boa o suficiente para exportação.
O fator mais
importante no tamanho da pérola cultivada é, normalmente, o tamanho do
núcleo. A temperatura da água, a localização do núcleo e o tempo que a
pérola permanece dentro do molusco também irão afetar o tamanho e a
qualidade.
O período típico de cultivo é de um a dois anos. Para o
cultivo de pérolas de boa qualidade, é necessário um período maior, de
geralmente três anos e meio.
O cultivo de pérolas não foi desenvolvido da noite para o dia. No século XIII, os chineses já cultivavam pérolas bolhas ou “
blisters”.
A indústria moderna de pérola cultivada começou no Japão, por volta de
1890, com Kokichi Mikimoto (1858-1954), que iniciou a produção de
pérolas cultivadas semiesféricas ou
blisters. Em 1913, Mikimoto
iniciou a comercialização de pérolas cultivadas esféricas, mas somente
em 1921 a produção desta forma entrou no comércio mundial em quantidades
comerciais. Devido ao quase colapso do comércio de pérolas naturais, o
negócio de pérolas cultivadas floresceu. Depois dos diamantes, as
pérolas cultivadas são as gemas mais importantes do setor joalheiro.
Uma
colheita produz pérolas de diversas cores, que são separadas. As cores
escurecidas pela presença de conchiolina passam por um processo de
branqueamento. As pérolas de cores sem atrativo são tingidas ou
irradiadas.
O tamanho varia de acordo com o tamanho do núcleo
implantado, conforme a parte do molusco em que a pérola foi cultivada e o
tempo de cultivo. Quanto maior a pérola, mais difícil é o seu cultivo e
mais valiosa ela se torna.
Oriente é a denominação especialmente
usada para as pérolas que apresentam o fenômeno óptico da iridescência.
Característico em pérolas de excelente qualidade, é causado pela
combinação dos efeitos de:
- interferência da luz sobre a sucessão de finas e translúcidas camadas que compõem a superfície nacarada;
- difração da luz refletida das linhas das camadas compactadas que se encontram na superfície do nácar.
Fator
muito importante para a durabilidade e o brilho da pérola cultivada.
Pode variar de muito fino a muito grosso, com uma média de 10% a 15% do
diâmetro total da pérola e raramente excedendo 30%. A espessura do nácar
das pérolas cultivadas nos Mares do Sul é muito maior que qualquer
outra, podendo a melhor qualidade apresentar de 40% a 50% de nácar.
As
pérolas são muito delicadas. Além de serem porosas, têm dureza de 2 ½ a
4. Nunca limpe pérolas com jato de vapor ou em aparelho de limpeza
ultra-som.
As pérolas cultivadas exigem mais cuidados que as
naturais, principalmente quando em fios de colares. Gordura da pele e de
cosméticos tende a entrar entre a camada de nácar e o núcleo. Esta
gordura, geralmente acompanhada de poeira, se apresenta através da fina
camada perolada, dando à pérola uma aparência lânguida.
| As
pérolas não devem ser usadas em piscinas, praias ou ao banho. Nunca se
deve passar perfume, laquê ou cremes sobre pérolas. As pérolas devem ser
retiradas para se secar os cabelos com o secador. Se tiver contato com
suor, antes de serem guardadas, devem ser limpas com uma flanela macia,
limpa e levemente úmida. Pérolas devem ser guardadas separadas de outras
jóias para evitar riscos. | |
Rambaud
|
As peças de pérolas montadas em fios de seda, se usadas com freqüência, devem ser re-enfiadas anualmente ou bienalmente.
Tratamentos
As pérolas podem ser tratadas por: branqueamento, tintura, irradiação, capeamento e tratamento da superfície.
BranqueamentoEste
tratamento é usado em praticamente todas as pérolas cultivadas, para
branqueá-las. Água oxigenada é usada para clarear manchas escuras de
conchiolina, que podem aparecer através do nácar. Este processo também é
usado para preparar a pérola para ser tingida.
TinturaTratamento
usado para alterar a cor ou esconder imperfeições coloridas. A tintura
pode ser feita na superfície da pérola ou no núcleo, antes deste ser
nucleado no molusco. Para produzir o
rosée, a pérola é imersa
em óleo vegetal ou álcool com eosina. Nitrato de prata produz a cor
negra. Através de diversas químicas, muitas cores são produzidas nas
pérolas cultivadas em água doce. É um tratamento geralmente estável.
Entretanto, algumas tinturas podem desbotar. A tintura, muitas vezes,
pode ser detectada ao redor e no interior do furo da pérola.
Pérolas;
IrradiaçãoAs pérolas podem se tornar negras se expostas a raios gama. Muito usado em pérolas cultivadas em água doce e
akoyas, este tratamento colore o núcleo.
Capeamento da superfícieO
tratamento de capeamento da superfície com cera, óleo ou laca (verniz) é
usado em pérolas que possuem uma fina camada de nácar, para produzir um
melhor lustro ou ocultar fraturas.
PolimentoO brilho e imperfeições podem ser melhorados através do polimento da superfície.