segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Seca empurra agricultor para garimpo ilegal

Seca empurra agricultor para garimpo ilegal

Homem do campo no Sertão Central tem na extração mineral de pedras preciosas uma fonte de subsistência
Fortaleza. A seca que atingiu o Estado desde o ano passado está empurrando o homem do campo para atividades de exploração mineral. Em Quixeramobim, o aumento dos garimpos já chama a atenção da Prefeitura local, que, inclusive, vem sendo solicitada para realizar limpeza de minas.

Garimpeiros pedem à Prefeitura de Quixeramobim a limpeza das minas FOTO: ANDRÉ LIMA

Apesar de não ser um fato inédito, o Departamento Nacional de produção Mineral (DNPM-CE) adverte que a atividade pode estar ocorrendo de forma ilegal, haja vista que não há concessão de licença para exploração de minérios mais em conta no mercado de pedras preciosas ou semi-preciosas.

No Distrito de Berilândia, município de Quixeramobim, existem três Permissões de Lavra Garimpeira para extração de Quartzo (serrote Alto dos Cristais), Turmalina e Quartzo. Na última vistoria realizada por técnico do DNPM-CE, constatou-se apenas a extração de quartzo.

O prefeito de Quixeramobim, Cirilo Pimenta, informou que tem crescido o interesse de agricultores pela exploração mineral, inclusive requerendo o apoio da administração municipal para melhor desempenho da atividade. Dentre esses, destacam a limpeza de resíduos deixados pela queda de barreira, além do restauro da via de acesso.

Intimidação
Berilândia é um distrito com uma população fixa em torno de 5 mil pessoas e uma área estimada em 100 quilômetros quadrados. Embora seja ligado administrativamente ao município de Quixeramobim, as jazidas se estendem ainda pelos municípios de Milhã e Solonópole.

Embora a atividade mineral não seja tão intensa quanto no passado, até mesmo porque houve um processo de exaustão das minas, ainda há um clima de intimidação gerado pelo fechado mundo do garimpo.

Um morador da cidade diz que não ousa ir até o distrito, porque há o risco de não conseguir entrar. "É um lugar tomado pela desconfiança e por homens que vivem do comércio ilegal de gemas", disse.

Além do aspecto ilegal, há em Berilândia uma contemplação imediata de uma terra devastada. Anos seguidos de extração, sendo que boa parte sem acompanhamento técnico necessário, trouxe danos ambientais à localidade, bem como tem-se tornado imprestável para a agricultura.

Alternativa
Para Cirilo Pimenta, não há porque ficar alarmado com a retomada do movimento intenso em Berilândia. Ele diz que não há pessoas de fora, mas sim da própria região, que buscam na mineração uma alternativa de subsistência, por meio de serviços temporários nas minas.

O prefeito garante que promoverá a limpeza, que é paga por hora trabalhada por trator, além do uso de patrol para recuperação das estradas vicinais de acesso ao garimpo.

O superintendente regional do DNPM-CE, Fernando Antônio da Costa Roberto, lembra que as minas sempre atraíam garimpeiros principalmente nos períodos secos. Com isto, o Governo do Estado, na época da Companhia de Mineração do Ceará (Ceminas), apoiou a instalação de uma residência em Berilândia para dar apoio técnico e material aos garimpeiros. A Ceminas foi extinta e a maioria dos garimpos abandonados.

A região ficou conhecida pela extração de quartzo, feldspato, mica, ambligonita e espodumênio (minerais de lítio), berilo (que inspirou o nome do distrito), água marinha, turmalinas, tantalita/columbita, etc. "Acontece que, em Berilândia, a maioria dos pegmatitos explorados, principalmente nas décadas de 1980 e 1990, estão paralisados. Se houver extração de pedras semi-preciosas (gemas: água marinha, turmalinas verde, rósea) são todas ilegais", afirma Fernando.

Divisão
No Estado do Ceará, é conhecida a Subprovíncia Pegmatítica do Ceará(SPCE). A SPCE foi dividida em dois grandes distritos: Solonópole-Quixeramobim, englobando os municípios de Jaguaribe, Solonópole, Quixadá, Quixeramobim e Milhã e de Cristais-Russas englobando os pegmatitos de Cascavel, Aracoiaba, Russas e Morada Nova.

O Distrito Pegmatítico de Solonópole/Quixeramobim (DPSQ), considerado o de maior expressividade econômica, abrange uma área de 2.375 m, constituído essencialmente por uma grande variedade de minerais-gemas (turmalina, água marinha e granada) incluindo quartzo, feldspatos e micas. Outros minerais econômicos são: berilo, ambligonita, tantalita-columbita, lepidolita e espodumênio. "Daí podemos afirmar que o Ceará é detentor de uma importante suprovíncia pegmatítica que precisa de estudos detalhados para avaliação de suas reservas minerais", disse Fernando.

Alvará sai para diferentes segmentos
Fortaleza. Desde novembro de 2011 que somente são publicados alvarás de autorização de pesquisa para substâncias de uso imediato na construção civil e água mineral. Com isso, há pouco aproveitamento do potencial mineral do Estado.

O potencial mineral de Quixeramobim recebeu apoio com escolas de lapidação de pedras preciosas e semi-preciosas, com produção de semijoias FOTO: NEYSLA ROCHA

Se a agricultura é prejudicada pela escassez de água, que não consegue penetrar o subsolo por conta das camadas de pedras, essa mesma pedra tem uma exploração acanhada.

Incremento
"Em Quixeramobim, se cavamos dois metros encontramos pedra. Essa se encontra em toda parte", disse Cirilo Pimenta. O prefeito diz que tem uma atenção especial com a mineração, inclusive já tendo incentivado na gestão passada uma escola de designer para lapidação de pedras preciosas e semi-preciosas.

"Vamos continuar e incrementar esse trabalho. No tocante à exploração, nossa ideia é manter a presença de um geólogo para acompanhar os trabalhos de extração", disse o prefeito de Quixeramobim.

Segundo dados do Anuário Mineral Brasileiro (AMB - 2010), o Estado do Ceará conta com reservas de minerais metálicos (cobre, ferro e manganês) e de minerais não metálicos (areia, areia industrial, argilas comuns, argilas plásticas, argilas refratárias, calcário (rochas), calcita, diatomita, dolomito, filito, fosfato, gipsita, leucita/nefelino-sienito, magnesita, quartzo, rochas (britadas) e cascalho, rochas ornamentais e outras, rochas ornamentais (granito e afins), rochas ornamentais (mármores e afins), sílex e tufo vulcânico) e gemas (pedras semi - preciosas: turmalinas, água marinha). Boa parte desses produtos poderiam influir no Produto Interno Bruto (PIB), mas não é isso que acontece.

O superintendente do DNPM, Fernando Antônio, recomenda que haja mais estudos sobre o potencial mineral do Ceará. O Estado conta com duas unidades industriais de produção de cimento: uma no município de Sobral (região noroeste) e outra em Barbalha (região sul); além de 32 moageiras instaladas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Região Metropolitana de Fortaleza).

A produção de cimento no Ceará, em 2011, foi de 1.765.000 toneladas, apresentando em decréscimo de 5,4% em relação a 2010 (1.863.000 toneladas). Em 2011, somente CE, PB e SE mantiveram a capacidade de atender à sua própria demanda de cimento.

O setor cerâmico se destaca como o produtor principal de telhas e tijolos, gerando cerca de 7.700 empregos diretos, com a capacidade de produção mensal superior a 51.000 milheiros de telhas, 49.000 milheiros de tijolos e de 8.000 milheiros de peças cerâmicas.

O Estado tem um potencial geológico promissor para rochas ornamentais e de revestimento, além de possuir parque industrial na área de beneficiamento, colocando-o como um importante produtor de rochas ornamentais e de revestimento no Brasil, especialmente no que tange a produtos acabados, como chapas e ladrilhos. Atualmente o Brasil se posiciona como o 6º maior produtor.

Produção
Na Região Metropolitana de Fortaleza se concentra a maior parte da mineração de bens minerais de uso imediato na construção civil, destacando-se os municípios de Itaitinga, Caucaia, Pacatuba, Maranguape e Eusébio, na produção de britas britadas.

A produção de areia grossa para abastecimento da indústria da construção civil está localizada em Aquiraz, Caucaia, Pacatuba, Fortaleza, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape e Guaiúba (depósitos associados às bacias dos rios São Gonçalo, Ceará e Pacoti). Já a produção de água mineral, situa-se nos municípios de Fortaleza, Aquiraz, Horizonte e São Gonçalo do Amarante. Para o DNPM-CE, o que não traz benefícios para o Estado é a exploração ilegal ou clandestina.

FIQUE POR DENTRO

Dentre os principais projetos licenciados ou em implantação no ano passado, destacam-se: Projeto Santa Quitéria: mineração de fosfato e urânio - fase de elaboração do EIA/Rima para apreciação do Ibama - sem previsão.

Projeto Platina Pedra Branca - 66 alvarás de autorização de pesquisa (70.000 ha) em andamento.

Projeto Pedra Branca, em andamento; e Pedra Verde, em Viçosa do Ceará para minério de cobre - implantação paralisada.

Projeto de implantação da fábrica de cimento Apodi, no município de Quixeré. A empresa Companhia Industrial Cimento Apodi S/A, instalou no Complexo Portuário do Pecém, uma moageira e já se encontra fabricando o cimento Apodi.

Projeto Ferro Quiterianópolis, que no ano de 2011 foram exportadas para a China 210.000 toneladas de minério de ferro.

Projeto Parambu com pesquisa de minério de cobre em Parambu e Tauá. Está em andamento.

domingo, 23 de agosto de 2015

Tecnologia transforma CO2 em 'diamante'

Tecnologia transforma CO2 em 'diamante'

Sistema poderá diminuir níveis de gás carbônico na atmosfera

Poluição Efeito estufa Meio ambiente Mudança climática (Foto: Getty Images)
Diamantes poderão ser criados a partir do ar que respiramos. É o que dizem pesquisadores da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, coordenados por Stuart Licht.
O grupo desenvolveu uma tecnologia econômica que transforma os anidridos carbônicos (gás carbônico) encontrados na atmosfera em nanofibras de carbono, a mesma combinação de materiais que constitui um diamante.
"Encontramos um modo de usar o CO2 presente na atmosfera para produzir nanofibras de carbono de alto rendimento. Elas podem ser usadas para produzir compostos de carbono, como aqueles empregados nos aviões, nas turbinas eólicas ou em equipamentos esportivos", explicou Licht durante uma reunião da American Chemical Society (ACS).
Os pesquisadores, que já tinham conseguido produzir fertilizantes e cimento, agora estão um passo à frente, com uma tecnologia que pode se revelar útil também para resolver o problema do aquecimento global, além de criar materiais preciosos a partir do CO2.
Tudo isso será realizado através de um processo eficiente e de baixo custo de energia, que necessita apenas de um alguns volts de eletricidade, luz solar e muito anidrido carbônico.
"Nós calculamos que, com uma área menor que 10% do Deserto do Saara, a nossa tecnologia pode retirar bastante CO2, fazendo seus níveis na atmosfera diminuírem a aqueles antes da revolução industrial em aproximadamente 10 anos", afirmou Licht.
Contudo, no momento o sistema ainda está em fase experimental e, por isso, o esforço dos pesquisadores está concentrado em intensificar o processo para conseguir atingir a meta de criar dezenas de gramas de nanofibras em uma hora, usando cada vez menos energia.

Aposentado encontra diamante em Estrela do Sul, MG

Aposentado encontra diamante em Estrela do Sul, MG

Ele estava na calçada de casa quando avistou o diamante de 4 quilates.
6º maior diamante do mundo é da cidade e foi exposto no museu de Louvre.


 Um aposentado de 70 anos morador de Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro, encontrou uma pedra de diamante na porta da própria casa. O caso foi no início do mês passado e repercutiu entre os moradores da pacata cidade que tem cerca de 7.000 habitantes. O município é conhecido pelo garimpo e pelas histórias de quem encontrou pedras preciosas de forma inusitada.
André Fontes, que procurou gemas boa parte da vida, conversava com os amigos na calçada. O assunto: diamantes. Foi quando um caminhão passou e espirrou a pedra para perto dos pés do ex-garimpeiro. A pedra tem quatro quilates e pode valer cerca de R$ 5 mil depois de lapidada. Se virar joia pode valer ainda mais. Não é uma fortuna, mas alegrou a vida do aposentado. “Eu olhei e falei: esse trem não quer quebrar. Aí agachei, peguei e vi que era um diamante. Mostrei para os colegas que estavam junto e eles confirmaram”, disse.
Diamante vale R$5 mil (Foto: Reprodução TV Integração)Diamante pode valer R$5 mil
Município é conhecido pelos diamantes
Na década de 70, quando a cidade começou a ser asfaltada, foi usado cascalho tirado do rio Bagagem, onde muitos diamantes foram encontrados. O prefeito, Lycurgo Rafael Farani, acredita que o diamante tenha saído do asfalto. O administrador do município está até preocupado. “Já imaginou a corrida para garimpar as ruas da cidade? Eu não vou ter recurso para tapar tantos buracos”, brincou.
Segundo ele, outras histórias são contadas na região. Em uma delas, um morador fez um buraco na própria casa. “Um morador sonhou que na casa dele tinha um diamante e cavou um buraco, mas não encontrou”, disse. Ele diz que outros já foram encontrados até na moela de uma galinha.
O museu da cidade guarda as fotos do sexto maior diamante do mundo. Ele foi retirado do Rio Bagagem. O “Estrela do Sul” chegou a ser exposto no museu Louvre, em Paris. Com a notícia de André Fontes, outros moradores disseram que vão ficar de olho nas ruas da cidade.“Vou prestar mais atenção. Quem sabe não acho um desse também”, disse o motorista Isac Almeida.
O estudante João Bacelar se empolgou com a ideia e já pensa em garantir o futuro: “Vou varrer a rua inteira e procurar um para mim”.
“Estrela do sul” chegou a ser exposto no museu Louvre, em Paris (Foto: Reprodução TV Integração)“Estrela do Sul” chegou a ser exposto no museu Louvre, em Paris.
 

As gemas vêm do interesse dos homens há 10000 anos. Ametista, Cristal de rocha, Âmbar, Granada, Jade, Jaspe


As gemas vêm do interesse dos homens há 10000 anos. Ametista, Cristal de rocha, Âmbar, Granada, Jade, Jaspe, Coral, Lápili-lazúli, Pérola, Serpentina, Esmeralda e Turquesa foram as primeras a serem conhecidas.
Não existe uma definição aceita por todos para esse termo, porém há um denominador comum, todas as gemas têm algo especial, alguma beleza em torno delas. Elas são principalmente minerais (Safira), minerais agregados (Jaspe), orgâincas (Pérola), sintéticas (Esmesralda Sintéticas) ou mais raramente rochas (Lápili-Lazúli). As Gemas podem ser, por algum processo de aprimoramento de sua cor ou aparência, tratadas.
Algumas gemas são raras e belas devido a cor, a um fenômeno óptico exclusivo, ou brilho diferenciado. Outras são especiais devido a sua dureza ou inclusões excluvisas.
A raridade é outro fator importante na avaliação de uma gema. Como algumas das características que valorizam as gemas só se apresentam depois da pedra estar lapidada, o termo gema geralmente refere-se a uma pedra lapidada. A lapidação é a valorização de um material que de outra forma poderia passar apenas como um material bruto insignificante.
Existem centenas de tipos diferentes de gemas e materiais gemológicos. Como sabemos a atribuição de valor para gemas é um processo bastante subjetivo. Raridade, cor, tamanho, grau de pureza, transparência, formas e perfeição de lapidação são alguns fatores que têm grande influência na avaliação.Além disso, a diversidade de procedência das gemas, a situação político-econômica do país produtor e a distância do local de produção aos centros de consumo levam os mercados envolvidos a estabelecer valores de formas variadas.
Devemos considerar que outro fator de influência na avaliação de gemas é a complexidade dos vários níveis de mercados existentes e como são interpretadas as cotações em cada um desses níveis.
Comercialmente, as gemas são divididas em pedras coloridas e diamantes (mesmo os que não são incolores) além de ambas terem seu peso medido em quilate (1ct=0,2g).
2 – ESMERALDA
O nome vem do grego smaragdos. Ele significa “pedra verde”(Foto 3). É a mais nobre variedade de berilo.
Seu verde é tão incomparável que esta cor tão peculiar passou a ser chamada de verde-esmeralda. A substancia corante para a esmeralda é o cromo. A cor é muito resistente à luz e ao calor, não se modificando até uma temperatura de 700 ou 800°C.
As esmeraldas são formadas pro processo hidrotermal associado ao magma e metamorfismo. Jazidas são encontradas em filões de pegmatito ou em seus arredores.
2.1 - Jazidas mais importantes:
Mnia de Muzo (Colômbia) (foto 4), Mina de Chivor (Colômbia), jazidas na Bahia, Minas Gerais, Goiás; Zimbabue, África do Sul e Russia.

Foto 1: Mina de Muzo. Colômbia. Foto 2: Esmeraldas colombianas. Colômbia.
Unicamente na Colômbia são encontradas as raríssimas esmeraldas “Trapiche”(foto 5) caracterizado por um crescimento parecido com uma roda, de vários cristais prismáticos.
As jazidas de Minas Gerais se extendem desde o norte de Rio Casca até o sul de Guanhães. Nessa área deve-se destacar as minas Belmont (a maior do Brasil), Piteiras e o garimpo de capoeirana (cooperativa).

Foto 3: Esmeralda “Trapiche”. Mina Chivor (Colômbia).
Para Schrorcher et al. (1982), a geologia básica dos terrenos encontrados na região Itabira/Nova Era é caracterizada por um embsamento cratônico arqueano composto basicamente por terrenos gnáissicos migmatíticos, comcaracterísticas poligenéticas e polimetamórficas, incluindo rochas graniticas do tipo Granito Borrachudos; por um cinturão de rochas verdes arqueanas pertencentes ao Supergrupo Rio das Velhas; por metassedimentos do paleoproterozóico do supergrupo Minas; e pelos metassedimentos do mesoproterozóico, constituído essencialmente por quartzitos do Supergrupo Espinhaço.
Em termos estratigráficos, o Garimpo de Capoeirana e as Minas Belmont e Piteiras estão localizados em uma área onde afloram metarcóseos a metagrauvacas com intercalações concordantes de mica xistos e quartzitos micáceos. Secundariamente, há rochas anfibolíticas, intercalacões de xistos metaultramáficas e aparecimento descontínuo de veios pegmatíticos. Nesse contexto, as metaultramáficas e os veios pegmatíticos são as rochas mais importantes para mineralização da esmeralda.
Em relação a genese da esmeralda, todas as jazidas e/ou ocorrências de minas Gerais estão associados aos xistos derivados de rochas metaultramáficas, em locais de intensa percolação de fluidos hidrotermais relacionados aos pegmatitos, devido as condições tectônicas propícias. Esses xistos, representados essencialmente por biotita/flogopita xisto, clorita xisto, tremolita/actinolita xisto.
As áreas mineralizadas ocorrem nas proximidades do contato entre xistos metaultramáficos e as rochas granitos gnáissicas, do tipo Granito Borrachudos, estéreis em esmeralda.
A formação das esmeraldas mineiras (foto 6) está intimamente associada à interação química ocorrida entre a fase pegmatítica berilífera e as rochas metaultramáficas portadoras dos elementos (Cr, V, Fe).

Foto 4: Esmeralda Mineira, Coloração devida ao íons de Cr, V, Fe. Itabira, MG.
3.2 - Aspectos mineralógicos:
De cor verde claro a muito escuro ao verde azulado muito forte, tranparente a translúcido, brilho vítreo, dureza de Mohs 7,5 a 8, acatassolamento ou “olho-de-gato e asterismo (raro). Índice de refração de 1,577 a 1,583(± 0,017), pleocroísmo de moderado a forte, fratura conchoidal de brilho vítero a resinoso, clivagem basal, inclusões bifásicas e trifásicas, cristais negativos, “plumas” líquidas e inclusões minerais (micas da série biotita-flogopita, hornblenda, actinolita, tremolita, pirita, calcita, cromita, dolomita, pirrotita); o aspecto geral das inclusões nas esmeraldas é conhecido como “jardim” que são utilizadas como um “selo de autenticidade” das esmeraldas naturais diferindo-as das sintéticas.
A explotação da esmeralda no garimpo de Capoeirana é feita por meio de poços, túneis e galerias, com técnicas de mineração rudimentar e sem preocupação com o aproveitamento total das esmeraldas gemológicas e meio ambiente(foto 7).

Foto 5: Garimpo Capoeira. Nova Era, MG.
Na Mina Belmont a elplotação é realizada a céu aberto e subterrânea (foto 8), contando com sistema mecanizado desde a extração até o beneficiamento final. Na lavra a céu aberto, o xisto altamente decomposto favorece, sobremaneira a retirada mecânica do material esmeraldífero. Todo material explotado, tanto na mina a céu aberto quanto no subterrâneo, é transportado por meio de caminhões para usina de beneficiamento, onde o material é deslamado (separação de finos, <2mm), depois separação granulométrica, separação ótica, onde todo material verde é separado por uma máquina e por fim catação manual das esmeraldas (foto 9).

Foto 6: Mina Subterrânea, Mina Belmont. Itabira, MG. Foto 7: Catação Manual, Mina Belmont. Itabira, MG.
Além da Belmont Mineração podemos cita ainda empresas como: Rocha mineração, Beibra, Garipo de capoerana, Garimpo na Bahia na cidade de Anagé, Itaobi Campos verde ( GO ), Mineração Alexandrita
Existem muitas esmeraldas de grande valor e fama. A maios famosa das jóias de esmeralda é um pequeno frasco de unção de 12cm de altura e 2205 quilates talhado de um único cristal de esmeralda.
PREÇOS DE ESMERALDAS LAPIDADAS
Cotações por quilate em dólares americanos
FRACA (TERCEIRA)
1 - 2
2 - 3
3 - 4
de 0,50 a 1 ct
2 - 10
10 - 35
35 - 60
de 1 a 3 ct
2 - 15
15 - 50
50 - 80
de 3 a 5 ct
2 - 20
20 - 60
60 - 80
de 5 a 8 ct
2 - 30
30 - 60
60 - 100
acima de 8 ct
2 - 50
50 - 60
60 - 100
MÉDIA (SEGUNDA) BOA (PRIMEIRA)
4 - 5
5 - 6
6 - 7
7 - 8
de 0,50 a 1 ct
60 - 90
90 - 170
170 - 250
250 - 360
de 1 a 3 ct
80 - 230
230 - 390
230 - 520
520 - 820
de 3 a 5 ct
80 - 300
300 - 510
510 - 620
620 - 1200
de 5 a 8 ct
100 - 430
430 - 580
580 - 750
750 - 1600
acima de 8 ct
100 - 440
440 - 700
700 - 850
850 - 1900
EXCELENTE (EXTRA)
8 - 9
9 - 10
de 0,50 a 1 ct
360 - 660
660 - 2000
de 1 a 3 ct
820 - 1100
1100 - 3500
de 3 a 5 ct
1200 - 1700
1700 - 5500
de 5 a 8 ct
1600 - 3000
3000 - 5600
acima de 8 ct
1900 - 4000
4000 - 9000
Atualizado em outubro de 2005
3 – ALEXANDRITA
A gema alexandrita (Foto 11e 12), descoberta nos Montes Urais (Rússia), foi batizada em homenagem ao Czar Alexandre II que no dia da descoberta completava 12 anos de idade.

Foto 8: Alexandrita lapidada. Antônio Dias, MG Foto 9: Cristal de alexandrita. Antônio Dias, MG
No Brasil esta gema foi descoberta na década de 70 em pequenos garimpos no Espírito Santo e Bahia. Pórem a produção se revelou pequena e de baixa qualidade.
Em Minas Gerais, a primeira descoberta aconteceu em 1975, no Córrego do Fogo, município de Malacacheta e em 1986 foi descoberta a que seria a maior jazida já registrada na história, no distrito de Hematita, no município de Antônio Dias. Atualmente essa área é explotada por duas empresas: Alexandrita Mineração Comércio e Exportação Ltda, detentora da maior jazida de alexandrita do mundo, com uma reserva de aproximadamente 60kg e a Mineração Itaitinga.
Além dessas duas jazidas, existem outras ocorrências de alexandrita, pórem sem importância econônica associadas às jazidas de esmeralda, como em Belmont, Capoeirana e Esmeralda de Ferros.
3.1 - Principais Jazidas:
Brasil, Sri Lanka, Zimbáue, Birmânia, Madagascar, Tanzânia e Russia (esgotadas).
Para que ocorra a cristalização da alexandrita, além do excesso de alumínio e deficiência em sílica é necessária a presença de uma fonte de cromo. Na grande maioria das ocorrências de alexandrita no mundo, são descritos processos geológicos envolvendo rochas ácidas e ultramáficas em ambientes ricos em alumínio (Munasinghe & Dissanayake 1981, Ustinov & Chizhik 1994).
Na jazida de Hematita, observam-se inúmeros pequenos corpos pegmatóides cortando as rochas ultramáficas da região, e, nos concentrados aluvionares, constata-se a presença de cianita, granada, berilo (esmeralda e água-marinha), crisoberilo, estaurolita, muscovita, plagioclásio, e quartzo. Desse modo, a jazida de Hematita enquadra-se no modelo de Beus (1966) de pegmatitos ricos em Al2O3.
Relacionando os aspectos geológicos observados na região de Malacacheta, com a presença de corpos graníticos e intercalações de rocha metaultramáfica com xisto peraluminoso, Basílio (1999) propôs uma gênese baseada num sistema metassomático envolvendo fluidos hidrotermais de alta temperatura, ricos em berilo e oriundos do corpo granítico. A interação desses fluidos com os xistos aluminosos e suas intercalações metaultramáficas, fonte de cromo, propiciaram a formação da alexandrita.
Em relação às ocorrências de alexandrita associadas às jazidas de esmeralda, pouco se sabe.
A cor, a mudança de cor (efeito alexandrita) e o forte pleocroísmo são fatores determinantes na qualidade da alexandrita.
3.2 - Aspéctos Mineralógicos:
Sob a luz natural, a alexandrita apresenta-se verde ou mais raramente azul (foto 13) e quando iluminada por luz incandescente, mostra-se em tons de vermelho e violeta.
Seu intenso tricroísmo é caracterizado, variando nas cores verde, amarelo, vermelho e, mais raramente, azul. Assim como no rubi e na esmeralda, sua cor é resultante da presença de íons substituindo parte parte do alumínio nas posições octaédricas da estrutura cristalina.
Dureza 8,5; clivagem boa; fratura conchoidal;brilho vítreo ao subadamantino;mudança de cor; pleocroísmo

Foto 10: Alexandrita azul. Antônio Dias, MG
Quanto a explotação o método usado é igual ao método da esmeralda
PREÇOS DE ALEXANDRITAS LAPIDADAS
Cotações por quilate em dólares americanos
Fraca (Terceira)
Média (Segunda)
Boa (Primeira)
Excelente (Extra)
até 0,50 ct
15 – 150
150 - 500
500 - 1500
1500 - 2000
de 0,50 a 1 ct
40 – 250
250 - 1000
1000 - 3000
3000 - 4500
de 1 a 2 ct
70 – 500
500 - 2800
2800 - 5500
5500 - 7000
de 2 a 3 ct
90 – 800
800 - 3800
3800 - 6500
6500 - 9000

Gigante das dragas de ouro nos garimpos do Madeira mira Amazonas e Pará

Gigante das dragas de ouro nos garimpos do Madeira mira Amazonas e Pará


Draga de ouro no Mutum Paraná, afluente do Madeira.
Rio Madeira – Dono de um faturamento estimado em mais de R$ 1,2 milhões, em média, o dragueiro Arão Rodrigues Mendes – que se intitula presidente da Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (COOGAM) – que teria origem no Amazonas -  está prestes a renovar licença de operação junto a SEDAM (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental) e o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).  A medida, que contaria com o aval da secretária Nanci Rodrigues, pode sair em desacordo com as recomendações do Ministério Público Federal de Rondônia, para que a SEDAM não renove as licenças dos empreendimentos sob a alegação de uma série de ações que ferem o Código Nacional de Mineração, a lei de conservação e preservação aquaviária e do subsolo da União, bem como “a extração sem a totalidade da comprovação de origem do ouro pelas dragas do acusado em áreas outorgadas a outras cooperativas no Rio Madeira e Mutum-Paraná”.


A suposta vistoria ocorrida nas áreas reclamadas pelo “empresário brasileiro-boliviano” – um jovem de pouco mais de 30 anos oriundo da fronteira com a Bolívia – em sete processos denunciados ao MPF, já estaria em curso na Coordenadoria de Recursos Minerais (COREM) da SEDAM a renovação da licença ambiental de Arão Mendes a pedido do técnico José Trajano, cujo procedimento pode ser considerado “mais um flagrante descumprimento do Governo Confúcio Moura a uma decisão já tomada por parte de um órgão vinculado à Justiça Federal, nesta parte da Amazônia Brasileira”.

Líder” na extração e venda do “vil metal” (ouro) no estado e região, sobretudo nos garimpos dos rios Guaporé - Iténez e Mamoré (Bolívia), Madeira e Mutum-Paraná, ele é acusado de operar em áreas que estão fora das poligonais dos Pedidos de Lavra Garimpeira (PLG), cujas liberações – tidas como duvidosas pelas entidades habilitadas. – são atribuídas ao DNPM e SEDAM. Em que pese haja acusações de que, “o ouro dele é vendido sem notas fiscais, que atestariam a origem, a ação não é combatida pelo Fisco Federal, Estadual ou Municipal”, diz um delegado federal aposentado, estupefato com o que considera crime de lesa-pátria. .  

Com exceção das cooperativas MINACOOP (Cooperativa de Garimpeiros, Mineração e Agro-florestal) e COOGARIMA, os empreendimentos de Arão Rodrigues Mendes parecem imunes à legislação do País, já que até agora “não sofreu nenhum tipo de interdição, seja da Marinha do Brasil, SEDAM, DNPM ou da Polícia Federal”; a não ser sanções tomadas pelo MPF e recomendadas à secretária Nanci Rodrigues, cotada pelas denúncias de garimpeiros da extração mineral familiar, “a descumprir, em breve, uma decisão judicial”, caso conceda a renovação da aludida licença ambiental ao empresário.

Apesar de insistir em liberar as licenças ambientais de seus empreendimentos junto a SEDAM, mesmo com parte deles em situação sub-judice, Arão Rodrigues Mendes, esnobaria nos bastidores do Sindicato dos Garimpeiros (SINGRO), na Capital Porto Velho, que, “não estou nem aí para os garimpos de Rondônia, já que estou indo para o Pará”. Contudo, investigações apontam, no entanto, que, “liberadas as licenças, ele pretende fazer da bióloga Creuza Kuster e da advogada Tânia Sena, respectivamente, suas potenciais pre-postas nos negócios dos garimpos dos rios Iténez-Mamoré, Madeira e Mutum-Paraná”.

DNPM NÃO AGE – A Portaria de nº 263, de 13 de Julho de 2010, do Ministério de Minas e Energia (DNPM), publicada no Diário Oficial da União (D.O.U), edição de 16 de Julho do mesmo ano, “disciplina  aplicação de paralisação e de interdição nas ações de fiscalização promovidas pelo DNPM”.

Apesar de gozar de poder de polícia, em que pese inúmeros pedidos de fiscalização em empreendimentos de Arão Rodrigues Mendes e de outros considerados ilegais em áreas invadidas das cooperativas habilitadas, “não é de hoje que Superintendentes do órgão alegam que o DNPM não tem esse poder”. O que são desmentidos pela portaria só divulgada, agora, nesta Capital, por fontes do setor de arrecadação do próprio órgão depois que o novo Superintendente, Deolindo de Carvalho Neto, assumiu em substituição ao antecessor Airton Nogueira, por recomendação do Ministério Público Federal (MPF).

Diz o documento que, “considerando a necessidade de aperfeiçoamento dos procedimentos de fiscalização, item 1.6 – Fiscalização das Normas Reguladoras de Mineração – NRM, do Anexo I da Portaria 237, de 18 de outubro de 2001, especialmente no que concerne à interdição total ou parcial de um empreendimento mineral; considerando a necessidade de estabelecimento de ação integrada com outras instituições que atuam na atividade mineral; considerando o interesse social no aproveitamento dos bens minerais, a minimização dos impactos ambientais decorrentes da atividade mineraria bem como a melhoria das condições de saúde e segurança no trabalho, RESOLVE: Art. 1º Será lavrado AUTO DE PARALISAÇÃO de empreendimentos minerais quando durante a fiscalização forem constatadas as seguintes irregularidades: a) Extração mineral sem título autorizativo de lavra; b) Extração mineral executada fora da área determinada pelo título autorizativo e lavra, nos casos em que não se configurar erro de demarcação e possibilidade de retificação da POLIGONAL DA ÁREA titulada; c) Extração mineral na fase de alvará de pesquisa ou requerimento de lavra, sem Guia de Utilização; d) Lavra acima do limite estabelecido pela Guia de Utilização; ou e) Lavra com Guia de Utilização com prazo e validade vencido e sem requerimento de renovação ou com pedido de renovação intempestivo.

Por força do Art. 2º, “Será lavrado AUTO D EINTERDIÇÃO e áreas ou setores de empreendimentos minerais com título autorizativo e lavra outorgado, interditando parcial ou totalmente as atividades de extração mineral, quando durante a fiscalização forem constatadas as seguintes irregularidades: a) LAVRA AMBICIOSA, nas situações previstas no item 1.6, anexo I da Portaria nº 237, de 18 de outubro de 2001; b) Lavra com risco iminente; c) Lavra sem Licença Ambiental vigente, observado o disposto no subitem 1.6.5 do Anexo I da Portaria nº 237, de 2001; d) lavra executada pelo cessionário antes da averbação do contrato de cessão ou transferência de direitos minerários pelo DNPM; e) Lavra executada pelo novo titular, sem Licença Ambiental em seu nome, após averbação de contrato de cessão ou transferência de direitos minerários; ou f) Lavra executada dentro da área concedida e fora dos limites das reservas aprovadas. Parágrafo 1º NO ato da lavratura do auto serão efetuadas exigências para o SANEAMENTO da irregularidade que motivou a interdição da atividade. Parágrafo 2º A área ou setores do empreendimento mineral serão desinterditadas tão logo o titular comunique e comprove ao DNPM o saneamento de todas as irregularidades apontadas e o cumprimento das exigências determinadas no ato da interdição. 

Por fim, o Art. 3º diz que, “A aplicação dos arts. 1º e 2º desta Portaria não exime o cumprimento de outras determinações decorrentes das ações de fiscalização, bem como da aplicação de outras sanções previstas na legislação mineral”.