quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O último garimpeiro- coleção de mais de 300 pedras

O último garimpeiro

Motorista do Centro de Geologia da UFMG em Diamantina, Geraldo Damaso, já viveu do garimpo e agora mantém uma coleção de mais de 300 pedras



  • Geraldo Damaso exibe, orgulhoso, sua coleção de pedras preciosas ainda colhidas nas montanhas de Diamantina e expostas na sala de motorista do Centro de Geologia da UFMG. Fotos: Felipe SálesGeraldo Damaso exibe, orgulhoso, sua coleção de pedras preciosas ainda colhidas nas montanhas de Diamantina e expostas na sala de motorista do Centro de Geologia da UFMG. Fotos: Felipe Sáles
    As montanhas que circundam Diamantina, recheadas de pedras que reluzem à luz do sol, inevitavelmente remetem às abundantes muralhas de preciosidades de um tempo que se foi. Poucos imaginariam que um verdadeiro tesouro extraído dos antigos garimpos está hoje reunido na sala de motorista da Casa da Glória, onde funciona o Centro de Geologia Eschwege, órgão do Instituto de GeoCiências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). São mais de 300 pedras, algumas raríssimas, mantidas por Geraldo Vieira Damaso, de 53 anos. O motorista Geraldinho, como é conhecido, chegou a achar três diamantes – um deles verde, o mais valioso –, até um acidente de bicicleta mudar seu destino e transformá-lo num dos últimos garimpeiros diamantinenses a lucrar com os minerais da cidade e, de quebra, acumular conhecimentos geológicos de surpreender profissionais do ramo. Quando tinha 18 anos, Geraldinho sucumbiu à influência de um amigo que, para fugir do marasmo, sugeriu tentar a sorte da fortuna. Passava mais de 10 dias embrenhado nas montanhas diamantinas em busca do ouro perdido – aventura que, na década de 1980, ainda valia a esperança. Tanto que, um dia, encontrou seu primeiro diamante.
    “Na época, valia mais do que um ano inteiro de trabalho. Como Diamantina é uma cidade pequena e não tem muita coisa para fazer, fui convencido por amigos a tentar a sorte no garimpo. Valeu a pena, embora tudo tenha sido dividido com meu amigo de garimpo, como de costume, e com o dono da terra que cobrava de 10% a 15% por cada achado”, lembra.
    Logo vieram mais dois diamantes – um deles, o cobiçado verde. Graças ao garimpo, conseguiu comprar um lote de terra – onde, mais tarde, ergueria sua atual residência – e a famigerada bicicleta. Montado nela, Geraldo atropelou o filho de um vizinho, tentou fugir e, antes de dar a volta no quarteirão, deu de cara com o enfurecido pai do menino. O acidente lhe valeu uma surra memorável do seu pai e o fim das aventuras nas montanhas.


    Sua coleção fica exposta a estudantes e turistas que visitam a histórica Casa da Glória, onde funciona o Centro de Geologia da UFMGSua coleção fica exposta a estudantes e turistas que visitam a histórica Casa da Glória, onde funciona o Centro de Geologia da UFMG
    Revolta do garimpo De promissor homem de bens, Geraldo passou a ganhar a vida lavando peças de automóveis na oficina de um amigo. A revolta só não foi maior porque, logo depois, veio a proibição do garimpo – durante séculos, a principal atividade econômica da população e que levou, inclusive, à fundação da cidade. Até reencontrar os tempos de bonança no turismo histórico, o povo de Diamantina viveu à míngua de quaisquer perspectivas. Garimpeiros fecharam as ruas da cidade e chegaram a montar acampamento em frente à prefeitura durante mais de um mês, com direito a fogueira para a comida, como costumavam fazer no meio do mato.
    Geraldo até protestou junto com os colegas, sonhando em um dia voltar à atividade. Mas não teve jeito. Acabou passando no concurso para motorista da UFMG, artimanha do destino para mantê-lo novamente perto das preciosidades.


    Geraldo exibe a bateia com a qual já encontrou três diamantesGeraldo exibe a bateia com a qual já encontrou três diamantes
    Pesquisador autodidata Como motorista do instituto, ele acaba acompanhando – e ensinando a prática da garimpagem a – muitos estudantes e pesquisadores que visitam as montanhas. Entre idas e vindas, ainda encontra uma pedra mais valiosa. Transformou o antigo trabalho em hobby que, por sua vez, foi convertido em renda extra. Com as negociatas junto a colecionadores como ele, Geraldo tornou-se um dos últimos “garimpeiros” que ainda ganham dinheiro com as riquezas minerais de Diamantina.
    Todo o seu tesouro fica em exposição para os visitantes que veem, além de pedras preciosas, sua antiga bateia – a peneira usada por ele e com a qual encontrou os diamantes – que  herdou de um velho amigo garimpeiro. Mesmo sem ter concluído o Ensino Médio, Geraldo demonstra conhecimento de fazer inveja a muito especialista. Ouvindo um professor aqui, um estudante acolá, ele acabou aprendendo e contando com a ajuda de professores da universidade, que incentivam seu aprendizado doando livros sobre o assunto.
    “Entre os mais raros que tenho estão um quartzo com inclusão flúdica, uma turmalina preta, também conhecida como afrizita, que ainda tem feudispato e outros minerais...”, ensina, em tom professoral, até deixar escapar o mineirês tradicional. “Eu gosto desse negócio de pedra, moço, tem jeito não, sô...”

Garimpo invade bacia do Tapajós

Garimpo invade bacia do Tapajós

Os riscos apontados para a bacia do Tapajós deixam claro que a região amazônica, apesar do aumento nos índices de queda no desmatamento, continua a ser tratada como o grande almoxarifado de recursos naturais do planeta. As ações planejadas para a maior bacia hidrográfica do mundo não se restringem a planos de construção de uma sequência de usinas rios adentro. Bastou o governo informar que parte das terras que pertenciam às unidades de conservação da Amazônia havia sido desvinculada das áreas protegidas para que se tornassem alvo de ações de garimpo e extrativismo ilegal.
A reportagem é de André Borges e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012.

A pressão cresceu e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) tem procurado controlar a situação e deter a entrada de pessoas na região, mas seu poder de atuação ficou reduzido, porque está restrito às áreas legalmente protegidas. "Com a desafetação (redução) das áreas, muita gente está se mexendo para entrar nas terras. Recebemos pedidos de garimpeiros e de pesquisadores para acampar na região, também estamos recebendo ameaças de invasão. A situação está muito delicada", diz Maria Lucia Carvalho, chefe do Parque Nacional da Amazônia, ligada ao ICMBio.

Recentemente, o ICMBio autuou uma balsa que estava pronta para iniciar a garimpagem em área que, até dois meses atrás, pertencia à reserva. "Iam começar a tirar ouro da região. Quando informamos que não poderiam fazer aquilo, nos disseram que não tínhamos nada a ver com isso, que aquela área não pertencia mais ao parque e que iriam adiante", conta Maria Lucia.

A extração de areia é outro alvo. Com o período de seca, que atinge o pico em setembro, diversas praias surgem nas margens do rio, com dunas imensas de areia fina. "Já chegaram dois pedidos para retirada de areia na região do Buburé, dentro do parque nacional."

Dentro da floresta, também foram detectados focos de exploração de palmito e madeira. "Avisamos que isso poderia acontecer, mas não fomos ouvidos", diz Maria Lucia. "Não posso me calar sobre o que está acontecendo aqui. Minha crítica é técnica, não é política."

O Ministério de Minas e Energia está à frente de um programa para tentar regularizar a mineração na região, além de dar uma solução ao caos fundiário. A maior preocupação do ICMBio, segundo Roberto Vizentin, presidente do instituto, tem sido garantir a segurança das áreas protegidas. "É permitido fazer mineração em algumas unidades, desde que respeitado o zoneamento de exploração. O plano de manejo indica onde pode ser feita a garimpagem. No entanto, é preciso legalizar esses garimpos. Quase tudo é ilegal", diz Vizentin.

Na Floresta Nacional Crepori, por exemplo, que perdeu parte da área para permitir o licenciamento ambiental das usinas, há cerca de 3 mil pedidos de pesquisa e lavra minerais. "O garimpo é uma das questões que mais nos preocupa nessa região. As áreas que serão afetadas pelas barragens estão cheias de garimpeiros. Quando os empreendimentos forem construídos e o lago começar a ocupar as áreas, para onde vão esses garimpeiros? Eles vão ocupar o que puderem. Isso tem de ser controlado", alerta o presidente do ICMBio.

Com a proliferação dos garimpos, aumenta ainda mais a ocupação irregular em uma região já marcada por conflitos fundiários. Estima-se que só na região da BR-163 - entre a Serra do Cachimbo e Itaituba, no Pará - existam entre 5 mil e 6 mil famílias que demandam regularização de terras.

Há décadas, a região do Tapajós é alvo de milhares de garimpos ilegais em busca de ouro e diamante. Depois de sofrer uma intensa fase de exploração durante os anos 70 e 80, a exploração ficou quase estagnada nas duas décadas seguintes. Nos últimos cinco anos, porém, o garimpo voltou a florescer com força total, mas da pior maneira possível.

Estimativas locais apontam que atualmente há cerca de 60 mil homens trabalhando na extração de ouro e diamante na bacia do Tapajós. É mais da metade dos 110 mil garimpeiros que estão espalhados por toda a Amazônia. "Isso faz do Tapajós o maior garimpo do Brasil", afirma Seme Sefrian, ex-secretário de Mineração e de Meio Ambiente de Itaituba.

Quase todo esse batalhão atua de forma irregular, seja utilizando materiais ou máquinas proibidas, seja agindo em unidades protegidas ou sem qualquer tipo de autorização. O mercúrio, matéria-prima usada para separar o ouro da terra, segue direto para os afluentes do Tapajós. A terra, depois de lavada com mangueiras "bico-jato", não é recomposta, deixando para trás imensas crateras de lama.

Para complicar ainda mais a situação, os garimpeiros passaram a utilizar retroescavadeiras para atingir uma profundidade de solo ainda não explorada. Até cinco anos atrás, esse tipo de equipamento, conhecido como "PC", não existia na região. Hoje, segundo Sefrian, há cerca de 150 retroescavadeiras revirando terras todos os dias na bacia do Tapajós.

O Valor flagrou balsas carregando os equipamentos pelo rio. Apesar da ilegalidade total, tudo transcorre normalmente. O maquinário é caro. Uma "PC" nova, com todos os apetrechos, custa cerca de R$ 600 mil, diz o ex-secretário de Itaituba.

Para quem está no ramo, vale a pena o risco. O Tapajós transformou-se no novo eldorado. A região está produzindo meia tonelada de ouro por mês, o que representa US$ 26, 4 milhões, de acordo com o preço atual do metal. Há cinco anos, o volume mensal girava em torno de 200 quilos. "O preço disparou e o negócio voltou a atrair gente", conta Sefrain.

Em 2005, o preço da onça do ouro (31,10 gramas) teve média de US$ 445. Em 2009, a cotação dobrou e chegou a US$ 974 e não parou mais de subir. Hoje o preço da onça está em US$ 1.243. "O problema é que a exploração hoje está acontecendo de forma muito aleatória. Não existe muito controle do que é retirado, produzido ou vendido na região."

O negócio é tão bom que até Sefrain, o ex-secretário de Meio Ambiente, virou garimpeiro. Hoje, ele possui uma "PC" e uma pá carregadeira prontas para entrar em ação na unidade de conservação Crepori, entre o sul do Pará e o norte do Mato Grosso. Já contratou 34 homens e diz que tenta legalizar o início da extração.Esses comunistas do ICMBIO, IBAMA, etc.. querem o ouro/diamantes só para eles, adiantou, cansou de ganhar pouco e está trablhando honestamente como um brasileiro normal que só quer ganhar dinheiro com os garimpos, e no Brasil você pode ficar rico, com o dólar a + de 4,reais o ouro está com o valor que nunca alcançou, 150,reais, 1 kilo 150 mil, quando pensei em ganhar isso em toda minha vida e no garimpo é no mínimo em 4 a 5 dias,da para ficar rico.

"É uma situação difícil. Hoje, todo mundo trabalha sem autorização para lavra. Mas é preciso mostrar para a população que o garimpo é bom", diz. "Eu não consegui ainda a autorização, mas estamos prontos e vamos começar a trabalhar. Nossa dificuldade é a morosidade do Estado para regularizar a exploração."

Marcas eternas: 16 impressionantes minas e crateras do mundo todo

A Terra possui algumas crateras e minas tão profundas que podem ser vistas do espaço. Abaixo, você pode conferir algumas das mais impressionantes destas “cicatrizes”, resultado da queda de asteroides ou da interferência humana:

Mina de Mirny, Yakutia, na Rússia

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Aberta em 1957, a mina de diamantes a céu aberto de Mirny foi não só a primeira como a maior mina da União Soviética, com 525 metros de profundidade e 1.200 metros de diâmetro. Na década de 1960, chegou a produzir 10 milhões de quilates de diamantes por ano – o equivalente a duas toneladas –, mas com o tempo a produção caiu para 400 kg por ano e, em 2011, a mina foi fechada. Atualmente, o espaço aéreo sobre a mina está fechado para helicópteros, pois há o risco de eles serem sugados para baixo.

Pit Berkeley, Butte, Montana (EUA)

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A Pit Berkeley é uma antiga mina de cobre, que funcionou entre os anos de 1955 e 1982. As bombas d’água próximas ao poço foram desligadas, e a água subterrânea começou a encher o buraco. Atualmente, a água já chega a uma altura de 270 metros de profundidade, com um pH bastante ácido, em torno de 2,5, parecido com o de refrigerantes como Coca-Cola e Pepsi. Em 2020, é possível que estas águas poluídas atinjam os lenços subterrâneos que estão nas proximidades.

Mina de Bingham Canyon ou Mina de Cobre Kennecott, ao sudoeste de Salt Lake City, Utah (EUA)

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A mais profunda mina a céu aberto do mundo, ela está em atividade desde 1906 e conta, atualmente, com mil metros de profundidade e 4 mil metros de largura. De 2004 até os dias de hoje, foram retiradas da mina 17 milhões de toneladas de cobre, 715 toneladas de ouro, 5.900 toneladas de prata e 386 kt de molibdênio. O plano de exploração da mina é válido até 2019, mas o proprietário do Grupo Rio Tinto, que detêm os diretos, pretende prolongar esse acordo até 2030.

Derweze ou Darvaza, a “Porta para o inferno”, Derweze, Turcomenistão

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O local no meio do deserto de Karakum foi identificado por geólogos soviéticos em 1971. Eles montaram uma sonda de perfuração e iniciaram as operações, mas o chão desabou em uma grande cratera e o equipamento desapareceu. Alguns gases metano foram liberados, o que, inclusive, criou um grande perigo para as pessoas que moravam em vilas próximas. Os cientistas acreditavam que o efeito pararia em um curto período de tempo, mas o gás continua queimando desde então, sem nenhuma pausa, e a aldeia Derwese chegou inclusive a ser desocupada.

Udachnaya, Rússia

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A mina de Udachnaya foi descoberta apenas 2 dias após a de Mirny, pela mesma equipe, comandada por Vladimir Shchukin, em 1955. É considerada a terceira maior em profundidade – os trabalhadores ficam 600 metros ao fundo.

Chuquicamata, Chile

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Considerada a maior e a segunda mais profunda mina de cobre a céu aberto do mundo (850 metros), foi inaugurada em 1882, mas o metal foi extraído há séculos. Nos dias atuais, o cobre ainda é responsável por quase um terço de todas as exportações do país.

Mina de Diamantes Diavik, Canadá

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A área foi descoberta em 1992 e a produção a céu aberto começou em 2003. Em março de 2010, iniciou-se a transação da mineração a céu aberto para a subterrânea, e o processo foi concluído em 2012.

Mina de Diamantes Ekati, Território Nordeste, Canadá

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Aberta em 1998, foi a primeira mina superficial e subterrânea de diamantes do Canadá. Localizada 200 quilômetros ao sul do Círculo Polar Ártico, produziu mais de 8 toneladas de diamantes.

Grasberg, Papua, Indonésia

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Maior mina de ouro e terceira maior mina de cobre do mundo, foi construída a 4.100 metros acima do nível do mar, em uma das áreas mais remotas de Papua Ocidental, na Indonésia. Em 2006, produziu mais de 610,8 toneladas de cobre, 58,47 toneladas de ouro e 174,46 toneladas de prata.

Super Mina Fimiston, Austrália Ocidental

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Com 3,5 quilômetros de comprimento, 1,5 quilômetros de largura e 570 metros de profundidade, a mina Fimiston tem um formato retangular e produz mais de 28 toneladas de ouro por ano.

Cratera Vredefort, África do Sul

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A maior cratera de impacto já conhecida possui 300 quilômetros de diâmetro e foi formada há dois bilhões de anos por um asteroide que, segundo especialistas, deveria ter entre 5 e 10 quilômetros de diâmetro.

Cratera Manicouagan, Québec, Canadá

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Com cerca de 213 a 215 milhões de anos, a cratera é uma estrutura de anéis múltiplos com aproximadamente 100 quilômetros de diâmetro, e possui um lago de 70 quilômetros de diâmetro, chamado de Reservatório Manicouagan.

Cratera Wolfe Creek , Austrália Ocidental

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A idade estimada desta cratera é de pouco menos de 300 mil anos, e possui cerca de 865 metros de diâmetro.

Cratera Shoemaker, Austrália Ocidental

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Esse é o remanescente de uma cratera profundamente erodida de impacto, e contém lagos de sal.

Lago Bosumtwi, em Gana

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A cratera possui 10,5 quilômetros de diâmetro e sua profundidade é de cerca de 380 metros. O grupo étnico Ashanti respeita o local como um lago sagrado, e acredita que as almas dos mortos vão até lá para se despedir do deus Twi. A título de curiosidade, o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, é um Ashanti.[io9]

Serra Pelada, Pará, Brasil

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Em 1976, foram encontradas as primeiras amostras de ferro no sul do Pará e, em 1979, um garimpeiro encontrou ouro no local. A partir de 1980, garimpeiros começaram a se deslocar para lá, sendo que a mina chegou a receber 80 mil exploradores.
Em 1981, os depósitos de ouro na superfície se esgotaram, mas por interesses políticos e pela alta demanda, o garimpo foi reaberto, e o volume da extração de metais foi caindo ano a ano. Atualmente, a antiga mina é um lago com 100 metros de profundidade, e estima-se que ainda existam no local cerca de 350 toneladas de metais preciosos, entre ouro, platina e paládio

Estimado em dois milhões de quilates

Estimado em dois milhões de quilates
Estimado em dois milhões de quilates - o equivalente a 400 toneladas de pedra preciosa - o diamante do Piauí é puro e possui certificação de Kimberley, órgão criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), para atestar diamantes quanto à sua origem e legalidade.
A descoberta das novas jazidas de Gilbués fez com que o Piauí se tornasse rota para a extração de diamantes no continente . Hoje Estado é tido por especialistas do setor de mineração como um ponto de referência não só no Brasil, mas em toda a América Latina. Para efeito de informação, hoje o país encontra-se na décima colocação de exportação de diamantes.
A nova jazida de Gilbués sozinha pode fazer o Brasil se aproximar de números da Rússia e Botswana que hoje são os países líderes no setor. Este, aliás, é um dos principais motivos em ter empresas e mineradores do Piauí como parte da Bolsa de Diamantes do Panamá, que desejam pôr o Piauí em destaque mundial no setor.
A novidade atrai pessoas interessadas em todo o continente americano. Ali Pastorini, diretora do Comitê de Marketing da Bolsa de Diamantes do Panamá, enxerga um futuro brilhante para o Piauí.
“Eu, como diretora do Comitê de Marketing mundial da Bolsa, e responsável por trazer empresas latinas para integrarem a mesma, vejo a entrada do Piauí na bolsa de diamantes como uma mudança considerável para o setor”, destaca.
A mina de diamantes em Gilbués até o momento é a única jazida da pedra encontrada no Nordeste e pode trazer a sorte grande para o Estado. “A nova jazida de Gilbués pode fazer o Brasil se aproximar de números da Rússia e Botswana, que hoje são os países líderes no setor da extração de diamantes”, confirma Ali Pastorini.
As pedras de diamantes foram descobertas de forma acidental por pesquisadores nacionais da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais. Eles realizavam análises sobre a descoberta de uma grande reserva de Ferro no município de Paulistana quando se depararam com a jazida de diamantes, avaliada em dois milhões de quilates.
Se em Paulistana as reservas de ferro eram três vezes maiores que o previsto na pesquisa inicial, o mesmo pode acontecer em Gilbués: estimativas apontam que a reserva da pedra no Estado supera 400 toneladas, mas comentários extra oficiais dão conta que o montante pode ser duas vezes maior. Por isto o interesse da Bolsa de Diamantes do Panamá na pedra preciosa.
A Bolsa de Diamantes do Panamá, primeira e única da América Latina, está localizada na cidade do Panamá numa zona livre de impostos, há apenas 15 minutos do Aeroporto Internacional do Panamá. Toda a comercialização de diamantes, pedras preciosas, gemas, ouro, prata, joias e relógios realizado dentro da Bolsa não são taxados.
O que a torna extremamente atrativa para o mercado, pois lá, empresas e empresários de países como Índia, Israel, Estados Unidos, Itália e Bélgica negociam produtos de alta qualidade, excelente procedência e competitividade no preço. Além de colocar as empresas extrativistas da pedra em um nível internacional dada a grande exposição que a bolsa de diamantes tem.
Diamante do Piauí está em fase de lavra
"Pelo que tivemos conhecimento da jazida de diamantes em Gilbués, sabemos que até o momento ela é a única do Nordeste", celebra o secretário de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis do Governo do Estado, Alexandre Silveira.
E o Departamento Nacional de Produção Mineral já autorizou o cadastro de mineradores interessados em desbravar as jazidas de Gilbués. "Tudo está em fase preliminar. Primeiro vamos realizar o cadastro para sabermos se o número de interessados é maior ou menor que a reserva de diamante.
Ouvimos muito falar nas riquezas naturais do Piauí. Por isto queremos colocar tudo no papel e fazer com que o Governo faça parte deste processo, pois a mineração vai gerar muitos dividendos para o Piauí", afirma.
E o Piauí só tem a ganhar. Em Gilbués, o trabalho de garimpo funciona ainda a título de pesquisas, com uma guia de autorização. Com a assinatura da portaria de outorga a lavra passa a ser profissional, em uma mina.
A futura primeira mina do Piauí, e também do Nordeste, já exportou cerca de três mil quilates de diamantes certificados e já faz parte dos produtos que compõem a pauta de exportações do Piauí. "Estamos atrás de agilizar esta pauta.
Falta apenas resolver algumas questões junto à Secretaria de Meio Ambiente para colocar o Piauí na rota mundial do diamante", pontua o secretário de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis do Governo do Estado do Piauí. (O.B.)
Extração ilegal de diamantes já acontece em Gilbués
Feitos de carbono submetido a altíssima pressão, os diamantes foram forjados até 200 km abaixo da superfície há pelo menos 3 bilhões de anos. As minas são criadas em regiões com alta concentração de um tipo de rocha, denominado pelos geólogos de kimberlito.
Esse material é formado pelo resfriamento do magma, que chegou até a superfície há milhões de anos, carregando elementos de regiões profundas da Terra.
No Brasil, a produção se concentra em minas formadas por erosão de kimberlito. As águas de rios e lençóis freáticos carregam pedras, que se concentram em áreas superficiais e passam a ser exploradas por mineradores.
Em Gilbués, algumas empresas já extraem a pedra preciosa de forma ilegal, mesmo sendo necessária uma ordem para a retirada da mesma. "Temos informações extraoficiais de que pequenos mineradores e algumas empresas extraem diamante em Gilbués de forma ilegal", conta Alexandre.
Entretanto, a Secretaria de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis do Governo do Estado do Piauí está de mãos atadas até que a situação da jazida seja devidamente regulamentada. "Não podemos fazer nada até haver a assinatura da portaria de outorga a lavra", lamenta.

Brasil tenta regularizar garimpo para atender exigências internacionais

Brasil tenta regularizar garimpo para atender exigências internacionais

. As cidades mato-grossenses que se originaram do garimpo de diamantes têm agora motivos para ter esperança. O Brasil inicia um processo de certificação de diamantes, o Sistema de Certificação do Processo de Kimberley, e a perspectiva é que toda a atividade garimpeira seja regularizada. Com isso, os trabalhadores dessa categoria passam a ter direitos trabalhistas e o país, a controlar a comercialização interna e externa de diamantes. No entanto, o processo de inserção do Brasil encontra dificuldades. Isso porque o Brasil tem até 01 de agosto para começar a certificação. Do contrário, fica fora do comércio internacional de diamantes por seis meses. No primeiro Fórum Nacional Sobre o Controle da Produção de Diamante, ocorrido dia 18 de julho, no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), discutiu-se quais as medidas que o Brasil deve tomar para começar a certificação. O Fórum foi realizado em Mato Grosso, maior produtor de diamantes do Brasil, responsável por 80% da produção nacional. No entanto, oficialmente, Minas Gerais ocupa a primeira colocação. De acordo com o secretário adjunto do Ministério de Minas e Energia, Cláudio Scliar, o Brasil produziu oficialmente 40 mil kilates de diamantes. Minas Gerais contribuiu com 25 mil kilates e Mato Grosso foi responsável por 15 mil. Apesar dos dados indicarem uma maior produção em Minas Gerais, isso é explicado porque, em Mato Grosso, grande parte da extração é ilegal, fazendo com que Minas se destaque mais. Um caso que exemplifica bem essa situação é o do município de Juína, localizado no norte de Mato Grosso. Segundo o geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Amóss de Melo Oliveira, somente em Juína foram produzidos 400 mil kilates em 2015, incluindo a atividade garimpeira ilegal e empresas legalizadas.Os dados do DNPM explicam a contradição. Cerca de 92% da extração e comercialização de diamante no Brasil é ilegal. Ou seja, somente 8% das empresas mineradoras em todo país estão regularizadas e contribuindo com a receita nacional. Segundo o diretor da Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig), Marcelo Arruda Nassif, o governo de Minas controla melhor a mineração, o que proporciona um destaque nos dados oficiais. Além disso, ele explica que a história contribui para isso, já que tem sua origem na mineração de ouro e diamante.De acordo com o geólogo Amóss, a maior preocupação nesse processo é justamente como o Brasil deve proceder para regularizar a atividade garimpeira. Por isso, no Fórum discutiu-se também a criação de políticas domésticas para complementar as ações provenientes do processo de Kimberley. Isto é, criar políticas internas para garantir o controle da mineração e comercialização dentro do país, já que Kimberley é apenas para o comércio internacional. "Kimberley surgiu para resolver conflitos na África. Agora, precisamos resolver os conflitos aqui no Brasil", defendeu Cláudio Scliar. O Processo de Kimberley teve início na África do Sul, que é o maior produtor de diamantes do mundo, em maio de 2000, e reuniu 30 países produtores e/ou comercializadores de diamante bruto. Esse processo pressupõe que todos os países envolvidos no comércio internacional de diamantes o façam por meio de um certificado de origem, atestando de onde é o produto. No Brasil, os certificados serão feitos pela Casa da Moeda para impedir falsificação e evitar os gastos e demora com a licitação de empresas. Já a emissão do certificado de origem será feito pelo DNPM. É importante lembrar que os países não participantes do processo estão fora do comércio de diamantes. A certificação de diamantes exclui áreas onde a mineração é proibida, como reservas indígenas por exemplo. A Fundação Nacional do Índio (Funai)