domingo, 25 de outubro de 2015

Garimpo: começa corrida pela cassiterita

Garimpo: começa corrida pela cassiterita

A recuperação do preço do estanho no mercado internacional, acompanhando a tendência de alta das commodities minerais observada nos últimos tempos, está fazendo ressurgir com força no Pará o garimpo de cassiterita, como é mais conhecido o minério de estanho. Em São Félix do Xingu, berço daquele que foi, na primeira metade da década de 1980, um dos maiores garimpos de cassiterita do Brasil, a garimpagem, retomada no primeiro semestre deste ano, já ocupa hoje perto de 1.500 pessoas, incluídas aquelas que desenvolvem atividades de apoio. O estanho tem como principal aplicação industrial a produção de soldas para a indústria eletroeletrônica.

O garimpo está localizado na mesma área onde foi explorada, há quase três décadas, a antiga mina de cassiterita, na hoje vila de São Raimundo, um próspero distrito de São Félix do Xingu localizado a cerca de 28 km de distância da sede do município. A comunidade local, que já havia se acostumado à rotina da atividade agropastoril, voltou a experimentar a febre do garimpo entre abril e maio deste ano, quando começaram a chegar ali as primeiras levas de garimpeiros procedentes de Ariquemes, berço histórico da exploração garimpeira de cassiterita no Brasil.

Acionada na época pela Prefeitura Municipal de São Félix do Xingu, preocupada com os impactos sociais e ambientais que se prenunciavam com a retomada da atividade garimpeira, a Superintendência do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) no Pará deslocou para aquele município, em julho deste ano, uma primeira equipe técnica. À frente do grupo, o superintendente João Bosco Pereira Braga implantou ali, em caráter pioneiro, um projeto que já vinha sendo maturado pela administração central do DNPM em Brasília. O projeto está hoje se ampliando no Pará e deverá futuramente ser estendido a todo o país.

A previsão é do geólogo Paulo Brandão, que representa a Diretoria de Gestão de Títulos Minerários do DNPM no projeto Coordenação de Ordenamento Mineral (Cordem). “Este é um projeto piloto que vai ser levado às demais superintendências do DNPM em todo o Brasil”, disse ele na quinta-feira, ao participar, em Belém, da entrega dos dois primeiros títulos de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) em São Félix do Xingu. A beneficiada foi a Cooperativa dos Garimpeiros de Ariquemes, entidade que congrega, principalmente, os trabalhadores responsáveis pela retomada da exploração mineral no município.

Outras duas cooperativas – a Coomix e a Coogata – já estão organizadas e deverão em breve receber também os seus títulos de lavra. Conforme esclareceu o superintendente João Bosco Braga, o DNPM optou por estimular o associativismo e o cooperativismo no ordenamento da atividade. “É muito mais fácil você dialogar e encaminhar a solução de problemas com uma entidade do que se entender individualmente com centenas ou milhares de trabalhadores”, enfatizou.

João Bosco informou que o garimpo de Vila São Raimundo está em áreas tituladas no século passado em nome de três grandes mineradoras – Vale (na época, a estatal Companhia Vale do Rio Doce), a Metalmig, de São Paulo, e a Mineração Planície Amazônica, uma subsidiária da Paranapanema. Ele disse que o preço do estanho, como de toda commodity mineral, costuma oscilar bastante. Na década de 1980, por exemplo, uma brusca queda de preço, da ordem de 70%, provocou a paralisação das atividades no Pará. Atualmente, a cassiterita está cotada a US$ 15,4 mil a tonelada e o estanho em torno de US$ 22 mil.
Desafio é legalizar a pequena mineração

Tendo como principais parceiros as prefeituras e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o DNPM pretende levar o projeto Coordenação de Ordenamento Mineral (Cordem/Pará) a 47 municípios paraenses. O primeiro foi São Félix do Xingu; o segundo, o polo oleiro-cerâmico de São Miguel do Guamá e Irituia. “A grande mineração está resolvida no Pará. O nosso desafio será ordenar e legalizar a pequena mineração”, afirmou o superintendente João Bosco Braga.

O superintendente do DNPM observou que a cadeia mineral, mantida pelas indústrias extrativa e de transformação, responde hoje por 45 mil empregos. Só o polo oleiro-cerâmico de São Miguel do Guamá e Irituia, segundo ele, garante ocupação e renda para cerca de 30 mil pessoas, enquanto os garimpos remanescentes do Tapajós empregam hoje em torno de 40 mil trabalhadores. “Eu não ponho em dúvida a enorme importância da grande mineração para a economia brasileira nem estou discutindo a qualidade do emprego. O que eu quero mostrar é que a pequena mineração precisa também ser valorizada”, acrescentou.

João Bosco Braga disse que o Cordem será desenvolvido no Pará tendo em mira três grandes alvos. O primeiro, as regiões de garimpos – de ouro, cassiterita e gemas. O segundo, os minerais empregados em larga escala na construção civil, especialmente areia, brita e seixo, mapeados e dispersos por três grandes por três grandes áreas – a região metropolitana, o polo Santarém e o polo Marabá/Carajás. Como terceiro alvo o DNPM aponta os polos oleiro-cerâmicos, que no Pará são dois, hoje claramente identificados: o de São Miguel/Irituia e o de Santarém.

Também dispersa é a distribuição de garimpos, conforme destacou João Lobo Braga. Os de ouro estão localizados principalmente nos vales do Tapajós e do Gurupi – abrangendo os municípios de Viseu, Cachoeira e Nova Esperança do Piriá, além de pequenas ocorrências esparsas e sazonais na região de Rio Maria e Redenção. De acordo com o DNPM, são três as áreas garimpeiras que até hoje produzem gemas no Pará – a de ametista em Marabá, a de opala e diamantes em São Geraldo do Araguaia e a de diamantes do rio Cupari, em Itaituba.

João Bosco Braga destacou que o garimpo de ametista do alto Bonito, entre Marabá e Paruapebas, ainda em operação, foi talvez o maior produtor do Brasil. Se não em volume, certamente no tocante à pureza e à qualidade. “A ametista do Pau d’Arco (como ela era conhecida na época e que nada tem a ver com o atual município do mesmo nome) era a melhor do Brasil”, enfatizou.

UMA AVENTURA QUE RESISTE AO TEMPO: O GARIMPO DE OURO DO RIO MADEIRA!

UMA AVENTURA QUE RESISTE AO TEMPO: O GARIMPO DE OURO DO RIO MADEIRA!
Uma fofoca que cobriu centenas de quilômetros e reuniu brasileiros de todos os quadrantes do país e muitos estrangeiros, que para Rondônia se deslocaram, viveram uma grande aventura, em um dos nossos maiores rios da Amazônia.
Este livro ilustra, no melhor sentido da palavra, o ambiente em torno do garimpo de ouro do Rio Madeira, a partir da década de 1980.
O cenário de uma época heróica é captado e expresso por meio de imagens e textos, que se tornam o fio condutor da história de vida do próprio autor.
Para o leitor que desconhece aspectos históricos ou geográficos desta verdadeira saga amazônica, o apêndice desta obra servirá como uma pequena enciclopédia que abrangerá o contexto de duas épocas dos anos 80 e 90 do século passado e a década atual tendo como pano de fundo as atividades de extração do ouro no Rio Madeira. No aspecto mais amplo, conhecerá o Estado de Rondônia, sua capital Porto Velho, em especial e outras localidades importantes.
A preservação da memória do garimpo de ouro deste afluente do Rio Amazonas era uma das lacunas da nossa história local e regional, ainda mais se levarmos em conta o caráter biográfico que o autor imprime ao texto.
Por se narrar uma história de vida, entrelaçada a outras tantas, é alcançado um dos objetivos do livro: a justa homenagem àqueles que deixaram seus locais de origem e vieram se aventurar na busca do Eldorado, nas barrancas e nas águas profundas do Rio Madeira.
Em resumo, milhares de pessoas estiveram no garimpo do Rio Madeira. A maioria abandonou a atividade logo no início e retornaram para os seus lugares de origem; uns por não suportar a saudade, outros por não terem encontrado o que vieram buscar; outros por não suportar o trabalho difícil, a convivência com muita gente estranha em um ambiente hostil, com leis próprias, muitas vezes selvagens.
Há os que resistiram a toda hostilidade e se deram bem; juntaram ouro suficiente para mudar de vida e gozam até hoje de boa situação econômica e financeira. Mas há também os que se deram mal, perdendo nesta investida suas economias e até mesmo suas vidas.
Aos que tiveram sorte, aos que sobreviveram, às centenas de pessoas, homens, mulheres, crianças que morreram por qualquer motivo, fica aqui registrada a homenagem do autor, que sabe, por vivência própria, o significado e a dimensão exata desta aventura.

A atividade mineradora no Brasil foi fator determinante para interiorização do povoamento

A atividade mineradora no Brasil foi fator determinante para interiorização do povoamento, bem como para a ocupação dos "sertões", que compreendiam desde o nordeste até o sul do país. Dinâmica sem precedentes na História do território português na América, até aquele momento, a mineração trouxe em seu bojo, uma demanda crescente de mercadorias que envolviam desde os implementos para mineração propriamente dita até produtos de primeira necessidade (1). A exploração das minas transformou o perfil da produção de abastecimento, com intensificação do trabalho, diferentes formas de ocupação do espaço e organização fundiária, dilatando as fronteiras do Império e colocando em constante litígio as terras portuguesas e espanholas (2).
Este projeto enfoca, dentro das dinâmicas estabelecidas pela exploração aurífera, a formação da rede fundiária do Sertão do Rio Pardo, em relação ao estabelecimento e desenvolvimento de um dos caminhos ligados ao abastecimento das regiões mineradoras: o Caminho de Goiás.
 

Imagem de satélite abrangendo
a região que vai de Jundiaí
a Mogi - Guaçu
I - Histórico
Desde 1655, registram-se solicitações e doações de terras ao longo do Caminho de Goiás. Contudo, foi nos dez anos posteriores as descobertas de ouro na região Goiás (1718 em Cuiabá e 1725 em Vila Boa de Goiás) que se concedeu a maioria de sesmarias ao longo do trajeto.
O caminho iniciava-se em São Paulo de Piratininga, seguindo em direção a Jundiaí, Mogi Mirim, Mogi Guaçu e Casa Branca. Depois deste percurso sul-norte, o caminho tomava a direção Noroeste, atingindo os atuais municípios de Cajuru, Batatais, Franca Ituverava, já na área designada como "Sertão do Rio Pardo" (3).
A sua margem foram se formando pequenos núcleos, pousos e roças, que serviam tanto para a subsistência, como para o abastecimento das expedições que por ali passavam.
 
II - O Caminho e o Ouro
Com a descoberta do ouro nas Gerais, inicia-se intenso fluxo migratório de paulistas; as vilas despovoavam-se (4) e parte da produção foi canalizada para os centros de mineração nas Minas Gerais, onde alcançavam altos preços. O intenso comércio e o fluxo de viajantes, dinamizaram as áreas em torno dos caminhos que levavam às minas, intensificando a produção agrícola
Três eram os caminhos paulistas que conduziam às regiões mineradoras, sendo o principal deles, o que passava pela garganta do Embu, mais conhecido por Caminho Velho. O segundo seguia por Atibaia, Bragança e Extrema transpondo a serra da Mantiqueira por Camanducaia (trajeto percorrido por Fernão Dias e Castelo Branco (5) ) e o terceiro, o Caminho dos Guaianases, que passava pelo vale do Mogi – Guaçu e Morro do Gravi e que constituiu o traçado inicial do Caminho de Goiás.
Embora o comércio de São Paulo para as Gerais houvesse se estabelecido já ao final do século XVII, o "Caminho dos Guaianases" só se constitui como importante via de comércio após 1725 (época da descoberta do ouro em Goiás), transformando-se no Caminho de Goiás. Até então, somente à parte que compreendia até Mogi Mirim, por estar ligada ao comércio das Gerais, tinha importância comercial.
Região de inúmeros rios, o Sertão do Rio Pardo constituía ótima via fluvial que serviu tanto para desbravar os sertões desconhecidos, (empurrando os índios Guianases para fora desses "sertões"), bem como para abastecer as regiões de Minas Gerais (pelo Rio Pardo e Rio Grande principalmente), o que explica o número de sesmarias concedidas às margens, nascentes ou afluentes destes rios.
A afirmação do Caminho de Goiás como importante via de ligação correspondeu aos interesses da Coroa que buscando coibir os inúmeros caminhos e as picadas que serviam ao contrabando. Nesse sentido, a administração portuguesa incentivou a criação, ao longo de seu trajeto, de diversos núcleos populacionais, com moradores que plantassem roças e criassem pastagens, como pousos, para abastecimento aos viajantes e suas montarias (tropas) (6).
 
Entre o período da descoberta do ouro nas Minas Gerais e a abertura do Caminho Novo (1708), para as Minas (a partir do Rio de Janeiro), São Paulo foi retaguarda de suprimento das regiões mineiras (7). Entretanto, com a abertura do Caminho Novo, o trajeto até as Gerais, que pelos caminhos paulistas durava em média 60 dias, reduziu-se para 17 e, aberta a vertente "Terra Firme", este tempo diminuiu para 10 ou 12 dias, dependendo da intensidade da marcha (8).
O Caminho Novo, aberto por Garcia Rodrigues Pais (9), transferiu para as cidades fluminenses os proveitos usufruídos até aquele momento, quase que somente por São Paulo. Os Paulistas ainda tentaram o fechamento do Caminho Novo, mas não obtiveram resultado, pois, além de mais curto, e com a nova rota buscava-se também dificultar o contrabando.
O Porto do Rio de Janeiro tornou-se o o mais importante porto de escoamento do ouro mineiro e o principal porto de entrada de produtos europeus (portugueses, ingleses e holandeses, principalmente) e dos escravos vindos da África.
Em 1725, com a descoberta do ouro na Vila Boa de Goiás, o caminho para aqueles sertões, que servira anteriormente quase só ao aprisionamento de índios, com algumas roças de subsistência, transformou-se em uma via de acesso importante para as regiões mineradoras da Vila Boa de Goiás e Cuiabá e o abastecimento e escoamento dessas regiões imprimiram nova dinâmica de ocupação e produção das terras do sertão do Rio Pardo.
Mesmo com o declínio da produção aurífera em Goiás e Mato Grosso, na segunda metade do século XVIII, o sertão do Rio Pardo continuou a atrair populações, agora de mineiros, que se deslocam para seus campos e estabelecem criação de gado. O vínculo com as Minas Gerais permanece, o que se denota pela conservação dos traços culturais tipicamente mineiros, tais como a arquitetura e o modo de falar, e que de certa forma imprimiu sua marca a esta região.
III – A Pesquisa
O século XVIII é portanto chave para compreender a estrutura fundiária do Nordeste Paulista. Torna-se necessário estudos que permitam a compreensão da complexa estrutura fundiária, que formada no século XVIII é a base das grandes lavouras do século posterior. O Sertão do Rio Pardo, terra de posseiros, agregados e donatários de sesmarias durante o decorrer do XVIII, redefini-se no início do XIX, e com a especialização da produção em algumas áreas; açúcar, algodão, milho e futuramente o café, são as principais causas dessas redefinições que, por hora, podem ter agregado ou desagregado lavradores, posseiros e donatários, remodelando a estrutura fundiária conforme seus interesses.
Este pré projeto de mestrado caminha nesta direção: demonstrar em um região específica como se constitui a propriedade, quem são seus moradores, habitantes e produtores, e de como esta produção voltada tanto para o comércio interno, como para a exportação, dialogou com estas ocupações territoriais, e neste ponto o Caminho de Goiás é fundamental, pois é ele, o mais importante elemento de povoação do Nordeste paulista no decorrer do século XVIII.
 

Cidade goiana de 1741 volta a explorar ouro e relembra auge

Cidade goiana de 1741 volta a explorar ouro e relembra auge

Foto: João Fellet/ BBC Brasil

Embora tenha sido tombado em 1954, o patrimônio arquitetônico de Pilar encontra-se em mau estado de conservação. A cidade entrou em decadência com o fim da exploração do ouro, no século 19.


Com a retomada da atividade, agora a cargo de uma mineradora canadense, a cidade fundada em 1741 espera deixar para trás um longo período de decadência e reviver a época em que suas riquezas lhe renderam fama Brasil afora.
A exemplo de Pirenópolis, Goiás Velho e das cidades históricas mineiras, Pilar – como é chamada por seus habitantes – foi fundada durante o ciclo do ouro, quando a descoberta do metal no interior do Brasil reordenou a economia e a distribuição populacional da então colônia portuguesa.
"Naquele tempo se pegava ouro grosso", conta o artesão Luciano Correia de Brito, de 75 anos, referindo-se à pureza do minério encontrado nas margens dos rios.
Brito reproduz histórias do apogeu de Pilar contadas por seu avô, que se mudou para a cidade no século 19. Uma delas narra uma visita da rainha D. Maria I, quando os poderosos locais teriam tentado impressioná-la cobrindo o chão com punhados de ouro. "Ela mudava o passo de um montinho para o outro."
Ainda que a história careça de documentação, pesquisadores corroboram o destaque alcançado por Pilar no século 18. "A riqueza do descobrimento (de ouro) cedo se fez conhecer, atraindo numerosa população de paulistas, portugueses e nacionais de outras regiões com seus escravos. A freguesia já contava com quase 4 mil habitantes livres 15 anos após a fundação, e em 1762 já seria, na opinião do governador João Manuel de Mello, o arraial mais populoso da capitania", escreveu o arquiteto Elvin Dubugras (1929-1999).
Dubugras se encantou com os casarões históricos de Pilar, que em 1954 motivaram o tombamento da cidade como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
As construções chegaram a abrigar 15 mil habitantes no auge da mineração, ainda no século 18. No entanto, com o fim da atividade, a população caiu para 1.500 moradores. Hoje, há cerca de 2.800 habitantes em todo o município, incluindo áreas rurais.
Em visita a Pilar em 1823, no início da derrocada, o explorador Cunha Mattos relatou: "Este arraial vai caminhando para uma completa aniquilação; as suas famílias nobres acham-se quasi extinctas; e grandes propriedades de casas estão de todos abandonadas".
Segundo o artesão Luciano Correia de Brito, a decadência se acentuou na Revolução de 1932, movimento paulista que buscava derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e promulgar uma nova Constituição no país.
"(O governo) pegou e levou aquele pessoal que servia ao menos para bucha de canhão, porque não sabia pegar em fuzil. Aquele pessoal foi e não voltou mais", diz. "As casas foram caindo, e os mais velhos, falecendo. Pilar foi abaixo."
Passados 80 anos da Revolução de 1932, a cidade continua a exibir sinais de abandono. Boa parte das casas antigas carece de reforma, a igreja de Nossa Senhora dos Mercês, do século 18, só abre em festejos especiais, e o turismo praticamente inexiste.
Nos últimos anos, porém, desde o início da preparação da mina, que será explorada pela canadense Yamana a partir de 2013, Pilar passou a viver dias mais agitados.
Pilar de Goiás (Foto: Secretaria de Cultura de Goiás)
Cidade chegou a abrigar 15 mil habitantes no auge da mineração, ainda no século 18
Para abrigar os trabalhadores, que somarão 1.200 no ápice das obras, foi erguido um alojamento na cidade. Quando a mina estiver operando, calcula-se que ela gerará 420 empregos diretos e 600 indiretos.

'Hora da redenção'

"É a hora da redenção da cidade", diz o ex-vereador Giovani Alves. Ele espera que os impostos a serem arrecadados com a mineração sejam revertidos em melhorias nos serviços públicos.
Conforme os critérios atuais para a divisão desses impostos, conhecidos como royalties, 0,65% do faturamento com a venda de ouro numa mina fica com o município produtor – a União abocanha 0,12% e o Estado produtor, 0,23%.
A Yamana não diz quanto espera faturar em Pilar. Mas levando em conta a expectativa de produção anual da mina (3,7 toneladas de ouro) e o preço atual do minério (US$ 55 o grama), a quantia extraída anualmente somaria cerca de US$ 200 milhões (R$ 400 milhões).
Nem todos, porém, estão otimistas. Leidimar Souza de Oliveira, que por 12 anos trabalhou como empregada doméstica em Pilar, viu na abertura da mina a chance para dar um salto profissional.
Aconselhada por administradores do empreendimento, ela contraiu empréstimos para transformar sua casa num restaurante. Seu objetivo era servir os operários que trabalham na preparação da mina.
"Comprei fogão, panelas, aumentei o espaço, mas em pouco tempo apareceu outro restaurante e foram todos para lá. Me deixaram aqui com todo o investimento que tinha feito."
Oliveira diz que a mineração trará menos benefícios à cidade que um surto de garimpo ocorrido nos anos 80, encerrado pela Polícia Federal por operar sem licença.
"Na época de garimpo manual, corria dinheiro na cidade. O pessoal tirava o ouro lá e o vendia aqui. Agora não: o empregado terá aquele salarinho no fim do mês, e o ouro que tirarem aqui levarão para o Canadá."
Ela diz ainda que, como os moradores locais não são qualificados, a empresa terá de trazer trabalhadores de outras regiões. "O pessoal daqui vai ficar com muito pouca coisa."
Já a Yamana afirma que, além de investir para capacitar os trabalhadores locais, privilegiará fornecedores da cidade. A empresa, no entanto, diz cuidar para não gerar demandas que, tão logo a mina fique pronta e inaugure seu próprio restaurante, não serão mantidas.
Independentemente do impacto econômico que tiver na cidade, diz o historiador Nelivanio Sousa, a retomada da mineração já surte efeitos
positivos: a mina tem trazido a Pilar grande número de forasteiros, que não raro se encantam com o patrimônio arquitetônico da cidade.
Ao valorizar o legado do primeiro ciclo do ouro em Pilar, afirma Sousa, eles levantaram a autoestima de seus moradores e trouxeram à tona histórias que andavam esquecidas.
"Pilar está despertando de um longo sono", diz ele. "De certa forma, já começamos a nos livrar do esquecimento."

O Estado de Goiás Época de Ouro

O Estado de Goiás



História

A história de Goiás tem como ponto de partida o final do século XVII, com a descoberta das suas primeiras minas de ouro, e início do século XVIII. Esta época, iniciada com a chegada dos bandeirantes, vindos de São Paulo em 1727, foi marcada pela colonização de algumas regiões.
O Contato com os índios nativos e o negros foi fator decisivo na formação da cultura do Estado, deixando como legado principal cidades históricas como Corumbá, Pirenópolis e Goiás, antiga Vila Boa e posteriormente capital de Goiás. O início dos povoados coincide com o Ciclo de Ouro, minério amplamente explorado nessa época. Eles prosperaram e hoje são cidades que apresentam, por meio de seu patrimônio, a história de Goiás.
As Bandeiras
Goiás era conhecido e percorrido pelas bandeiras já no primeiro século da colonização do Brasil. Mas seu povoamento só ocorreu em virtude do descobrimento das minas de ouro (século XIII). Esta povoação, como todo povoamento aurífero, foi irregular e instável.
As primeiras bandeiras eram de carácter oficial e destinadas a explorar o interior em busca de riquezas minerais, e outras empresas comerciais de particulares organizadas para captura de índios. Costumava-se dizer que o Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, foi o descobridor de Goiás.
Mas isso não significa que ele foi o primeiro a chegar no estado, e sim, o primeiro a ter intenção de se fixar aqui. A bandeira saiu de São Paulo em 3 de julho de 1722. O caminho já não era tão difícil como nos primeiros tempos. Em 1726, foi fundado, pelo próprio Bartolomeu Bueno, o primeiro vilarejo da região, denominado Arraial da Barra.
Conta a lenda que diante da negativa dos índios de informar-lhe sobre o lugar de onde retiravam as peças de ouro com que se adornavam, Bartolomeu Bueno da Silva despejou aguardente num prato e a queimou, dizendo aos indígenas que o mesmo faria com a água de todos os rios e nascentes da região, caso não lhe fossem mostradas as minas. Apavorados, os índios o levaram imediatamente às jazidas, chamando-o anhangüera, que significa feiticeiro no idioma nativo. Com esse nome Bartolomeu Bueno da Silva e seu filho passaram à história. Após esse fato, foram inúmeras as expedições que partiram em direção a Goiás em busca das riquezas do subsolo da região.
No dia 25 de outubro de 1425, após três anos, os bandeirantes voltaram triunfantes a São Paulo, divulgando que haviam descoberto cinco córregos auríferos, minas tão ricas como as de Cuiabá, com ótimo clima e fácil comunicação.
Povoamento de Goiás
Poucos meses após a volta da Bandeira, organizou-se em São Paulo uma nova expedição para explorar os veios auríferos. Bartolomeu, agora superintendente das minas, e João Leite da Silva Ortiz, como guarda-mor.
A primeira região ocupada foi a do Rio Vermelho. Fundou-se lá o arraial de Sant'ana, que depois seria chamado de Vila Boa, e mais tarde de Cidade de Goiás. Esta foi durante 200 anos a capital do território.
Nas proximidades de Sant'ana, surgiram numerosos arraiais às margens dos córregos e rios, como centros de garimpo: Barras, Ferreiro, Anta, Ouro Fino, Santa Rita, etc. Ao divulgar-se a riqueza das minas recém - descobertas, surgiram gente de toda parte do país.
Época do Ouro em Goiás
A época de Ouro em Goiás foi intensa e breve. Após 50 anos, verificou-se a decadência rápida e completa da mineração. Por outro lado, só se explorou o ouro de aluvião, isto é, das margens dos rios, e a técnica empregada era rudimentar.
A sociedade Goiana da Época de Ouro
Goiás pertenceu até 1749 à capitania de São Paulo. A partir desta data, tornou-se capitania independente. No aspecto social a distinção fundamental foi entre livres e escravos, sendo estes em menor número do que aqueles no início da colonização das minas. A população, contudo, continuou composta por negros e mulatos na sua maioria.
Transição da Sociedade Mineradora para Sociedade Pastoril
Ao se evidenciar a decadência do ouro, várias medidas administrativas foram tomadas por parte de governo, sem alcançar no entanto resultado satisfatório.
A economia do ouro, sinônimo de lucro fácil, não encontrou, de imediato, um produto que a substituísse em nível de vantagem econômica.
A decadência do ouro afetou a sociedade goiana, sobretudo na forma de ruralização e regresso a uma economia de subsistência.
A independência de Goiás
Assim como no Brasil, o processo de independência de Goiás se deu gradativamente. A formação de juntas administrativas, que representam um dos primeiro passos nesse sentido, deram oportunidade às disputas pelo poder entre os grupos locais.
Especialmente sensível em Goiás, reação do Norte que, se julgando injustiçado pela falta de assistência governamental, proclamou sua separação do Sul. Em 1744, a região, antes pertencente ao Estado de São Paulo, foi separada e elevada à categoria de província.
Goiás e a Mudança de Capital
A partir de 1940, Goiás cresce rapidamente: a construção de Goiânia, o desbravamento do Mato Grosso goiano, a campanha nacional de "marcha para o oeste", que culmina na década de 50 com a construção de Brasília, imprimem um ritmo acelerado ao progresso de Goiás.
A população se multiplicava; as vias de comunicação promovem a integração de todo país e dentro do mesmo Estado; assiste-se a uma impressionante explosão urbana, com o desenvolvimento concomitante de todos os tipos de serviços (a educação especialmente).
Na década de 80, o estado apresenta um processo dinâmico de desenvolvimento. grande exportador de produção agropecuária, Goiás vem se destacando pelo rápido processo de industrialização. Hoje, ele está totalmente inserido no processo de globalização da economia mundial, aprofundando e diversificando, a cada dia, suas relações comerciais com os grandes centros comerciais.
Em 1988, o norte do Estado foi desmembrado, dando origem ao Estado do Tocantins.
O nome do Estado origina-se da denominação da tribo indígena ‘guaiás’, que por corruptela se tornou Goiás. Vem do termo tupi gwa ya que quer dizer indivíduo igual, gente semelhante, da mesma raça.