domingo, 25 de outubro de 2015

Garimpeiro com 10 gramas de ouro extraído em Pontes e Lacerda é preso em Vilhena

Garimpeiro com 10 gramas de ouro extraído em Pontes e Lacerda é preso em Vilhena


Um homem de 44 anos, identificado apenas pelas iniciais O.J.S.A., foi preso pela Polícia Rodoviária Federal quando entrava em Vilhena a bordo de um ônibus da empresa Eucatur, que faz a linha Criciúma/Porto Velho.
 
A abordagem ao coletivo aconteceu por volta das 15:30h desta terça-feira, 20, na barreira da PRF. Ao perceber os agentes fazendo a revista, o passageiro demonstrou nervosismo e teve seus pertences conferidos.
 

Garimpo Pontes e Lacerda

 
Quando os policiais encontraram, na bagagem do homem, aproximadamente 10 gramas de ouro e quiseram saber a procedência do produto, ele disse que havia extraído o metal precioso no garimpo da cidade de Pontes e Lacerda (MT).
 
Após a confissão, o garimpeiro foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia Federal em Vilhena, por crime contra o patrimônio na modalidade de usurpação, que é produzir bens ou explorar matéria-prima pertencentes à União, sem autorização legal, conforme Art. 2° da lei 8176/91. 

Garimpeiros queixam de dificuldades no trabalho e estrutura na Serra da Carnaíba

Garimpeiros queixam de dificuldades no trabalho e estrutura na Serra da Carnaíba

Serra da Carnaíba, conhecida também como a “Terra das Esmeraldas”, cujo garimpo foi descoberto no final de 1963 continua sendo um lugar de cobiça e aventura


serra da carnaíba
Quem visita a comunidade de Serra da Carnaíba, situada a 20 km da cidade de Pindobaçu, na microrregião de Senhor do Bonfim, onde está instalado o maior garimpo de esmeralda da Bahia, é fácil encontrar pessoas naturais dos municípios dos territórios do Jacuípe e Sisal, que fixaram residência na localidade.
Esse comerciante disse ser natural de Valente e lamenta dificuldade do comércio.
Esse comerciante disse ser natural de Valente e lamenta dificuldade do comércio.
O Calila Noticias esteve por lá para conhecer como vivem os garimpeiros e o comércio de pedras preciosas, e foi informado que a exploração do minério já foi melhor e que hoje passam por uma série de dificuldades. Um homem que se disse natural de Valente e que há 10 anos reside em Serra da Carnaíba, mas não quis dizer o nome, contou ao CN que volta e meia o comércio de esmeraldas sofre com oscilações e nos últimos tempos a atividade tem passado por mais momentos de baixa que de alta movimentação e negócios. “Está faltando gente pra comprar e também para vender as pedras. Isso é o resultado de uma soma de fatores, dentre eles a dificuldade para comprar explosivos para continuar a exploração”, explicou.
Coiteense queixou-se da falta d'água.
Coiteense queixou-se da falta d’água.
O aposentado Manoel Jorge da Silva, 66 anos e há 30 anos na comunidade, saiu de Conceição do Coité também externou outras dificuldades que vivem os moradores da Serra a exemplo da falta d’água, apesar de existir todo sistema de canalização, ligação com poços artesianos e o serviço era explorado por uma associação, mas não teve como continuar o atendimento e faliu, deixando os moradores com o abastecimento. “Aqui tem fartura d’água e gente passa sede”, desabafou Manoel Jorge.
Ele disse também que necessita melhorar saúde e só comparece médico na comunidade três dias por semana “e, por sinal, é um médico cubano muito bom. Aqui falta apoio governamental e o povo sofre.“ Concluiu.
Pernambucano cobra melhoria nas estradas.
Pernambucano cobra melhoria nas estradas.
Na região, entre Caraíbas e Serra da Caraíba, moram aproximadamente 12 mil pessoas e quase a metade são de outros municípios e tem neles seus domicílios eleitorais. “Nos falta estrada e começaram a mexer no trecho até a Terezinha, com 10 km, mas parou tudo e as máquinas foram embora”, desabafou o pernambucano Ezequiel Dias, 66 anos e desde os 8, mora na Serra.
Essa estrada a que se refere é a BA 131, rodovia que liga Senhor do Bonfim a região de Jacobina. Ele mostra na foto acima um saco com esmeralda e lembrou que o bom minério é aquele bem verde e apreciado como gema e o preço por quilate a coloca entre as pedras mais valiosas do mundo. “Se a pedra possuir um tom verde muito vivido ou intenso, muito claro e brilhante, é bem mais cara”, falou o pernambucano. Ele disse que nos últimos dias a coisa ficou mais difícil e “o garimpo ficou sem funcionar por 90 dias porque a polícia disse que os explosivos usados para destruir os bancos saiam daqui”, lamentou Ezequiel dias.
Os explosivos são comercializados por duas empresas, uma em Recife e outro em Belo Horizonte, mas necessitam de uma autorização do exercito para as cooperativas adquirirem e por ser suspeita que os explosivos usados nos ataques a banco ser originados da região, o serviço de exploração do mineral foi suspenso, mas já foi normalizado.
Valentense garante que a exploração gera tributos fiscais, renda e impostos para os cofres públicos
Valentense garante que a exploração gera tributos fiscais, renda e impostos para os cofres públicos
“As esmeraldas de Carnaíba, em sua maioria, são escórias denominadas de lixo, ou pedras indianas, cujo mercado brasileiro rejeita para compra. Somente quem se interessa pelas esmeraldas bagulho são os indianos. Eles vêm trazendo o dinheiro da Índia para Carnaíba, o que gera renda e meio de sustentação a mais de 30 mil famílias garimpeiras”, disse Antonio Caldas, natural de Valente, rebatendo em seguida a alegação de que o comércio das pedras não gera tributos. “Com aquilo que no Brasil é considerado lixo, geramos tributos fiscais, renda e impostos para os cofres públicos do Estado da Bahia e do nosso país”.
Alex da Piatã vai levar as demandas para os setores competentes.
Alex da Piatã vai levar as demandas para os setores competentes.
O deputado estadual Alex da Piatã (PMDB), atendendo ao convite do pastor Marcos Alves dos Santos, presidente da Associação dos Moradores da Serra, esteve reunido com as lideranças da comunidade e líderes de Pindobaçu que lhe apoiou na eleição do ano passado, inicialmente para agradecer os votos e depois ouvir as queixas do povo. O parlamentar ouviu atentamente todas as reivindicações, dentre elas do subtenente João Batista dos Santos: “Aqui é uma terra rica, mas pobre ao mesmo tempo”.
O parlamentar garantiu levar ao governo todas as reivindicações, em especial a questão do sistema de abastecimento de água, executado pelo CERB através de financiamento do Banco Mundial e entregue a associação para explorar. O deputado garantiu também manter contato com a SEINFRA e tratar do assunto referente à construção do asfalto até a Terezinha.
Esmeralda sempre movimentou a economia na região do Piemonte da Diamantina.
Esmeralda sempre movimentou a economia na região do Piemonte da Diamantina.
Serra da Carnaíba, conhecida também como a “Terra das Esmeraldas”, cujo garimpo foi descoberto no final de 1963 continua sendo um lugar de cobiça e aventura, e o sonho de ficar milionário da noite para o dia continuam vivo. Em cada “corte”, local onde se realiza o garimpo, a esperança de encontrar esmeraldas mantém homens e mulheres trabalhando 24 horas, alheios aos iminentes riscos de acidentes.
Como chegar: para chegar ao garimpo é necessário o acesso ao entroncamento que liga município de Antônio Gonçalves e Campo Formoso e a partir deste entroncamento segue-se pela BA-374 até o município de Pindobaçu, continuando por mais 9 km em direção ao município de Saúde até alcançar estrada vicinal da Terezinha que dá acesso ao Garimpo de Carnaíba.
As principais jazidas de esmeraldas são colombianas, mas pode ser encontrada também no Brasil na Serra da Carnaíba, na Bahia, Campos Verdes, Goiás, Rússia e no Zimbábue.

Caçadores de esmeraldas na Chapada Diamantina

 
Esmeraldas em Campo Formoso BAA cidade de Campo Formoso é conhecida por suas grutas e pelo comércio de esmeraldas.
Localiza-se na Chapada Diamantina na Bahia e tem em seu território muitas cavernas com diversos tipos de formação interior, além maior gruta, em extensão, do Hemisfério Sul: a Toca da Boa Vista, maior caverna conhecida do Brasil e Hemisfério Sul com mais de 120 km de galerias mapeadas até 2007, é um dos mais importantes sítios espeleológicos e paleontológicos brasileiros.
Conjuntamente com as cavernas vizinhas Toca da Barriguda, Toca do Calor de Cima, Toca do Pitu e Toca do Morrinho, constituem um conjunto de relevância geológica mundial.
Montanhas de beleza rara, vales que parecem não ter fim, rios que se espremem nos corredores de pedras. O conjunto de monumentos impressionantes foi criado pela natureza há 400 milhões de anos, quando a Terra ainda era criança.
No coração da Bahia, as águas do inverno saltam dos pontos mais altos do Nordeste. Um espetáculo exuberante. A Queda d’Água da Fumaça, de quase 400 metros, parece que começa nas nuvens.
Na Chapada Diamantina, a trilha das águas mostra o caminho das pedras. Pedras preciosas, que contam a história de muitos aventureiros. Carnaíba, norte da chapada. O vilarejo com cara de cidade atrai milhares de garimpeiros. As serras da região concentram a maior reserva de esmeraldas do Brasil.
 
O empresário Alcides Araújo vive perseguindo a sorte há mais de 20 anos. Ele é um dos grandes investidores na extração da valiosa pedra verde. Alcides diz que ainda não encontrou a sorte grande. Do garimpo dele só saíram pedras de segunda. Mesmo assim não dá para reclamar.
“Já ganhei um dinheiro razoável no garimpo, produzi quase quatro mil quilos. Se tivesse essas pedras hoje, valeria R$ 300, R$ 200 o grama. Já ganhei mais de R$ 3 milhões”, revela o empresário.

Boa parte desse dinheiro está enterrada na jazida que Alcides explora. O Globo Repórter foi ver como os garimpeiros vão atrás das esmeraldas. Uma aventura que requer, além de sorte, muita coragem.
Na maior mina da região, a equipe foi a 280 metros de profundidade. Para chegar lá embaixo, o equipamento é um cinto de borracha conhecido como cavalo. Confira esse desafio em vídeo.
Os garimpeiros são mesmo corajosos. No abismo dos garimpos, a vida anda por um fio. O operador da máquina que faz descer e subir o cabo-de-aço não pode vacilar. A água que cai do teto vem do lençol freático que o túnel corta. Parece uma viagem ao centro da Terra. Mas será que vale mesmo a pena correr tanto risco?
Foram quase seis minutos só de descida. Seis minutos de arrepios. A 280 metros a equipe chegou a um corredor estreito. No rastro da esmeralda, os garimpeiros abrem quilômetros de galerias. Calor, pouco ar, oito, dez horas por dia no estranho mundo subterrâneo. Esses homens vivem como tatus-humanos.
Alegria mesmo é quando o verde começa a surgir na rocha. Sinal de que pode estar por perto o que eles tanto procuram. É preciso detonar a rocha para ver se é mesmo esmeralda. O desejo de enriquecer é mais forte que o medo do perigo. Sem nenhuma segurança, eles enchem com dinamite os buracos abertos pela perfuratriz.
“Costumamos fazer até quatro detonações por dia. A cada detonação, são disparados de dez a quinze tiros”, conta o fiscal de garimpo Klebson de Araújo.
Muita pedra desceu do teto da galeria. O trabalho agora era levar tudo lá para cima e examinar direito as pedras. E o dono do garimpo? Será que ele confia nos seus garimpeiros?
“Eles encontram e a gente fiscaliza. Se facilitar uma coisinha, eles botam dentro do bolso”, diz o garimpeiro Manoel.
“Tem várias formas de levar. Uns dizem que estão com sede, pedem uma melancia para chupar. Partem um pedacinho, colocam as pedrinhas lá dentro e levam a melancia”, denuncia Alcides.
Escondida ou não, esmeraldas na mão é dinheiro no bolso. Nos fins de semana, a praça principal da cidade de Campo Formoso vira um mercado movimentado de pedras preciosas. No local, o que menos importa é a procedência. A esperteza sempre prevalece. Esmeralda de qualidade nunca é vendida na praça. Negócio com pedras valiosas é fechado dentro de casa, por medo de assalto.
Os minérios da Chapada Diamantina fizeram fortunas e produziram histórias. Histórias como a de Herodílio Moreira que já viveu dias de glória.
“Já ganhei muito dinheiro com esmeraldas. De comprar mercadoria e ganhar cinco carros de uma vez, de lucro. Hoje esses carros acabaram. Estou querendo dinheiro para comprar uma bicicleta velha”, conta o garimpeiro.
No mundo desses aventureiros, pobreza e riqueza dividem o mesmo espaço. O garimpeiro José Gomes, de 70 anos, também já viveu as duas situações, mas nunca perdeu a esperança.
“Quando vejo na joalheria uma esmeralda em forma de jóia, analiso o que perdi. Vejo as pedras nas lojas valendo milhões de dólares e eu sem nada”, diz ele.

Gemas – Ametista, Esmeralda e Turmalina

Gemas – Ametista, Esmeralda e Turmalina   

As esmeraldas transparentes, de puro verde, são muito raras e podem ser mais valiosas que o
diamante.
A esmeralda geralmente é lapidada em um tipo facetado próprio, cuja coroa tem seção retangular ou
quadrada, com os cantos e a mesa cortados (biselados), com oito lados em degraus inclinados. Neste
tipo de lapidação a coroa apresenta 24 facetas mais a faceta da mesa perfazendo um total de 25
facetas acima da cintura, o culote também exibe 25 abaixo da cintura. A forma geral da pedra pode
ser retangular, oblonga, losangular, triangular, quadrada ou condiforme.
Algumas esmeraldas são utilizadas para a confecção de esmeralda sintética, a partir de várias
sementes colocadas em autoclaves.
As esmeraldas de mais baixa qualidade e/ou berilos, juntamente com sua rocha encaixante, tem sido
usada em artesanato mineral, para a confecção de “máscaras” e estatuetas.
Muitas amostras de mais baixa qualidade gemológica tem sido adquiridas por universidades
(objetivando seu uso em estudos de inclusões minerais, identificação de defeitos, etc.), museus e
colecionadores.

MAR DE AMETISTAS- GARIMPO

Mar de ametistas




Foto:
No Brejinho das Ametistas, distrito rural de Caetité

Povoação talhada há mais de um século em cima de uma mina de ametistas, no sudoeste, ainda vive em função do garimpo.

As mãos de toda essa gente parecem mais grossas. Entre as falanges de dedos enrijecidos, brotam os veios de uma história que ninguém sabe ao certo onde começa e vai parar. É o tempo contado em sulcos que se multiplicam nas palmas das mãos, como rios numa bacia hidrográfica fotografada de cima. São as marcas nada sutis de vidas que se entregam a um sonho compartilhado por gerações, manipulado pelos dulcíssimos acordes de pancadas de picareta, compressores e martelos pneumáticos. No Brejinho das Ametistas, o navegar necessário é embaixo da terra. Viver não é preciso se não for pelo mar de pedras roxas.


Os olhos de toda essa gente enxergam mais além que os rasgos de arenito no horizonte trêmulo da Serra Geral, sudoeste do estado. São como lentes de aumento, candeeiros-guia dos que acreditam no final feliz de uma aventura garimpeira. São como lâmpadas no labirinto escuro das cavernas úmidas, fuçando as pistas do cobiçado quartzo arroxeado, semiprecioso, nobre. No Brejinho das Ametistas, distrito rural de Caetité, a 757 quilômetros de Salvador, tudo gravita em torno dessa única razão.
A 27 quilômetros da sede do município, a terra natal do cantor e compositor Waldick Soriano sobrevive quase exclusivamente da extração de ametistas, acompanhando os altos e baixos que definem os humores da atividade. O ritmo das ruas – a maioria delas calçadas graças aos dividendos produzidos a partir de seu solo rico – é o das escavações e descobertas feitas na principal mina da região, que fica exatamente embaixo da aglomeração urbana. Porém, das centenas de toneladas do minério retiradas desde o fim do século XIX, poucos foram os frutos deixados. Sina de garimpo, terra de todo o mundo e de ninguém.


Por mais que pareça estranho, existe um vazio referencial sobre esse lugar de atividade tão marcante. A história oficial passou ao largo de Brejinho das Ametistas. Tudo o que se sabe sobre a fundação e o desenvolvimento do distrito não é mais do que vestígios baseados em documentos dispersos e fontes imprecisas. Em Caetité, fora uns registros anotados pela historiadora Helena Lima Santos, muito pouco se tem a respeito da ocupação do território. Mais facilmente vilipendiada pela infinita capacidade humana de remodelar os acontecimentos, é a transmissão oral que dá os contornos da versão mais propagada.


Cento e vinte metros acima de onde, hoje, os mineiros se esgueiram à cata de ametistas, está a superfície que serviu a alguns boiadeiros da última década do século XIX. Um antigo brejo, ladeado por pedras e mata, fonte de água cristalina, que logo virou ponto de parada na rota dos pastores dos Gerais. Mais que um lençol freático de água potável, esse “brejinho” trazia à tona incrustações de ametistas em suas paredes a céu aberto, ligados a veios tão profundos que até hoje mobilizam os esforços de quem depende da sorte de um dia e convive com o azar de outro. No Brejinho das Ametistas, não há sequer uma casa que não seja emoldurada por histórias de garimpeiros.


“Tudo o que eu tenho agradeço ao garimpo”, simplifica dona Enedina Lima, que hoje mora em Caetité. Um terreno, uma casa e uma “partezinha na mina da Bolívia” são o produto daquilo que ela avalia como fruto dos 20 anos de escravidão do marido. O finado Lindolfo viu muita coisa naqueles Gerais entupidos de gemas roxas. Viu, inclusive, um punhado de gente morrer soterrada em busca de um sonho, inaugurado por alemães fugidos da Primeira Guerra Mundial.


Foram os gringos, a serviço da oportunidade de contrabandear pedras semipreciosas para o rentável mercado europeu, que monopolizaram a extração de ametistas no município de Caetité durante a maior parte do século XX. Seus túmulos, apodrecidos e esquecidos, ainda estão à beira de um dos caminhos que levam à Roma das ametistas. As ossadas descansam na terra pedregosa que lhes deu riqueza às custas da exploração de mineiros miseráveis.


Justiça seja feita, os alemães não foram os únicos espertalhões a acumular lucros com a venda ilegal das ametistas baianas. Filhos da terra, de famílias respeitadas, também não perderam a chance de buscar o seu quinhão. O geólogo Nelson Spínola Teixeira, ao contrário de seu irmão educador Anísio Teixeira, não tem o nome associado às melhores referências. Pelo menos não entre os garimpeiros. “Ele morava no Rio e, quando descobriu que tinha um monte de gente extraindo pedras ilegalmente no Brejinho, fez o requerimento de lavra em seu nome no Departamento Nacional de Produção Mineral (DPNM), chegou com a Polícia Federal e tomou o garimpo de todo o mundo. Meu pai, mesmo, perdeu uma das catras”, atesta Nestor Alves Rocha, 67 anos, sobre o acontecido há quase 60 anos.


A briga pela posse das minas e de sua produção é geradora de capítulos de tensão e conflito entre mineradores e proprietários de terras. Em novembro de 2001, por exemplo, os garimpeiros invadiram a mina Paraguai (a mais importante) e desde então não mais saíram. Há diversos processos de disputa de terras na Justiça Federal e relativos a direito de pesquisa mineral no DPNM (a maioria caducados). Há também um acordo na Justiça comum de Caetité que estabelece a partilha da extração entre a cooperativa dos garimpeiros e o dono das principais minas da localidade, herdeiro contestado de uma sina germânica sem prazo de validade. “Eu lamento Brejinho ser o que é e ninguém reconhecer o que eu fiz por aquele povo. Eu dei tudo pra eles!”, discursa o aposentado Durval Fernandes, que mora no Rio de Janeiro e alega ter herdado 20 escrituras do pai e comprado mais dez do alemão Kurt Walter Dreher.


O furor das desavenças – que ainda inclui as alfinetadas da família de Waldick Soriano tanto contra a administração da cooperativa quanto contra Júlio Fernandes (detentor da pesquisa do Paraguai e filho de Durval Fernandes) – só não prende mais a atenção do que a oscilação de uma montanha russa chamada “veio”. A qualidade do que se encontra nele, debaixo da terra, é que determina como serão as relações na superfície