domingo, 1 de novembro de 2015

Amazônia abriga terceira corrida do ouro no Brasil

Amazônia abriga terceira corrida do ouro no Brasil



Brasília – O que o resultado das operações de fiscalização de crimes ambientais sinalizava, e o governo temia, está sendo confirmado agora por especialistas em mineração e órgãos ambientais: começou, há quase cinco anos, a terceira corrida do ouro na Amazônia Legal, com proporções, provavelmente, superiores às do garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará, no período entre 1970 e 1980.
Nos últimos cinco anos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desativou 81 garimpos ilegais que funcionavam no norte de Mato Grosso, no sul do Pará e no Amazonas, na região da Transamazônica. O Ibama informou que foram aplicadas multas no total de R$ 75 milhões e apreendidos equipamentos e dezenas de motores e balsas.
Nesta semana, fiscais do Ibama e da Fundação Nacional do Índio (Funai) e agentes da Polícia Federal, desativaram três garimpos ilegais de diamante no interior da Reserva Indígena Roosevelt, em Rondônia. Dezessete motores e caixas separadoras usadas no garimpo ilegal foram destruídos, cessando o dano de imediato em área de difícil acesso.
A retomada do movimento garimpeiro em áreas exploradas no passado, como a Reserva Roosevelt, e a descoberta de novas fontes de riqueza coincidem com a curva de valorização do ouro no mercado mundial. No ano passado, a onça – medida que equivale a 31,10 gramas de ouro – chegou a valer mais de US$ 1,8 mil.
Com a crise mundial, a cotação no mercado internacional, recuou um pouco este ano, mas ainda mantém-se acima de US$ 1,6 mil. No Brasil, a curva de valorização do metal continua em ascensão. No início deste ano, o preço por grama de ouro subiu 12%, chegando a valer R$ 106,49.
“É um valor muito alto que compensa correr o risco da clandestinidade e da atividade ilegal. Agora qualquer teorzinho que estiver na rocha, que antes não era econômico, passa a ser econômico”, afirma o geólogo Elmer Prata Salomão, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral e ex-presidente do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério de Minas e Energia.
Como a atual corrida do ouro é muito recente, os dados ainda são precários e os órgãos oficiais não têm uma contagem global. Segundo Salomão, que presidiu o DNPM na década 1990, depois da corrida do ouro de Serra Pelada, foram feitos levantamentos que apontaram cerca de 400 mil garimpeiros em atividade no Brasil.
O secretário executivo da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb), Onildo Marini, cita duas regiões em Mato Grosso consideradas estratégicas para o garimpo: o Alto Teles Pires, no norte do estado, que já teve forte movimento da atividade e hoje está em fase final, e Juruena, no noroeste mato-grossense, onde o garimpo foi menos explorado.
“Tem garimpos por toda a região e tem empresas com direitos minerários reconhecidos para atuar lá”, relata. Como ainda há muito ouro superficial que atrai os garimpeiros ilegais, a área tem sido alvo de conflitos. As empresas tentaram solucionar o problema no final do ano passado, quando procuraram o governo de Mato Grosso e o DNPM. “A notícia que tive é que a reunião não foi muito boa. Parece que o governo local tomou partido do garimpo”, disse ele. Procurado pela Agência Brasil, o governo de Mato Grosso não se manifestou.
“Os garimpos mais problemáticos são os de ouro e diamante. Na Amazônia, incluindo o norte de Mato Grosso, estão os mais problemáticos e irregulares, tanto por estarem em áreas proibidas, como por serem clandestinos.”
A Reserva Roosevelt, no sul de Rondônia, a 500 quilômetros da capital, Porto Velho, é outro ponto recorrente do garimpo ilegal. A propriedade de mais de mil índios da etnia Cinta-Larga, rica em diamante, foi palco de um massacre, em 2004, quando 29 garimpeiros, que exploravam clandestinamente a região, foram mortos por índios dentro da reserva. O episódio foi seguido por várias manifestações dos Cinta-Largas, incluindo sequestros, que pediam autorização para explorar a reserva.
“Agora existe um grupo de garimpeiros atuando junto com os índios, ilegalmente. Agora, eles estão de mãos dadas. A gente viu fotografias com retroescavadeiras enormes”, diz o geólogo.
Os garimpos na Reserva Roosevelt voltaram a ser desativados esta semana, quando o Ibama deflagrou mais uma operação na região, com o apoio da Polícia Federal.
Marini explicou que ainda não é possível contabilizar os números da atividade praticada ilegalmente na região. “Não há registro. Na região do Tapajós, onde [o garimpo] está na fase final, falava-se em valores muito altos, em toneladas de ouro que teria saído de lá, mas o registro oficial é pequeno, a maior parte é clandestina. Ouro, diamante e até estanho, que é mais barato, na fase de garimpo, mais de 90% era clandestino”.

Dragas reviram o rio Tapajós em busca de ouro e diamante

Dragas reviram o rio Tapajós em busca de ouro e diamante


Os riscos da bacia do Tapajós voltar novamente a ficar barrenta são cada vez maiores. Centenas de dragas, agora com maior potência e mais poder de destruição do meio ambiente, estão revirando o leito do rio e funcionando a todo vapor em busca de ouro e diamante.

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Os riscos da bacia do Tapajós voltar novamente a ficar barrenta são cada vez maiores. Centenas de dragas, agora com maior potência e mais poder de destruição do meio ambiente, estão revirando o leito do rio e funcionando a todo vapor em busca de ouro e diamante.
Há décadas, a região do Tapajós é alvo de milhares de garimpos ilegais em busca de ouro e diamante. Depois de sofrer uma intensa fase de exploração durante os anos 70 e 80, a exploração ficou quase estagnada décadas seguintes. Nos últimos cinco anos, porém, o garimpo voltou a prosperar com força total, mas de maneira mais perversa ainda.
As novas tecnologias e a utilização de cianeto na apuração do ouro deram novo gás na exploração do mineral, mas pode ser mortal para várias espécies, entre elas o próprio homem.
A pressão cresce e os fiscais do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) com seu poder de atuação reduzido, praticamente assistem a agressão a um dos mais belos rios da Amazônia.
Mais grave, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) que deveria fiscalizar a atividade não possui agentes suficientes para coibir mais este desastre ambiental.
O Ministério de Minas e Energia tenta regularizar a atividade na região, e procura solução ao caos fundiário. Mas o próprio presidente do ICMBio, Roberto Vizentin, reconhece que quase tudo é ilegal.
“O garimpo é uma das questões que mais nos preocupa nessa região”, enfatiza.
Com tantos garimpos, é natural o aumento da ocupação irregular na região já marcada por conflitos fundiários. Segundo o Incra, entre 5 mil e 6 mil famílias demandam regularização de terras nestas áreas.

CIANETO Segundo estimativas atualmente há cerca de 60 mil homens trabalhando na extração de ouro e diamante na bacia do Tapajós. É mais da metade dos 110 mil garimpeiros que estão espalhados por toda a Amazônia.
Quase todo esse batalhão atua de forma irregular, seja utilizando materiais ou máquinas proibidas, seja agindo sem qualquer tipo de autorização e fiscalização. Antigamente era só o mercúrio, agora também o cianeto, produtos usados para apurar o ouro, que seguem direto para o leito dos afluentes e do próprio rio Tapajós.
Para complicar ainda mais a situação, os garimpeiros passaram a utilizar retroescavadeiras para cavar mais fundo o solo e chegar a camadas da terra ainda não explorada. Até cinco anos atrás, esse tipo de equipamento, conhecido como “PC”, não era usado na exploração do ouro. O número é impreciso, mas calcula-se que hoje há cerca de 150 retroescavadeiras revirando terras na bacia do Tapajós.
É muito fácil observar balsas carregando os equipamentos pelo rio. Apesar da ilegalidade total, tudo transcorre normalmente. O maquinário é caro. Uma “PC” nova, com todos os apetrechos, custa cerca de R$ 600 mil.
O alto preço, porém, não mete medo nos garimpeiros que apostam na falta de fiscalização da Sema e na alta lucratividade para ampliar ainda mais suas áreas de garimpo.

ELDORADO As ações dos garimpeiros aumentaram diante da escalada vertiginosa do preço do ouro que voltou a viabilizar que a bacia do Tapajós voltasse a ser alvo de ações de garimpo. O rio Tapajós voltou a ser um eldorado.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Mineração de Itaituba, a região está produzindo meia tonelada de ouro por mês, o que representa mais de 26 milhões de dólares, de acordo com o preço atual do metal. Há cinco anos, este volume mensal não passava de 200 quilos. “O preço disparou e o negócio voltou a atrair muita gente para o garimpo”, conta um empresário da cidade.
Em 2005, o preço da onça do ouro (31,10 gramas) teve média de US$ 445. Em 2009, a cotação dobrou e chegou a US$ 974 e não parou mais de subir. Hoje o preço da onça está em US$ 1.643.
A situação é grave, principalmente diante da falta de autorização para lavra, da maioria dos garimpeiros. Eles culpam a Sema de morosidade na liberação e regularização da exploração e sabedores da ineficiência do órgão, apostam quase todos na impunidade, para perpetrar mais este crime ambiental.

Os diamantes do Tapajós

Os diamantes do Tapajós

O Tapajós é conhecido mundialmente por abrigar a maior província aurífera do Brasil. Foi o ouro que atraiu milhões de garimpeiros nos últimos 46 anos que, como formigas, criaram milhares de garimpos no meio da selva. Foi o ouro que atraiu as empresas de mineração que descobriram as principais jazidas da região. E foi o ouro que desenvolveu os importantes centros regionais como Itaituba.
No entanto é o diamante que está adicionando uma nova dimensão aos garimpos do Tapajós. O diamante não é uma raridade na história da Amazônia. Importantes ocorrências de diamantes foram lavradas ao longo do tempo nos Rios Tocantins, a sul e norte de Marabá, no Xingu a leste de Altamira, e em Cachoeira Porteira as margens do Rio Mapuera.
Grandes empresas como a Rio Tinto e a De Beers investiram elevadas somas atrás das fontes primárias desse diamante. Na década de 90 a Rio Tinto cobriu uma boa parte do Tapajós com levantamentos aerogeofísicos e com follow-ups de sedimentos de correntes visando a identificação de diamantes e dos minerais satélites de kimberlitos e lamproitos. Os trabalhos da Rio Tinto mostraram algumas interessantes ocorrências de diamantes e a descoberta de alguns corpos kimberlíticos e lamproíticos.
Os minerais indicadores, que foram formados em grandes profundidades, dentro do campo de estabilidade do diamante, praticamente não foram descobertos. São esses indicadores juntamente com o próprio diamante que realmente interessam ao geólogo de exploração.
Na época a Rio Tinto considerava o fato do Tapajós estar em uma região afetada por um forte magmatismo Proterozóico, o Uatumã, como um ponto negativo. Afinal o magmatismo poderia ter aquecido aquela região crustal inviabilizando o desenvolvimento de jazidas primárias de diamantes. O Tapajos foi colocado em segunda prioridade e a empresa nunca mais voltou, fechando todos os principais projetos de prospecção, alguns anos depois.
Ainda na década de 90 os garimpeiros descobriram diamantes em um garimpo de ouro na Cachoeira Porteira e, mais tarde, nos sedimentos a sudeste de Itaituba. Foi quando foi explorado o primeiro garimpo de diamantes do Tapajós, o estopim das descobertas que vieram a seguir. O que ninguém sabia é que uma boa parte dos aluviões que já estavam sendo lavrados para ouro continham, também, milhares de quilates de diamantes de altíssima qualidade.
Aos poucos alguns garimpeiros mais espertos começaram a adaptar suas obsoletas caixas (sluice boxes) para a recuperação, também, de diamantes. A experiência foi bem sucedida e as descobertas começaram a aparecer, principalmente no interflúvio do Jamanxim e do Tapajós. As notícias atraíram os garimpeiros do Mato Grosso, acostumados a lavras de grande volume, com equipamentos bem mais pesados do que os usados no Tapajós. Esta nova invasão trouxe, também, os experientes garimpeiros da região diamantífera de Juína, que já haviam passado por um ciclo de garimpagem de diamantes.
Não demorou para que mineradores estrangeiros, vindos de Israel, também começassem a investir na pesquisa e prospecção dos diamantes do Tapajós. Está formado o quadro atual. Com esse contingente o Tapajós passou a produzir, além do ouro, milhares de quilates de diamantes (oficiais) por semana que aguçam a cobiça de muitos atraindo um grande número de garimpeiros e mais mineradores estrangeiros.
Estima-se que existam, hoje, mais de 2.000 PCs, retroescavadeiras de grande porte, que fazem o trabalho de dúzias de garimpeiros em poucos minutos. A remoção de terra e escavações, geralmente manuais, passaram a ser feitas por equipamentos cada vez maiores. Os grandes rios como o Tapajós estão sendo invadidos por gigantescas balsas de sucção, de 18 polegadas, verdadeiros monstros que sugam milhões de metros cúbicos de sedimentos ricos em ouro e diamantes do fundo dos rios.
Essas balsas são fabricadas em Rondônia e usam motores de 400HP, chegando a custar R$1.200.000 cada. Algumas já foram adaptadas com caixas para a retenção dos diamantes (foto). Estes gigantescos equipamentos só podem ser utilizados em áreas realmente ricas, pois tem um custo operacional muito elevado, acima de 50 gramas de ouro equivalente por dia.
A invasão dos grandes equipamentos demonstra, na prática, a riqueza dos aluviões que estão sendo lavrados. Será que agora serão descobertas as primeiras jazidas primárias de diamantes no Tapajós?
Segundo o conhecimento geológico atual a região não tem grande potencial para jazimentos primários. Ainda falta um cráton antigo, estável e frio como os que existem em praticamente todas as regiões onde os kimberlitos ricos são encontrados. Um outro ponto que endossa essa hipótese negativa é a quase ausência de diamantes de baixa qualidade. A grande maioria dos diamantes do Tapajós é de qualidade gema: uma boa notícia para os mineradores.
Isso indica que os diamantes foram transportados por grandes distâncias. Ao longo deste transporte as pedras de qualidade inferiores, mais frágeis, se quebram e praticamente, desaparecem. É essa a explicação para a excelente qualidade dos diamantes da costa da Namíbia, que foram transportados pelo rio Orange por centenas a milhares de quilômetros. Talvez seja por isso que não são encontrados os frágeis minerais satélites tão comuns nas proximidades de kimberlitos.
Com ou sem fontes primárias próximas os diamantes do Tapajós já fazem parte da história da região. Eles deverão mudar, mais ainda, o perfil dos mineradores e até da própria comunidade. Em breve veremos a instalação de grandes washing plants equipadas com equipamentos de alta recuperação como os sortex. Esse será o momento em que o profissionalismo tomará conta e que o diamante começará, realmente , a ser recuperado no Tapajós.
Enquanto isso, em Itaituba, motivado pela produção de diamantes, um vereador local já prega que todos os diamantes devem ser lapidados localmente antes de saírem do Tapajós…Realmente, o diamante veio para mudar.

Recomeçou a corrida do Ouro no Tapajós?

Recomeçou a corrida do Ouro no Tapajós?

Mentor intelectual do movimento que resultou na criação, em 1990, da Associação dos Mineradores de Ouro do Tapajós (Amot), que dirige até hoje, diretor da Associação Nacional do Ouro (Anouro) e atualmente dono de nove garimpos, três dos quais ativos, o empresário Dirceu Frederico, com escritório de compra de ouro na cidade de Itaituba, garante que está começando uma nova corrida do ouro no vale do Tapajós região que já foi a maior produtora do Brasil em boa parte da segunda metade do século passado e cujo ápice ocorreu na década de 1990. E mais: mesmo com a decadência da garimpagem, hoje reduzida a menos de dez por cento do que foi no passado, a atividade ligada ao ouro injeta ainda hoje, na economia da região, entre 10 e 11 milhões de reais por mês.

Segundo Frederico, apontado em Itaituba como "um baú de memórias da garimpagem no Tapajós", o ciclo do ouro tem sua origem nos idos de 1948, data do primeiro relato de que se tem notícia da ocorrência do metal. Da chegada dos primeiros faiscadores, nessa época, até o início da década de 1980, a extração do ouro se processava exclusivamente pelo método manual.

Ele lembra que foi a partir de 1982 que teve início a mecanização dos garimpos, com a chegada dos primeiros motores, bico-jatos e "chupadeiras" ao rio Marupá, inaugurando em território paraense técnicas até então restritas ao rio Madeira, em Rondônia. Continuando a imitar os procedimentos adotados pelos produtores de ouro de Rondônia, os garimpeiros do Tapajós introduziram, pouco tempo depois, uma novidade: as dragas de rio, com as quais passaram a revolver os "baixões" (vales e drenagens naturais do Tapajós e de alguns de seus afluentes).

Dois fatores se combinaram nessa época para provocar o que ficou conhecido então como "a febre do ouro" no vale do Tapajós. Ainda que um tanto rudimentar, a mecanização da atividade garimpeira provocou, de imediato, um extraordinário crescimento na produção. "O volume produzido foi multiplicado por dez", garante Frederico.

Ao mesmo tempo em que as máquinas impulsionavam a produção, o mercado internacional, surpreendentemente aquecido, registrava um grande aumento na cotação do ouro, induzindo com isso novos investimentos nas atividades de exploração. Ou seja, os preços do ouro compensavam os gastos com a aquisição de máquinas, que, por sua vez, resultavam em mais crescimento na produção.

Para Frederico, o vale do Tapajós abriga em seu subsolo muitos minérios, o que a coloca como uma província polimetálica. A província aurífera, porém, está confinada a uma área de 98 mil quilômetros quadrados delimitada pelos rios Tapajós, Iriri (afluente do Xingu) e rio das Tropas. Nessa área chegaram a funcionar mais de dois mil pontos de garimpo, cuja produção na época pode ter superado a casa de 700 toneladas de ouro.

No auge da produção garimpeira, entre 1982 e 1990, a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, do Ministério de Minas e Energia) chegou a catalogar na região 432 pistas de pouso. "Provavelmente havia mais, já que não existiam os modernos recursos de hoje, como imagens de satélites", afirma Frederico. Em Itaituba, o que se diz é que o município chegou a ter perto de 700 campos de pouso em operação.


Descobertas Novas Jazidas

Dirceu Frederico observa que, historicamente, o ouro sempre valeu como ativo financeiro em torno de US$ 10 a 11 mil o quilo, o equivalente a cerca de US$ 340 a onça troy. Em 1983, coincidindo com um período de grande turbulência na economia mundial, o ouro chegou a valer US$ 800 a onça troy, o equivalente a perto de US$ 25 mil o quilo. Ou seja, quase duas vezes e meia a sua cotação histórica, o que resultou, aqui, numa febre de investimentos em abertura de pistas e compra de maquinário.

Mais de vinte anos depois, embora a época e as condições sejam diferentes, conforme o diagnóstico de Frederico, está se repetindo algo semelhante, com a cotação do ouro já atingindo um valor próximo à casa de US$ 40 mil o quilo."O resultado disso é que já está ocorrendo uma nova corrida do ouro em Itaituba", garante.

Ele destaca que, até 1995, por dispositivo da Constituição Federal de 1988, a legislação brasileira não permitia a entrada direta de capital estrangeiro para investimento no setor mineral. A aprovação de uma emenda constitucional em 1995, no início do governo Fernando Henrique, eliminou essa restrição. A partir daí, a convite do governo brasileiro, através do Ministério de Minas e Energia, a Amot integrou comissões internacionais para tentar atrair, principalmente nos EUA, empresas dispostas a atuar em pesquisas no Brasil. 

Dirceu Frederico calcula que cerca de trinta empresas americanas se interessaram pelo projeto e, delas, aproximadamente a metade se fixou na região para o desenvolvimento de projetos de pesquisa.

Do trabalho dessas poucas empresas já é possível concluir, segundo o diretor da Amot, que no vale do Tapajós existe ainda muito ouro. Ele confirma, inclusive, a descoberta de algumas jazidas de classe mundial.


"Restrições Ambientais engessam uso de riquezas"


Depois da morte de Irmã Dorothy Stang, em Anapu, em 2005, o governo brasileiro decidiu responder, da pior maneira possível, à intensa pressão da comunidade internacional: passou a criar unidades de conservação às pressas e sem o menor critério, que viram engessar perigosamente a Amazônia.

A opinião é de Dirceu Frederico, que, como diretor da Anouro, acompanhou as discussões em torno das restrições ambientais planejadas para a região. Representando os mineradores do Tapajós, ele chegou a participar de várias reuniões em Brasília e de audiências públicas realizadas na própria região oeste do Pará.

"A morte de Dorothy fez com que as unidades de conservação nascessem antes da hora", afirma. O resultado, segundo Frederico, somente hoje está sendo percebido. "As áreas onde existem grandes reservas minerais estão se transformado em reservas indígenas ou unidades de conservação".

O diretor da Amot observa que é assim na reserva Roosevelt, em Rondônia, área riquíssima em diamantes e que foi palco, no dia 7 de abril de 2004, de um massacre em que 29 garimpeiros foram trucidados por índios. Áreas ricas em minério estão hoje interditadas também em Mato Grosso, no Pará e em Roraima.

O grande problema, segundo Frederico, é que se tem hoje uma visão caolha da questão ambiental no Brasil. "O foco é única e exclusivamente na questão da biodiversidade. Não há a mesma preocupação com a população estabelecida nessas áreas, e muito menos com a geodiversidade, que tem para o futuro do Brasil importância estratégica".

As crescentes restrições ambientais impostas à região, segundo ele, ignoram o fato de que a riqueza mineral existente no subsolo é um patrimônio da nação e, como tal, deve ser aproveitada em benefício de toda a sociedade. "Não se leva em conta nem o fato de que uma empresa de mineração, para obter o alvará de lavra, tem que assumir o compromisso prévio de regeneração da área impactada".


A mineração na Amazônia e a política

A mineração na Amazônia e a política


Seguindo o momento nacional, iremos iniciar um quadro aberto a todos, no intuito de melhorar a verdadeira balburdia que tomou conta da mineração na Amazônia: Invasões garimpeiras, empresas de papel falidas, greve branca do órgão fiscalizador da mineração, drible as leis minerárias, desobediência às leis de meio ambiente, conflitos entre garimpeiros, quase impossibilidade de licenciamentos ambientais, milhões de hectares bloqueados, reservas sobrepostas, reservas ambientais em áreas  habitadas.... 

Assim não pode continuar!


Iremos iniciar com um texto do IBRAM retirado do site“geólogo.com.br” sob o título “O Medo de Marina” e iremos divulgar qualquer texto ou comentário embasado de qualquer matiz político, do interesse da comunidade mineral na Amazônia.

A pergunta que paira, quando o assunto é Marina Silva, é o quanto um governo de Marina será bom ou ruim para a mineração do Brasil.  Sabemos que Marina tem as suas raízes no extrativismo onde as palavras sustentabilidade e meio ambiente são sinônimos de pilares de sua formação. Marina é um exemplo de determinação e de foco. Ela saiu de um seringal na Amazônia, pobre, sem educação e infestada pela malária para uma meteórica carreira política que a trouxe até esta candidatura à presidência do Brasil. Qualquer um com esse currículo deve ser, no mínimo, respeitado. 
Graças às suas ideias e posições, apresentadas durante o seu trabalho na proteção do meio ambiente, ela foi taxada de radical, de anti mineração e anti desenvolvimentista.  Muitos inimigos políticos tentam pintá-la como uma xiita ambientalista contrária ao desenvolvimento econômico e aos grandes projetos inclusive os do agronegócio que junto com a mineração são as duas grandes molas da economia brasileira.
Existem alguns, como o colunista Luis Soares, que afirma que Marina é financiada por dois bilionários: um é Guilherme Leal seu vice na candidatura de 2010, fundador do Grupa Natura e o outro Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, herdeira do Banco Itaú. Batendo na mesma tecla o colunista Reinaldo Azevedo insinua que quem financia Marina é Neca Setubal o que claramente demonstra uma dicotomia intrigante: um Banco financiando uma candidata anti desenvolvimentista...
Talvez Marina não seja assim tão radical e, nos seus cenários possíveis, existe uma mineração moderna, sustentável, que polui e destrói muito menos.
Será isso possível?
Com raízes no comunismo e no movimento sindical ela foi uma das fundadoras da CUT. Lançou-se na política pelo PT e, em 1994, elegeu-se a senadora mais jovem do Brasil.
Sempre lutou contra a emissão dos gases de efeito estufa e pela manutenção e demarcação das terras indígenas. Em 2003 como Ministra do Meio Ambiente foi acusada de atrasar licenças ambientais para obras de infraestrutura.
Esses atrasos criaram um desentendimento entre Marina e Dilma, então na Casa Civil.
Lutou contra os transgênicos e contra as usinas nucleares de Angra II. Foi radicalmente contra o desmatamento da Amazônia, indispondo-se no processo, contra os Governadores de Rondônia e Mato Grosso.
A falta de apoio e a frustração a levaram a pedir demissão do Ministério do Meio Ambiente e a filiar-se ao PV
Com as bandeiras da minoria negra, do meio ambiente e de ser pobre ela conseguiu 20% dos votos da eleição de 2010. Um feito memorável para quem tinha apenas 1 minuto e dezessete segundos de rádio e TV. Para muitos esse voto foi o voto de protesto de uma multidão sem opção: a síndrome “Cacareco”.
Em várias ocasiões Marina falou sobre a mineração.
Sobre as minas a céu aberto de Minas Gerais ela disse “que é fundamental que se observe a legislação ambiental” e que a mineração é uma “safra que só dá uma vez”, que paga impostos e royalties “ muito baixos” além do passivo ambiental que deixa.
Segundo ela precisamos “transformar” a nossa matéria prima, que é exportada principalmente para a China. E que compramos, posteriormente, os produtos industrializados, o que é “um absurdo” e que faz com que o país “não consiga criar riquezas”. Este é um ponto importantíssimo, que nós do Portal do Geólogo concordamos com a candidata , e que mostra a determinação de Marina de acrescentar valor ao nosso produto exportado, como o minério de ferro, que é vendido por menos de US$100/t retornando posteriormente na forma de industrializados que valem milhares de dólares por tonelada.
Marina tem uma posição bem clara sobre os royalties da mineração, que segundo ela devem aumentar. Mas, em nenhum momento ela diz o quanto ou se ela concorda com o aumento proposto pelo novo Código Mineral.
Existe um outro lado de Marina que nos assusta.
É um lado radical, pouco embasado nas tecnicidades da área da mineral, que bombardeia a mineração de forma impiedosa como se essa fosse um mal a ser execrado e erradicado.
Em uma página do seu partido Rede Sustentabilidade, ela fala claramente sobre o Novo Marco Regulatório da Mineração. Em um parágrafo sobre o Direito de Prioridade é dito que  “Muitos geólogos e pesquisadores da área afirmam que o “direito de prioridade” frustra qualquer planejamento ou orientação pública a guiar a exploração mineral.” . Não sabemos onde ela fez essa pesquisa mas acreditamos que esses “muitos” são os poucos associados ao grupo que escreveu o MRM e que hoje, por questão corporativa, o defendem.
É claro que Marina, assim como Dilma, são contra o direito de prioridade, que se extinto irá significar o fim das empresas privadas de pequeno a médio porte da pesquisa mineral brasileira.
No texto de Marina é recomendado um maior controle público sobre a atividade da mineração: “o relatório do deputado Leonardo Quintão retrocede com relação a esse controle, voltando ao regime exclusivo de mercado, e não incorpora a dimensão socioambiental necessária”.
Segundo Marina a mineração deveria“ incorporar todos os custos socioambientais normalmente externalizados à sociedade, como contaminação de água, desestabilização de atividades produtivas etc.  Para tanto, é fundamental, por exemplo, que o contrato de concessão reflita as condições socioambientais estabelecidas na licença ambiental, assim como o resultado da consulta às comunidades impactadas. “
Esses pontos são importantes e se forem implementados de forma racional, sem radicalismos e ingerências ditatoriais serão benéficos.
No nosso entender, a mineração, como um todo, tem que poluir menos e adotar práticas ambientais modernas atuando em prol da sociedade antes, durante e depois do projeto mineral.
Nestes pontos não estamos longe de Marina.
Marina em várias ocasiões se mostrou contra a energia nuclear que “é cara e não é segura”. Diz que os danos ambientais da mineração são “democratizados” e que o Estado se beneficia pouco, pois os royalties “são miseráveis”.
No entanto a falta de profissionalismo de seus associados nos faz ficar de cabelos em pé.
Em um vídeo denominado “Enquanto o trem não passa”, que foi postado no Facebook oficial de Marina, fica claro que ela tem o suporte de grupos profundamente amadores que por saberem tão pouco da mineração não podem, jamais, gerenciar os nossos destinos sob pena de imensos fracassos e atritos.
O vídeo elaborado por vários grupos de suporte à Marina fala sobre o novo código e sobre a mineração entremeando meias-verdades, de forma a colocar quem vê o documentário, radicalmente contra a mineração como um todo.
O vídeo discorre sobre a falta de beneficiamento do minério brasileiro, uma verdade, mas mistura a Vale com os garimpeiros de Serra Pelada como se o garimpo e a mineração da Vale tivessem alguma similaridade, o que obviamente não existe.
Ele fala da Belo Sun, na Volta Grande do Xingu, de uma forma irresponsável, “ informando que após dez anos de exploração a mineradora vai deixar o equivalente a dois morros do tamanho do Pão de Acúcar de ”resíduos tóxicos como o cianeto”. Uma grosseira inferência de quem pouco conhece sobre a mineração de ouro e sobre as formas de neutralizar o cianeto usado na recuperação do metal.
Mas depois que o erro é lançado como verdade é difícil de apagá-lo do consciente coletivo.
Neste vídeo fica claro que a tendência do partido e dos seguidores de Marina é apoiar os garimpos, os índios e os quilombolas contra as mineradoras. Nele é denunciado que o Relator, o Dep. Quintão, está sendo financiado pelas mineradoras. São inúmeras as tentativas de transformar a mineração no “grande satã” o que, além de errado, possivelmente vai causar mais danos à mineração do que o próprio governo do PT já fez.
Os ataques não param aí e dizem que no novo código não é tratado a questão socioambiental e os direitos das comunidades e que os mineradores, generalizam, querem “invadir“ as terras indígenas.
No vídeo a mineração é acusada de usar muita água e muita energia e é responsável pela falta de água que vemos hoje, já que as fontes e nascentes “estão sendo drenadas pela mineração”.
São obviamente acusações risíveis que demonstra a falta de preparo de quem elaborou o documentário, mas será que Marina, se Presidente, não vai acolher essas demandas, “ipsis litteris”?  O documentário, amadoristicamente, mistura mineração com alhos e bugalhos e sem nenhuma preocupação com a verdade ou com o embasamento técnico-científico, propaga barbaridades como: a “mineração é o setor que mais mata, mutila e enlouquece os trabalhadores. Em uma das atividades mais insalubres e mal remuneradas”.
É preocupante a propagação de falácias deste calibre,  destinadas àquele cidadão sem preparo e pouca educação que não poderá se proteger destas inverdades. Será que esse é, também, o pensamento de Marina?
  Marina nos parece estar vivendo em vários mundos, imprensada entre movimentos de esquerda e ambientalistas radicais e um grupo mais moderado. Talvez junto com o PSB, sua nova coligação, ela tenha que adotar uma atitude mais moderada, até por força de contrato.
Entretanto, no que tange a mineração, o plano de governo da coligação de Marina com o PSB lançado em 04 de fevereiro de 2014, é um deserto.
O Plano, conforme já discutido pelo Portal do Geólogo, sequer menciona palavras como mineração, minério, mina ou geologia.
Algo correlato só é citado, sem profundidade,  dentro do âmbito da energia quando é proposto a criação de “um Painel de Especialistas para discutir a fundo a tecnologia de segurança que está sendo utilizada na exploração de petróleo na camada do pré-sal e a que será utilizada para exploração do gás de xisto, para que a sociedade tenha maior clareza em relação aos riscos envolvidos.”
A nossa conclusão sobre o impacto de Marina na mineração e na geologia do Brasil nos leva a dizer que: o plano de Marina simplesmente não contempla a mineração.
Nesse quesito somos um zero à esquerda.
Através da leitura de seus discursos e posições dos últimos anos se torna óbvio que Marina contempla inúmeras medidas que irão nos asfixiar, reduzir e minimizar. Possivelmente veremos um código sem o direito de prioridade, um processo de estatização da mineração e da pesquisa mineral e agências ambientais hostis e pouco ágeis na concessão das licenças ambientais. Mesmo sob o guarda-chuva da coligação com o PSB não vemos Marina como um fato novo que possa nos propulsionar e elevar a mineração ao seu real patamar de importância socioeconômica.
Infelizmente.