sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Em defesa do eldorado

Em defesa do eldorado

A biodiversidade amazônica está na mira dos estrangeiros.

Imagine uma área de 7,3 milhões de quilômetros quadrados coberta por 40 mil espécies de plantas – sendo 30 mil delas endêmicas, ou seja, que só existem ali – e onde se encontra um terço de toda a água doce do planeta. Estrategicamente posicionada entre o bloco de poder norte-americano, o continente europeu e a Ásia, tal região concentra a maior biodiversidade do mundo e riquezas minerais em seu solo, como ouro e reservas de nióbio – utilizado em ligas metálicas e aços especiais –, estanho e gás natural. Esse tesouro, cobiçado pelas grandes potências, pertence a nove países: Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Equador e Brasil. Sim, estamos falando da Amazônia, considerada por muitos especialistas o Eldorado do século 21, em alusão ao mítico país de construções de ouro e riquezas fabulosas que norteou o interesse dos exploradores espanhóis e portugueses no início da ocupação da América Latina.
“A Amazônia é um duplo patrimônio: as terras propriamente ditas e um imenso capital natural”, diz a geógrafa Bertha Becker, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Brasil, por deter 63,7% da área total amazônica, está numa posição privilegiada no cenário internacional – tem à disposição um banco genético ainda pouco pesquisado, um grande potencial hídrico e um solo rico em recursos minerais. Para Bertha, ações de integração continental, como o fortalecimento do Tratado de Cooperação Amazônica (acordo entre os países amazônicos, com exceção da Guiana Francesa), são fundamentais para o progresso e a defesa da área. “Hoje, a Amazônia deve ser pensada em escala sul-americana, pela semelhança dos ecossistemas, na tentativa de formular uma estratégia de desenvolvimento conjunta”, afirma. “A regionalização continental é essencial para aumentar o poder de barganha dos países amazônicos e trazer recursos para a região e para o Brasil.”
Apesar da importância geopolítica, ao longo dos séculos a Amazônia foi tratada como um inferno verde – florestas longínquas dominadas por oligarquias e quadrilhas despóticas e palco de terríveis doenças tropicais e riquezas inacessíveis. “Até bem pouco tempo atrás, o Estado não se fazia presente na Amazônia”, diz o coronel Paullo Esteves, do Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam. “O espaço aéreo não era controlado e assistíamos diariamente à violação das fronteiras, à extração ilegal de madeira, à contaminação dos rios por mercúrio usado no garimpo, ao narcotráfico, entre outros problemas.” Segundo Paullo, só com o tráfico de animais silvestres nas fronteiras amazônicas e no restante do país, por exemplo, o Brasil perdia anualmente cerca de 1,5 bilhão de dólares. Além disso, sempre houve perigo de biopirataria, ação de organizações não-governamentais fajutas.
Para manter o controle sobre os 5,5 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia brasileira, o governo criou os projetos Sivam e Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia). O Sivam/Sipam tem como objetivo monitorar o espaço aéreo da região e criar uma rede de coleta e difusão de dados que permita a atuação mais eficiente de órgãos como a Polícia Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). Recebeu um investimento de 1,4 bilhão de dólares e começou a funcionar em julho de 2002. Os aviões de sensoriamento remoto já estão fazendo uma espécie de “ultra-sonografia” do território e produzindo mapas temáticos de grandes trechos de floresta. “Temos um imenso patrimônio genético e ambiental a preservar e a desenvolver de maneira sustentável, a fim de gerar riqueza para o Brasil e para seus vizinhos”, diz Paullo. Com o Sivam, aquela história de “eu não sabia” sobre a Amazônia vai acabar.

Pano verde

O que está em jogo na geopolítica da Amazônia
RADARES
A área de cobertura do Sivam chega a 5,5 milhões de quilômetros quadrados. O megaprojeto de controle aeroterrestre inclui radares, estações de telecomunicações e sensores. Cinco aviões R99A dotados de sistema de rastreamento fazem uma ultra-sonografia da floresta, mostrando pontos de garimpo, avanço da ocupação humana e movimentações na fronteira
BIOPIRATARIA
Parte da vida amazônica ainda é desconhecida dos brasileiros e do mundo. O grande número de espécies vegetais e animais atiça a cobiça de pesquisadores e dos grandes laboratórios farmacêuticos, que procuram princípios ativos para a produção de novos medicamentos. Os venenos da jararaca e de algumas espécies de sapos amazônicos já foram utilizados para esse fim
TRÁFICO DE ANIMAIS
O tráfico de espécies da fauna da Amazônia atende a dois interesses: fornecer animais a colecionadores e zoológicos do mundo inteiro e alimentar o comércio internacional de animais silvestres. A rota do tráfico segue para o Sudeste e, depois, Europa, Ásia e América do Norte. As espécies mais visadas são a arara-azul, a arara-canindé e a jaguatirica
GUERRILHA
A fronteira com a Colômbia é uma das mais preocupantes e turbulentas. Já foi identificada a presença de cinco cartéis colombianos ligados ao narcotráfico e à guerrilha, que se movimentam nos limites entre os dois países. “Não há fronteiras tranqüilas”, diz o coronel Paullo Esteves. As Forças Armadas mantêm, ao longo dos limites amazônicos, um total de 3 mil homens

Como Eike Batista ficou pobre

Como Eike Batista ficou pobre



Pobre sou eu, mas quem perdeu R$ 46 bilhões de um ano pra cá foi ele. E agora Eike não tem mais como se manter. Pelo menos não na lista dos 100 mais ricos do mundo. A fortuna dele está em R$ 22 bilhões (US$ 10,7 bi), segundo a Bloomberg. É só um terço do que tinha em março de 2012.
Agora Eike precisa multiplicar o dinheiro dele por sete para conseguir o que queria, que era tirar Carlos Slim da liderança do ranking dos mais ricos da Terra. Há um ano, o placar estava em US$ 74 bilhões para Slim contra US$ 34 bilhões para o brasileiro. Agora são US$ 68 bi X US$ 10,7 bi. Não tá fácil pra ninguém…
Eike foi campeão mundial de offshore em 1990. E entende o ranking mundial de bilionários como se fosse o ranking mundial de pilotos de lancha: “Quando você é um piloto, quando você compete, isso nunca sai do seu sangue”, ele disse numa conferência em Los Angeles, há dois anos. “Então.. Eu tenho que competir com o Sr. Slim”. A plateia deu risada. Achou que fosse piada. Não era: “Não sei se vou passar ele pela direita ou pela esquerda. Mas eu vou passar”.
Não rolou. Eike acabou sendo ultrapassado por um pelotão. Até outros brasileiros deixaram nosso piloto de lancha para trás. Pela direita, passou o banqueiro Joseph Safra (US$ 12 bilhões), piloto veterano nas listas de mais ricos do mundo. Pela esquerda, veio a empreiteira Dirce Camargo (US$ 13,8 bilhões), da Camargo Corrêa, outra escuderia tradicional do automobilismo financeiro. E quem passou voando mesmo por Eike foi o cervejeiro, hamburgueiro e agora vendedor de catchup Jorge Paulo Lemann. Com US$ 19,8 bilhões, o criador da Ambev, dono do Burger King e sócio de Warren Buffett na Heinz é quem ostenta o troféu de mais rico do país.
Jorge Paulo Lemann
O que aconteceu com Eike, então? Pista escorregadia? Pneu estourado? Problema hidráulico? Bom, se juntar bilhões é um esporte – e é mesmo – um jeito de achar a resposta é analisar como foi a carreira dele desde as “categorias de base” dessa modalidade.
Eike ficou rico quando tinha praticamente a idade do Thor Batista. Aos 23 anos, abandonou a faculdade de engenharia na Alemanha para tentar ganhar dinheiro com o ouro da Amazônia. Era o auge do garimpo lá, no começo dos anos 80. Teve até filme dos Trapalhões sobre o fenômeno.
“Cacildis!”
Eike, então, fez como Didi, Dedé, Mussum e Zacarias: foi tentar a sorte no garimpo. Pediu US$ 500 mil emprestados a dois amigos joalheiros para se estabelecer como comerciante de ouro no meio do mato. Comprava ouro na Amazônia e revendia no Sudeste. Em pouco tempo, os US$ 500 mil viraram US$ 6 milhões. É mais dinheiro do que parece. US$ 6 milhões do começo dos anos 80 equivalem a US$ 15 milhões de hoje. Trinta milhões de reais. Não tinha nem 25 anos e já estava com quase tanto dinheiro quanto o Renato Aragão.
Em vez de torrar esses milhões vivendo a melhor juventude que o dinheiro pudesse comprar, Eike fez o que parecia menos sensato: gastou tudo em máquinas que faziam extração mecânica de ouro. E os US$ 6 milhões viraram US$ 1 milhão. Por mês. Três milhões de reais em dinheiro de hoje. Por mês (repito aqui pra dar um tom dramático – merece).
Ele não parou nisso. Claro. Comprou mais minas, mais máquinas, ficou sócio de empresas peso-pesado da mineração e, com 40 e poucos anos, chegou ao primeiro bilhão de dólares. Entrou para a Fórmula 1 do dinheiro.
E fez uma primeira temporada de Vettel. No começo dos anos 2000 resolveu trocar o ouro por minério de ferro. Perfeito: se ouro vale “mais do que dinheiro”, minério de ferro vale mais do que ouro. Por causa volume, lógico: todo o ouro minerado na história da humanidade dá mais ou menos 140 mil toneladas.  Isso é o que a Vale extrai de minério de ferro em seis horas.
Em 2005, então, ele fundou sua mineradora, a MMX. Um ano e meio depois, vendeu uma fatia dela para outra mineradora, a Anglo-American. Pagaram US$ 5,5 bilhões. A lista da Forbes com os mais ricos do mundo em 2007 já tinha saído, três meses antes da negociação. E o brasileiro mais bem colocado ali era Joseph Safra, com US$ 6 bilhões. Ou seja: o negócio com a Anglo-American foi mais do que suficiente para que Eike fosse dormir sabendo ser o homem mais rico do Brasil.
E se Eike não tinha parado quando ganhou uma megasena no braço, nos tempos da Amazônia, não era desta vez que iria amarrar o burro na sombra. O mercado passou a enxergar o cara como uma mina de ouro. Ele deixava de ser só um nome na coleira da Luma de Oliveira para virar a grande esperança dos investidores. E Eike aproveitou a maré. Foi financiar sua ideia mais ambiciosa: a de construir uma concorrente da Petrobras.
Era a OGX, seu projeto de companhia de petróleo. Em 2008 Eike lançou ações dela na bolsa. Na prática, estava vendendo 40% da OGX antes de ela virar realidade. Levantou R$ 6 bilhões nessa  – era o maior IPO (venda inicial de ações) da história da Bovespa até então.
Agora ele era o herói.
“E o meu cavalo só falava inglês”
Àquela altura Eike já tinha uma Vale e uma Petrobras para chamar de suas. Ainda que a MMX fosse bem menor que a Vale e a OGX ainda não tivesse saído do PowerPoint, já era algo que ninguém na história do país tinha conseguido. Mas isso era só um pedaço do que ele tinha em mente. Eike queria algo bem maior: montar um ecossitema de empresas, em que uma sustentasse a outra.
Assim: uma mineradora sempre precisa pagar para que algum porto escoe a produção dela – de preferência para a China, o maior consumidor de minério do mundo. Então porque não ser dono da mineradora e do porto também? Então criou a LLX, uma empresa de logística dedicada à construção de portos. Mais: mineradoras e portos precisam de energia. E pagam caro por isso. Então valia a pena ser dono da companhia de energia também. Eike já tinha uma empresa de termelétricas desde 2001, a MPX. Agora, então, a MPX faria as usinas que alimentariam as minas da MMX, os portos da LLX e as instalações da OGX. A própria MPX seria também alimentada por outra empresa de Eike: a CCX, uma companhia de mineração de carvão dedicada a fornecer combustível para suas termelétricas.
Ah: a OGX precisava de um fornecedor de equipamentos de perfuração e de plataformas marítimas. Quem fabricaria tudo isso para Eike? Eike mesmo, ué. Então ele fundou a OSX, um estaleiro sob medida para alimentar as necessidades da OGX. E onde instalar a OSX? No porto da LLX. Porto que, de quebra, também pode estocar petróleo da OGX…
No papel, a ideia é irresistíel: uma companhia ajudando a outra, num círculo virtuoso sem fim. O mercado gostou. E cada uma dessas empresas teve seu IPO bilionário, o que levaria Eike aos seus US$ 34 bilhões e à sétima posição na lista da Forbes em 2012.
Só tem um problema: os mesmos elementos que moldam um círculo virtuoso também podem trazer um círculo vicioso. Foi o que aconteceu. A OGX saiu do papel produzindo só 25% do que a própria empresa esperava.  Nisso, a OSX enfraqueceu também: a petroleira de Eike tem encomendas no valor de US$ 800 milhões com o estaleiro de Eike; se a OGX vende pouco petróleo, pode não ter como pagar a OSX. Sem essas duas funcionando a contento, a viabilidade da LLX fica em dúvida, já que o estaleiro e a petroleira são clientes do porto. Se a LLX não deslancha, complica para a MPX, que vende energia para ela. E aí quem pode ficar sem cliente é a CCX…
Nisso, o mercado passou a ver a interconexão das empresas X mais como vício do que como virtude. E o valor de mercado delas despencou,  levando junto uma fatia da fortuna de Eike, já que o grosso de seu patrimônio são as ações que ele tem das próprias companhias. O preço somado de todas as ações da OGX, por exemplo, já foi de R$ 75 bilhões. Hoje é de R$ 10 bilhões. Aqui vai quanto cada uma caiu:
OGX (petróleo):  -86%
De R$ 75 bilhões (out 2010) para R$ 10 bilhões
OSX (estaleiro):  -77%
De R$ 9,4 bilhões (mar 2010) para R$ 2,1 bilhões
LLX (porto): -75%
De R$ 5,8 bilhões (abr 2011) para R$ 1,4 bilhão
MPX (energia): -28%
De R$ 8,5 bilhões (mai 2012) para R$ 6,1 bilhões
CCX (minas de carvão): -51%
De R$ 1,4 bilhões (mai 2012) para 680 milhões
Nada disso significa que o castelo de Eike era de areia. O mercado de ações é instável por natureza – as subidas que as empresas X experimentaram lá atrás foram até mais intensas que essas quedas de agora. E tem a crise global. Eike esboçou seu império antes da crise de 2008, quando o barril de petróleo estava a quase US$ 200 e o apetite da China por minério de ferro parecia infinito. De lá pra cá o preço do petróleo e o do minério caíram pela metade. Aí complica, já que esses são os dois grandes pilares da coisa toda. Mesmo assim, ainda é cedo para concluir que ele deu mesmo um passo maior que a perna.

A pedra de R$ 5 trilhões

A pedra de R$ 5 trilhões

Alguns asteroides estão cheios de metais raros, que valem um dinheiro absurdo: mais do que toda a riqueza que o Brasil inteiro produz em um ano. Duas empresas dizem que é possível ir buscá-los - e já estão se preparando para fazer isso. Conheça os bastidores da corrida do ouro espacial.


O mundo vive sua pior crise econômica desde a década de 1930. Mas um pequeno grupo de empresários diz que tem a resposta para acabar com ela e inaugurar a fase mais próspera da história da humanidade. Como? Fazendo uma nova corrida do ouro, como as que aconteceram no Velho Oeste americano e no garimpo brasileiro de Serra Pelada - só que, desta vez, no espaço. Isso porque os asteroides, que só costumam ser assunto quando passam perto da Terra (ou quando fragmentos deles caem aqui, como aconteceu na Rússia em fevereiro, deixando centenas de feridos), são uma enorme fonte de riquezas. Contêm quantidades enormes de ouro, platina e outros metais preciosos. "Todos os recursos naturais que você puder imaginar, energia, metais, minerais e água, existem em quantidades praticamente infinitas no espaço", diz Peter Diamandis, fundador da empresa Planetary Resources, a primeira a entrar na nova corrida do ouro.

Diamandis não é um sujeito qualquer. Ele é o criador do X Prize, competição que dá US$ 10 milhões de prêmio a quem conseguir realizar determinado feito tecnológico (como mandar um robô até à Lua ou criar uma máquina capaz de ler DNA em alta velocidade, por exemplo). A maior proeza do X Prize até agora foi o desenvolvimento da primeira nave espacial privada, que está sendo preparada para viagens turísticas. Mas, se o conceito de turismo espacial é fácil de entender, a mineração espacial já parece ser ficção científica demais para ser levada a sério. Não é à toa que o principal foco da Planetary Resources e sua recém-apresentada competidora, a Deep Space Industries, agora é buscar financiadores.

A Planetary Resources parece estar mais adiante nesse quesito. Entre seus investidores estão Eric Schmidt e Larry Page, respectivamente presidente e CEO do Google, e Charles Simonyi, programador húngaro-americano que fez fortuna na Microsoft. De quebra, ela tem o cineasta James Cameron na função de consultor. No que diz respeito à qualidade técnica das equipes, ambas as empresas estão muito bem servidas. Reúnem ex-funcionários do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, engenheiros que ajudaram a colocar os jipes robóticos Spirit e Opportunity em Marte, e por aí vai. Pessoas que sabem o que estão fazendo. Mas será que estão à altura do desafio, e têm como pagar a conta?
Os 4 asteroides mais desejáveis

162385
Diâmetro - 600 metros
Distância da Terra - 12 milhões de km
Valor estimado já descontando os custos da missão - US$ 6,9 trilhões

4034 Vishnu
Diâmetro - 420 metros
Distância da Terra - 1,5 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão - US$ 5,28 trilhões

65679
Diâmetro - 730 metros
Distância da Terra - 1,9 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão - US$ 1,74 trilhões

7753
Diâmetro - 1000 metros
Distância da Terra - 1 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão - US$ 1,31 trilhão

Terra - Lua: 384 mil km
Terra - Marte: 54 a 401 milhões de km (dependendo da órbita)


Asteroides e asteroides
Nem todos os pedregulhos espaciais são iguais. E nem todos estão no mesmo lugar. O maior repositório de asteroides é o cinturão que existe entre as órbitas de Marte e de Júpiter - a uma distância bem grande da Terra. É lá que reside, por exemplo, um asteroide chamado Germania. Estudos telescópicos sugerem que essa pedrona de 169 km de diâmetro é riquíssima em metais preciosos. Pense alto. Mais alto. Mais. Estima-se que o valor dela seja superior a US$ 100 trilhões. É mais do que toda a riqueza produzida no mundo inteiro ao longo de um ano. Mas estima-se que, para explorar todo esse potencial, seria preciso investir US$ 5 trilhões - quase 300 vezes o orçamento anual da Nasa.

Por isso, os primeiros mineradores espaciais estão pensando mais modestamente. A ideia é começar mais perto de casa. O asteroide 2012 DA14, por exemplo, que em fevereiro passou "perto" (a 27 mil km) da Terra, tem valor estimado em US$ 195 bilhões. Mas as naves e os equipamentos necessários para explorá-lo ainda não existem. Antes de começar a construir tudo isso, as empresas de mineração espacial vão fazer um mapeamento detalhado de seus possíveis alvos. Como o asteroide 5143 Heracles, que mencionamos no começo deste texto. Ele fica a 8,6 milhões de quilômetros da Terra - é seis vezes mais perto do que Marte. E há asteroides mais próximos daqui do que a Lua, ou seja, praticamente vizinhos nossos. "Cerca de 900 asteroides que passam perto da Terra são descobertos a cada ano", afirma David Gump, presidente da Deep Space Industries.

A empresa pretende construir sondas de baixo custo, que farão um reconhecimento dos asteroides. Batizadas de Firefly, são pequenas naves de 25 kg que devem começar a voar em 2015, pegando carona em lançamentos comerciais de satélites. Já para a Planetary Resources, o ponto de partida é lançar uma rede de telescópios espaciais, batizados de Arkid-100, que irão tentar descobrir asteroides que posssam ter passado despercebidos. Em seguida, analisando o albedo (termo técnico para o brilho) dos objetos, os cientistas da empresa tentarão identificar quais são os mais valiosos. Eles querem lançar o primeiro desses telescópios já no ano que vem, a um custo de US$ 1 milhão.

Depois de encontrar e selecionar um alvo, aí sim a Planetary Resources enviaria uma espaçonave, batizada de Arkid-200, para analisar de perto cada metro quadrado do asteroide. "Nós vamos conhecê-lo nos mínimos detalhes antes que cheguemos lá para minerá-lo", diz Eric Anderson, que comanda a empresa ao lado de Diamandis e é fundador da companhia Space Adventures, que envia turistas à Estação Espacial Internacional (por US$ 20 milhões).

Até aí, tudo bem. Mas quando chega a hora de explorar, as coisas se complicam. Tirar pedaços de um asteroide e trazê-los de volta à Terra pode ser muito mais difícil do que se imagina. O melhor exemplo disso é a sonda japonesa Hayabusa, que em 2010 fez uma missão cheia de complicações (sofreu danos por uma tempestade solar, seus equipamentos começaram a pifar) para trazer uns míseros grãozinhos de pó do asteroide Itokawa. E a missão Osiris-Rex, que a Nasa pretende lançar em 2016 para trazer uma amostra de 60 gramas de um asteroide, irá custar US$ 800 milhões - isso dá US$ 13 milhões por grama.

A Planetary Resources aposta numa estratégia sob medida para reduzir esse custo. Em vez de apresentar agora sua superespaçonave de mineração, com todos os acessórios e equipamentos, só irá projetá-la depois de escolher o alvo. A Deep Space Industries é mais arrojada nesse sentido. Sua segunda geração de espaçonaves, a Dragonfly, tem por objetivo colher amostras de potenciais alvos e trazê-las de volta à Terra até o final desta década. Dentro de dez anos, a empresa espera estar fazendo as primeiras minerações.

Pode parecer um delírio, mas não é. Estudos da Nasa já discutem a possibilidade de rebocar um pequeno asteroide até a órbita da Lua para estudá-lo melhor, e técnicas similares poderiam ser usadas para a exploração de recursos minerais. "Os planos até são viáveis", afirma Cassio Leandro Barbosa, astrônomo da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em São José dos Campos. "O que não dá para acreditar é na escala de tempo apresentada. Falam em mineração já a partir de 2020, em menos de sete anos. Não creio que em menos de 20 anos alguém consiga trazer uma pequena amostra de um desses asteroides."

Também há um problema de ordem econômica. É possível imaginar o que fazer com platina e ouro obtidos de asteroides. Mas eles teriam de ser revendidos bem lentamente, ou seu preço na Terra simplesmente despencaria (pois é justamente a escassez desses metais que os torna valiosos). Por isso, a Planetary Resources e a DSI poderiam levar décadas até recuperar seu investimento. Para antecipar o lucro, alguns subprodutos poderiam ser vendidos no próprio espaço. Certos asteroides são uma fonte riquíssima de água, que pode ser usada para alimentar estações espaciais ou transformada em hidrogênio para abastecer naves. Mas isso só tem valor se tiver gente querendo comprar. "Transformar uma atividade dessas em sucesso comercial depende da demanda pelo material a ser minerado, e ela ainda não existe", diz Barbosa.

Mas os pioneiros não dão bola para o ceticismo. Peter Diamandis lembra de uma história que o escritor Arthur Clarke, idealizador dos satélites geoestacionários (usados em telecomunicações), costumava contar: "Ideias realmente revolucionárias passam por três fases. Na primeira, as pessoas vão dizer que a sua ideia é maluca, que nunca vai funcionar. Na segunda fase, os críticos dizem que até poderia funcionar. Na terceira, eles vão dizer que sempre acreditaram no sucesso." O tempo dirá.
A nova corrida do ouro
Como a mineração espacial poderá funcionar

1. A pesquisa - 2014 e 2015
Uma rede de 15 minissatélites (1 metro de comprimento cada) é lançada e começa a capturar imagens de asteroides, usando câmeras comuns e especiais.

2. A análise - 2016 a 2019
Essas imagens são analisadas e, a partir delas, identificam-se os asteroides que podem conter minérios de valor.

- 8 800 Asteroides descobertos até o momento
- 900 Asteroides descobertos por ano
- 1 500 Asteroides relativamente próximos da Terra (mais fáceis de alcançar do que a Lua)

3. A viagem - 2020
Uma ou mais espaçonaves não-tripuladas são enviadas até o asteroide e pousam nele. Essa tecnologia já existe: em 2001, a Nasa conseguiu pousar uma sonda no asteroide Eros, a 313 mil quilômetros da Terra.

4. A extração - 2020+
Os braços robóticos da nave perfuram o asteroide e sugam os minérios, que são separados, processados e colocados em cápsulas, que são lançadas de volta.

5. O resultado
Os minérios podem ser comercializados na Terra ou usados como matéria-prima para a construção de bases espaciais. Além de metais pouco valiosos, como ferro, níquel e cobalto, alguns asteroides contêm ouro, platina e paládio. Além disso, eles podem ter até 20% de gelo, que pode ser transformado em:

Água potável - Para alimentar colônias espaciais
Oxigênio - Para respirar
Hidrogênio - Combustível

Um asteroide pode conter até 250 milhões de litros de água.

Como se extraem esmeraldas?

Como se extraem esmeraldas?

Há sistemas de iluminação, de ventilação e de comunicação que ligam a entrada ao fundo do poço. As minas funcionam 24 horas diárias.

Para se chegar a um veio de esmeraldas, é preciso cavar buracos verticais com até 500 metros de profundidade no solo rochoso. Os garimpeiros passam dias a fio dentro dessas minas, dotadas de uma estrutura rústica, mas eficiente. Há sistemas de iluminação, de ventilação e de comunicação que ligam a entrada ao fundo do poço. As minas funcionam 24 horas diárias.
Os trabalhadores manipulam dinamite, respiram fuligem o tempo todo, urinam e defecam em sacos plásticos e estão sujeitos a desabamentos. O risco de morrer é real, mas pode compensar: uma gema de boa qualidade com 1 quilate (2 gramas) é vendida por até 5 mil dólares.
No Brasil, uma das principais áreas de extração de esmeraldas fica na serra da Carnaíba, Bahia, onde o mineral foi descoberto em 1 963. Lá as minas são cavadas dentro de barracões cobertos, sendo invisíveis para quem anda nas ruas do garimpo. Sob a terra, o cenário lembra um formigueiro. Para iniciar a perfuração de uma mina, é preciso instalar bananas de dinamite em fendas feitas com uma britadeira. À medida que se encontram veios de pedra preciosa e a rocha fica mais solta, os garimpeiros se valem de ferramentas mais “delicadas”, como marretas e picaretas. Isolados do resto do mundo, os caçadores de esmeraldas desenvolveram um vocabulário peculiar (leia quadro abaixo).
As primeiras esmeraldas foram descobertas há cerca de 5 mil anos, no Egito. A pedra verde é considerada a quinta gema mais valiosa do mundo – perde apenas para o diamante, o rubi, a alexandrita e a safira. A cor de uma esmeralda varia do um verde pálido ao verde intenso, com tonalidades azuladas ou amareladas. A qualidade da gema depende, fundamentalmente, dessa cor. As mais valiosas e raras são aquelas que têm verde intenso, puro ou com ligeira tonalidade amarelada. O grau de transparência e a presença de rachaduras também influem na avaliação de uma gema.




TERRA DE NINGUÉM
No subsolo, os territórios de cada garimpo não são muito bem definidos. Não existe propriedade da terra. É comum que escavações de minas concorrentes acabem se encontrando
FURO N’ÁGUA
Quando o poço rompe um lençol freático, a água escorre pela parede e se acumula no fundo. É preciso, então, cavar um desvio e abrir um túnel paralelo. Para que a mina não se inunde, os garimpeiros drenam constantemente a água empoçada
LUZ NO FIM DO TÚNEL
Os túneis têm cerca de 2 metros de altura. O ar é bombeado da superfície até o fundo da mina. A fiação também desce para possibilitar a iluminação das galerias
CONTRA DESABAMENTOS
Às vezes é necessário escorar as paredes com “caixas”, ou estruturas de madeira, para prevenir desabamentos. Os garimpeiros usam a marreta para avaliar a segurança do teto: dependendo do som da pancada, a pedra está solta ou segura

Brasil e Japão na Bahia

Conheça um pouco das estranhas gírias do garimpo
Brasil - a superfície
Japão - o fundo da mina
Malado - quem ganhou muito dinheiro
Massegueiro - ladrão de esmeraldas
Boi - rocha pendurada no teto ou nas paredes da galeria
Canga - boi de xisto com pedras preciosas incrustadas
Indianada - pedras de qualidade inferior, que são vendidas para o mercado indiano
Martelete - tipo de britadeira
Quarta-feira - marreta muito grande e pesada. Tem esse nome porque poucos conseguem operá-la por mais de dois dias seguidos. Ou seja: o garimpeiro agüenta o trabalho na segunda e na terça, mas na quarta já não dá conta do serviço
Vazar - encontrar esmeraldas

O buraco é mais embaixo

Como funciona uma mina de esmeraldas na Bahia
REPESCAGEM
No entulho retirado das escavações, sempre há esmeraldas pequenas e de pouco valor. Isso atrai os “quijilas”, nome dado a quem aproveita os restos do garimpo. Geralmente são crianças, mulheres ou idosos
O ASCENRISTA
Quem controla o que sobe e desce – de pedras a pessoas – é o operador de guincho. A máquina, movida a diesel, tem dois comandos: acelerador e freio. O guincheiro se comunica com o interior da mina por um “telefone”, que, na verdade, não passa de um tubo de PVC

Mulher de 85 anos destrói antes de morrer quase um milhão de euros

Mulher de 85 anos destrói antes de morrer quase um milhão de euros

  • Notas despedaçadas de 100 e 500 euros foram descobertas na residência da octogenária depois de sua morte
    Notas despedaçadas de 100 e 500 euros foram descobertas na residência da octogenária depois de sua morte
Uma austríaca de 85 anos destruiu metodicamente quase um milhão de euros em notas de grande valor antes de morrer, a fim de prejudicar seus herdeiros.
As notas despedaçadas de 100 e 500 euros, em um total de 950.000 euros, foram descobertas na residência da octogenária depois de sua morte.
A idosa também destruiu suas cadernetas de poupança, segundo informações da promotoria da cidade de Wiener Neustadt, a 45 km de Viena.
A promotoria não abriu uma investigação porque os fatos "não constituem uma infração penal".
No entanto, a vingança da idosa pode fracassar, já que o Banco Central da Áustria afirmou ao jornal Kurier que está disposto a substituir as cédulas rasgadas.