domingo, 8 de novembro de 2015

Você conhece a textura spinifex e o que ela fez pela Austrália?

Você conhece a textura spinifex e o que ela fez pela Austrália?




A Geologia é cheia de histórias interessantes e, muitas vezes, pouco conhecidas.

A textura spinifex (foto) é uma textura resultante da rápida cristalização de fenocristais de olivina (geralmente forsterita) que formam agulhas alongadas quase entrelaçadas em uma lava ultramáfica altamente magnesiana.

Essa textura peculiar leva o nome de spinifex que é um arbusto comum na Austrália e na zona costeira da África do Sul.

Até aí tudo bem...Devem existir centenas de texturas mineralógicas com nomes estranhos como essa spinifex.

No entanto a textura spinifex é característica de um tipo relativamente raro de lava ultramáfica chamada komatiito.

Komatiitos só existem em idades Arqueanas e em ambientes tipo greenstone belt.

Os komatiitos foram descritos em 1969 no Greenstone Belt de Barbeton, na África do Sul. Foi lá, em Barbeton, próximo ao rio Komati, que o termo foi cunhado.

Em pouco tempo os geólogos do mundo inteiro perceberam que essas vulcânicas ultramáficas eram bem mais comuns do que parecia e que tinham uma gigantesca importância econômica.

Alguns anos antes da descrição dos Komatiites pelos irmãos Viljoen, os australianos fizeram espetaculares descobertas de jazimentos de níquel sulfetado em rochas supracrustais em Kambalda no Oeste da Austrália.

Em Kambalda as lavas ultramáficas eram ricas em uma fase líquida imiscível composta por sulfetos de Fe-Cu-Ni-PGM que se depositavam, por gravidade, nas partes basais dos derrames e nos paleovales.

Essas lavas eram os komatiitos descritos um pouco mais mais tarde na África do Sul e os sulfetos maciços descobertos criaram um boom na pesquisa mineral australiana na década de 60 que mudou a história e a economia da Austrália.

Mas qual é a importância da textura spinifex nessa história? Como a maioria dos jazimentos sulfetados estavam encobertos os geólogos tiveram que recorrer a métodos indiretos como geofísica e geoquímica para descobri-los.

Entretanto o bom geólogo de campo australiano logo percebeu que essas ultramáficas mineralizadas tinham em comum duas coisas: os gossans e as texturas spinifex.

Foi quando os gossans e as texturas spinifex mudaram de vez a exploração mineral mundial.

Em decorrência dos investimentos em pesquisa mineral foram descobertos centenas de jazimentos de níquel sulfetado com essas características, não só na Austrália, mas em vários locais como Canadá, África do Sul, Rússia e Brasil.

Graças a pequenos detalhes como a textura spinifex essas descobertas mudaram o panorama do níquel mundial, geraram dezenas de bilhões de dólares de retorno e centenas de milhares de empregos diretos...

gossan

O desastre da Samarco: perguntas a serem respondidas

O desastre da Samarco: perguntas a serem respondidas



 
Era quinta-feira e, sem nenhum aviso, uma enxurrada com dezenas de milhões de toneladas de lama ferruginosa arrasou a Vila de Bento Rodrigues, um distrito de Mariana/MG.

 Era o início de um desastre ambiental que deve se  tornar o maior que a região já viu: uma história que ainda está sendo contada.

Rompimento de barragens de rejeitos, infelizmente, ainda é um acidente comum a muitas mineradoras. Eles são, quase sempre, previsíveis e, consequentemente, podem ser evitados.

É para evita-los que as mineradoras devem investir milhões em obras de contenção, cálculos e obras de engenharia, barragens adicionais, em planos e contingenciamentos.

Mas, o que se viu em Bento Rodrigues, foi o fracasso total de todos os planos, se é que esses existiam.

A ruptura da barragem de rejeitos do Fundão com dezenas de milhões de toneladas de lama, ocasionou, em sequência, o rompimento de Santarém uma pequena barragem de contenção situada a 3.000 metros de distância (veja na imagem).

Com o rompimento do Fundão um gigantesco fluxo de lama e água desceu o vale, em alta velocidade, acelerado pelos 189 metros de diferença de nível (entre a barragem e a Vila de Bento Rodrigues) destruindo, no seu caminho, absolutamente tudo.

Bento Rodrigues, a 5.500 metros do Fundão, foi totalmente arrasada e os seus habitantes não receberam nenhum aviso da mineradora.

Como é possível que só existisse uma pequena barragem de contenção, a de Santarém, em uma cota 137 metros abaixo da gigantesca barragem do Fundão?

Será que essa pequena barragem poderia conter a energia de um fluxo de milhões de toneladas de lama acelerados ao longo de um percurso íngreme de 3.000 metros de distância?

Como sabemos a lama atravessou todas as barreiras, como era de se prever, sem tomar conhecimento.


Bento Rodrigues: o desastre
Como explicar a simples existência de Bento Rodrigues, incrustada em um vale plano aonde a diferença de nível entre as casas e o rio, que vem da barragem, é de apenas 3 metros?

Todos sabiam que na ocorrência de um rompimento a vila de Bento Rodrigues seria simplesmente varrida do mapa, como o foi. Segundo o estudo “Avaliando Minas: Índice de Sustentabilidade da Mineração”, apresentada por Maurício Boratto Viana, em 2012, na Universidade de Brasília (UNB), 68% das pessoas da comunidade tinham medo de um rompimento. Eles estavam certos.

Por que o vilarejo não foi totalmente relocado como deveria?

Redução de custos?

Por que a população de Bento Rodrigues não foi avisada no exato momento do rompimento da Barragem do Fundão? Com certeza existiram muitos minutos entre o acidente e a destruição da cidade e das vidas que ainda estão sendo contabilizadas.

Perguntas como estas deverão ser feitas ao longo dos próximos dias e semanas e terão que ser respondidas adequadamente pela Samarco.

sábado, 7 de novembro de 2015

POR ONDE ANDA ZEZÃO DO ABACAXI?

POR ONDE ANDA ZEZÃO DO ABACAXI?

Dias atrás estive pensando por onde anda Francisco de Assis Moreira da Silva, Zezão do Abacaxi, que na década de oitenta era tido como rei do ouro do Alto tapajós. São muitas as histórias de Zezão, entra elas a disputa pelo garimpo Rosa de Maio. Numa das edições do Globo Repórter foram dedicadas duas partes do programa para falar dos garimpos e das riquezas de Zezão do Abacaxi. Na reportagem da Folha de São Paulo de 24 de Novembro de 1991, fala da produção de 110 Kg por mês em seus garimpos. Vejamos a matéria na íntegra: Dono de uma fortuna avaliada em US$ 20 milhões, o garimpeiro mais rico do Brasil não tem nem talão de cheque. Francisco de Assis Moreira da Silva, 46 anos, o Zezão, mal sabe assinar o seu nome, mas controla o império de 13 aviões, duas fazendas, 8 mil cabeças de gado e um mega garimpo onde operam 120 dragas e trabalham quase dois mil homens. A produção do Rosa de Maio, no sul do Amazonas, ultrapassa 110 Kg de ouro por mês. Isso representa quase 10% de tudo que se produz região de Itaituba – PA (na fronteira com o AM), a maior do Brasil. Piauiense do município de Buriti dos Lopes, Zezão abandonou a roça aos 21 anos para ser “burro de garimpo” (carregador de materiais e mantimentos) em Porto Velho (RO). Lá, pegou pela primeira vez em uma bateia (espécie de uma peneira usada na garimpagem manual). Para a maioira dos garimpeiros que viveram o início da corrida do ouro, o achado de uma pepita significava, antes de tudo, a garantia de uma grande farra. Para Zezão – que não bebe, não fuma e diz que não gosta de festa – cada grama encontrada representava mais um passo em direção ao sonho de comprar uma draga. Conseguiu a máquina em 80. Nesse mesmo ano, acho o seu primeiro vilão de ouro. Comprou máquinas que se transformaram em mais ouro – que por sua vez, viraram novas máquinas. Até a compra do Rosa de Maio, em 83, por 20 Kg de ouro, Zezão adquiriu o que hoje é tido como o garimpo mais rico do pais. Hoje, milionário e ainda analfabeto, o garimpeiro tem horror a papeis, títulos e ações. Se recusa a ter conta em banco. O ouro que vende, transforma em aviões, gado e equipamento de garimpo. O que não vende, guarda em local ignorado. A despesa de cerca de Cr$ 70 milhões que tem por semana – com mantimentos e manutenção – , paga em dinheiro vivo. Anda sempre com uma sacola cheia grudada ao corpo. Ele controla pessoalmente cada centavo de sua fortuna, embora não saiba fazer contas no papel. Não gosta de falar de dinheiro. Para Luiza, sua mulher, ó por medo de sequestros. Segundo seus empregados é medo da Receita Federal.

REVISTA MANCHETE NO GARIMPO JURUENA

REVISTA MANCHETE NO GARIMPO JURUENA

A revista Manchete publicou na edição de Junho de 1988, uma reportagem sobre os garimpos de ouro do Norte de Mato Grosso, dando destaque ao garimpo Juruena, próximo das margens do rio Juruena, a 450 Km de Alta Floresta. Na época da reportagem o garimpo Juruena era tido como um dos garimpos mais violentos do Mato Grosso, por se tratar de uma região que o único acesso era por avião ou dois de barco até a próxima comunidade. O garimpo Juruena ficou conhecido, em 1988, pela acirrada disputa envolvendo a Mineradora Jaruana e garimpeiros da região. No começo de 1988 entra em cena José Altino de Machado, presidente da USAGAL, União dos Sindicatos da Amazônia Legal, como articulador do conflito e com interesse de gerenciar o garimpo para os garimpeiros. Mas, Zé Altino, era desconhecido entre os garimpeiros, uma vez que sua área de atuação era Roraima e os garimpos do Alto Tapajós. Naquela momento a maior autoridade entre os garimpeiros, aos olhos da Mineradora Jaruana, era o então presidente da USAGAL. Enquanto a empresa confiava no Zé Altino a missão de controlar o garimpo, os garimpeiros buscavam um nome que superasse o do Presidente da USAGAL. Foi então que surgiu o nome de Rangel, comprador de ouro, amigo da família Sarney e favorito a prefeito de uma das maiores cidade do Maranhão. Com a intervenção da família Sarney, Rangel assumiu o garimpo Juruena. 






CABEÇA, O DONO DO MAIOR GARIMPO DE ALTA FLORESTA

CABEÇA, O DONO DO MAIOR GARIMPO DE ALTA FLORESTA

Mais de 20 mil garimpeiros extraíram 66 toneladas (t) de ouro na Pista do Cabeça, entre 1982 e 85. Quem controlava essa área de 19 mil hectares era o paraibano Eliézio Lopes de Carvalho, o Cabeça, que recebeu 12 t de ouro em pagamento por remédios, gasolina, bebidas, mulheres, alimentos e transporte em seus aviões que fornecia aos garimpeiros. Os donos das pistas de garimpo na Amazônia Legal faziam chover e acontecer. Cabeça foi um deles e tinha sob seu poder a segurança, saúde, as regras sociais e a economia dos milhares de garimpeiros de todos os cantos do Brasil que viviam a aventura do ouro na sua pista localizada na calha do rio Teles Pires, em Alta Floresta. A agora desativada Pista do Cabeça ficava a 75 km de Alta Floresta. À época não havia estrada e o meio de acesso era o avião. Cabeça promoveu 36 shows nacionais para animar as noitadas dos garimpeiros. Amado Batista, Waldick Soriano, Donizete e Suzamar foram algumas dessas atrações. Dona Maria Odete Brito de Miranda fez show por lá e na madrugada rebolou Conga la Conga para o anfitrião. Essa senhora é Gretchen, a rainha da preferência nacional.