domingo, 8 de novembro de 2015

Por que o mineral mais abundante da Terra só ganhou um nome agora

Por que o mineral mais abundante da Terra só ganhou um nome agora

bridgmanite
Parece estranho, mas o mineral mais abundante na Terra só ganhou um nome na semana passada, graças a um meteorito com um século de idade. O que? Como? Por que demorou tanto? Foram vários os motivos que fizeram com que a bridgmanite demorasse tanto tempo para receber um nome.
A primeira coisa que você deve saber é que, além da foto que abre esse post, você nunca viu a bridgmanite. O mineral anteriormente era chamado de silicato de perovskita e só existe em altas temperaturas e pressões no manto inferior da Terra, onde nenhum humano ou escavadeira se atreve a chegar. Isso é entre 660 e 2800 km abaixo da superfície da Terra. Mesmo que testes em laboratório e modelos apontaram a sua existência, geólogos nunca conseguiram ver a bridgmanite ou caracterizar a sua estrutura.
Entra em jogo um meteorito. Meteoros que colidiram com objetos no espaço e então caíram na Terra sobreviveram a temperaturas e pressões intensas – não muito diferente do que ocorre na crosta da Terra. Assim como diamantes, que podem se formar tanto no manto da Terra quanto por causa de uma colisão de meteorito.
Então uma equipe de mineralogistas decidiu estudar o meteorito Tenham, que caiu na Austrália em 1879. Especificamente, eles observaram as “veias induzidas pelo choque de fusão”, as cicatrizes das colisões violentas do passado do meteorito. Usando uma técnica chamada difração de raios x com luz síncrotron, que dispara raios-X poderosos em uma amostra, a equipe caracterizou a composição molecular do mineral (MgSiO3) e sua estrutura.
Mas ainda assim, se sabíamos sobre ele, por que não demos um nome? Acontece que a Associação Mineralógica Internacional, responsável por minerais, só permite que eles recebam nomes após sua estrutura ser conhecida. Então finalmente conseguimos isso: a bridgmanite, em homenagem ao físico Percy Bridgman, que ganhou um prêmio Nobel por estudos em física de alta pressão. Esperamos um bom tempo para isso, mas parece que chegamos a um nome apropriado

Este foi o primeiro assassinato resolvido com o uso da geologia

Este foi o primeiro assassinato resolvido com o uso da geologia

montanhas
A vítima era uma costureira, que foi encontrada morta em uma plantação, estrangulada com sua própria echarpe. O suspeito era um cara estranho que insistia em dizer que não tinha nenhuma relação com o crime, e que estava longe do local quando ele ocorreu. Como um detetive provou o que aconteceu neste crime de 1904? Com um pouco de terra.
No século passado, as pessoas não eram tão espertas a ponto de remover todas as evidências em uma cena de crime. Por essa razão, detetives em Frankfurt (Alemanha) examinaram a área próxima ao corpo de Eva Disch e encontraram um lenço com muco do assassino. Não se sabia, porém, se o lenço teria sido colocado lá após o crime, o que não ajudaria a achar um suspeito — isso é, até o químico George Popp ir até a cena do crime.
Popp examinou o lenço e descobriu que o muco presente estava cheio de rapé (tabaco em pó), pó de carvão e resquícios do mineral horneblenda. Este último é um componente que forma vários tipos de rocha, incluindo o granito.
Uma visita pela vizinhança fez com que a investigação chegasse a Karl Laubach, que trabalhava em um gasômetro, onde carvão era constantemente queimado. O local ficava em uma pedreira, onde se encontra o mineral. Enquanto eles levavam o suspeito para responder umas perguntas, os detetives verificaram as unhas dele e acharam todos os componentes do lenço.
Eles não conseguiram uma confissão do crime: Laubach insistiu que ele não esteve próximo à cena do crime. Infelizmente para ele, a barra da calça estava sem bainha e juntou terra. O detetive Popp averiguou toda a vestimenta e, a princípio, não parecia nada encontrado na plantação: havia uma camada fina de mica, material que não foi encontrado no local do crime. Mas, abaixo dessa camada, havia todos os minerais que Popp encontrou próximo à mulher assassinada.
O que era a camada externa de terra? Popp observou ao redor e descobriu que o caminho entre o campo e a casa de Laubach tinha um tipo particular de mica. Ou seja, não só a geologia ajudou Popp a provar que Laubach assassinou Disch, mas também mostrou a rota que Laubach fez no caminho de volta após o crime.

Rochas que dão origem aos diamantes

Enigma geológico, rochas que dão origem aos diamantes
Pesquisa do IGC/UFMG estuda as rochas que dão origem aos diamantes
Passeando pelas ruas de algumas cidades do interior de Minas Gerais, visitando igrejas e praças, percebe-se a presença de um de seus elementos históricos mais marcantes: o diamante. Ele já motivou tropeiros e comendadores e tornou famosa a escrava Xica da Silva. Ao lado da importância histórico-cultural e econômica, a pedra preciosa desperta também o interesse da geologia. Mais do que o próprio diamante, o que tem motivado pesquisas nas universidades mineiras é a rocha que encerra o mesmo: o kimberlito.
O kimberlito é um conduto vulcânico, ou seja, uma estrutura que conecta a superfície da Terra ao seu interior e por onde o magma (material expelido pela parte visível do vulcão) flui, a partir das partes mais profundas, onde ele se forma. Para visualizar seu formato, basta lembrar que, em inglês, conduto significa neck, ou seja, pescoço.
Kimberlitos são objetos de estudos de pesquisadores do Departamento de Geologia do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a coordenação do professor Geraldo Norberto Chaves Sgarbi. Com o apoio da FAPEMIG, o projeto denominado “Identificação de kimberlitos nas regiões Oeste e Central de Minas Gerais” teve início no ano passado e começou abrangendo as cidades da região do Alto Paranaíba, como Carmo do Paranaíba, Patos de Minas, Arapuá, Coromandel, Patrocínio, Lagoa Formosa e Tiros. A segunda fase do projeto, aprovada pela Fundação no final do ano passado, vai aprofundar as pesquisas já realizadas e abranger também a região central do Estado.
A vegetação indica a presença de rochas vulcânicas
Diamantes mineiros
O diamante forma-se no interior da Terra, em profundidades de cerca de 150 km, sob altas pressões e temperaturas, por átomos de carbono. Segundo o professor Geraldo, o conduto vulcânico atua como uma espécie de “táxi” para a pedra preciosa, visto que o magma, ao subir em direção à superfície, a uma velocidade de aproximadamente 800 km/h, transporta a pedra, que se encontra em estado bruto. Alguns geólogos fazem uma analogia desse magma, que sobe em altíssima velocidade, com uma “perfuradeira química”, que dissolve as rochas encontradas durante sua ascensão.
Todo esse material é submetido a uma pressão muito alta no interior da Terra, a qual é liberada ao atingir a superfície. Nesse momento, o magma kimberlítico geralmente explode, devido à súbita redução da pressão, e se solidifica em uma rocha denominada kimberlito. Quanto aos diamantes, apenas uma ínfima fração resiste a esse transporte até a superfície.
O processo de formação de kimberlitos ocorreu, no oeste mineiro, há cerca de 85 milhões de anos e, hoje, os pesquisadores se deparam com um “enigma geológico”: no Brasil, temos muitos kimberlitos estéreis, ou seja, sem diamantes. Entretanto, a pedra pode ser encontrada em alguns leitos dos rios dessas regiões. Curiosamente, alguns países de dimensões continentais como a Austrália, África do Sul, Canadá e Rússia produzem diamantes não somente através dos leitos dos rios, como no Brasil, mas direto da fonte, ou seja, através dos kimberlitos. Isso fez com que esses países sejam grandes produtores, ultrapassando o Brasil, que foi o maior produtor mundial no século XIX.
Por que não fazemos o mesmo? Porque, pelo que se sabe até então, não temos kimberlitos mineralizados em diamantes. É justamente esse o contexto do enigma: não temos kimberlitos mineralizados, mas temos aluviões com diamantes nas mesmas regiões onde se encontram esses kimberlitos. Então, a pergunta correta é: qual a origem dos diamantes mineiros? Um fator que ajuda a compreender a dificuldade na realização dessas pesquisas é o clima brasileiro, pois, em climas tropicais úmidos, a água aumenta consideravelmente a velocidade das reações químicas. Assim, como os minerais que formam a massa principal do kimberlito não são muito resistentes à degradação química, este se transforma e se confunde com outras rochas.
Prof. Geraldo Norberto Sgarbi, da UFMG
A pesquisa desenvolvida pela UFMG é pioneira no Estado. Além da importância econômica, que não pode ser desconsiderada quando se trata de diamantes, sobretudo em um país de tradição diamantífera, a pesquisa constitui uma base para a geologia, para o conhecimento da terra e dos recursos de que dispomos.
O que os olhos vêem, o coração senteTodas as transformações que ocorrem nas camadas internas da Terra, assim como os elementos que ali se formam, produzem efeitos visíveis na superfície do Planeta. Sendo assim, para descobrir kimberlitos, é possível utilizar alguns critérios físicos que funcionam como indicadores. Segundo o pesquisador, a partir dos estudos teóricos, a equipe, composta de um biólogo e três geólogos, foi a campo em busca dos elementos que pudessem dar indícios da presença de kimberlitos.
Ele destaca o critério geobotâ- nico, que diz respeito à presença das espécies arbóreas Terminalia argentea (capitão), Pseudobombax sp (paineira) e Myrcine sp (pororoca), pois elas utilizam em sua dieta elementos constitutivos do kimberlito. Quanto aos critérios geológicos, tem-se, por exemplo, a presença de uma depressão de formato circular no terreno. Esta pode ter se originado da alteração do conduto vulcânico, considerando-se que, na medida em que essa rocha sobe em direção à superfície, ao longo do tempo, torna-se menos resistente e, portanto, mais suscetível a alterações. Em certos locais, como na África do Sul, a depressão é tão acentuada que o acúmulo de água permite a formação de um lago. Ela é conhecida como cratera “Maar”.
A água também fornece outro indicativo. As chuvas enfrentam dificuldade para erodir as rochas kimberlíticas, pois as mesmas possuem consistência argilosa. Por isso, é comum a formação de rios ou cursos d’água na zona de contato entre o kimberlito e a rocha não-mineralizada que estiver em contato, chamada de rocha encaixante. Dessa maneira, muitos kimberlitos são, a priori, identificados em função de uma diferença física entre as duas rochas. É preciso considerar que essa zona de contato já vem recebendo um fluxo de água há milhões de anos, o que propicia uma espécie de abertura prévia, um canal natural. Assim, o rio evolui, causando erosão em ambas as rochas.
Outro critério de campo é a ocorrência de uma “capa de canga”, rocha rica em ferro. Essa formação, que possui cor avermelhada, ocorre apenas sobre o kimberlito, porque o mesmo é composto de minerais ricos em ferro, como magnetita e hematita (produto de alteração da magnetita). A existência de ferro condiciona também a presença de cupinzeiros de cor vermelha, ao passo que os cupinzeiros de cor clara são aqueles que se instalam sobre alguns tipos de rochas encaixantes.
A vegetação natural, assim como a agricultura, também pode ser usada para identificar kimberlitos. É que o solo composto por rochas kimberlíticas é mais fértil devido à forte presença de elementos como potássio, cálcio e magnésio. Por isso, as espécies vegetais encontradas sobre o kimberlito são mais saudáveis que aquelas encontradas no entorno. As rochas encaixantes são relativamente estéreis, em decorrência da forte presença de alumínio e sílica. Como pode ser visto na fotografia acima, referente ao kimberlito batizado pelos pesquisadores de “Larissa”, a cor e a textura fazem a diferenciação entre o kimberlito (verde-escuro) e a rocha encaixante (verde mais claro). Ao fundo, existe o vale de um córrego que flui no contato entre o kimberlito e sua encaixante. Essa estrutura encontra-se na cidade de Carmo do Paranaíba.
Amostra de Kimberlitos, rochas associadas à presença de diamantes
Do campo para o laboratórioUma vez identificados visualmente esses aspectos, os pesquisadores partem para a procuraefetiva do kimberlito, cavando a terra. De acordo com os conhecimentos teóricos sobre a rocha intrusiva, os pesquisadores coletam o material desejado e levam para o peneiramento. Para facilitar a busca, considera-se a presença de pequenos minerais coloridos, como piropo, ilmenita, diopsídio e espinélio, minerais satélites ou indicadores de diamantes que, por sua vez, apontam para a existência de kimberlitos, pois desenvolvem-se junto aos diamantes e são resistentes ao clima tropical úmido. Se o resultado observado na peneira apresentar um aspecto de gradação do claro (borda) para o escuro (centro), com a presença desses minerais indicadores, significa que temos um kimberlito.
Os estudos não param por aí. Com o intuito de refinar a pesquisa, os mine-rais encontrados são levados para análises mineralógicas e químicas na UFMG. A análise mineralógica é feita através de um método denominado Espectroscopia Raman, que visa a identificar o tipo de mineral. Cada amostra é levada até uma sonda, que emite um feixe de laser, fazendo com que o mineral emane energia de acordo com seu sistema cristalino. Cada mineral possui seu espectro próprio, como uma impressão digital, que permite distingui-lo entre os demais. Essa técnica é utilizada para checagem de jóias, a fim de atestar se a mesma é verdadeira ou falsa, natural ou sintética. O próximo passo é a análise química, realizada por meio de uma microssonda eletrônica. Esse aparelho permite determinar os componentes químicos dos minerais. Numa análise direcionada aos kimberlitos, o resultado que indica a possibilidade de se obter diamantes expressa altos teores de cromo e magnésio, e baixos de cálcio. Todos esses equipamentos foram adquiridos com os recursos da FAPEMIG.
Subindo o leito do rio a pesquisa desenvolvida vem investigando a existência de diamantes nas crateras kimberlíticas, ou seja, direto da fonte. Mas, como saber se os diamantes encontrados nos leitos dos rios são de fato originados dessas rochas ou vieram transportados de outros locais? De acordo com o professor Geraldo, a próxima etapa da pesquisa é fazer o caminho inverso, ou seja, partir do leito do rio em direção às possíveis fontes kimberlíticas. O objetivo é verificar qual a localização do kimberlito erodido que fez com que os minerais fossem encontrados em determinado rio. O pesquisador conta que, em função dos minerais satélites – pois o diamante em si é muito difícil de ser encontrado –, os pesquisadores começam a subir o rio em direção contrária ao seu escoamento, que é sempre em função da gravidade. Assim, tem-se a rocha fonte dos minerais indicadores e, portanto, do diamante.
Outro aspecto teórico da segunda parte da pesquisa é o cálculo da distância de transporte do mineral, através do formato do grão. Quanto mais longa a distância em que foi transportado por um rio, mais arredondado é o fragmento, pois o atrito ocasiona a perda dos cantos. Além da pesquisa de campo, os geólogos utilizarão um equipamento importado, semelhante a um tambor giratório, que simula a erosão de um rio, para a realização desse cálculo.
O geólogo ressalta, ainda, o interesse que a pesquisa despertou nos garimpeiros, através de divulgação na mídia eletrônica especializada. Muitos entraram em contato com ele através de e-mail para adquirir mais informações sobre o assunto, além de procurá-lo no próprio campo. Ele lamenta, porém, a falta de iniciativas governamentais, como cursos de capacitação, no sentido de preparar melhor esses trabalhadores e conscientizar sobre a preservação do meio ambiente. Para o professor Geraldo, os garimpeiros são pessoas inteligentes e intuitivas, mas que não tiveram oportunidade de estudar. “Se eles tivessem oportunidade de conhecer a Geologia, porque, no final das contas, eles estão trabalhando como geólogos, acho que o trabalho seria mais produtivo e traria menos impactos ao meio ambiente”, completa.

Garimpeiro Janjão: ”Ainda vejo no ouro o futuro de Itaituba e região do Tapajós”

Garimpeiro Janjão: ”Ainda vejo no ouro o futuro de Itaituba e região do Tapajós”

Janjão faz um relato de sua trajetória de vida do Maranhão até Itaituba

Garimpeiro Janjão
Garimpeiro Janjão
A garimpagem do Tapajós, após longa trajetória em sua produção, ganha novo componente que é o alto investimento em pesquisa e tecnologia. Mesmo com as controvérsias e os impasses das PLGS que atualmente estão “travando” um processo mais dinâmico na sua produção, isto muito mais que obstáculos têm servido de desafios a serem superados.
Desafios e um olhar diferenciado sobre o futuro dessa economia que ainda representa mais da metade do dinheiro que circula na região, tem sido a meta constante do garimpeiro Janjão, que com o sucesso de sua exploração aurífera abandonou a atividade empresarial (ramo de confecções e locação de motos) que tinha em Itaituba para se dedicar exclusivamente a garimpagem.
Janjão homenageado no dia do garimpeiro (21 de Julho)
Janjão homenageado no dia do garimpeiro (21 de Julho)
Mas consolidar um investimento de sucesso não foi tarefa das mais fáceis. Sem capital de giro suficiente para explorar ouro, Janjão como é mais conhecido, “na cara e na coragem” iniciou seu primeiro ciclo de exploração no Garimpo São Bento (o nome do garimpo é uma homenagem a sua cidade natal, São Bento, no Maranhão) numa atividade que perdurou 1977 a 1993 (documentado de acordo com a legislação mineral do País). Como um autêntico guerreiro que abre pausa numa luta, João Raimundo de Barros (Janjão) deu uma parada para retornar dessa vez com mais estrutura, já que iniciou com apenas três pares de máquina.
A determinação do ex-empresário no ramo de confecções e de locação de motos deu certo, Janjão, de forma estratégica como investidor visionário, com sua produção aumentando consideravelmente, no segundo ciclo de exploração adquiriu máquinas PCS se adequando ao novo ciclo de exploração com uso dessas máquinas, e para facilitar sua interação com Itaituba e região em sua infraestrutura, com duas aeronaves.
“Cheguei em 1976, de São Bento, do Maranhão, lá trabalhava como agricultor, vim ao Pará passando por Tomé Açu, onde trabalhei com o fazendeiro Jovino dos Reis Botelho, de diarista, tropeiro, empreiteiro e juquireiro”, disse Janjão.
Garimpo São Bento com alto investimento em PCS
Garimpo São Bento com alto investimento em PCS
João Raimundo de Barros que sintetizou acima sua jornada de saída do estado do Maranhão chegou ao nosso Estado ainda jovem, com 20 anos, com a cabeça cheia de sonhos e o coração repleto de esperança. Janjão diz que estudou somente na escola da vida, sendo aprovado com louvor na disciplina “Sofrimento e soube como vencer dificuldades”.
Sobre essa página virada em sua vida Janjão diz não ter nenhuma receita pronta, mas acredita que a fé em Deus seja a principal alavanca para quem quiser, como ele, galgar os diversos degraus da vida e se tornar um autêntico vencedor em qualquer ramo de atividade.

Ferrosos ou metais básicos?

Ferrosos ou metais básicos?



 
Os últimos cinco anos foram terríveis para a mineração.

No período a maioria das commodities caíram .
O fenômeno afugentou os investimentos e reduziu significativamente o valor de mercado da maioria das mineradoras.

Os maiores impactos foram sentidos pelas mineradoras de minério de ferro, muitas das quais tiveram que fechar as portas. Minas e projetos foram paralisados. A maioria, possivelmente, não voltará a operar tão cedo.

Algumas mineradoras, que haviam apostado em várias commodities para se proteger de crises como esta, viram horrorizadas os preços do minério de ferro e dos metais básicos (cobre e níquel) serem reduzidos ao longo de cinco anos de queda quase ininterrupta.

O gráfico mostra que os principais metais básicos da indústria, o cobre e o níquel, também caíram quase tanto quanto o minério de ferro.

Estas quedas afetaram sobremaneira a Vale, que é a maior produtora de minério de ferro e uma das maiores de níquel. A empresa viu o seu valor de mercado derreter como um sorvete no asfalto de 40 graus. Em cinco anos ela perdeu 88% do seu valor de mercado tirando o sono, e o dinheiro, de milhares de investidores ao redor do mundo.

Um desastre.

O mesmo cenário atingiu, também, a maioria das mineradoras, algumas das quais mergulharam em dívidas apostando em uma recuperação que nunca veio. É o caso da Glencore que hoje luta para não desaparecer.

A surpresa veio de onde ninguém esperava. O zinco é o metal básico que quase não perdeu valor ao longo de cinco anos.

Esta estabilidade deve-se a depleção das minas e a ausência de descobertas de jazimentos importantes nos últimos anos.

A última grande fase de pesquisa foi nas décadas de 70 e 80, quando o mundo da exploração mineral se voltou, quase que exclusivamente, para a busca dos metais básicos.

Hoje, três a quatro décadas depois, as jazidas que antes sustentavam as economias, começam a se exaurir.

Algumas minas como Perseverance e Brunswick que produziam juntas mais de 335.000t fecharam.

Outras estão quase fechando.

É o caso de Century, um mega jazimento de zinco na Austrália que deverá reduzir a sua produção em 31% em 2015. O mesmo fenômeno ocorre com inúmeras jazidas de chumbo e zinco ao redor do mundo.

Somente em 2014 o mercado de zinco mundial teve um déficit de 309.000 toneladas de zinco. A tendência é que esse déficit se agrave e que, em consequência, os preços escalem.

Quem sabe o zinco não seja o metal que vai iniciar um novo ciclo de pesquisa mineral de nível mundial?

Afinal, um dia desses o período de quedas deve acabar e um novo superciclo de commodities vai comandar, mais uma vez, o mundo mineral.